October 17, 2020

Já saí da TV. Não há pachorra para aquilo

 


Esta cabeça é linda. De uma grande nobreza. Tem um perfil grego clássico. Isto trouxe-me à memória um dia, para aí há 30 anos, na Grécia, no barco entre Atenas e outra ilha, um tipo veio sentar-se ao meu lado. Quando olhei para o indivíduo nem queria acreditar: tinha um perfil grego clássico e parecia uma daquelas estátuas clássicas de Apolo a coroar-se a sim mesmo. Tinha uma cabeça do passado. Aquele cabelo meio ondulado, espesso que essas estátuas têm e tudo.Aquilo foi uma viagem de seis horas e o homem ia a dormir ao meu lado. Tipo, ia com uma estátua grega clássica sentada no banco ao lado... literalmente... foi uma coisa muito estranha. Irreal. Era um perfil parecido com este.


Michelangelo, Ideal head of a woman, a black chalk drawing, 1525-1528, British Museum, London.

Liguei a TV. Que horror... não sabia que isto estava tão mau

 


Do canal 5 ao 35 é só bola, tirando três canais com reality shows e dois com basquete... fui andando e só no 55 consegui parar. Está a dar um filme sem grande interesse mas que tem aquele actor com aquela voz sexy. Sábado à noite, ver TV. Depressing...


No words required

 





Manka Kasha 



Meia dúzia de linhas




Red October

 


Physics-astronomy.org

O problema é a quantidade de indivíduos que pensam que o terrorista foi direito para o céu




Quero dizer: enquanto não se desconstruir o discurso obscurantista da religião islâmica, ele será um herói e um mártir para milhares de outros dispostos a ocupar o seu lugar. 

Há aqui duas coisas a considerar: a primeira e mais importante é responsabilizar os líderes religiosos que acoitam estes criminosos (ele tinha antecedentes de violência) no seu seio. As mesquitas que têm terroristas como membros e discursos de incitamento à violência fecham e os líderes são responsabilizado. Não pode ser, virem sempre dizer que a religião não s confunde com os radicais, mas não mexerem uma palha para os isolar e repudiar das suas mesquitas e bairros. 
A segunda coisa a considerar é a escola pública ter uma resposta massiva de laicismo, a nível nacional, apoiada pelo governo: os pais que vão à escola proibir os filhos de falar às professoras por serem mulheres e isso ofender o islão, ficam obrigados a frequentar um curso de laicismo e respeito dos valores de uma república laica como a francesa, tal como acontece com os condutores que excedem a velocidade ou os homens que assediam, etc.; ou, outro exemplo, uma escola pode ter todas as semanas uma exposição de caricaturas: ora são do islão, ora da religião católica, ora da judaica ou de uma ideologia, etc. Para os alunos se habituarem à convivência com a pluralidade de visões e valores e aprenderem a respeitá-las. E outras iniciativas que deixem claro que as escolas não são de ninguém: nem das religiões, nem das ideologias dos governantes de ocasião. 



França. Professor decapitado após mostrar caricaturas de Maomé. Um "ataque terrorista islâmico", diz Macron


Esta não é a pergunta certa

 


A pergunta certa é se a iniciativa cumpre os requisitos da estupidez máxima permitida dentro da União. Há que ver que o nível de estupidez dos governantes dos vários países são como uma maçã deixada num cesto com outras. Se estiver podre acima de um certo nível, vai infectando as outras. Daí o cuidado em haver um nível de estupidez máximo que dispare os alarmes.


Sociais-democratas no Parlamento Europeu questionaram a Comissão Europeia para saber se obrigar o uso da “app” StayAway Covid “cumpre com o Regulamento Geral de Protecção de Dados.


Livros gratuitos - Platão, Fédon IX (continuação)

 


XXI – Então, que escolhes, Símias? Nascemos com o conhecimento ou nos recordamos ulteriormente do que conhecemos ante?

Assim de pronto, Sócrates, não sei como decidir-me.

Como? Sobre isto podes perfeitamente decidir-te e dizer o que pensas: quem sabe, está em condições de dar as razões do que sabe, ou não?

Necessariamente, Sócrates, respondeu.

E és de parecer que todo o mundo possa dar as razões das questões que acabamos de tratar?

Tomara que o pudessem! Porém receio muito que amanhã a estas horas não haja aqui uma só pessoa em condições de fazê-lo.

