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March 07, 2026

Os ficheiros Epstein mostram a escala da cumplicidade com a cultura de violação e pedofilia ao mais alto nível

 



 

O escândalo Epstein é espantoso pela dimensão da cumplicidade e da cultura de violação no topo da sociedade.”

O pensador Marc Crépon, especializado nas formas e nos efeitos da violência, analisa a reacção pública ao escândalo sexual numa entrevista ao Le Monde. Alerta para o risco de se ignorar o sofrimento e o trauma das vítimas.

Entrevista de Yasmine Khiat.

Desde que a administração Trump divulgou mais de três milhões de documentos do processo de Jeffrey Epstein, a 30 de janeiro, o escândalo continua a perturbar a opinião pública. Todas as atenções se voltaram para o financeiro de Nova Iorque que dirigia uma rede internacional de tráfico sexual e abuso sexual de menores.

Marc Crépon, professor de filosofia na École Normale Supérieure, analisa de que forma este escândalo de abusos sexuais pôs a nossa sociedade à prova. O diretor de investigação do Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS) escreveu numerosos livros sobre violência, incluindo Le Consentement meurtrier (Consentimento assassino).

Depois de o escritor Gabriel Matzneff ter sido acusado de violar menores, publicou Ces temps-ci. La société à l’épreuve des affaires de mœurs ("Estes tempos: a sociedade posta à prova pelos escândalos sexuais"), um ensaio em que examina até que ponto a sociedade, no passado, foi complacente perante esse tipo de violência sexual.


De que forma o escândalo Epstein constitui um teste para as nossas sociedades?

O caso Epstein expõe um sistema de utilização e exploração de jovens raparigas, reduzidas ao estatuto de objetos sexuais e colocadas à disposição dos poderosos. É evidente que um escândalo sexual desta natureza põe a sociedade à prova, não apenas porque a confronta com o seu silêncio passado, mas também porque traz consigo várias armadilhas.

A primeira é a deriva para teorias da conspiração, partindo do pressuposto de que todos os que detêm poder são predadores sexuais – quando, na realidade, não se tratava de uma vasta rede, mas antes de um círculo no qual jovens mulheres eram oferecidas a indivíduos muito específicos que beneficiavam dos “favores em espécie” proporcionados por Epstein.

A segunda armadilha é concentrar a atenção apenas nos perpetradores, esquecendo as vítimas e as formas como a violência sexual destruiu as suas vidas.

Como explica o fascínio por Epstein e pelas suas ligações?


Ficamos espantados com a dimensão da cumplicidade e da cultura de violação nos níveis mais altos da sociedade. Jeffrey Epstein foi condenado pela primeira vez em 2008 [sentenciado a 18 meses de prisão] por solicitação de prostituição de uma menor. Tratava-se de crimes extremamente graves, e ainda assim, isso não impediu várias pessoas de manter relações com ele. Continuar a associar-se a Jeffrey Epstein, conhecendo plenamente os factos, equivale a uma total minimização dos seus crimes.

Para ler o resto da entrevista: 
https://www.lemonde.fr/en/opinion/article/2026/02/26

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O escândalo Jeffrey Epstein tem sido descrito por especialistas em direitos humanos, jornalistas e investigadores como um escândalo global profundo, caracterizado pelo abuso sexual sistemático de menores, por uma “cultura de violação”que tratava as vítimas como mercadorias e por uma ampla cumplicidade entre uma rede de indivíduos ricos e influentes. 

A divulgação de milhares de documentos judiciais (os chamados “Epstein Files”) a partir de 2024 expôs ainda mais a dimensão dessa rede, implicando figuras das áreas das finanças, da academia, ciência e da política.

Dimensão 

Abuso sistemático e tráfico:
Especialistas independentes em direitos humanos das Nações Unidas descreveram as alegações como um possível “empreendimento criminoso global”, envolvendo escravidão sexual, tráfico de pessoas e tortura. Assinalaram que os crimes eram tão generalizados que podem atingir o limiar jurídico de “crimes contra a humanidade”.

Rede internacional:
A operação não se limitava a um único local, tendo uma dimensão internacional, com transporte de vítimas entre propriedades nos Estados Unidos, na Europa e nas Caraíbas.

Vitimas:
As vítimas eram frequentemente jovens vulneráveis, havendo indícios de que algumas tinham apenas 9 anos de idade.

