August 01, 2020
Notícias - vidas que passam e deixam uma marca positiva. O que mais se pode querer?
Porque é que não pus uma porta pega-gordo à entrada da cozinha?
July 30, 2020
Intermezzo - making memories
Como se faz uma party à cigano? (aka, a durar três dias😀 a começar na casa de um e acabar na de outro passando pela minha? Bem, em primeiro lugar fomos todos fazer o teste do covid!! Ah, pois! Está tudo covid free 😀 Espero que daqui a uns anos se lembrem de como se fazia uma festa à cigano em plena pandemia. Hoje é a minha vez. Como se vê pelo estado da cozinha, já tive dias mais inspirados 😁 mas eu estou muito bem disposta e não quero saber porque daqui até sábado its all party 😁
July 29, 2020
Poesia ao entardecer
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no Mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
(...)
Alberto Caeiro
Bielorrúsia - old habits die hard
Belarusian authorities claim Russian mercenaries plotting unrest ahead of elections
President Alexander Lukashenko has dismissed Belarusian opposition as puppets of foreign governments aiming to sow violence
Diante de Svetlana Tikhanovskaya, encontramos o aparato estatal da Bielorrússia que garantiu quatro reeleições esmagadoras para Alexander Lukashenko - sob condições descritas, de todas as vezes, pela OSCE como nem democráticas nem livres. O regime é suspeito de ter assassinado três oponentes em 1999. Hoje, três candidatos e sete bloguistas estão presos, várias dezenas de opositores estão sob supervisão judicial. Pelo menos 200 pessoas foram presas (incluindo 40 jornalistas) durante protestos. A perseguição aos dissidentes é realizada por um órgão que ainda é chamado de KGB(!) e tem uma forte capacidade de intimidação. Por isso, Svetlana Tikhanovskaya preferiu passar os seus filhos, às escondidas, para fora do país, depois das autoridades ameaçarem prendê-los se ela não encerrasse a sua campanha. É o que diz Natalia Radina, uma jornalista que afirma ter ajudado a candidata a passar os seus filhos para um "país da União Europeia".
Notícias da erdogânia
Turkish lawmakers passed legislation that would give the government sweeping new powers to regulate content on social media. It extends control over social media platforms like Facebook, Twitter and YouTube.
SSDC (same shit different country)
Gag me with a silver spoon. If there's one thing we've learned over the past decade, it is that there are no Republican deficit hawks — only poseurs who claim to care about deficits in order to block spending they don't like 1/ https://t.co/iDW9XulN1p
— Paul Krugman (@paulkrugman) July 29, 2020
Os EUA atingem um novo record de crueldade
“We’ve been calling this ‘Family Separation 2.0,'” says Bridget Cambria, an immigration lawyer who represents families at the Berks County Residential Center in Pennsylvania, one of the three facilities that detains children. “It’s a Sophie’s Choice, either you stay in a burning building with your child or you give your child away…it’s a false option.”
Acerca das raízes do racismo em Portugal
Escrita de próprio punho pelo meu bisavô Guilherme Cândido Pinheiro em 1883.
Por trás desse acto de aparente bondade há interesses bem menos humanitários.
Em Portugal a história da escravidão só começa a ser estudada à sério após o 25 de Abril. Apesar do decreto do Marquês de Pombal de 1761 estabelecer o fim do trabalho escravo em território português somente em 1869 terminaria essa nódoa no passado da humanidade. A última pessoa escravizada em Portugal foi uma mulher centenária, figura muito conhecida aqui em Lisboa onde viveu entre o Poço dos Negros e o Bairro Alto e que faleceu em 1930 e que era vendedora ambulante de amendoim.
Transcrevo o texto que já conheço de cor e passo a citar:
Eu abaixo assinado pela presente declaro que concedo plena liberdade a meu escravo Tibúrcio, africano de 50 anos mais ou menos a fim de que dela goze como se de Ventre Livre nascera. E para constar mandei passar a presente que assino.
Ora bem, o pobre do Tibúrcio foi trazido algures de África e trabalhou uma vida toda sendo considerado propriedade de outrém. Com cerca de 50 anos iria fazer o quê? Quando eram jovens batiam a porta e iam à vida mas por medo e insegurança muitas vezes permaneciam em casa dos antigos senhores em troca de um salário irrisório.