Decerto, Símias, continuou, não és de opinião que todos os homens entendam dessa questões. [quer dizer, se se desse o caso de nascermos com os conhecimentos todos, seríamos capazes, desde que nascemos de os explicar. Mas não. O facto é que vamos progredindo no conhecimento] 

De forma alguma.

Nesse caso, recordam-se do que aprenderam antes?

Necessariamente.

E quando é que nossas almas adquirem esses conhecimento? Não há de ser a partir do momento em que nascemos como homens.

Não, decerto.

Então é antes?

Sim.

Logo, Símias, as almas existem antes de assumirem a forma humana, separadas dos corpos, [seu estado natural] e possuírem entendimento.

A menos, Sócrates, que adquiramos tal conhecimento ao nascer, pois ainda falta considerar esse tempo.

Que seja, companheiro! Mas então, em que tempo perdemos esse conhecimento? Ao nascermos não dispomos dele, como acabamos de admitir. Ou será que o perdemos no momento exato em que o adquirimos? Poderás indicar outro tempo?

Não há jeito, Sócrates, sem o querer, disse uma tolice.

XXII – Nossa situação, Símias, não será a seguinte? Se existe, realmente, tudo isso com que vivemos a encher a boca: o Belo e o Bom e todas as essências desse tipo, [que constantemente usamos para qualificar] e se a elas referimos tudo o que nos chega por intermédio dos sentidos, como a algo preexistente, que encontramos em nós mesmos [na alma] e com que o comparamos: será forçoso que, assim como elas, [as Ideias] exista nossa alma antes de nascermos, e que sem aquela estas não existiriam?

[se as Ideias não existissem em nós, estaríamos a recordar o quê, sabendo que elas não têm origem no mundo dado o seu carácter não material; e se a alma não existisse previamente ao corpo, como explicaríamos ter essas Ideias? A alma, portanto, é um intermediário entre a Verdade e o mundo]

Mais que exata, falou Símias, me parece, Sócrates; é muito segura a posição a que se acolhe o argumento, no que entende com a afinidade entre as essências (Ideias) a que te referiste, e nossa alma, antes de nascermos. Essa demonstração me satisfaz plenamente.

E a Cebete? Perguntou; precisamos também de convencer Cebete. 

A ele também satisfaz, respondeu Símias, segundo penso, muito embora seja o homem mais difícil de aceitar a opinião dos outros. Mas creio que já esse encontra convencido de que nossa alma existe antes de nascermos.

XXIII – Porém Sócrates, que ela continue a existir depois de nossa morte é o que não me parece ainda suficientemente demonstrado, pois ainda está de pé a opinião do vulgo a que Cebete se referiu há pouco: Quem sabe se no instante preciso em que o homem morre, a alma se dispersa, sendo esse, justamente, o seu fim? Que impede, de facto que ela nasça algures e se constitua de outros elementos e exista antes de alcançar o corpo humano, mas depois de entrar no corpo, quando tiver de separar-se dele, também acabe de uma vez e venha a destruir-se?

[o facto da alma existir antes de reencarnar num corpo não obriga a que subsista depois]

Falaste bem, Símias, observou Cebete. Parece que só foi demonstrado metade do que era necessário, a saber: que a nossa alma existe antes de nascermos; ainda falta provar, por conseguinte, que depois de morrermos ela não existirá menos do que antes do nascimento. Só assim ficará completa a demonstração.

[3º argumento:]

Foi completada agora mesmo, Símias e Cebete, observou Sócrates; bastará juntardes o presente argumento ao que admitimos antes, de que tudo o que vive só nasce do que é morto. Porque se as almas existem antes do nascimento e se, necessariamente, para começarem a vida e existirem, não poderão provir de outra parte a não ser da morte do que está morto, não será forçoso que continuem a existir depois da morte, para renascerem? Como disse, essa parte já foi demonstrada.

[a reminiscência do 2º argumento, mostra que a alma tem de existir previamente; o 1º argumento prova que, para nascer tem de vir dos mortos, já que ficou provado que os contrário provêm dos contrários]

XXIV – Porém verifico, Símias e Cebete, que ambos vós gostariam de examinar mais a fundo essa questão, pois, como as crianças, temeis, de facto, que o vento arraste a alma e a disperse no momento em que ela deixa o corpo, máxime se na hora em que morre alguém o céu não estiver sereno e soprar vento forte. [o problema ontológico do ser baseia-se na crença e medo da morte e este não se desfaz com base em argumentos racionais]

E Cebete, desatando a rir, Faz de conta, Sócrates, observou, que estamos com medo, e procura convencer-nos. Ou melhor: será preferível admitires, não que temos medo, mas que talvez haja dentro de nós uma criança que se assusta com essas cosias. Trata, por conseguinte, de convencê-la a não ter medo da morte como do bicho-papão.

