November 16, 2020

Nestes dias que correm não podemos ver muitas notícias

 


... porque são terríveis. Terríveis. Isto são as urgências de um hospital de Nápoles.

A motivação leva-nos até ao fim do mundo, se for preciso

 


Já arranjei o dicionário. Vem do Méjico :) O que tem que ser tem muita força. Estive a ler páginas do livro. O dicionário é excelente porque inclui a etimologia  a história dos conceitos! Que tesouro. Agora já percebo os 640€.

Espero que os CTT não me comam o livro. 

Estas coisas põem-me assim neste estado de espírito :)






Gustave Caillebotte (French, 1848-1894), "L'Yerres, pluie/The Yerres: Effect of Rain" (1875)


Vou voltar à FE

 


Tenho andado arredada do livro, primeiro porque tive formações (daqui a uma semana começo outra) e não tinha tempo, mas depois por causa da úlcera no olho. Dado que isso está muito melhor e já não sinto dor nem dificuldade em concentrar a vista, vou voltar à FE de Hegel. Ainda vou muito no princípio... progride-se bem em certas partes e depois noutras, muito devagar e a ler coisas paralelas. Tenho um vocabulário de Hegel -este aqui em francês- mas não é grande coisa; quer dizer, ele explica os conceitos hegelianos com a mesma linguagem de Hegel. Um bom comentador de um filósofo tem que ser simultaneamente um bom professor. Alguém com um grande domínio da linguagem e um espírito analítico capaz de desconstruir a arquitectura conceptual de um termo ou ideia no seu esqueleto. Heidegger é um óptimo professor. Aquele livro dele sobre Nietzsche, uma pessoa lê-o e percebe as partes mais complexas porque ele sabe desconstruir, explicar, relacionar de maneira que faz o difícil parecer fácil. Gadamer é outro indivíduo excelente a explicar ideias e obras filosóficas.







Enfim, ando à procura de um dicionário hegeliano e fui dar com este: 670$ na versão capa dura! Que raio... não percebo. Não é uma raridade, nem um tesouro, é só um livro. É por ser uma 1ª edição... Esta gente está toda doida... Mesmo a versão paperback custa 35 €, se juntarmos os portes de envio, é coisa para custar 45€. Epá, isso era se eu lesse dois ou três livros por mês ou assim... vou arranjá-lo doutra maneira. Isto irrita. 


Entretanto, pus-me a ver livros e vi uma colecção de livros giríssimos para miúdos, daqueles que os adultos também gostam sobre animais e plantas. Baratos, ainda por cima. Hei-de ir lá buscá-los :)


A rotina do dia

 


... ir ver se Trump já perdeu as eleições... nop... e continua a despedir pessoal, mas hoje um conselheiro dele, um tal Robert O’Brien,  já disse que talvez Biden tenha ganho as eleições. Talvez! Isto começa a ser um embaraço para os EUA.

Entretanto isto é preocupante:


O veto hoje imposto pela Hungria e Polónia deveu-se ao acordo para um mecanismo que condiciona o acesso ao orçamento plurianual da UE ao respeito do Estado de direito, feito entre a presidência alemã do Conselho da UE e o Parlamento Europeu (PE) a 05 de novembro.

Não é o veto em si que preocupa, mas o que o motiva.

Esta temporada da série, The Crown, não é simpática para a monarquia

 


... e talvez, dada a enorme popularidade e sucesso que tem, lhe faça mossa. Não à rainha que está acima de controvérsias dado a enorme admiração que todos têm por ela, mas a Carlos, que é o próximo rei... ele e aquela Camila que também aparece muito mal. Muito mal, mesmo. 

A série retrata a princesa Diana como uma miúda lançada às feras. O príncipe Carlos e Camila, como regulars sons of bitches, desde o primeiro momento. Literalmente. Carlos, um palerma sempre a queixar-se de ser uma vítima, chateado por ela não ser uma parvinha dócil manipulável e, acima de tudo, por a mulher ter uma popularidade imediata com toda a gente e em todo o sítio a que ia. A mulher tinha qualquer coisa que a tornava imediatamente gostável. Carlos e o secretário, um machista ordinário, que a trata mal -do género de lhe chamar doente mental- em frente de toda a gente, passam o tempo a diminuí-la. A família quase toda  insensível à situação. 

Dado que sabemos que a produção e o realizador fizeram uma pesquisa exaustiva e que muitos dos factos retratados são públicos, sabemos que as coisas se passaram mais ou menos assim ou, em algumas situações, completamente assim como são retratadas.

