October 25, 2020

"Todas as coisas têm uma porção de tudo" ~Anaxágoras

 




Arsh Singh - NASA

Livros de comer e chorar por mais

 


Tenho imensa pena que não haja cá uma editora como a Folio. Une gourmandise. É a única palavra que me vem à cabeça para a descrever. Os livros são sempre edições excelentes, com um cuidado e um rigor extraordinário. São bons livros, não são livros apenas para enfeitar. Mas, o que os torna une vai gourmandise irresistible é a edição propriamente dita: o papel escolhido tem a ver com o conteúdo, assim como a letra e a capa; as ilustrações e ornamentos do texto. Por exemplo, outro dia li aqui um poema de uma antologia de poemas ingleses e a edição, cheia de ilustrações lindas, é forrada numa capa de tecido de seda com motivos de pequenas liras a lembrar O Bardo, naturalmente. Quem é que resiste? E o cheiro do livro... sou muito sensível a cheiros e há livros cujo cheiro é irresistível - aquele cheiro a baunilha e couro... meu deus.... O cheiro destes livros, combinado com o aspecto... dá vontade de trincar.

Evito ir ao site da editora porque assim que faço log in começam a mandar-se sugestões de coisas que eles sabem que gosto e não resisto. Já compro livros nesta editora há 30 anos. Tenho pena que não exista cá uma coisa do género. Temos boas editoras em termos de cuidado com os livros mas não isto que não se consegue resistir. Houve anos em que comprava muitos livros da Folio, mas agora não. Os livros estão caríssimos e o envio que eles fazem, com grande cuidado, é verdade, é o preço de um outro livro, de modo que agora compro menos. Mas há colecções que continuo a fazer se sai um novo livro e, há livros que não resisto. Agora comprei o Sharpe, que andava para ler há muito tempo e fui dar com esta edição linda - não a deluxe, que tem a assinatura manuscrita do autor, que não me interessa particularmente e, à conta disso, custa 150 libras, antes dos portes de envio.

Olha estas ilustrações do Sharpe.



Para os fãs do GOT esta edição é linda:





Olha esta do Chytty Chytty bang bang do Ian Fleming...



A edição do Jurássico Parque.


- comprei estes dois livros (Odisseia e Ilíada) mais os outros dois da colecção (os do Herodotus) há uns 15 anos por 10 libras cada um, mais 5 libras de envio. Agora reeditaram-nos e cada um deles custa mais que o preço que dei pelos 4... 50 libras cada um, mais 15 ou 20 libras de envio... são 70 euros cada livro mais os portes... quem quiser a colecção tem que dar quase 400 euros ou coisa do género... chiça! Estes livros da Folio sempre foram caros mas não como são agora. Tornaram-se objectos de luxo. Percebo porque os livros são lindos, lindos, lindos. 

De vez em quando mandam-me um inquérito para saber porque já não compro a quantidade de livros que comprava e sou mais selectiva... quer dizer, é obvio, não? Enfim, hoje não resisti.


Na sexta tinha o catálogo de Natal da editora na caixa do correio... 



Talk dirty to me

 




We need trees not propaganda

 



directamente do insta 

Soluções

 


Planting 70 million eelgrass seeds has turned into more than 3,500 hectares of seagrass.

Problemas ao Domingo

 


"O problema difícil da consciência é explicar como e porquê os processos físicos dão origem à consciência. O meta-problema da consciência é o problema de explicar por que parece haver um problema difícil da consciência. De modo equivalente, é o problema de explicar por que as pessoas têm intuições de problemas: disposições para fazer certos juízos-chave que subjazem ao problema da consciência.

As intuições problemáticas em questão incluem intuições metafísicas (a consciência é não-física), intuições explicativas (os processos físicos não conseguem explicar totalmente a consciência), intuições de conhecimento (alguém que sabe tudo sobre o cérebro, mas nunca viu cores, não sabe o que é ver o vermelho), e intuições modais (podemos imaginar todos esses processos físicos sem consciência). Também existem intuições sobre o valor da consciência, a distribuição da consciência e muito mais.

