June 01, 2026

Corrupção na ONU - Quem não está surpreendido ponha a mão no ar 🙋

 

Um novo relatório da UN Watch expôs um esquema sistemático de corrupção envolvendo autoridades de direitos humanos da ONU. Segundo a investigação, 13 dos 59 relatores especiais da organização apresentam conflitos de interesse, recebem financiamento de regimes autoritários e demonstram viés ideológico, apesar da obrigação de manter neutralidade. 
O relatório de 104 páginas, intitulado “From Rights Defenders to Ideologues” (“De Defensores dos Direitos a Ideólogos”), afirma que esses funcionários receberam milhões de dólares da China, Rússia e Qatar, enquanto utilizavam seus cargos para promover agendas políticas, condenar Israel e elogiar ditaduras com histórico documentado de violações de direitos humanos. 
Entre os exemplos citados está o de um relator que recebeu US$ 1,3 milhão da China, Rússia e Catar enquanto se recusava a condenar abusos de direitos humanos nesses países. Outro chegou a afirmar que o Hamas não é uma organização terrorista, ao mesmo tempo em que condenava Israel. fonte: UN Watch

https://unwatch.org/un-watch-exposes-systemic-corruption-at-un-human-rights-council-in-new-report/

Russos descobrindo os custos do imperialismo

 


Russos percebendo os custos do imperialismo

 

Russos percebendo os custos do imperialismo

 


Um machista encapotado?




Há muitos que parecem defender os direitos das mulheres até os vermos a desenvolver o raciocínio sobre o tema. O artigo é uma salganhada que mistura a realidade com imaginação e frases de literatura.

Primeiro diz que há um mito segundo o qual uma mulher não pode ser preserva e cruel. Devo ser muito ignorante porque ouvi falar desse mito... nem nunca ouvi alguém dizer que uma mulher não pode ser cruel e perversa como um homem, mas deve ser algo lá da família dele ou dos amigos, sei lá. 
Depois fala como se as mulheres afirmasse a igualdade entre homens e mulheres. Quem afirma isso são os homens biológicos trans. As mulheres falam em igualdade de direitos, não em serem iguais aos homens.
Depois diz que é por causa do mito da mulher terna que estes casos são populares: não, não é por isso. É por serem raros e ainda mais raros quando comparados com os números da violência masculina.
Nunca ouvi nenhuma mulher invocar ser mulher para não ir à tropa ou à guerra. A maioria das pessoas que conheço se puder escapar a uma guerra é o que faz, independente de ser homem ou mulher. Mas lá está, deve ser algo lá da família dele ou dos amigos, sei lá. 
Que a maioria dos maus-tratos aplicados às crianças são-no por mulheres é uma mentira descarada. Os números da violência doméstica não mentem, em todo o mundo e são consistentes.
Enfim, os homens querem muito que as mulheres sejam declaradas igualmente violentas mas os números não enganam, por muito que doa à ilusão ideológica machista.

Um caso, três mitos

Henrique Raposo
Expresso 

Em segundo lugar, o caso estilhaça a ideia errada de que a mulher não pode ser violenta. O machista gosta sempre de representar a mulher como uma santa cuidadora e que por isso deve ser ela a cuidar de crian­ças e velhos. Ou seja, está aqui em jogo a construção social do “género” feminino, cuidador, doce, terno, versus a construção social do “género” masculino, mais agressivo e por isso menos cuidador. É por esta razão que os casos que envolvem mulheres agressivas são tão populares e mediáticos. Este caso não é apenas um crime, é a desconstrução deste pilar invisível da ordem social. Mas, se somos feministas a sério e até ao fim, então temos de assumir que uma mulher pode ser tão perversa e cruel como um homem. A igualdade não é só para as virtudes, também é para os defeitos da espécie humana.

Ou seja, está aqui em jogo a construção social do “género” feminino, cuidador, doce, terno, versus a construção social do “género” masculino, mais agressivo e por isso menos cuidador. É por esta razão que os casos que envolvem mulheres agressivas são tão populares e mediáticos.

Chamava-se a isto coerência. Na era da igualdade entre homens e mulheres, na era da (desejada) exacerbação do feminismo enquanto igualdade, seria inconcebível que as mulheres invocassem agora a alínea do “género” frágil e inadequado à guerra. Curiosamente, é isso mesmo que muitas alegadas “feministas” estão a invocar.