Para tanto, lhes falou Sócrates, será preciso exorcizá-la diariamente, até passar o medo. [Sócrates exorta-os a que não desleixem a reflexão filosófica depois de ele morrer]

E onde, Sócrates, perguntou, encontraremos um bom exorcizador, uma vez que nos abandonas?

A Hélade é grande, Cebete, replicou, e nela há muitos homens de merecimento. Grandes também sãos as gerações bárbaras, que precisareis esquadrinhar para encontrar um encantador nessas condições, sem olhar despesas nem fadiga, pois em nada melhor poderíeis aplicar o vosso dinheiro. [Platão aqui diz claramente que o problema da morte e do propósito da vida é o mais radical que existe entre todos e é pertença de toda a Humanidade - sem diferença entre gregos e bárbaros.] Mas convém promoverdes essa busca também entre vós outros, [refere-se aqui aos pitagóricos que ele pensa estarem melhor posicionados, devido aos seus conhecimentos, para prosseguirem a questão filosófica] pois talvez não seja fácil encontrar quem, melhor que vós disso melhor do que vós mesmos.

É o que faremos, falou Cebete. Porém se levares gosto nisso, voltemos para o ponto em que ficamos antes. 


(continua)


A chatice dos factos

 



O O "Estado monitoriza as pessoas, mas as pessoas não podem monitorizar o Estado (que usa o dinheiro das pessoas)

BE e PCP abstiveram-se e permitiram que o PS chumbasse a proposta."


(via, mural dos traidores no FB)


Educação - como se chegou aqui todos sabemos

 

Em França, um professor de história que mostrou as caricaturas de Maomé na aula no contexto de ensinar sobre a liberdade de expressão e a liberdade de ser crente ou ateu, foi decapitado em plena rua, perto da escola em que ensinava, por um pai "Allah Akbar". 

Podemos dizer que é um acto terrorista isolado? Essa é a questão errada, porque o que interessa saber é: o que foi feito para que o professor hoje-em-dia seja visto como um empregado dos pais (não há não muito tempo, a mãe de uma aluna muito mal formada, foi à escola e disse-me, enquanto DT, 'eu sou a mãe e eu é que digo do que se pode falar porque os pais é que mandam na escola. Os filhos são nossos') e não como uma pessoa com autoridade dentro da sua especialidade e para que os pais se vejam como chefes dos professores? E, ainda, como se pode reverter essa situação? 

A escola é pública, obrigatória, de modo que todos lá vão parar e se a maioria são pessoas educadas, que percebem não ter conhecimentos suficientes do que se passa nas dinâmicas da escola e das turmas para dar opiniões, há uma margem de pais, que ouve os ministros e SEs neste últimos 15 anos a denegrirem constantemente os professores, às vezes com violência, e minarem a sua autoridade. Esses, vão para as escolas imitá-los, de modo que nós, professores, ainda temos o trabalho de educar esses pais, para podermos ensinar os filhos. 

Veja-se o caso dos rapazes suspensos por um dia, porque provocam continuamente, como fazem muitas vezes os adolescentes, até ultrapassarem os limites do que se pode aceitar. Veja-se como foi explorado por um jornal no sentido de denegrir a escola e os professores. Estas coisas não são incólumes, sobretudo quando são reforçadas ano após ano pelas autoridades governamentais. Veja-se como os pais foram influenciados por essa campanha e em vez de ralharem com os filhos ralham com a escola por querer educá-los. Depois não há professores aqui, não há professores aqui em França, não há professores em Inglaterra, etc.

Evitar os problemas ou ignorá-los é dar-lhes espaço para crescerem. Na educação ou outra área qualquer: em França, o problema dos imigrantes muçulmanos que não respeitam o Estado laico e o Estado de direito existe e não é só histeria de extrema-direita.


La victime était un professeur d'histoire ayant montré les caricatures de Mahomet en classe. Une enquête a été ouverte pour "assassinat en relation avec une entreprise terroriste".

