March 14, 2020

Coisas boas





Metropolitan Opera, After Shutting Its Doors, Will Offer Free Streams From Live in HD Catalog

Although the Metropolitan Opera has brought down the curtain at least through the end of the month over COVID-19 concerns, the New York City institution will offer another way for audiences to take in its performances.

Intermezzo: about love




Defend love as a real, risky adventure’ – philosopher Alain Badiou on modern romance

"Love is a lesson of courage. All that is true is rare and difficult."
For the French philosopher Alain Badiou, romantic love is ‘the most powerful way known to humanity to have an intimate relationship with another’. Love, he believes, creates a state of dependence that is an important counterweight to modernity’s emphasis on individuality. In this short film from the UK director William Williamson, Badiou argues that today’s approach to relationships, with its consumerist tendency to focus on choice and compatibility, and the ingrained refrain to move on when things aren’t easy, means that we need a philosophical reckoning with how we think about love. To make his point very specific, Badiou points to the ever-growing prevalence of online dating services that claim to offer algorithmic matching of partners, a way of seeking love that, he thinks, drains love of one of its most vital qualities – chance.
Director: William Williamson

Stay positive, stay indoors, read a book :)

















Angel Luis Morales Ayllón

Relativamente às máscaras



Parece-me evidente que o uso das máscaras é a melhor medida para evitar ser contaminado por outros que se mantêm próximos e respiram o mesmo ar que nós. Nessa medida, como se fez em Macau, devia ser obrigatório sair à rua com elas. É por essa razão que mantemos distância de dois metros, pelo menos, uns dos outros: para não respirarmos o mesmo ar. Percebo que digam para não se usar, pelo simples facto de o governo não ser competente e não saber mandar produzir máscaras que cheguem para todos sendo que, como quem mais precisa delas, para além dos infectados, são as pessoas que trabalham na saúde e contactam com doentes, diz-se aos outros que não precisam. Mas percebemos que não é assim.

Uma coisa que aprendemos é que é mesmo difícil não tocar na cara.

Outra coisa são as imagens do vírus aparecerem com cores lindas :)


Este vírus e esta Europa



Esta notícia de que nenhum país europeu quis acolher crianças desacompanhadas estacionadas na Grécia, muitas, provavelmente, já vítimas de abusos, é insuportável.

Se há coisa que este vírus nos ensinou é que somos todos iguais, estamos todos ligados, da China à América, o vírus vai passando de uns para os outros sem ligar a cores, raças ou religiões. E só nos salvamos todos se cada um pensar que tem de cuidar dos outros. Cuidando dos outros, cada um cuida de si. Isto era algo que parecia fazer parte da matriz europeia, mas não é.

As crises têm esta virtude de pôr as pessoas a nu: quem pensa nos outros, quem é egoísta, quem é responsável, quem é irresponsável, quem tem e quem não tem capacidade de revisão racional. E o que se diz das pessoas diz-se dos países e das suas instituições. Vamos ver o que veremos durante esta crise.



Diário da quarentena - 1º dia II



Acordei a doer-me o ouvido esquerdo (o vento, ontem...), fui às gavetas (plural) de medicamentos à procura das gotas que costumo usar nestas ocasiões e descobri que estavam fora de prazo. Ainda hesitei -não seria a 1ª vez- mas depois achei melhor não. Desde há dois anos sou mais prudente com isso. Enfim, resolvi dar volta aos medicamentos e descobri mais de 20 caixas fora de prazo, do tempo da quimioterapia, quase todos - medicamentos para náuseas, enjoos, fígado, estômago, corticóides, bombas de respiração e o diabo a nove. Meti tudo num saco e fui à farmácia logo às nove. Estavam lá duas pessoas e só deixam entrar três de cada vez. Puseram uma linha amarela no chão como se vê nos aeroportos e isso, para não nos chegarmos muito ao balcão. Acho bem. Não me venderam as gotas para os ouvidos porque precisam de receita médica... paciência. Então vou levar um anti-inflamatório, uma caixa de Brufen, esse medicamento com o qual tenho uma relação de amor-ódio. Esgotado! Têm outro anti-inflamatório qualquer  de uma marca branca. Trouxe uma caixa daquilo. Vamos ver se passa.

Já que saí resolvi andar mais 20 metros e comprar o jornal. Àquela hora já estavam uns 5 homens de uma certa idade a fazer raspadinhas... esperei na rua que saíssem todos e comprei um jornal.

Vim logo para casa e estou a ver nas notícias que só hoje estão a medir a temperatura a quem chega aos aeroportos... isto não se percebe. É negligência grosseira. De resto, repetem as mesmas notícias de 3 em 3 minutos ad nauseam. 

Art on coronavirus



Magdalena Hammar

Música ao pequeno-almoço




Citação deste dia



Explainer journalism never lets actual events get in the way of big ideas. (Stephen Metcalf)

Diário da quarentena - 1º dia



Dói-me um bocadinho a garganta do lado esquerdo. Deixa cá ver os sintomas do inimigo... ah, eu ontem vim para casa a pé desgolada e apanhei vento, deve ser disso.

Hoje era para ir ao mercado, preciso de frescos, mas sendo sábado, o dia de maior afluência, não vou. Amanhã, talvez, pela manhãzinha muito cedo, quando as ruas estão vazias e nem todas as bancas do mercado sequer abriram de modo que estão lá meia dúzia de gatos pingados.

Ontem eu e os alunos despedido-nos dizendo, 'boa quarentena'. Vou escolher livros para ler nestes dias de encerramento forçado. Vou aproveitar para escrever. E dormir muito.

