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January 01, 2026

Políticas de gente de bom senso

 

Escócia.



Diana Alastai XX
Inglaterra

Aqui está uma lista parcial dos homens que se identificam como transgéneros, [homens biológicos que se identificam como mulheres], que nos últimos ano agrediram sexualmente raparigas ou mulheres em espaços que deveria ser exclusivos femininos.
Note que esta é apenas uma lista parcial e não corresponde à totalidade das agressões/violações.

Michael Maria Pentholm
Karen White
Katie Dolatowski
Jessica Winfield
Tara Desousa
Janiah Monroe
Kristen Lukess
Lisa Hauxwell
Laken McKay
Aliea Rose Brown
Paula Witherspoon
Davina Ayrton
Johanna Wolf
Hanna Tubbs
Christopher Hambrook
Dakota Nieves
Tarah Jo Morgan
Marie Dean
Jessica Brennan
Rachel Smith
Marcia Walker
Synthia China Blast
Michelle Winter
Paris Bregazzi
Melissa Wilson
Barbie Kardashian
Jessica Smith
Wolfgang Schmidt
Chloe Thompson
Denen Anderson
Kadence Pinder
Beth Hannan
Leah Harvey
Julie Marshall
Blaine Maney
Amber Thorden
Evi Amat
Babs Longmire
Rachel Fenton
Jorven Seren
Claire Goodier
Kim Marie Johannson
Steven Hayes
Jacinta Brooks
Alexander Eshawn Lions
Ashley Winter
Steph Ricciardi
Vicky Green
Ella Davies
Melissa Addis
Madilyn Harks
Jessica Marie Hann
Michelle Martinez
Nicole Summers
Shauna Patricia Smith
Evelyn Young
Claire Goodier
Allison Woolbert
Nur Ahmed
Vyvyenne Ward
Laura McCann
Lisa Jones
Rayne Aloysius Constantine
Rose Bennett
Louise Ford
Robert Glanowski
Lily Bate
Alyssa Celusta
Sora Kuykendall
Lydia Helena Vision
Ava Jones
Alex Ray Scott
Diego Melendez
Paris Green
Tiffany Scott
Zoe Lynes
Vicky Green
Pauline Long
Chloe Walker
Toni Prince
Lana Laws
Christyl Knight
Carrie Cooper
Jasmine Hill
Diamond Blount
Nicola Florida
Dawn Love
Stacey Pool
Alexis Herschell
Scarlet Shadows
Karen Louise Lawson
Nicola Cope
Gina Owen
Kayleigh Louise Woods
Claire Darbyshire
Kira Leverton
Kathleen Carpenter
Donna Perry
Karen Jones
Carol Lea
Michelle Lewin
Alanna Nicole Partin
Yostin Murillo
Peter Selby
Wendy Jones
Rose Whitby
Daryl Graves
Diana Guevara
Jason Croker
Jody Matthew Burke
Patricia Trimble
Sally Dixon
Milan Wash
Adree Edmo
Jayden Dean
Paul Denyer
Bruno Meirelles
Pandora Electra
Robert Gordon Cummins
Danielle Rose Gemini
Brooke Lyn Sonia
Nonnie Lotusflower
Tianne Miller
Narsimha Bichappa Shirvati
Brandy Wood
Kelly McSean
Michelle Renee Lamb
Andrea Balcer
Ketan Shende
Serenity Alana Mann
Sacho Samson
Harryetta Thompson
Jenna Hansen
Jane Beck
Audrey Robinson
Lexi-Rose Crawford
Carissa Marie Radcliffe
Jolene Charisma Starr
Zara Jade
Rhiley Carlson
Claire Fox
Robert William Perry II
Tanya Howes
Loana Luna
Dwight Chisolm
Amy George
Stuart Bulling
Lorena Santana
Christopher Williams
Alyssa Christine Trenchard
Danielle Edney
Julie Shepherd
Izzabella Raymundo
Stephanie Hayden
Sophie Louise Carter
Autumn Cordellioné
Katana Paris
Shauna Kavanagh
Zera Lola Zombie
Nicole Rose Campbell
April Welsh
Tânia Ferrinho
Scarlet Moon Shadows
Laura Miller
Thorsten Heinz
Tara Pearsall
Adam McDonald
Samantha Norris
Abigail Waller
Rachel Queen Burton
Maria Childers
Xenia Jade Millar
Krystel Lauzon
Amber Faye Fox Kim
Ash Cooper
Natalie Pershall
Kazumi Watanabe
Claire Caballero
Jacqui McWilliams
Sabrina/Morrigan Hetke
Jo White
July Justine Shelby
Joanna Evans
Louise Thomas
Miquel Toni Riera Prats
Emma Davies
Lexi Secker
Pierre Parsons,
Claire Anderson
Michell Silva Perez
Michelle Blessent
Cassidy Honsinger
Elijah Thomas Berryman
Sean Windingland
Duane Owen
Dana Rivers
Alfie Howe
Marceline Harvey
Chloee-Mae Danvers
Jamie Kim Belladonna
Catarina da Lapa,
Renee Mills
Aria Peers
Danielle Marie Whitebird
Makayla Craig
Angel Hill
Farin Kinar
Reiyn Keohane
Michelle Ward
Levana Ballouz
Francesca Bartkus
María López Barrera
Autumn Tulip Harper
Richard Kenneth Cox
Oliver Smith
Rebecca Clark
Dakota Rose Austin
Catherine Lynn
Naomi O’Brien
Nicola Watson
Bunny Autumn Colasimone
Tiffany Aching
Sophie KoKo
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Estes agressores com nomes de mulher são homens biológicos trans que estão agora nas bases de dados, não como homens que agrediram mulheres, mas como mulheres que agrediram outras mulheres o que implica uma fraude nas estatísticas de violações/agressões de homens contra mulheres e tem consequências ao nível da prevenção e da resolução do problema da violência contra mulheres.

