June 16, 2026

Nocturna - Kathy's Song

 








O que é um herói?

 

Alguém com força e bravura excepcionais. Um protector, um defensor. Portanto, sim, os ucranianos revelaram-se heróicos e em grande parte inspirados pela bravura e força anímica do seu líder. Um herói portanto. Uma das características dos heróis é inspirar os outros. Hoje-em-dia as pessoas aparecem nas notícias porque fizeram muito dinheiro, ou porque têm milhões de seguidores. Causam uma certa admiração-inveja aos seguidores mas não inspiram ninguém. Para inspirar é preciso ter uma aura com outras cores: coragem, altruísmo, resiliência e integridade moral. São características que inspiram respeito e admiração e pegam-se a outros.


Infográfico deste dia - quem gasta o quê na NATO

 

Gráfico das despesas de defesa da NATO, com a evolução das despesas dos 32 Estados-Membros da NATO entre 2014 e 2024.

NineteenEighty9

Quem mais contribui, fora os EUA, são os países do Leste e os nórdicos.

Este gráfico é muito esclarecedor. Olhe-se a França que não está muito acima de nós e a Espanha, um país grande com uma economia relativamente grande. Atrás de nós e da Albânia. É por isto que não quer a Ucrânia na NATO?




Taxa de deserção na Rússia dispara



A situação é semelhante à da Primeira Guerra Mundial, afirma um desertor russo que vive em Erevan

Falei com Daniil Chebykin, um ativista regional russo radicado em Yerevan, que admitiu que a guerra na Ucrânia está a transformar a vida em toda a Rússia, longe das linhas da frente. Ele descreveu restrições crescentes, um acesso cada vez mais limitado à informação independente e um aumento significativo das deserções.

E os números são reveladores.

Eis um excerto da nossa entrevista.

LD: O próprio já fugiu ao serviço militar obrigatório. A deserção está a tornar-se um fenómeno significativo?
Sem dúvida.

É impossível determinar o número exato de desertores, mas as estimativas variam entre cerca de 300 000 e 800 000 pessoas. Algumas pessoas desertaram mais do que uma vez, depois de terem sido apanhadas e devolvidas ao serviço militar, o que complica as estatísticas.

Mesmo uma organização relativamente pequena como a Tvyordy Znak recebe atualmente mais de 200 pedidos por dia. E há vários grupos a trabalhar nesta área, incluindo a Idite Lesom, a Stoparmy e outros.

Muitos desertores enquadram-se em duas grandes categorias. A primeira é constituída por soldados mobilizados que, inicialmente, apoiavam a guerra ou aceitavam as narrativas oficiais, mas que mudaram de opinião depois de a terem vivido em primeira mão. A segunda é constituída por recrutas mais jovens, apanhados no que se assemelha cada vez mais a um sistema de mobilização permanente.

Os avisos de recrutamento provocam agora restrições imediatas à vida quotidiana, incluindo limites às viagens e ao acesso a determinados serviços. Os recrutas são frequentemente encorajados a assinar contratos que prometem salários mais elevados, mas a inflação corroeu grande parte do incentivo financeiro, enquanto as taxas de baixas se mantêm elevadas. Na verdade, o tempo médio de sobrevivência dos soldados recém-contratados pode ser extremamente curto.

Muitas pessoas acabam por concluir que escapar ao sistema é preferível a lutar na guerra.

LD: Comparou a guerra actual à Primeira Guerra Mundial, e não à Segunda. Porquê?

DC: Durante a Segunda Guerra Mundial, a União Soviética travava uma guerra defensiva. A situação actual é fundamentalmente diferente.

O paralelo histórico mais próximo, na minha opinião, é a Primeira Guerra Mundial. À medida que esse conflito se prolongava, um número crescente de soldados russos concluiu que estava a morrer por objectivos que pouco tinham a ver com os seus próprios interesses. Unidades inteiras desertaram. Eventualmente, a própria estrutura militar começou a colapsar, e esse colapso contribuiu para os acontecimentos revolucionários de 1917.

Não estou a afirmar que a história se repetirá exactamente da mesma forma. Mas muitos soldados russos estão hoje a chegar a conclusões semelhantes. Compreendem cada vez mais que não estão a combater nazis e que não estão a defender a Rússia da NATO. Vêem a forma como são tratados pelos seus próprios comandantes e começam a questionar porque estão ali.

É por isso que acredito que a deserção se tornou uma das formas mais importantes de resistência anti-guerra disponíveis dentro da Rússia.