O bisavô Guilherme, como já disse, tinha negócios na terra natal, Melgaço e no Rio de Janeiro.
Não era fazendeiro, tudo girava em torno do comércio e na sua casa brasileira possuía cinco escravos domésticos, cujas respectivas cartas de alforria estão em meu poder. Dois homens maduros, ambos africanos de nascença, o Tibúrcio e o António. E duas mulheres mais novas, ditas crioulas ou ladinas por já terem nascido numa sanzala no Brasil. E finalmente uma jovem, natural da antiga Província do Ceará e que fora comprada no Mercado do Valongo aos 14 anos de idade, descrita de forma brasileira como parda, o que quer dizer que era mestiça.
Primos meus que vieram em Angola contavam que geralmente a cozinha era comandada por homens. No Brasil era o contrário. Certamente o António e o Tibúrcio tinham entre seus ofícios cocheiro, jardineiro, encarregado das obras de manutenção da casa e do cuidado da horta caso houvesse. Se sobrasse tempo livre a legislação permitia que o senhor alugasse seu escravo ao dia para diferentes actividades e esses homens eram chamados de negros de ganho. O dinheiro que recebiam durante a jornada seria entregue ao seu senhor. Às duas mulheres cabia o trabalho interno, a cozinha, a limpeza de dentro, lavar, engomar e brunir a roupa. A rapariga novinha foi baptizada com o curioso nome de Syomara e imagino que a ela foi destinado o serviço menos pesado, servir a mesa, os trabalhos de costura e eventualmente de dama de companhia da bisavó Maricota.
E eis que em 1883 o Guilherme se levanta todo pimpão e bem disposto, roído de remorsos e pleno de graça cristã e decide que aquelas pessoas livres seriam.
Da mesma forma que o Coelhinho da Páscoa e o Pai Natal não existem crises de consciência nem sempre ocorrem de forma gratuita e espontânea.
É preciso rever o contexto histórico. O Segundo Império no Brasil sob a figura soberana de Dom Pedro II vive seus momentos de agonia e o seu fim se anuncia. A República é iminente e os Movimentos Abolicionistas pululam por todo lado. Prevendo o inevitável o Imperador reconhece que é preciso preparar terreno e suavizar o impacto no modelo económico do país na altura da transição.
Assim promove a emancipação da população escravizada em larga escala concedendo aos senhores títulos honoríficos em troca da liberdade de seus servos.
O bisavô Guilherme conquistou fama, dinheiro e poder e para coroar com êxito sua ascensão social só lhe faltava mesmo um título de Barão ou Visconde. E trata de alforriar toda gente e munido de muitos documentos troca imensa correspondência com a Corte onde solicita que o agraciem com um título de nobreza à medida de sua ambição e vaidade?
Mas conseguiria chegar lá?
Depois eu conto...
Carlos Pinheiro
July 28, 2020
Quem pensa que presos políticos e tortura são coisas da Rússia e da China está muito enganado
#DontExtraditeAssange #FreeAssange
"Então, porque escreve?"
"Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando[...]Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada [...] Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro".
- Clarice Lispector, no romance "A Hora da Estrela" (1977).
A elegância dos clássicos
O Erecteion e o Pórtico das Cariátides, com as figuras drapeadas a perscrutar o horizonte é o casamento perfeito entre a arquitectura e a escultura.
so... post not important at all
Desde o grande fogo de 2003 que todos os anos os fogos nos apanham desprevenidos
Oleiros volta a arder. E a matar. Autarca defende "emparcelamento por decreto"
O ministro da administração interna considera que a estratégia dos trabalhos foi exemplar. Mas o presidente da Câmara de Oleiros insiste que "não aprendemos nada" desde o grande fogo de 2003. E defende o emparcelamento obrigatório dos terrenos como a única solução.
"Não se faz nada, a floresta cresce desordenada e depois acaba por destruir aquela que estava ordenada, como agora aconteceu. A floresta, que era do domínio público, estava ordenada, tratada e limpa. Tínhamos um pinhal lindo, com mais de 40 anos, pronto para dar resina e para fazer madeira", acrescenta o autarca.
O fogo começou longe, mas "quando atinge determinada dimensão não há quem o segure".
Fernando Jorge acredita que não havendo esse ordenamento, o fogo levará sempre vantagem. "Podemos chorar toda a vida, que não vale de nada".











