Showing posts with label mulheres. Show all posts
Showing posts with label mulheres. Show all posts

February 12, 2026

February 11, 2026

Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência




Criar caminhos reais para raparigas nas ciências

João Baracho

A recente aprovação, em Conselho de Ministros, do Programa Nacional das Raparigas nas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), com um investimento de 13,25 milhões de euros, representa um passo decisivo para enfrentar uma desigualdade persistente em Portugal. Num país onde apenas uma em cada quatro especialistas em Tecnologias de Informação e Comunicação é mulher e onde só três em cada dez diplomados em áreas STEM são do sexo feminino, esta iniciativa deixa claro que a igualdade de género na ciência e na tecnologia deixou de ser apenas um ideal e passou a ser um compromisso político concreto.

Fixar como meta alcançar 30% de mulheres especialistas em TIC até 2030 é mais do que um objetivo estatístico. É um sinal de responsabilidade pública e de visão estratégica. A transformação digital que o país ambiciona não será plenamente alcançada se continuar a excluir - de forma estrutural - metade do talento disponível. A igualdade de género nas STEM não é apenas uma questão de justiça social; é uma condição essencial para a inovação, a competitividade e o desenvolvimento sustentável.

Contudo, políticas públicas só produzem impacto real quando se traduzem em experiências concretas na vida das pessoas. É aqui que o papel das organizações da sociedade civil se torna determinante. O CDI Portugal tem-se afirmado, ao longo dos últimos 13 anos, como um agente de mudança, promovendo a inclusão digital e a inovação social através da tecnologia. O nosso trabalho parte de uma convicção simples: a tecnologia só cumpre o seu potencial transformador quando é acessível, significativa e ligada aos problemas reais das comunidades.

Programas como os Centros de Cidadania Digital e o Apps for Good demonstram isso mesmo. Ao colocar jovens - desde o 5.º ao 12.º ano - a usar a tecnologia para responder a desafios sociais, ambientais ou comunitários, estamos a criar contextos de aprendizagem que quebram estereótipos e ampliam horizontes. Não se trata apenas de ensinar programação ou competências técnicas, mas de mostrar que a tecnologia pode ser uma ferramenta de cidadania, impacto social e mudança.

Os resultados são claros. Em onze anos de Apps for Good em Portugal, 41% dos mais de 31.500 alunos participantes foram raparigas; em oito anos, 47% dos participantes dos Centros de Cidadania Digital são mulheres. Só em 2025, os projetos do CDI Portugal impactaram mais de 12.300 pessoas, das quais cerca de 5500 são do género feminino. Estes números mostram que, quando as oportunidades são desenhadas de forma inclusiva, as raparigas participam, permanecem e destacam-se. Mostram também que o problema não está na falta de interesse ou capacidade, mas nas barreiras culturais, educativas e sociais que continuam a afastá-las destas áreas.Assinalar o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência (neste dia 11 de fevereiro), é, por isso, um convite à ação. Um convite para alinhar políticas públicas, escolas, organizações e empresas na criação de percursos consistentes, contínuos e inclusivos. Só assim garantiremos que mais raparigas não apenas escolhem as STEM, mas encontram nelas um espaço onde podem crescer, liderar e transformar o futuro digital de Portugal.


February 09, 2026

February 04, 2026

Man about men about women

 


Isto é, sobretudo, acerca dos homens não serem capazes de ver as mulheres como seres humanos. São objecto de desejo, são terapia emocional, terapia sexual, terapia de conforto, suportes de quotidiano. Não são serem que existem por si mesmas, com valor próprio. O seu valor é meramente instrumental e está relacionado com o bem-estar dos homens e o seu ego.


January 17, 2026

A imposição social da ideologia trans segundo a qual uma mulher é que um homem quiser é um perigo para as crianças e para as mulheres

 

----------

Para si. Se realmente acredita que:

As mulheres têm pénis,
Os homens podem engravidar,
As crianças podem nascer no corpo «errado».
Os homens que se identificam como mulheres devem ser autorizados a competir em desportos femininos.
Os violadores do sexo masculino devem ser alojados em prisões femininas simplesmente porque dizem que são mulheres.
São os homens que se identificam como mulheres quem deve dizer o que é uma mulher, o que uma mulher pode fazer e deve suportar para que esses homens se sintam confortáveis, então, lamento dizer-lhe:

Você foi radicalizado.
Já não está a agir com base na razão ou na realidade.
É um extremista.
Age como um misógino.
Efectivamente contribui para a erosão dos direitos das mulheres.
Representa um perigo para as mulheres, para as crianças e para a sociedade em geral.

