April 09, 2026

da pocilga americana

 


🎯

 

Citação deste dia



Yossi BenYakar

«O Islão institucionalizado é incompatível com a civilização ocidental.»

Quando uma ideologia trata as mulheres como propriedade e reprime a dissidência, a crítica não é ódio, é auto-defesa.

Está na hora de acordar, países ocidentais!

A Inglaterra está perdida

 


O islão explica-se a si mesmo

 

O coração do Islão não é nenhum Deus mas sim é a escravatura das mulheres. A esquerda quer importá-los.


Islamofascismo


O islão explica-se a si mesmo

 

A esquerda quer importar esta 'cultura'.

Tudo o que está mal e tem de ser mudado na UE a respeito da Hungria, da Ucrânia e da Rússia

 


Aqui há umas semanas, depois de Orban ter mandado raptar ucranianos e roubar os valores que transportavam e pertencem à Ucrânia, e ainda ameaçar a Ucrânia, a UE pregou um raspaste público a Zelensky por ele ter dito que podia dar o endereço de Orban aos militares ucranianos. Fiquei chocada. Não com a resposta de Zelensky mas com a reacção da UE. A lealdade e defesa dos parceiros da União não pode ser incondicionada, pois nesse caso não somos parceiros mas um gang. A Ucrânia está a defender a Europa da Rússia, Orban está a laborar para a destruição da UE e da Ucrânia. Quem é que aqui é nosso parceiro? Porque é que a UE tem sempre desculpas para encaixar a traição de Orban e é lesta a passar reprimendas a quem nos defende? A Ucrânia está a defender-se de uma guerra. Não é uma guerra de computador ou uma guerra virtual, é uma guerra onde todos os dias morrem pessoas, civis, crianças, onde a vida está um caos, cidades inteiras desapareceram. Alguém imagina Berlim e Hamburgo desapareceram, em escombros? Paris ou a Cote D'azur serem apenas pó e lama? Estocolmo? Veneza? Orban está do lado do inimigo a congeminar a queda de Zelensky e da Ucrânia. Mas a UE não se vê como uma cópia de Trump quando adopta as estratégias de humilhação dele em relação a Zelensky? Se Orban está cada vez mais afoito na defesa de Putin contra a UE e contra a Ucrânia é porque a UE deixa-o fazer o que quer e como quer. Numa situação de guerra é preciso agir rapidamente para anular as forças de bloqueio e de destruição. E Orban é a principal na UE. 


O Mago do Kremlin (The Wizard of the Kremlin)

 


Fui ver este filme, apesar de ter lido críticas negativas nos jornais e sites ingleses. Estava muito interessada no tema. O filme é uma adaptação do do romance original de Giuliano da Empoli com o mesmo nome. 

Escritor e analista político ítalo-suíço, formado em Direito (La Sapienza) e Ciência Política (Sciences Po), foi assessor do primeiro-ministro italiano Matteo Renzi, vice-prefeito de Florença e membro do conselho da Bienal de Veneza. Conhecedor profundo dos meandros do poder e investigador político, este assessor escreveu este livro inspirado em outro assessor, Vladislav Surkov, o chamado Cardeal Cinzento - um intelectual, dramaturgo, escritor, homem da comunicação e da propaganda que decidiu servir Putin, a partir do final da década de 90. (Expresso)

Gostei do filme e é um filme que deve ver-se no cinema. Penso que foi filmado em Latvia. O enquadramento da acção nas paisagens, exteriores e interiores deve ver-se em tela grande. Logo o início do filme é uma cena entre bosques de neve, abetos e pinheiros, na casa de Vadim Boranov - que representa o tal assessor de comunicação de Putin, Vladislav Surkov. Vemos logo que a cenografia do filme vai ser boa. 

O filme é enorme. Abrange a época da Rússia que vai desde Yeltsin até invasão da Crimeia. É em inglês, o que se percebe, mas tira-lhe um bocadinho de força. No entanto, é um filme para consumo ocidental, para que se perceba um pouco do que foi essa época de transição e caos até à caída em nova ditadura. Portanto, é um filme sobre a ascensão de Putin vista e, em parte, orquestrada, pelo seu assessor.