Un homme a été décapité en fin d'après-midi ce vendredi 16 octobre à Conflans Saint-Honorine, dans les Yvelines. Son agresseur présumé aurait crié "Allah Akbar" avant d'être été abattu dans la ville voisine d'Eragny (Val-d'Oise), selon la police. D'après l'AFP, la victime était un professeur d'histoire ayant montré les caricatures de Mahomet en classe. L'enseignant a été tué sur la voie publique non loin de son collège du Bois d'Aulne.

Le président de la République, Emmanuel Macron, s'est rendu sur place, à Conflans, dans la soirée. "Un de nos concitoyens a été assassiné parce qu'il enseignait, apprenait à ses élèves la liberté d'expression, de croire ou ne pas croire. Notre compatriote a été la victime d'un attentat terroriste islamiste caractérisé" a-t-il déclaré. "Ils ne passeront pas. L'obscurantisme et la violence qui l'accompagne ne gagneront pas. Ils ne nous diviseront pas."

Não há professores

 


Um problema que já vimos anunciando há anos, pelos blogues, por sites ligados à educação. Anos e anos. Os governos não fazem nada. Isto tem vindo a piorar desde a Rodrigues que espantou muita gente da profissão e atingiu o auge durante os anos de troika onde se dispensaram cerca de 30 mil professores. Ora, "como ninguém está à espera sentado durante 10 anos que o voltem a chamar", esses professores foram arranjar outras profissões. Os professores desempregados são altamente desejados nas imobiliárias, que os tratam bem. Depois veio o governo do Costacenteno com muita conversa dos males que a troika fez mas não gastaram um tostão com a educação e até passaram o tempo a hostilizar os professores. Escolheram uma equipa de educação de ser moços de fretes. O ministro não faz nada, nem sabe o que fazer. O SE tem uma visão infantil, não-democrática, da educação. Agora estamos nisto.

Este governo, que vai na segunda legislatura, ja tinha tido tempo de valorizar a profissão e mudar alguns aspectos (que explicam, por exemplo, porque estou em casa e não no trabalho) que estão a implodi-la. Podíamos agora ter licenciados a sair das universidades com o estágio profissional. Mas não. Essa especialidade está às moscas e ninguém a quer seguir dado o horror que todos vêem ser a carreira de professor. 

Talvez um dia o primeiro-ministro sinta um pressentimento de que é preciso não destruir os professores porque sem eles não há escola. A escola é para os alunos, sim, mas não existe sem os professores. Sabemos que têm a utopia de ter uma escola com robots, que trabalhem 24 horas por dia sem salário e sem pensamento próprio, mas isso é uma utopia.


Professores procuram-se em Lisboa. Escolas não conseguem recrutar, turmas ao abandono

Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Diretores Escolares, confirma que o problema da falta de professores está maioritariamente circunscrito a Lisboa. “Às vezes, como a maioria dos professores disponíveis é do Norte, não estão disponíveis a ir trabalhar para a Grande Lisboa. Não ganham para as despesas, tem a haver com isso”, diz.

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Nesta altura, há milhares de alunos sem professores a várias disciplinas, especialmente na zona da Grande Lisboa. Uma situação que André Julião até compreende, porque têm “sair da área de residência, das zonas do Porto ou de Aveiro, para dar aulas nos distritos de Lisboa ou de Setúbal e ainda ter de pagar do próprio bolso os preços exorbitantes de uma casa ou de um quarto, muitas vezes sem ter um horário completo”.

André Julião lamenta que o Governo não tenha acautelado este cenário ao mesmo tempo que critica o facto “dos professores não terem direito a subsídio de deslocação, como, por exemplo, os deputados da Assembleia da República”.

“Jazz music is the perfect metaphor for democracy."

 


“Jazz music is the perfect metaphor for democracy.
We improvise, which is our individual rights and freedoms;
We swing, which means we are responsible to nurture the common good, with everyone in fine balance;
And we play the blues, which means no matter how bad things get, we remain optimistic while still mindful of problems.”
Wynton Marsalis


October 16, 2020

Deambulações

 


