May 05, 2026

É a guerra

 

Só quando a guerra entra pela casa adentro do invasor é que o povo começa a perceber os custos do imperialismo. Agora que vamos entrar no bom tempo da Primavera e do Verão é preciso insistir nas sanções, sejam em forma de impedimentos, dinheiro ou explosões de recursos de guerra. Espero que caiam drones em cima de Putin e do seu exército no dia da parada militar para acabar com esta guerra de vez. Putin vai mandar um sósia à parada... não acredito que tenha coragem de sair do bunker.


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Putin iniciou esta guerra para derrubar Kiev e criar um Estado fantoche desmilitarizado.

Mais de quatro anos depois, a Ucrânia tem uma identidade nacional mais forte e forças armadas mais letais do que em qualquer outro momento da sua história.

A invasão russa é um fracasso histórico e catastrófico.

Joni Askola


Mais um ignorante encartado que perora sem tino sobre a educação escolar


Segundo um estudo publicado neste jornal, um quarto dos alunos portugueses acabadinhos de concluir o 1.º ano não consegue ler 21 palavras num minuto.

Não interessa muito se frequentaram uma escola pública ou se andaram num colégio, mas importa determinantemente o contexto familiar em que as crianças são educadas; as habilitações dos pais são o que fazem mexer a agulha do estudo, pelo que a escola falha no papel de nivelador social.

As causas para o declínio são difíceis de apontar, pois é paradoxal que os investimentos nos sistemas de educação e o desenvolvimento geral das populações não se traduzam numa melhoria consistente da compreensão de textos.

Há várias hipóteses, a mais popular das quais que diz que o smartphone —​entretanto, banido das escolas — veio alterar as regras do jogo. As crianças têm acesso a esta tecnologia cada vez mais cedo, o tempo de atenção diminuiu, o algoritmo favorece o scroll e a leitura fica reduzida a um carrossel emocional. Esta é, por exemplo, a teoria de Jonathan Haidt, que correlacionou a explosão dos telemóveis inteligentes e a descida na literacia.

Também se discute, por outro lado, que a mudança de paradigma, de um ensino que privilegie a eficácia em detrimento do raciocínio e da crítica, possa prejudicar a capacidade que todos terão, no futuro, de ler um livro do início ao fim e retirar as suas próprias conclusões. Se isto falha, tudo pode falhar.

Pedro Candeias, Público
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Este articulista é um jornalista desportivo, mas para não deixar sozinha a senhora que esta semana veio para o jornal denegrir a professora do filho mais os colegas e seus pais por causa de uma nota do seu filhinho (em meu entender isto de mostrar o poder de ter acesso a um jornal nacional para fritar os professores do filho configura um caso de bullying) resolveu também exercer a arte de falar do que não sabe.

Em primeiro lugar, as habilitações dos pais são o factor determinante no estudo, logo a escola está a falhar como nivelador social? Ele pensa que as habilitações por si só são uma espécie de pó mágico. As habilitações dos pais significam um nível de vida mais folgado, uma maior consciência da importância da educação escolar, um nível de educação para a aprendizagem, prévia à entrada na escola (saber ouvir, saber seguir uma instrução, estar ciente da necessidade do estudo) um nível de vocabulário, de complexidade frásica e argumentativa, significa que levem os filhos a viajar, que podem pô-los numa explicação quando necessário, etc. Pais a lidar com um só filho. 

As escolas têm os alunos em turmas de 30. Numa mesma turma há alunos que ainda não sabem ler, alunos que têm mais ou menos, alunos que não sabem estar numa sala de aula, que não sabem esperar a sua vez, enfim, sem educação parental para a sociabilidade, alunos completamente auto-indulgentes e alunos que vêm preparados para a aprendizagem escolar. A relação do professor é com o grupo-turma e não com cada aluno individualmente e, ao contrário do que diz este jornalista desportivo que trabalha num jornal mas não está informado, não tem havido investimentos nos sistemas de educação e no desenvolvimento geral das populações. Pelo contrário, estamos mais pobres e as escolas estão à míngua, não têm equipamentos, os currículos são muito pobres e não há professores - penso que tenha ouvido falar disso... Não é possível "nivelar", nestas condições, alunos completamente díspares quanto ao lugar em que se encontram, social, intelectual e emocionalmente, quando entram numa turma. Era preciso ter professores e técnicos a trabalhar com os alunos mais atrasados. Não há professores... Era preciso que os pais fossem responsabilizados pela educação parental. Era preciso tirar o peso de burocracias inúteis de cima dos professores. Os professores não são o Cristo milagreiro.