December 24, 2025

Enheduanna - a primeira autora nomeada em toda a História registada

 

Enheduanna, uma poetisa e sacerdotisa mesopotâmica pouco conhecida foi a primeira autora nomeada, em toda a história registada.

Os escritos de Enheduanna gravados numa tabuinha de argila, em escrita cuneiforme. (Crédito: The Yale Babylonian Collection/ Photo by Klaus Wagensonner)

O seu nome, em sumério, significa «Ornamento do Céu» e, como alta sacerdotisa da divindade lunar Nanna-Suen, ela compôs 42 hinos para o templo e três poemas independentes que, tal como a Epopeia de Gilgamesh (que não é atribuída a um autor específico), os estudiosos consideram uma parte importante do legado literário da Mesopotâmia.

Em conjunto com o seu estatuto de figura religiosa e sacerdotisa, Enheduanna exercia poder político como filha de Sargão, o Grande — uma figura creditada por alguns historiadores como o fundador do primeiro império do mundo. 

Ela desempenhou um papel essencial ao ajudar a unir a região norte da Mesopotâmia, Akkad, onde Sargão ascendeu ao poder, antes de conquistar as cidades-estado sumérias no sul. Fê-lo, ajudando a fundir as crenças e rituais associados à deusa suméria Inanna com os da deusa acádia Ishtar e enfatizando essas ligações nos seus hinos e poemas literários e religiosos, criando assim um sistema comum de crenças em todo o império. 

Cada um dos hinos que Enheduanna escreveu para 42 templos na metade sul da Mesopotâmia destacava o carácter único da deusa padroeira para os fiéis dessas cidades; os hinos foram copiados por escribas nos templos durante centenas de anos após a sua morte.

Em, Exaltação de Inanna, ela descreve o processo criativo:

«Eu dei à luz,
Ó senhora exaltada, (esta canção) para ti.
Aquilo que recitei para ti à meia-noite,
que o cantor repita para ti ao meio-dia!»


E ela reivindica a sua autoria na conclusão dos Hinos do Templo, afirmando:

«A compiladora da tabuinha (é) Enheduanna. Meu senhor, aquilo que foi criado (aqui) ninguém criou antes.»

Ela descreve a vida quotidiana, os cuidados e a natureza inerente das divindades e dos seus templos. Povoa todo o cosmos circundante com seres divinos activos, envolventes e incontroláveis.

Como sociedade, a Mesopotâmia era, naquela época, menos patriarcal do que outros lugares.