LD: O que pensa que motiva Putin a continuar a guerra apesar dos custos?

Não penso que Putin actue de acordo com uma estratégia coerente de longo prazo. Actua como um czar.

O seu principal objectivo é preservar o poder. Essa abordagem funcionou após a anexação da Crimeia, quando a sua popularidade disparou. Suspeito que esperava que a invasão em grande escala produzisse um resultado semelhante.

Em vez disso, calculou mal a situação.

Desde então, muitas decisões parecem ter sido reactivas em vez de estratégicas. A mobilização, por exemplo, pareceu menos parte de um grande plano e mais uma tentativa de resolver um problema militar imediato.

A contradição torna-se particularmente evidente quando se fala de demografia. A Rússia enfrenta um grave declínio demográfico, mas o Estado continua a seguir políticas que consomem enormes recursos humanos.

Do ponto de vista económico, as consequências já são visíveis. As despesas militares distorcem a economia, o desenvolvimento tecnológico abranda e a Rússia fica cada vez mais para trás em relação às economias avançadas. Contudo, nada disto parece alterar o rumo do Kremlin.

Se tentarmos imaginar um verdadeiro plano de longo prazo, o quadro torna-se ainda menos claro. As capacidades da Ucrânia continuam a expandir-se. Os drones e mísseis de longo alcance tornam-se cada vez mais sofisticados. Os ataques às infra-estruturas energéticas prosseguem. Então, qual é exactamente o objectivo final?

De uma perspectiva racional, o caminho lógico seria reconhecer o erro, interromper as operações militares, pôr fim à mobilização e começar a desmontar o aparelho repressivo. Em vez disso, o governo fala do declínio demográfico e depois propõe medidas como restringir o aborto e incentivar o aumento da natalidade.

Mas, mesmo que milhões de crianças nascessem amanhã, não se tornariam adultas antes de vinte anos.


Citação deste dia

 

“Civilization is not inherited; it has to be learned and earned by each generation anew; if the transmission should be interrupted for one century, civilization would die, and we should be savages again.”

— Will Durant (from The Story of Civilization)
«A civilização não é herdada; tem de ser aprendida e conquistada de novo por cada geração; se a sua transmissão fosse interrompida durante um século, a civilização morreria e voltaríamos a ser selvagens.»


Revelador da nossa classe política

 

Álvaro Santos Pereira recebe mensalmente, como governador do Banco de Portugal, 19 915,57€, equivalente a 22 salários mínimos. Os restantes administradores, ganham “só” cerca de 17 400€. Qualquer um deles ganha mais do que o Presidente da Reserva Federal Americana. FB


Um país minúsculo com uma economia minúscula como o nosso, um dos mais pobres da UE, ter o GBP a ganhar mais que o homólogo americano é ridículo, para não dizer obsceno. É revelador da nossa classe política. Nós somos os palhaços que pagamos este circo.

Estes discursos assustam-me

 



O primeiro-ministro afirmou esta terça-feira que a saúde financeira de Portugal “faz corar de inveja qualquer economia da União Europeia”, mas considerou que é preciso “coragem para mudar algumas coisas e enfrentar as vozes do pessimismo”. “Portugal tem uma situação económica que é mais vantajosa do que a média da União Europeia”, realçou Luís Montenegro, no discurso que proferiu durante a apresentação de um investimento de 400 milhões de euros na mina de Aljustrel, no distrito de Beja. E prosseguiu: “Portugal tem uma saúde financeira que, não tenham vergonha de o dizerem a ninguém, porque é mesmo verdade, faz corar de inveja qualquer economia da União Europeia. Não há uma única que possa dizer que está a fazer melhor do que nós”, disse o líder do Governo.
: Nuno Veiga, Agência Lusa

Se temos uma economia tão boa porque é que as pessoas estão a ficar cada vez mais empobrecidas e a classe média praticamente desaparecida?

Como fazer dos portugueses um exército de pobres: salário mínimo = salário médio

 

Djelem Djelem - Barcelona Gipsy Klezmer Orchestra

 

June 15, 2026

Os russos são o Daesch do Leste. Só sabem matar e destruir

 

Os russos são o Daesch do Leste. Só sabem matar e destruir

 


Isto é só rir




Fui dar com uma notícia no Público sobre o futuro da educação e fartei-me de rir.
Fui espreitar o programa e os oradores e dei logo com este intróito:

Qual o futuro da Educação em Portugal? O Balanço Anual da Educação 2026, produzido pela Fundação Belmiro de Azevedo, traça um retrato detalhado da realidade educativa em Portugal, da Educação Pré-escolar ao Ensino Superior, com consequências ao nível do emprego e dos salários.