Isto não é compaixão. Isto não é progresso. É ilusão, imposta através do medo, da culpa e da coerção ideológica.

E se se vir a defender agressivamente estas ideias, a silenciar a dissidência, a cancelar os que não se submetem à sua ideologia ou a rotular qualquer pessoa que as questione como odiosa, intolerante ou transfóbica, então está na hora de olhar bem para quem é o verdadeiro fanático.

@Aja♀️🇬🇧

January 01, 2026

Políticas de gente de bom senso

 

Escócia.



Diana Alastai XX
Inglaterra

Aqui está uma lista parcial dos homens que se identificam como transgéneros, [homens biológicos que se identificam como mulheres], que nos últimos ano agrediram sexualmente raparigas ou mulheres em espaços que deveria ser exclusivos femininos.
Note que esta é apenas uma lista parcial e não corresponde à totalidade das agressões/violações.

Michael Maria Pentholm
Karen White
Katie Dolatowski
Jessica Winfield
Tara Desousa
Janiah Monroe
Kristen Lukess
Lisa Hauxwell
Laken McKay
Aliea Rose Brown
Paula Witherspoon
Davina Ayrton
Johanna Wolf
Hanna Tubbs
Christopher Hambrook
Dakota Nieves
Tarah Jo Morgan
Marie Dean
Jessica Brennan
Rachel Smith
Marcia Walker
Synthia China Blast
Michelle Winter
Paris Bregazzi
Melissa Wilson
Barbie Kardashian
Jessica Smith
Wolfgang Schmidt
Chloe Thompson
Denen Anderson
Kadence Pinder
Beth Hannan
Leah Harvey
Julie Marshall
Blaine Maney
Amber Thorden
Evi Amat
Babs Longmire
Rachel Fenton
Jorven Seren
Claire Goodier
Kim Marie Johannson
Steven Hayes
Jacinta Brooks
Alexander Eshawn Lions
Ashley Winter
Steph Ricciardi
Vicky Green
Ella Davies
Melissa Addis
Madilyn Harks
Jessica Marie Hann
Michelle Martinez
Nicole Summers
Shauna Patricia Smith
Evelyn Young
Claire Goodier
Allison Woolbert
Nur Ahmed
Vyvyenne Ward
Laura McCann
Lisa Jones
Rayne Aloysius Constantine
Rose Bennett
Louise Ford
Robert Glanowski
Lily Bate
Alyssa Celusta
Sora Kuykendall
Lydia Helena Vision
Ava Jones
Alex Ray Scott
Diego Melendez
Paris Green
Tiffany Scott
Zoe Lynes
Vicky Green
Pauline Long
Chloe Walker
Toni Prince
Lana Laws
Christyl Knight
Carrie Cooper
Jasmine Hill
Diamond Blount
Nicola Florida
Dawn Love
Stacey Pool
Alexis Herschell
Scarlet Shadows
Karen Louise Lawson
Nicola Cope
Gina Owen
Kayleigh Louise Woods
Claire Darbyshire
Kira Leverton
Kathleen Carpenter
Donna Perry
Karen Jones
Carol Lea
Michelle Lewin
Alanna Nicole Partin
Yostin Murillo
Peter Selby
Wendy Jones
Rose Whitby
Daryl Graves
Diana Guevara
Jason Croker
Jody Matthew Burke
Patricia Trimble
Sally Dixon
Milan Wash
Adree Edmo
Jayden Dean
Paul Denyer
Bruno Meirelles
Pandora Electra
Robert Gordon Cummins
Danielle Rose Gemini
Brooke Lyn Sonia
Nonnie Lotusflower
Tianne Miller
Narsimha Bichappa Shirvati
Brandy Wood
Kelly McSean
Michelle Renee Lamb
Andrea Balcer
Ketan Shende
Serenity Alana Mann
Sacho Samson
Harryetta Thompson
Jenna Hansen
Jane Beck
Audrey Robinson
Lexi-Rose Crawford
Carissa Marie Radcliffe
Jolene Charisma Starr
Zara Jade
Rhiley Carlson
Claire Fox
Robert William Perry II
Tanya Howes
Loana Luna
Dwight Chisolm
Amy George
Stuart Bulling
Lorena Santana
Christopher Williams
Alyssa Christine Trenchard
Danielle Edney
Julie Shepherd
Izzabella Raymundo
Stephanie Hayden
Sophie Louise Carter
Autumn Cordellioné
Katana Paris
Shauna Kavanagh
Zera Lola Zombie
Nicole Rose Campbell
April Welsh
Tânia Ferrinho
Scarlet Moon Shadows
Laura Miller
Thorsten Heinz
Tara Pearsall
Adam McDonald
Samantha Norris
Abigail Waller
Rachel Queen Burton
Maria Childers
Xenia Jade Millar
Krystel Lauzon
Amber Faye Fox Kim
Ash Cooper
Natalie Pershall
Kazumi Watanabe
Claire Caballero
Jacqui McWilliams
Sabrina/Morrigan Hetke
Jo White
July Justine Shelby
Joanna Evans
Louise Thomas
Miquel Toni Riera Prats
Emma Davies
Lexi Secker
Pierre Parsons,
Claire Anderson
Michell Silva Perez
Michelle Blessent
Cassidy Honsinger
Elijah Thomas Berryman
Sean Windingland
Duane Owen
Dana Rivers
Alfie Howe
Marceline Harvey
Chloee-Mae Danvers
Jamie Kim Belladonna
Catarina da Lapa,
Renee Mills
Aria Peers
Danielle Marie Whitebird
Makayla Craig
Angel Hill
Farin Kinar
Reiyn Keohane
Michelle Ward
Levana Ballouz
Francesca Bartkus
María López Barrera
Autumn Tulip Harper
Richard Kenneth Cox
Oliver Smith
Rebecca Clark
Dakota Rose Austin
Catherine Lynn
Naomi O’Brien
Nicola Watson
Bunny Autumn Colasimone
Tiffany Aching
Sophie KoKo
-------

