April 06, 2026

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F. A. Hayek Quotes

“Communists and Nazis clashed more frequently with each other than with other parties. They competed for the support of the same type of mind and reserved for each other the hatred of the heretic.” — Friedrich Hayek
(«Os comunistas e os nazis enfrentavam-se entre si com mais frequência do que com outros partidos. Competiam pelo apoio do mesmo tipo de mente e reservavam um ao outro o ódio que se tem pelos hereges.» — Friedrich Hayek)

 

A Ucrânia ilibada de envolvimento na sabotagem dos gasodutos da Sérvia.

 

Foi um acto de sabotagem de um imigrante com treino militar. É a guerra.


Porque se tolera isto?

 

Vejo muitas contas de pessoas da esquerda, inglesas, mas não só, a defender que a violação de raparigas e mulheres europeias por parte dos imigrantes islamitas é um preço suportável a pagar pela integração de mão-de-obra desses países islamofascistas. Dizem que a primeira geração de imigrantes vem com uma educação de violar raparigas e mulheres e em geral tratar as mulheres brancas como lixo, mas a segunda geração já está integrada. Para além do argumento ser criminoso e obsceno -defender que as raparigas e mulheres podem ser deitadas para o caixote do lixo- ainda é falso. Em Inglaterra já vão na terceira geração de imigrantes islamitas e o islamofascismo cresce de dia para dia com a cumplicidade desta nova esquerda amante de fascistas desde que sejam contra a direita ou contra judeus. Porque se tolera isto? Porque os que decidem as políticas não andam na rua a ser assediados e violados. É um problema que lhes passa ao lado.


A esquerda há muito que rompeu o compromisso com a verdade

 

Prudência de Macron - vendeu o ouro que a França tinha nos EUA e comprou ouro na Europa

 


Infográfico - Queda nos resultados da Finlândia no PISA desde 2000 (Leitura, Matemática, Ciências)

 


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Infográfico deste dia - evolução dos salários, preço da habitação e comida na Europa



 

u/Geozofija

Durante 4 séculos havia homens que acreditavam serem feitos de vidro - Carlos VI foi um deles


 

Miniature of the bedridden Charles VI, from a 15th century manuscript of Jean Froissart's Chroniques (BnF FR 2646)


What’s wrong? Well everywhere he’s . . . made of glass, you see;
The chairs will be the death of him, he trembles at the bed,
Fearful the one will break his bum, the other smash his head . . .
—Constantijn Huygens, “Costly Folly”, 1642

Inverno de 1393: Paris tem estado fria há semanas. O Sena não está completamente gelado, mas move-se espesso, transportando blocos de gelo que embatem nos pilares das pontes e depois se afastam a girar. No Hôtel Saint-Pol, residência do rei, os corredores estão húmidos apesar das lareiras acesas. E, num quarto perto da parede oriental, um alfaiate real trabalha.

Nesse mês, o rei pediu que se cosesse varetas de ferro no forro das suas roupas. Não armadura — a armadura tem os seus próprios artesãos, a sua própria lógica. Eram peças comuns: o casaco, o gibão. As varetas deveriam percorrer o torso, sustentar a estrutura, manter tudo rígido. O rei, nessa altura, não saía dos seus aposentos há semanas. Carlos VI de França, “o Amado”, tinha então vinte e quatro anos. Durante alguns anos, gerira com sucesso o legado do pai: a corte, as facções, os ingleses, o problema constante do dinheiro.

Depois começou a acreditar que o seu corpo era de vidro. Não como figura de estilo para fragilidade ou para o peso do poder. Pensava que o seu corpo podia literalmente estilhaçar-se, refractar a luz. Como registou o papa Pio II: “Por vezes pensava ser feito de vidro e não permitia que lhe tocassem. Mandou colocar varetas de ferro nas roupas e protegia-se de todas as maneiras para não cair e partir-se.”

Semanas antes da encomenda ao alfaiate, numa sala não muito longe dali, o edifício tinha estado em chamas. O incêndio deflagrou durante um baile de máscaras de inverno: Carlos e cinco nobres estavam vestidos de homens selvagens, com trajes de linho embebidos em pez, negros e pegajosos, e cobertos de linho para parecerem pêlo. Uma faísca, vinda de algum lado. O pez incendiou-se; arderam. Quatro nobres morreram queimados onde estavam. Carlos sobreviveu apenas porque a sua tia, a duquesa de Berry, lançou as saias sobre ele e abafou as chamas. Ficou na sala devastada, com o cheiro a cabelo queimado por todo o lado, a pele intacta, a tremer. A noite ficou conhecida como o Bal des Ardents: o Baile dos Ardentes.

