Showing posts with label trabalho. Show all posts
Showing posts with label trabalho. Show all posts

December 11, 2025

Esta greve é um sintoma

 

Quanto a mim o governo faz mal em desvalorizá-la. O The Economist ter dito que a nossa economia vai muito bem não tem influência nenhuma na vida dos portugueses - os nosso salários são baixos e os custos da vida não páram de subir.

Penso que há três grandes problemas que, a não serem resolvidos, põem seriamente em risco as democracias ocidentais; a saúde, a educação e a habitação. A não resolução destes problemas, que afectam as famílias de modo a incapacitar-lhes a agência, está a criar um exército de ressentidos. Pessoas que passam o dia nas redes sociais a alimentar e reforçar o ressentimento. 

Se juntarmos a isso o óbvio enviesamento dos governos a favor do enriquecimento dos patrões e das corporação à custa dos trabalhadores em geral (não falo apenas deste governo, os governos de Costa foram iguais, apesar de no início do 1º governo parecer que seria diferente), temos um desastre em gestação e esta greve é um sintoma óbvio desse mal-estar que cresce à medida que as soluções parecem ser cada vez mais improváveis e a vida das pessoas não melhora.

As pessoas têm os filhos em escolas sem professores, vão ao hospital e esperam 14 horas para depois morrer ou ter filhos no meio da rua, os filhos em casa até aos 40 anos a fazer pressão nas economias dos pais por não terem dinheiro para alugar uma casa, quanto mais comprar.

Entretanto vêem os bancos a cartelizarem-se para subir comissões e juros de empréstimos, o número de milionários a subir ao mesmo tempo que são despedidos colectivamente, são roubadas pelas seguradoras, despejadas de casas onde viveram 30 anos ao mesmo tempo que vêem governos a c ceder palácios às organizações dos patrões.

Há razões para haver um consenso grande à volta da necessidade desta greve. Talvez fosse prudente o governo dar mais atenção e importância ao que pensam os portugueses do que ao que pensa uma revista.


December 09, 2025

"Vale a pena lembrar: nós somos mais numerosos do que os oligarcas."

 


Uma das vantagens não reconhecidas desta era terrível é que ela revela a todos as conexões pútridas entre excesso de riqueza e excesso de poder.
As intenções dos oligarcas estão totalmente expostas e mais evidentes do que nunca.
Vale a pena lembrar: nós somos mais numerosos do que os oligarcas.

- Robert Reich, professor e político americano


Se os CEOs ganham obscenidades em salários e prémios, na ordem das centenas de milhar de euros ou até dos milhões, não se deve a valerem esse dinheiro -alguns até o ganham depois de péssimos desempenhos ou na véspera de levarem as empresas à falência- mas apenas de manipularem os conselhos de administração e os políticos, a quem convencem com a cenoura do cargo findo os mandatos. A obscenidade não está apenas no montante desses prémios e salários e nas «conexões pútridas» que eles implicam, mas na desproporção relativamente ao que tem sido a desvalorização do salário dos trabalhadores. Os bens e serviços sobem na ordem dos 100%, 300%, 500% e os salários sobem na ordem dos 0,2%. Os dos gestores e CEOs sobem 30% ao ano - mais alcavalas. 

 

November 16, 2025

Um contributo para a discussão sobre a lei laboral e a greve geral

 

Tudo é difícil. Muito mais do que parece. E, pensando bem, se os patrões despedissem os trabalhadores, a grande maioria deles saberia fazer alguma coisa de útil para a vida dos outros e com valor comercial, mas os patrões...? Nem vender o seu iate saberiam fazer sozinhos. Just saying...

July 27, 2025

É da minha vista ou o governo está a querer vender-nos o que nos roubaram?

 

O Governo deu um passo em direção à flexibilização do regime de férias ao permitir que os trabalhadores adquiram dias adicionais de descanso. Para já, o limite definido é de dois dias extra, embora a possibilidade de ampliar esse número não esteja totalmente descartada.


PPC tirou-nos 3 dias de férias + uns feriados. Entretanto, 'devolveram-nos' os feriados. Mas não os dias de férias roubados. Agora este governo está a querer vender-nos os dias roubados?


July 06, 2025

Right

 


Não foi o capitalismo que fez isto, foi a ganância de uns que infectou tudo como um mau vírus.


June 22, 2025

Sob o autoritarismo, baixam os direitos dos trabalhadores

 


A Confederação Internacional do Trabalho alerta para uma “queda livre” global dos direitos dos trabalhadores


Por ocasião da publicação da 12ª edição do seu índice de direitos, na segunda-feira, a CSI regista uma deterioração da situação dos trabalhadores na Europa e nas Américas. Em particular, sublinha que 87% dos países violaram o direito à greve.

Os direitos dos trabalhadores em todo o mundo estão a “desmoronar-se”, de acordo com a Confederação Internacional do Trabalho (CSI), que refere um “profundo agravamento” da sua situação por ocasião da 12ª edição do seu índice de direitos publicado na segunda-feira. O índice baseia-se numa lista de 97 indicadores extraídos das convenções internacionais e da jurisprudência da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Entre as principais conclusões deste inquérito anual, que faz o balanço das violações dos direitos dos trabalhadores em 151 países, a CSI constata uma degradação da situação na Europa e nas Américas, duas regiões que obtiveram os piores resultados desde o lançamento do índice.
No total, 87% dos países violaram o direito à greve e 80% violaram o direito à negociação colectiva, lamenta o sindicato. O acesso dos trabalhadores à justiça foi restringido em 72% dos países, o pior valor desde o início do Índice.

