June 29, 2020
O primeiro-ministro pensa que os antibióticos combatem os vírus
A minha pergunta é: foi a ministra da saúde quem lhe disse isto?
There is no economy on a dead planet.
WASHINGTONPOST.COM
Trump administration wants drilling on more than two-thirds of the largest swath of U.S. public land
The Trump administration will propose opening up more than two-thirds of a remote Alaska reserve to oil and gas drilling, according to a document posted Thursday in the Federal Register, removing protections safeguarded under Ronald Reagan.
June 28, 2020
"No silêncio da noite, quando tudo é nada"
Summer Reverie - John Russell
Álvaro de Campos
Que somos nós? Navios que passam um pelo outro na noite,
Que somos nós? Navios que passam um pelo outro na noite,
Cada um a vida das linhas das vigias iluminadas
E cada um sabendo do outro só que há vida lá dentro e mais nada.
Navios que se afastam ponteados de luz na treva,
Cada um indeciso diminuindo para cada lado do negro
Tudo mais é a noite calada e o frio que sobe do mar.
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June 27, 2020
Faróis
Porque gostamos de cenas costeiras com faróis? Porque são uma alegoria óbvia: uma luz de orientação no meio das tempestades em que nos desorientamos. Mostram um caminho e ao mesmo tempo uma salvação - como evitar embater nas rochas e baixios e naufragar, como passar a rebentação turbulenta e alcançar terra firme.
Os filósofos são faróis do pensamento, a arte é o farol das emoções.
Robert Henri (1865 - 1929)
Pequot Light House, Connecticut Coast, 1902.
Humans being beings
Dançarinos contemporâneos do Sadler’s Wells Theater, em Londres, dançam uma espécie de jogo de rato e de gato com roupas, chamado, Mine. Filmados por Luke White and Remi Weekes, realizadores de Tell No One. Os dançarinos vão sendo vestidos por roupas que não distinguem o feminino do masculino e dado que estão em roupa interior de tom neutro, toda a roupa que lhes cai em cima veste-os de emoção. A coreografia de Paolo Mangiola interpreta o desejo impulsivo das compras.
imusic - personal playlist
imusic boost focus, relaxation and neuron activity - para quem quer saber mais sobre este tipo de música veja aqui - a empresa que fazia estas músicas já não existe mas eu comprei várias, na altura. Houve um tempo em que as ouvia muito (são uma meia dúzia, cada uma com a sua função específica) - estas três em particular, mas as duas primeiras obsessivamente- a caminho da escola e depois partilhava-as com os alunos que queriam - descarregavam para os iPods e ouviam enquanto faziam trabalhos de grupo ou pequenas tarefas. Já nem me lembrava delas. Fui descobri-las num ficheiro. Vamos ver se ainda resultam.
Diário de bordo
Hoje é dia de trabalho e não me apetece. Tenho que deixar tudo o que diz respeito às DTs feito e acabado porque os próximos dias são para médicos e as reuniões são no dia a seguir. Não me apetece, nem trabalhar nem estar fechada em casa. Quando as pessoas que nos deviam motivar e tranquilizar são as que nos deixam deprimidas, cheias de dúvidas e sem saber o que fazer, o pior é ficar-se fechado a pensar. Hoje nem a música anima.
John Singer Sargent, (American, 1856-1925)
What do you call a group of millennials?
A group of ants is called a colony.
A group of aunts is called a book club.
A group of sparrows is called a host.
A group of men named James is called late-night hosts.
A group of millennials who look different is called a marketing campaign.
A group of millennials who look the same is called a brunch.
A group of millennials who have laptops is called a co-working space.
A group of gorillas is called a troop.
A group of white men is called an improv troupe.
A group of buzzards is called a wake.
A group of liberals calls itself woke.
A group of geese is called a gaggle.
A group of crows is called a murder.
An informal gathering of members of the media by the White House press secretary used to be called a press gaggle. It is now called a press murder.
A group of murders is called a “Game of Thrones” finale.
A group of donkeys is called a drove.
A group of scenes featuring Ryan Gosling behind the wheel of a car is called “Drive.”
A group of whales is called a pod.
A group of fish is called so gross why are all these fish here?
An angry group of pedestrians is called New York.
An angry group of traffic is called Los Angeles.
An angry group of states you can’t name is called the Midwest.
A gathering of cows is called a herd.
A gathering of random strangers is called Hell.
A cancelled gathering is called sweet, sweet relief.
Mia Mercado (A Compiled List of Collective Nouns) - The New Yorker
Soluções
Foi criado um novo hotel para abelhas em Lisboa, Capital Verde Europeia 2020, desta vez no Pavilhão do Conhecimento.
Estes abrigos, feitos de madeira, tijolo, canas e cortiça, são verdadeiros hotéis para insetos polinizadores como as abelhas-cortafolhas ou as abelhas-pedreiras.
theuniplanet
"The night is come, but not too soon"
The night is come, but not too soon;
And sinking silently,
All silently, the little moon
Drops down behind the sky.
There is no light in earth or heaven
But the cold light of stars;
And the first watch of night is given
To the red planet Mars.
Is it the tender star of love?
The star of love and dreams?
O no! from that blue tent above,
A hero’s armor gleams …
Henry Wadsworth Longfellow, ‘The Light of Stars’.
June 26, 2020
Sobre padrões de qualidade no ensino
Um dos livros que vieram cá parar abaixo, no dia em que caí do escadote foi o livro da 3ª classe, antiga. Depois descobri que tenho o da 2ª e da 1ª. Só não tenho o da 4ª classe ou se tenho está noutro sítio qualquer.
