Na Látvia, a diferença é de 10 anos! As mulheres espanholas são quem vive mais.
Bill Maher nailed this segment about the oppression of women in Muslim countries. pic.twitter.com/35qNGkOk6c
— Don Keith (@RealDonKeith) February 9, 2026
Isto é, sobretudo, acerca dos homens não serem capazes de ver as mulheres como seres humanos. São objecto de desejo, são terapia emocional, terapia sexual, terapia de conforto, suportes de quotidiano. Não são serem que existem por si mesmas, com valor próprio. O seu valor é meramente instrumental e está relacionado com o bem-estar dos homens e o seu ego.
🇺🇸 Californie : « Je m'appelle Chloé, j'ai 18 ans et j'etais un enfant transgenre. J'ai entamé ma transition de mes 12 ans jusqu'à mes 16 ans lorsque j'ai réalisé que tout n'était que mensonges. Mon histoire est un avertissement... » pic.twitter.com/FvVVlUv2yt
— Wolf 🐺 (@PsyGuy007) January 12, 2026
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Para si. Se realmente acredita que:
Escócia.
Enheduanna, uma poetisa e sacerdotisa mesopotâmica pouco conhecida foi a primeira autora nomeada, em toda a história registada.
Os escritos de Enheduanna gravados numa tabuinha de argila, em escrita cuneiforme. (Crédito: The Yale Babylonian Collection/ Photo by Klaus Wagensonner)O seu nome, em sumério, significa «Ornamento do Céu» e, como alta sacerdotisa da divindade lunar Nanna-Suen, ela compôs 42 hinos para o templo e três poemas independentes que, tal como a Epopeia de Gilgamesh (que não é atribuída a um autor específico), os estudiosos consideram uma parte importante do legado literário da Mesopotâmia.
Em conjunto com o seu estatuto de figura religiosa e sacerdotisa, Enheduanna exercia poder político como filha de Sargão, o Grande — uma figura creditada por alguns historiadores como o fundador do primeiro império do mundo.
Ela desempenhou um papel essencial ao ajudar a unir a região norte da Mesopotâmia, Akkad, onde Sargão ascendeu ao poder, antes de conquistar as cidades-estado sumérias no sul. Fê-lo, ajudando a fundir as crenças e rituais associados à deusa suméria Inanna com os da deusa acádia Ishtar e enfatizando essas ligações nos seus hinos e poemas literários e religiosos, criando assim um sistema comum de crenças em todo o império.
Cada um dos hinos que Enheduanna escreveu para 42 templos na metade sul da Mesopotâmia destacava o carácter único da deusa padroeira para os fiéis dessas cidades; os hinos foram copiados por escribas nos templos durante centenas de anos após a sua morte.
Em, Exaltação de Inanna, ela descreve o processo criativo:
Today was a HUGE victory for women in the EU. An absolutely FANTASTIC result for women’s rights group ‘My Voice, My choice.
— 𝔗𝔯𝔲𝔱𝔥 𝔐𝔞𝔱𝔱𝔢𝔯𝔰 (@politicsusa46) December 17, 2025
The European Parliament voted in support of an EU fund to expand access to abortion for women across the bloc, in a historic ballot. The vote was won 358… pic.twitter.com/poVZOfXPXm
Estes testemunhos referem-se ao SNS inglês mas não devem ser diferentes do que se passa aqui. Aliás, aqui deve ser pior pois constantemente mandam as grávidas embora, ter filhos em ambulâncias ou no meio da rua. Os casos que se ouvem todos os dias são de meter medo e percebo perfeitamente que mulheres sem dinheiro para ir a um médico e hospital privados prefiram não ter filhos do que correr estes enormes riscos de mau acompanhamento, maus tratos durante a gravidez e o parto e sequelas graves para o resto da vida.