Miniature of the Bal des Ardents, from a manuscript of Jean Froissart's Chroniques (BL Harley 4380), ca. 1770–72 — Source.


Cinco meses antes do incêndio, Carlos tinha saído de Paris à frente de um exército. Um amigo e conselheiro fora atacado — quase morto — e o responsável refugiara-se na Bretanha. Carlos procurava vingança. Ao atravessarem a floresta numa manhã quente de agosto, um leproso descalço e em farrapos saiu das árvores e agarrou as rédeas do rei. “Volta para trás”, gritou. “Estás a ser traído.” Quando a comitiva saiu finalmente da floresta, era meio-dia. Um pajem, entorpecido pelo calor, deixou cair uma lança. Esta bateu num elmo e o som ecoou pela coluna. Carlos estremeceu. Sacou da espada e gritou: os traidores, aqueles de que o homem descalço o avisara, pareciam estar ali, à sua volta. Os cavaleiros dispersaram. Alguns demasiado lentos. Ele matou quatro antes que os outros o arrancassem do cavalo. Quando o puxaram para baixo, estava rígido, olhos abertos, inacessível, ainda a segurar a espada. Quando chegaram a Le Mans, tinha amolecido. Não se lembrava de nada.

Violência, depois fogo, depois vidro — como se o corpo tivesse de ensaiar a sua vulnerabilidade antes de se fixar na metáfora final.

E depois a condição apareceu noutros.

Os pacientes “apareciam sob várias formas”, escreve a historiadora literária Gill Speak, cujo estudo de 1990 continua a ser o relato mais consistente da chamada «ilusão de vidro». “Podia ser um urinol, uma lâmpada de óleo ou outro recipiente de vidro, ou então podia ele próprio estar preso dentro de uma garrafa de vidro.”

Os homens vinham dos Países Baixos, de França, de Espanha — documentados na literatura médica ao longo de quatro séculos, cada um com um auto-diagnóstico preciso e terrível. O médico holandês Levinus Lemnius tratou um paciente perfeitamente racional em tudo menos numa coisa: a convicção absoluta de que as suas nádegas eram feitas do mesmo material que os vidros das janelas. Os médicos André Du Laurens e Alfonso Ponce de Santa Cruz descreveram independentemente um nobre que acreditava ter a forma específica de um jarro de vidro. Não apenas feito de vidro, mas também contido por ele: dormia enterrado em palha, aterrorizado com a ideia de tombar durante a noite e ver-se derramado pelo chão. (Du Laurens registou também um paciente que acreditava que os seus pés eram de vidro e se recusava a andar.)

Em The Optick Glasse of Humors (1607), o clérigo Thomas Walkington recorda um veneziano agorafóbico que temia que as suas “partes traseiras estaladiças” fossem recolhidas por um vidraceiro para fazer vidraças de uma janela. E o polímata renascentista Tommaso Garzoni descreveu um homem que tentou atirar-se para o forno de um vidraceiro e sair de lá como uma inghistara, uma jarra de pescoço longo sem asa. A maioria dos casos dizia respeito a sobreviver como vidro; este era sobre tornar-se vidro.

Nicolas de Larmessin, Habit de vitrier (Glassmaker’s uniform), ca. 1680–1700 — Source.

Os casos acumularam-se na literatura médica — anotados por um médico, citados por outro, surgindo em tratados de Leiden a Paris, de Amesterdão a Lyon. O homem de vidro captou também a imaginação de escritores por toda a Europa; em particular, um romancista espanhol e um filósofo holandês — cada um recorrendo à mesma figura, cada um encontrando nela algo diferente.

Em 1613, no auge da sua fama, Miguel de Cervantes publicou uma coleção de doze novelas curtas, as Novelas Exemplares. A décima primeira era “El licenciado Vidriera”. Contava a história de Tomás Rodaja, estudante de Direito em Salamanca, brilhante e pobre. Uma mulher apaixona-se por ele; ele não corresponde. Ela dá-lhe um filtro amoroso numa marmelada e Tomás come-o. Quando sai da febre, declara: é um homem de vidro, não de carne e osso.

Nas mãos de Cervantes, o delírio torna-se uma espécie de liberdade. Obcecado em proteger o corpo, Tomás deixa de medir palavras. A sua fala torna-se transparente, sem filtros. Critica homens com barbas tingidas; repreende um livreiro por explorar clientes. Um homem pergunta como deixar de invejar os outros. “Vai dormir”, responde Tomás. “Enquanto dormes, és igual àquele que invejas.”

