September 16, 2020
As anotações de Kant na Metafísica de Baumgarten
Quando se põem pessoas imorais e sem escrúpulos à frente dos governos e das instituições
... todos os imorais e de mau carácter daí para baixo sabem que têm as mãos livres.
A denúncia sobre extrações uterinas ou histerectomias em níveis acima dos razoáveis foi corroborada por uma enfermeira denunciante que se identifica como Dawn Wooten e que trabalha na prisão de Imigração de Irwin, administrada por uma empresa privada, sob a alçada do ICE (Serviço de Imigração e Alfândegas dos EUA).
Wooten afirmou ainda que o médico chegou a remover o ovário errado de uma detida que tinha um quisto, que então teve de se submeter a outra operação que a deixou sem ovários e, portanto, estéril. "Ela disse que não estava totalmente sob o efeito da anestesia quando o ouviu dizer às enfermeiras que se tinha enganado", disse a profissional.
"O relato da Sra. Wooten sobre o tratamento de pessoas sob custódia do ICE é horripilante", disse Silky Shah, o diretor executivo da Detention Watch Network, uma organização sem fins lucrativos que também ajudou a apresentar a queixa, numa declaração ao site "Business Insider". "As vidas das pessoas estão em risco na detenção de imigrantes, e o ICE continua a provar através do seu registo de negligência médica que ninguém está seguro sob a sua custódia".
O relatório também denuncia a falta de tratamento a detidos com cancro durante semanas, casas de banho imundas para mais de 50 pessoas e alimentos impróprios para consumo, muitas vezes contaminados por insetos.
Atletas
Maya Gabeira venceu o troféu XXL de maior onda do ano. Como ficou à frente de todos os homens, levaram 3 semanas a declararem-na vencedora e publicaram um artigo de 16 páginas com dados científicos de medição. Os homens não passam por este processo. Fazem umas medições mais ou menos aproximadas, mas nada de muito científico. Levaram tanto tempo a declará-la vencedora que quando o fizeram até passou despercebido.
Esta é uma atleta que teve uma lesão gravíssima na coluna numa onda da Nazaré há dois anos ou três no que aliás lhe disseram, na altura, que não devia ter ido surfar ali porque é muito perigoso - para uma mulher, era o que queriam dizer. Perdeu os patrocinadores, mas não desistiu e este ano voltou e competiu com os homens e ficou à frente deles. Como também bateu o record da maior onda surfada por uma mulher é só isso que referem...
Para quê estes títulos enganadores?
A Suécia tem poucos infectados porque morreram... é o 13º país com maior taxa de mortalidade. À sua frente só o Peru, Quadro, Chile, Brasil, EUA, Espanha, Itália e pouco mais. Aliás, têm uma taxa de 13.47% de infectados diários. Estão à frente de Espanha e dos EUA.
Livros - Time of The Magicians
Começo a perceber porque é que o crítico que escreveu um artigo demolidor deste livro no Guardian não gostou do livro. Não gosta do título porque os 4 pensadores que são objecto de biografia no livro não são mágicos - não tiraram coelhos de cartolas, nem fizeram truques. Trabalharam muito com um espírito muito analítico para construir, cada um, a sua visão própria. Isso também não percebo mas ainda vou no 1º terço do livro, pode ser que no fim tenha uma ideia diferente.
O crítico também não gostou dos títulos dos capítulos ("Heidegger está ansioso para uma luta, Cassirer está fora de si, Benjamin dança com Goethe e Wittgenstein procura um ser humano ”, por exemplo, ou“ Benjamin chora, Heidegger gera, Cassirer se torna uma estrela e Wittgenstein uma criança ”) que lhe parecem uma vulgarização dos pensadores em questão e do seu trabalho. Aliás, ele começa por não gostar que o autor tenha cruzado as biografias deles e os tenha enraízado na sua época, como se isso diminuísse a força ou originalidade do seu pensamento. Nisso não estou de acordo.
Um filósofo é alguém com os pés no seu tempo, embora tenha o pensamento fora dele. Compreender o contexto em que trabalharam, o tipo de pessoa que eram, o que os movia, etc., ajuda a compreender o seu pensamento, nomeadamente quando falamos de filósofos que rejeitaram os sentidos em que os termos se diziam e lhes deram outros novos. Já é difícil, quando não vivemos na mesma época, compreendermos o sentido de certos termos - por exemplo, nós que vivemos neste tempo, quando lemos um livro ou um artigo onde se fala do politicamente correcto da esquerda ou dos antifas, sabemos imediatamente o sentido dos termos e o contexto que os envolve; no entanto, se alguém ler os mesmos artigos ou texto daqui a 100 ou 200 anos, se o mundo e os seus termos tiverem mudado muito, vai ter dificuldade em percebê-los, no sentido em que era (são) usados sem o devido contexto.