É o nome do canal desta mulher, holandesa que anda a percorrer as cadeias montanhosas -e não só- da Ásia e da África. Vi-a no Nepal, nos Himalaias, depois passou para o Paquistão, Afeganistão, Irão, Iraque, Arábia Saudita. Depois tenho acompanhado a ida a África pela Costa Oeste. Tem uma câmara no capacete e vai quase sempre a gravar de maneira que vemos os caminhos de montanha, os desfiladeiros, as vilas porque passa, etc. Fala arábico e outras línguas e é muito desembaraçada porque está constantemente a ser parada em check points e fronteiras onde tem de responder a perguntas intermináveis, às vezes é assediada, por vezes para lhe sacarem dinheiro - que nunca dá. Perguntam-lhe constantemente onde está o homem que a acompanha, que idade tem, porque não tem filhos, porque anda sozinha, etc. De todos os sítios onde anda, foi no Afeganistão que teve receio e vêmo-la sempre a evitar encontrar talibãs. Depois, na viagem a África, arranjou um modo de passar do Congo para Angola -indo de barco- evitando passar pelas fronteiras da República Democrática do Congo, por sentir que poria a sua segurança pessoal num enorme risco. De resto, anda por todo o lado. No Iraque roubaram-lhe a mota e foi à procura dela com a aplicação do telemóvel. Percebe o suficiente de mecânica para arranjar a mota em caso de pequenos problemas. Teve um acidente no meio do nada em que partiu a mão, furou um pneu no meio de um deserto, foi atacada por uma praga de gafanhotos e muitas outras peripécias. No geral as pessoas são simpáticas em todo o lado e tentam ajudá-la. Estou um bocadinho fascinada com a aventura dela.
Porque mesmo nas sociedades onde se reconhecem os direitos de autonomia e liberdade das mulheres há cumplicidade entre os homens não criminosos com os homens criminosos e sem a colaboração dos homens não criminosos, os direitos das mulheres e as suas vidas serão sempre de pouco valor.
Em 1963, Lesley Gore cantou esta música sem nenhuma intenção de provocar reacções, mas recebeu a reprovação dos homens em geral e a admiração das mulheres que a tomaram como uma espécie de hino feminista. Curiosamente, foi escrita por dois homens. A letra da música continua perfeitamente válida para julgar a actualidade.
Mas desta vez já dentro do hospital. O que quer dizer que a mulher esteve para lá abandonada, sem ninguém se interessar por cuidar dela. Já não há palavras para a violência com que tratam as grávidas neste país.
Bebé nasce no chão da receção das urgências do Hospital de Gaia
Pai já apresentou queixa ao hospital, à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde e à Ordem dos Médicos, alegando violação dos protocolos de emergência.DN
O papel das mulheres na restauração da independência em 1640
Rodrigo Tavares
Expresso
Dei por mim ontem a ler sobre as “Daughters of Liberty” [Filhas da Liberdade]. Apesar de terem contribuído diretamente para a base económica e simbólica da independência americana, raramente aparecem nos livros escolares ou na narrativa oficial da fundação dos EUA. No Brasil, Bárbara Heliodora e Hipólita Jacinta lideraram círculos intelectuais e de resistência durante a Inconfidência Mineira (1789), mas a memória nacional da luta contra os portugueses ficou centrada em Tiradentes.
Também em Portugal a guerra da restauração é masculina. O 1.º de dezembro de 1640 assinala o dia em que um grupo de nobres — os célebres Quarenta Conjurados — organizou em Lisboa o golpe que pôs fim a sessenta anos de domínio espanhol (1580–1640) e restaurou a coroa portuguesa com D. João IV da Casa de Bragança. A cena é bem conhecida: às 09h da manhã fidalgos armados invadem o Paço da Ribeira e assassinam Miguel de Vasconcelos, secretário de Estado e símbolo da dominação castelhana. Os 40 nobres portugueses são todos homens. A lista está disponível aqui.
Mas parte desta história foi encabeçada por mulheres. Entre Lisboa, Évora e Vila Viçosa, damas da corte, esposas de fidalgos e viúvas influentes desempenharam papéis decisivos na preparação da conspiração. Criaram uma rede de informação que escapava à vigilância castelhana, precisamente porque ninguém suspeitava que aquelas figuras femininas pudessem ser protagonistas políticos.
