November 08, 2026

Porque é que alguém quereria ser polícia?



Um trabalho perigoso, desgastante, mal pago e, ainda por cima, denegrido pela maioria dos  políticos e agora até pelos juízes que também vêm para a TV dar opiniões políticas. Foi assim que perderam os professores. Continuem por este caminho que vão bem.


Grupo de 30 pessoas apedreja polícias em Oeiras. Dois agentes feridos

Suspeitos arremessaram pedras e garrafas contra os agentes
Dois polícias ficaram feridos na sequência de uma agressão no Bairro do Pombal, em Oeiras, esta sexta-feira.

CM
-------

Oficiais da PSP não querem ser promovidos


Os cursos de promoção estão a ficar desertos ou com poucos candidatos, principalmente na categoria de oficiais, mas também na de chefes.
Rui Amaral, presidente do Sindicato dos Chefes da PSP, explica que a promoção à carreira de chefes também tem registado uma grande diminuição de candidatos, embora nesta ‘categoria’ os candidatos ainda sejam mais do que as vagas (...) Quando estamos numa instituição onde seus profissionais não pretendem progredir, é perigoso, é preocupante. 

As razões são simples: no caso dos oficiais podem ser deslocados para outras terras onde terão que refazer a sua vida, encontrar casa, se ficarem longe da sua zona de conforto, e ‘obrigam’ a família a acompanhá-los. Depois, o aumento salarial não compensa, nem justifica ter mais responsabilidades.

«É natural que no futuro existam cada vez menos candidatos à PSP, já que as chatices e os vencimentos não justificam investir numa carreira tão desgastante», diz ao SOL um oficial.

SOL

November 07, 2026

Tradução: se for eleito vou fazer uma purga à boa maneira estalinista

 

Porque continuam a falar da Ucrânia dar território ao agressor?

 

Porque lhe fazem estas perguntas? Qual é o sentido de insistir nisto? Mas alguém acredita ainda que os ucranianos se vão render aos russos?


Qual dos dois é o maior couchon anti-semita?

 

Ela ou o chefe máximo dela que a pôs no palco com um altifalante e lhe bate palmas?

A minha rua é o «far west». Obrigada, Câmara de Setúbal.

 

Há um supermercado do Pingo Doce no início da rua. Tem um pequeno parque de estacionamento sempre cheio e com carros em dupla fila. O mesmo parque de estacionamento por onde entram camiões TIR gigantes para fazer descargas. Naturalmente não conseguem manobrar por causa dos carros estacionados e todos os dias acontece ficarem a bloquear a rua durante o tempo que lhes apetece. Por exemplo, estão neste momento a bloquear a entrada na rua e a passagem no cruzamento, já há 2 horas. Têm um camião atravessado na diagonal. E não está lá ninguém. O motorista saiu sabe-se lá para onde. Imagine-se que alguém precisava de uma ambulância ou de sair com urgência. É claro que não devia ser permitido o Pingo Doce fazer entrar camiões TIR pela rua, que não é larga, para fazer manobras e ficar ali no meio da rua a impedir o trânsito, mas a Câmara está-se nas tintas. O Pingo Doce fez grande obras há pouco tempo mas ninguém os obrigou a fazer estacionamento noutro sítio (há um terreno vazio perto) ou a fazer entrar os camiões pelas traseiras ou impedir que sejam camiões grandes a fazer entregas. Usem os pequenos. Mas não. Os cidadãos que se lixem. Aliás, esta rua tem duas faixas de rodagem mas uma delas é usada como estacionamento de maneira que os dois sentidos têm que fazer-se numa só faixa e nem há sítio para dar a volta. A minha rua é o far west. Obrigada, Câmara de Setúbal.



A persistência da memória

 




O que é uma nação?