Estes agressores com nomes de mulher são homens biológicos trans que estão agora nas bases de dados, não como homens que agrediram mulheres, mas como mulheres que agrediram outras mulheres o que implica uma fraude nas estatísticas de violações/agressões de homens contra mulheres e tem consequências ao nível da prevenção e da resolução do problema da violência contra mulheres.

December 24, 2025

Enheduanna - a primeira autora nomeada em toda a História registada

 

Enheduanna, uma poetisa e sacerdotisa mesopotâmica pouco conhecida foi a primeira autora nomeada, em toda a história registada.

Os escritos de Enheduanna gravados numa tabuinha de argila, em escrita cuneiforme. (Crédito: The Yale Babylonian Collection/ Photo by Klaus Wagensonner)

O seu nome, em sumério, significa «Ornamento do Céu» e, como alta sacerdotisa da divindade lunar Nanna-Suen, ela compôs 42 hinos para o templo e três poemas independentes que, tal como a Epopeia de Gilgamesh (que não é atribuída a um autor específico), os estudiosos consideram uma parte importante do legado literário da Mesopotâmia.

Em conjunto com o seu estatuto de figura religiosa e sacerdotisa, Enheduanna exercia poder político como filha de Sargão, o Grande — uma figura creditada por alguns historiadores como o fundador do primeiro império do mundo. 

Ela desempenhou um papel essencial ao ajudar a unir a região norte da Mesopotâmia, Akkad, onde Sargão ascendeu ao poder, antes de conquistar as cidades-estado sumérias no sul. Fê-lo, ajudando a fundir as crenças e rituais associados à deusa suméria Inanna com os da deusa acádia Ishtar e enfatizando essas ligações nos seus hinos e poemas literários e religiosos, criando assim um sistema comum de crenças em todo o império. 

Cada um dos hinos que Enheduanna escreveu para 42 templos na metade sul da Mesopotâmia destacava o carácter único da deusa padroeira para os fiéis dessas cidades; os hinos foram copiados por escribas nos templos durante centenas de anos após a sua morte.

Em, Exaltação de Inanna, ela descreve o processo criativo:

«Eu dei à luz,
Ó senhora exaltada, (esta canção) para ti.
Aquilo que recitei para ti à meia-noite,
que o cantor repita para ti ao meio-dia!»


E ela reivindica a sua autoria na conclusão dos Hinos do Templo, afirmando:

«A compiladora da tabuinha (é) Enheduanna. Meu senhor, aquilo que foi criado (aqui) ninguém criou antes.»