Cumplicidade das elites e “cultura de violação”

Um “contexto” de poder:
O escândalo é frequentemente enquadrado não apenas como as ações de um único homem, mas como expressão de uma “cultura de violação” nos níveis mais altos da sociedade, onde estruturas patriarcais e riqueza extrema permitiam a objectificação de mulheres e crianças.

Cumplicidade dos poderosos:
Os documentos revelaram como numerosos indivíduos poderosos — incluindo líderes empresariais, políticos e cientistas — interagiram com Epstein, com alguns a visitarem a sua ilha privada ou a participarem nos seus círculos sociais, mesmo após a sua condenação em 2008.

Falhas institucionais:
O escândalo expôs uma “falha sistémica na proteção das crianças”, com procuradores, advogados, juízes e outros profissionais do sistema jurídico e instituições, muitas responsáveis pela proteção de menores, acusados de permitir ou ignorar os abusos, frequentemente através de acordos judiciais extremamente favoráveis que facilitaram imunidade para os criminosos.

Proteção da reputação:
O aspeto da “cultura de violação” também se evidencia na forma como estes abusos foram tratados por alguns como um “segredo aberto” ou um ruído de fundo normalizado, o que permitiu que continuassem durante anos.

Legado 

Impacto global:
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos citou o caso Epstein, juntamente com outros, como prova de uma emergência global de violência contra as mulheres e do silenciamento das vítimas.

As consequências dos “Epstein Files”:
A divulgação contínua de documentos levou a um intenso escrutínio das elites consideradas cúmplices, com críticos a exigirem responsabilização, observando que apenas uma pessoa (Ghislaine Maxwell) foi condenada em relação à rede de tráfico.

Questões por responder:
Apesar das condenações, continuam a existir dúvidas sobre a verdadeira dimensão da rede e sobre a eventual proteção continuada de outras pessoas envolvidas.

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Um dos documentos que li defende que esta cultura de violação começa com a objectificação das raparigas e mulheres e sempre esteve à vista de todos. Um ex-modelo conta que sempre foi costume os organizadores de festas de homens ricos e poderosos contratarem modelos muito jovens para aparecerem nas festas. Não tinham que fazer nada a não ser está lá e ser simpáticas. Sempre foi uma questão de prestígio, para quem dava a festa ou promovia o encontro, ter as modelos mais novas de idade e mais bonitas para exibir, como quem exibe um Patek Philippe ou um Lamborghini. Como Trump exibe salas decoradas a folha de ouro.

Quando o Lancet revela os números de 840 milhões de adolescentes raparigas e mulheres vítimas de assaltos e abusos sexuais (o que se sabe é sempre menos que a realidade) é evidente que estes números revelam, simultaneamente, uma cultura de normalização e encobrimento dos crimes dos homens - 840 milhões de raparigas e mulheres vítimas de crimes de abuso sexual indicam quantos homens violadores e abusadores sexuais? 840 milhões de homens? Mais?
Muitos países, nomeadamente os islamitas, onde a pedofilia e a violação de raparigas é legal através de leis de casamento pedófilas e criminosas, absorvem grande parte deste número de quase um bilião de raparigas e mulheres abusadas; mas nos outros países não-islamitas com legislações de protecção de menores e criminalizarão de violação, este abuso também se faz meio às claras, com a cumplicidade tácita de todos dos poderes, porque todos vemos como as raparigas e mulheres aparecem a enfeitar o cenário, como objectos-troféu, nas festas de milionários filmadas para as redes sociais, nas festas de eventos de políticos ao mais alto nível, nos filmes, nas revistas, na publicidade da TV, etc.

Os ficheiros Epstein revelam conversas de Académicos eminentes com Epstein, como Noam Chomsky, Joscha Bach (MIT) e outros. Falam sobre controlo da população através da estratégia de fazer com que um filho sais demasiado caro, sobre engenharia genética de pessoas negras e mulheres que defendem serem geneticamente menos inteligentes, sobre alterações climáticas, etc. Epstein, obcecado pela longevidade (Putin também é obcecado com isso) queria fazer uma quinta de produção de bebés seus, com raparigas, provavelmente menores traficadas, inseminadas com o seu sémen.







Portanto, muita gente entre as elites políticas, económicas, financeiras, académicas e sociais estava por dentro de planos seus criminosos, já depois de ter sido condenado por solicitar prostituição de menores e juntaram-se a ele alegre e entusiasticamente. Muitas conversas têm afirmações com linguagem sofisticada para parecerem cientificidades ou erudições, mas não passam de idiotices, como Bach, um alemão do MIT, dizer que os alemães estou completamente inoculados contra o fascismo e outras idiotices do género. Estamos a falar de pessoas que decidem das vidas do outros, que decidem políticas de saúde, políticas económicas e financeiras, políticas educativas, são responsáveis por instituições de solidariedade social, etc.