Um aspecto do meta-problema é a questão: será o problema difícil da consciência universal? Na sua forma mais direta, pode-se colocar isso como uma questão sobre a universalidade do juízo: todos (ou pelo menos todos os ser humanos adulto normais) julgam que existe um problema difícil da consciência? Todos fazem juízos de acordo com as intuições acima enunciadas? A resposta a esta pergunta é obviamente não. Alguns teóricos rejeitam esses juízos. Muitas pessoas nunca os consideram. Em algumas culturas, a questão parece nunca ter sido levantada.


Pôr as coisas em perspectiva - a propósito de direitos humanos

 


Eu defendo que quem é contra o aborto não faça filhos às mulheres contra a vontade delas. 

Ultimamente tenho visto na net uma outra sugestão para cortar o mal pela raíz: torne-se obrigatório, por lei, a vasectomia, que é reversível. Quando os homens estiverem dispostos a constituir família, tendo o acordo da mulher que escolheram para mães dos seus filhos, então, revertem a vasectomia e têm filhos. 

Ou a ideia de o corpo do homem ser manipulado e controlado pela sociedade e pelo Estado incomoda? Sim?


Ao lado de países autoritários, Brasil assina declaração contra aborto

Iniciativa promovida pelos Estados Unidos, supostamente para promover saúde e direitos da mulher, recebe ainda apoio da Arábia Saudita, Sudão, Congo, Egito, Emirados Árabes Unidos e Belarus.

Perception is perspective?

 



Quando as controvérsias incluem sofismas

 


Dia 23 – democracia ou não?

O argumento mais descabido para rejeitar o referendo é o de que “os direitos humanos não se referendam”. A frase tem sido insistentemente repetida, mas não podemos aceitar que Goebbels estivesse certo quando disse: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. A ideia de que direitos humanos não podem (ou não devem) ser referendados é falsa.


Li este artigo de José Ribeiro e Castro e devo dizer que não gostei e me pareceu até fora do tom que lhe é costume. Percebe-se que certas questões suscitem debates emotivos, o que até é interessante na vida democrática de um país, mas não há necessidade de os discutir em certos patamares. Refiro-me à comparação que faz entre os que dizem que “os direitos humanos não se referendam” e Goebbels, o fanático anti-semita ministro da propaganda de Hitler que anunciou a guerra total ao mundo e matou a mulher e os sete filhos antes de se suicidar. Parece-me uma inconsequência de linguagem e levar o argumento longe demais. Se uma pessoa que defende que os direitos humanos não se referendam é um perigoso nazi, como vamos classificar os outros todos que matam, esfolam, torturam e por aí fora?

Já quanto à própria frase segundo a qual “os direitos humanos não se referendam” e às criticas que JRC lhe dirige, que é a de efectivamente podermos, se quisermos, mudar, alterar e o mais que quisermos fazer à Carta dos Direitos Humanos, o que me apraz dizer é o seguinte:

- quando se diz que “os direitos humanos não se referendam”, não se está a defender a impotência do ser humano em alterar frases numa carta de princípios. É evidente que se quiséssemos mudar a Carta, mudávamos. A questão está mal entendida: de facto, entendemos que seria um grave precedente retirar direitos à Carta dos Direitos Humanos. Não é que não se possa fazer, mas não se deve. Imagine-se retirar o direito à liberdade de expressão ou outro dos direitos fundamentais. 

A Carta dos Direitos Humanos foi um grande passo em frente na comunidade humana. Por causa dela, pese embora, infelizmente, ainda continue a haver abusos e violações de direitos humanos, estes já são entendidos como um mal e quem os faz fá-los às escondidas, onde até há um século, se faziam em plena luz do dia sem problemas. Ainda hoje se fazem em certos países totalitários. Portanto, referendar direitos humanos seria dar um grande passo atrás. 

