October 03, 2020

ainda bem que há pessoas que compreendem a situação

 



Former National Security Adviser H.R. McMaster

Interview Conducted By René Pfister

DER SPIEGEL: It appears that Trump came close in the summer of 2018 to declaring the U.S.’ withdrawal from NATO. Should the NATO partners be preparing for the possibility of Trump taking that step during a second term in office?

McMaster: NATO is more important than ever. There are new dangers that require common defense: cyberattacks on our communication channels or the digital processing of our financial transactions. Putin helped make the mass murder in Syria possible and thus created a refugee crisis that led to political upheaval in Germany. NATO is more important than ever to confront these and other emerging threats to our security and way of life.

DER SPIEGEL: But Trump is encouraging the Russian president to test NATO’s dependability.

McMaster: That's why it's important for Germany to show how much it stands for the alliance and stands strongly against Putin’s campaign of subversion. For example, by increasing its defense spending.

O vício é uma coisa tramada

 


E dada a minha natureza hiperbólica e um bocadinho obsessiva com as coisas que gosto muito, tenho alguma tendência em ter dificuldade em desligar-me delas. É assim que passaram 16 anos desde que deixei de fumar e ainda me acontece ter desejo de tabaco, embora hoje-em-dia muito espaçadamente e só quando a ocasião me ressuscita no corpo aquela ligação que havia entre certa coisa e o tabaco. Neste caso, o champanhe que estou aqui a bebericar. De repente veio-me ao nariz -à memória- o cheiro de uns charutos cubanos muito finos, mais parecem cigarrilhas (trouxe-me um amigo de cuba há muitos anos e se calhar já estão estragados) que ainda tenho ali numa caixa, juntamente com tabaco de cachimbo, que a certa altura também fumei.

Cá em casa ainda há charutos, cigarrilhas, tabaco de cachimbo e, é claro, o tabaco que fumei, para mal dos meus pecados, durante muitos anos: Ritz. Pu-me aqui a lembrar das marcas de tabaco que fumei. Ritz, foi a minha paixão -ou vício- durante 30 anos. Tinha um sabor adocicado e era muito forte - nunca soube gostar das coisas em doses pequeninas e anódinas, é logo tudo a sério, para mal dos meus pecados...

Ritz 


Não foi o primeiro tabaco que fumei. O 1º tabaco que fumei foi Português Suave, sem filtro. Tinha aí uns dez anos e um primo que não é primo, roubava maços ao pai, de vez em quando e chamava-me para ir fumar com ele. Fumávamos o maço todo até ficar bêbedos. Isto aconteceu umas três ou quatro vezes.

Português Suave sem filtro


Depois estive até aos 12 anos sem fumar. Aí uma rapariga bastante mais velha (já em Évora) que morava na mesma casa, fumava muito e comecei a fumar com ela. Aos doze anos parecia mais velha do que era. Ela fumava Sintra e eu comecei a fumar Sintra. Fumava meia dúzia de cigarros por dia. 


Nas férias de Verão íamos para a praia e tinha uma amiga de Verão. O pai dela fumava barbaramente, Porto, e deixava tabaco por todo o lado. Nós roubávamos cigarros do bolso do roupão que ele deixava pendurado na casa-de-banho, onde havia sempre maços.

Porto

Por volta dos treze anos comecei a comprar tabaco e experimentei vários:

Estoril e Monserrate:


Lembro-me de experimentar CT


E provisórios e definitivos, mais para acompanhar amigos (todos os meus amigos e amigas fumavam) ou se não tinha cigarros e alguém me dava, porque não gostava destes cigarros.


Foi nesta altura que descobri o Ritz... quando não havia Ritz fumava outras coisas:

- SG filtro ou ventil, raramente gigante até porque este apareceu muito mais tarde.





Menos vezes, Kentucky, Camel e Marlboro:




Enquanto morei em Bruxelas, como era raro ter Ritz - era preciso que alguém viesse a Portugal e tivesse pachorra para me levar cigarros, fumei Gauloises, Gitanes e John Players Special, mas geralmente era Gauloises Blondes ou, às vezes, Gauloises brunes





Depois voltei e passados poucos anos comecei a pensar que fumar era como estar a apontar uma pistola à cabeça e resolvi  fumar cigarrilhas porque levavam mais tempo a fumar e fumava menos... quer dizer, pensava eu... com a mesma lógica comprei um cachimbo Peterson e comecei a fumar tabaco de cachimbo... resultado: houve uma altura que fumava cachimbo, cigarrilhas e no intervalo disso tudo, Ritz... e aqui e ali, ainda um charuto... foi pior a emenda que o soneto. Depois deixei de fumar de um dia para o outro. Tarde demais... O vício é uma coisa tramada. Passaram 16 anos e há bocado veio-me o cheiro do charuto à memória. Nem vou abrir a caixa onde eles estão porque como se costuma dizer, “A virtude é tentação insuficiente.”


