R.I.P Marjane Satrapi. pic.twitter.com/tpgY2WE2BW
— Zineb Riboua (@zriboua) June 4, 2026
Marjane Satapri foi uma realizadora de filmes e cartoonista iraniana de muito talento. Foi a primeira iraniana a escrever banda desenhada. A mais conhecida das suas quadrinhas sendo PERSEPOLIS, adaptada ao cinema animado e indicada para um óscar.
Por vezes o destino parece sair do seu caminho e desviar-se para ir ao encontro de certas pessoas e puxá-las para outro cenário completamente diferente daquele que representavam. Pessoas que se reinventam e reencarnam noutra personagem, despem uma pele e vestem outra que também lhes assenta como se o destino as tivesse marcado para qualquer coisa desde o início. Fascinante.
Ryuichi Kihara, do par Riku Miura e Ryuichi Kihara (carinhosamente conhecido como «Rikuryu»), o par de patinadores que electrizou a multidão ao conquistar a primeira medalha de ouro olímpica do Japão na modalidade, no dia 16 de Fevereiro, em Milão-Cotina, é um caso desses.
A sua apresentação sob pressão extrema foi o culminar de uma jornada improvável. No entanto, essa conquista histórica talvez nunca tivesse acontecido sem um encontro casual sete anos antes.Uma conversa recente em Nagoya revelou o início improvável da sua carreira. Enquanto treinava para uma competição neste Inverno, Kihara apontou para o alojamento ao lado da pista de gelo onde já tinha trabalhado como estagiário e disse: «Eu costumava trabalhar aqui na recepção».
Essa história começa em 2019 quando Kihara estava à beira de desistir completamente do desporto. Duas vezes participante olímpico nos Jogos de Sochi 2014 e PyeongChang 2018, Kihara sofria de uma lesão no ombro e concussões.Na primavera de 2019, ele e Miu Suzaki dissolveram a sua parceria. Ele voltou para a sua casa na província de Aichi e começou a trabalhar a tempo parcial na Howa Sports and Culture, a pista onde treinava quando era criança. Aos 26 anos, enquanto os seus amigos da mesma idade iniciavam as suas carreiras, Kihara estava convencido de que a sua tinha acabado.«Não sou feito para as duplas. Vou tentar participar nos Jogos do Japão na categoria individual e depois talvez me aposente.» Yusuke Iioka, 34, que trabalhava para a empresa que opera a pista, lembra-se da entrevista de emprego desajeitada de Kihara: “Parecia que ele sentia uma sensação de inferioridade por ter feito apenas patinagem”.As funções de Kihara incluíam distribuir patins alugados, monitorar o gelo e trabalhar no turno da noite nas instalações do alojamento. Quando crianças pequenas chegavam à pista, ele ajoelhava-se, diminuindo a sua altura de 1,75 m, para falar com elas ao nível dos olhos.Não recebia tratamento especial por ter participado duas vezes dos Jogos Olímpicos e o seu salário por hora era o mesmo de um estudante universitário. Uma experiência humilhante que tinha um lado positivo. Os patinadores mais jovens tratavam-no como sempre, sem cerimónias e «ele conseguia conversar com eles sem fingimento e então, durante aquele período difícil, não esteve sozinho» lembrou Iioka.Em Junho daquele ano, a Federação Japonesa de Patinagem realizou uma selecção de duplas na antiga universidade de Kihara, a Universidade Chukyo. Yoshiko Kobayashi, 70, directora da federação, pediu a Kihara: «Não há remuneração, mas por favor, venha ajudar-nos».Kihara concordou.
Naquele dia, após cerca de três horas a ajudar os outros, Kihara estava pronto para voltar para casa. Quando estava mesmo a sair, alguém veio a correr atrás dele. Era o treinador Bruno Marcotte, 51 anos: «Ryuichi, calce os seus patins. Porque não tenta patinar com a Riku uma hora?»
Marcotte, um canadiano que há muito ajuda a desenvolver duplas japonesas, estava a treinar Miura e o seu então parceiro, que também estava a treinar na pista naquele dia. A futura parceria deles era incerta, o que levou Marcotte a abordar Kihara. Ele concordou.
No gelo, o momento decisivo aconteceu durante um levantamento com torção. Quando Kihara lançou Miura no ar, o corpo dela subiu tão alto que Marcotte exclamou instintivamente: Oh my God!