Cada um de nós e todos somos o centro do universo, mas para essa posição não ser degradadora, antes rica, ela tem de ser um ponto no vértice de um cone invertido e não o oposto. A visão totalizadora tem de ser uma projecção do olhar que vê desde a base do cone invertido a sua posição no vértice inferior, abarcando a totalidade nesse olhar. Se não invertemos o universo-cone e nos pomos no topo a nossa visão fecha-se em vez de se abrir. É por isso que nem toda a gente tem capacidade para a verdade. É preciso muita revisão introspectiva, racional, muita coragem de percorrer os abismos, reconhecer os demens que aí moram, enfrentá-los e, mesmo não podendo ultrapassá-los, aceitá-los e aceitando-os, aceitar-se, sendo, com eles, numa dimensão humana, que inclui os outros que preenchem o cone que se alarga a partir de nós. Aceitar ser humano, não como desculpa, num olhar de cima para baixo, mas como uma determinação particular de natureza que tem a possibilidade de desconstruir-se a si mesmo e reconstruir-se conscientemente. Não é para a maioria que vive no topo do cone, com a máscara agarrada à cara sem nunca a tirar, nem saber que isso é possível e que uma outra existência é possível. Acho que é esta a tragédia humana de que falam tantos filósofos. 


Kant dizia: não queremos caridade, queremos é justiça

 



The problem with philanthropy


By buying their way into academic, scientific and cultural institutions, the rich have quietly undermined democracy.

Large-scale philanthropy is an exercise of power that is fundamentally undemocratic. Since charitable giving brings tax benefits, large-scale philanthropy can undermine the people’s will in favour of the donor’s own values. In effect, taxpayers subsidise the freedom of the rich to realise their own vision of what is good while simultaneously depriving democratically chosen programmes of valuable public funds.

O Presidente governa o país como se tudo isto fosse uma novela

 


O Presidente da República manda umas bocas, diz umas cenas do alto do seu pedestal mas fazer alguma coisa, é mentira. Aliás, o recurso dele é culpar os outros e desresponsabilizar-se.

O agarvamento brutal, como ele diz, não se deve às mãos das pessoas, mas à péssima gestão que desde Junho fazem da pandemia.

25 de Abril - comemoração sem máscaras que isso até faz mal à saúde;

futebol - não

Corridas de touros - sim, podem ir todos

missas - sim

Avante -sim

Transportes a abarrotar de gente - sim

etc., etc.

Isto tem sido um corropio de asserções dramáticas à segunda e relaxadas-porreiristas à terça. Andaram a passear no Verão em vez de preparar o Inverno. Já se sabia que com a abertura das escolas as coisas iriam piorar muito, mas quem é responsável não mexeu um dedo. Não querem saber. Agora o Presidente vem culpar as pessoas e ameaçá-las... 

Os governantes pensam que quando algumas pessoas (porque a maioria até se abstém) votam neles, como dizem os GJ, é porque os aprovam e gostam deles (como aquela Cristina da TV) e não percebem que é apenas uma jogada num tabuleiro de xadrez que tem como obectivo melhorar a sua situação, não a dos governantes. À conta disso, o Presidente e o primeiro-ministro comportam-se como vedetas de novelas, com os seus fãs, dizem umas larachas como se fosse alguma coisa que efectivamente tem consequências, mas não mexem um dedo para resolver os problemas e preferem esperar por um milagre - no fim quem paga somos nós. 


Marcelo considera recolher obrigatório para parar a pandemia

O Presidente da República referiu, durante a tarde desta sexta-feira, que: “Se há um agravamento brutal da situação, que esperamos que não aconteça e que está muito nas mãos das pessoas, tudo o que tiver de ser decidido é decidido e há graus progressivos de intervenção”




Enquanto espero

 


Leio uns poemas porque esta é a hora da poesia. Descobri um que gostei. Escrito por um homem mas podia não ser porque a poesia é universal.




Como era mesmo que dizia Mark Twain?

 


"Truth is stranger than fiction, but it is because Fiction is obliged to stick to possibilities. Truth isn't."?
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Operação (Desvid-19) ao facto que estão a apurar "o desvio de 20 milhões de reais [perto de 3,5 milhões de euros] destinados ao combate à pandemia no estado do Roraima." Culminando com a cereja em cima do bolo:

"Segundo a imprensa brasileira, os agentes encontraram cerca de 100 mil reais na residência de Rodrigues, em Boa Vista, capital daquele estado, dos quais 30 mil [aproximadamente cinco mil euros] nas cuecas do senador."