Nenhuma nação na Terra conseguiria sobreviver cinco minutos se todos se lembrassem da verdade exacta de como foi fundada. Todas as fronteiras que existem foram desenhadas com sangue e cada cidade foi erguida sobre uma vala comum; se os seres humanos não acordassem em esquecer o que os seus avós fizeram uns aos outros, começariam todas as manhãs com uma luta de facas na rua com o seu vizinho.

Na sua célebre conferência de 1882 na Sorbonne, intitulada "O que é uma nação?" (Qu'est-ce qu'une nation?), Ernest Renan expressou a ideia de que a unidade nacional é quase sempre alcançada através de violência brutal como massacres ou a fusão forçada de diferentes povos no passado.

O que é uma nação (pdf)
--------

Para que os cidadãos do presente consigam viver em paz e partilhar uma identidade comum ("um plebiscito diário"), precisam de retirar da memória de trabalho as atrocidades que os seus antepassados cometeram uns contra os outros. Não esquecê-la, mas arquivá-la na memória de longo prazo. Está lá, na memória colectiva como um marcador do que não se pode fazer, mas não é usada como uma ferramenta diária da destruição do presente e, por conseguinte, do futuro. Se a memória dessas divisões antigas permanece activa todos os dias, a coesão social colapsa. 

Por esta razão, todos aqueles que se dedicam a pôr cidadãos uns contra os outros com base nos agravos do passado e estão presos nesses discursos de vítimas e carrascos, de oprimidos e opressores, de povos puros e impuros e se dedicam a medir quem gerou mais sangue, são os grandes motores da destruição da coesão social. São os que abrem caminho para novos derramamentos de sangue e a perpetuação do ciclo de violência.

Num certo sentido, uma nação é como uma pessoa no que respeita à sua identidade ser construída pela memória. Tal como uma pessoa, tem de viver com o pior e o melhor que fez e com os agravos que sofreu, sem que nenhum destes factores seja como uma pedra tumular inamovível. Se só se lembra do pior que fez está paralisada na culpa sem capacidade de se redimir e evoluir e se só se lembra do melhor que fez, está iludida na arrogância de poder. Se apenas se lembra dos agravos que sofreu, como se fosse pura e nenhuma fronteira sua tivesse sido construída no sangue, está perdida na ilusão da sua pureza e no rancor auto-corrosivo e na vitimização. 

🙂

 


Pelo menos não usam água doce

 


November 06, 2026

"Os extremismos crescem onde a política deixa de dar respostas" -Francisco Porto Fernandes



Já tínhamos os fascistas de esquerda radical a canibalizar manifestações, agora temos fascistas de direita radical a canibalizar festivais. E os líderes que supostamente seriam do centro moderado são os altifalantes destes grupos.
---------- 

O festival neonazi realizado na Póvoa de Varzim foi monitorizado pela Polícia Judiciária (PJ), que ali sinalizou a presença de alemães proibidos de sair do país para participar em eventos de cariz xenófobo e racista, devido a condenações por crime de ódio. 

Além dos alemães, a última edição do "Masters of the sea" ficou marcada pela participação de neonazis de outros países e pelo número recorde de participantes. Se, no evento do ano passado, na Maia, o número de supremacistas brancos não chegou aos 50, na Póvoa de Varzim foram cerca de 300.

O JN confirmou que as autoridades portuguesas mantiveram o festival promovido pelo grupo Blood&Honour sob constante monitorização e identificaram muitos dos participantes. Entre estes estiveram radicais alemães já condenados por crimes de ódio no país de origem e proibidos de sair da Alemanha para participar em eventos conotados com a extrema-direita, como o que aconteceu na Póvoa de Varzim.