Nos EUA está em curso um processo de encobrimento destes crimes, desde logo porque Trump é um nome citado dezenas de milhar de vezes nos documentos:

Ainda ontem o Congresso chumbou uma proposta de inquérito a membros do Congresso acusados de assédio e abuso sexual de funcionárias - uma delas suicidou-se. Estes homens pensam-se acima da lei porque sabem que outros homens poderosos lhes guardam as costas, de maneira que agem com imensa arrogância e impunidade.

Fica aqui a reacção de Epstein sendo confrontado por um advogado que não se impressiona, nem com o seu nome, nem com as suas ligações ao mundo do grande poder e dinheiro:

February 27, 2026

"muitas vezes as investigações do Congresso são um teatro político partidário"

 





DECLARAÇÃO DE ABERTURA DA SECRETÁRIA CLINTON À COMISSÃO DE SUPERVISÃO E REFORMA GOVERNAMENTAL DA CÂMARA DOS REPRESENTANTES

26 de Fevereiro de 2026

Senhor Presidente, Senhores Vice-Presidentes, Senhores Membros da Comissão... como ex-senadora, tenho respeito pela supervisão legislativa e espero que o seu exercício, tal como o povo americano, seja baseado em princípios e destemido na busca da verdade e da responsabilização.

Como todos sabemos, porém, muitas vezes as investigações do Congresso são um teatro político partidário, o que é uma renúncia ao dever e um insulto ao povo americano.

A Comissão justificou a minha intimação com base na suposição de que eu tenho informações sobre as investigações das atividades criminosas de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell. Deixe-me ser o mais clara possível. Não tenho.

Como afirmei na minha declaração sob juramento em 13 de Janeiro, não tinha conhecimento das actividades criminosas deles. Não me lembro de ter encontrado o Sr. Epstein. Nunca voei no seu avião nem visitei a sua ilha, casas ou escritórios. Não tenho nada a acrescentar a isso.

Como qualquer pessoa decente, fiquei horrorizada com o que descobrimos sobre os crimes deles. É incompreensível que o Sr. Epstein tenha inicialmente recebido uma leve palmadinha na mão em 2008, o que lhe permitiu continuar com as suas práticas predatórias por mais uma década.

Senhor Presidente, a sua investigação deve avaliar a forma como o governo federal lidou com as investigações e processos judiciais contra Epstein e os seus crimes. O senhor intimou oito autoridades policiais, todas elas responsáveis pelo Departamento de Justiça ou pela supervisão de investigações e processos judiciais contra Epstein e os seus crimes.

Dessas oito, apenas uma compareceu perante a Comissão. Cinco dos seis ex-procuradores-gerais foram autorizados a apresentar declarações breves afirmando que não tinham informações a fornecer.

Não realizou nenhuma audiência pública, recusou-se a permitir a presença da imprensa, incluindo hoje, apesar de ter defendido a necessidade de transparência em dezenas de ocasiões.

Fez pouco esforço para convocar as pessoas que mais se destacam nos arquivos de Epstein. E quando o fez, nenhum membro republicano compareceu para ouvir Les Wexner.

Esta falha institucional tem como objectivo proteger um partido político e um funcionário público, em vez de buscar a verdade e a justiça para as vítimas e sobreviventes, bem como para o público que também deseja chegar ao fundo desta questão. O meu coração parte-se pelas sobreviventes. E estou furiosa em nome delas.

Passei a minha vida a defender mulheres e meninas. Trabalhei arduamente para acabar com os terríveis abusos que tantas mulheres e meninas enfrentam aqui e em todo o mundo, incluindo tráfico humano, trabalho forçado e escravidão sexual. Por muito tempo, esses crimes foram amplamente invisíveis ou nem sequer eram tratados como crimes. Mas as sobreviventes são reais e têm direito a uma vida melhor.

No Sudeste Asiático, conheci meninas de apenas 12 anos que foram forçadas à prostituição e estupradas repetidamente. Algumas estavam a morrer de SIDA. Na Europa Oriental, conheci mães que me contaram como perderam as filhas para o tráfico e não sabiam a quem recorrer. Em vários lugares do mundo, conheci sobreviventes a tentar reconstruir as suas vidas e ajudar a resgatar outras pessoas — com pouco apoio das pessoas no poder, que muitas vezes fechavam os olhos e viravam as costas.