Algumas décadas depois, René Descartes propôs-se duvidar de tudo o que pudesse ser posto em causa. Mas fez questão de distinguir as suas dúvidas — metódicas, filosóficas — das de uma mente perturbada. Para isso, evocou exemplos já correntes: um homem que pensa ser rei sendo pobre; outro que pensa que a sua cabeça é de barro; outro que acredita que o corpo é de vidro. Esses, escreveu, são loucos.

Séculos mais tarde, Michel Foucault argumentaria que Descartes não excluiu o homem de vidro — usou-o para definir o que conta como pensamento válido. E Jacques Derrida responderia que, ao aproximar sonho e loucura, Descartes tinha tornado a própria razão suspeita.

Porquê o vidro? Os estudiosos sugerem duas explicações. A primeira é material: no século XVI, a visão humana estava a ser transformada. Lentes, telescópios, microscópios — todos dependentes do vidro, especialmente o vidro refinado de Murano, quase invisível. A segunda é social: um contágio cultural entre homens letrados que liam os mesmos textos, conheciam os mesmos casos, partilhavam a mesma linguagem para o sofrimento.

Talvez sejam a mesma coisa: o vidro tornou-se simultaneamente omnipresente e estranho — perfeito como metáfora para uma mente sob pressão.

Antes de desaparecer, o fenómeno produziu um último caso notável: pela primeira vez, uma mulher. A princesa Alexandra Amalie da Baviera, nascida em 1826, desenvolveu a convicção de que tinha engolido um piano de cauda feito de vidro. Não que fosse de vidro — mas que o continha. No contexto da corte bávara, o piano era central para o valor social de uma mulher: talento, casamento, reconhecimento. Alexandra viveu o resto da vida a atravessar portas de lado, com extremo cuidado para não “partir” o piano dentro de si.

Replica of Joseph Karl Stieler’s portrait of Princess Alexandra Amalie of Bavaria for the Gallery of Beauties in Nymphenburg Palace, 1845 after 1838 original — Source.


Continuou, no entanto, a escrever: ensaios sobre as pirâmides de Gizé, sobre a dinastia merovíngia.

O delírio do vidro desapareceu da literatura médica em meados do século XIX. Nunca foi comum — mas, durante um período, o vidro tornou-se suficientemente carregado de significado para expressar o que não podia ser dito de outra forma.

O antropólogo médico Mark Nichter, desenvolvendo ideias de Arthur Kleinman, propôs que o sofrimento encontra “idiomas culturais”: formas de expressão que o mundo reconhece. O delírio do vidro era um desses idiomas. Um corpo de vidro não pode ir à guerra, não pode casar, não pode cumprir as exigências da vida cortesã.

Quando o vidro deixou de ser estranho, o idioma perdeu força. Mas o medo não desapareceu — apenas mudou de forma. Veio o telégrafo, os raios invisíveis, a guerra industrial. No pós-guerra, pacientes descritos por Viktor Tausk acreditavam que máquinas invisíveis controlavam os seus pensamentos.

No inverno de 1393, o alfaiate termina o trabalho. O fio atravessa o tecido pesado; as varetas são sólidas, reais nas suas mãos. As costuras resistem. Em breve, o rei vestirá a roupa — e sobreviverá mais um dia dentro de um corpo que nunca foi de vidro, protegido por ferro contra uma fragilidade que existia apenas na sua mente.

Tinha matado homens sem se lembrar. Tinha visto quatro cortesãos arderem vivos numa festa que organizara. Era rei de França desde os onze anos.

Se isso me tivesse acontecido, creio que também acreditaria ser feito de vidro.


Até que enfim que alguém diz publicamente o óbvio

 

Isto pode ser dito da esquerda em geral

 

O Partido Trabalhista encontra-se agora na posição mais ridiculamente paradoxal que se possa imaginar. Depois de passar anos a apresentar-se como os guardiões virtuosos da compaixão, do internacionalismo e da superioridade moral, descobriu de repente que a imigração sem limites, as fronteiras porosas e a virtude de fachada têm consequências. Não são consequências abstratas. Não são consequências teóricas. Consequências reais. Pressão sobre a habitação. Pressão sobre os salários. Pressão sobre as escolas, os serviços e a coesão social. E, tendo finalmente tropeçado nessa verdade ofuscante, tentam agora parecer duros enquanto metade do seu próprio partido grita como se alguém tivesse ateado fogo a um cesto de quinoa.     - Guy Montrose