Amanhece

 

Da minha outra janela



Deixa-me rir



Sondagem Expresso/SIC: simpatizantes do PS e PSD aprovam governo de Bloco Central
Expresso
-------

Querem à força meter o PS no governo e não há nada que não façam, desde os líderes irem para a rua defender o poder na rua com assembleias populares até António Barreto(!) vir defender que o povo todo está revoltado e Carneiro é que deve ir para o poder porque o país virou à direita! (agora já vimos tudo) Isto depois de termos tido durante 20 anos (menos os 3 da troika) o PS nos governos a deixar o país na falência, primeiro e depois no marasmo dos anos Costa que foi só tratar da vidinha a amigos. Deixaram a educação de rastos.
Estão numa missão de sabotagem do governo para os substituir pelos incompetentes que estiveram lá nos cargos a fazer asneiras.

November 05, 2026

Quem se lembra que no fim dos anos 70 tínhamos 30% de inflacção?

 

Quem diz que a vida então era fácil só conhece o presente e não sabe nada do passado. Só era fácil para o PCP (e satélites) que era o DDT. 


007 licença para matar


Jesús Owono NÃO será alvo de acusações criminais pela morte de Jesús de Miguel. O guarda-redes de Andorra foi expulso depois de ter entrado com o joelho no peito de Miguel. De Miguel, de 30 anos, faleceu na manhã seguinte.
Owono afirma que não houve intenção de o magoar. Diz-se que está profundamente abalado. 
Encerrou agora a sua conta no Instagram depois de os adeptos lhe terem gritado «assassino» quando saiu do campo e de o terem insultado online.
Ainda poderá enfrentar uma suspensão desportiva de 8 a 12 jogos.

O futebol não é nada violento e é muito educativo.

E mais uma 🔥

 

Quando não houver petróleo não há bombas



Já perceberam o que Zelensky acabou de fazer à máquina de guerra de Putin em cinco noites?

Os seus drones atacaram as instalações petrolíferas russas durante cinco noites consecutivas... A refinaria Slavneft-YANOS em Yaroslavl... Uma das cinco maiores refinarias da Rússia... Incendiou-se a apenas 155 milhas do Kremlin... A refinaria que produz de tudo, desde gasóleo até combustível para os aviões de guerra russos...
Isto não é apenas um incêndio numa refinaria... É a espinha dorsal do financiamento da guerra de Putin...
- Putin... O homem que governa o maior país do mundo... Reduziu o bónus de alistamento de 39 000 dólares para 8 000 dólares da noite para o dia... É um corte de 80%.
- São Petersburgo... A própria cidade natal de Putin... Já tinha reduzido o pagamento do contrato de 3,5 milhões de rublos para 400 000 em menos de 3 semanas.
- O governador de Yaroslavl contabilizou 124 drones... E fechou a autoestrada que conduz a Moscovo... E alertou: «Não se aproximem deles e não utilizem telemóveis nas suas proximidades»
- O Cazaquistão suspendeu o trânsito de 200 000 barris de petróleo por dia através de um único oleoduto, após o centro de Samara ter sido atingido.
E eis o que ninguém está a enquadrar corretamente...
Zelensky não atacou um depósito de combustível... Ele atacou o dinheiro do petróleo que se transforma nos bónus de alistamento de Putin... E nos salários dos seus soldados... E no combustível do seu exército... E no seu orçamento de guerra...
E fê-lo na mesma semana em que o Ministério da Defesa russo planeava adiar, pela primeira vez, os salários militares de dezembro para Janeiro...
Não estás a assistir a uma guerra de drones... Estás a ver a Ucrânia a sangrar o dinheiro do petróleo russo noite após noite, enquanto o mundo paga 102 dólares por barril de Brent só para assistir...


Meloni pergunta bem, porque é que cada líder europeu fala sozinho sobre a Ucrânia?

 

Ou fala com Putin? No dia em que houver negociações, quem da UE se vai sentar à mesa e com que discurso? Todos? Não. Nenhum, se cada um diz sua coisa em iniciativas concorrentes. A guerra da Rússia na Ucrânia não pode ser uma guerra de egos ou de capitalização de votos. Se cada um começa a falar sozinho serão todos manipulados pelo senhor que se sabe.