Esses poemas também podem sugerir o sólido domínio da matemática por Enheduanna — o que talvez não seja tão surpreendente quando se lembra que os historiadores traçam as origens da matemática até a Mesopotâmia, juntamente com o desenvolvimento da escrita cuneiforme e de outros sistemas de escrita antigos. Tanto a escrita quanto a contagem provavelmente foram desenvolvidas por necessidade na economia agrícola e têxtil activa da Mesopotâmia, onde os sistemas se entrelaçaram à medida que agricultores e comerciantes contavam o que era produzido e registravam o que era vendido e comercializado.

Uma cena de sacrifício gravada num dos lados deste disco de calcite; uma inscrição de Enheduanna aparece no outro lado (Credit: The Penn Museum)

Datada de aproximadamente 2300 a.C. e escavada por Woolley em 1927, a cena aqui esculpida retrata Enheduanna acompanhada por três servas vestidas com roupas simples, carregando objectos rituais, todas marchando solenemente em fila fora de um templo escalonado, semelhante a um zigurate. Identificamo-la pelo seu elaborado cocar circular e pelo seu manto com babados em camadas. O rosto de Enheduanna é mostrada de perfil, enquanto levanta os olhos para Inanna, deusa do amor e da guerra. Enheduanna manteve a sua posição por 40 anos, até à sua morte.  (bbc)
 


December 18, 2025

Nem tudo funciona mal III My Voice, My choice

 

December 08, 2025

Testemunhos

 

Estes testemunhos referem-se ao SNS inglês mas não devem ser diferentes do que se passa aqui. Aliás, aqui deve ser pior pois constantemente mandam as grávidas embora, ter filhos em ambulâncias ou no meio da rua. Os casos que se ouvem todos os dias são de meter medo e percebo perfeitamente que mulheres sem dinheiro para ir a um médico e hospital privados prefiram não ter filhos do que correr estes enormes riscos de mau acompanhamento, maus tratos durante a gravidez e o parto e sequelas graves para o resto da vida.


November 07, 2025

O Qatar contrata empresas de serviços de informações para silenciar mulheres



@HenMazzig

ÚLTIMA HORA: Uma reportagem do Guardian revela que o Qatar pagou a empresas de serviços de informação para descobrirem podres sobre a mulher que acusou o procurador do Tribunal Penal Internacional, Karim Khan de agressão sexual.

As empresas de 
de serviços de informação procuraram dados confidenciais sobre a mulher e a sua família, incluindo o seu filho. Descobriram para onde ela tinha voado e até a senha do seu e-mail pessoal.

Já é mau o suficiente não acreditar nas mulheres, mas chegar ao ponto de silenciá-las à força é de outro nível.

A investigação, conduzida pela empresa Highgate, sediada em Londres, tentou estabelecer ligações entre a mulher que acusou Khan e Israel. Aparentemente, o objectivo seria pôr a culpa de toda a situação numa campanha de difamação israelense.

Na verdade, o oposto é verdadeiro. Não é Israel que tenta desviar a culpa por meio de acusações, é Khan.

November 06, 2025

Men about men about women

 


Como se chegou aqui? As mulheres foram estudar e trabalhar e ter uma vida própria. Porém, continuaram a querer homens para companheiros de vida e continuaram a casar com eles. Depois, as mulheres passaram os 60 anos seguintes a dizer aos homens que estavam sobrecarregadas com os filhos e as tarefas domésticas e que eles tinham de começar a partilhar as responsabilidades domésticas. Escreveram textos em jornais, em revistas, em programas de TV, em séries, em mesas redondas e de toda a maneira e feitio mostraram aos homens que a vida comum não é da responsabilidade exclusiva delas. Os homens ignoraram olimpicamente as mulheres e até hoje mantêm as suas aspirações de terem uma mulher-mãe, psicóloga, amante, mãe dos filhos, educadora e criada de servir que lhes faça o jantar e passe a roupa a ferro e que pague metade das contas. Resultado: as mulheres deixaram de casar. Quando querem muito filhos, têm-nos sozinhas. De resto, ficam solteiras, têm amigas e amigos com quem saem e têm relações de afecto e intimidade, viajam, fazem desporto, têm uma casa com sossego, sem dramas e traições, com boa comida e paz. Pois mesmo assim, os homens, em vez de começarem a comportar-se como parceiros humanos decentes, gritam zangados para as mulheres baixarem os padrões de exigência.

