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August 29, 2025

Questionar II



“O mundo é o que é, ou seja, nada de mais. Foi isso que todos aprenderam ontem, graças ao formidável concerto de opiniões provenientes de rádios, jornais e agências de informação. De facto, somos informados, em meio a centenas de comentários entusiásticos, que qualquer cidade média pode ser destruída por uma bomba do tamanho de uma bola de futebol. Os jornais americanos, ingleses e franceses estão repletos de ensaios eloquentes sobre o futuro, o passado, os inventores, o custo, os incentivos pacíficos, as vantagens militares e até mesmo o carácter autónomo da bomba atómica. Podemos resumir tudo numa frase: a nossa civilização técnica acaba de atingir o seu maior nível de selvageria. 
Teremos que escolher, num futuro mais ou menos próximo, entre o suicídio coletivo e o uso inteligente das nossas conquistas científicas.

— Albert Camus (1913–1960), “Entre o Inferno e a Razão

(É só a mim que parece termos já escolhido o suicídio colectivo?)

August 03, 2025

Questionar



A principal diferença entre o amor e o ódio é que o amor é uma irradiação e o ódio é uma concentração. O amor torna tudo amável; o ódio concentra-se no objecto do seu ódio. Todas as falsificações assustadoras do amor — possessividade, luxúria, vaidade, ciúme — estão mais próximas do ódio: concentram-se no objecto, guardam-no, sugam-no até secá-lo.

— Sydney J. Harris (1917–1986), “Strictly Personal”

The Wisdom Letter




Questão:

Como distinguir a relação genuína do apego enraizado no desejo de controlo e em tudo o que esse desejo implica?

May 27, 2023

O que entendemos por responsabilização política?

 


Esta é uma pergunta relacionada com o post anterior que aborda a situação de dirigentes e governantes condenados por crimes de corrupção, evasão fiscal, conflito de interesses, peculato, entre outros, poderem ser novamente candidatos para os mesmos cargos que os capacitaram para os crimes cometidos:

- se um caixa de um banco fosse apanhado, julgado e condenado por roubo, pô-lo-íamos de novo no seu posto a lidar com o dinheiro alheio depois de cumprida a pena?

- se um professor primário fosse apanhado, julgado e condenado por pedofilia, pô-lo-íamos de novo no seu posto a lidar com crianças, depois de cumprida a pena?

- se um funcionário a trabalhar no Banco de Portugal fosse apanhado, julgado e condenado por falsificação de notas, pô-lo-íamos de novo no seu posto depois de cumprida a pena?

Etc.

Portanto, faz sentido e queremos que um dirigente ou governante, perito nos crimes de corrupção, evasão fiscal, conflito de interesses, peculato, etc., seja considerado desejável a ocupar novamente o posto que o capacitou para os crimes, depois de ter sido apanhado, julgado e condenado, tendo ou não cumprido pena?


December 05, 2022

Questão a propósito de um ouriço do mar

 


Um ouriço do mar visto de perto. Fractais. Questão: a matemática é o estudo de uma estrutura da própria realidade ou é uma estrutura conceptual racional que projectamos na realidade para a ordenar?


Fotografias de Filipe Frias




January 23, 2022

E outra coisa...

 


Eu sei que não percebo nada de economia e de finanças, mas se a inflação está a subir por o preço das matérias primas estar a subir, nomeadamente na alimentação, como é que as empresas do ramo estão a ter lucros desmesurados...?

Sonae supera resultados pré-pandemia com lucros de 158 milhões até setembro


Lucros da Jerónimo Martins sobem 47,7% para 324 milhões



June 22, 2021

Questões: a que velocidade vai o governo?

 


A que velocidade vai a queimar o dinheiro (milhares de milhões) das ajudas e em quem? Não sei, porque escondem o que fazem. Entretanto já estamparam o carro várias vezes e mataram os trabalhadores. Depois dizem que a culpa é dos trabalhadores... ... que a troika veio porque os portugueses andam pelo meio da estrada sem olhar... ... somos nós que andamos no meio da estrada ou são vocês que se enebriam com o dinheiro e se espetam contra nós? 


November 03, 2020

Espantos II

 


Lá no fundo, no fundo, somos vazio com uns poucos elementos em choque, a grande velocidade. Como é que nos distinguimos das coisas que nos rodeiam (as mesas e as cadeiras) constituídas pelos mesmos elementos fundamentais: átomos e vazio? Como aparece a química? E, como é que isso resulta nisto que se vê na imagem: linguagem, ciência, imaginação, matemática, arquitectura, estética e consciência? Não sei, mas o assunto é belo, como diria Platão.




July 28, 2020

July 07, 2020

Vivemos numa época filosófica - aproveite-se



Heraclito dizia que o logos — a razão que governa o mundo, digamos assim — habita os seres humanos, mas na maior parte permanece adormecido.

Uma maioria de pessoas vive apressada, esgota-se nas acções-rotinas do dia-a-dia, nos afazeres, no consumo, nas metas e objectivos próximos, nos projectos em curso, nos prazeres e desejos imediatos, no quotidiano da vida sem mais. Vive adormecida. De repente, a pandemia criou uma situação-limite, de vida e de morte, que obrigou a parar e nessa paragem a razão acordou, liberta do quotidiano desenfreado e começou a ponderar sobre: a urgência da vida, as prioridades (família, as pessoas), a relação com o meio ambiente, a relação com os outros animais, a relação com o trabalho, o valor da ciência, a garantia de verdade, o valor da educação, o vazio do consumismo, a dignidade humana, a responsabilidade ética para com os outros, a procura de verdade no meio do excesso de informação, a ética política, a necessidade dos outros, a inter-conexão de todos, a solidão, o equilíbrio e a brevidade da vida.

Todas estas questões são agora discutidas em todo o lado, desde as redes sociais aos meios de comunicação, todos os dias. Ora, o que são estas questões senão questões filosóficas? É nas situações de ruptura com o quotidiano que as questões filosóficas se impõem e a razão acorda. Que se seja capaz de mudar as agulhas das linhas por onde correm os comboios da vida comum antes que a razão se adormeça de novo.