Os poucos dirigentes da federação que assistiam ficaram sem palavras.
«É assim que se sente quando se é atingido por um raio», recordou Kihara mais tarde. Foi o momento em que o seu coração voltou a ser atraído para o gelo.
«Ele redescobriu o seu amor pela patinagem naquele dia», disse Marcotte.
Um mês depois, Kihara e Miura, cuja parceria anterior havia terminado, voltaram a patinar juntos. Kihara ficou maravilhado com a confiança de Miura, lembrou Iioka: «Para a mulher, ser lançada ao ar é assustador. Há sempre um momento em que o corpo fica tenso, o que altera o peso. Mas Riku não tinha nada disso.»
Em Agosto, a nova dupla foi anunciada formalmente. Mudaram-se para o Canadá para treinar com Marcotte e começaram a sua ascensão meteórica ao topo do desporto.
A dupla rapidamente se tornou uma força dominante, conquistando um sétimo lugar inovador nos Jogos Olímpicos de Pequim de 2022 — o melhor resultado para qualquer dupla japonesa — e, em seguida, vencendo os Campeonatos Mundiais em 2023 e 2025. Chegaram a Milão Cortina como os principais candidatos ao ouro.
Apesar da preparação, um desastre aconteceu no programa curto em 15 de Fevereiro. Um erro que eles disseram nunca ocorrer nos treinos fez com que Kihara falhasse um levantamento, deixando-os num distante quinto lugar.
Kihara não conseguiu esconder sua consternação com o resultado e a sua expressão estava sombria na área de entrevistas com a imprensa. Miura, no entanto, permaneceu calma e resoluta: «Cometemos um erro hoje, então temos que recomeçar. Se acreditarmos que podemos fazer isso, podemos.» Virou-se para Kihara, que estava à sua esquerda, e disse encorajadoramente: «Vamos concentrar-nos novamente, está bem?» Kihara prometeu voltar no dia seguinte com melhor disposição.
«Amanhã, prometo que estaremos de volta aqui (na área de entrevistas) a conversar como o habitual ‘Rikuryu’. Por favor, esperem por nós», disse ele aos repórteres.
Precisando de uma performance impecável para chegar ao pódio, a 16 de Fevereiro, executaram todos os elementos com força e precisão. A sua velocidade característica nunca vacilou e tiveram o seu melhor desempenho quando mais importava.Quando a sua apresentação terminou, os dois caíram de joelhos no gelo e se abraçaram. Enquanto Kihara, de 33 anos, chorava, aparentemente aliviado do peso das expectativas. A sua pontuação foi um novo recorde mundial de 158,13 pontos no programa longo.
«Ser capaz de recuperar do erro de ontem e mostrar a força que construímos todo este tempo, é isso que me deixa mais feliz», disse Miura. Kihara, que nunca esqueceu o dia que mudou a sua vida, costuma dizer: «Sou muito grato às pessoas que me deram essa oportunidade».
Segurando a medalha de ouro, expressou a recompensa final por essa segunda chance: «Estou muito feliz por não ter desistido».
(Este artigo foi compilado a partir de matérias escritas por Kai Uchida e Hiroki Tohda - The Asaha Shimbun)
Este indivíduo escreve muito bem e o que diz, mesmo se nem sempre concordamos com tudo, é sempre interessante. Uma lufada de ar fresco neste jornal.
Apesar de todas as provações - a perda de vidas, os bombardeamentos diários, a vida afastada da família, humilhações em frente ao mundo, o sofrimento da solidão do cargo, a corrupção dos que eram próximos-, continua a ser o laço de união dos ucranianos e da Ucrânia com o mundo, tantas vezes a caminhar no fio da navalha a ter de correr de país em país, sempre com a força da noção do dever e da responsabilidade perante os outros. Carrega um grande peso às costas e não baixa os braços.
Quem pode trabalha para fabricar uma verdade para a posteridade, mas a história tem um modo de pôr a descoberto a realidade.