"Há várias hipóteses [para o declínio da educação], a mais popular das quais diz que o smartphone..." Não é mais popular, é a que tem mais evidências a suportá-la. Quando se vem para os jornais dizer mal dos professores e das escolas, o mínimo é ter um bocadinho de rigor na linguagem. E não, os telemóveis não foram banidos das escolas.

Finalmente, quanto a uma,
mudança de paradigma, de um ensino que privilegie a eficácia em detrimento do raciocínio e da crítica, possa prejudicar a capacidade que todos terão, no futuro, de ler um livro do início ao fim e retirar as suas próprias conclusões
Não há nenhum paradigma que privilegie a eficácia, nem a eficácia é uma alternativa ao pensamento crítico. Existem em conjunto. Já ontem a senhora que vem para os jornais fazer escândalo por causa da nota do filho falava no paradigma da educação que pedia repetição em vez de pedir opiniões analíticas fundamentadas (um conselho que podia ela mesma ter seguido). Não existe nenhum paradigma tal, nem a repetição é concorrente do pensamento analítico. 

Um aluno que está a resolver exercícios de matemática, logo ao nível da escola primária, ao fazer repetidamente o processo de partir o problema nas suas partes e depois operar as partes até resolver o todo, está a interiorizar precocemente o próprio processo de análise de um problema.

"O pensamento crítico é a capacidade de analisar, avaliar e questionar informações de forma objectiva e racional. Envolve cepticismo saudável, lógica e fundamentação para evitar manipulação, sendo crucial para a tomada de decisões" - esta é uma definição da IA, é fácil de encontrar.

Como este senhor devia perceber, nenhum aluno na escola primária ou no 5º ano ou no 7º ou até depois têm essa capacidade analítica (a maioria dos meus alunos no 10º ano não a tem) para a qual se requer, em primeiro lugar, processos de abstração que as crianças ainda não têm. 

Para questionar informações é preciso ter conhecimentos. Se não temos conhecimentos o máximo que podemos fazer são perguntas - se sabemos fazer perguntas significantes, o que também requer alguns conhecimentos. Por exemplo, não falar de soluções na educação escolar sem ter conhecimentos sobre o tema de maneira a não opinar sem fundamento e sem tino. 

Dito isto, as disciplinas, em todos os anos escolares, têm muitos procedimentos e alguns são repetitivos (o que a memória não retém não fica aprendido), que indirectamente vão treinando os alunos nos processos analíticos, interiorizando o método de abstrair-se das inclinações subjectivas e tratar os problemas com regras, critérios objectivos, com preocupação de rigor, ao mesmo tempo que vão construindo um edifício de conhecimentos (da matéria em questão), sem os quais nenhum pensamento crítico é possível. Os processos repetitivos aparecem sempre como aplicação do que foi compreendido anteriormente, portanto, são aplicação de conhecimentos. Mas até essa compreensão, nos primeiros anos de escolaridade é indirecta porque as crianças estão em níveis do desenvolvimento intelectual que não permite a compreensão de certos conceitos. O treino do pensamento nos procedimentos lógicos e analíticos usando regras objetivas e universais é lento e durante muitos anos é indirecto. 

Mesmo um adulto, se quer ser crítico em relação a um assunto, tem que ter conhecimentos. Quando quero perceber assuntos da física fundamental pergunto a um amigo que é especialista nesse campo e, apesar de ser professora e de já ter sido aluna universitária, não assumo que sei o que é a educação universitária e as especificidades do ensino universitário. E quando quero saber pergunto-lhe a ele que é especialista. 