O filme está de acordo com a visão que tenho, do que leio, dos anos de excessos libertários de Yeltsin, de como alguns se aproveitaram dessa nova liberdade para enriquecer, de como ninguém exercia controlo sobre coisa alguma e de como Putin foi escolhido por oligarcas, muito ingénua e estupidamente, para ser um testa de ferro manipulável ao serviço dos oligarcas. Devorou-os a todos.

Uma coisa fica clara no filme, embora nunca seja abordada, sequer: a Rússia não tem, nem nunca teve instituições, com excepção do KGB. É a única força estruturada, com uma hierarquia estável e contínua no tempo. Não há intermédios entre o homem do poder e o povo. O poder é vácuo, não tem conteúdo e reduz-se à vontade do homem forte. No tempo dos czares o poder estava descentrado nos vários senhores feudais, a nobreza, mas também não tinha instituições que preservassem a lei e a ordem independentemente do chefe. Desde a revolução do horror vermelho de sangue, o poder passa de um facínora para outro sem nunca criar raízes em instituições que cuidem do povo. E é por isso que o povo não espera ser tratado como tendo direitos. Esperam ser tratados como crianças. E a única coisa que temem são os homens do KGB. Ora Putin é o quê? Um homem do KGB.

Quem faz de Putin é Jude Law. De início nem percebi que era ele. Está muito parecido com o Putin inicial do ano 2000. Ele faz bastante bem esse papel de homem habituado a saber tudo de toda a gente, a desprezar toda a gente por saber os seus pequenos pecadilhos e usá-los para humilhar e para a vingança, um homem poderoso mas parado na pobreza inicial da sua vida. Muito complexado por isso. Um indivíduo calculista e narcísico que foi piorando ou reforçando o que já tinha de mau, à medida que crescia em poder. Uma pessoa que não se importa de atirar a Rússia para o inferno por ganância de poder. Um tipo raivoso, cheio de paranóias, desejos de vingança e hábitos de fazer desaparecer quem não gosta. Sem lealdade a ninguém.

Paul Dano é o assessor. Um liberal dos anos 90 que não gosta do estudo e se habitua ao poder. Um Maquiavel dos tempos actuais. Grande parte do filme somos nós a acompanhar os meandros dos seus raciocínios maquiavélicos sobre como manipular tudo e todos para criar um caos sem estrutura nem ordem, onde só o medo do ditador impera.

Varoufakis - Será que este indivíduo se apercebe que quando fala papagueia o discurso da extrema-direita?

 

Qual é a diferença entre o seu discurso e o de Alice Weidel? E qual é a diferença entre os discursos destes dois e o de Trump? Nenhuma diferença. Ele não se dá conta do ridículo que é falar contra Trump e a direita imperialista e depois repetir palavrinha por palavrinha as palavras de Weidel e de Trump quanto à Rússia, pondo-se no ponto de vista imperialista daqueles dois? O que tem mais piada é ele ter escrito um livro sobre tecno-feudalismo e apresentar-se com o discurso da extrema-direita de apoio a Putin, o Warlord, e à sua visão de imperialismo feudal.
Agora repete por todo o lado a expressão de 'crime contra a lógica' a propósito da Europa apoiar a Ucrânia e vê-se que está muito orgulhoso de a ter inventado. Ele tem o mesmo pressuposto da extrema-direita que na sua cabecinha é diferente dele: Putin é formidável e tem petróleo. A Ucrânia deve submeter-se porque é o que fará mais tarde ou mais cedo. A Europa deve voltar as costas à Ucrânia e fazer o que lhe rende mais dinheiro. Se não soubéssemos que Varoufakis é da extrema-esquerda pensaríamos estar a ouvir um seguidor de Trump. Patético... Ontem fui ver o filme, The Wizard of the Kremlin e a personagem Putin, a propósito de Boris Berezovsky, diz o seguinte: "não deixes que a sua inteligência esconda a sua estupidez." Aplica-se inteiramente a Varoufakis.



