July 14, 2020

Elle King - hell of a voice... lotta a soul


Esta mulher tem 10 vozes diferentes.


MAGA



(make America great again)


A pior pessoa para se ter à frente de um país numa crise grave



Não só está à frente de um país como está à frente do mundo.


Quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga



A última vez que comi batatas fritas foi em Fevereiro. Fui jantar fora a um restaurante que nem sequer gostei muito porque é para carnívoros muitos convictos, o que não é o meu caso. No entanto, o restaurante tinha as melhores batatas fritas que comi em anos e anos. Com oregãos. Fantásticas. Sequinhas, estaladiças e bem cozinhadas. Nesse dia o jantar foi um snack à belga: batatas fritas e uma cerveja. É uma comida que nunca faço em casa -coisas fritas-  e é preciso ir a um restaurante para comê-las. Bem, hoje resolvi jantar um snack à belga e comer umas batatas fritas para desenjoar dos iogurtes, dos queijos brancos, das saladas... e para compensar um bocadinho a tortura de ontem... mais uma. Não me apetecia cozinhar. Epá, tortura foi conseguir comer umas batatas e acho que não devia ainda ter bebido álcool. Como dizia o Variações, quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga. Bem, serviu-me de emenda. Talvez :)

O novo ministro da educação do Brasil



Uau! Isso é um grande benefício. Os outros que não tiveram acesso a essas universidades, naturalmente nunca vão saber o que é SEXO😉😂😂😂😂😂😂😂

No dia da Bastilha II - O assassinato de Marat



O assassinato de Marat definiu a Revolução Francesa



‎Jacques-Louis David, Death of Marat (1793). Collection of Royal Museums of Fine Arts of Belgium.
‎Jacques-Louis David, Death of Marat (1793). Collection of Royal Museums of Fine Arts of Belgium. 
Em 1793, Jacques Louis David,o pintor oficial da Revolução Francesa, pintou A Morte de Marat o propagandista revolucionário, como um tributo ao seu amigo assassinado. 

O assassinato deu-se durante o Terror da Revolução Francesa e a representação de David foi usada como propaganda jacobina. Marat foi morto por Charlotte Corday (à punhalada), que conseguiu entrar em sua casa com a promessa de lhe ir contar podres dos inimigos da revolução. Ele é representado na banheira porque sofria de um problema de pele e estava no meio do tratamento. O papel que ele tem na mão a pingar de sangue mostra um pedido de ajuda de Corday e é ali posto como prova da sua traição. 


David inspirou-se em Caravaggio. Durante a revolução, que em parte também foi contra a igreja, a iconografia religiosa estava proibida, mas Caravaggio ajudou Marat a aparecer como um mártire.


Caravaggio, Entombment of Christ (1603). Collection of the Vatican Museum.
Caravaggio, Entombment of Christ (1603). Collection of the Vatican Museum.

Caravaggio, <em>Mary Magdalen in Ecstasy</em> (1610). Image via Wikimedia Commons.
Caravaggio, Mary Magdalen in Ecstasy (1610). Image via Wikimedia Commons.

No entanto, durante muitos anos, quem foi celebrada foi Corday e não Marat. No quadro de David ela não é representada. No julgamento ela alegou tê-lo morto para parar o Reino de Terror que ele instigava. Matei um homem mas salvei cem mil, disse ela, antes de ser enviada para a guilhotina. Foi o seu último desejo, ser retratada. Quem o fez foi Jean-Jacques Hauer, da guarda-nacional, umas horas antes da execução.


Jean-Jacques Hauer, Charlotte Corday (1793). Courtesy of Wikimedia Commons.
Jean-Jacques Hauer, Charlotte Corday (1793). Courtesy of Wikimedia Commons.

Nas décadas que se seguiram David teve que esconder o quadro de Marat pois ela era objecto de admiração, de poesia, de pinturas. Em meados do século XIX chamavam-lhe O Anjo do Assassinato.

Paul Baudry põe-a dentro da cena do assassinato em 1860. 