Fico sempre espantada quando os responsáveis políticos vêm dizer que a disciplina de cidadania serve para ensinar pensamento crítico porque é uma declaração da ignorância acerca do que significa treinar o pensamento crítico. Não é uma técnica que se ensine. 

Tudo na educação leva muito tempo, na ordem de anos, a desenvolver e de início só indirectamente se desenvolve, porque o cérebro das crianças e adolescentes tem de passar certas etapas para conseguir realizar certas operações mentais. E o cérebro não opera no vazio, opera sobre dados, conceitos, informações, conhecimentos. 

Na educação tudo é lento e complexo e os títulos dos jornais do género, 'não sei quem tem a receita para uma educação de sucesso' ou 'na escola tal descobriu-se o factor do sucesso' só mostram ignorância crassa e falta de entendimento básico do assunto. Infelizmente, não se coíbem de opinar, mas vemos que as sua opiniões vêm de um lugar vazio.

Hello!! Uns são filhos e outros enteados?


Soube hoje que quem dá formação profissional recebe mais 200€ no salário, como prémio, se não reprovar ninguém. 

HELLO! WHAT ABOU US?




Isto não podia ser inventado

 

Nas expressões, 'capitalismo canibal' e 'socialismo canibal', o termo operativo é, 'canibal'

 


A maior fábrica da China, na verdade uma cidade industrial murada, tiveram que instalar redes anti-suicídio nos edifícios. 





por Veridion

Vêm aí os americanos

 




u/Krankenitrate


Kleptocracy Tracker

 

Tenho pena que em Portugal não haja alguém ou um grupo de cidadãos que se dedique a documentar todos os desvios de fundos, fraudes e abusos económicos e financeiros de poder que nos trouxeram aqui a este ponto: multidão de pobres e a classe média a fundir-se nos pobres. Fariam melhor serviço e mais oposição que muitos inúteis que estão no Parlamento a fazer número. Como diz Applebaum, foi esse trabalho de mostrar como Orban estava a destruir a classe média para se enriquecer a si, à sua família e aos amigos que no fim lhe tirou os votos e os deu a Magyar. 

É verdade que não vivemos numa Cleptocracia, que é um sistema onde o poder político se organiza para roubar dinheiro dos contribuintes, como vemos acontecer na Rússia e em outros países, sendo que os EUA para lá caminham a grande velocidade. Porém, já tivemos governos a roçar esse caminho e o último foi o do senhor Costa onde os cargos políticos e de gestão pública estavam reservados para as famílias e amigos dos governantes e todos os dias havia notícias de casos de corrupção, tráfico de influências e abuso de poder. Apesar de Aguiar-Branco se queixar dos políticos serem escrutinados demais e da injustiça de serem percepcionados como lapas agarradas ao poder, precisamos de alguém que rastreie todos os casos de corrupção e os custos em dinheiro a eles associados.


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Kleptocracy Tracker

19 de abril
O bilionário sírio Mohamad Al-Khayyat utilizou uma proposta para um campo de golfe de Trump na Síria e contribuições para campanhas no Congresso para fazer lobby com sucesso junto do presidente e de vários membros do Congresso, com o objetivo de revogar as sanções impostas à Síria durante a presidência de Assad.

20 de abril

Beneficiários empresariais de contratos governamentais, incluindo uma subsidiária do contratante do ICE GEO Group, contribuíram com milhões de dólares para o super PAC de Trump, MAGA Inc., ajudando a angariar um valor recorde de 350 milhões de dólares antes das eleições intercalares de Novembro.

21 de abril
Trump afirmou que iria “lembrar-se” das empresas que não solicitassem reembolsos de tarifas ao governo, depois de o Supreme Court of the United States ter considerado ilegal a sua utilização da International Emergency Economic Powers Act, insinuando que continuaria a usar o poder executivo para punir empresas que o desagradassem.