Meia-dúzia de linhas

 


Blanca Miró Skoudy


via.Marco.Norris

Poesia ao entardecer 🍾

 




Sonnet 154. Se ele vai beber um Martini para comemorar o último soneto, eu, que tenho sido ouvinte fiel desde o 1º, vou ali abrir um champanhe 🍾 que está no frigorífico, para o acompanhar. Não tenho um smoking e estou de pijama porque estive a fazer a minha nova versão de exercício (improvisei uma pista de dança em forma infinita ∞ aqui em casa. Fiz uma playlist de músicas especiais e danço uma hora - estava farta da máquina e isto é mais divertido) e fui tomar banho. Mas vou pôr uns saltos altos 👠 só acompanhar o champanhe 🍸enquanto ouço o soneto. 
A soneto termina com a frase, "water cools not love".... ok... hence, champanhe 🙂


Quotes

 




Clarice Lispector 

Double trouble

 



Ainda a propósito da pseudo-meritocracia em que vivemos II

 


Aqui está um coitado que precisava de alguma sorte na vida e foi dar de caras com dois assassinos sádicos demasiado broncos para perceber (como aquele polícia nos EUA que assassinou George Floyd, em directo na TV) que estavam a matá-lo. Inspectores do SEF - como podem estes dois homens ter chegado a este cargo? Ou o perfil exigido ao inspector de carreira é o de um assassino ou é a pseudo-meritocracia a funcionar. 

Esta notícia dá-nos volta ao estômago. O sofrimento, o medo e a confusão do homem em ser tratado daquela maneira. Vinte minutos a matar um homem ao pontapé só porque... podem. Têm poder e sabem que à sua volta existe um "temor reverencial" pelas suas pessoas por terem uma patente qualquer. São os chefes.

Antes de ontem via-se na TV o primeiro-ministro e a presidente da comissão europeia em conferência de imprensa: o Dr. António Costa e a Ursula... este é um problema muito português. Em Portugal muita fraude e ilegalidade se cometem à conta deste temor reverencial que as pessoas têm por uma patente, um título. E as pessoas que têm os títulos ou patentes incham ao ponto do ridículo, não percebendo que são eles que têm de estar à altura da dignidade dos cargos e não o oposto, com uma vaidade que nem sempre mata directamente, mas às vezes o faz, como neste caso.

Parece-me evidente que algo vai muito mal na carreira e/ou formação das forças de segurança para que assassinos cheguem a inspectores sem ninguém perceber (não são um ou dois) e para que os que percebam tenham tanto medo de os denunciar que prefiram ficar a ver um ser humano ser espancado até à morte.

Um indivíduo está muito bem na sua vida e resolve vir a Portugal e como tem o azar de não ser ninguém de uma elite qualquer matam-no ao pontapé, só porque sim. Isto não é um 'azar da vida' como ser apanhado por um terramoto ou uma doença. Não. Isto é um país que tem tanta corrupção e falsa meritocracia que aqueles que deviam proteger os outros são os que os matam.


Morte no aeroporto: espancamento de Ihor durou 20 minutos, agonia prolongou-se por quase nove horas


Acusação do Ministério Público revela que imigrante ucraniano foi impedido de entrar em Portugal com um pretexto falso e foi espancado a soco, pontapé e bastonada quando estava algemado e deitado. Seguranças não intervieram porque tinham “temor reverencial” dos inspetores. Os três acusados da morte do imigrante tentaram encobrir o homicídio e mentiram a um magistrado.
...
... chamaram inspetores do SEF, que se limitaram a substituir a fita por lençóis.
...
Às 8h15 de 12 de março de 2020, e porque Ihor não dava sinais de se acalmar, os inspetores do SEF Laja, Sousa e Silva dirigiram-se à sala. Exigiram à segurança que não registasse a sua presença ali - "você não vai colocar aí os nossos nomes, ok?" - e mal entraram na sala voltaram a algemar Ihor e "desferiram no corpo do ofendido número indeterminado de socos e pontapés". Já com o homem no chão, "também com um bastão extensível, continuaram a desferir pontapés e várias pancadas" enquanto "aos gritos lhe exigiam que ficasse quieto".

"ISTO AQUI NÃO É PARA NINGUÉM VER"
Os gritos chamaram a atenção de alguns seguranças que foram corridos pelo inspetor Laja: "Isto aqui não é para ninguém ver". O espancamento durou vinte minutos. Quando saíram, "deixando o ofendido prostrado", os inspetores exclamaram "agora ele está sossegado" e "isto hoje já nem preciso de ir ao ginásio". O MP diz que o "temor reverencial" dos seguranças impediu que a situação fosse imediatamente denunciada.