Assista ao evento que junta dados, debate e reflexão sobre o presente e o futuro da educação.

E quem são os oradores?

Paulo Azevedo 

Chairman Sonae
15H15 — BALANÇO ANUAL DA EDUCAÇÃO 2026 - PARTE 1


Hugo FiguProfessor e Investigador do CIPES

15H30 — MESA REDONDA 1 - ALUNOS IMIGRANTES NO SISTEMA DE ENSINO EM PORTUGAL

Ana Balcão Reis
Presidente do Conselho Pedagógico na Nova SBE

João Jaime Pires
Presidente Junta Freguesia Arroios

Pedro Góis
Professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra16H15 — BALANÇO ANUAL DA EDUCAÇÃO 2026 - PARTE 2

Hugo Figueiredo
Professor e Investigador do CIPES16H30 — MESA REDONDA 2 - DECRÉSCIMO DO NÚMERO DE CANDIDATOS AO ENSINO SUPERIOR

Ana Gabriela Cabilhas
Deputada à Assembleia da República pelo Distrito do Porto

Luís Catela Nunes
Professor catedrático na Nova School of Business and Economics da Universidade Nova de Lisboa

Pedro Teixeira
17H15 — ENCERRAMENTO
Cláudia Sarrico 
Secretária de Estado do Ensino Superior

-------------

Portanto, este evento não é sobre educação e muito menos sobre educação escolar. Não tem, nem um único especialista desse campo, apenas especialistas do ensino superior. 
Este evento é sobre como aprofundar a transformação da educação num rio cuja corrente tudo arraste para os negócios que importam a estas pessoas e suas empresas e de seus associados.

June 14, 2026

Estão a fazer alguma coisa que não querem que saibamos?

 

Porque não têm pressa nem interesse em mudar?


Rússia é “parceiro estratégico” de Portugal, Governo sem pressa para mudar


Conceito Estratégico de Defesa data de 2013 e ainda não foi revisto apesar de NATO e UE já terem actualizado os seus documentos. Processo arrasta-se há um ano e já criou tensão entre ministros.

https://www.publico.pt/

🎯 Nenhum país fez tanto pela entrada na UE como a Ucrânia


Todos os dias morrem ucranianos, todos os dias mais uma cidade é bombardeada ou arrasada para que os europeus tenham tempo de se armar. Milhões deslocados do país. Os ucranianos estão a lutar pela sua sobrevivência mas também estão a lutar pela Europa e fazem-no com uma ajuda que veio às pinguinhas e ainda agora não se compromete a fechar os céus da Ucrânia, por exemplo. A Ucrânia é o fosso de crocodilos da UE que impede os russos de avançar. Que outro país tem estas credenciais?

David Hockney (1937-2026)

 

David Hockney morreu na sexta-feira passada. Pintor, desenhista, gravador, fotógrafo, designer e escritor britânico, exerceu a sua actividade principalmente nos EUA. 

Um pintor que evoluiu no sentido de tornar a sua obra cada vez mais realista, clara e vibrante de cores do Verão, da alegria e do prazer de viver, mesmo quando pinta o Outono e o Inverno.

David Hockney's masterpiece, A Bigger Splash captures a split-second moment of exploding pool water and clean summer light (Credit: Tate)

No ano anterior à sua mudança para a Califórnia, Hockney visitou o Egipto. Lá, teve a oportunidade de estudar e desenhar, em primeira mão, a arte funerária que tinha conhecido no Museu Britânico e pela qual se tinha apaixonado enquanto estudante. Deixando para trás a sua máquina fotográfica, o jovem artista concentrou-se em transpor para o seu caderno de desenho a planicidade dos afrescos antigos e as figuras estilizadas e esculturais.
A nitidez e a intensa imediatez destes relevos egípcios parecem ter-se harmonizado na sua mente com as cores calmas e frias que sempre admirara nos afrescos do início da Renascença e nos painéis a têmpera de artistas como Masaccio, Fra Angelico e Piero della Francesca. De repente, as composições caóticas e desordenadas que vinha perseguindo anteriormente deixaram de fazer sentido.

Depois de se mudar para os EUA, a influência crescente desses mestres iria fundir-se, na imaginação de Hockney, com a linguagem arrojada do movimento de arte contemporânea dominante da época, a Pop Art americana. 