Não é preciso saber de mecânica para ver que um carro está desgovernado em direcção ao desastre

 

Marta Temido: “Não reconheço ao primeiro-ministro conhecimento setorial para falar de caos na Saúde deixado pelo PS”   -DN
Que o PS deixou a Saúde num caos todos o vemos. Não é preciso saber de mecânica ou até ter carta de condução para ver que um carro está desgovernado em direcção ao desastre e, que uma parte da viagem foi feita com Temido ao volante. Outra coisa diferente é vermos que este governo não sabe consertar o carro e evitar mais desastres porque o problema não é meramente mecânico, o problema é o windigo dos condutores, do fabricante de automóveis e de peças, o dono dos combustíveis, etc. que neste caso são, as farmacêuticas, os accionistas dos hospitais privados, os gestores dos hospitais públicos, os políticos que conduzem a máquina, todos eles estão afectados de windigo: pura ganância de ter mais e mais e mais, para a qual necessitam de explorar outros até ao tutano. O problema não é só português, pois esta forma de capitalismo narcísico onde pessoas que têm 200 biliões despedem milhares de trabalhadores para terem mais biliões e os que trabalham de sol a sol, mesmo assim não têm dinheiro para se sustentarem mais aos filhos, está espalhada pelo mundo. Temido podia estar a contribuir com soluções para o problema mas em vez disso escolhe fazer parte dele.

Blast from the past (06.04.09)


 



Os três da vida airada - o marquês

por beatriz j a, em 06.04.09



F -Que é que tens aí na mão?

C - Tou a fazer um despacho.

R - É para mim, é para mim? Mais um para os professorzecos?

C - Éh pá! Cala-te com isso. Tás obcecada! Essa porcaria dos teus despachos só têm feito barracas. Ainda agora tamos a desembrulhar o caso do outro das fotocópias!

R - Foi o dog que mo indicou.

C - O dog? Que dog?

F - Ela está a falar do melhor amigo do homem...eheh

C - ahhh...pois é esse memo que vai publicar o meu despacho.

F - Mas afinal que despacho é esse?

C - Estou a pensar no futuro. Quero ficar na História como alguém importante e vou mandar pôr o meu nome no Almanaque da Gota!

R - da Gota?

F - Ele quer dizer de Gotha...já sabes que só lê pelo Magalhães!

R - Estou farta da m....do Magalhães. Se nos lixarmos todos a culpa é tua!

C - É tua, mas é.

R - É tua.

F - Parem com isso! Olha lá, isso de vir no Almanaque de Gotha não é assim, por despacho.

C - Não? Porquê? Aqui a R fez um museu e pôs-se lá com um ar importante e vai ficar para a História. Eu também quero.

R - És burro, não sabes fazer as coisas.

C - Burra és tu.

R - És tu.

F - Calem-se! Olha lá, para se estar no Gotha é preciso pertencer à nobreza, ter título.

R - Titular? Titular? Queres ver que determinei uma data de nobres? Sou mesmo importante!

F - És memo memo parva. Título de nobreza, como ser Conde ou Marquês.

C - Marquês? Marquês? Atão tou safo, que sorte a minha!

F - Olha lá ó palerma, desde quando és Marquês?

C - És memo memo burro. Atão não sabes que sou engenheiro de marquises? Ah ah...Sou Marquês. Eu, José, como aquele, que tá com o leão na Rotunda. Ah...e que cabeleira que ele tem. Linda de morrer! Tamém quero uma. Quero uma estátua. Eu, lá em cima, o Magalhães na mão. No Rossio. Tiramos o gajo que lá está - até dizem que é um brasileiro qualquer - e fico eu no Rossio. Praça do Engenheiro Marquês!

F - Tás a sonhar!

C - Tou? Vais ver! Chama lá o dog. Ele vai já publicar o despacho e daqui em diante quero ser tratado por senhor engenheiro marquês. Olarilas! E quem não me chamar assim, vai ter represálias, vai vender cachorros pro Freepor!

April 05, 2026

Livros - "Não há grande génio sem um toque de loucura"


 

«Não há grande génio sem um toque de loucura» é uma frase de Séneca, o Jovem, que a atribuiu a Aristóteles. Na sua obra Problemata, Aristóteles argumentou que todos os indivíduos excepcionais — quer na filosofia, na política, na poesia ou nas artes — eram, de alguma forma, melancólicos. Não no sentido actual de doença mental mas no sentido de natureza intensa, dada à meditação profunda e contemplativa, que permite ver além dos limites convencionais, desafiar as normas e pensar de forma diferente. 