22 de abril
Operadores financeiros fizeram uma série de apostas no valor de 430 milhões de dólares numa descida dos preços do petróleo bruto apenas 15 minutos antes de Trump anunciar que iria prolongar um cessar-fogo com o Irão — a quarta operação deste tipo, bem cronometrada, desde o início da guerra.

A administração Trump estabeleceu um enquadramento legal para manter anónimas centenas de milhões de dólares doados para financiar a construção de um salão de baile na Casa Branca, limitando as revisões federais de conflitos de interesse.

24 de abril
Apesar das declarações públicas de Trump a condenar mercados de previsão, o Trump Media & Technology Group lançou a sua própria plataforma desse tipo no ano passado, e Donald Trump Jr. tem ligações extensas tanto à Polymarket como à Kalshi.
O CEO da Skydance Media, David Ellison, organizou um jantar para Trump e altos membros do seu gabinete — incluindo o procurador-geral interino Todd Blanche — enquanto aguarda a aprovação do Departamento de Justiça para a aquisição da Warner Bros. Discovery pela sua empresa, no valor de 111 mil milhões de dólares.

O filho do Secretário da Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr., William, procura angariar 100 milhões de dólares para um fundo ligado ao movimento Make America Healthy Again do pai, tentando capitalizar a posição deste no governo.

Trump concedeu um perdão à vereadora republicana de Las Vegas Michele Fiore pela sua condenação por fraude, por ter usado fundos destinados a uma estátua em homenagem a um agente da polícia morto para pagar uma cirurgia estética, renda e o casamento da filha.

25 de abril
A Clark Construction, empresa responsável pela construção do salão de baile da Casa Branca, recebeu em Janeiro passado um contrato sem concurso da administração Trump para reparar duas fontes ornamentais no Lafayette Park. O National Park Service aumentou posteriormente o valor do contrato várias vezes, atingindo finalmente 17,4 milhões de dólares.

Trump organizou um segundo jantar — desta vez em Mar-a-Lago — para os 297 maiores investidores na sua memecoin $TRUMP, seguido de uma recepção para os 29 principais investidores.

28 de abril
Menos de um mês depois de a administração Trump anunciar acusações criminais e sanções contra uma rede criminosa transnacional acusada de roubar milhares de milhões de dólares a cidadãos americanos, a World Liberty Financial anunciou uma parceria com uma empresa de moeda digital cujos líderes tinham sido sancionados nessa mesma operação.

29 de abril
Após uma década a evitar locais associados a Trump, o PGA Tour será realizado no Trump National Doral, de 30 de abril a 3 de Maio, onde uma estátua dourada do presidente — patrocinada pelo grupo de criptomoeda Patriot Token — presidirá ao Cadillac Championship.

Uma análise da Popular Information revelou que Trump promoveu os seus negócios pelo menos 110 vezes desde o início do seu segundo mandato, através de publicações na Truth Social, declarações públicas e locais de eventos.

A Amazon está a considerar lançar um reboot de The Apprentice, desta vez com Donald Trump Jr. como apresentador.

30 de abril
Uma análise do grupo de defesa sem fins lucrativos Anti-Corruption Data Collective concluiu que metade de todas as apostas de alto risco — definidas como apostas de 2.500 dólares ou mais com probabilidades de 35% ou menos — sobre ações militares ou de defesa em mercados de previsão como Polymarket e Kalshi são bem-sucedidas, sugerindo que muitos utilizadores negoceiam com base em informação classificada como privilegiada.

Uma empresa de fachada apoiada por Eric Trump e Donald Trump Jr. fundiu-se com um grupo de minerais críticos que recebeu até 1,6 mil milhões de dólares do governo dos EUA no ano passado para explorar tungsténio no Cazaquistão.

Uma empresa de drones também apoiada pelos irmãos — Powerus — conseguiu o seu primeiro contrato com o governo dos EUA para um número não divulgado de drones interceptores destinados à Força Aérea dos EUA.

Open Letters, from Anne Applebaum 

Citação deste dia

 

«Nenhuma tirania é mais cruel do que aquela praticada à sombra das leis e sob o pretexto da justiça — quando, por assim dizer, se procede ao afogamento dos infelizes precisamente na tábua com que se tinham salvo.»