(...) Esquecem que os maus-tratos aplicados às crianças são praticados na maioria dos casos por mulheres. 

E isto leva-nos ao terceiro mito, desafiado por autoras como Janina Ramirez em livros como “Femina”: a modernidade tem sido moderna para os homens, não para as mulheres; antes da alegada modernidade do século XIX, as mulheres tinham mais liberdade e as construções sociais do género não eram tão segregadas.

As mulheres desapareceram da linguagem oficial

 


Há uma casa de banho para homens, outra para pessoas com deficiência e outra para todos. E a das mulheres? As mulheres já não existem? São o que um homem quiser?

As mulheres desapareceram da linguagem oficial. Se as mulheres não existem na lei, então também deixam de se aplicar todas as leis de descriminação de género, de protecção às grávidas, às vítimas de violência doméstica, etc. Todas as leis que foram feitas para mulheres. Na Austrália já é assim. Os homens biológicos trans têm mais direitos de gravidez que as mulheres, a quem chamam, 'mulheres cis', para parecer que há muitos tipos de mulheres e eles -homens- são apenas mais um tipo. As mulheres de esquerda são agora a favor de perderem os seus direitos para homens. Pessoas que não pensam.

Na Europa há uma epidemia de violência contra as raparigas

 

Em outros países também há mas nunca deixou de haver. Aqui estava a diminuir já há muito tempo. Regressou em força. Os números crescem exponencialmente e são assustadores. 

Quanto a mim esta epidemia de violência contra as raparigas e as mulheres deve-se primeiramente à religião islâmica que se infiltrou no Ocidente e apela abertamente à violência contra as raparigas e mulheres, sem nenhum incómodo das autoridades e até com conluio na ocultação dos factos e desculpação dos criminosos. Todos os dias vejo uma dezenas vídeos novos, seja de líderes islâmicos nas mesquitas europeias a apelar ao apedrejamento de mulheres ou à sharia mais outros de violadores de raparigas que foram desculpados pelo tribunal - o de ontem foi porque a violação só durou 11 minutos, o que o juiz considerou pouco tempo. 

Homens que até há uma dezena ou duas de anos escondiam a sua violência, agora exibem-na publicamente como uma medalha ao peito, porque a narrativa dominante é que as mulheres não existem enquanto tal, têm liberdade a mais e foi-se longe demais em considerar as mulheres seres humanos iguais em direitos aos homens. 

Antes de ontem, na Holanda, um polícia raivoso atirou com enorme violência uma grávida ao chão, sem nenhuma provocação. Ontem foi em Espanha (vídeo abaixo)

A outra religião que aproveitou a boleia deste epidemia de violência foi a cristã evangélica que partilha essas ideias sobre as mulheres e as difunde publicamente desde a Casa Branca - sendo o Brasil um outro grande exportador de violência dessa religião contra as mulheres. São colonizadores, só que em vez de cobiçarem países para explorar, cobiçam a exploração e submissão de mulheres. 

Infelizmente, muitas homens de esquerda que se consideram progressistas são grandes apoiantes deste regresso ao machismo duro e, pior ainda, muitas mulheres também o são. Mesmo o Papa, que já teve palavras de apoio à religião islâmica, ainda não teve uma palavra para condenar o barbarismo do islão contra as crianças, as raparigas e as mulheres. Não sei se é hipocrisia de velho macho, cegueira dogmática ou puro desinteresse pela vida e destino de metade da humanidade.


A ideologia woke ressuscitou o machismo puro e duro

 


É preciso ter conversas sérias sobre os assuntos

 