Paul Jacques Aimé Baudry, <em>Charlotte Corday After the Murder of Marat </em> (1860). Courtesy of Wikimedia Commons.
Paul Jacques Aimé Baudry, Charlotte Corday After the Murder of Marat (1860). Courtesy of Wikimedia Commons.

Jean-Joseph Weerts também pinta O Assassinato de Marat (1880), pondo Corday frente a uma horda de revolucionários em fúria.

Jean-Joseph Weerts, <em>The Assassination of Marat</em> (1880). Image via Wikimedia Commons.
Jean-Joseph Weerts, The Assassination of Marat (1880). Image via Wikimedia Commons.

A famosa pintura de David esteve numa certa obscuridade até à sua morte em 1825. A família até tentou vendê-la, sem sucesso. Foi Baudelaire, considerado um dos primeiros críticos de arte, bem como um poeta modernista que revigorou o interesse do público pela obra. Em 1846, depois de ver uma pequena exposição de obras de David e Ingres em Paris, escreveu uma ode à pintura que punha a sua verdade emocional acima das políticas do dia.


"O divino Marat, um braço caído para fora da banheira segurando frouxamente a sua última pena, o peito perfurado pela ferida sacrílega, acaba de dar o último suspiro. Na mesa verde colocada diante dele, a mão ainda segura a carta pérfida: "Cidadão, basta que eu esteja muito infeliz para ter direito à sua benevolência"; a água da banheira tingiu-se de sangue, o papel ensanguentado; no chão, uma grande faca de cozinha encharcada de sangue; sobre um suporte miserável de pranchas que compunham a mobília de trabalho do incansável jornalista, lê-se: A Marat, David. Todos esses detalhes são históricos e reais, como um romance de Balzac; o drama está lá, vivendo em todo o seu horror lamentável, e por um estranho tour de force que torna essa pintura a obra-prima de David e uma das grandes curiosidades da arte moderna, não tem nada de trivial ou ignóbil.
O mais surpreendente desse poema incomum é que ele é pintado com extrema velocidade e, quando pensamos na beleza do desenho, há algo que confunde a mente. Este é o pão dos fortes e o triunfo do espiritualismo; cruel como a natureza, este quadro tem todo o perfume do ideal. Que fealdade apagou a santa Morte tão rapidamente da ponta de sua pena? Marat agora pode desafiar Apolo, a morte acabou de beijar seus lábios amorosos e ele descansa na calma da sua metamorfose. Há algo de terno e pungente nesta obra; no ar frio desta sala, nas suas paredes frias, em torno deste banho frio e fúnebre, uma alma esvoaça. Permitem-nos, políticos de todos os partidos, e vocês, liberais ferozes de 1845, abrandar diante da obra-prima de David? Essa pintura foi um presente à pátria chorosa e as nossas lágrimas não são perigosas."

Baudelaire, Le musée classique du Bazar de Bonne-Nouvelle - (tradução minha - daqui)
fonte: artigo de Katie White, July 14, 2020

No dia da Bastilha



Cântico de Humanidade

Hinos aos deuses, não.
Os homens é que merecem
Que se lhes cante a virtude.
Bichos que lavram no chão,
Actuam como parecem,
Sem um disfarce que os mude.

Apenas se os deuses querem
Ser homens, nós os cantemos.
E à soga do mesmo carro,
Com os aguilhões que nos ferem,
Nós também lhes demonstremos
Que são mortais e de barro.

Miguel Torga, in 'Nihil Sibi'

Este país assim não tem futuro


A Madeira vive do turismo, de modo que está tudo parado (desemprego-afectam-45-populacao-activa-madeira)
Entretanto andamos a pagar ministério, gabinetes, chefes, assessores e o mais que vem com o cargo à ministra filha do pai para ela fazer de assessora de imprensa e ter uns projectozinhos de vigiar o ódio... outros ministros e secretários de Estado deste governo de Versailles, nem sabemos deles.