Se o senhor não está familiarizado com esta questão, deixe-me dizer-lhe: Jeffrey Epstein era um indivíduo hediondo, mas está longe de ser o único. Não se trata de uma sensação isolada da imprensa sensacionalista ou de um escândalo político.

É um flagelo global com um custo humano inimaginável.

O meu trabalho no combate ao tráfico sexual remonta aos meus dias como primeira-dama. Trabalhei para aprovar a primeira legislação federal contra o tráfico e fiquei orgulhosa quando o meu marido assinou a Lei de Proteção às Vítimas de Tráfico, que aumentou o apoio aos sobreviventes e deu aos promotores melhores ferramentas para perseguir os traficantes.

Como Secretária de Estado, nomeei um ex-procurador federal, Lou CdeBaca, para intensificar os nossos esforços globais contra o tráfico humano. Supervisionei cerca de 170 programas contra o tráfico humano em 70 países e pressionei diretamente líderes estrangeiros para que reprimissem as redes de tráfico nos seus países. Todos os anos, publicávamos um relatório global para destacar os abusos.

As conclusões desses relatórios desencadearam sanções contra os países que não conseguiam avançar, tornando-se assim uma poderosa ferramenta diplomática para impulsionar ações concretas.

Insisti que os Estados Unidos fossem incluídos no relatório pela primeira vez em 2011. Porque devemos manter-nos não apenas ao mesmo nível do resto do mundo, mas a um nível ainda mais elevado. O tráfico sexual e a escravatura moderna não devem ter lugar na América. Nenhum.

Irritantemente, a administração Trump destruiu o Gabinete de Tráfico de Pessoas do Departamento de Estado, cortando mais de 70% dos funcionários públicos e especialistas do serviço diplomático que trabalhavam arduamente para prevenir crimes de tráfico. O relatório anual sobre tráfico, exigido por lei, foi adiado por meses. A mensagem da administração Trump ao povo americano e ao mundo não poderia ser mais clara: combater o tráfico de pessoas não é mais uma prioridade americana sob a Casa Branca de Trump.

Isso é uma tragédia. É um escândalo. Merece uma investigação e supervisão rigorosas.

Uma comissão empenhada em acabar com o tráfico humano procuraria compreender quais as medidas específicas necessárias para corrigir um sistema que permitiu a Epstein escapar impune dos seus crimes em 2008.

Uma comissão dirigida por funcionários eleitos com um compromisso com a transparência garantiria a divulgação completa de todos os arquivos.

Garantiria que as edições legais desses arquivos protegessem as vítimas e sobreviventes, e não homens poderosos e aliados políticos.

Iria ao fundo das denúncias de que o Departamento de Justiça reteve entrevistas do FBI nas quais uma sobrevivente acusa o presidente Trump de crimes hediondos.

Intimaria qualquer pessoa que perguntasse em que noite haveria a «festa mais louca» na ilha de Epstein.

Exigiria o testemunho de promotores na Flórida e em Nova Iorque sobre por que deram a Epstein um acordo favorável e optaram por não perseguir outros que poderiam estar implicados.

Exigiria que o secretário Rubio e a procuradora-geral Bondi testemunhassem sobre por que este governo está a abandonar os sobreviventes e a fazer o jogo dos traficantes.

Procuraria os agentes na linha da frente desta luta e perguntaria-lhes de que apoio precisam.

Apresentaria legislação para fornecer mais recursos e forçar este governo a agir.

Mas isso não está a acontecer.

Em vez disso, obrigaram-me a testemunhar, sabendo perfeitamente que não tenho nenhum conhecimento que possa ajudar na vossa investigação, com o objetivo de desviar a atenção das ações do presidente Trump e encobri-las, apesar dos pedidos legítimos por respostas.

Se esta comissão estivesse realmente interessada em descobrir a verdade sobre os crimes de tráfico de Epstein, não dependeria de colectivas de imprensa para obter respostas do nosso actual presidente sobre o seu envolvimento; perguntar-lh-ia diretamente, sob juramento, sobre as dezenas de milhares de vezes em que ele aparece nos arquivos de Epstein.

Se a maioria estivesse realmente interessada, não perderia tempo com investigações aleatórias. Há muito a ser feito.

O que está a ser ocultado? Quem está a ser protegido? E porquê o encobrimento?