Continuem assim que vão bem

 




April 08, 2026

Blast from the past (22.01.11)



(já não me lembrava de ter escrito isto a propósito do acordo ortográfico simplex)


A cor do horto gráfico
por beatriz j a, em 22.01.11

... já aprovado pela nova Ministra do saber


Última actualização do dicionário de língua portuguesa - novas entradas:

Arbusto: Busto com um certo ar
Testículo: Texto pequeno
Abismado: Sujeito que caiu a um abismo
Pressupor: Colocar preço em alguma coisa
Biscoito: Fazer sexo duas vezes
Bigode: Duplo Deus britânico
Coitado: Pessoa vítima de coito
Padrão: Padre muito alto
Estouro: Boi que sofreu operação de mudança de sexo
Democracia: Sistema de governo do inferno
Barracão: Proíbe a entrada de caninos
Homossexual: Sabão em pó para lavar as partes íntimas
Ministério: Aparelho de som de dimensões muito reduzidas
Detergente: Acto de prender seres humanos
Eficiência: Estudo das propriedades da letra F
Conversão: Conversa prolongada
Halogéneo: Forma de cumprimentar pessoas muito inteligentes
Piano: Ano Internacional da descoberta de Pi (3,1416)
Expedidor: Mendigo que mudou de classe social
Luz solar: Sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco: Mania por Eric Clapton
Tripulante: Especialista em salto triplo
Contribuir: Ir para algum lugar com várias tribos
Aspirado: Carta de baralho completamente maluca
Assaltante: Um 'A' que salta
Determine: Prender a namorada do Mickey Mouse
Vidente: O que o dentista diz ao paciente
Barbicha: Bar frequentado por gays
Ortográfico: Horta feita com letras
Destilado: do lado contrário a esse
Pornográfico: O mesmo que colocar no desenho
Coordenada: Que não tem cor
Presidiário: Aquele que é preso diariamente
Ratificar: Tornar-se um rato
Violentamente: Viu com lentidão

E

Língua "perteguesa"... PORQUE O SABER NÃO OCUPA LUGAR!

Prontus
Usar o mais possível. É só dar vontade e podemos sempre soltar um 'prontus'! Fica sempre bem.

Númaro
Também com a vertente 'númbaro'. Já está na Assembleia da República uma proposta de lei para se deixar de utilizar a palavra NÚMERO, a qual está em claro desuso. Por mim, acho um bom númaro!

Pitaxio
Aperitivo da classe do 'mindoím'.

Aspergic
Medicamento português que mistura Aspegic com Aspirina

Alevantar
O acto de levantar com convicção, com o ar de 'a mim ninguém me come por parvo!... alevantei-me e fui-me embora!'.

Amandar
O acto de atirar com força: 'O guarda-redes amandou a bola para bem longe'

Assentar
O acto de sentar, só que com muita força, como fosse um tijolo a cair no cimento.

Capom
Tampa de motor de carros que quando se fecha faz POM!

Destrocar
Trocar várias vezes a mesma nota até ficarmos com a mesma.

Disvorciada
Mulher que diz por aí que se vai divorciar.

É assim...
Talvez a maior evolução da língua portuguesa. Termo que não quer dizer nada e não serve para nada. Deve ser colocado no início de qualquer frase.

Entropeçar
Tropeçar duas vezes seguidas.

Êros
Moeda alternativa ao Euro, adoptada por alguns portugueses.

Também conhecida por "aéreos"


Falastes, dissestes...
Articulação na 4ª pessoa do singular. Ex.: eu falei, tu falaste, ele falou, TU FALASTES...

Há-des
Verbo 'haver' na 2ª pessoa do singular: 'Eu hei-de cá vir um dia; tu há-des cá vir um dia...'