Ela descreve a vida quotidiana, os cuidados e a natureza inerente das divindades e dos seus templos. Povoa todo o cosmos circundante com seres divinos activos, envolventes e incontroláveis.

Como sociedade, a Mesopotâmia era, naquela época, menos patriarcal do que outros lugares.

Esses poemas também podem sugerir o sólido domínio da matemática por Enheduanna — o que talvez não seja tão surpreendente quando se lembra que os historiadores traçam as origens da matemática até a Mesopotâmia, juntamente com o desenvolvimento da escrita cuneiforme e de outros sistemas de escrita antigos. Tanto a escrita quanto a contagem provavelmente foram desenvolvidas por necessidade na economia agrícola e têxtil activa da Mesopotâmia, onde os sistemas se entrelaçaram à medida que agricultores e comerciantes contavam o que era produzido e registravam o que era vendido e comercializado.

Uma cena de sacrifício gravada num dos lados deste disco de calcite; uma inscrição de Enheduanna aparece no outro lado (Credit: The Penn Museum)

Datada de aproximadamente 2300 a.C. e escavada por Woolley em 1927, a cena aqui esculpida retrata Enheduanna acompanhada por três servas vestidas com roupas simples, carregando objectos rituais, todas marchando solenemente em fila fora de um templo escalonado, semelhante a um zigurate. Identificamo-la pelo seu elaborado cocar circular e pelo seu manto com babados em camadas. O rosto de Enheduanna é mostrada de perfil, enquanto levanta os olhos para Inanna, deusa do amor e da guerra. Enheduanna manteve a sua posição por 40 anos, até à sua morte.  (bbc)
 


December 18, 2025

Nem tudo funciona mal III My Voice, My choice

 

December 08, 2025

Testemunhos

 

Estes testemunhos referem-se ao SNS inglês mas não devem ser diferentes do que se passa aqui. Aliás, aqui deve ser pior pois constantemente mandam as grávidas embora, ter filhos em ambulâncias ou no meio da rua. Os casos que se ouvem todos os dias são de meter medo e percebo perfeitamente que mulheres sem dinheiro para ir a um médico e hospital privados prefiram não ter filhos do que correr estes enormes riscos de mau acompanhamento, maus tratos durante a gravidez e o parto e sequelas graves para o resto da vida.


November 07, 2025

O Qatar contrata empresas de serviços de informações para silenciar mulheres



@HenMazzig

ÚLTIMA HORA: Uma reportagem do Guardian revela que o Qatar pagou a empresas de serviços de informação para descobrirem podres sobre a mulher que acusou o procurador do Tribunal Penal Internacional, Karim Khan de agressão sexual.

As empresas de 
de serviços de informação procuraram dados confidenciais sobre a mulher e a sua família, incluindo o seu filho. Descobriram para onde ela tinha voado e até a senha do seu e-mail pessoal.

Já é mau o suficiente não acreditar nas mulheres, mas chegar ao ponto de silenciá-las à força é de outro nível.

A investigação, conduzida pela empresa Highgate, sediada em Londres, tentou estabelecer ligações entre a mulher que acusou Khan e Israel. Aparentemente, o objectivo seria pôr a culpa de toda a situação numa campanha de difamação israelense.

Na verdade, o oposto é verdadeiro. Não é Israel que tenta desviar a culpa por meio de acusações, é Khan.

November 06, 2025

Men about men about women

 


Como se chegou aqui? As mulheres foram estudar e trabalhar e ter uma vida própria. Porém, continuaram a querer homens para companheiros de vida e continuaram a casar com eles. Depois, as mulheres passaram os 60 anos seguintes a dizer aos homens que estavam sobrecarregadas com os filhos e as tarefas domésticas e que eles tinham de começar a partilhar as responsabilidades domésticas. Escreveram textos em jornais, em revistas, em programas de TV, em séries, em mesas redondas e de toda a maneira e feitio mostraram aos homens que a vida comum não é da responsabilidade exclusiva delas. Os homens ignoraram olimpicamente as mulheres e até hoje mantêm as suas aspirações de terem uma mulher-mãe, psicóloga, amante, mãe dos filhos, educadora e criada de servir que lhes faça o jantar e passe a roupa a ferro e que pague metade das contas. Resultado: as mulheres deixaram de casar. Quando querem muito filhos, têm-nos sozinhas. De resto, ficam solteiras, têm amigas e amigos com quem saem e têm relações de afecto e intimidade, viajam, fazem desporto, têm uma casa com sossego, sem dramas e traições, com boa comida e paz. Pois mesmo assim, os homens, em vez de começarem a comportar-se como parceiros humanos decentes, gritam zangados para as mulheres baixarem os padrões de exigência.