Fazendo contas: a China, que impôs logo restrições desde o início da sua crise, teve-a sempre a crescer nos meses de meados de Novembro, Dezembro, Janeiro, Fevereiro e meados de Março. 4 meses. Isto quer dizer que cá, onde a crise começou em meio de Fevereiro, só vai acabar, se tudo correr bem, final de Maio, meio de Junho. É muito tempo, ainda.

March 13, 2020

O problema de ler muitos livros



É que habituamo-nos a personagens cativantes de carácter profundo com diálogos interessantes e depois começamos a esperar das pessoas em geral profundidade de carácter e diálogos interessantes e acabamos decepcionados.


‘… but in my experience there aren’t many evil people around. Just ill-informed, misguided and ignorant ones.’
Colonel Stok said: ‘In Russia our people are not misinformed.’
‘There are many people who think that water has no taste,’ I said, ‘because we were born with it in our mouths and it’s been there ever since.’
KGB man, Colonel Stok in Billion Dollar Brain by Len Deighton

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“There is freedom waiting for you,
On the breezes of the sky,
And you ask "What if I fall?"
Oh but my darling,
What if you fly?” 

― Erin Hanson

Quando a vida se desapressa







Hermann Corrodi (1844 - 1905) - foi um pintor italiano do estilo academista conhecido pelos temas orientais citadinos. Esta pintura, A Velha Ponte de Galáta, Constantinopla, pintada no último quartel do século XIX é um exemplo perfeito do espírito Orientalista de então.

A maioria das pinturas do movimento Orientalista não eram uma representação correcta mas sim uma romantização da vida do Médio Oriente. Muitos artistas da época, incluindo Corrodi, viajaram pelo Egipto, Síria, Chipre e Instanbul. Contrariamente aos pintores realistas posteriores que favoreciam a realização das pinturas in loco, os academistas apenas faziam os esboços nos sítios e depois criavam toda a pintura no conforto dos seus estúdios, acrescentando, por vezes, detalhes pitorescos imaginativos para realçar a impressão da imagem que queriam passar. (‎Marina Viatkina)

Do que gosto nesta pintura? A atmosfera romântica das cores quentes e da luz que envolve a cena com os minaretes da mesquita ao fundo. Tem um ar de fim de tarde de Verão ameno quando a vida se desapressa, as conversas se estendem vagarosas e indolentes e o olhar se demora no horizonte. Nesses países onde a vida ainda não está digitalizada, como o país do Alentejo profundo, o tempo estende-se sem compartimentos e é muitas vezes redondo.

Isto tem piada :))




Esta crise epidémica é um grande teste à democracia



Vamos ver se passamos no exame de cidadania, como disse uma colega e vamos ver se quem mais morre, quem mais fica depauperado são os já mais sacrificados.

Sabermos que, se as coisas chegarem ao nível da Itália, também aqui não haverá equipamentos médicos para tratar toda a gente por se terem feitos cortes obscenos nos serviços públicos para engordar a banca e para que os governos possam ter 70 ministros e secretários de Estado e filhos e primos à toa e possam decorar as casas, carros e gabinetes como se fossem a corte do Louis XV, é revoltante.

No entanto, pior é esta crise ser pretexto para que este governo de pseudo-esquerda aproveitar para cortar ainda mais, facilitar os despedimentos e piorar as condições de vida de quem menos tem. Vamos ver se no fim disto a sociedade, em vez de estar mais solidária, está mais desigual.

Ainda hoje li que mais um boy do PS sem currículo e que nada percebe de fronteiras acaba de ser nomeado grande especialista do SEF. Estamos a ver uma tempestade a aproximar-se e os governantes, em vez de contratarem pessoas competentes e idóneas para lidar com a crise e o pós-crise, aproveitam a distracção para nomear o filho deste e o boy daquele.

Vamos ver como saímos disto. Vamos ver se os governantes e satélites se aproveitam da doença para tornar a sociedade ainda mais desigual do que está.

Ministro da educação na TV



... a dizer coisas... a única coisa de interesse que disse é: estão interrompidas as actividades lectivas e não lectivas. Portanto, a ideia de mandar os professores saírem de casa e ir para as escolas afinal foi só uma loucura que lhe saiu da boca.

Que confiança nos merecem estas pessoas



... quando, em 24 horas, passámos de, 'não há razão nenhuma para fechar escolas', 'está tudo a ser feito proporcionalmente' para, 'se não cumpres a quarentena vais preso'. Comportam-se como baratas tontas que num dia rodam para a direita e no outro para a esquerda. Acho que foi evidente para todos que o Costacenteno não queria fechar as escolas e não as teria fechado se não fossem as ordens de Bruxelas. Afinal os ingleses ainda estão como se nada se passasse.

O Governo anunciou que vão ser enviadas SMS aos portugueses em caso de necessidade, por causa do coronavírus, e disse que quem não cumprir as instruções, nomeadamente no que diz respeito a quarentena, incorre no crime de desobediência.

Os italianos com graça






Coisas boas



Moradores criam cadeia de solidariedade para ajudar vizinhos idosos


Hoje quase não tive alunos



Já estão em quarentena por ordem dos pais. Os poucos que foram pareceram-me todos muito conscientes de terem que fazer mesmo uma quarentena. Estivemos a combinar trabalho por email e o que fazer para não ficarem (ficarmos) todos gordos de estar tanto tempo fechados em casa sem exercício. Os rapazes já tinham pensado nisso e vão fazer abdominais, as miúdas estão preocupadas com poderem vir a não caber no vestido do baile de finalistas :))

França: jovens sem antecedentes médicos em estado grave com a doença COVID19



Coronavirus : des médecins admettent que l’épidémie est plus grave que prévu
Des médecins alertent sur la dangerosité du Covid-19, y compris sur des populations jeunes et sans pathologie, et jugent inéluctable la nécessité de mettre toute la France en quarantaine.