Embora a frase seja incorrecta e em vez de dizer 'não referendar direitos humanos', devia dizer-se, 'não se referenda a subtracção de direitos humanos', porque é isso que está em causa. E os exemplos que JRC adianta de referendos à Constituições nunca são no sentido de retirar direitos humanos, a não ser nos Estados autoritários e de tendência ou claramente ditatoriais (quando o são são logo alvo de críticas ou sanções, como o caso da Hungria e Polónia), mas no sentido, seja de acrescentar novos direitos ou de precisar a linguagem com que são enunciados.

Não passaria pela cabeça de ninguém ir à Constituição portuguesa e retirar o direito ao voto, ao trabalho, ou outro qualquer, embora na prática se o quiséssemos fazer, claro que o faríamos. Depois de ter citado Goebbels, JRC compreende perfeitamente que nesta vida, tudo é possível mas, não desejável. Retirar direitos humanos, é possível, mas não desejável.


Os pequenos ofícios

 



Les « PETITS MÉTIERS » de Louis VERT - © Louis Vert / Musée Carnavalet
1900-1906

Durante a homenagem prestada a Louis Vert em 1925, poucos meses após a sua morte, a Societé d'Excursions dês Amateurs de Photographies, reconheceu a qualidade da obra deste artista amador. Em 2009, as fotografias de Louis Vert foram expostas no museu Jeu de Pomme. O catálogo desta exposição sobre fotógrafos amadores por volta de 1900 nas colecções da Sociedade Francesa de Fotografia descreve-o como um "pioneiro da foto-reportagem".

Nascido em Paris em 1865, ingressou na Societé d'Excursions dês Amateurs de Photographies em 1904 para aperfeiçoar as suas capacidades e rapidamente foi baptizado como 'projeccionista oficial dos eventos parisienses'.

Focando-se, sobretudo, nos vendedores ambulantes, adopta uma atitude de documentarista.


Un chiffonnier - um trapeiro


Arracheur de dents en pleine action - Um extractor de dentes em acção. Em 1910 havia 110 consultórios odontológicos em Paris. No entanto, a higiene bucal é inexistente e em vez de limpar os dentes prefere-se ir arrancar o dente doente, porque custa menos. Na rua a operação é um espectáculo que atrai muitos curiosos. Como qualquer bom vendedor ambulante, o arrancador de dentes tem um discurso de vendas que profere enquanto pratica o acto, às vezes acompanhado por músicos para melhor captar a atenção do público. Os troféus sangrentos acabados de tirar da boca dos doentes são exibidos em público e arrancam aplausos. Galvanizado pelo incentivo, vende os seus produtos milagrosos engarrafados para o propósito: cravo, absinto e extracto de ópio. 
Também se vê um vendedor de lotarias com a roda da sorte.



Colleur d'affiches - Colador de posters



Nettoyeur de réverbères, sur le parvis de Notre-Dame - limpador de lampiões de rua



Arroseur à la lance, place de la Concorde - lavador de jacto, de rua (na Praça da Concórdia)



Des ouvriers travaillent à la mise en place des rails de tramways - trabalhadores da companhia dos eléctricos a arranjar as linhas



Deux égoutiers - homens dos esgotos



Marchande de glaces - Os sorveteiros são populares entre as crianças. Os gelados não custam quase nada: um ou dois quilos de gelo para triturar, um pouco de potássio e ácido de nitrogénio para colorir, uma carrinha para armazenar e algumas frutas. 



Un rétameur - Um funileiro. O fulineiro retira o estanho velho de utensílios deteriorados, tapa os buracos no fundo de panelas, bacias, cafeteiras de lata e ele mesmo compõe, no seu fogão, a liga para cobrir uniformemente o objecto a ser devolvido, como novo. Para se proteger de queimaduras, usa um grande avental de couro. O funileiro também trata de espelhos aos quais devolve o brilho cobrindo-os com uma fina camada de latão.

O funileiro, depois de ter enumerado os caldeirões, as panelas e tudo o que enlatou, entoou o refrão: "tam, tam, tam, sou eu que retino, até o macadame, sou eu que coloco os fundos em todos os sítios, que tapa os buracos, buraco, bruraco" (Marcel Proust- A Prisioneira, 1923)




Gratteuses de papiers de fromage - Raspadoras de papel de queijo. As raspadoras reconstituíam queijo a partir dos restos colados nos papéis de embrulho e vendiam: serviam para pôr em sopas, derreter e fazer certas iguarias.