Higiene diária



′′ Todos os dias, pelo menos, ouvir uma pequena canção, ler um poema bom, ver uma pintura maravilhosa e, se for possível, falar uma palavra sensata."
- Goethe












imagem da net

Portugal por aí II



Veja-se o que está a acontecer na Quinta do Braamcamp no Barreiro. Zona REN, DPH, e com parte pertencente à APL. Uma Quinta adquirida pela autarquia em 2016 para a população. Vêm estes novos senhores e querem logo metê-la à venda para condomínios de luxo. A mesma pessoa que assinava a favor da compra em 2016 e onde se dizia que a Quinta era para os barreirenses e tinha de ser protegida da especulação imobiliária. No processo da atual venda vem referir um estudo do ex-presidente da Quercus em que o mesmo refere que a Quinta não tem valor ambiental considerável. O mesmo documento polémico que deu início à saída do ex-presidente da Quercus. É com base nas declarações do amigalhaço que se mete uma Quinta à venda. Nenhum estudo de impacto ambiental adequado. Apenas um favor do ex-presidente da Quercus. Onde nem se fala da fauna, sem dúvida a maior riqueza da Quinta. Dizem estes autarcas que a Quinta não vale nada ambientalmente. Mas depois dizem que para construir 32 prédios, um hotel, um aparthotel e um campo de futebol, que ocupam literalmente toda a Quinta, aí já vão proteger as árvores, os ninhos e abrigos das aves e a grande caldeira onde estas se alimentam. Que vão proteger a colónia de garças, o peneireiro, as garças-reais as poupas, as pegas rabudas, as íbis negras, etc. Mas a Quinta não tem nada...🤨 Como se fosse possível não destruir tudo. A Quinta nem está urbanizada para o efeito. Vão reboĺver tudo. O campo de futebol fica mesmo na zona das garças. Enquanto tivermos este tipo de pessoas à frente das instituições Portugal nunca vai melhorar. 

Helena Salgueiro

Portugal por aí


Marmitas de gigante. 

É o Corona?



Não. É só um cão 🐕


Isto tem piada 😁



O filho de Trump foi preso em 2001 por conduzir bêbedo na Hillary Street 😁.






via.Malcolm Nance

What??



Estas pessoas andam distraídas ou dizem o que gostariam que acontecesse? É que foi o oposto: foi claramente dito que voltam todos às escolas sem medidas nenhumas de segurança excepto usar máscara.

Condições de forma justa e responsável imperativas ao combate do vírus era o que queríamos, sim.

------------------------------------

Assim como foram definidos os calendários escolares, assegurando que os alunos regressarão aos estabelecimentos de ensino em setembro, respeitando e cumprindo os novos procedimentos adaptados a cada estrutura/equipamento, tudo o resto deveria ser analisado de acordo com as suas especificidades e regressar ao normal funcionamento dentro deste quadro em particular.
...
Criem-se as condições, através de regulamentação, analisando caso a caso, da abertura e funcionamento de espaços, de forma justa e responsável. 
...
Todos os dias se ouve que o País tem que andar para a frente. Mas só pode continuar o seu caminho se forem criadas as condições para que tal aconteça e dentro dos limites que são imperativos no combate ao vírus do séc. XXI.

Serenity Nebula



by Casperium

Como plantar uma floresta - cada um pode ser um agente de mudança



Não podemos pensar globalmente porque é muito deprimente [o estado do mundo] mas se pensarmos localmente, se perguntarmos, 'o que é que eu posso fazer, na minha comunidade, no meu espaço', há muita coisa que podemos fazer.'

Jane Goodall (ouvido agora mesmo)







Woman Spends 28 Years Creating A Lush Forest That Solved Her Village’s Water Woes!



O projecto de floresta de Jayasree, ao qual chama, 'Projecto Felicidade' tem mais de 50 variedade de árvores que ajudaram a reduzir o problema da falta de água na sua terra, Mavelikkara, Kerala!

Partir e voltar a casa

Jayasree, 54 anos - 'Os meus pais casaram-me aos 18 anos e tive de desistir da faculdade para ir atrás do meu marido para o Qatar onde ele arranjou trabalho. Oito anos depois voltámos a Kerala.' 

Depois de voltar começou a notar que a terra estava a ficar estéril com falta de água. 'Foi quando arranjei um rebento de teca e o plantei'. 