Inclusiver
Forma de expressar que percebemos de um assunto. E digo mais: eu inclusiver acho esta palavra muita gira. Também existe a variante 'Inclusivel'


A forma mais prática de articular a palavra MEU e dar um ar afro à língua portuguesa, como 'bué' ou 'maning'. Ex.: Atão mô, tudo bem?

Nha
Assim como Mô, é a forma mais prática de articular a palavra MINHA. Para quê perder tempo, não é? Fica sempre bem dizer 'Nha Mãe' e é uma poupança extraordinária.

Parteleira
Local ideal para guardar os livros de Protuguês do tempo da escola.

Perssunal
O contrário de amador. Muito utilizado por jogadores de futebol. Ex: 'Sou perssunal de futebol'. Dica: deve ser articulada de forma rápida.

Prutugal
País ao lado da Espanha. Não é a Francia.

Quaise
Também é uma palavra muito apreciada pelos nossos pseudo-intelectuais... Ainda não percebi muito bem o quer dizer, mas o problema deve ser meu.

Stander
Local de venda. A forma mais famosa é, sem dúvida, o 'stander' de automóveis. O 'stander' é um dos grandes clássicos do 'português da cromagem'...

Tipo
Juntamente com o 'É assim', faz parte das grandes evoluções da língua portuguesa. Também sem querer dizer nada, e não servindo para nada, pode ser usado quando se quiser, porque nunca está errado, nem certo. É assim... tipo, tás a ver?

Treuze
Palavras para quê? Todos nós conhecemos o númaro treuze.

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Tags:
acordo ortográfico

publicado às 10:49

🎯 Educação - o nível dos alunos baixa porque baixámos as exigências

 

O oposto não é verdade.

Vance veio à Europa incentivar o ódio à UE

 

BUDAPESTE, 7 de abril (Reuters) – O vice-presidente dos EUA, JD Vance, criticou duramente na terça-feira o que classificou de «vergonhosa» interferência da União Europeia nas eleições da Hungria, ao mesmo tempo que manifestou abertamente o seu apoio ao primeiro-ministro Viktor Orbán, um aliado próximo tanto do presidente Donald Trump como do presidente russo Vladimir Putin, poucos dias antes da votação.

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Primeiro Putin organizou uma pseudo-tentativa de assassínio para Orban ganhar as eleições (como fez com Trump?) que saiu furada. Depois Trump e Vance apoiam Orban. Isto não é acerca de apoiar Orban, é acerca de destruir a UE e forçar a rendição da Ucrânia a Putin.

A questão é: os EUA não precisam de Orban mas precisam da Europa. Precisam da Europa na NATO e fora dela, no comércio. Já agora, depois de ter hostilizado a UE e ter ameaçado de invasão países da NATO, bem como depois de ter retirado apoio à Ucrânia, está a sofrer a recusa da Europa em ajudá-lo no ataque ao Irão. 

Se a UE não for idiota, daqui a uns anos já tem um exército e armas de defesa próprias e nem precisa das armas que os EUA têm espalhadas pelos países europeus. Nessa altura, as ameaças veladas de retirar as armas e o dinheiro da NATO vão ter pouco efeito. SE a UE não for idiota e souber fazer mudanças que vão no sentido de reforçar a União e a defesa comum.

A ideia destes novos EUA de Trump de que vão destruir a UE de maneira que os países europeus voltem à singularidade manipulável do pós-guerra é ridícula. 

Esta semana uma fábrica de drones ucranianos começou a sua laboração na Alemanha. Um país da NATO. Não é uma fábrica alemã a produzir drones para a Ucrânia. É uma fábrica ucraniana na Alemanha, um país da NATO, a produzir drones. Não sei se é a 1ª... mas a questão é que a Ucrânia já tem um pé firme na defesa da UE.