Pus-me a ver o livro da 3ª classe. Tem 200 e tal páginas, com algumas ilustrações, sobretudo nas páginas de aritmética, mas poucas, é quase tudo texto.
É um facto que hoje-em-dia os alunos sabem muito mais do que nós sabíamos na idade deles: sabem mais da vida e das ciências. Qualquer site de astronomia tem informações acessíveis que há 50 anos só na faculdade se aprendiam. Entram na internet e vêem pessoas, acontecimentos, lugares do mundo, usos e costumes que os nossos antepassados nem numa vida inteira vislumbravam.
Em contrapartida, como são ensinados com conteúdos sempre e cada vez mais infantilizados, com poucos conceitos e muitas imagens simplistas, têm pouca concentração, pouca imaginação (as imagens, que são redutoras, são-lhes todas dadas, depois de processadas e manipuladas), uma grande pobreza de vocabulário e, como consequência, um pensamento superficial e sem instrumentos conceptuais para escavar ou construir.
Nós tínhamos poucas imagens processadas e não tínhamos acesso à internet. Para sabermos tínhamos que ler, ler e ler. Ler é um processo biológico (move-se os olhos, faz-se recurso à memória declarativa, estabelece-se ligação entre áreas corticais diferentes - de abstracção e de emoção), psicológico (as palavras são evocativas e apelam à memória episódica, à experiência de vida), filosófico (a leitura, não meramente técnica, apela à reflexão, à introspecção) e estético (a leitura é um grande motor da imaginação e do gosto). Portanto, ler é um grande, senão o maior motor do desenvolvimento formativo do ser humano na sua totalidade.
Quando me perguntam se os alunos estão cada vez pior, tenho que responder que não. Em termos de interesse, empenho, responsabilidade, não vejo diferenças - há de tudo, como sempre houve. São em geral mais responsáveis no que respeita às questões ambientais, ao respeito por orientações sexuais diferentes, pelos outros animais. Dantes tinham outras causas, agora têm estas.
Onde noto uma grande diferença de ano para ano, é na linguagem - na capacidade de ler um texto e conhecer 10% das palavras, na capacidade de compreender uma frase com mais de duas linhas e de construção complexa, na capacidade de ler o texto por detrás do texto e na capacidade de se concentrarem por largos períodos de tempo.
Este fenómeno tão catastrófico do desenvolvimento é reversível, mas não temos políticos educados o suficiente para compreender as consequências desta decadência progressiva. Se calhar alguns até acham que isso é bom em termos elitistas (da mesma maneira que os países do Norte acham bem ter aqui uns atrasados no Sul a fornecer mão-de-obra barata) mas a mim parece-me o contrário, por razões que hei-de dizer em outro post.
(um aparte - Platão não gostava de imagens. No âmbito da sua Teoria das Ideias, as imagens eram degradações, cópias, aparências, obstáculos no acesso à verdade.)
texto sobre fracções do livro da 3ª classe
Coisas que me preocupam muito - ver o ME não se preocupar ao ponto de dar passos para resolver os problemas
Estamos a dois meses e meio de começar o próximo ano lectivo e, nem o governo, nem o ME dão passos para organizar o próximo ano de maneira que ele possa ser presencial: isto implica reduzir as turmas de 30 alunos para metade, desencontrar horários, desmaterializar o trabalho burocrático e mais mil e uma coisas. Por exemplo, vai ser preciso reforço de aprendizagens para muitos alunos. Por exemplo, as reuniões de pais terão de ser em pequenos grupos de uma dúzia e não mais e terão de haver outros canais de comunicação que não obriguem os professores a ficar nas escolas horas, todos juntos, à espera que apareça um encarregado de educação. Eu e muitas pessoas como eu que pertencem a grupos de risco, estamos dependentes de saber como as coisas vão ser organizadas para saber se podemos voltar à escola, fisicamente, quero eu dizer. Não posso ir para lá 4, 5 ou mais horas de enfiada, em salas cheias de gente, seja a de aulas, seja a de DT ou a de professores... a ter de usar o frigorífico, a casa-de-banho... por exemplo, seria possível ir lá nas pontas do horário. Entrava, ia direita à sala de aula, dava as aulas e vinha-me embora, sem ter que passar por aglomerados de pessoas... ou outra solução qualquer... por exemplo, este ano, vou à escola (daqui a três semanas) num dia em que haja um daqueles exames que só tem meia dúzia de alunos, de maneira que a escola esteja vazia, para acabar de tratar de assuntos burocráticos das DT... por exemplo, se este ano me chamarem para ver exames nacionais, o que é o mais certo, vou ter que ligar para o Agrupamento de Exames e combinar ir levantar os exames a uma hora que estejam lá poucas, ou nenhuma pessoa. Para entregá-los a mesma coisa.
Não vejo o ME minimamente preocupado com a questão de assegurar que há condições de trabalho.
Ontem uma colega disse-me que para o ano que vem não está a pensar ir à escola. É uma pessoa com problemas de saúde complicados e disse-me que acha que não vai haver nenhuma mudança que permita ir com alguma confiança à escola.
Os deputados já se recusaram a reduzir o número de alunos por turma. Isso para mim é um indicador óbvio de uma de duas situações: ou não têm noção da gravidade da questão (talvez façam parte do gang das festas algarvias) ou estão-se nas tintas para a vida dos outros.
Soubemos que a reunião do sindicato com o ME deu em nada: uns elogios aos professores e palmadinhas nas costas. Mais nada.
Hoje foi o último dia de aulas. Nas turmas os alunos estão preocupados com o próximo ano lectivo.
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