Em vez de bloqueá-las automaticamente com insultos de vitimização para intimidar e impedir a discussão das ideias: islamofóbico, racista, transfóbico, etc. Ontem publiquei aqui uma citação engraçada -acho- que põe em destaque a complexidade do conceito de identidade. A frase brinca com as afirmações categóricas de que qualquer pessoa imigrante que consiga um cartão de cidadão de um determinado país -naquele caso o holandês- é indistinguível de um holandês imerso na sua cultura de muitas gerações. É evidente que não é. Eu morei em Bruxelas uns anos. Mesmo que tivesse lá ficado permanentemente e tivesse ganho um cartão de cidadã daquele país, nunca seria uma belga, mas sim uma portuguesa na Bélgica. É certo que não estive lá a criar violência e a tentar inverter os valores democráticos europeus e isso faz diferença com muitos que para lá foram, antes e depois de mim. Acontece que a esquerda, que costumava ser capaz de abarcar a complexidade dos temas, agora é dogmática e sistematicamente censura qualquer debate racional sobre os temas. Em Inglaterra, um polícia chamado a resolver uma questão de violência, deixou um inglês esvair-se em sangue porque o criminoso queixou-se de ser vítima de racismo e a auto-censura, por medo, de ser visto como racista cegou-o completamente para o facto do rapaz estar a morrer a seus pés. Então, ontem, assim que publiquei a anedota, apareceu logo um comentador (que não percebeu a anedota) com perguntas que insinuam eu ser racista e estar a defender que há verdadeiros holandeses e falsos holandeses. Precisa-se de pessoas que pensem com racionalidade e de regresso aos debates a partir de factos. A ideologia, se não é baseada em factos e escrutinada racionalmente, em nada difere de uma religião.


Bom dia

 


Setúbal


May 31, 2026

Porque é que os EUA não autorizam a produção de Patriot pelos ucranianos?

 

Os ucranianos vão ganhar esta guerra e os EUA vão ficar de fora de qualquer negócio que pudessem fazer. 

A luta de Pahlavi contra a República Islâmica

 

Prince Reza Pahlavi: What we are witnessing is not a sign of the Islamic Republic's strength, but rather a sign of the free world's inability to comprehend the true nature of the threat it faces.

"Tomámos Paris em 3 horas" (um alauakebar)

 

São sempre os mesmos. Só sabem destruir. Vêm com os seus comportamentos de violência tribal e dominação de machos com total ausência de controlo de impulsos e a cabeça cheia de uma ideologia do séc.VII.


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Desde 2022 que a Irlanda vende alumínio aos russos para bombardearem a Ucrânia

 

(já perdia a conta às vezes que os nossos governos nos disseram que devíamos ser como a Irlanda que tem uma economia a crescer. Pois, vendem-se a qualquer um de qualquer maneira...)

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https://kyivindependent.com/data-reveals-irish-alumina-factory-exporting-more-product-to-russia-than-government-claimed/

Os dados revelam que a fábrica de alumina irlandesa exporta mais produto para a Rússia do que o governo afirmava.

No primeiro trimestre de 2026, 83 % das exportações de alumina da Irlanda tiveram como destino a Rússia, de acordo com dados obtidos pelo Irish Times. Este valor ascende a 200 619 toneladas, o maior volume de exportações desde o início da guerra em grande escala em 2022.

Em contrapartida, apenas 0,6% (143 toneladas) das exportações de alumina foram para países da UE, e as restantes 40 000 toneladas foram enviadas para países fora da UE.

A Aughinish Alumina é propriedade da empresa russa Rusal, o segundo maior produtor de alumínio do mundo. A alumina produzida na Irlanda é enviada para fundições na Rússia, onde é transformada em alumínio e depois vendida a fabricantes de armas, de acordo com uma investigação anterior do Irish Times.

Martin afirmou, a 29 de maio, que incluir a fábrica na 21.ª ronda de sanções da UE seria «contraproducente», prejudicando mais a economia europeia do que a russa — apesar das provas de que a fábrica está a fornecer materiais para a produção de armas utilizadas contra a Ucrânia.

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O conhecimento é algo que se carregamos connosco; a informação é algo a que se busca quando é necessário



Um artigo acerca do que se perde na leitura digital relativamente à leitura de livros em papel.

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Num dia de Junho de 2018, vi uma pá carregadora despejar milhares de livros num grande contentor verde. Tinha aparecido durante a noite, estacionado atrás da biblioteca da universidade onde eu leccionava Inglês. Ouvi os livros antes de os ver; o terrível som dos embates chegou até ao meu gabinete na cave, sem ar condicionado, interrompendo o meu próprio trabalho no manuscrito do meu primeiro livro, que nessa altura estava quase concluído. Os volumes que enchiam o contentor estavam a ser «desafectados», como a prática é conhecida na ciência da informação. A biblioteca estava a ser renovada. Seriam criadas amplas áreas abertas de convívio. E, por isso, as estantes estavam a ser esvaziadas para criar espaço — não para mais livros, mas para o próprio espaço.