April 07, 2026

Há quem tenha muita fé no próximo



O juiz do caso do médico Gerhardt Konig que planeou matar a mulher numa caminhada em Honolulu está há 20 minutos a dar instruções ao júri com definições legais pormenorizadas e complexas. Não é possível que se lembrem daquilo tudo e mesmo que depois tenham acesso ao documento, são dezenas de páginas com pormenores legais... Há quem tenha muita fé no próximo.

https://www.youtube.com/watch?v=_30jalCTggw

A minha aposta é que o júri leve 2 horas a declarar-lo culpado de todas as acusações. Há tanta prova contra ele, mas tanta... e a história dele é ridícula e contrária a todas as evidências que corroboram o testemunho da mulher dele, que ele planeou, matar pela razão de que não querer os custos de um segundo divórcio também com dois filhos, com mais outra pensão alimentar, etc.

De facto, é verdade aquela frase de que os homens têm medo de que as mulheres se riam dele mas as mulheres têm é medo de que eles as matem, que foi o que este tentou fazer e se não fossem as duas enfermeiras apanharem-no no acto, era mais uma morte 'acidental' e um marido inconsolado...

Hoje é o último dia. O advogado de acusação fez as suas alegações finais. Foi muito bom a partir das evidências para o plano e não o contrário. Agora está o advogado da defesa a fazer alegações. Está em modo desesperado a tentar levantar dúvidas razoáveis à enorme quantidade de evidências. E fá-lo mal. Não é convincente.


Fui dar com isto



Com base em relatórios do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicados no final de 2010, economistas da instituição identificaram que o fosso crescente entre ricos e pobres foi um factor fundamental na origem da crise financeira de 2008. (RTP 1)

Desigualdade e Especulação: A análise indicou que, à medida que a diferença de rendimentos aumentava (especialmente nos EUA), os grupos de rendimentos mais baixos recorreram ao endividamento (alavancagem) para manter o consumo, enquanto os mais ricos acumulavam capital, gerando um ambiente propício à especulação e, consequentemente, a crises financeiras.

Políticas Redistributivas: O FMI apontou que o restabelecimento do poder de negociação dos grupos de menor rendimento seria mais eficaz na prevenção de crises do que resgates financeiros ou reestruturações de dívida, pois abordaria a causa estrutural do desequilíbrio.

Contexto de 2008: O choque de 2008 foi, segundo essa visão, resultado de um longo período de concentração de riqueza no topo e aumento da alavancagem financeira do restante da população. (FMI)

Estudos posteriores e análises complementares do FMI confirmaram que políticas pré-crise e a gestão da desigualdade influenciaram a forma como os países recuperaram.

Blast from the past (07.04.09)

 

Descubra o emplastro

por beatriz j a, em 07.04.09

 

 Quatro atletas e um emplastro. Onde está o emplastro?

 

                                        

    foto jornal SOL

Varoufakis sendo ele mesmo

 


O líder do DiEM25 criticou veementemente as políticas da Europa em relação à Rússia no contexto da guerra em curso na Ucrânia, classificando-as como um «crime contra a lógica» que, em última análise, prejudica o continente europeu.


🇺🇦 Coisas óbvias

 

Isto é como Trump querer a ajuda da UE ao mesmo tempo que manda o Vancing Queen à Hungria apoiar Orban a minar a UE.

Acerca da educação escolar

 

Algumas turmas requerem que o professor trabalhe incansável e constantemente, com determinação, na imposição de regras de convivência comum e na gestão de expectativas, apenas para chegar a um  nível de comportamento mínimo aceitável de respeito (uns pelos outros e pelo professor) dentro da sala de aula (sem o qual nenhuma experiência de aprendizagem é possível), nível esse de que outras turmas partem naturalmente sem grande esforço.

Às vezes, nessas turmas completamente impreparadas para a aprendizagem académica, onde uma parte grande do tempo é passado a educar e regular as competências sociais dos alunos, têm lá um aluno excepcional, do ponto de vista académico e também pessoal. São alunos cujo potencial nunca será plenamente desenvolvido, nem de perto nem de longe, naquele contexto. Têm excelentes notas, sim, mas fazendo o mínimo pois estão numa turma onde se trabalha para conseguir chegar ao mínimo. Se estivessem em outra turma onde o mínimo dos mínimos é o máximo dos máximos da sua, teriam outro nível de aprendizagem e de oportunidades futuras. A injustiça dessa situação chega a causar maior stress que a gestão da turma com essas características descritas. 