De acordo com a autópsia, Ihor morreu por causa de inúmeras lesóes traumáticas e hemorragias internas "provocadas pelas agressões" dos três inspetores. O facto de estar algemado terá provocado a asfixia que o matou.




Ainda a propósito da pseudo-meritocracia em que vivemos

 


Trump, que herdou o dinheiro do pai e sem dúvida foi posto em Harvard com uma qualquer generosa doação do papá à universidade acha-se, no entanto, uma espécie de vencedor da vida, não percebendo que partiu largamente à frente de quase todos os outros. Agora está doente com o corona. Sem dúvida deve ter quatro médicos de serviço 24 horas por dia sem saírem da cabeceira dele mais 6 enfermeiros, dois dos quais só para olharem para as máquinas, mais a farmácia dos militares fechada só para ele de modo que, se não tiver muito azar, há-de sair bem disto e há-de convencer-se que é invencível e superiormente forte por vencer a doença, não percebendo nunca que desde que nasceu, sempre teve tudo preparado (mesmo que não fosse um desonesto) para que tudo lhe corra bem, podendo até ser um idiota incompetente - só precisava de não ter um enorme azar qualquer. Já a maioria dos outros, para que tudo não lhes corra mal, precisam de ter, só para chegar à situação de que ele partiu, uma enorme e improvável sorte.

Entretanto, aqueles a quem ele andou a infectar nestes dias em que já sabia que tinha estado em contacto com um caso positivo e não se deu ao trabalho de avisar ou sequer de andar de máscara, precisarão de sorte, muita sorte.

E é nesta falsa meritocracia que vivemos há dezenas de anos a criar um fosso de desigualdades.


Geringonça parte II?

 




Leituras pela manhã - The Insufferable Hubris of the Well-Credentialed

 



The Insufferable Hubris of the Well-Credentialed

A four-year university degree has become necessary for dignified work. Michael Sandel says that’s a huge mistake.


(...)
Critiques of meritocracy are on everyone’s lips right now. Why?

I think it’s partly due to the events of 2016. The populist backlash against elites was a big part of the vote in Britain for Brexit and the election of Trump in the U.S. That prompted a reflection on what it was about elites that many working people so resented.
(...)
The meritocratic hubris of elites is the conviction by those who land on top that their success is their own doing, that they have risen through a fair competition, that they therefore deserve the material benefits that the market showers upon their talents. Meritocratic hubris is the tendency of the successful to inhale too deeply of their success, to forget the luck and good fortune that helped them on their way. It goes along with the tendency to look down on those less fortunate, and less credentialed, than themselves. That gives rise to the sense of humiliation and resentment of those who are left out.
(...)
The tyranny of merit, you write, is “corrosive of commonality.” How can institutions like Harvard, where you teach — exclusive by design — contribute to the communitarian ethos you say would repair some of the defects in our version of a meritocracy?

I would distinguish two different problems here. One is the more familiar: We don’t live up to the meritocratic principles we profess. 

But even if we could remove all barriers to achievement, the meritocratic ideal would still be flawed. We have cast universities as the arbiters of opportunity. We have assigned them the role of allocating credentials and defining the merit that the wider society rewards — economically, but also in terms of honor, recognition, and prestige.

Society as a whole has made a four-year university degree a necessary condition for dignified work and a decent life. This is a mistake. Those of us in higher education can easily forget that most Americans do not have a four-year college degree. Nearly two-thirds do not.
(...)
Society as a whole has woefully underinvested in the forms of education that most Americans rely upon. That includes state colleges, two-year community colleges, and technical and vocational places of learning. It’s not only a matter of money. We also need to reconsider the steep hierarchy of prestige that we have created between four-year colleges and universities, especially brand-name ones, and other institutions of learning. This hierarchy of prestige both reflects and exacerbates the tendency at the top to denigrate or depreciate the contributions to the economy made by people whose work does not depend on having a university diploma.
(...)
I would put it this way. I would say that governing elites have had too much credulity in relying on technocratic expertise, especially on economists, whose faith in markets led to a false confidence about what they could achieve. I think political leaders generally, but the Democratic Party in particular, have been ill-served by too narrow a notion of technocratic expertise.

“It would be a mistake,” you write, “to think that higher education is solely responsible for the inequalities of income and social esteem we witness today.” But that raises a question — are elite colleges the right target at all? What about the decline of union power, for instance? Ballooning CEO pay? If things like that were addressed, couldn’t Harvard just go on as it is?