— Montesquieu (1689–1755)

The Wisdom Letter

Pode uma sociedade considerar-se justa se as suas salvaguardas agravam a vulnerabilidade que prometem aliviar?

May 04, 2026

Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades II

 


Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades

 


Coisas óbvias

 

Putler, escondido no bunker com medo da internet, pediu a Trump que lhe desse um cessar-fogo de um dia para dar uma festa. Ainda não percebeu que os EUA já não têm esse poder de influência. Trump delapidou-o a troco de promessas de dinheiro fácil.


Não haverá cessar-fogo no dia 9 de maio. «Ninguém pediu oficialmente à Ucrânia um cessar-fogo no dia 9 de maio», afirmou Zelenskyy.

«Um cessar-fogo de um dia, e antes disso, matar o nosso povo – isso é, por assim dizer, desonesto. Hoje Merefa, ontem Dnipro – mortos, feridos, adultos, crianças. Depois, dizer: Vamos parar por um dia para fazer um desfile – isso não é sério. Não temos feriados. Depois de 9 de maio, eles vão matar novamente.»

🎼 What a difference a lider makes, in 24 little hours 🎼

 

Enquanto uns se isolam e tornam o mundo mais paroquial, outros expandem-se e tornam o mundo mais actual.


Educação: remover o órgão e exigir a função

 

«E, ao mesmo tempo — tal é a tragicomédia da nossa situação —, continuamos a clamar por essas mesmas qualidades que estamos a tornar impossíveis. É quase impossível abrir uma revista sem deparar-se com a afirmação de que o que a nossa civilização precisa é de mais “determinação”, ou "dinamismo", ou "abnegação", ou “criatividade”. Com uma espécie de simplicidade medonha, removemos o órgão e exigimos a função. Criamos homens sem peito e esperamos deles virtude e iniciativa. Rimos da honra e ficamos chocados ao encontrar traidores no nosso meio. Castramos e exigimos que os castrados sejam fecundos.» 
— C. S. Lewis (1898–1963), “The Abolition of Man

The Wisdom Letter

Como é que uma cultura lamenta a ausência de virtudes que, silenciosamente, ensinou as pessoas a abandonar?


A educação é mais do que escolher um curso e uma carreira para fazer dinheiro



Hoje em dia, pensamos na educação como uma série de disciplinas dispersas que se estudam por motivos de carreira e mobilidade social:

A matemática é para engenheiros
A medicina é para médicos
A ciência é para biólogos
As humanidades são para pessoas sem recursos

A ideia da educação actual consiste em escolher uma disciplina, manter-se no seu caminho, formar-se, iniciar a carreira e depois fazer dinheiro. 

A educação é muito mais do que isso — durante a maior parte da História, a educação destinava-se a libertar a pessoa. A educação clássica ensinava para que a alma pudesse ser libertada; livre da confusão e do vício, orientada para a sabedoria e capaz de viver uma vida digna e com significado. (Sean Berube)

Como é que uma sociedade lamenta a ausência da cultura que, silenciosamente, ensinou as pessoas a abandonar?

Revisão do ECD: o ME pretende cortar fundos e eliminar direitos?




A insustentável dureza da revisão do ECD

O que está em curso não serve a Educação, a Escola Pública, as aprendizagens dos alunos e os profissionais do setor. Daí a necessidade de a sociedade e, desde logo, os docentes se mobilizarem.

Mário Nogueira

O que está em curso não serve a Educação, a Escola Pública, as aprendizagens dos alunos e os profissionais do setor. Daí a necessidade de a sociedade e, desde logo, os docentes se mobilizarem.