É o nome do canal desta mulher, holandesa que anda a percorrer as cadeias montanhosas -e não só- da Ásia e da África. Vi-a no Nepal, nos Himalaias, depois passou para o Paquistão, Afeganistão, Irão, Iraque, Arábia Saudita. Depois tenho acompanhado a ida a África pela Costa Oeste. Tem uma câmara no capacete e vai quase sempre a gravar de maneira que vemos os caminhos de montanha, os desfiladeiros, as vilas porque passa, etc. Fala arábico e outras línguas e é muito desembaraçada porque está constantemente a ser parada em check points e fronteiras onde tem de responder a perguntas intermináveis, às vezes é assediada, por vezes para lhe sacarem dinheiro - que nunca dá. Perguntam-lhe constantemente onde está o homem que a acompanha, que idade tem, porque não tem filhos, porque anda sozinha, etc. De todos os sítios onde anda, foi no Afeganistão que teve receio e vêmo-la sempre a evitar encontrar talibãs. Depois, na viagem a África, arranjou um modo de passar do Congo para Angola -indo de barco- evitando passar pelas fronteiras da República Democrática do Congo, por sentir que poria a sua segurança pessoal num enorme risco. De resto, anda por todo o lado. No Iraque roubaram-lhe a mota e foi à procura dela com a aplicação do telemóvel. Percebe o suficiente de mecânica para arranjar a mota em caso de pequenos problemas. Teve um acidente no meio do nada em que partiu a mão, furou um pneu no meio de um deserto, foi atacada por uma praga de gafanhotos e muitas outras peripécias. No geral as pessoas são simpáticas em todo o lado e tentam ajudá-la. Estou um bocadinho fascinada com a aventura dela.
Tanto quanto li, a mãe deixou o bebé ao cuidado dos bombeiros. O bebé estava "dentro de um saco, devidamente aconchegado com um cobertor. No interior do saco encontrava-se ainda um biberão com leite, uma chupeta e fraldas." Isto não é abandonar. Abandonar é deixar aos quatro ventos, portanto, entregue à sorte, tal qual como veio ao mundo, num sítio qualquer.
A pergunta que se deve fazer é: uma mulher sozinha, sem família, tem condições de criar um bebé, com um salário de enfermeira? Estamos num país que se queixa de ter falta de bebés mas não tratamos bem as mulheres - nem as grávidas, nem as mães recentes que, ou são despedidas ou são relegadas para 2º plano na carreira. É preciso dinheiro para criar um bebé e para poder trabalhar tendo um bebé em casa. Espero que não castiguem a mulher se o seu problema for a falta de condições para cuidar de um bebé.
Jonathan Lear foi um pensador filosófico idiossincrático e intelectualmente brincalhão que fundiu as ideias dos filósofos da Grécia Antiga com a teoria psicanalítica de Freud para explorar o significado do amor, da esperança e da perda.
O professor Lear desafiou normas académicas. Defendeu Freud, uma figura desprezada por muitos no meio académico e formou-se psicanalista para o compreender melhor. Estudou a resiliência visitando a reserva Crow em Montana — uma abordagem pouco ortodoxa para um professor de filosofia.
«Isso era típico do Jonathan. Ele estava interessado em ideias intelectuais, mas não apenas como ideias intelectuais. Era a experiência vivida que realmente o interessava — o que significa ser humano.» (Kay Long, professora de psiquiatria da Faculdade de Medicina de Yale, que estudou psicanálise com o professor Lear.)
«Freud -disse Lear- é um profundo explorador da condição humana, trabalhando numa tradição que remonta a Sófocles e que se estende por Platão, Santo Agostinho e Shakespeare até Proust e Nietzsche.»
Os primeiros estudos do professor Lear centraram-se na filosofia grega clássica. Nos seus livros Aristotle and Logical Theory (1980) e Aristotle: The Desire to Understand (1988), explorou a ideia de como o desejo de conhecimento molda os contornos de uma vida próspera.
«Quando os búfalos desapareceram, os corações do meu povo caíram no chão e nunca mais conseguiram levantá-los. Depois disso, nada aconteceu...»
by nytimes
Uma naturalista, etnóloga, primatologista com um extraordinário espírito científico e aventureiro e um grande amor à Natureza.