DN - Polícia encontra dinheiro escondido entre nádegas de aliado de Bolsonaro

As mães também se enganam

 



Isabel de Goes

Aqui a pensar com os meus botões

 


Vou começar as formações online - hoje é a primeira sessão da primeira. Todas em horário pós-laboral e ao fim-de-semana, como é costume. Este ano, devido a estar aqui encalhada em casa, isso não me faz muita diferença, mas em anos anteriores, chegar a casa, depois de horas de aulas, ir responder a emails, preparar aulas, ver testes e afins e ao fim do dia ter uma formação a entrar bem pela noite dentro é completamente arrasante. Formações pagas, claro, que são obrigatórias mas pagas. Enfim... hoje fui à farmácia. Aldrabaram-me. Só quando cheguei a casa é que dei por isso. Epá, tive que voltar a sair para me ir aborrecer com uma fulaninha que chegou ao mundo antes de ontem a mentir na minha cara enquanto se contradizia toda. Com o enervamento nem vi uma colega que não via há uns tempos e lá estava na farmácia (não é nada do outro mundo porque na minha normal anormalidade acontece-me, sobretudo estando tensa, não reconhecer as pessoas - acho que já uma vez contei que um dia dei de caras com o meu irmão mais velho na rua e não o reconheci e uma vez no Natal perguntei quem era aquela, se era uma prima qualquer afastada e era a minha irmã...) ...enfim, essa colega disse-me que na escola dela há turmas que só têm um professor ou dois e que os alunos quando têm sintomas não dizem nada, por ordem dos pais, para não terem que ficar de quarentena. Alguns vão com febre para as aulas, caladinhos que nem ratinhos. E só se vem a saber porque já depois de estarem bem, dizem a colegas que vão dizer. Portanto, este grande aumento de casos, tem que estar ligado, pelo menos em uma boa parte, à abertura das escolas, nestas condições de rebaldaria, ao gosto da tutela da educação e do senhor Costa.


Livros gratuitos - Platão, Fédon VIII (continuação)

 


XVIII – É também, Sócrates, voltou Cebete a falar, o que se conclui daquele outro argumento – se for verdadeiro – que costumas apresentar, sobre o conhecimento, ser reminiscência conforme o qual nós devemos forçosamente ter aprendido num tempo anterior o de que nos recordamos agora, [daí a famosa frase atribuída a Sócrates de 'conhece-te a ti mesmo', indicando que a verdade está dentro de nós] o que seria impossível, se nossa alma não preexistisse algures, antes de assumir a forma humana. Isso vem provar que a alma deve ser algo imortal.

Porém Cebete, interrompeu-o Símias, que provas há sobre isso? Aviva-me a memória, pois não me lembro agora quais sejam.

Bastará uma, respondeu Cebete, eloquentíssima: interrogando os homens, se as perguntas forem bem conduzidas, [o método socrático] eles chegarão por si mesmos às respostas acertadas, [este método é abordado num diálogo chamado, Ménon) o de que não seriam capazes se já não possuíssem o conhecimento e a razão correcta. Depois disso, se os pusermos diante de figuras geométricas ou coisas do mesmo gênero, ficará demonstrado à saciedade que tudo realmente se passa desse modo.

Se isso não te basta, Símias, interveio Sócrates, para convencer-te, vê se considerando a questão por outro prisma, chegarás a concordar connosco. Duvidas que aquilo que denominamos aprender, seja apenas recordar?

Não direi que duvide, respondeu Símias. O que eu quero é justamente fazer o sobre discutimos: fazer a tal reminiscência. Com a exposição de Cebete cheguei quase a relembrar-me e convencer-me. Não obstante, gostaria de saber como vais desenvolver o tema.

Eu? Deste modo, replicou. Num ponto estamos de acordo: que para alguém recordar-se de alguma coisa, é preciso ter tido antes o conhecimento dessa coisa.

Perfeitamente, respondeu.

E não poderemos declarar-nos também de acordo a respeito de mais outro ponto? Que o conhecimento alcançado em certas condições tem o nome de reminiscência? Refiro-me ao seguinte: suponhamos que um indivíduo percepciona um dado objecto pela vista, pelos ouvidos ou qualquer outro meio sensorial, e não apenas reconhece esse objecto como capta, para além dele, a ideia de um outro que não pertence à mesma esfera de conhecimentos: não será razoável, neste caso, afirmar, que houve uma reminiscência de algo que a sua mente tinha já captado? [um conhecimento faz recordar outro que já se tinha como acontece com as analogias ou associações de ideias]

Como assim?

