July 21, 2020

Flying swiftly



Alex.Colville

Nocturna






Não, ontem não, nem antes de ontem, nem no dia anterior



... mas já aconteceu, sim. Mas é raro.


— Wislawa Szymborska, in: Um Amor Feliz. (Companhia das Letras, 2016, pág. 255)











Metamorfoses surrealistas?




ahah Acho que esta é a Criação mais bizarra que já vi



The Creation of Eve. c.1480-c. 1493
Maestro Bartolomé (Spanish)
Oil on panel
The University of Arizona Museum of Art

Original commission by Cathedral of Ciudad Rodrigo, Spain.

Uma pintura diz muito da mentalidade, das crenças, das esperanças e dos medos de quem a fez.


Acho que nunca tinha visto uma 'Criação de Eva' tão... estranha.
Adão está a dormir ferrado depois do almoço (barriguinha cheia), Deus (a ostentar riqueza) e com ar de quem vai vomitar, abre-lhe uma cratera nas costelas que lhe deve ter levado o baço e mais qualquer coisa e faz sair de lá a Eva que, ou é da minha vista ou tem um dos peitos a sair directamente do pescoço. Vem já com um ar miserável, sabendo o que a espera no mundo dos homens da fé. Uma das pernas de Adão tem lá dentro um pão alentejano. Entretanto, uma vaca (os cornos da vaca têm muito que se lhe diga), um cavalo, um carneiro e um galo, estão demasiado interessados no buraco de Adão. Um leão com ar de demónio e um pássaro gigante de uma só perna gritam (o leão ruge). Lá atrás, uns corvos com ar ameaçador atacam-se uns aos outros. Se isto é o paraíso, vou ali e já venho. 
Esta obra foi uma encomenda, o que significa que alguém a viu e deu o ok a esta visão bizarra da Criação de Eva enquanto Adão cochila com um pão alentejano na perna :))) 
Esta pintura faz-me lembrar aquela música popular açoriana que começa assim:

Eu nasci à Sexta-Feira
de barbas e cabeleira
mais parecia o Anti-Cristo
até o senhor padre cura
que é homem de sabedura
nunca tal houvera visto.

Fantásticamente bizarro e revelador. Agora ando a namorar um livro de preço proibitivo, mesmo tendo em conta as 800 páginas ilustradas e os textos excelentes:


- a maneira como um período de um milénio e qualquer coisa imaginou o paraíso e o inferno com os seus anjos e demónios explica muito dos percursos da construção humana.


Angelus & Diabolus


Life options


















Filosofia...

Shattered



... but with life inside, hence, hopeful.

photo-by-Joao-Freitas-Valle

Já começou



Ainda o dinheiro não chegou e já fogem de prestar contas. Vai uma vez a cada dois meses para não se incomodar com essa chatice da democracia e depois, há partidos que só têm 3 minutos para fazer perguntas... enfim... o PSD já se está a ver com a mão no saco do dinheiro porque 7 anos é muito tempo... uma pessoa queria muito ter respeito pelos políticos do país mas é difícil...


"Bloco central" aprova fim dos debates quinzenais. Primeiro-ministro no Parlamento só uma vez a cada dois meses /premium

Votação ainda vai ser confirmada esta tarde, e ratificada em plenário na quinta. Certo é que a partir de setembro, o PM deixa de ir ao Parlamento a cada 15 dias. "Bloco central" uniu-se contra todos.

Sou só eu que penso que isto vai ser um fartar vilanagem...



... e que o próximo governo vai ter 320 ministros que vão construir 20 comboios TGVs e 7 aeroportos mas nem um tostão vai parar à escola pública ou ao SNS? Ahhh e vamos aumentar, (in)explicavelmente, o número de milionários? Que se vai escoar tudo num ralo de ajustes directos amigáveis?