Se estivermos a falar de traduções, então, ainda é pior, pois os termos não são idênticos em línguas diferentes. A expressão 'luar de Agosto', tendo o mesmo significado em português e alemão -a língua destes pensadores-, quer dizer, em ambos os casos significa as noites de lua cheia no mês de Agosto, tem um sentido diferente dado o referencial de cada língua estar inscrito numa experiência diferente. Daí as traduções serem tão difíceis.
Ora, todos estes pensadores ou usaram termos velhos com um sentido novo ou termos inteiramente novos, neologismos. Por conseguinte, a contextualização do seu pensamento, ajuda-nos muito a delimitar o sentido em que usaram os conceitos e, portanto, o que queriam dizer.
Não me parece, além disso, que o sabermos pormenores das suas vidas, os degrade de alguma maneira e ajuda a esclarecer certas posições intelectuais.
Estou a gostar bastante do livro. Gosto da maneira como ele vai pondo em paralelo a vida e os interesses intelectuais deles: os tempos de convergência, por exemplo, na questão da linguagem e os de divergência, por exemplo, na questão da autenticidade versus liberdade.
Como assim? Tiram-nos a totalidade do salário? É como se tivéssemos sido despedidos?
Lá está. Ninguém do governo faz um esclarecimento das questões e tudo se resume a bocas do SE e do ministro que depois temos que tentar caçar em blogs e em pequenas notícias de jornal para sabermos. Agora li isto no blog do Arlindo:
"Na semana passada, o secretário de estado adjunto e da educação, João Costa, reiterou que os professores que pertencem a grupos de risco para a covid-19 não poderão exercer as suas funções em teletrabalho.
Tal como os restantes funcionários públicos, têm de meter baixa, recebendo o salário apenas durante os primeiros 30 dias. Depois, as faltas continuam a ser justificadas, mas deixam de receber."
As crises atacam sempre os mesmos
Palavras de Walter Benjamim, escritas em 1920, há cem anos, mas que podiam ter sido escritas hoje: o preço das casas é obsceno, já não aguento viver com os pais, os cortes das universidades deram cabo das oportunidades de conseguir arranjar um lugar como professor e não tenho perspectivas de emprego.
(Time of The Magicians - Wolfram Eilenberger, pág. 90)
Blast from the past
Quem se sentou nas suas cadeiras macias com sistema hidráulico e viu aí filmes de Bergman e outros autores que nos deixavam a discutir ou a pensar durante muito tempo ponha a mão no ar. 🙋♀️
via Portugal de Antigamente
Agatha Christie fez ontem anos
~Agatha Christie, in: Os Elefantes não Esquecem. — Editora: Nova Fronteira, 2014, pág. 26.
September 15, 2020
Yes, they can
The Widespread Suspicion of Opposite-Sex Friendships
Can straight men and women really be best friends? Their partners are wondering, too.
Entardece
SSDC
Greeks schools on first day! Every child wears a mask but everybody kisses the same craux! 🤔 pic.twitter.com/wJVtL0dcNg
— Robert De Niro ᵖᵃʳᵒᵈʸ (@RobertDeNiroUS) September 15, 2020
Até parece que alguém lhe apontou uma pistola à cabeça e o obrigou a aceitar o cargo
António Ramalho queixa-se que carteira de vendas que herdou “era má, velha e ilegal”
O presidente do Novo Banco está a ser ouvido na Assembleia da República para explicar as opções da sua administração na gestão da instituição.
Sou só eu que acho isto preocupante?
Então, este tipo defende que o rei dele devia ter-nos declarado guerra? Ou ele pensa que o rei dele entrava por aqui adentro e nós abrimos a porta de São Bento e fugíamos para eles serem uma potência mundial?
Mas estas coisas já se dizem em voz alta sem pudor?
"É uma anomalia que Portugal e Espanha não sejam um mesmo Estado"
O escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte afirma que partilha da visão iberista de José Saramago e lamenta que Filipe II não tenha mudado a capital de Espanha para Lisboa: "Seríamos uma potência mundial."
Blast from the past
O Imperador Marco Aurélio num adlocutio [ou discurso formal às tropas no início (ou fim) de uma campanha]. Vêem-se claramente que os três soldados da frente são Pretorianos pelos escudos de cantos arredondados. Tradicionalmente os pretorianos guradavam o pretório, a parte central do acampamento de uma legião, onde ficavam instalados os oficiais, mas Octaviano transformou-os na guarda pessoal do Imperador. Onde ele ia os Pretorianos seguiam-no. Este painel mostra que usavam as mesmas armaduras dos legionários. Vê-se uma lorica segmenta e duas loricas squamata - os segmentos de metal da armadura.