Hoje de manhãzinha li um artigo que perguntava porque é que os professores das universidades americanas são tão cobardes. Quando se trata de discutir ideias e levantar hipóteses sobre problemas têm mil e uma ideias sobre os assuntos, mas quando se trata de responder a questões sobre temas wokistas e outros socialmente polémicos, assinam sempre de acordo com o seu grupo, mesmo que pensem de maneira diferente. O artigo refere-se sobretudo aos professores titulares que têm lugar cativo e, por isso, deviam ter mais liberdade para ir contra a corrente. O autor do artigo conclui que é por medo de serem despedidos ou ostracizados.
Penso que tem muito que ver com o que a Hanna Arendt dizia sobre as pessoas em geral não pensarem. Pensar é um incómodo e traz problemas com os grupos próximos -e não só- de maneira que dispensam-se de pensar, preferindo encontrar um template ao qual aderir e depois ser leal ao grupo. Uma vez adesivados, fecham os olhos a outras realidades ou a incoerências internas e vão-se tornando incompatíveis com outros templates - como nos sistemas de computação, IOS e Windows.
Relativamente a esses temas socialmente polémicos referidos, há dois templates principais, o da esquerda e o da direita.
Associam ao da esquerda, defender as minorias, ser inclusivo e anti-fascista. Incluem no template, ser a favor dos homens biológicos, mulheres-trans, ser a favor do Hamas, ser contra Israel. Não interessa que as minorias sejam fascistas ou extremamente violentas: são minorias, são uns coitados, oprimidos pelo fascismo. Logo, todos os que se associam a este template cumprem estes mandamentos religiosamente; associam ao da direita, ser anti-islamita, contra os direitos das minorias (gays, lésbicas, mulheres, todos os imigrantes, etc.), ser religioso, defender a verdade do poder em vez do poder da verdade. Logo, todos os que se associam a este template cumprem estes mandamentos religiosamente. Nenhuma dúvida os atravessa.
Deus nos livre de se ser a favor das minorias e contra o fascismo e violência dessas minorias; ser a favor dos direitos humanos dos trans e contra as suas exigências de privilégios que destroem os direitos de outros; ser a favor do povo israelita e defender uma solução de dois Estados, etc.
Um comentador, há bocado, estranhou eu dizer mal do comportamento do Chega na AR e tentou associar-me a esse partido por ele ser pró-Israel e eu também (embora eu não seja anti-palestinianos, sou anti-Hamas e anti-Estados Islâmicos teocráticos). Como se eu abandonasse a capacidade de pensar e ver a realidade -neste caso o comportamento desses deputados- ou me fosse tornar anti-semita, com medo de me associarem ao Chega ou a outro qualquer.
Porém, a questão é mesmo essa: não conseguirem sair desses templates pré-formatados e depois usaram-nos para pressionar e amedrontar outros a submeterem-se. Daí os professores universitários assinarem o que julgam fazer parte do template do grupo para não serem assediados por ostracizadores profissionais, incapazes de pensar sem a canga do template.
Sabem que estão a ser incoerentes com os princípios que defendem mas escondem-no. Há muitos anos, mais de vinte, numa conversa com um indivíduo jornalista, uma pessoa muito conhecida, ele disse-me que os judeus estavam por detrás de todo o poder e eram a causa de todos os males. Como viu a minha cara de totalmente surpreendida, acrescentou, 'se alguma vez disser a alguém que disse isto, nego e digo que é mentira'. Nunca disse a ninguém, apesar de que outras pessoas também o ouviram. Nessa altura não associava pessoas de esquerda a anti-semitismo como agora é óbvio e já o assumem porque faz parte do seu template ser contra Israel e poderem manifestar o seu anti-semitismo em voz alta.
O mesmo comentador disse-me que não gosta de corridas de touros. Por um lado eu também não. Quero dizer, penso que não devia gostar. Entendo os argumentos de quem é contra. Tenho outros, mas percebo que tenho essa incoerência difícil de resolver. Vejo-a e não a nego. Não tenho receio de divergir de templates pré-concebidos nem os reconheço como fundamentos cartesianos a que não posso fugir.
Já vi muitos desses vídeos de 'debates' dele. O que ele faz é gozar com o adversário, chamar-lhe inferior, mandar bocas, fazer insinuações sobre pessoas, petições de princípio às carradas. Isso é muito diferente de debater ideias, argumentar, ou seja, apresentar razões válidas, pertinentes, para defender o mérito das suas ideias. Que as pessoas confundam aqueles sofismas baratos que ele usava nos debates com argumentação, diz muito sobre o entendimento de quem o defende como um grande argumentador. Este pequeno vídeo, anterior ao seu assassinato, torna óbvias essas técnicas de diminuir os outros, que ele usava em vez de argumentar. As técnicas baixas dele deviam ter sido destruídas assim, como esta mulher o fez, e não com balas. As balas, ainda por cima, fizeram dele um mártir-instrumento de abocanhar mais poder.