É o seguinte: uma coisa é conhecimento que se tem de um homem, é diferente do que se tem de uma lira. [instrumento musical].

Sem dúvida.

E não sabes o que se passa com os amantes, quando vêem a lira, a roupa, ou qualquer outro objeto de uso de seus amados? Reconhecem a lira e formam no espírito a imagem do amado a quem a lira pertence. Reminiscência é isso: alguém ver Símias e recordar-se de Cebete. Há mil outros exemplos do mesmo tipo.

Milhares, por Zeus, respondeu Símias.

Não constitui isso, perguntou, uma espécie de reminiscência? Principalmente quando se dá com relação a coisa de que poderíamos estar esquecidos, pela ação do tempo ou por falta de atenção.

Perfeitamente, respondeu.

E então? Continuou: não é possível lembrar-se alguém de um homem, ao ver a pintura de um cavalo ou de uma lira, ou então, ao ver o retrato de Símias, recordar-se de Cebete?

Muito possível.

E diante do retrato de Símias, lembrar-se do próprio Símias?

Isso também, respondeu.

XIX – E não é certo que em todos esses casos a reminiscência tanto provém dos semelhantes como dos dessemelhantes?

Provém, de facto.

E no caso de lembrar-se alguém de alguma coisa à vista de seu semelhante, não será forçosos perceber essa pessoa se a semelhança é perfeita ou se apresenta alguma falha?

Forçosamente, respondeu.

Considera, então, se tudo não se passa deste modo. Afirmamos que há alguma coisa a que damos o nome de Igual; não imagino a hipótese de que um pedaço de pau ser igual a outro, nem uma pedra a outra pedra, nem nada semelhante; refiro-me ao que se acha acima de tudo isso; a Igualdade em si. Diremos que existe ou que não existe?

Existe, por Zeus, exclamou Símias; à maravilha. E que também saberemos o que seja?

Sem dúvida, respondeu.

E onde formos buscar esse conhecimento? Não foi naquilo a que nos referimos há pouco, à vista de um pau ou de uma pedra e de outras coisas iguais, que nos surgiu a ideia de igualdade, que difere delas? Ou não te parece diferir? Considera também o seguinte: por vezes, a mesma pedra ou o mesmo lenho, sem se modificarem, não te afiguram ora iguais, ora desiguais?

[a Igualdade não é uma coisa sensível observável, é uma Ideia, uma reflexão que fazemos ao comparar objectos; do mesmo modo a Desigualdade: não está na próprias coisas que comparamos, nem é observável, nem tem existência material. Logo, a sua origem em nós, não pode ser o mundo material exterior a nós]

Sem dúvida.

E então? O igual já se te apresentou alguma vez como desigual, e a igualdade como desigualdade?

Nunca, Sócrates.

Por conseguinte, continuou, não são a mesma coisa esses objeto iguais e a Igualdade em si.

De jeito nenhum, Sócrates.

Não obstante, disse, foi desses iguais, diferentes da igualdade, que concebeste e adquiriste o conhecimento desta última. [o mundo material faz evocar a tal Verdade esquecida aquando da encarnação no corpo, pois as Ideias não estão no mundo material, mas na nossa mente]

Está muito certo o que afirmaste, disse.

Que pode ser semelhante àqueles ou dessemelhantes? Perfeitamente.

Isso, aliás, continuou, é indiferente. Desde que, à vista de um objeto, pensas em outro, seja ou não seja semelhante ao primeiro, necessariamente o que se dá nesse caso é reminiscência.

Perfeitamente.

E então? Prosseguiu: que se passa connosco, com relação aos pedaços de pau iguais e a tudo o mais a que nos referimos há pouco? Afiguram-se-nos iguais à Igualdade em si, ou lhes falta alguma coisa para serem como a igualdade? Ou não falta nada? [portanto, dois objectos nunca são 'perfeitamente' iguais - só a Ideia de Igualdade é que é perfeita, verdadeira. Por exemplo, na definição de uma circunferência, todos os pontos estão 'perfeitamente' à mesma distância do centro; no entanto, em nenhuma circunferência material essa equidistância será perfeita - só na Ideia abstracta)

Falta muito, respondeu.

Estamos, por conseguinte, de acordo, que quando alguém vê um determinado objeto e diz: O objeto que tenho neste momento diante dos olhos aspira a ser como outro objeto real, porém fica muito aquém dele, sem conseguir alcançá-lo, visto lhe ser inferior: essa pessoa, dizia, ao fazer semelhante observação, tinha necessariamente o conhecimento do objeto com o qual ela disse que o outro se assemelhava, porém era inferior.