Ao contrário de Platão que via o génio criativo como um daímon, uma ligação do humano ao divino, uma espécie de dom atribuído pelos deuses,  Aristóteles via a «loucura» do génio como um temperamento natural, instável — uma melancolia «quente» ou «fria», mas sempre de excesso emocional.

Este livro, escrito por Margot e Rudolf Wittkower, um casal de Berlim que fugiu da Alemanha nos anos 30, primeiro para Inglaterra, depois para os EUA, retoma essa ideia da Melancolia como fonte do génio criativo. 

Daí o título do livro, Nascido sob Saturno - Saturno é o deus da melancolia e dos melancólicos diz-se que têm uma disposição saturnina - e daí, também,  a primeira página trazer uma representação da Melancolia de Jacob Gheyn.

Margot e Rudolf Wittkower são Historiadores de Arte e escreveram este livro, publicado pela primeira vez em 1963 pela Random House, conscientemente contra as interpretações psicanalíticas da arte e dos artistas que vinham sendo cada vez mais a norma.

O livro trata da vida e obra de artistas: quem eram, o que era o seu contexto e o seu tempo, o que os inspirou e o que são as suas obras. O livro é excelente porque junta a informação e o insight a uma escrita muito cativante. O género de livro em que se pega e já não se pousa. Exactamente o que estava a precisar pois, vendo bem, vendo bem, também eu ando a ler menos por causa da internet...

Enfim, aconselho vivamente a todos os que se interessam pelo assunto e a todos os curiosos sobre a natureza da alteridade dos artistas, pessoas que sendo como nós, não o são.

Blast from the Past (05-04-2009)



O que se passava neste dia em 2009? O rescaldo do caso Casa Pia e o início do 'Freeport'

Nó-do-diabo

por beatriz j a, em 05.04.09

Hoje, em Almada, o irmão do moço que tira fotocópias a preços caríssimos - aquele que acusou miúdos vítimas de abusos de serem os maus da fita -, rodeado de senhoras com ar de noelistas, comparou-se mais à sua situação ao Humberto Delgado!


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Os 'simplexes' das democracias

por beatriz j a, em 05.04.09

Hoje, um artigo de opinião de Catalina Pestana, no JN, fez-me adiantar a leitura do 1º volume dos Diários de Victor Klemperer intitulado I Shall Bear Witness.

No artigo diz Catalina que é difícil apercebermo-nos do 'mal' na sua origem, mas que são as pequenas cedências, as pequenas complacências que aos poucos lhe vão dando espaço e poder.

Lembrei-me do Victor Klemperer - um judeu de Dresden, linguista e professor universitário que sobreviveu à guerra sem ser deportado, devido à mulher ser uma alemã ariana e ao facto de ter aproveitado os bombardeamentos da cidade para, no meio do caos, arrancar a estrela amarela e fugir com a mulher passando por alemão.

Os seus diários são únicos. Klemeperer, um indivíduo honesto, culto e inteligente, escreve-os sem intenção nenhuma de os publicar de modo que não os retoca nem melhora com efeitos estéticos. São um documento único do dia-a-dia da Alemanha nazi nos doze anos que durou o Reich (de1933 a 1945) dos mil anos.

Klemperer vai registando, nos acontecimentos diários, a degradação progressiva dos valores e da vida alemães; o modo como o nazismo progride pela ameaça, pela corrupção, pelo medo e pela conivência das cedências que o povo vai fazendo aos seus líderes.

Uma obra extremamente pedagógica no modo como ensina a olhar para os acontecimentos vendo o que se esconde por detrás, nas intenções.

Um pequeno excerto, da entrada de 23 de Março de 1936:

"Será um tremendo triunfo para o governo (refere-se às eleições na sequência da ocupação da Renânia e da dissolução do Reichstag). Vai receber milhões de votos para a 'paz e liberdade'. Não vai necessitar de forjar um único voto. A política interna está completamente esquecida. - Exemplo: Martha Wiechmann, que recentemente nos visitou e que era completamente democrática. Agora diz: nada me impressionou tanto como o rearmamento e a marcha sobre a Renânia.
(...)
Impressiona os poderes estrangeiros e, apesar da condenação da Liga das Nações (...) é uma tremenda vitória para Hitler. Ele voa de um lugar para outro a fazer discursos triunfais. A Ópera Kroll chama-se agora Reichstag. Adequado: os eleitos hão-de ser coros, figurantes, a claque! Hitler disse recentemente: Eu não sou um ditador, eu apenas simplifiquei a democracia.