Muitos dos parentes de Jayasree criticaram a ideia de plantar tecas em vez de plantar tapioca para aumentar o rendimento da família. Para além de que não era comum plantar-se árvores a não ser de agricultura.

Entretanto, o seu filho mais velho foi diagnosticado com autismo e era difícil ajudá-lo. O projecto da floresta tonou-se o seu projecto de felicidade durante esses anos stressantes.

Mais tarde, o marido morreu. Com os dois filhos pequenos e sem ninguém em quem se apoiar a floresta tornou-se a sua fonte de positividade e ajudou-a a sentir-se viva outra vez.

O seu projecto de felicidade é agora o lar de 50 espécies de árvores como a teca, o mogno, a manga, a figueira de Bengala, a jaqueira selvagem, etc. Para além de árvores também plantou plantas medicinais.

Agora que os filhos cresceram, ajudam a mãe sempre que podem. Um dos filhos está a preparar-se para exames, outro é professor na universidade.

Os parentes e vizinhos que a criticaram agora louvam-na porque a sua floresta resolveu-lhes o problema da água . Nunca mais houve falta de água. Em 2000 era preciso cavar poços muito fundos para alcançar um bocadinho de água, mas hoje-em-dia, mesmo no Verão, nunca há falta de água. A capacidade de retenção de água da floresta encheu os lençóis de água subterrânea da área.

Quando lhe perguntam pelo esforço de manter uma floresta, responde que as folhas secas juntamente com o estrume das vacas fazem da floresta um sistema de auto-subsistência.

'Encontrei consolo na floresta durante 28 anos e quando as pessoas me perguntam como consegui fazê-la, respondo que foi por pura felicidade.'

July 13, 2020

Like brothers in arms



Rangers com gorilas no Congo. Fotografia extraordinária. Há cumplicidade entre os humanos e os gorilas. Vê-se na expressão, na colaboração e no à-vontade de uns com outros. Os gorilas adoptaram a postura bípede humana e à primeira vista parecem humanos com um fato de gorila. De facto, somos todos parentes neste planeta. Este nível de envolvimento e cumplicidade entre os seres humanos, os outros animais e a natureza, é o que nos há-de salvar.


by Quick Turtle

A Rothko silence





Mark Rothko
Untitled Blue
1968
Oil on paper mounted on canvas

Isto é um erro tão grande



Why does philosophy have a problem with race?

Unthinkable: Racist views must be confronted honestly, says philosopher Aislinn O’Donnell




No longer can one pretend that the Enlightenment figure David Hume was speaking out of character when he ranked black people as “naturally inferior to the whites”. Nor can one pass off Immanuel Kant’s lowly regard for “the Negroes of Africa” as an aberration. Nor indeed can Voltaire’s anti-Semitism and offensive baiting of non-whites be treated like a minor blip in an otherwise unblemished intellectual record.

As John Gray writes in his book Seven Types of Atheism, “Voltaire’s racism was not simply that of his time. Like Hume and Kant, he gave racism intellectual authority by asserting that it was grounded in reason.”

Philosophy has largely been taught through the eyes of male, pale thinkers. Is it time for an overhaul?

Aislinn O’Donnell: “Philosophy departments’ lack of diversity when it comes to both curricula and staff
------------------------------------------

Querer ajustar contas com os filósofos por terem sido racistas. Também foram machistas. Ainda ontem fui dar com uma frase de Hegel -A mulher pode ser educada, mas sua mente não é adequada às ciências mais elevadas, à filosofia e algumas das artes- chocante. Hegel viveu até quase meados do século XIX. Mas pior que Hume, Kant ou Hegel serem racistas ou machistas, são os autores contemporâneos ainda o serem. Na semana passada li um livro de Byung-Chul Han, um pensador coreano que vive e ensina na Alemanha, chamado, A Agonia de Eros. O autor fala da tendência actual de se reduzir os sentimentos a emoções e afectos positivos e superficiais e da importância da negatividade no que é autêntico e conclui dizendo que o amor se efeminou... quer dizer, as mulheres só são capazes de emoções fúteis e pueris e infectaram os homens com essa incapacidade. Que diabo! Como não podemos partir do princípio que o indivíduo não se dá conta do seu machismo, só podemos concluir que não se dá conta da sua estupidez. No entanto, o livro tem muitas ideias que me parecem válidas e certeiras. É claro que este indivíduo não é Hume, nem Kant, nem Hegel. É só um pensador. Para mim um filósofo é outra coisa. Mas eu aproveito do livro as ideias que me parecem bem pensadas e não renego o que me parece bem pensado só porque o homem é um machista idiota. Nem percebo essa maneira de pensar. Se fossemos a rejeitar os autores machistas, em todas as áreas da cultura, sobravam uns cinco...