Ou menos do apagão e mais das pessoas. Hoje ouvi uma pessoa que mora sozinha dizer que tinha comprado 50 litros de água para ter em casa... entretanto ligaram-me do supermercado de onde costumo encomendar produtos a dizer que não tinham a água de uma das marcas que costumo encomendar e que na realidade já só tinham duas marcas, o que é anormal - todas as semanas compro uns garrafões de água porque bebo pelos menos dois litros por dia e ainda gasto água para fazer café e chá e nunca aconteceu não terem marcas de água. Pois, desde o apagão, disse-me a senhora que ligou, que a água desaparece das prateleiras como pãezinhos quentes. Enfim, há quem passe de não beber água para açambarcar água à toa.
Por falar em apagão. Da próxima vez que houver uma crise de comunicações podem agarrar naqueles carros de campanha com altifalantes e pô-los a circular com informações pertinentes.
E há pessoas que com muitíssimo menos dinheiro fazem questão de ajudar os outros. Micheal Sheen é um deles.
Martin Sheen cresceu pobre, ficou rico e depois perdeu tudo para apoiar o Campeonato do Mundo dos Sem-Abrigo de 2019. Depois de ter reequilibrado a sua vida financeira, está a dar do seu dinheiro para ajudar 900 pessoas totalmente desconhecidas.
Filmado para um novo documentário do Channel 4, Michael Sheen's Secret Million Pound Giveaway, este episódio faz parte de um projeto de dois anos do ator que consiste em utilizar 100.000 libras do seu próprio dinheiro para comprar dívidas no valor de 1 milhão de libras, devidas por cerca de 900 pessoas no sul do País de Gales - e cancelá-las imediatamente.Em 2021, depois de ter organizado o Campeonato do Mundo dos Sem-Abrigo de 2019, em Cardiff, Sheen declarou-se um actor sem fins lucrativos - uma frase um pouco descartável, mas baseada na sua convicção de que tinha a responsabilidade de canalizar o máximo possível dos seus rendimentos para causas e projectos. Vendeu casas que possuía e doou o dinheiro para associações de ajuda..
Grande parte do seu trabalho centra-se na sua comunidade local: em Port Talbot, onde o último alto-forno da siderurgia foi recentemente encerrado e as pessoas se debatem com dificuldades e, no sul do País de Gales, onde 30% das crianças vivem na pobreza.
Foi doloroso saber, por exemplo, sobre os jovens cuidadores da cidade - crianças que tomam conta de pais doentes ou deficientes - e ver que entre os poucos apoios disponíveis estava uma pequena organização que os levava ao bowling ou ao cinema uma vez por semana. Outra mulher que tinha perdido o filho, uma colega de escola de Sheen, tinha criado uma pequena organização de aconselhamento sobre o luto para colmatar uma lacuna. “E depois, uns meses mais tarde, volto lá e o dinheiro da organização desapareceu, foi-lhes cortado. Comecei a aperceber-me não só do que as pessoas estavam a fazer, mas também da falta de financiamento.Como é que se pode criar uma mudança e fazer algo que possa ajudar milhares ou milhões de pessoas? A Lei da Banca Justa é uma solução, que essencialmente encorajaria os bancos a oferecer crédito acessível a pessoas anteriormente excluídas com base no seu rendimento, antecedentes ou local de residência.“se as pessoas têm problemas com dívidas, é porque estão a fazer compras extravagantes que não podem pagar. Mas eu falo com pessoas que por vezes têm que ter dois empregos - são pessoas incrivelmente resistentes- e não fazem férias extravagantes nem nada do género. É apenas para o básico.O sistema já não funciona. Penso que as pessoas sentem que há algo de intrinsecamente errado e imperfeito no sistema e reconhecem que este precisa de uma mudança radical, mas as únicas pessoas que estão a oferecer uma mudança radical são pessoas perigosas. E não há um bom fim para isso”.