Também as moedas de Napoleão, de início, traziam as palavras, «República Francesa»."


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Freeport, mafiosos e bandidos? O povo sozinho....

por beatriz j a, em 05.04.09

No DN
"Isto vai ser outro processo Casa Pia"
por CARLOS RODRIGUES LIMA

Lopes da Mota terá comparado o caso ao processo da Casa Pia e às consequências que o primeiro poderia ter no Ministério Público, dizendo a Vítor Magalhães e Paes de Faria que ambos estavam "sozinhos sem apoio". O Procurador-geral omitiu os pormenores dos contactos na reunião do Conselho Superior. O presidente do Eurojust volta a negar qualquer pressão.

"Isto (caso Freeport) vai ser outro processo Casa Pia para o Ministério Público", "vocês estão sozinhos nisto e lixados", foram algumas das expressões, confirmadas pelo DN junto de um procurador que acompanhou todos os contactos.

"Os colegas estão de rastos com toda a situação. Sobretudo o Magalhães para quem Lopes da Mota era um motivo de orgulho pelo facto de ser um português a presidir a uma organismo europeu de cooperação judiciária", disse ao DN a mesma fonte do DCIAP.
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Estas declarações, a serem verdade, são de gravidade institucional.

Não são apenas as ameaças que se fazem aos investigadores sobre as suas pessoas e carreiras, mas é também a referência a interferências num outro caso - o da Casa Pia - e ao modo como o processo foi manipulado - para que não tocasse em certas pessoas e lixasse apenas um ou outro dos que, ou não se calaram ou não conseguiram fugir?

Toda esta conversa que se terá passado, parece tirada dum filme de mafiosos onde uns ameaçam outros para os intimidarem e impedirem de denunciar. A diferença é que, nos filmes de mafiosos, eles subornam algumas peças do poder judicial e executivo, enquanto que aqui, nesta situação real e não fictícia, os mafiosos serão os próprios poderes executivo e judicial...?

Isto é tão grave que não se entende como e porque é que o Presidente da República ainda não fez uma comunicação ao País, pelo menos a dizer que está atento. Isso é o mínimo, acho eu... para que não se instale um clima de impunidade sistemática.

Quem o incomoda são alguns jornalistas e alguns bloguistas: gente com pouco poder.

Fazendo e dizendo nada o Presidente passa a mensagem que não está para ter chatices e que nos deixa a nós, povo, sozinhos a lidar com isto. Então, tornam-se dramaticamente verdadeiras as supostas palavras de Lopes da Mota: «vocês estão sozinhos nisto e lixados.»

April 04, 2026

O mesmo se aplica ao regime de Putin

 




Os ingleses estão chateado com o rei

 

E parece que corre o rumor de que o rei se converteu ao Islão.

Porque é que não fazem legislação para impedir criminosos de usar IA para roubar pessoas?

 

Vamos voltar ao século XIX. Os músicos cantam directamente para um público restrito, nada fica gravado. É uma experiência única e irrepetível. Em alternativa, quem fizer dinheiro com cópias de artistas feitas com IA vai preso.

Todos os dias notícias dos crimes russos

 

Líderes que mostram ser parceiros activos de Putin têm de enfrentar consequências, de uma maneira ou de outra.

"My head is bloody, but unbowed"

 

Henry Thoreau

 



Henry Thoreau

(...)

Dizem que a banheira do rei Tching-thang tinha gravado caracteres que diziam: 'Renova-te completamente todos os dias; fá-lo uma e outra vez e sempre'. Consigo compreender isto.

(...) Devemos aprender a 're-acordar' e a manter-nos acordados, não mecanicamente mas por uma infinita expectativa da manhã que não nos esquece mesmo no nosso sono mais profundo.

Não conheço facto mais encorajador que a inquestionável capacidade que o homem tem de elevar a sua vida através dum esforço consciente.

Uma coisa é pintar uma pintura ou esculpir uma escultura, e fazer assim alguns objectos belos; mas muito mais glorioso é esculpir e pintar a própria atmosfera e meio pelo qual olhamos, o que moralmente podemos fazer. Afectar a qualidade do dia, essa é a maior das artes.

Todo o homem tem a tarefa de fazer a sua vida, até nos pequenos detalhes, merecedora da contemplação da sua hora mais crítica e elevada.