O meu desafio para si, Sr. Presidente, membros da Comissão, é o mesmo desafio que coloquei a mim mesmo ao longo do meu longo serviço a esta nação. Como ser digno da confiança que o povo americano depositou em si. Eles esperam habilidade política, não jogos políticos. Liderança, não exibicionismo. Eles esperam que use o seu poder para chegar à verdade e fazer mais para ajudar as sobreviventes dos crimes de Epstein, bem como os milhões de outras vítimas do tráfico sexual.

via Rachel Maddow Fans · Steve Eskey

February 19, 2026

A monarquia britânica, AD/DA (antes de Andrew/depois de Andrew)


A monarquia britânica acaba de mostrar aos Estados Unidos que o poder pode enfrentar as consequências sem derrubar a instituição.

A Polícia de Thames Valley apareceu em Wood Farm, na propriedade do rei em Sandringham e prendeu Andrew Mountbatten-Windsor. Não prendeu «Sua Alteza Real» ou «O Duque de York». Apenas Andrew Mountbatten-Windsor. 

Dizem as notícias que o palácio não foi avisado. Não acredito. A última vez que a Inglaterra prendeu um membro da família real, Carlos I, foi em 1647 e não acabou nada bem.

Na semana passada, sem nenhuma cerimónia, sem nenhum debate ou consentimento, «o Governo de Sua Majestade» foi substituído por «o Governo do Reino Unido». Não é um pormenor. O governo já não governa em nome de «Sua Majestade». Não sei se seria possível, legalmente, o governo de «Sua Majestade» prender o irmão do rei sem ser por ordem de «Sua Majestade» e passa-me pela cabeça que o rei foi posto entre a espada e a parede neste assunto e que tudo terá sido muito discutido antes da prisão do irmão. Prece-me uma grande coincidência, sobretudo porque não foi dado nenhum destaque a esta passagem de poder real do rei para o Parlamento.

Se foi, o seu irmão Andrew causou um mal irreparável à Monarquia Britânica. É o fim, inglório, de mais de 1000 anos de Monarquia onde o rei se posiciona acima dos partidos e das facções sendo um repositório das aspirações do povo e influencia o governo no sentido do povo e não dos partidos. Agora o governo é dos partidos, das facções e não tem que ouvir o rei. Uma pena.

Andrew é um desses indivíduos (como Trump) que são educados no absoluto privilégio e andam pelo mundo como se não tivessem deveres para com ninguém. Como é que as filhas podem perdoar ao pai ter andado a violar raparigas menores traficadas?

Maria Farmer — a primeira sobrevivente conhecida a denunciar Epstein e Maxwell — emitiu uma declaração que causou um impacto tremendo: «Hoje é apenas o começo da responsabilização e da justiça trazidas por Virginia Roberts Giuffre... Vamos agora exigir que todas as peças do dominó do poder e da corrupção comecem a cair.»

Seja como for, a Inglaterra tem mostrado que é uma democracia no que respeita à responsabilização do poder. E isso é admirável. E uma lição para os EUA que passam o tempo a criticar as democracias europeias.

da pocilga americana - Se um princípe pode ser preso, um presidente também

 

Um presidente, um banqueiro, um ministro, um bilionário, etc. O caso Epstein não é 'apenas' um caso de violações de raparigas e meninas, é também um caso de tortura e de assassinatos. Muita gente ligada a esta pocilga como investigadores ou denunciantes tem sido assassinada. A primeira pessoa a denunciar foi uma modelo nórdica. Foi enfiada numa instituição para doentes mentais. Ainda agora estamos na pontinha do iceberg.


February 13, 2026

De cada vez que se olha para o caso Epstein fica-se mais deprimido



São presidentes, príncipes, governantes, homens poderosos da indústria, das tecnologias, de Harvard, de Yale, administradores de bancos, de instituições internacionais... tratam as mulheres como cães, como se não fossem ser humanos. Mandam nas políticas do mundo, impõem mentalidades. Deprimente, deprimente. O à vontade e prazer com que violam e engravidam crianças e miúdas adolescentes e depois gozam com elas e riem-se e humilham-nas, sabendo-se impunes. Pessoas que fazem discursos sobre direitos humanos, justiça social... E o pior é que não se vê ninguém, a não ser as vítimas, preocupado ou a tentar fazer alguma coisa para mudar isto, para responsabilizar estes homens na justiça. Para mudar o acesso das mulheres ao poder de maneira que eles não possam constantemente legislar e decidir a violação, a subjugação e a degradação das mulheres.