Tem que se aceitar que os homens, e em particular, os brancos, na generalidade, sobretudo de uma certa idade, têm uma grande incapacidade de se des-subjectivarem, são muito auto-centrados e por isso falta-lhes compreensão e respeito pela alteridade da humanidade. 

A ideia de que os filósofos são sábios está tão impregnada na mente que em geral não se lhes perdoam estes erros. Ou melhor, não se lhes reconhecem erros, de modo que estas particularidades de carácter aparecem como pecados que têm que ser constantemente purgados.

O que interessa dizer vinte vezes que os filósofos eram racistas ou machistas? Ou que viveram num tempo de colonizadores e que não rejeitaram essa visão, até a aceitaram? Basta sabermos uma vez. 
É mais importante tentar perceber porque é que essas pessoas que tão bem pensam em tantas dimensões da realidade, não conseguem pensar-se fora da cultura que os formou e livrar-se dos seus preconceitos. Isso e diversificar os departamentos que, como se diz no artigo, têm uma falta de diversidade que não ajuda ao debate de ideias.

Não me faz mossa nenhuma ler as barbaridades que esses indivíduos, e até algumas mulheres, dizem sobre as mulheres. Hanna Arendt, numa entrevista que anda no YouTube, diz que as mulheres que têm profissões masculinas perdem a feminilidade ou algo do género, agora não me recordo ao certo se eram as profissões se era outro aspecto. Era uma mulher com um intelecto muito forte mas com uma mentalidade, em muitos aspectos, do seu tempo e não estava habituada a ver as mulheres a fazerem certas coisas e essa visão colidia com a sua estética de vida. Isso não retira valor ao seu pensamento, embora seja uma pena, claro.

Na verdade, o que me surpreende são aqueles que escaparam ao 'enformamento' das suas pessoas no processo de socio-endoculturação. Um dia li um livro italiano de memórias, do fim da Idade Média, escrito por uma mulher. Já não me lembro que livro era. Acho que é duma colecção que tenho de livros escritos por mulheres de outras épocas. A mulher contava que os pais a casaram muito nova, com 14 anos ou 15. O marido tinha quase 40 anos. Na noite do casamento o marido disse-lhe para ela não se preocupar que não ia forçá-la a dormir com ele, que esperava até ela ser mais velha e estar preparada. Que achava mal os pais casarem as raparigas muito novas, que era uma grande violência. Disse-lhe que não tinha pressa em ter filhos e que se os pais perguntassem ela que dissesse que estava tudo bem. Ela falava disto com um grande carinho por ele e lembro-me de ter ficado estupefacta. Parecia um discurso actual e invulgar, mesmo nos nosso tempos. Não estamos à espera que um homem, sobretudo em tempos remotos, tenha esse tipo de compreensão, de capacidade de se des-centrar, de respeito e delicadeza. 

Ainda hoje, a maioria dos homens de uma certa idade são machistas, paternalistas e vêem as mulheres como 'pessoinhas' de modo que esperar que outros de outros séculos fossem capazes de ver fora do seu tempo, é um exercício inútil e, quanto a mim, errado. É uma perda de tempo e não se ganha nada em sabedoria com isso. Uma pessoa não  deita fora as pinturas de Gaugin só porque ele era um porco esclavagista e um ordinário. Sabemos que o era. Podemos pôr uma nota informativa ao lado das suas pinturas, para ajudar à verdade do autor, mas isso não retira valor às pinturas. 

Hume, Kant e Hegel eram pessoas d seu tempo, por muito que isso nos custe, mas isso não retira valor às suas obras.