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August 16, 2026

A escolha do título e não saber fazer perguntas


Nesta entrevista com o presidente da Deco, em vez de escolherem para título a questão -que apenas aflorou- do conflito de interesses do seu presidente, tema por demais importante no nosso país cheio de casos de corrupção justamente por isso, escolhe para título uma frase dele que não tem que ver com a pergunta que lhe fazem mas que tem a ver com a linha editorial do jornal: a vitimização das pessoas, divididas em oprimidos e opressores.
À pergunta sobre a reforma da habitação no que respeita aos despejos de quem não paga a renda, o presidente da Deco responde que as pessoas que não estão a pagar a renda não são bandidos ou delinquentes. Que tem isso que ver com o assunto? Por ventura a pessoa que compra uma casa, com sacrifício, usando as suas poupanças, para arrendar e ter um complemento de reforma, tem obrigação de alojar pessoas de borla só porque não são bandidos e nunca mataram ninguém? Os senhorios são o Estado e têm obrigação de fazer de Segurança Social dos outros cidadãos? 

“As pessoas que não pagam a renda não são bandidos”

Entrevista com João Nabais, presidente da Deco
Expresso

Receber dinheiro de empresas que a Deco pode ter de confrontar não cria um conflito?
Tem toda a razão, é um perigo. Eu posso ter uma parceria com uma grande empresa e ela até me paga porque estou a prestar-lhe um serviço. Mas é só isto. Não estou — e nunca o poderei fazer — a dizer “esta empresa tem os melhores produtos”. Se assim fosse, estaria a violar os meus princípios e os meus valores. A Deco é independente. Tenho que estar atento e não deixar que esta proximidade com empresas ou associações possa levar à perda de independência ou de objetividade da parte da Deco. Esta questão é uma questão central da nossa vida. Dou-lhe outro exemplo de formas de financiamento novas: nós fazemos a segmentação das queixas em função dos sectores de atividade. Tenho para oferecer a uma empresa um pacote com as queixas no seu sector ou relativamente à sua empresa. É um produto a vender, como é evidente. E parece-me legítimo, porque isto tem a ver com a minha atividade de proteção do consumidor. Se eu puder transmitir às empresas ou às associações este capital de queixa, também estou a proteger o consumidor, porque estou a contribuir para que a empresa preste um melhor serviço.

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No campo da habitação, a Deco reconhece como legítimo reduzir a morosidade dos processos de despejo, mas alerta que a reforma não pode limitar-se a responder ao incumprimento. Considera que o Governo está a proteger mais os proprietários do que os inquilinos?
Eu acho que está. Criou-se um mito: os poderes públicos estão a ser demasiadamente complacentes com quem prevarica e o grande prevaricador é o arrendatário. A Deco não escolhe lados nesta matéria. Há muita gente que, em dadas situações, não paga porque não pode mesmo pagar. Qual é a solução? É avançar para o despejo? É acelerar o despejo? Ou é criar condições para que essa pessoa venha a pagar ou arranje uma solução alternativa? De certeza que a solução não é acelerar os despejos. Nós não podemos admitir que as pessoas que não estão a pagar a renda são bandidos, ou são delinquentes.

 

July 16, 2026

Um retrato do país em 12 gráficos - interessante

 

Há mais gente a trabalhar do que nunca e os contratos precários estão em mínimos. A média salarial aumenta, ainda que a inflação tenha comido parte desse ganho. Já a carga fiscal continua a subir. Este é um retrato que ajuda a contar a história de um país que dentro de algumas horas discute o Estado da Nação: dos salários ao emprego, passando pela educação, saúde e habitação, sem esquecer a criminalidade, justiça e pobreza

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