Alguns meses antes da chegada do contentor, tinha sido arrastada para uma amarga disputa em torno daqueles livros ameaçados. Tudo começara com uma folha de cálculo enviada pelos funcionários da biblioteca, listando vários milhares de títulos que seriam abatidos da colecção devido às baixas taxas de requisição. A mim e aos meus colegas foram dadas algumas semanas para identificarmos quaisquer livros que considerássemos dignos de ser preservados. O resultado foi, inicialmente, uma explosão de energia. Acrescentámos comentários. Escrevemos defesas apaixonadas dirigidas aos bibliotecários responsáveis pela triagem. Partilhámos a lista com os nossos estudantes, que requisitaram títulos destinados à remoção — uma última tentativa desesperada de aumentar a sua circulação. E concordámos em ficar nós próprios com alguns dos livros rejeitados, guardando-os nos nossos gabinetes, salas de aula ou espaços comuns do campus, uma vez que os bens de uma universidade pública, mesmo quando considerados lixo, não podem ser transferidos para particulares.

O meu envolvimento naquela luta era tão pessoal quanto profissional: o manuscrito em que trabalhava naquele dia de junho era sobre uma biblioteca — ou meia biblioteca. Os livros que ela continha tinham pertencido à escritora Edith Wharton. Metade dos volumes ainda existe hoje, mas a outra metade é um fantasma, com títulos como Eline Vere, o romance de Louis Couperus, talvez a principal fonte de inspiração para The House of Mirth de Wharton, reduzidos a meras entradas numa folha de cálculo. Enquanto observava o grande contentor verde encher-se de livros, vi outra biblioteca fantasma a começar a formar-se.

A minha obsessão pela biblioteca de Wharton surgira cinco anos antes, e de forma algo acidental. Como estudante de doutoramento em Inglês, recebi uma bolsa para trabalhar em The Mount, a casa de Wharton em Lenox, Massachusetts, onde me convenci de que, para a conhecer e compreender como escritora, tinha de a compreender como leitora. Ao folhear quase três mil livros da sua biblioteca, vi-a dialogar com eles, discordar deles, questioná-los, antagonizá-los e debater-se com eles. Num deles, escreveu a lápis a palavra succotash — o equivalente oitocentista de «disparate»; na folha de guarda de outro, oferecido ao seu amante William Morton Fullerton, compôs um poema de quatro estrofes que não existe em mais lado nenhum escrito pela sua própria mão. Estes vestígios físicos permitiram-me perceber como ela lera os seus livros, mas também me mostraram onde sucumbira ao poder de outro escritor. Os seus sublinhados, pontos de exclamação e linhas onduladas transformaram-se num atlas através do qual consegui discernir tanto a sua evolução como escritora como as suas lutas, enquanto leitora, para compreender textos escritos em seis línguas diferentes.

Passei cinco verões a trabalhar em The Mount, catalogando e digitalizando a biblioteca de Wharton e, ao mesmo tempo, aprendendo com ela. As histórias que contava não eram apenas sobre Edith Wharton. Eram também sobre o que significa tentar conhecer alguma coisa — chegar ao conhecimento, procurar alcançá-lo com a ajuda dos livros. Embora Wharton se tenha tornado conhecida como escritora de ficção, era leitora de tudo: os seus livros abrangiam não apenas várias línguas, mas também assuntos que iam da botânica à Roma Antiga. Um deles, The Week-End Book, de Francis Meynell, continha instruções para jogos de relvado e uma receita de sanduíches de manteiga de amendoim com azeitonas.

Mas eu tinha de continuar a lembrar-me de que os volumes que via nas estantes constituíam apenas metade da sua coleção. Houve momentos em que a metade desaparecida parecia falar mais alto do que os livros que eu segurava nas mãos. Quando Wharton morreu, em 1937, sem deixar filhos, o seu testamento legou a sua biblioteca aos filhos de dois amigos seus. O primeiro, William Royall Tyler, Jr., guardou a sua metade num armazém nos arredores de Londres. A outra metade foi para Colin Clark, que deixou os livros apodrecerem durante décadas no castelo da sua família, em Kent, até que dificuldades financeiras levaram o seu irmão a começar a vender parcelas da coleção a vários comerciantes de livros raros. A metade de Clark foi recuperada com enorme cuidado e devolvida a The Mount, mas a outra metade foi destruída em 1941, durante a Blitz de Londres.