Portugal com acesso a 45 mil milhões a fundo perdido nos próximos sete anos

Algarve receberá programa específico de 300 milhões de euros, financiados pelos fundos da coesão. Portugal obtém, entre fundo de recuperação e QFP mais de 45 mil milhões a fundo perdido da UE. Mas ainda pode recorrer a 10,8 mil milhões de empréstimos.



Situações que dizem muito acerca do lugar da cultura em Portugal



Ando aqui há algum tempo à procura do discurso de aceitação do prémio Nobel de Bertrand Russel em versão portuguesa e não encontro. Encontro a original, em inglês e também encontro em espanhol, mas não em português. Não é como se Bertrand Russel tivesse sido uma figura menor da cultura a nível mundial, muito pelo contrário. Não por acaso, quando falo com alunos acerca de trabalhos e de como fazer pesquisas na internet, digo-lhes sempre que é provável não haver informação em sites portugueses e que o melhor é irem a sites brasileiros ou ingleses, se souberem razoavelmente inglês. Digo isto com alguma tristeza, mas temos que ser pragmáticos nestas coisas. Quanto aos discursos de aceitação de laureados, encontra-se o de Saramago e pouco mais.

About cruelty - A philosopher’s perspective



Something can be cruel, in the first instance, without being unjust; we can be cruel towards those to whom we have no particular duties of political equality. Indeed, Michel de Montaigne, the 16th century humanist – and Judith Shklar, his 20th century intellectual descendant – both took cruelty to be a natural human failing, which has a particular home in those spaces in which people are not predisposed to think of each other as moral and political equals. We are, said Montaigne, often tempted towards cruelty towards those who are vulnerable to us; it is the fact of their vulnerability, in part, which makes us want to hurt them. The desire to hurt, moreover, is at the heart of what cruelty is. All policy – no matter how well-designed – will cause pain to some people; the goal for public policy is to figure out how to design that policy, so that the pain is minimized (and distributed fairly). Cruel policies, though, take the hurt of some people to be, not a necessary evil, but a positive good; cruelty, as Montaigne has it, involves taking the pain of one’s enemies to be a sort of spectacle, watched for enjoyment, rather than regretted and subjected to public justification.

A philosopher’s perspective on the cruelty of Donald Trump’s immigration policies
BY MICHAEL BLAKE

Livros para 'dog lovers'



Coisas que se descobre em casa sem saber que se tinha.



Parece que ontem fez uma grande trovoada



Não dei por nada.

Visions of Earth






North Cascades National Park, Washington, USA

July 20, 2020

Abandoned beauties



Basta um bocadinho de imaginação e pode-se escrever um conto ou uma grande história a partir desta fotografia, de tal maneira ela é ricamente evocativa e densa com elementos estéticos, históricos e dramáticos. Até o cheiro do soalho conseguimos sentir. É uma tentação.

fotografia da net em 'abandoned beauties'

"Por que havemos de ser unicamente humanos?" II



Alexander o Grande nasceu neste dia em 356 AEC. 
Esta cabeça de mármore mostra-o barbeado, estilo revolucionário na época, mas que permaneceu na moda até ao reinado do imperador romano, Adriano.  
Esta cabeça foi encontrada em Alexandria, a cidade que fundou no Egipto. 



Marble portrait head of Alexander the Great. 
Found in Alexandria, Egypt, 2nd – 1st century BC. 
Find out more: http://ow.ly/raYB30qWwNg


Alexander The Great

There once was a Macedon lad
Whose mind was a trifling mad.
At twelve years of age, 
He fancied it sage
To render Bucephalus glad.

The boy on his horse would aspire
To better his average sire.
King Philip was mild
Compared to his child, 
Whose spirit consumed like a fire.

At twenty, the bellicose man
Embarked on a grandiose plan.
With dagger and shield
And soldiers to wield
His empire swelled quite a span.

In Egypt, where ships ever sail, 
He carried the crook and the flail.
In Persia he led
As Darius fled
Like a dog with a quivering tail.

There never was fortress to stall
The lord with a lust for the brawl.
He seized with a slam
Of his battering ram
An island surrounded by wall.