Thatcher aparece como uma mulher com muita coragem mas sem um pingo de compaixão para com os pobres, os desempregados, os fracos, as nações pobres da Commonwealth, etc. Não hesita em mandar milhões para a pobreza para levar a sua avante. A rainha não a suporta, apesar de lhe reconhecer valor. O filho de Thatcher é retratado como um imbecil que trata mal toda a gente por causa da mãe ser primeira-ministra. Um pormenor que reparei é que no famoso nº10 o serviço de jantar é da Vista Alegre.


Isto é uma espécie de, 'elementar, meu caro Watson'

 



Trabalhar a partir de casa, ou seja, estando distantes uns dos outros, aumenta o preconceito, o mal-entendido, o erro e a desconfiança.


Working from home could lead to more prejudice, report warns

By Harry Farley & Will Dahlgreen

Leituras pela manhã





An Examination of Bullshit
By Elliott Crozat


No Eutidemo de Platão, Sócrates encontra dois sofistas, os irmãos Eutidemo e Dionísodoro que afirmam estar preparados para demonstrar algo crucial para a vida humana. Na esperança de aprender, Sócrates pergunta sobre o tema da demonstração. Os irmãos respondem: “Virtude, Sócrates! Acreditamos que podemos transmiti-la - ninguém no mundo tão bem ou tão rapidamente! Em outras palavras, Eutidemo e Dionísodoro afirmam que (a) eles podem transmitir virtude, (b) eles podem fazê-lo melhor do que qualquer outra pessoa em o mundo, e (c) eles podem fazer isso mais rapidamente do que qualquer outra pessoa no mundo.

Essas são afirmações surpreendentes, como Sócrates imediatamente reconhece, apesar de sua dúvida razoável de que sejam verdadeiras. À medida que o diálogo prossegue, torna-se evidente que os irmãos não estão preocupados principalmente em saber se suas afirmações são verdadeiras. Em vez disso, estão preocupados com a sua reputação e influência como sofistas. Parece que eles se preocupam acima de tudo com o quão competentes parecem ser do ponto de vista da multidão que assiste ao show. E um show divertido é o que a multidão quer. Os irmãos percebem que podem conquistar o favor da multidão entretendo-a, e que esse favor aumentará seu prestígio e poder.

Sócrates então narra o evento para Críton, observando que Eutidemo começou o seu show com a seguinte pergunta: “Agora, Clínias, qual da humanidade são os aprendizes, os sábios ou os ignorantes?” 
Após outras perguntas de Eutidemo e respostas de Clínias, Eutidemo conclui a resposta à sua indagação inicial: o ignorante aprende, mas não o sábio. Após essa conclusão, a multidão aplaude Eutidemo. 
Então Dionysodorus interroga as Clínias, o que o leva a admitir o contrário: os sábios aprendem, mas os ignorantes não. A essa resposta, a plateia novamente aplaude, sugerindo ao leitor que o objetivo do show é entreter. 
Ninguém na platéia (exceto Sócrates) parece preocupado que o diálogo tenha gerado uma contradição. Visto que as contradições são necessariamente falsas, o leitor é levado a suspeitar que os irmãos e seus seguidores são indiferentes à verdade do assunto em questão.

É claro nesta passagem que os irmãos não se importam com a verdadeira resposta à pergunta inicial de Eutidemo, nem estão interessados ​​na verdade de suas afirmações de ensinar a virtude. Em vez disso, eles estão interessados ​​em seu status perante a multidão.

No diálogo, Eutidemo e Dionisódoro são culpados de bullshit: são indiferentes à verdade das questões sobre virtude e aprendizagem, embora finjam importar-se; em vez disso, estão interessados ​​em prestígio e poder. No entanto, os irmãos não parecem culpados por mentirem. 
Observe que, para Frankfurt, bullshit é diferente de mentira. Dada a natureza da mentira, um mentiroso deve preocupar-se com a verdade. Para mentir com sucesso, o mentiroso deve distinguir entre a verdade e a falsidade e, portanto, deve atender à verdade. No entanto, uma alegação de bullshit procede de um reclamante que não se preocupa com a verdade: ele não está preocupado se sua afirmação é verdadeira ou falsa, mas apenas se ela pode ser usada para influenciar os seus ouvintes da maneira desejada. Frankfurt escreve:

“O que bullshit basicamente representa erroneamente não é o estado de coisas a que se refere, nem as crenças do orador a respeito desse estado de coisas. Essas são as mentiras que deturpam, em virtude de serem falsas. 
Visto que bullshit não precisa ser falso, difere das mentiras na sua intenção de deturpação. O bullshitter pode não nos enganar, ou mesmo pretender fazê-lo, seja sobre os factos ou sobre o que ele considera os factos. 
O que ele necessariamente tenta nos enganar é acerca da sua agência. A sua única característica indispensável é que, de certa forma, ele representa mal o que está fazendo. Este é o ponto crucial da distinção entre ele e o mentiroso ... Mas o facto sobre si mesmo que o mentiroso esconde é que ele está tentando afastar-nos de uma apreensão correcta da realidade; não devemos saber que ele deseja que acreditemos em algo que ele supõe ser falso. O facto sobre si mesmo que o mentiroso esconde, por outro lado, é que os valores de verdade de suas declarações não são de interesse central para ele; o que não devemos entender é que sua intenção não é relatar a verdade nem ocultá-la. Isso não significa que sua fala seja anarquicamente impulsiva, mas que o motivo que a guia e controla não se preocupa com o que realmente são as coisas sobre as quais ele fala. 
É impossível alguém mentir, a menos que pense que sabe a verdade. Produzir bullshit não requer tal convicção. Uma pessoa que mente está, portanto, respondendo à verdade e, nessa medida, a respeita. Quando um homem honesto fala, ele diz apenas o que acredita ser verdade; e para o mentiroso, é correspondentemente indispensável que ele considere suas declarações falsas. Para o bullshitter,  entretanto, todas essas apostas estão erradas: ele não está nem do lado da verdade, nem do lado da falsidade. Os seus olhos não estão absolutamente nos factos, como os olhos do homem honesto e do mentiroso, excepto na medida em que possam ser pertinentes ao seu interesse em se safar com o que diz. Ele não se importa se as coisas que diz descrevem a realidade correctamente. Ele apenas os escolhe, ou os inventa, para se adequar ao seu propósito. ”

A passagem de Frankfurt levanta a seguinte questão: Qual é o propósito do bullshitter? Vamos supor que ele tem um propósito e que a sua atividade não é aleatória. Como observa Frankfurt, ele não é "anarquicamente impulsivo". Uma vez que o seu propósito não é falar a verdade nem transmitir conhecimento proposicional - uma condição necessária da qual é a verdade, o bullshitter tem algum outro propósito. Mas os propósitos variam de acordo com a pessoa e a situação, o que sugere que há diferentes tipos de bullshit em relação ao bullshitter e ao seu objetivo.

O objetivo de Eutidemo e Dionísodoro parece ser o cultivo de uma reputação de parecer sábio. Este não parece ser o seu fim último, mas apenas uma meta instrumental com o objetivo de alcançar um outro conjunto de objetivos: prestígio, influência e poder. 

Os poucos pensadores que detectam consistentemente bullshit e não se impressionam com truques verbais, como Sócrates e Platão, não precisapreocupar o hábil 'eutidemusiano'; um pequeno número de pessoas perspicazes provavelmente não o impedirá de alcançar a influência que busca.

Para encerrar, esboçarei um exemplo de tal estudo, indicando algumas formas de bullshit e algumas formas de EB (Bullshitter Eutidemusiano). Primeiro, considere algumas formas de bullshit. Lembre-se de que o bullshitter é indiferente à verdade; ele busca outro fim. No entanto, para alcançar esse fim, ele deve cultivar uma aparência de verdade que seja instrumentalmente valiosa para seu fim. Essa combinação de aparência e fim é indicativa da forma específica de bullshit  em questão. Três formulários são representados abaixo. Esta é uma breve tipologia baseada na minha própria observação dos assuntos humanos e pertinente a áreas da cultura que são relativamente proeminentes hoje; o leitor provavelmente pode descobrir mais formas de expandir a tipologia.

Tipos de Bullshitter: 
- Eutidemusiano; 
- Ideológico;
- Moralizador;
- Hedonista.

(não traduzi o artigo todo porque é muito grande mas quem quiser lê-lo siga o link no título - isto é só um artigo, não é dirigido a ninguém- agora tenho que estar sempre a dizer esta merde)


'O Grande Terror em 5 linhas, 35 palavras'

 



There was a great Marxist called Lenin
Who did two or three million men in.
That’s a lot to have done in
But where he did one in
That grand Marxist Stalin did ten in.