Sexo e petiscos, mas sem lugar à mesa: o papel das mulheres no sórdido clube masculino de Epstein


Amelia Gentleman

Escolha um e-mail aleatoriamente entre os milhões que estão na Biblioteca Epstein do Departamento de Justiça. É uma noite de sábado em Fevereiro de 2013, e Jeffrey Epstein envia uma mensagem ao assistente de Bill Gates sobre os convidados para um jantar que quer organizar.

«Pessoas para o Bill», começa o e-mail. Epstein começa a listar possíveis candidatos: o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o realizador Woody Allen, o primeiro-ministro do Qatar, dois académicos de Harvard, o CEO bilionário dos hotéis Hyatt, um diretor de comunicação da Casa Branca, um ex-secretário de Defesa dos EUA.

Ele nomeia 10 homens poderosos, antes de sugerir «Anne Hathaway (a sério)». Epstein tem de deixar claro, com a palavra entre parênteses, que não está a brincar quando propõe que uma mulher se junte a eles à mesa. A lista termina provisoriamente: «modelos da Victoria's Secret?» Epstein questiona-se: «Quem da lista acha que ele iria gostar mais?»

Os arquivos de Epstein revelam o patriarcado em acção. 

Este é um mundo onde os homens são ricos e poderosos, e as mulheres não. Os e-mails mostram o comportamento privado de uma classe dominante masculina, enquanto fazem networking, brincam e trocam informações. As mulheres existem na periferia, toleradas porque organizam as agendas dos homens ocupados, providenciam comida, enfeitam a mesa e fornecem sexo.

Um e-mail típico de Epstein para um homem da sua rede diria: «O presidente do comité do Prémio Nobel da Paz, Thorbjorn Jagland, ficará em Nova Iorque comigo. Pode achá-lo interessante.» Epstein escreve a Richard Branson no seu estilo característico, combinando alguma ostentação casual com uma oferta para partilhar o acesso a outra pessoa influente.

Um e-mail típico de Epstein para uma mulher poderia dizer: «Tire uma selfie da sua rata e envie.»

Passe três dias vasculhando o caótico, extenso e sórdido poço de informações contidas nos arquivos de Epstein e aprenderá lições valiosas sobre como funciona o patriarcado global moderno: através de bajulação, troca de favores e lembretes ocasionais de quem deve o quê a quem.

Para as mulheres, esses arquivos oferecem uma oportunidade sem precedentes de ouvir conversas das quais elas geralmente são excluídas. Eles fornecem insights sobre o que um conjunto de figuras globais ilustres pensam e dizem sobre as mulheres quando presumem que elas não estão a ouvir.

Há dois grupos de pessoas nos arquivos de Epstein. Os homens: os bilionários, os empresários de tecnologia, os banqueiros, estadistas, políticos, líderes, pessoas que precisam ser cultivadas porque oferecem a Epstein maneiras de fortalecer a sua rede de influência. E as mulheres, que existem como acompanhantes insignificantes ou como pessoas a quem ele distribui dinheiro porque lhe prestam serviços. 

As mulheres são apresentadas como objectos a serem observados e melhorados — dentes tratados, perder peso, DSTs tratadas, características corrigidas. (“Talvez seja melhor consultar um médico para reduzir um pouco o nariz antes de completar 23 anos”, sugere Epstein a uma mulher não identificada em julho de 2017.) Os e-mails mostram que Epstein frequentemente se irrita com as mulheres.

Mulheres como organizadoras

Os homens são atendidos por equipas de assistentes femininas. Lesley Groff, assistente executiva de longa data de Epstein, parece ser responsável por organizar agendas, lanches e sexo. Quando Epstein tem uma reunião com Larry Summers em 2012, Groff lembra às suas colegas que «Larry é VIP!» e diz-lhes: «Devemos estar preparadas com lanches para Larry.» Mais tarde, lembra-as novamente: «Podemos garantir que teremos algo para Larry comer?» Ela trata por nome de batismo um elenco global de assistentes pessoais femininas — Mary Beth e Anne, de Elon Musk, e Helen, de Branson; elas consultam-se sobre as preferências alimentares dos seus empregadores (Branson gosta de sauvignon blanc, pinot grigio e rosé. «Sem chardonnay, por favor! Gosta de sobremesas em geral. O mais sem açúcar possível.»)