Adiando o que é prioritário para valorizar a carreira e tornar atrativa a profissão docente, os ministérios da Educação e das Finanças vão arrastando o processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD). Para tal contribuirá o facto de os governantes terem percebido que a concretização das suas intenções é mais difícil do que pensavam, mas, também, que a contestação dos professores sobe de tom. Num momento em que são vários e justos os motivos de contestação dos portugueses (pacote laboral, preço dos combustíveis e inflação em geral, insuficiente apoio às vítimas das tempestades ou apoio ao belicismo de gente perigosa), o Governo não quer abrir um novo foco de forte protesto. Como tal, este é o momento oportuno de lutar para travar o objetivo dos governantes e conseguir que, da revisão do ECD, resulte a indispensável e inadiável valorização da carreira e da profissão de professor(a) e educador(a).

Ao longo do processo tem havido quem branqueie o curso da revisão, considerando serem apenas alterações de semântica, pelo que corpo especial e carreira de regime especial são a mesma coisa, assim como concurso e procedimentos concursais, ou que o facto de a carreira docente ser de corpo especial não evitou a divisão em categorias.

Há que ser sério: o que afirmam ser igual é muito diferente e, quanto à divisão, não teve a ver com a natureza da carreira, mas com a organização, passando de unicategorial para pluricategorial, o que foi derrotado, com luta, pelos professores.

Há 18 anos, na sequência da Lei 12-A/2008, cerca de mil carreiras da Administração Pública (AP) foram extintas e automaticamente integradas na de regime geral, então criada. Já os corpos especiais (diplomatas, militares, segurança, docentes, investigadores, médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica e bombeiros) seriam convertidos em carreiras de regime especial, através de processos de revisão que iriam estabelecer, para cada um, as normas de transição. Só enfermagem (2009) e técnicos de diagnóstico e terapêutica (2017) viram a carreira convertida, com consequências que têm justificado fortes lutas, devido, entre outros motivos, à avaliação pelo SIADAP e à perniciosidade da TRU.

Para o Governo chegou a vez dos docentes, daí, logo à cabeça, ter escrito que a carreira será de regime especial, grau de complexidade funcional 3 (que decorre do requisito habilitacional), e que o perfil do docente terá em conta o Referencial de Competências para a AP (ReCAP), publicado pela Portaria 214/2024/1, que serve para caraterizar os postos de trabalho dos mapas de pessoal, os procedimentos concursais, a formação e desenvolvimento profissional e a avaliação do desempenho.

Do já longo processo, mas ainda curta revisão, já se percebeu a intenção de: as vagas de quadro serem substituídas por postos de trabalho (obviamente, em “mapas de pessoal”), com exceção dos quadros de zona pedagógica que, tendo 17.000 docentes, seria impossível afetar cada um a uma “unidade orgânica”; as cinco modalidades do concurso serem substituídas por dois procedimentos concursais que, misturando-as, complicam o que existe; todos os docentes passarem a estar sob regime de contratação em funções públicas, uns a termo e outros por tempo indeterminado, extinguindo-se a natureza definitiva do vínculo; o absurdo período probatório a mudar de nome para período experimental com indução, que não é uma coisa nem outra; as habilitações profissionais e próprias a serem substituídas por formação científica e pedagógica e formação científica, possibilitando que docentes sem formação pedagógica possam lecionar onde hoje estão impedidos, como é o caso do 1.º ciclo. A “vinculação” passa a fazer-se por “recrutamento”, que é a conversão do contrato a termo em tempo indeterminado, mas ainda sem se compreender o mecanismo. Ademais, o ministério pretende eliminar direitos como os de negociação coletiva, participação ou reconhecimento de doenças provocadas ou agravadas pelo exercício da profissão.

Quanto à estrutura da carreira, salários e progressão (TRU?), avaliação do desempenho (SIADAP? e ReCAP!), horários de trabalho e reduções letivas, por exemplo, são aspetos empurrados para mais tarde.

O anunciado objetivo da revisão era valorizar uma profissão de que muitos saem, por aposentação ou abandono, e poucos escolhem, havendo mesmo 30% dos estudantes dos cursos a desistir deles. Contudo, se o processo não está a corresponder ao que seria espectável, afirmações do ministro em que lamenta ser o patrão que mais emprega, comparando a Educação a uma cadeia de supermercados, e que a despesa com docentes atinge os 2% do PIB, indiciam que o governante se queixa de haver professores a mais e despesa excessiva, o que contraria a necessidade e o objetivo inicialmente previsto.