Forçosamente. E então? Não se passará a mesma coisa connosco, em relação às coisas iguais e à igualdade em si mesma?

Sem dúvida nenhuma.

É preciso, portanto, que tenhamos conhecido a Igualdade antes do tempo em que, vendo pela primeira vez objetos iguais, observamos que todos eles se esforçavam por alcançá-la porém lhe eram inferiores. [se não tivesse previamente a Ideia de Igualdade ou Idêntico, nunca poderia fazer tal reflexão]

Certo.

Como também nos declaramos de acordo em que não poderíamos fazer semelhante observação nem ficar em condições de fazê-la, a não ser por meio da vista ou do tacto, ou de qualquer outro sentido. Não estabeleço diferenças.

De facto, Sócrates, são equivalentes; pelo menos no que respeita ao tema em discussão.

De qualquer forma, é por meio dos sentidos que observamos tenderem para a igualdade em si todas as coisas percebidas como iguais, porém sem jamais alcançá-la. Ou que diremos?

Isso mesmo.

Logo, antes de começarmos a ver, a ouvir, ou a empregar os demais sentidos, já devemos ter adquirido em alguma parte o conhecimento do que seja a igualdade em si, para ficarmos em condições de relacionar com ela as igualdades que os sentidos nos dão a conhecer e afirmar que estas se esforçam por alcançá-la, porém lhe são inferiores.

É a consequência necessária, Sócrates, do que foi dito antes.

E não é certo que vemos e ouvimos e fazemos uso dos demais sentidos logo após o nascimento?

Perfeitamente.

Será preciso, então, é o que afirmamos, já termos antes disso o conhecimento da Igualdade.

Certo.

Antes do nascimento, por conseguinte, ao que parece, é que necessariamente o adquirimos.

Parece, mesmo.

Parece, mesmo.

XX – Logo, se o adquirimos antes do nascimento e nascemos com ele, é porque conhecemos antes do nascimento e ao nascer tanto o Igual, o Maior e o Menor, como as demais noções da mesma natureza. Pois tanto é válido nosso argumento para a Igualdade como para o Belo em si mesmo e o Bem em si mesmo, a Justiça, a Piedade e tudo o mais, como disse, a que pusemos o rótulo de, 'realidade em si', tanto nas perguntas que formulamos como nas respostas apresentadas. A esse modo, adquirimos necessariamente antes de nascer o conhecimento de tudo isso. 

[em si = real ou verdade incondicionada - aquilo que Kant há-de declarar como incognoscível (pese embora possa, hipoteticamente, existir) por estar para lá dos limites da razão]

Certo.

E se, depois de adquirido tal conhecimento não o esquecêssemos, desde o nascimento o possuiríamos e o conservaríamos toda a vida. Pois conhecer, de facto, consiste apenas no seguinte: conservar o conhecimento adquirido, sem vir nunca a perdê-lo. O que denominamos esquecer, Símias, não será precisamente a perda do conhecimento?

Não será outra coisa, Sócrates, respondeu.

Se, em verdade, segundo penso, antes de nascer já tínhamos tal conhecimento e o perdemos ao nascer, e depois, aplicando nossos sentidos a esses objetos, voltamos a adquirir o conhecimento que já possuíramos num tempo anterior: o que denominamos aprender não será a recuperação de um conhecimento muito nosso? E não estaremos empregando a expressão correta, se dermos a esse processo o nome de reminiscência?

Perfeitamente.

Pois já se nos revelou como possível, ao percebemos alguma coisa, pela vista ou pelo ouvido, ou por qualquer outro sentido, pensar em outra de que nos havíamos esquecido, mas que se associa com a primeira por parecer-se com ela ou por lhe ser dessemelhante. Desse modo, como disse, uma das duas há de ser, por força: ou nascemos com tal conhecimento e o conservamos durante toda a vida, ou então as pessoas das quais dizemos que aprendem posteriormente, o que fazem é recordar, vindo a ser o conhecimento reminiscência.

Tudo se passa realmente desse modo, Sócrates.

XXI – Então, que escolhes, Símias? Nascemos com o conhecimento ou nos recordamos ulteriormente do que conhecemos antes? 

(continua)