À medida que investigava a forma como a biblioteca tinha surgido e todas as muitas maneiras como Wharton a utilizara, as questões sobre a outra metade persistiam. Na sua correspondência, agradecia a um amigo a oferta de um volume que eu não conseguia retirar de nenhuma estante. Mantinha longas listas de publicações a serem transportadas entre as suas várias residências em Massachusetts, na Provença e nos subúrbios de Paris, e eu examinava minuciosamente esses pequenos inventários, vislumbrando uma biblioteca que nunca chegaria a ver. Porque, mesmo que pudesse reconstruir a metade fantasma através desses documentos, não conseguiria aceder ao envolvimento de Wharton com ela: todas aquelas perguntas escritas a lápis, comentários e linhas onduladas — todo o registo das suas interações, que iluminara para mim as páginas dos livros sobreviventes — continuariam perdidos para sempre.

(...)

O escritor escreve, segundo Jacques Derrida, para descobrir aquilo que pensa, incluindo o que pensa sobre aquilo que leu. Esse mesmo escritor procura depois transmitir essas ideias a um novo leitor, que lê para descobrir o que pensa acerca do que o escritor pensa. Mas tanto o escritor como o leitor estão a jogar (outra das palavras favoritas de Derrida). Ambos participam num jogo que não tem fim, e o texto é o campo, o terreno ou o recinto onde esse jogo se desenrola. Derrida chama a esse jogo desconstrução.
(...)
A desconstrução não é algo que alguém faz a um texto; é algo que o próprio texto faz a si mesmo. É uma característica inerente a processos altamente voláteis e uma das razões pelas quais os livros físicos se transformam em objectos de fantasia. Os livros existem para impor sonhos de estabilidade e de ordem aos processos de leitura e escrita que lhes estão associados. O autor pode estar vivo ou morto. Em qualquer dos casos, o livro contém o acontecimento que é — ou foi — o texto, para o manter vivo e dar-lhe coerência. Ou, dito de outro modo, o texto é o fantasma, enquanto o livro é o médium através do qual esse fantasma fala. Sem o médium, a ligação entre quem fala e quem escuta quebra-se, e a linha fica muda.

É por isso que, diz Jacques Derrida, não existe história sem linguagem. Nós, seres humanos, comunicamos o conhecimento acerca do passado através da linguagem — por meio da conversa, da narrativa, da educação e, sim, sobretudo da escrita, que cria um registo semi-coerente e semi-ancorado dessa linguagem. Apresentamos esse registo sob a forma de um livro, algo a que se pode regressar e consultar repetidamente. E depois, por fim, guardamos esse livro num lugar onde possamos aceder-lhe: uma biblioteca. Para alguém como Edith Wharton, isso pode significar uma biblioteca pessoal, preenchida com os vestígios do seu próprio envolvimento com esses textos. Mas, como poucos de nós podem dar-se ao luxo de construir uma biblioteca pessoal de três mil volumes, existem também bibliotecas partilhadas, as bibliotecas públicas das nossas cidades e escolas.

É assim que uma biblioteca se torna a etapa final e crucial de uma cadeia de acessibilidade que permite o contacto com o texto. Existem, naturalmente, outras formas de aceder ao texto: livrarias, salas de aula e ficheiros PDF que podem ser descarregados, legalmente ou não, da internet. Mas essas outras formas colocam barreiras — muitas vezes financeiras, por vezes técnicas, por vezes físicas — entre o leitor e o texto. Introduzem atrito. 