But in India vigor was spent
And soldiers began to dissent.
They pleaded, "No more! 
We're tired and sore."
The conqueror sulked in his tent.

Conceding at last to his fate, 
He ordered his men to abate.
Along their way back
A germ would attack
And overtake Alex the Great.

© 2007 All rights reserved 



Por que havemos de ser unicamente humanos?



Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar. Por que
havemos de ser unicamente
humanos, limitados em chorar?
Não encontro caminhos fáceis
de andar. Meu rosto vário
desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar.


Cecília Meireles


A imagem pode conter: oceano, céu, planta, ar livre, natureza e água

Fotografia: adaavo - instagram

Praia das Bicas, Sesimbra

via Mar da Palha

Arquitectura da cor - optimismo e esperança





Architecture of Color: The Legacy of Luis Barragán
(1902 - 1988, Mexico)


Isto a mim choca-me




Parece que a professora Isa é a única que não gosta de ler...

Como é que uma professora que ensina as primeiras letras não gosta de ler? Iram-se os comentários nas redes sociais.
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Como é que um professor pode ensinar sem nenhum entusiasmo por aquilo que ensina? Um professor que diz aos alunos que não gosta do que vai ensinar, desvaloriza a disciplina e, por consequência, desmotiva-os imediatamente. Tendo em conta que esta é uma professora da escola primária, isso ainda é mais sério, porque sendo mais velhos, portanto, menos dependentes do professor, os alunos podem aguentar muito bem um professor desmotivador, mas enquanto são muito novos imitam muito os educadores, de modo que isto faz mossa no entusiasmo e vontade de aprender dos alunos. 
Nem sequer percebo que um professor não goste de ler. 
Um professor define-se, em grande parte, pela vontade de aprender, de perceber e de passar essa necessidade e gosto aos alunos. Ora, se ele é o primeiro a não gostar de ler, como pode aprender e passar esse gosto aos alunos?
Se calhar é uma professora que não gosta de ser professora. Isso é o que não falta e não é ilegal: pessoas que não gostam da profissão que exercem e o fazem por necessidade de sustento e nada mais. Se calhar até são a maioria dos profissionais de todas as profissões. Mas se é esse o caso desta professora, não gostar da profissão, não devia dizê-lo nem mostrá-lo para não afectar os alunos, porque mesmo que se exerça uma profissão de que não se goste, deve-se ter profissionalismo e pode-se ter brio no trabalho.
Não me choca que uma pessoa não goste da sua profissão, choca-me a falta de profissionalismo.

Porque é que ninguém já compra jornais? Porque os jornalistas são microfones dos governos e para isso já basta a porcaria da TV



A decisão das escolas da Galiza (mais abaixo) é uma resposta aos sicofantas que pululam no jornal do governo e escrevem artigos à medida dos trumpistas do regime, como este: A banhos com a realidade - Muitos pais acham que o risco é aceitável perante o dano que é ficar em casa. Será que os professores não conseguem o mesmo? David Pontes

Muitos políticos achavam aceitável o risco com o BES... os jornalistas também achavam... vê-se no que deu o seu achismo...  muitos pais e articulistas acham aceitável o risco porque não trabalham nas escolas e nem sequer percebem os riscos. 

Penso que todos os professores, mais que estes articulistas que não sabem nada de educação, a não ser o que lêem nos jornais, nem académica nem empiricamente, percebem os riscos de os alunos ficarem em casa e querem regressar às escolas. Não querem é fazê-lo com o governo a recusar-se a promover e custear condições de segurança mínimas: recusam desdobrar as turmas para que se possam cumprir as distâncias mínimas entre alunos e entre eles e o professor, desencontrar horários, não dizem quem vai pagar as máscaras e viseiras (ou é do nosso salário congelado há 10 anos que vamos pagar 100 euros por mês, como pagámos a internet e os equipamentos informáticos no 3º período?), não dizem se vai haver pessoal nas escolas em quantidade para assegurar a desinfecção dos espaços, etc.