Groff presta um serviço incansável em duas frentes, organizando agendas e viagens para que o seu chefe possa se encontrar com homens poderosos, enquanto eles circulam incessantemente pelo mundo entre Paris, Los Angeles, Nova Iorque e Londres, participando de cúpulas e jantares. Ela facilita a cansativa tarefa de fazer malas e reservar helicópteros com e-mails tranquilizadores que prometem: “Deixe comigo” e “Eu cuido disso”. Os advogados de Groff afirmaram anteriormente que a sua cliente «nunca testemunhou nada impróprio ou ilegal».

Quando Epstein decide, por capricho, numa noite de sábado em 2012, que quer organizar dois seminários, um sobre poder e outro sobre dinheiro, ele envia um e-mail a Groff com uma lista de 20 homens que ele acha que deveriam participar: Jeff Bezos, Jes Staley, Bill Clinton, Peter Thiel, Gates etc. (parece que nenhuma mulher vai participar dos seminários sobre poder e dinheiro). Groff não se abala com o pedido para começar a agendar convites para bilionários da tecnologia e alguns dos homens mais poderosos do mundo, e envia uma resposta animada: «Óptimo. Vou acompanhar.

Paralelamente, ela organiza a logística para as mulheres que Epstein gosta de levar consigo em viagens pelo mundo – compra passagens aéreas, providencia vistos, aluga carros. Ela lida com inúmeros pedidos para retirar mulheres de cidades da Europa Oriental: «Organize para [omitido] vir de Moscovo para Paris, chegar às 14h40 de sábado, partir no final da noite de domingo, ela enviará o passaporte.» Ela envia detalhes dos endereços onde as mulheres devem ser recolhidas («As raparigas devem encontrar-se na 71st Street com os seus documentos de identificação. Helicóptero para East Hampton»). Ela garante às mulheres que os pagamentos das passagens foram «comprados com o cartão Black Amex do JE!!». Ela providencia saunas, salas de vapor, garante que o modem está a funcionar no quarto. O seu chefe não demonstra muita gratidão. Muito ocasionalmente, a agenda fica com reservas duplicadas; Groff é devidamente repreendida por Epstein: «Tenho compromissos o dia todo? Devias saber disso.»

Homens a enviar mensagens a homens

Sem mulheres a observar o seu comportamento, os homens comunicam entre si de forma desinibida, com tons de voz típicos de rapazes de fraternidades. «A propósito», o empresário dos Emirados Árabes Unidos Sultan Ahmed Bin Sulayem envia uma mensagem a Epstein numa terça-feira de novembro de 2013, «a ucraniana e a moldava chegaram. Grande desilusão, a moldava não é tão atraente como na foto.» «Photoshop», sugere Epstein. «Não só isso, como ela era demasiado baixa e magra», responde Bin Sulayem.

Será que isso é apenas conversa fiada de vestiário? (Como as mulheres, que normalmente não têm acesso a esses espaços, poderiam saber a resposta para essa pergunta?) Há apenas 525 mensagens que fazem referência à vagina, mas, na maioria das vezes, a palavra é timidamente abreviada. Os homens assinam as mensagens enviadas a Epstein desejando-lhe «muito P». «Feliz ano novo com muito P» ou «Feliz aniversário e um ano cheio de saúde, dinheiro e muito P». 

Os amigos de Epstein gostam de lhe enviar e-mails com atualizações sobre os benefícios do sexo para a saúde. «A vagina é, de facto, baixa em carboidratos. Ainda estou à espera dos resultados sobre o teor de glúten», escreve o médico canadiano especialista em longevidade Peter Attia. 

Estar na companhia de Epstein permite que idosos ilustres, como Noam Chomsky, professor de linguística, revelem seus verdadeiros pensamentos sobre as mulheres. Em 2019, meses antes de Epstein morrer na prisão, Chomsky o aconselhava sobre como lidar com toda a má publicidade que estava recebendo, aconselhando-o a ignorar tudo, dada «a histeria que se desenvolveu sobre o abuso de mulheres». Isso permite que Summers, pai de seis filhos e ex-presidente de Harvard, continue a enviar mensagens a Epstein — um homem que se declarou culpado de solicitar prostituição a uma menor de idade uma década antes — pedindo conselhos românticos, até o dia anterior à sua prisão em 2019.

Há muitos exemplos de desprezo risonho pelas mulheres (Peter Mandelson e Epstein a brincar sobre celebrar a sua libertação da prisão com strippers chamadas Grace e Modesty). Mas é a demonstração rotineira de indiferença que parece mais assustadora. 

