Esta senhora pergunta, a propósito dos mais de 70 mil (não 60 mil como ela diz) rapazes e homens (não homens, mulheres e famílias, como ela diz, pois havia pouquíssimas mulheres e quase nenhuma família) marroquinos e de outras zonas da África,
É errado, e deve ser castigado, o desejo de um povo a procurar lugares onde possa ter um futuro digno? Isto é não saber fazer perguntas, pois a pergunta que interessa é: temos obrigação de receber e acolher dezenas de milhar de imigrantes ilegais que não sabemos quem são nem ao que vêm e que no passado têm causado grande perturbação e fractura nas sociedades europeias? Não, não temos. Vejamos, se eu dissesse que a China tem o direito de preservar a sua cultura e ter cuidado com quem deixa entrar no país, todos concordariam. Porém, se dissermos que a Europa tem o direito de querer preservar a sua cultura e valores que tanto custaram a construir, isso é considerado pela nova-esquerda, racismo, intolerância, impiedade, etc.
Por acaso se lhe aparecerem 30 imigrantes ilegais, marroquinos, sudaneses, etc., à porta de sua casa a pedir abrigo, comida e atenção, ela tem obrigação de os receber? Pelo seu discurso, teria que ter. Então, ofereça a sua casa a 20 ou 30 imigrantes ilegais arbitrários, quer dizer, terá de os receber, alimentar, vestir e providenciar dormida, sem saber se são criminosos, violadores ou vitoriosos com esperança. Deixe passar seis meses ou um ano e depois então, venha falar da sua experiência. Gostava que ela fosse morar por um ano ou dois para um desse enclaves europeus onde já vigora a sharia e as autoridades são todas islâmicas, constituídas por esses vitoriosos, orgulhosos e cheios de esperança. E se tem filhas que as leve a morar consigo.
Agora, não atire essa experiência para cima de outros, sabendo que está a salvo, só para se sentir moralmente superior.
Os marroquinos vieram vitoriosos, orgulhosos e cheios de esperança? Viemos para trabalhar, para construir uma nova vida. Em Marrocos não há trabalho? Vinte marroquinos, sudaneses, etc. disseram em frente das câmaras das TVs que vierem para trabalhar. Estava à espera que dissessem o quê? Viémos porque sabemos que nos dão casa, comida, um cheque por mês e ainda temos raparigas sozinhas a andar na rua? Sabe esta senhora que das poucas raparigas que viram alguns foram violadas no caminho? Que estes vitoriosos, orgulhosos e cheios de esperança já fizeram violações em Ceuta, destruíram lojas, roubaram, atacaram com facas - um dos crimes com facas está na internet e vê-se um dos vitoriosos, orgulhosos e cheios de esperança a degolar um transeunte?
Imaginei o interior de Portugal a compor-se com gente construindo empreendimentos em diversas áreas, a progredir economicamente, recorrendo aos recursos de cada zona. Há tantas aldeias abandonadas pelo interior do país. Se não fosse ridículo era só patético mas penso que o objectivo do discurso dela é aparecer como virtuosa cheia de amor humano pela humanidade por contraste aos outros todos xenófobos.
E chama a isto uma epopeia. Estas pessoas são os optimates do país...
A verdadeira epopeia dos marroquinos
Isabela Figueiredo
Escritora, vencedora do Prémio Urbano Tavares Rodrigues
É errado, e deve ser castigado, o desejo de um povo a procurar lugares onde possa ter um futuro digno?
No final de julho, quando os marroquinos, os tais 60 mil, chegaram em massa a Ceuta, vindos de Marrocos a nado e enfrentando perigos, alegrei-me. Os seus sorrisos ao sair do mar, cansados, mas caminhando assertivos pela praia, depois nas ruas, ainda capazes de correr, gritando “Espanha, Espanha”, vitoriosos, orgulhosos e cheios de esperança, contagiaram-me. Tanta juventude, coragem e motivação. Chegaram sozinhos ou com a família. Explicaram-se para as câmaras de televisão: “Viemos para trabalhar, para construir uma nova vida. Em Marrocos não há trabalho.”
Era um grande feito. Pensei que as suas razões contagiariam o mundo. O amor e a compaixão pelo outro venceriam. Qual amor, qual compaixão? Os habituais canais de televisão falavam em crise. Eu só via oportunidade. Homens e mulheres na força da idade, a maior parte muito jovens, clamando por mudança. Imaginei o interior de Portugal a compor-se com gente construindo empreendimentos em diversas áreas, a progredir economicamente, recorrendo aos recursos de cada zona. Há tantas aldeias abandonadas pelo interior do país.