~Robert Conquest



(um poema é só um poema, nem tudo é uma mensagem... ... se o fosse estaria cativa sem poder publicar o que gosto, o que não estou e, arrependimentos só os tem quem tem culpas... ... self awareness and arrogance usually don't go hand in hand ...quando escrevo mensagens vê-se logo que são mensagens... ... já agora, este entre parêntesis é uma mensagem, o que se vê logo, parece-me... ... Jimi Hendrix contava que havia pessoas que pediam para falar com ele porque gostavam da música dele e do que defendia e depois quando estavam à frente dele comportavam-se com desdém, como se lhes fosse indiferente estarem ali ou não - dão mais importância à pose que à vida. É uma opção muito comum)

Good morning 🌿🍃🍀

 



Problems

 


If life has no meaning why are we 'wired' to find meaning in everything? For example, there is no meaning "as such" of Covid-19, — still, Covid-19 means, or can mean, something and one has to figure this meaning out as it's a healthy thing to do, and that must be said of everything that means something to somebody. So in the end we have meaning of the parts but not meaning of the whole?


Wittgy abuse

 




Philosophy Matters

Quando a argumentação falha

 




Philosophy Matters

Poesia das 4 da madrugada

 


from "The More Loving One" by W.H. Auden

How should we like it were stars to burn

With a passion for us we could not return?

If equal affection cannot be,

Let the more loving one be me.

November 15, 2020

Já o azevinho se veste de Natal

 


NivaJuan Santos Duarte



A fumadora de ópio

 


Fantástica esta fotografia. A mulher tem mais languidez na expressão do olhar que todas as olympias, odaliscas e vénus renascentistas e impressionistas jamais pintadas, nuas. 


albert kahn - opium smoker - vietname (autochrome) 1915



Beba poesia sem moderação

 


Rachael Talibart



Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.


Fim de dia

 



É por isto que Hegel tem má reputação

 


... independentemente da qualidade da aula. Esta é uma aula acerca da Estética de Hegel.

Questions

 




Eu podia dar-lhe um argumento...

 


PP, vê-se, quis argumentar contra a comparação entre a geringonça do Continente e a dos Açores (as comparações agora, em vez de serem adequadas ou inadequadas são classificadas como perigosas e proibidas e as pessoas rasgam as vestes e clamam ¡ignomínia). Puxou pela cabeça, puxou, mas o resultado é um tiro pela culatra. 

Senão vejamos: ele quer dizer que o PCP e o BE, são diferentes, em perigosidade, do Chega. Então como faz isso? Explica que sim, que estes partidos têm um programa leninista de inspiração soviética, mas que eles já não ligam nenhuma a isso. Está lá no programa, sim, mas para atrair incautos, presume-se, pois eles já não defendem a revolução nem outras determinações do género que fazem parte do programa- ou seja, são desonestos ou no mínimo, aldrabões que defendem uma coisa nas campanhas e propaganda mas depois fazem outras coisas completamente diferentes e de acordo com a democracia que temos. Já o Chega, diz ele, acredita no programa que defende. LOL 

PP não vê o que aconteceu ao seu argumento? Como dizia Platão, no Fédon, uma das maneiras de vermos se as nossas ideias têm fundamento é segui-las até às suas consequências e ver se chegamos a absurdos. O que foi o caso, pois, segundo PP, para não se votar no Chega, tem que ir votar-se em partidos com políticos desonestos que apresentam um programa, mas depois fazem o oposto e são iguais aos outros de outros partidos com outros programas... será que o senhor entendeu que é exactamente esse o problema que leva tanta gente a votar no Chega? Ter essa percepção de desonestidade e indiferença com os eleitores por parte dos políticos dos partidos normalizados na democracia que temos?

E não interessa dizer que quem vota neles sabe que está a defender a violência doméstica porque isso é demagogia e o senhor sabe isso muito bem: milhares de pessoas votam no PSD que é contra a eutanásia e a IVG. Ou no CDS. Ainda ontem ou antes de ontem ouvi Varoufakis a dizer que era melhor que Trump ganhasse para poderem depois fazer as suas reformas de um modo sólido: quer isso dizer que ele defende Trump e as suas violências e abusos sexuais? Claro que não. É uma estratégia que mostra bem o descrédito em que caíram os programas políticos e os que os defendem. 

Portanto, a comparação ainda se mantém, visto que até agora, que eu visse ou lesse, ainda ninguém soube argumentar contra ela. Eu cá tenho argumento, mas não me cabe a mim dizê-lo.