October 30, 2025

Itchy Boots

 


É o nome do canal desta mulher, holandesa que anda a percorrer as cadeias montanhosas -e não só- da Ásia e da África. Vi-a no Nepal, nos Himalaias, depois passou para o Paquistão, Afeganistão, Irão, Iraque, Arábia Saudita. Depois tenho acompanhado a ida a África pela Costa Oeste. Tem uma câmara no capacete e vai quase sempre a gravar de maneira que vemos os caminhos de montanha, os desfiladeiros, as vilas porque passa, etc. Fala arábico e outras línguas e é muito desembaraçada porque está constantemente a ser parada em check points e fronteiras onde tem de responder a perguntas intermináveis, às vezes é assediada, por vezes para lhe sacarem dinheiro - que nunca dá. Perguntam-lhe constantemente onde está o homem que a acompanha, que idade tem, porque não tem filhos, porque anda sozinha, etc. De todos os sítios onde anda, foi no Afeganistão que teve receio e vêmo-la sempre a evitar encontrar talibãs. Depois, na viagem a África, arranjou um modo de passar do Congo para Angola -indo de barco- evitando passar pelas fronteiras da República Democrática do Congo, por sentir que poria a sua segurança pessoal num enorme risco. De resto, anda por todo o lado. No Iraque roubaram-lhe a mota e foi à procura dela com a aplicação do telemóvel. Percebe o suficiente de mecânica para arranjar a mota em caso de pequenos problemas. Teve um acidente no meio do nada em que partiu a mão, furou um pneu no meio de um deserto, foi atacada por uma praga de gafanhotos e muitas outras peripécias. No geral as pessoas são simpáticas em todo o lado e tentam ajudá-la. Estou um bocadinho fascinada com a aventura dela.


October 28, 2025

Porque é que a vida das mulheres vale pouco?

 

Porque mesmo nas sociedades onde se reconhecem os direitos de autonomia e liberdade das mulheres há cumplicidade entre os homens não criminosos com os homens criminosos e sem a colaboração dos homens não criminosos, os direitos das mulheres e as suas vidas serão sempre de pouco valor.


October 07, 2025

'You don't own me'

 

Em 1963, Lesley Gore cantou esta música sem nenhuma intenção de provocar reacções, mas recebeu a reprovação dos homens em geral e a admiração das mulheres que a tomaram como uma espécie de hino feminista. Curiosamente, foi escrita por dois homens. A letra da música continua perfeitamente válida para julgar a actualidade.



October 06, 2025

Mais uma grávida que tem o filho no meio do chão

 

Mas desta vez já dentro do hospital. O que quer dizer que a mulher esteve para lá abandonada, sem ninguém se interessar por cuidar dela. Já não há palavras para a violência com que tratam as grávidas neste país.


Bebé nasce no chão da receção das urgências do Hospital de Gaia
Pai já apresentou queixa ao hospital, à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde e à Ordem dos Médicos, alegando violação dos protocolos de emergência.
DN

October 04, 2025

"O papel das mulheres na restauração da independência em 1640"




O papel das mulheres na restauração da independência em 1640

Rodrigo Tavares
Expresso

Dei por mim ontem a ler sobre as “Daughters of Liberty” [Filhas da Liberdade]. Apesar de terem contribuído diretamente para a base económica e simbólica da independência americana, raramente aparecem nos livros escolares ou na narrativa oficial da fundação dos EUA. No Brasil, Bárbara Heliodora e Hipólita Jacinta lideraram círculos intelectuais e de resistência durante a Inconfidência Mineira (1789), mas a memória nacional da luta contra os portugueses ficou centrada em Tiradentes.