Já quando entram no secundário, alunos que vêm com classificações de 5 a todas as disciplinas mostram, muitas vezes, falhas ao nível do pensamento analítico, organização conceptual, gestão de expectativas, etc. Quando falamos com os seus professores anteriores, dizem-nos, 'essa aluna/o estava numa turma tão má, com um comportamento tão mau, cheio de problemas disciplinares que nem sei como conseguiu manter-se focada apesar de tudo.' Como geralmente os alunos potencialmente excelentes não estão em turmas assim tão más, esse prejuízo nota-se menos, mas existe. Se depois entram numa turma de comportamento e preparação académicas normal, rapidamente ajustam as suas expectativas e progridem, mas se entram numa das outras turmas, estragam ali o potencial do seu futuro. Isto custa muito ver acontecer.

É por isto que hoje-em-dia muitos pais, podendo, tiram os filhos da escola pública. Não estão dispostos a que os filhos sejam cobaias em experiências sociais onde se junta tudo ao molho e à balda nas mesmas turmas com o pretexto ideológico da pseudo-inclusão.

O sistema educativo público existe, não apenas para introduzir as crianças e jovens na sociedade portuguesa (cultural, laboral, etc.) mas também para que possam evoluir nas suas potencialidades globais e interesses, enquanto pessoas. Queremos que a educação pública seja um canal de equidade social, onde os menos favorecidos social e economicamente possam ter acesso a uma aprendizagem que se traduza depois em oportunidades. Só que isso não é possível no modo como a escola está organizada, que é aritmeticamente: dividir o número de alunos por x turmas de x alunos cada, indiferenciadamente, incutir-lhes a ideia de que devem ir todos para a universidade, estudem ou não estudem, venham ou não às aulas, etc.

Uma maioria de alunos não gosta do estudo e não o pratica (aliás com o apoio dos pais que se queixam de ter de acompanhar os filhos no estudo). Tudo que tem que ver com estudar, com compreender conceitos abstractos, fundamentos teóricos, é um sacrifício enorme tirado a ferros. Sempre foi assim, só que agora piorou com as redes sociais e o mundo digital de um contínuo entretenimento como ideal de vida, que os forma como seres intelectualmente passivos, o que é oposto do que devem ser academicamente.

Portanto, estou de acordo em:

1º- Refazer os cursos profissionais. Muitos alunos que definham em cursos de prosseguimento de estudos e que irão engrossar o número dos nem-nem, prosperam em cursos profissionais. Temos falta de trabalhadores em muitas áreas, temos alunos que seriam bons num curso desses, mas dada a organização do sistema, estão em turmas de prosseguimento de estudos a fazer quase nada e, pior, a sabotar as oportunidades dos alunos que querem estudar;

2º - Os alunos deviam ser divididos, a partir de uma certa idade e consoante o seu percurso escolar até então, em alunos 'de desempenho Proficiente' e alunos 'de desempenho Avançado'¹. Esta classificação poria alunos em turmas de nível diferente, com expectativas diferentes quanto ao tipo de curso a seguir - resguardando sempre a possibilidade de um aluno num percurso poder passar do nível proficiente para o nível avançado se alterasse o seu nível de desempenho.

Esta prática permite não sacrificar os alunos com maior potencial de aprendizagem avançada no altar da inclusão fictícia, permite orientar alunos que nunca passarão do nível proficiente para cursos mais adequados às suas competências, permite que estes alunos sintam a escola como útil às suas aspirações de vida prática e, em geral, permite à própria educação pública cumprir o seu desígnio.