Reduzir profissionais e despesa, afinal, parece ser o verdadeiro objetivo e, nesse sentido, foram tomadas ou preparam-se medidas: transferência de toda a administração educativa para institutos públicos, que são entidades de administração indireta do Estado (AGSE, I.P.; EduQa, I.P.; CCDR, I.P.); integração dos ex-delegados regionais da DGEstE nas CCDR, I.P.; fusão de ciclos; transferência de mais financiamento para fundos europeus; aprofundamento da municipalização; aprendizagens essenciais; entre outras.

O que está em curso não serve a Educação, a Escola Pública, as aprendizagens dos alunos e os profissionais do setor. Daí a necessidade de a sociedade, a comunidade educativa e, desde logo, os docentes se mobilizarem, contestando as atuais políticas educativas e exigindo uma Educação pública de qualidade, para todos, inclusiva, devidamente financiada e valorizada em todos os domínios. Pondo isso em causa, o ministro impõe a reforma do Estado na Educação, reforma que visa desconstruir e não melhorar.


May 03, 2026

Lest we should forget that Trump is a Russian asset...

 

Lest we should forget that Trump is a Russian asset, here’s Senator Sheldon Whitehouse to remind us. TokTok - http://vm.tiktok.com/ZNRpR45fb/

- Truth Matters

Ler no Substack

Citação deste dia

 

Ironia: os novos progressistas que odeiam os valores europeus passam as férias a visitar maravilhados as obras que esses valores construíram. Jeremy Tate (citado de cabeça)



De vez em quando vejo um programa de propaganda

 

Este é um programa com um guru, Jeffrey Sachs, um economista que foi conselheiro do primeiro-ministro russo da Rússia pós-soviética e 3 crentes.

https://www.racket.news/p/a-true-shock-economist-jeffrey-sachs

Não há ali ninguém que lhe faça uma pergunta difícil, digamos assim. Pelo contrário, há um embasbacamento porque ele tem histórias dos anos 90 quando era conselheiro de russos. Ele diz que tentou que os EUA  e os países do G7 dessem dinheiro à Rússia como deram a países da Europa no pós-guerra mas que os EUA recusaram porque já pensavam em destruir a Rússia.

No programa passam um excerto de uma entrevista de Zelensky, descontextualizado, para parecer que as intenções dele são destruir a Rússia a mando dos EUA. 

Os EUA são o demónio que causou esta guerra porque os russos após a queda do muro só queriam a paz e a amizade com o Ocidente e os EUA impediram essa paz porque queriam controlar e dominar a Rússia e já tinham em mente uma guerra total com a ex-URSS.

Percebo que pessoas que pouco lêem sobre a História do século XX sobre estes países e não se informam sobre os factos correntes a não ser com os seus gurus e nas redes sociais se deixem levar por esta conversa porque o homem tem um ar de idoso competente e esteve por dentro de muitas situações nessa época enquanto conselheiro. 

É claro que, se estiverem por dentro dos factos históricos, detectam muitas mentiras: os EUA queria muito a Ucrânia na NATO? Os EUA juntaram-se à Alemanha para impedir que a Ucrânia se juntasse à NATO. Nos 90 houve promessas formais a Gorbachev de que nunca alargaria a NATO? Sabemos ser mentira pelo próprio Gorbachev. 

Enfim, é uma sequência de verdades (as histórias pessoais que ele viveu) com meias verdades (a Rússia no início dos anos 90 precisava de ajuda) e mentiras gritantes, para concluir que Putin é um homem de respeito, que Zelensky é um boneco nas mãos da CIA e que os EUA são os culpados de tudo o que a Rússia faz.

Por exemplo, cita muitas iniciativas militares dos EUA (erradas, é verdade) e nenhuma das invasões da Rússia aos países vizinhos desde os anos 90. 