O que significaria combinar o impacto comercial das latas de sopa de Andy Warhol ou dos «pows!» das bandas desenhadas de Roy Lichtenstein com a nitidez dos relevos egípcios e a tranquilidade dos afrescos do século XV? A mistura engenhosa, embora aparentemente improvável, de inspirações antigas e modernas foi impulsionada por uma colisão igualmente revigorante de meios de comunicação.

Capturar um momento no tempo

Embora A Bigger Splash pareça, à primeira vista, ser um momento no tempo meticulosamente observado, foi, na verdade, uma fusão de experiências pessoais e emprestadas. A pintura deve a sua origem mais imediata à descoberta fortuita, por parte do artista, de um manual técnico sobre a construção de piscinas. Uma fotografia de um salpico feito por um mergulhador invisível e um trampolim em Swimming Pools, publicado pela Sunset Books em 1959, sem os dois espectadores à beira da piscina, foi rapidamente fundida na tela de Hockney com uma versão estilizada do edifício atrás deles, semelhante às que ele tinha recentemente registado no seu caderno de desenho.

Ao olhar para trás, para a carreira surpreendente do artista e para a sua contribuição para a história da criação de imagens através da perspetiva desta obra — talvez a sua mais conhecida —, torna-se claro que Hockney compreendeu que, embora a arte não possa impedir o passar do tempo, pode suspender, em traços luminosos, a prova vibrante de uma presença que já se esvaiu.


🎯




«Um homem deveria ouvir um pouco de música, ler um pouco de poesia e contemplar um belo quadro todos os dias da sua vida, para que as preocupações mundanas não apaguem o sentido do belo que Deus implantou na alma humana.»

-Johann Wolfgang von Goethe

A CGD perdeu 500 milhões num negócio apadrinhado por Sócrates e Pinho

 


(Quem vai pagá-lo somos nós... é assim com negócios manhosos de políticos manhosos que depois nunca sobra dinheiro para os serviços públicos)

No entanto, ao que apurou o Expresso, o banco estatal ainda não recebeu o montante do rateio final da insolvência. E poderá nem vir a recebê-lo, porque sobre a massa insolvente da Artlant PTA pendem vários processos judiciais nos quais a Autoridade Tributária (AT) reclama €13,8 milhões, relativos a Imposto do Selo e IVA dos anos 2016 e 2017. Se o Fisco ganhar esses processos, a Caixa fechará o dossiê Artlant com pouco mais de €20 milhões recuperados, ou seja, menos de 4% dos financiamentos de €529 milhões que o banco estatal concedeu àquela empresa entre 2007 e 2016.

A exposição da Caixa à Artlant foi objeto de uma imparidade total em 2016. Ou seja, nas contas desse ano o banco público deu como totalmente perdidas as verbas emprestadas para o desenvolvimento do projeto industrial em Sines. Em 2020 a CGD conseguiu ainda recuperar €20 milhões. E os €13,6 milhões a que agora o banco teria direito poderiam reforçar os resultados de 2026 da entidade liderada por Paulo Macedo. Mas o processo judicial da AT ameaça deixar o fecho de contas do dossiê Artlant com um custo final superior a €500 milhões.

MUITOS PROBLEMAS

O financiamento da CGD à Artlant, em 2007, ocorreu quando o banco estatal era presidido por Carlos Santos Ferreira, com o Governo liderado por José Sócrates a apadrinhar o projeto, concedendo-lhe o estatuto PIN (Potencial Interesse Nacional). Em março de 2008, no lançamento da primeira pedra da fábrica, que teria um perfil fortemente exportador, Sócrates, acompanhado pelo então ministro da Economia, Manuel Pinho, afirmava que o projeto de €400 milhões era “um investimento para colocar Portugal na rota e no mapa da economia global do sector petroquímico e que se destina a vender para todo o mundo, e a fazê-lo com valor acrescentado”. https://expresso.pt/empresas-negocios

June 13, 2026

😁

 




Leituras pela manhã - On Raiding into Persia



On Raiding into Persia


How the current conflict with Iran echoes Rome's wars with Persia

GRUNTLED HISTORY TEACHER



(Um artigo muito interessante para entender a mentalidade e projecto imperialistas do Irão e a dinâmica das relações do Médio Oriente. Não me apetece traduzir)

O uno e o múltiplo

 




Tree Trunks in the Grass (1890) - Vincent van Gogh