Ler um PDF pirateado não é o mesmo que ler um livro impresso. Há vinte anos, investigadores da experiência do utilizador (UX) já observavam que, na leitura online, grandes secções de um texto são ignoradas ou percorridas rapidamente, de acordo com os hábitos de deslocação do ecrã. O olhar, por exemplo, tende a seguir um padrão em forma de F ao longo da página. Em 2023, investigadores da Universidade de Valência publicaram os resultados de um estudo que mostrava que a leitura em papel, durante períodos prolongados, pode produzir um aumento da compreensão entre seis e oito vezes superior. A partir destes exemplos, e de inúmeros outros semelhantes, sabemos que ler textos digitais não reproduz simplesmente a experiência de ler textos impressos. Ainda assim, continuamos a desvalorizar as ferramentas que aprofundam a compreensão em favor daquelas que oferecem maior conveniência.
(...)
A maioria dos estudantes de licenciatura nas minhas aulas de escrita não lê muito bem. Percorrem um romance de Nathaniel Hawthorne ou um conto de Edith Wharton seguindo o padrão de leitura em forma de F, deslizando rapidamente pelo texto. Não os culpo; as circunstâncias conspiraram contra eles. Hoje é muito mais difícil ler do que era há uma geração, devido à omnipresença das distrações digitais e a situação continua a agravar-se. Os nossos dispositivos mantêm-nos ocupados a enviar mensagens, publicar conteúdos e distribuir «gostos», consumindo assim as nossas vidas. Parece que estamos a ler, mas, na realidade, os níveis de literacia encontram-se em queda livre.

Um dos factores mais importantes por detrás desta tendência poderá muito bem ser o afastamento dos livros. Na universidade onde agora lecciono, somos incentivados a adotar Recursos Educativos Abertos (Open Educational Resources — OER), isto é, textos com licenças abertas, geralmente acessíveis em formato digital, numa iniciativa que supostamente visa poupar dinheiro aos estudantes. O princípio subjacente é meritório, mas, ao mesmo tempo, transmite uma mensagem que diminui a importância da sua aprendizagem. Ensina os estudantes a desvalorizar os instrumentos da sua educação e, do mesmo modo, os produtos dessa educação: aquilo que escrevem e pensam em resposta ao que leram.

Que valor pode esse trabalho ter se os próprios livros foram considerados desprovidos de valor?
(...)
O declínio dos livros — do seu valor, da sua ubiquidade ou da sua disponibilidade — é o declínio do esforço para pôr ideias em circulação e fazer com que o conhecimento tenha importância. Deixei a universidade onde ensinava Jacques Derrida em 2020 e agora leciono noutra instituição, onde estou constantemente sob pressão para abandonar a tecnologia do livro — para desistir dela.

Quando comecei o meu novo emprego, foi-me atribuído um gabinete sem estantes. O edifício era novo, certificado segundo os padrões LEED, e disseram-me que os arquitectos que o conceberam partiram do princípio de que os professores já não necessitam nem utilizam livros. Eu tinha acabado de atravessar o país com quase três mil livros e não conseguia acomodá-los todos no meu apartamento. Por isso, fiz o que tinha de fazer: usei o meu próprio dinheiro para comprar estantes baratas de aglomerado e montei-as eu mesma.

Não consigo pensar sem os meus livros, mas, mais importante ainda, não gostaria sequer de tentar. É isso que procuro transmitir aos estudantes que me visitam no gabinete, aqueles que me perguntam: «Já leu realmente todos esses livros?» A resposta é não, não os li a todos, mas essa não é a questão. Os livros estão ali para me recordar o meu próprio desejo de mais conhecimento.

Sheila Liming in What happened when a dumpster arrived behind my university's library https://yalereview.org/article/sheila-liming-the-end-of-books (excerto)

Coisas que dão que pensar

 

Only seven out of 100 people worldwide receive effective treatment for mental health or substance-use disorders


Segundo se sabe, os psiquiatras apresentam uma das taxas mais elevadas de doenças mentais entre os médicos; no entanto, esta situação não é devidamente reconhecida nem tratada. Apesar de os psiquiatras compreenderem os seus próprios problemas de saúde mental, a maioria não procura tratamento. https://journals.lww.com › odjp › fulltext › mental_healt...


May 30, 2026

😁

 


Netarts

If an Eritrean obtains a Dutch passport and thus also becomes a 'real Dutch person', is he then also equally guilty of our slavery past? Or does something like an indigenous Dutch person suddenly exist then?

 

Fala-se pouco da luta dos iranianos para se livrarem da República dos pedófilos nº2

 

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