O exemplo mais célebre é o de D. Luísa de Gusmão. Casada com D. João, 8.º duque de Bragança, a sua influência foi decisiva na Restauração. Enquanto o país fervilhava com revoltas contra a castelhanização e o aumento dos tributos — como o Motim das Maçarocas (1628) ou a Revolta do Manuelinho (1637) — D. João mostrava-se relutante em aderir às conspirações. Os nobres ofereciam-lhe o trono, mas ele hesitou durante anos, entregue a uma vida pacata em Vila Viçosa, dedicado sobretudo à música, a sua grande paixão. Perante a indecisão, os conspiradores chegaram a ameaçar proclamá-lo rei mesmo sem o seu consentimento. Foi apenas graças a um novo contexto geopolítico europeu e à firme influência da sua esposa que o futuro D. João IV — que viria a ser celebrado na historiografia portuguesa como o herói da Restauração — abandonou o imobilismo e aceitou assumir a coroa.
Em 2012, uma tese de doutoramento defendida por Monique M. Vallance na Universidade da California em Santa Barbara (“D. Luisa de Gusmão: Gender and Power in Seventeenth Century Portugal”), analisou o comportamento da futura rainha portuguesa à luz dos comportamentos de género da época e concluiu que ela manipulava os homens à sua volta ao exagerar o estereótipo feminino, levando-os a acreditar que agia de acordo com o que se esperava dela enquanto rainha regente e mãe. Em vez disso, utilizou essa imagem como disfarce para alcançar a sua própria agenda.
Também Maria Luísa Gama, da Universidade de Évora, em “As Rainhas da Restauração: a Construção do Poder Feminino no Portugal Brigantino (1640-1683)” reforçou que D. Luísa foi uma presença assídua no órgão político mais importante do Reino, onde acompanhava o Rei e o príncipe herdeiro: o Conselho de Estado. Não era uma prática comum na altura. Ainda que a influência exercida por D. Luísa de Gusmão não seja celebrada nos discursos do 1º de dezembro, podemos encontrar referências pontuais à sua contribuição em publicações de Veríssimo Serrão, Mafalda Soares da Cunha, Frei Cláudio da Conceição e de D. Luís de Menezes, Conde da Ericeira. Coube à duquesa de Bragança a firmeza necessária para vencer a relutância do marido e levá-lo a assumir o trono, aceitando o destino que a conspiração lhe traçava.
Mais esquecido ainda é o papel desempenhado por outras mulheres na Restauração da independência. Isabel Pereira de Ouguela, que combateu os castelhanos nas trincheiras, aparece apenas numa publicação de 1644 (“Relaçam da famosa resistencia, e sinalada vitoria, que os Portugueses alcançarão dos Castelhanos em Ouguela, este Anno de 1644 a 9 de Abril governando esta Praça o Capitão Pascoal da Costa”). O papel das fiandeiras do Porto no Motim das Maçarocas de 1628 tem igualmente merecido pouca atenção. Revoltadas, as mulheres portuenses chegaram a apedrejar o representante do rei espanhol.
Eu não sou historiador, mas a invisibilização das mulheres na Restauração de 1640 não parece ser uma simples omissão da nossa memória histórica. É, antes, parte de um padrão universal de silenciamento feminino, que atravessa séculos e geografias e que importa corrigir com justiça. Um desses nomes a resgatar é o de Isabel Madeira. Em 1546, no segundo cerco de Diu, na Índia, organizou um grupo de combatentes portuguesas, com Catarina Lopes, Isabel Fernandes, Isabel Dias e Garcia Rodrigues, que lutou na linha da frente contra as forças do sultanato do Guzerate. O seu feito sobrevive apenas em crónicas, cartas e tratados do século XVI e numa revista publicada em 1842.
O cerco é recordado como um marco épico do império ultramarino, mas a narrativa histórica prefere destacar o papel de D. João de Mascarenhas, capitão da fortaleza.
Such great & inspiring role models for our girls‼️Don’t let the patriarchy cancel our power‼️ pic.twitter.com/CCH3e6lkDD
— Meidas_Charise Lee (@charise_lee) October 1, 2025