O contrato de professor não é um contrato de soldado e até esses, que se alistam para a guerra aceitando o risco de morte como parte do seu trabalho, têm armas para se defenderem. Não vão para o trabalho desarmados e à sorte, que é o que nos estão a pedir. E porque nos pedem isto? Para não gastar dinheiro com a educação. Há sempre dinheiro para muita coisa mas nunca para a escola pública. 

Porque é que não tenho respeito nenhum por este articulista ignorante? Porque em vez de chamar cobardes aos professores, que é o que está a fazer, podia usar o espaço de um jornal nacional para chamar a atenção para a falta de condições das escolas e para o facto de governos sucessivos desprezarem a educação e a usarem apenas para poupar dinheiro e cozinhar tabelas de sucesso. Mas para isso era preciso haver substância entre as duas orelhas.


Na Galiza:

Directivos de colegios públicos rechazan el protocolo de la Xunta contra el covid por falta de medios

La dotación de medios económicos y de personal que establece a Consellería de Educación en el protocolo contra el covid-19 para el inicio del próximo curso escolar «é nula». El colectivo que aglutina a los equipos directivos de los colegios de enseñanza pública (Fegadicep) ha mostrado su rechazo a las medidas presentadas y de aplicación desde septiembre porque, junto a las deficiencias presupuestarias y de personal, entiende que la Administración gallega «trata de derivar as responsabilidades aos equipos directivos e ao profesorado».

Fegadicep se refiere a que los docentes comenzarán la actividad educativa sin que se concreten las dotaciones necesarias en lo que se refiere a las medidas de protección que recomiendan tanto el Ministerio de Sanidad como la OMS. El protocolo aconseja el uso de mascarillas e incluso pantallas protectoras, pero no se especifica si habrá remuneración para ello.

Otro aspecto que preocupa a los directivos se refiere al cumplimiento de las medidas de higiene. El documento, aseguran, no concreta si habrá asignación de personal específico para ello. Se trata, insisten, de un servicio que, en los centros de infantil y primaria prestan los ayuntamientos, que son los que contratan estos servicios. Se preguntan si van a ser las propias empresas quienes amplíen sus plantillas para limpiar los aseos tres veces al día o si, por el contrario, será el profesorado quien deba encargarse de ello. Un extra que hay que planificar también en el caso de que se detectase algún alumno o trabajador con síntomas de haber contraído el coronavirus. «Preténdese que sexa o profesorado quen limpe os espazos e material utilizado polo alumnado? Quen realiza a tarefa de limpeza do material?», se preguntan.

Tampoco se podrá cumplir la normativa en materia de distancia de seguridad en las aulas para infantil y primaria. Argumentan que las clases no tienen capacidad suficiente para separa los pupitres o para albergar a los niños de la primera etapa educativa, pues, en este caso comparten mesas comunes, sostiene Fegadicep.

La falta de renovación de equipos informáticos ya obsoletos impedirán, en el caso de que hubiese que poner en práctica de nuevo la formación telemática, que los docentes puedan normalizar esta modalidad porque, insiste el colectivo, ya han tenido que afrontarlo con medios propios.

Además, recuerdan que mantener el servicio de comedor implicaría más colaboradores y servicio de limpieza extra habida cuenta de que habría que desdoblar más turnos para los comensales. Tampoco creen operativo el transporte escolar, ya que es compartido por alumnado de distintas etapas y no resultará factible mantener las distancias de seguridad necesarias.

En definitiva, los equipos directivos integrados en la asociación, entienden que el protocolo presentado por la consellería «denota o descoñecemento do funcionamento interno dos centros e pretende desenvolver o vindeiro curso con total normalidade e a custe cero primando a función conciliadora dos centros educativos», por lo que de iniciarse la actividad académica en estas condiciones será, a su juicio, inviable en muchos casos, y «verase minimizada».