October 30, 2025

Itchy Boots

 


É o nome do canal desta mulher, holandesa que anda a percorrer as cadeias montanhosas -e não só- da Ásia e da África. Vi-a no Nepal, nos Himalaias, depois passou para o Paquistão, Afeganistão, Irão, Iraque, Arábia Saudita. Depois tenho acompanhado a ida a África pela Costa Oeste. Tem uma câmara no capacete e vai quase sempre a gravar de maneira que vemos os caminhos de montanha, os desfiladeiros, as vilas porque passa, etc. Fala arábico e outras línguas e é muito desembaraçada porque está constantemente a ser parada em check points e fronteiras onde tem de responder a perguntas intermináveis, às vezes é assediada, por vezes para lhe sacarem dinheiro - que nunca dá. Perguntam-lhe constantemente onde está o homem que a acompanha, que idade tem, porque não tem filhos, porque anda sozinha, etc. De todos os sítios onde anda, foi no Afeganistão que teve receio e vêmo-la sempre a evitar encontrar talibãs. Depois, na viagem a África, arranjou um modo de passar do Congo para Angola -indo de barco- evitando passar pelas fronteiras da República Democrática do Congo, por sentir que poria a sua segurança pessoal num enorme risco. De resto, anda por todo o lado. No Iraque roubaram-lhe a mota e foi à procura dela com a aplicação do telemóvel. Percebe o suficiente de mecânica para arranjar a mota em caso de pequenos problemas. Teve um acidente no meio do nada em que partiu a mão, furou um pneu no meio de um deserto, foi atacada por uma praga de gafanhotos e muitas outras peripécias. No geral as pessoas são simpáticas em todo o lado e tentam ajudá-la. Estou um bocadinho fascinada com a aventura dela.


October 28, 2025

Porque é que a vida das mulheres vale pouco?

 

Porque mesmo nas sociedades onde se reconhecem os direitos de autonomia e liberdade das mulheres há cumplicidade entre os homens não criminosos com os homens criminosos e sem a colaboração dos homens não criminosos, os direitos das mulheres e as suas vidas serão sempre de pouco valor.


October 07, 2025

'You don't own me'

 

Em 1963, Lesley Gore cantou esta música sem nenhuma intenção de provocar reacções, mas recebeu a reprovação dos homens em geral e a admiração das mulheres que a tomaram como uma espécie de hino feminista. Curiosamente, foi escrita por dois homens. A letra da música continua perfeitamente válida para julgar a actualidade.



October 06, 2025

Mais uma grávida que tem o filho no meio do chão

 

Mas desta vez já dentro do hospital. O que quer dizer que a mulher esteve para lá abandonada, sem ninguém se interessar por cuidar dela. Já não há palavras para a violência com que tratam as grávidas neste país.


Bebé nasce no chão da receção das urgências do Hospital de Gaia
Pai já apresentou queixa ao hospital, à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde e à Ordem dos Médicos, alegando violação dos protocolos de emergência.
DN

October 04, 2025

"O papel das mulheres na restauração da independência em 1640"




O papel das mulheres na restauração da independência em 1640

Rodrigo Tavares
Expresso

Dei por mim ontem a ler sobre as “Daughters of Liberty” [Filhas da Liberdade]. Apesar de terem contribuído diretamente para a base económica e simbólica da independência americana, raramente aparecem nos livros escolares ou na narrativa oficial da fundação dos EUA. No Brasil, Bárbara Heliodora e Hipólita Jacinta lideraram círculos intelectuais e de resistência durante a Inconfidência Mineira (1789), mas a memória nacional da luta contra os portugueses ficou centrada em Tiradentes.

Também em Portugal a guerra da restauração é masculina. O 1.º de dezembro de 1640 assinala o dia em que um grupo de nobres — os célebres Quarenta Conjurados — organizou em Lisboa o golpe que pôs fim a sessenta anos de domínio espanhol (1580–1640) e restaurou a coroa portuguesa com D. João IV da Casa de Bragança. A cena é bem conhecida: às 09h da manhã fidalgos armados invadem o Paço da Ribeira e assassinam Miguel de Vasconcelos, secretário de Estado e símbolo da dominação castelhana. Os 40 nobres portugueses são todos homens. A lista está disponível aqui.