Deux hommes-sandwich - Os homens-sanduíche ou «camelots» vendiam canções satíricas, brochuras, artigos para vitrinistas e comerciantes, stencils de posters, para parede ou armário, etc.




Le ramassage des poubelles - Os homens do lixo. Durante muito tempo os parisienses deitavam o lixo para a rua ou para fossas. Em 1883, Eugène Poubelle (poubelle traduz-se por, 'lixo'), perfeito do Sena, assina o famoso decreto que obriga os proprietários a fornecer, cada um deles, aos seus locatários, um recipiente de madeira forrado a ferro, coberto, para guardar o lixo. Paralelemente, inicia um serviço de recolha de lixo dessas caixas rapidamente chamadas, poubelles. Era obrigatório ter 3 caixas: uma para a matéria putrescível, outra para papéis e tecidos e outra para vidro, faiança e conchas de ostras. Essa colecta foi feita, até ao início do séc. XX, por carros puxados a cavalo e só a partir de 1920 por veículos motorizados. (quando pensamos que em Portugal, só há uma dúzia de anos temos separação de lixo...)



Les Bitumineurs - betumeiros



Balayeuse - varredora



Le nettoyeur de vespasiennes - limpador de urinóis



Marchande de soupe aux Halles - vendedora de sopas



Photographe ambulant aux Halles - fotógrafo ambulante



Marchand d'abat-jours (ou de moustaches), pont d'Arcole - comerciente de abat-jours 



Marchand de fouets aux Halles - comerciante de chicotes



Marchand de plans de Paris conversant avec un marchand de papier d'Arménie - comerciente de mapas de Paris com um vendedor de papel, da Arménia


Marchande de coco et marchande de jouets aux jardin des Tuileries - comerciante de côco



Marchande de fleurs - florista



Marchande de café au lait aux Halles - vendedor de leite com café


Marchande des quatre-saisons a Les Halles - Vendedor de frutas.

Para exercer esta profissão, era necessário ser francês, ter vivido em Paris há, pelo menos, 3 anos, ter pelo menos 30 anos, comprovar a total falta de recursos, apresentar atestado médico atestando desamparo ou problemas de saúde ou, se necessário, um atestado de vítima de guerra ou de viúva e ficha criminal limpa. Ou seja: tem que estar velho, fraco ou com a saúde debilitada, para ter o direito de arrastar o carrinho pelas ruas de Paris, depois descer e estacionar à noite, antes de retornar a Les Halles às 5 da manhã.



Marchande d'oublies (petites gaufres légères) au jardin des Tuileries - A 'oublie', termo que vem do latim,  oblata, que quer dizer hóstia, é uma espécie de gauffre (waffle) muito leve, feita com farinha, ovos, mel, às vezes vinho. Vendedores de gauffres ainda se vêem, ou pelo menos viam, há uns anos, nas ruas de Bruxelas. São óptimas.



Nettoyeur d'aiguilles de tramway - limpadores de agulhas de eléctrico



Recouseuse de sacs de plâtre - costureira de sacos de gesso (imagina-se o que seria este ofício? O dia inteiro a inalar o pó de gesso naquele canto esconso e miserável?)



Rempailleur et sa voiture à bras - empalhador de cadeiras num carro puxado a braços (já fiz este trabalho de empalhar cadeiras de palhinha, quando tinha 18 anos, no ano do propedêutico, para comprar as minhas coisas sem ter que pedir dinheiro. Era um trabalho de part-time sem dias marcados. Ia quando podia. Ao fim de um mês fazia aquilo tão bem que despachava uma cadeira de baloiço numa manhã, coisa que os outros dois que lá andavam a fazer o mesmo que eu (para arranjar dinheiro para... cenas - deviam andar pelos vinte e poucos anos) levavam uma semana a fazer. Às vezes não fazia as coisas mais depressa porque trabalhava a ler. O dono da oficina também vendia livros em 2ª mão. O homem pagava-me bem até me aumentou ao fim de dois meses. Nunca me fez perguntas. Um tipo decente e que percebia muito sem o dizer. Isto vejo eu agora, não na altura. Enfim...lembrei-me disto agora.)