~Dan
Navalny incomoda muita gente
Alexei Navalny has posted to this Instagram a photo from the Charité clinic in Berlin, where he is joined by his family. "I miss you. I'm still can't do much, but yesterday I was able to breathe on my own all day... I liked it very much," he says.
E porque não passar a usar este exemplo das declarações do ministro da educação nas aulas de ética?
Kant é um filósofo intencionalista. A moralidade, para ele, reside na intenção da acção e não na sua consequência e, se a intenção não é pura, isto é, independente de qualquer inclinação material, então a acção é imoral. Podemos ver se uma acção é moral universalizando o seu princípio e vendo se queremos o mundo que dele resulta, mais ou menos nestes termos, age sempre de tal modo que a tua máxima possa ser erigida, por tua vontade, em lei universal da natureza, ou seja, queremos que o princípio da nossa acção se torne universal e inescapável, como uma lei da natureza? A esta formulação ele ainda acrescenta outra que diz, age de tal maneira que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de outrem, sempre como um fim e nunca como um meio.
Vejamos este caso. O Estado tem o dever legal de proteger os seus funcionários. É assim que os médicos e os enfermeiros e outro pessoal da saúde tem equipamento de protecção especial quando trata de doenças infecciosas, salas à parte para tratar desses doentes e condições especiais; também os bombeiros, por exemplo, têm equipamentos especiais para fazer o seu trabalho que é de elevado risco. Os polícias a mesma coisa: têm equipamentos e condições especiais para poderem fazer o seu trabalho que comporta riscos acima do normal. Na administração pública há regras especiais para proteger os trabalhadores que foram accionadas durante a pandemia. Nas obras públicas, outro exemplo, há uma inspecção que garante que as pessoas trabalham com os equipamentos especiais que lhes dão como protecção preventiva de acidentes. Etc. Ora, os professores em geral não têm nenhuma protecção e, em particular os que são considerados de risco (visados nesta declaração do ministro), isto é, cuja doença ou condições de saúde os os torna mais propensos, seja a adoecer seja a morrer como consequência desta doença infecciosa; pelo mesmo princípio, deviam ter, como os outros trabalhadores de outras profissões com riscos acrescidos, já referidas, direito a protecção especial, seja nos equipamentos, seja nas condições em que exercem o seu trabalho.
Por conseguinte, a máxima que subjaz às declarações do ministro é, 'sempre que tenhas condições de trabalho geradoras de risco agravado, não assumes os teus deveres legais de protecção dos funcionários que correm especial risco de vida'. Ora, queremos que esta máxima do ministro se torne universal e que daqui para a frente o empregador deixe os trabalhadores sem protecção quando as condições de trabalho agravam os riscos de vida? Não, claro, que não. A própria noção de protecção deixava de fazer sentido e tinha que desaparecer dos contratos todos e até da lei, uma vez que se tinha universalizado a não protecção do trabalhador, quando é necessária.
Quanto à segunda formulação é evidente que ele a viola, pois trata os professores não como pessoas em si mas como meios, instrumentos dos seus interesses materiais.
Ou seja, o ministro, seguindo a ética kantiana, é imoral na sua acção. A sua intenção não é boa e a sua acção não passa o crivo do imperativo categórico.
E se seguirmos a ética utilitarista que é consequencialista e diz que a acção é moral se levar a felicidade à maioria das pessoas e imoral se levar a infelicidade à maioria das pessoas? Bem, vejamos, a maioria das pessoas fica feliz por um professor ficar em casa sem poder trabalhar e os seus impostos estarem a pagar um salário, embora com cortes, a um trabalhador em casa mais outro salário ao que o vai substituir? Não me parece. Portanto, também segundo esta ética, a acção do ministro é imoral.
Agora ainda vejo outra questão/dúvida: devemos, nas aulas de moral, digo, cidadania, usar este exemplo de imoralidade quando tem que se falar na educação para o respeito pelos outros, na educação para o respeito pelos que são diferentes? Ou dizemos que deve-se respeitar quem é diferente excepto se forem professores de grupos de risco e, nesse caso, damos o exemplo do ministro?
Ou estou errada?
Sobre as baixas dos professores pertencentes aos grupos de risco da covid-19, Brandão Rodrigues acredita que será possível substituir esses docentes de forma rápida, mas lembra que o ministério “não tem a ficha clínica de todos os seus trabalhadores” – e mesmo que tivesse, os trabalhadores têm “livre-arbítrio” para decidirem se querem continuar a ir trabalhar ou não. (Tiago Brandão)