Também em Portugal a guerra da restauração é masculina. O 1.º de dezembro de 1640 assinala o dia em que um grupo de nobres — os célebres Quarenta Conjurados — organizou em Lisboa o golpe que pôs fim a sessenta anos de domínio espanhol (1580–1640) e restaurou a coroa portuguesa com D. João IV da Casa de Bragança. A cena é bem conhecida: às 09h da manhã fidalgos armados invadem o Paço da Ribeira e assassinam Miguel de Vasconcelos, secretário de Estado e símbolo da dominação castelhana. Os 40 nobres portugueses são todos homens. A lista está disponível aqui.

Mas parte desta história foi encabeçada por mulheres. Entre Lisboa, Évora e Vila Viçosa, damas da corte, esposas de fidalgos e viúvas influentes desempenharam papéis decisivos na preparação da conspiração. Criaram uma rede de informação que escapava à vigilância castelhana, precisamente porque ninguém suspeitava que aquelas figuras femininas pudessem ser protagonistas políticos.

O exemplo mais célebre é o de D. Luísa de Gusmão. Casada com D. João, 8.º duque de Bragança, a sua influência foi decisiva na Restauração. Enquanto o país fervilhava com revoltas contra a castelhanização e o aumento dos tributos — como o Motim das Maçarocas (1628) ou a Revolta do Manuelinho (1637) — D. João mostrava-se relutante em aderir às conspirações. Os nobres ofereciam-lhe o trono, mas ele hesitou durante anos, entregue a uma vida pacata em Vila Viçosa, dedicado sobretudo à música, a sua grande paixão. Perante a indecisão, os conspiradores chegaram a ameaçar proclamá-lo rei mesmo sem o seu consentimento. Foi apenas graças a um novo contexto geopolítico europeu e à firme influência da sua esposa que o futuro D. João IV — que viria a ser celebrado na historiografia portuguesa como o herói da Restauração — abandonou o imobilismo e aceitou assumir a coroa.

Em 2012, uma tese de doutoramento defendida por Monique M. Vallance na Universidade da California em Santa Barbara (“D. Luisa de Gusmão: Gender and Power in Seventeenth Century Portugal”), analisou o comportamento da futura rainha portuguesa à luz dos comportamentos de género da época e concluiu que ela manipulava os homens à sua volta ao exagerar o estereótipo feminino, levando-os a acreditar que agia de acordo com o que se esperava dela enquanto rainha regente e mãe. Em vez disso, utilizou essa imagem como disfarce para alcançar a sua própria agenda.

Também Maria Luísa Gama, da Universidade de Évora, em “As Rainhas da Restauração: a Construção do Poder Feminino no Portugal Brigantino (1640-1683)” reforçou que D. Luísa foi uma presença assídua no órgão político mais importante do Reino, onde acompanhava o Rei e o príncipe herdeiro: o Conselho de Estado. Não era uma prática comum na altura. Ainda que a influência exercida por D. Luísa de Gusmão não seja celebrada nos discursos do 1º de dezembro, podemos encontrar referências pontuais à sua contribuição em publicações de Veríssimo Serrão, Mafalda Soares da Cunha, Frei Cláudio da Conceição e de D. Luís de Menezes, Conde da Ericeira. Coube à duquesa de Bragança a firmeza necessária para vencer a relutância do marido e levá-lo a assumir o trono, aceitando o destino que a conspiração lhe traçava.

Mais esquecido ainda é o papel desempenhado por outras mulheres na Restauração da independência. Isabel Pereira de Ouguela, que combateu os castelhanos nas trincheiras, aparece apenas numa publicação de 1644 (“Relaçam da famosa resistencia, e sinalada vitoria, que os Portugueses alcançarão dos Castelhanos em Ouguela, este Anno de 1644 a 9 de Abril governando esta Praça o Capitão Pascoal da Costa”). O papel das fiandeiras do Porto no Motim das Maçarocas de 1628 tem igualmente merecido pouca atenção. Revoltadas, as mulheres portuenses chegaram a apedrejar o representante do rei espanhol.

Eu não sou historiador, mas a invisibilização das mulheres na Restauração de 1640 não parece ser uma simples omissão da nossa memória histórica. É, antes, parte de um padrão universal de silenciamento feminino, que atravessa séculos e geografias e que importa corrigir com justiça. Um desses nomes a resgatar é o de Isabel Madeira. Em 1546, no segundo cerco de Diu, na Índia, organizou um grupo de combatentes portuguesas, com Catarina Lopes, Isabel Fernandes, Isabel Dias e Garcia Rodrigues, que lutou na linha da frente contra as forças do sultanato do Guzerate. O seu feito sobrevive apenas em crónicas, cartas e tratados do século XVI e numa revista publicada em 1842.