Meloni critica a desorganização da UE enquanto Bruxelas acolhe as negociações sobre a Ucrânia


A líder italiana afirma que a falta de uma voz única da UE à mesa das negociações «é inaceitável»

A desorganização diplomática da Europa em relação à Ucrânia corre o risco de marginalizar a UE em futuras negociações de paz, a menos que os europeus comecem a agir de forma coordenada, alertou Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana.

Numa carta enviada na quinta-feira a António Costa, presidente do Conselho Europeu, e a que a Rapporteur teve acesso, Meloni manifestou a sua frustração face à proliferação de fóruns diplomáticos e iniciativas concorrentes.

Exigiu que os líderes da UE cheguem a acordo sobre um único representante «para falar a uma só voz sobre a questão ucraniana», à medida que as negociações para pôr fim à guerra se intensificam nos próximos dias e semanas.

Enumerou uma sucessão de reuniões ou contactos diplomáticos que tiveram lugar ao longo do último mês, incluindo em Bruxelas nos últimos dois dias, para ilustrar o que descreveu como um panorama cada vez mais confuso.

«Tudo isto está a minar a nossa credibilidade na gestão de uma das questões mais complicadas que as nossas nações enfrentam», afirmou. «Estou convencida de que todos reconhecemos que, ao darmos a impressão de uma Europa que avança em direções diferentes, não estamos a fazer mais do que servir os interesses daqueles que querem que esta guerra continue.»

«Considero que isto é inaceitável, dado que estão em jogo vidas humanas e o futuro da nossa segurança.»

Meloni solicitou formalmente que o assunto fosse debatido na cimeira informal dos líderes da UE, a realizar-se em Dublin na próxima semana, e que fosse tomada uma decisão sobre o nome a adotar no Conselho Europeu formal de dezembro.

https://www.rapporteur.com/news/


Como cativar professores para o ensino?


Agredir professores.


Dois feridos por explosão e jovem com AVC alarmam escola

Arremesso de engenho pirotécnico contra janela da Escola Secundária da Baixa da Banheira, Moita, feriu professor e aluna. Jovem de 16 anos hospitalizado, noutra ocorrência.

A Escola Secundária da Baixa da Banheira, situada no Vale da Amoreira, Moita, viveu momentos de alarme ao final da manhã desta quarta-feira. O rebentamento de um engenho pirotécnico causou ferimentos num professor e numa aluna. Noutra ocorrência distinta, um jovem de 16 anos, aluno do mesmo estabelecimento de ensino, teve de ser transportado de urgência para o Hospital do Barreiro, com sintomas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

As duas situações tiveram lugar quase em simultâneo. PSP, e meios dos bombeiros do Sul e Sueste, Barreiro, foram mobilizados para a escola depois de um grupo de alunos do oitavo ano terem arremessado o engenho pirotécnico contra a janela de uma sala. O ataque fez com que os vidros das janelas estilhaçassem. Um professor sofreu ferimentos numa mão, e uma aluna de 16 anos, por queixas nas costas e ouvidos (estava sentada junto à janela), teve também de receber apoio médico. Ambos seguiram para o Hospital do Barreiro.
O corpo de bombeiros do Barreiro destacado para a situação, teve de empenhar uma terceira ambulância. Desta feita, noutro ponto da escola, foi necessário dar apoio a um rapaz de 16 anos, aluno, que tinha sintomas de AVC. Foi para a mesma unidade hospitalar, a inspirar alguns cuidados.

Devido às ocorrências, a escola teve de encerrar durante a tarde.

CM

Isto não é mentira

 


«O objetivo não é ter mais informação, mas sim compreender melhor.» — Arthur C. Clarke




Ao contrário do que pensam os alunos, a maioria dos pais e os governantes, o acesso das crianças e jovens à internet não tornou os alunos mais inteligentes e tornou o ensino extremamente difícil. E não falo apenas dos malefícios psicológicos e relacionais das redes sociais, nem dos efeitos devastadores do consumo de pornografia ou da dependência de estarem sempre entretidos com excesso de imagens em velocidade e sons ruidosos. Falo do acesso a catadupas de informação errada.