Veja-se a longa troca de mensagens entre as assistentes de Epstein e Branson sobre os preparativos da viagem para levar Epstein à Ilha Necker para um almoço em 2013. Seria aceitável que Epstein levasse consigo a assistente de Gates e duas raparigas russas (nomes omitidos)? Branson responde ele próprio, poucos minutos depois: tudo bem. Atenciosamente, Richard. 

O e-mail seguinte verifica se importa que as duas raparigas russas não tenham vistos para o Reino Unido. Isso não parece ser um problema. Não é demonstrado qualquer interesse em saber quem são essas raparigas russas, não é dada qualquer explicação sobre o seu papel e não há curiosidade sobre o motivo pelo qual um criminoso sexual condenado por abuso de menores as está a levar. A resposta é simplesmente: «Claro. Atenciosamente, Richard.»

Alguns podem sentir-se tentados a descartar os arquivos de Epstein como apenas evidências do comportamento extremo de um prolífico criminoso sexual.

Mas, se retirarmos o conteúdo obsceno e grosseiro, eles também revelam muito sobre como o patriarcado funciona no dia a dia.

Favores e bajulação

Os homens trocam mensagens incessantemente, perguntando sobre a localização um do outro, respondendo com pequenas demonstrações de superioridade, informando-se mutuamente sobre as suas agendas lotadas. As mensagens dizem coisas como: «Estás em Nova Iorque? Seria ótimo nos encontrarmos. Estou em São Francisco/Los Angeles até quarta-feira.» Num mês, Mandelson envia mensagens de Xangai, onde «toda a fraternidade bancária chinesa está presente»; no mês seguinte, ele envia mensagens do Centre Court em Wimbledon («Mas não na tribuna real como Andrew»). Ele expressa preocupação com o facto de o seu amigo estar em Nova Iorque e não de férias: «Não vai para Mykonos?»

Uma vez estabelecida a sua localização geográfica, os homens trocam informações. «O que achas das coisas do JPMorgan?», pergunta Summers a Epstein em 2012. As respostas nem sempre são muito perspicazes; estas conversas parecem mais destinadas a mostrar a sua proximidade com o centro do poder.

São trocados favores. Pergunta-se a Epstein se ele pode ajudar a arranjar um emprego para o filho de alguém, deixar alguém ficar no seu apartamento em Nova Iorque. As conexões são trocadas abertamente. Em 2019, Epstein pede conselhos a Steve Bannon sobre quais jornalistas poderiam lhe dar uma entrevista fácil, antes de oferecer, em troca, uma apresentação a Chomsky — que é “uma figura icónica e você não deve perder a chance de conversar sobre história e política. Vou colocá-lo em contato por e-mail”.

Ajudar a melhorar a reputação uns dos outros é uma prática comum. Um dos amigos de Epstein diz-lhe que tem trabalhado na edição da sua página da Wikipédia. «A propósito, também o retiramos da categoria de agressor sexual... E agora só diz empresário, filantropo.»

Quando as mulheres invadem este mundo masculino, é muitas vezes porque representam fundações filantrópicas. A filantropia é usada cinicamente por muitos homens para ampliar as suas redes de influência e desviar a atenção das suas transações financeiras. Neste mundo, praticamente desprovido de mulheres (excepto aquelas que estão lá para sexo), Sarah Ferguson é uma espécie de erro de categoria, uma figura à la Bianca Castafiore, a única mulher em Tintin, que irrita os homens com o seu canto insuportável.

Nos bastidores, Epstein tenta controlar as mulheres que trouxe para a sua vida. Ele aconselha uma delas a ir ao médico para fazer exames de DST e um teste hormonal. «Gemidos de prostituta», acrescenta, e sugere que ela frequente aulas de sexo tântrico. Outra mulher acusa-o de maus-tratos. «Eu vesti-me como me mandaste. Fiz o meu penteado como pediste. Fizemos sexo. Fiz massagens para ti sem parar. Tomei banho contigo e com as tuas amigas, mesmo não gostando. Eu dancei mesmo sem vontade de dançar ou sem estar com disposição.» Ele expressa irritação com o comportamento de uma namorada de longa data, a quem acusa de «chorar e reclamar» porque ele não a deixa participar nos jantares que organiza com homens poderosos. De alguma forma, as mulheres ainda não aprenderam que não podem esperar sentar-se à mesa. As mulheres não podem ter as suas próprias preferências; as mulheres devem estar sempre prontas para dançar.


February 11, 2026

"Donald Trump's name is all over the underrated Epstein files.. Thousand and thousands of times"

 


January 31, 2026

Quanto mais se sabe pior fica