I want to emphasize this to avoid any misunderstanding: My main critique is of the way mainstream parties, Democrats and Republicans, have governed over the past four decades. Their uncritical embrace of market-driven globalization led to deepening inequalities which they addressed by offering upward mobility through higher education. My critique is of that governing project. Universities have been conscripted as the arbiters of opportunity, as the dispensers of the credentials, as the sorting machine.

The main solutions consist in things like strengthening unions. The broad solution is to reorient our politics away from dealing with inequality through individual upward mobility by higher education. That’s too narrow a response to inequality.

Cenas II

 




Cenas

 




October 02, 2020

O Salvador Sobral também entra neste filme

 


Aliás, desconfio que as personagem principais têm elementos dele e da irmã...

Isto é só rir...

 


Imagina se entrassem nas escolas... li que a renascença criou um site com as escolas que têm casos positivos de covid (calculo que com sintomas). Fui à procura daquelas que eu sei que têm e nenhuma consta do mapa...


Forças de segurança detiveram 14 pessoas por incumprimento das regras sanitárias em vigor

E a propósito de corrupção

 


Monumento da corrupção - Dinamarca

A corrupção cresce e engorda com a conivência da justiça e quem suporta os custos são os que menos têm.





via Teresa A.

Coisas preocupantes

 


Temos aqui um recurso que pode ser um instrumento de salvação ou de perdição. Seria prudente a cautela, passe o pleonasmo, na distribuição de fundos porque sabemos o que aconteceu com os fundos nos últimos dez anos - da parte que se sabe foram 2,3 mil milhões de euros desviados e, não estando a contabilizar os desvios de fundos no tempo de Cavaco, com as formações fictícias aos milhares de milhares. 

Ora, sabendo disso tudo (e dos Bes, BPNs e quejandos) e sabendo que os governos não têm incentivos à responsabilização dos corruptos (quem não se lembra das tentativas de calar o relatório do ex-ministro da economia e quem não vê membros dos governos chamar corruptos para o integrarem?) é evidente que estamos já com grande preocupação e a ver tudo o que vai correr mal. As autarquias fazem muita obra....  quem é que quer os tectos de obras de muitos milhões a desabar por erros grosseiros ou menos grosseiros, como ontem no metro? Ou a derrapar muitos milhões?

Hoje mesmo alguém do governo, calculo, já mandou o soba dizer que 'agilizar' os contratos é uma questão de eficiência. Pois claro... é com essa ideia de agilização que hoje lemos que Vieira -convidou-22-juizes-(magistrados da relação e do supremo tribunal de justiça) para-assistir-a-jogo-na-tribuna-presidencial?




as imagens não são minhas


Hoje é o dia do sorriso 🙂

 


Fui descobrir este, já com uns 8 anos, dentro de uma instalação da Joana Vasconcelos.




Filmes - Eurovision Song Contest: The Story of Fire Saga

 


Estive a ver este filme que é uma comédia  com drama à mistura- não sei classificar... é como o concurso Eurovisão (o filme é à volta disso) que é uma pirosada mas que tem à mistura grandes canções e grandes vozes e às vezes muito drama. O filme apanha isso tudo -o rídiculo, o cómico e o sério- e acaba com aquela música cantada pela Rachel McAdams, a Molly Sandén e o Will Ferrell. Mas o que se gosta no filme é que retrata os europeus muito bem: uma misturada de culturas com elementos grandiosos e outros rídiculos a conviverem uns com os outros muito bem. Enfim... ultimamente nem por isso. Seja como for, este clip é da melhor cena do filme onde os concorrentes vão a uma festa todos e cantam em conjunto. Acontece que nessa festa aparecem, pelo menos, uma dúzia de autênticos ex-concorrentes da Eurovisão, uns que ganharam, outros não e, é nessa festa que uma pessoa se apercebe do lado culturalmente vivo e tolerante, próprio da cultura europeia na sua melhor versão. Uma espécie de cacofonia que resulta harmoniosa. Um filme optimista. Muito giro. Ver o Dan Stevens fazer de cantor russo com a mania das grandezas sempre vestido de ouro e de camisa aberta a cantar pomposamente, com uma voz wagneriana, aquela música horrível dos Abba... completamente cómico :)

What glorious voice!

 


Quem canta a música é a Rachel McAdams com a ajuda, nas notas altas, da cantora sueca Molly Sandén que tem uma voz gloriosa.

djesus

 


Estamos aqui com um crise de bicho que entrou em casa há bocado... chamei a M., muito cobardemente e à beira de alguma histeria... e agora estou aqui escondida à espera que ela trate do assunto... not proud of myself...