Mas parte desta história foi encabeçada por mulheres. Entre Lisboa, Évora e Vila Viçosa, damas da corte, esposas de fidalgos e viúvas influentes desempenharam papéis decisivos na preparação da conspiração. Criaram uma rede de informação que escapava à vigilância castelhana, precisamente porque ninguém suspeitava que aquelas figuras femininas pudessem ser protagonistas políticos.

O exemplo mais célebre é o de D. Luísa de Gusmão. Casada com D. João, 8.º duque de Bragança, a sua influência foi decisiva na Restauração. Enquanto o país fervilhava com revoltas contra a castelhanização e o aumento dos tributos — como o Motim das Maçarocas (1628) ou a Revolta do Manuelinho (1637) — D. João mostrava-se relutante em aderir às conspirações. Os nobres ofereciam-lhe o trono, mas ele hesitou durante anos, entregue a uma vida pacata em Vila Viçosa, dedicado sobretudo à música, a sua grande paixão. Perante a indecisão, os conspiradores chegaram a ameaçar proclamá-lo rei mesmo sem o seu consentimento. Foi apenas graças a um novo contexto geopolítico europeu e à firme influência da sua esposa que o futuro D. João IV — que viria a ser celebrado na historiografia portuguesa como o herói da Restauração — abandonou o imobilismo e aceitou assumir a coroa.

Em 2012, uma tese de doutoramento defendida por Monique M. Vallance na Universidade da California em Santa Barbara (“D. Luisa de Gusmão: Gender and Power in Seventeenth Century Portugal”), analisou o comportamento da futura rainha portuguesa à luz dos comportamentos de género da época e concluiu que ela manipulava os homens à sua volta ao exagerar o estereótipo feminino, levando-os a acreditar que agia de acordo com o que se esperava dela enquanto rainha regente e mãe. Em vez disso, utilizou essa imagem como disfarce para alcançar a sua própria agenda.

Também Maria Luísa Gama, da Universidade de Évora, em “As Rainhas da Restauração: a Construção do Poder Feminino no Portugal Brigantino (1640-1683)” reforçou que D. Luísa foi uma presença assídua no órgão político mais importante do Reino, onde acompanhava o Rei e o príncipe herdeiro: o Conselho de Estado. Não era uma prática comum na altura. Ainda que a influência exercida por D. Luísa de Gusmão não seja celebrada nos discursos do 1º de dezembro, podemos encontrar referências pontuais à sua contribuição em publicações de Veríssimo Serrão, Mafalda Soares da Cunha, Frei Cláudio da Conceição e de D. Luís de Menezes, Conde da Ericeira. Coube à duquesa de Bragança a firmeza necessária para vencer a relutância do marido e levá-lo a assumir o trono, aceitando o destino que a conspiração lhe traçava.

Mais esquecido ainda é o papel desempenhado por outras mulheres na Restauração da independência. Isabel Pereira de Ouguela, que combateu os castelhanos nas trincheiras, aparece apenas numa publicação de 1644 (“Relaçam da famosa resistencia, e sinalada vitoria, que os Portugueses alcançarão dos Castelhanos em Ouguela, este Anno de 1644 a 9 de Abril governando esta Praça o Capitão Pascoal da Costa”). O papel das fiandeiras do Porto no Motim das Maçarocas de 1628 tem igualmente merecido pouca atenção. Revoltadas, as mulheres portuenses chegaram a apedrejar o representante do rei espanhol.

Eu não sou historiador, mas a invisibilização das mulheres na Restauração de 1640 não parece ser uma simples omissão da nossa memória histórica. É, antes, parte de um padrão universal de silenciamento feminino, que atravessa séculos e geografias e que importa corrigir com justiça. Um desses nomes a resgatar é o de Isabel Madeira. Em 1546, no segundo cerco de Diu, na Índia, organizou um grupo de combatentes portuguesas, com Catarina Lopes, Isabel Fernandes, Isabel Dias e Garcia Rodrigues, que lutou na linha da frente contra as forças do sultanato do Guzerate. O seu feito sobrevive apenas em crónicas, cartas e tratados do século XVI e numa revista publicada em 1842.

O cerco é recordado como um marco épico do império ultramarino, mas a narrativa histórica prefere destacar o papel de D. João de Mascarenhas, capitão da fortaleza.


October 03, 2025

Bom dia