O marxismo-leninismo, criado depois da morte de Lénine, albergou projectos políticos muito diversos e até antagónicos. Em Portugal, além do PCP, existiram entre 1964 e 1976 pelo menos 40 organizações que se reivindicavam marxistas-leninistas. Na própria URSS a mesma designação serviu para fundamentar o “socialismo num só país” de Estaline, a desestalinização de Khrushchev, apresentada como “regresso a Lénine”, e a Perestroika de Gorbachev, descrita como renovação leninista do socialismo.
A elasticidade do conceito permitiu ainda legitimar experiências tão distintas como o maoísmo, que deslocou o eixo revolucionário para o campesinato em sociedades semicoloniais, ou o titoísmo jugoslavo, que combinou socialismo, mecanismos de mercado e autogestão operária. Na China, no Vietname, em Cuba e noutros países, o marxismo-leninismo serviu aplicações nacionais muito diferentes.
A ideia de que a adaptação do comunismo aos “novos tempos” exigiria a rotura com essa identidade contradiz a conceção antidogmática defendida por Lénine. Em múltiplos textos, Lénine insistiu que a teoria de Marx não era um “dogma morto”, nem um mapa detalhado do futuro, mas um “guia para a acção”. Essa flexibilidade permitiu-lhe defender a participação de comunistas em parlamentos burgueses ou criar a NEP de 1921, que reintroduziu mercado, comércio privado e iniciativa camponesa na jovem URSS.
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O que têm em comum todos estes partidos e países que se identificam com o marxismo-leninismo? Serem ditaduras implacáveis, algumas imperialistas, coloniais, com milhões de presos políticos e de execuções de opositores políticos.
Gorbachev é o único que não encaixa aqui porque a Perestroika e a Glasnost são uma aspiração a uma democracia com liberdade de expressão, transparência política, debate democrático... Ora isso não tem nada que ver com o Marxismo e muito menos com Lenine que foi o grande arquitecto dos julgamentos populares após a revolução de Outubro, da execuções em massa, da repressão brutal, da NKVD, dos assassinatos cirúrgicos para afastar a oposição e ficar com poder absoluto, da manipulação das imagens da história para aparecer como um herói.
Enfim, ainda hoje os comunistas têm em comum com Lenine a apologia do imperialismos de repressão brutal e colonialismo - AKA, Putin.
É triste ser cego por opção - ou se calhar não é cego, é só mentiroso ou cobarde. Passou toda a vida a defender um erro e agora voltar atrás seria perder a face e o emprego. Então, nega a realidade. Nisso, Carlos Brito foi um homem de coragem e não só abriu os olhos como assumiu o seu erro em ter apoiado uma ideologia que em todo o lado em que se impôs, mesmo que com interpretações diferentes, foi sempre desembocar na ditadura brutal e no sofrimento de milhões de pessoas.