O cerco é recordado como um marco épico do império ultramarino, mas a narrativa histórica prefere destacar o papel de D. João de Mascarenhas, capitão da fortaleza.


October 03, 2025

Bom dia

 

September 13, 2025

Porque é que as mulheres levam anos a fazer queixa ou nunca fazem?

 


Uma breve história da mulher

 



Irlanda:  um homem biológico de meia-idade, exigiu jogar como mulher num jogo de futebol feminino...


Um homem, Fabrizio Petrillo, que admite e não esconde ser homem -aliás, não é preciso olhar muito atentamente para perceber que é um homem-, exigiu competir na equipa das mulheres porque o faz sentir feliz e desde criança que sonhava com uma medalha e na equipa dos homens não tem hipótese. Para ele se sentir feliz roubaram o lugar a uma jovem que ficou em casa sem poder competir. Mais do que um homem entrou na equipa das mulheres como mulher.


Na Austrália as mulheres não existem. Qualquer um pode dizer que se sente mulher e exigir invadir espaços, desportos, equipas, grupos de apoio a vítimas, consultórios médicos e o que mais quiserem, de mulheres. E o pior é que as mulheres podem ser criminalizadas se se opuserem a estes abusos, por ódio transfóbico.

Vivemos em tempos de gente sem tino e de homens biológicos sem vergonha.


September 11, 2025

A medicina não olha as mulheres da mesma maneira que olha homens

 

É sabido que até 1993, as pesquisas clínicas de novos medicamentos não contavam com a participação de mulheres. Alguns faziam alguns testes por conta defeitos possíveis na gravidez, mas não muitos. Ficou tristemente célebre o caso das grávidas a quem os médicos receitavam talidomida para os enjoos e que acabaram por ter bebés sem braços e sem pernas ou com esses membros muito atrofiados. Ninguém se tinha dado ao trabalho de incluir mulheres nos testes para saber dos efeitos do medicamento na gravidez. Só recentemente é obrigatório incluir as mulheres nos testes.Até 1993 eram feitos para o organismo dos homens e ninguém queria saber em como os medicamentos afectavam as mulheres, seja nos seus ingredientes como nas dosagens. 

A medicina, por ter sido praticada exclusivamente por homens para homens, durante tanto tempo, ainda hoje desvaloriza a saúde das mulheres. Veja-se como desenvolveram o viagra em 1998, preocupados com o sintomas e consequências do declínio do seu corpo, mas ainda hoje os médicos dizem às mulheres que certos sintomas e consequências do declínio do seu corpo devem ser aceites com estoicismo. Imensas queixas de mulheres, que depois se descobre que eram doenças, são recebidas com cepticismo devido às mulheres serem 'histéricas' e 'exageradas', quando é do conhecimento comum que as mulheres aguentam doses de sofrimento físico muito grandes.

Enfim, vem isto a propósito de uma rapariga nova, perto dos 30 anos, que conheço, ter começado a sentir-se mal e frequentemente com falta de ar e ter ido a vários médicos e todos lhe dizerem que não era nada, que era da sua cabeça e tal. Um fez-lhe uma TAC, disse que não tinha nada, mesmo sabendo que uma TAC não tem a mesma precisão que uma ressonância magnética. Enfim, a certa altura, como não lhe passavam os sintomas foi a um médico de medicina interna que a mandou fazer uma ressonância. Ligaram-lhe nesse Domingo a dizer para ir com a máxima urgência ao hospital porque estava com uma embolia pulmonar...

Este assunto também serve para perceber que a ideia dos trans serem mulheres biológicas por escolha, desafia a medicina. As mulheres têm um organismo diferente dos homens, o sexo é diferente e vem acompanhado de cromossomas, hormonas, anatomia e genética adequados a essa diferença. Um homem biológico até pode ir ao ponto de tirar o pénis e construir uma falsa vagina e tomar hormonas em doses correspondentes às das mulheres, mas isso não leva a que lhe apareça um útero, ovários e todo um organismo feminino, que é diferente, desde o coração à estrutura óssea, como mostra a história da medicina que fazia testes médicos apenas a homens e prejudicava a saúde das mulheres.