Muito são contra esta ideia alegando que no tempo de Salazar quem ia para essas escolas eram os alunos pobres e que agora iria acontecer o mesmo mas, na realidade, há imensos alunos com muito potencial entre os economicamente desfavorecidos cuja inclusão em turmas de alunos desinteressados no conhecimento e no estudo, são o maior obstáculo ao seu desenvolvimento e ao acesso a oportunidades que podiam ter. Alguns são alunos que nem sabem ainda o potencial que têm para o estudo, de tal maneira andaram sempre em turmas onde só se pode trabalhar para os mínimos. São sacrificados no ideal da igualdade, que não existe. 

As pessoas não são iguais. Existem num largo espectro de interesses e capacidades teóricos e/ou práticos. Qualquer professor que trabalhe com alunos numa escola, onde apanha de tudo, sabe isto perfeitamente e a ideia de que, se os professores forem bons todos os alunos passam a querem estudar e aprender é um mito de efeitos castradores para muitos alunos: os que se interessam pelos conhecimentos e não conseguem progredir em turmas de desinteressados e os desinteressados no estudo que não conseguem tirar utilidade da escola num curso prático para o qual estão vocacionados.

Porém, como a seguir ao 25 de Abril a esquerda rotulou os cursos profissionais como fascistas e descriminadores -o que se percebe, à época- esses cursos nunca mais se livraram do rótulo de cursos discriminatórios. É uma pena. Este ano tinha um aluno numa turma de prosseguimento de estudos a fazer nada, desinteressado de tudo. Ainda no 1º período mudou para um curso profissional. Está contentíssimo e com boas notas. O professor de matemática, que dá aulas a ambas as turmas, diz que ele nem parece o mesmo. Já tem um estágio acordado para o ano que vem e está entusiasmado.

Os alunos são pessoas reais, não são entidades abstractas, categorias de ideologias em disputa. Se queremos resolver os problemas temos que olhar os factos e partir daí. 

É claro que os cursos universitários também teriam de reorganizar-se. Neste momento, a maioria dos cursos universitários, por conta da mediocridade da escola pública e da degradação da própria universidade, já não serve o seu propósito de avançar o conhecimento para benefício de todos (veja-se o ataque à ciência fundamental²) e dedica-se apenas a treinar alunos a ter acesso a profissões onde possam fazer muito dinheiro. 

Não digo que estes cursos de ensinar a ganhar dinheiro devem acabar, mas digo que deve haver, nas universidades, uma divisão, a certa altura do percurso do alunos, entre os que querem esse tipo de curso e os que querem avançar o conhecimento porque uns e outros requerem estudantes diferentes, com interesses e perfis diferentes.

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¹- Na proposta das novas AE de Filosofia, distinguem-se, na avaliação, dois níveis de desempenho:  desempenho Proficiente, observa-se uma utilização adequada, consistente e segura dos conhecimentos e das competências em diferentes situações de trabalho escolar, o que possibilita a explicação de fenómenos ou processos, a interpretação de informação e a resolução de tarefas com base no que foi aprendido. Desempenho Avançado, os alunos demonstram uma mobilização mais autónoma, rigorosa e integrada desses conhecimentos e dessas competências. Analisam, interpretam e relacionam informação de forma crítica, utilizam conceitos com rigor e articulam diferentes saberes para explicar fenómenos ou processos de forma fundamentada, revelando maior capacidade de análise, de integração da informação e de aplicação das aprendizagens em diferentes contextos. Estou de acordo com esta divisão.

² - A visão constante dos políticos é a de que temos de investir apenas em tecnologia, apesar de termos uma ou outra universidade excelente na investigação de ciência fundamental (da qual depende a tecnologia), como podemos ler aqui nesta notícia do Público: Trabalho desenvolvido no Técnico premiado pela Sociedade Europeia de Física. “no panorama europeu, este historial coloca o IPFN, o IST e a Universidade de Lisboa em segundo lugar em número de distinguidos com este prémio, apenas atrás da Universidade de Oxford”, com a atribuição deste prémio a Pablo Bilbao a constituir “não só um reconhecimento individual de excelência, mas também um testemunho da força e continuidade da escola de física de plasmas em Portugal”.