Tondeurs de Chiens - Tosquiadores de cães. Por volta de 1900, não havia salão de beleza para os "companheiros de quatro patas". Era nas margens do Sena, ou do Canal Saint-Martin, que se encontravam esses tosquiadores de cães.



Matelassières sur les quais - colchoeiras: cosiam, encordooavam, empalhavam, reparavam.




Un vendeur ambulant - vendedor ambulante



Vannier (ou ramoneur?) - fabricante de cestos ou limpador de chaminés?



Le passeur de sable - o barqueiro de areias: extrai e peneira as areias dos rios e depois vende-as.



Après le passage du marchand de sable ... - depois de passar o mercador de areias...


fonte: argentic


Estas fotografias extraordinárias dos pequenos ofícios e seus artesãos faz-me lembrar o Par de Botas de Van Gogh. Vidas duras, perto do chão, com as cores que pisam todos os dias a calcorrear a cidade ou a cavar e debulhar os campos. Visas pesadas, despidas de artifícios e gastas até ao último buraco da sola. Alguns dos trabalhos que se vêm nestas fotografias e as pessoas que os vemos a fazer são tão... tristes e precários. Vidas de Inverno sem Verão. A vida mudou muito, apesar de tudo.



Livros gratuitos - Platão, Fédon XVI (continuação)

 


October 24, 2020

Peace

 


Irritamo-nos muito por os outros não perceberem o óbvio e nós não o podermos dizer, mas irritar é o contrário de paz.



Marcos Beccari 

De vez em quando uma clareira

 




Angústia, Ser e Nada

 


A análise da angústia foi, por conseguinte, posta de modo que a possibilidade de que algo como o Nada seja pensado apenas como ideia, seja co-fundada nesta determinação da disposição da angústia. Apenas quando entendo o Nada ou a angústia tenho a possibilidade de entender o Ser. O Ser é incompreensível, se o Nada é incompreensível. E apenas na unidade do entendimento do Ser e do Nada salta do Porquê a pergunta da origem. Por que o homem pode perguntar pelo Porquê, e por que ele deve perguntar? Estes problemas centrais do Ser, do Nada e do Porquê são os mais elementares e os mais concretos. Estes problemas são aquilo sobre o que toda a analítica do Dasein se orientou.
— HEIDEGGER, Martin. Disputa de Davos entre Ernst Cassirer e Martin Heidegger. Cadernos de Filosofia Alemã | v. 22; n. 1 |, p. 169, 2017. Universidade de São Paulo. Tradução de André Rodrigues Ferreira Perez.

Habitar a linguagem

 


"A minha pátria é a língua portuguesa." (Pessoa)

Heidegger busca na linguagem a "casa do ser".

"Pois é poeticamente que o homem habita a terra", Hölderlin.

Também há um dizer no silêncio mas não uma linguagem nem uma habitação.

A existência humana



(...) no sentido de que o Dasein, lançado no meio do Ente, enquanto livre, executa uma incursão no Ente, que sempre é histórica e, em última instância, contingente. Tão acidental que a forma mais elevada de existência do Dasein só se deixa reconduzir sobre os pouquíssimos e raríssimos momentos de duração do Dasein entre vida e morte; [tão acidental] que o homem existe apenas em pouquíssimos momentos da agudez [Spitze] de sua possibilidade, e de resto, porém, move-se no meio do seu Ente.
— HEIDEGGER, Martin. Disputa de Davos entre Ernst Cassirer e Martin Heidegger. Cadernos de Filosofia Alemã | v. 22; n. 1 |, p. 173, 2017. Universidade de São Paulo. Tradução de André Rodrigues Ferreira Perez.