Antes dos telemóveis com as redes sociais invadirem as vidas e as mentes de todos, os alunos vinham menos informados. Para terem acesso a informação sobre os avanços espaciais e a dinâmica dos planetas, por exemplo, teriam de chegar ao secundário ou, até, à universidade. Agora já viram imagens simuladas do funcionamento da mecânica e dinâmica celestes aos 5 anos de idade. 

O efeito perverso desse tsunami de informação que se abate sobre eles desde que lhes põem um telemóvel ou um tablet nas mãos, que é quase desde que nascem, com acesso à internet, está em que têm a sua caixa de correio mental atafulhada de falsas informações que carregam como verdade insofismáveis. E como os pais também confundem o excesso de informação com sabedoria e inteligência, constantemente reforçam essa ideia de que não precisam de autoridades epistémicas, nomeadamente professores, porque têm acesso a todo o conhecimento "à distância de um clique."

Entre dois males é preferível um aluno chegar com ignorância do que chegar com falsos conhecimentos já sedimentados. Porque a ignorância não é um mal em si e resolve-se com aprendizagem, mas os falsos conhecimentos já sedimentados são extremamente difíceis de desincrustar e é isso que tem de fazer-se antes de se poder construir seja o que for. Não só é extremamente difícil como eles resistem a abrir mão desses falsos conhecimentos. E chegam às aulas atafulhados de absurdidades e excesso de auto-confiança na certeza desses absurdos.

Para além de não pensarem, não saberem pensar e não saberem que não sabem pensar, vivem imersos no mundo da materialidade consumista. Vêem-se, não como produtores de cultura e de mundo, mas como consumidores do mundo e, desde logo, como consumidores de direitos. Como consumidores de direitos que pensam ser, vêem-se como clientes e aos outros todos como servidores dos seus direitos.

Uma frase que agora dizem muito é: 'não pedi para nascer e obrigam-me a vir à escola e eu venho mas não tenho que fazer nada. Os professores é que têm de tornar as aulas divertidas, fazer com que eu me interesse pelas matérias e explicar-me tudo o que não sei."

A maioria dos alunos actuais não tem respeito nem valoriza o conhecimento pela razão de o pensarem como algo que está ali à sua disposição, na internet, sem custos. Se não custa dinheiro é porque não tem valor. 

Uma, cada vez maior, percentagem de alunos, não percebe porque tem de ir à escola, a não ser para disciplinas como a matemática ou a física que não conseguem perceber sozinhos. Tudo o resto, pensam que já têm em quantidade suficiente e de fácil acesso na internet. "Mas eu vi na internet" é agora a resposta mais comum sempre que lhes dizemos, a propósito de qualquer absurdo que dizem, "isso é falso." Ou então, a propósito de algo que dizemos, 'já sabia isso, vi numa janela que se abriu no Tik Tok.'

O objectivo da aprendizagem, do conhecimento, não é ter mais informação per si, mas sim compreender melhor. Porém, cada vez mais alunos, quando chegam às minhas aulas já vêem adulterados com excesso de informação inútil e falsa que processaram como conhecimentos.

O conhecimento não é um direito. O acesso ao conhecimento, sim, é um direito. Daí a escola. No entanto, o acesso ao conhecimento não é uma garantia de conhecimento porque os conhecimentos não se 'dão', constroem-se. Exigem do aluno curiosidade, disponibilidade mental para caminhar em novos sentidos que requerem esforço mental, perseverança, capacidade de lidar com obstáculos, disciplina, respeito pelo conhecimento. Quem pensa que já sabe tudo não vai aprender nada.

