Os homens sexistas e misóginos não se acham sexistas e misóginos porque não aprenderam o machismo como uma lição numa aula. Foi-lhes dado a comer como um pano de fundo de todas as suas experiências de vida: em casa, na rotina das mães e irmãs cuidarem da casa e dos irmãos, à mesa, nos privilégios que tinham relativamente às irmãs, nas expectativas que viam os pais depositavam, como valores, neles, no investimento na sua educação em detrimento do das raparigas, na discriminação positiva constante na escola, nos mestre e autores que aprendiam, todos homens, como se nenhuma mulher tivesse realizado, inventado ou escrito algo de valor, na TV, onde homens têm os cargos e os papéis sérios e as mulheres aparecem meio-despidas no cenário como objectos de prazer, nos filmes onde as raparigas e mulheres aparecem apenas como troféus e props, no desporto, onde as modalidades reunem todo o investimento e as femininas onde o investidor se preocupa sobretudo com a farda ser curta para gratificar o olhar dos homens, na política, onde todos os cargos de chefia são, por norma, de homens, nas religiões, onde a normal é as mulheres serem faladas e tratadas com o maior desprezo e desconsideração, etc. Quando ouviram falar no nome -«sexismo», «misoginia», «patriarcado»- já tudo isso era a norma, o ar que respiravam. Daí que tantos e tantos se abespinhem muito mais com os termos, «patriarcado» ou «sexismo» do que com a multidão de centenas de milhões de raparigas e mulheres escravizadas, violadas e assassinadas às mãos dos homens. E recusam reconhecer o problema e, consequentemente, não mexem um dedo para o resolver.
Uma menor institucionalizada terá sido violada depois de ser exposta sexualmente a centenas de homens. PJ fez várias buscas, apreendeu material informático e dois inspetores foram baleados.
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