Se um dia entrar num consultório e o médico me disser que não sabe se sou biologicamente uma mulher e que acredita que ser mulher é apenas um sentimento, saio de lá a correr e nunca mais lá volto. Um trans é alguém que nasceu num certo corpo biológico mas que psicologicamente não se sente bem nesse corpo - mas isso não lhe modifica magicamente o corpo biológico e os cromossomas.

Quando Simone de Beauvoir disse, "não se nasce mulher, torna-se mulher", quis dizer que os comportamentos que a sociedade atribui como normais às mulheres -ser sorridente, maternal, anular-se face aos homens, gostar de se embonecar, etc.- não vêm inscritos nos cromossomas, mas antes são fruto da socialização/enculturação. Não quis dizer que nascemos indiferenciados quanto ao sexo biológico.


August 21, 2025

A esquerda em todo o mundo está cada vez mais misógina

 

Imagine-se um grupo de mães que perderam filhos à nascença pedirem estudos de impacto e protecção e o responsável pela saúde, na comissão parlamentar, pedir que se incluam no grupo dessas mães os homens biológicos que se identificam com mulheres para que não se sintam excluídos, como se os homens pudessem ter filhos... a esquerda está cada vez mais misógina e agora usa os trans -falo de homens biológicos porque os trans mulheres biológicas não incomodam ninguém nem tentam tirar direitos aos homens, só os nascidos e educados como machos o fazem- para tirar direitos ás mulheres. Parece-me que têm que começar a surgir no mundo partidos políticos de defesa de direitos das mulheres, porque a direita religiosa (em franco crescimento) é contra os direitos das mulheres e a esquerda neocolonialista do tipo Guterres e quejandos também é contra os direitos das mulheres, de maneira que qualquer dia, ninguém em cargos políticos defende os direitos das mulheres, que estão sob ataque já há vários anos - em todo o mundo.




August 04, 2025

Totalmente de acordo

 

São ínfimas as mulheres que conseguem ou querem dar de mamar até aos dois anos. Ou a ministra tem conhecimento de hordas de mães a aldrabarem as empresas ou então foi inventar um problema onde não era preciso.

Ana Sá Lopes in publico.pt


E ainda acrescento: qual é o objectivo de hostilizar mães retirando-lhes direitos? O prejuízo que o país faz às grávidas, que morrem com uma frequência inaudita e que têm os filhos no meio da estrada, não é suficiente? Os recém-nascidos cujas mortes aumentam em vez de diminuir não são já argumentos que prejudicam o interesse do país em que as mulheres queiram ter filhos? Não basta já a dificuldade que as mulheres têm em conjugar a vida profissional com a familiar? O preço de ter um filho? Não devíamos estar a dar argumentos às mulheres para terem filhos em vez de as desincentivarmos? Sobretudo quando a polémica é completamente escusada?


July 23, 2025

Stalking

 


PGR abriu mais de cinco mil inquéritos por stalking em cinco anos. O assédio “só vai parar quando ele se cansar”

“Hoje pensei em ti.” “Odeias-me assim tanto?” “Já foste votar?” Inquéritos por crime de perseguição aumentaram 25% em cinco anos. Vítimas têm de estar atentas ao escalar do assédio, alerta a APAV.

Público

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A internet vaio abrir um nova estrada de certo tipo de crimes e a pandemia, ao pôr toda a gente confinada em casa, inadvertidamente abriu uma auto-estrada para o crescimento do narcisismo e mentalidade de domínio de tantos e tantos. Daí o aumento dos crimes de stalking, que penso não se deverem apenas a serem mais dennunciados.

Hoje-em-dia é relativamente fácil a fraude e o abuso na internet.

Os stalkers entrar nas nossas contas das redes sociais, entram nas contas dos nossos amigos para deixarem bocas e recados, entram nas contas de email, entram no telemóvel e ouvem as nossas conversas com toda a gente e depois deixam comentários, críticas e apreciações espalhadas pela internet nos sítios que frequentamos. Há períodos em que mandam poemas todos os dias e depois no período a seguir mandam ofensas. Vêm observar-nos à distância e depois deixam comentários: não gostei da roupa, estás mais gorda, mais magra...