Estive a ler por alto o novo documento da Educação Inclusiva. Em lado algum vi a palavra 'dever'. Só direitos. As obrigações são todas dos professores e da escola, algumas dos EE. Talvez as pessoas pensem que aquelas medida de inclusão se dirigem a alunos com problemas como autismo e outros problemas graves. Não, esses são 1 ou 2. 

Nos dias de hoje quase todos os alunos têm medidas de inclusão se quiserem e o número cresce tão depressa que há turmas do básico onde quase todos as têm. Há uma pressão muito grande da escola (há equipas para essas medidas a quem isso interessa) e dos pais para pôr os alunos com medidas de inclusão porque essas medidas resultam em os filhos terem condições especiais de facilidade. Assim, é muito comum alunos que não se interessam pelo estudo ou até que têm mau comportamento terem medidas de inclusão e, dessa maneira, terem interiorizado a ideia de que a escola lhes deve tudo e piorarem o seu comportamento de estudantes porque têm essa auto-desculpa de dizer que têm medidas e portanto, devemos ter uma paciência especial com eles.

Como diz aquele estudo da Universidade de Harvard, Leveled Reading, Leveled Lives: How Students' Reading Achievement Has Been Held Back and What We Can Do About It, diferenciar os alunos por baixo, na aprendizagem da língua, na prática, pô-los a aprender textos mais fáceis (medidas de inclusão baseadas na ideia de que cada aluno tem a sua maneira de aprender) tem prejudicado o desempenho em literacia nas escolas dos EUA ao longo de cinco décadas.

O documento da inclusão começa logo por dizer que todos os alunos têm capacidades de aprendizagem. Sim, é verdade, mas não é verdade que todos tenham as mesmas capacidades e que as tenham para tudo e que a equidade seja serem todos iguais. Porém, é isso que dão a entender no documento e é isso que os alunos e os pais absorvem. Não é a realidade. 

Nos extremos, há alunos com enorme talento natural para certas disciplinas, como a matemática ou a língua ou o desenho ou a atração e compreensão dos fenómenos da natureza ou o desporto ou a mecânica ou a filosofia, etc. e há alunos que não têm nenhum talento para uma dessa disciplinas ou várias. É claro que os alunos que não têm nenhum talento para uma certa área do saber e da vida também têm capacidade (maior ou menor) de aprendê-la, mas isso já não depende apenas do professor, da escola ou de medidas especiais, embora no início, na escola primária, dependa muito - daí a importância fundamental da qualidade dos professores primários. Vai depender do trabalho e esforço que o próprio aluno puser no desenvolvimento das suas capacidades à medida que cresce.

Ora, se desde sempre dizem aos alunos que todos podem ser tudo o que quiserem (aquela frase vazia que repetem à exaustão a Liberdade de Ser) e que a educação e o conhecimento são direitos sem nenhum dever ou esforço, é isso que eles interiorizam e depois exigem.

Apenas um exemplo ilustrativo. Há poucos anos um pai cujo filho tinha notas negativas e trabalhava zero para melhorar e até faltava aos apoios, no fim da reunião de EE do 3º período, veio ter comigo e disse, 'Bem, com estas notas (negativas em todas as disciplinas específicas e nas outras pouco melhor) se calhar é difícil o S. ir para medicina, não? É que ele queria muito'. Se fosse há uma dúzia de anos ficava sem palavras mas agora já me habituei a estas absurdidades. Disse-lhe que para ir para um curso de medicina é preciso ter médias de 18, pelo menos, e depois ir aos exames tirar 18, pelo menos. Resposta: 'Pois. Então se calhar terá de escolher uma engenharia'. Como se os cursos de engenharia fossem para alunos com negativa a matemática, física... Estamos nisto. E o que vejo é que vem aí mais do mesmo. 

Não tenho dúvida que a época áurea do conhecimento e do florescimento das ciências no Ocidente já passou. A ideia de que «o objetivo não é ter mais informação, mas sim compreender melhor» já passou.