De vez em quando vejo um programa de propaganda de um servo de Putin para estar por dentro das suas manipulações e não ser apanhada desprevenida.


Há jornais que em nada diferem do pior das redes sociais

 

Aqui está uma pessoa chateada porque numa exposição de trabalhos escolares o filho dela não teve boa nota porque terá sido a única mãe a não fazer o trabalho do filho (é o que pensa, não o que sabe) e vem para um jornal nacional fazer queixinha da professora e dos outros pais.

Como se isso não chegasse, apesar de reconhecer que não percebe nada de educação (escolar)  resolve dizer aos professores como devem trabalhar e que formações devem fazer, partindo da sua experiência "enquanto mãe e aluna", e que trabalhos de casa os alunos devem ter e aconselha a usar o ChatGPT porque em sua opinião, os pais fazerem os TPCs dos filhos é a mesma coisa que usar o ChatGPT. E fala em paradigmas da educação sem perceber um boi do que está a dizer e, portanto, diz disparates.

Imagine-se que eu, enquanto mãe e doente de muitos médicos, apesar de não perceber nada de medicina, fosse para um jornal queixar-me dos TPCs que os médicos me passam (rotinas de exercícios, medicação, etc.) ou passaram ao meu filho de cada vez que esteve doente, ou dizer aos médicos como tratar os doentes, que formação devem fazer, como mudar o paradigma da medicina, etc., ou ainda, como tratar doentes com cancro, pois tenho muita experiência dessa doença ou de outras que também tenho. Rídiculo, não? 

Pois, só que em relação à educação escolar todos, porque já foram alunos e têm filhos e acham sempre que os seus filhos são vítimas, que os professores não vêem a sua excepcionalidade, pensam que a profissão de professor não é uma especialidade e qualquer um pode dizer como se deve trabalhar. E dizem isso aos filhos, o que lhes causa grande prejuízo, mas não percebem. É por isso que depois ficam admirados, como o ME, quando ouvem dizer que os professores são bons numa certa especialidade. Não estavam à espera, porque afinal, não só não deram grandes notas aos seus princípes como é uma profissão que qualquer um entende como fazer e pode fazer.

Há jornais que em nada diferem do pior das redes sociais. Estão no fundo da caverna. Continuem assim que vão bem.

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Urge formar professores e depois criar, nas diferentes disciplinas, módulos de literacia em inteligência artificial para que os alunos percebam como a usar criticamente — até porque, como bem sabemos, as alucinações do sistema não são propriamente raras. E depois, e isto é o mais importante, é preciso reformular o paradigma e alterar o tipo de trabalhos e exercícios pedidos. Há anos que o nosso ensino se baseia no “copiar / colar”. Porque mesmo sem ChatGPT, já tínhamos o Google e a Wikipédia e os trabalhos que são pedidos, e mesmo as perguntas nos testes, andam muito mais à volta do “escreva sobre” do que do “analise, reflicta ou dê uma opinião fundamentada”. Além disso, temos pouco o hábito de realizar avaliações orais e debates em ciclos menos avançados — e estes são exactamente os desafios onde não há inteligência artificial que valha.

Não sei muito de educação — na verdade, não sei nada. Mas sei, por experiência própria enquanto aluna e enquanto mãe, que o nosso ensino vive preso a uma lógica onde a repetição é valorizada em detrimento da compreensão e onde continua a pedir-se aos alunos que reproduzam informação em vez de a analisarem criticamente. É por isso que fico sempre surpreendida quando ouço especialistas que falam da inteligência artificial como se ela fosse a mãe de todos os males: é que trabalhos feitos sem reflexão, ausência de pensamento crítico e dependência de respostas fáceis já existiam muito antes do ChatGPT. A inteligência artificial não veio criar um problema, mas destapar um sistema de ensino que não acompanhou o mundo e que se tornou vulnerável.

E pronto, já divaguei. Porque o meu objectivo inicial era só descarregar a indignação que senti depois de sair de uma exposição com trabalhos supostamente de crianças, mas que foram feitos por adultos.

Carmen Garcia, https://www.publico.pt (excerto)