O seu objectivo é controlo da pessoa. É como se a outra pessoa fosse uma espécie de reality show que controlam ou querem controlar. 

Alguns são mesmo narcisistas com necessidade de constante validação e sensação de poder e, então, controlam várias pessoas ao mesmo tempo. Se não têm validação de uma tem de outra. Os narcisistas raramente se vêem como narcisistas. Vêem-se como vítimas e daí que pensem que todo o seu comportamento é desculpável porque são uns coitados. Eles são pessoas excepcionais que mereciam tudo da vida... embora saibam perfeitamente que o que fazem é crime.

Em geral, penso que são pessoas tristes que vivem num buraco negro escondido atrás de uma máscara de civilidade e tentam arrastar outros para o seu buraco negro, porque a ideia de haver pessoas que vivem bem enquanto eles estão na fossa, é-lhes intolerável.

Muitos vivem nesse mundo e tudo o que fazem fora desse mundo é apenas um intervalo para voltar a esse mundo em que se enredam.

Fazem lembrar os alunos dos dias de hoje que vêm as aulas como um intervalo incómodo entre a vida real nas redes sociais.

Claro que provocam dano nas suas vítimas -é essa a intenção- porque isto é violência e violação de intimidade e, por vezes, alguns tornam-se fisicamente violentos.

Numa estatística que li há pouco num documento de uma instituição dos EUA, que agora não recordo, a certa altura alguém dizia que a pessoa mais perigosa que uma mulher pode conhecer é o futuro namorado ou marido. Mais de 60% dos homicídios sobre mulheres são em casa, às mais de maridos e namorados. Sobretudo depois de a mulher dizer que quer separar-se ou sair do namoro ou divorciar-se. É nessa altura que a sua vida corre mais perigo.

Penso que há um grande problema na educação dos rapazes quanto ao papel social que lhes inculcam desde a nascença que exacerba os impulsos de dominação e de violência. As raparigas são educadas para serem cuidadoras, para respeitarem os outros, para serem dialogantes e não violentas e os rapazes são educados para serem controladores e dominadores e servirem-se das mulheres.

Uma estatística que impressiona é a do apoio a doentes com cancro no seio da família. Uma grande percentagem de homens divorcia-se imediatamente da mulher assim que ela é diagnosticada com um cancro. Mesmo os que não se divorciam, afastam-se das mulheres e não apoiam em nada. Nada mesmo. Conheço casos de indignidade mesmo. Há pouco tempo ouvi uma enfermeira, numa reportagem sobre este tema, dizer que o caso mais chocante que viu foi o de uma mulher que ficava internada sempre que tinha de fazer quimioterapia e que todos os dias recebia a visita do marido, que ia lá exclusivamente para que ela lhe fizesse sexo oral e depois ia embora sem uma palavra. As mulheres, pelo contrário, quando os maridos têm cancro, apoiam-nos emocionalmente, fisicamente, economicamente, enfim, em tudo.

Também as estatísticas das prisões são claras. Quando um homem é preso, as namoradas e mulheres visitam-nos sempre que podem, levam os filhos, levam-lhe produtos e apoiam-nos emocionalmente. Já as mulheres quando vão presas, ninguém as visita: nem maridos, nem filhos. Ninguém.

Acho isto profundamente triste no que diz da educação nas nossas sociedades e da falta de humanidade dos homens nestas questões e penso que não tem que ser assim, pois a educação e o exemplo positivo dos pais mudam estes padrões. Isto não é uma fatalidade. Não por acaso, no mundo inteiro, onde a cada 10 minutos morre uma mulher às mãos do marido ou namorado ou do pai, os países da Europa, onde a educação para os valores humanistas tem sido uma aposta forte nas últimas décadas, é a zona do mundo onde, apesar de tudo, a percentagem de assassinatos de mulheres em contexto doméstico é menor.

É por isso uma pena que, havendo a disciplina de cidadania, não se abordem estes temas fundamentais a uma sociedade cada vez mais saudável.