A CSI atribui a cada país uma pontuação máxima de 1 e mínima de 5 pelo respeito dos direitos dos trabalhadores (greve, manifestação, participação nas negociações, etc.). Apenas sete países do painel, entre os quais a Alemanha, a Suécia e a Noruega, atingem a pontuação máxima, contra 18 há dez anos. A Itália e a Argentina viram a sua pontuação baixar em 2025. A Suíça, por seu lado, manteve a sua classificação (3).

Em termos mais gerais, “se o declínio continuar a este ritmo, dentro de dez anos não haverá nenhum país no mundo com a pontuação mais elevada em matéria de respeito pelos direitos dos trabalhadores”.

A deterioração continuou de forma acentuada e rápida na Europa. Em 2025, o continente terá registado o declínio mais acentuado de todas as regiões do mundo nos últimos dez anos.

Só três países registaram uma melhoria dos direitos dos trabalhadores: Austrália, México e Omã.


March 31, 2025

Milhares de professores alvo de assédio por serem doentes: onde está o ME?

 

E onde estão os sindicatos quando fazem falta? Porque não vão ter com esses professores e põem as respectivas direcções que não respeitam a lei do trabalho em tribunal? Só se mexem para manifestações? Há uma legislação do trabalho relativamente a este assunto. Porque é que o ME, sabendo desta situação, não dá ordens às direcções para que respeitem a lei e as orientações do médico da MT? Ao não fazê-lo, são cúmplices de assédio moral e do prejuízo para a saúde desses professores.


Milhares de professores doentes são alvo de assédio moral pelas direções das escolas

Instituições não cumprem as recomendações da medicina do trabalho.


Há “milhares” de professores doentes a serem alvo de assédio moral pelas direções das escolas, que dificultam o acesso e não cumprem as recomendações da medicina do trabalho (MdT), garante Sofia Neves, da Associação Jurídica pelos Direitos Fundamentais (AJDF).

“Temos uma listagem de casos de 135 professores que entregámos no Parlamento em dezembro, mas há milhares de situações idênticas no País”, afirmou ao Correio da Manhã, sublinhando que se trata de casos de “assédio moral, de recusa de marcação de consulta de MdT e reavaliação da ficha de aptidão, e incumprimento de recomendações de caráter obrigatório sobre duração do horário letivo e distribuição de serviço”.


January 05, 2025

Tempo feio, chuva e vento

 


E amanhã é dia de regresso ao trabalho. Tenho que ir trabalhar para amanhã. Vontade? Zero.




September 14, 2024

Trabalho

 


Estou aqui a inventar um teste de auto-diagnóstico e diagnóstico de autonomia no trabalho, atitudes, comportamentos, hábitos cognitivos e competências para os alunos do 11º ano - uma ficha para ser preenchida pelos alunos e por mim, uma vez por período, para aferir da progressão dele nos vários items pertinentes. 

A ficha não conta para a nota, é formativa e é para saberem os seus pontos fortes e fracos. Quero uma ficha que teste as suas práticas face a expectativas e respectivos padrões de pensamento e trabalho divididos em três níveis: baixos, médios e elevados.

Claro que só posso dar-lhes este teste no 11º ano quando já os conheço o suficiente para poder pormenorizar progressões relevantes - e porque tenho muitas poucas turmas, se não era impossível. No 10º ano dou-lhes um teste de auto-diagnóstico de atitudes e hábitos de trabalho necessários ao sucesso na disciplina e na escola em geral e aconselho-os a fazerem o teste pelo menos uma vez por período para verem onde precisam de evoluir e o quanto, mas não vejo os resultados - não quero fazer juízos prévios e a ficha é para eles regularem o seu trabalho, o seu comportamento e as suas atitudes face ao estudo.

Não é fácil porque cobre muita informação e porque tem de ter objectivos atingíveis no sentido de dependerem da vontade e da auto-disciplina em modificarem ou melhorarem o seu investimento no trabalho, seja em comportamentos, em atitudes, em hábitos. Quero que percebam, já desde a 1ª aula, em que patamar estão, em termos de investimento e trabalho, face às suas expectativas de resultados e notas, para poderem rectificar-se e adoptar as atitude e hábitos de acordo com essas expectativas e se responsabilizem pelo que fazem - ou não fazem... 

A propósito: agora dá-me jeito que tenham o telemóvel para tirarem uma fotografia ao seu teste de auto-diagnóstico porque vou recolhê-lo no final da aula e só vou voltar a entregar no fim do período com a minha parte preenchida. Mas se não tiverem telemóvel, tira-se uma cópia.

E já que estou nisto vou também fazer uma ficha de auto-diagnóstico para mim e que sirva para os alunos me avaliarem. Tem de ser anónima e dada numa altura em que a questão das notas não esteja pendente.


January 02, 2024

Quem está a anhar por ser o último dia da pausa do Natal ponha o braço no ar

 

🙋‍♀️

Era para ter trabalhado muito nesta pausa mas nem por isso... 

Era para ter lido livros em atraso, mas nem por isso...

Vi alguns filmes em atraso... 

Pouca coisa...

Nem sequer descansei muito. Dormi mal...


September 29, 2023

Muitos miúdos que andam pelos vinte e tal anos e estão a começar a trabalhar não têm noção da vida

 


Toda a gente me diz isso. E não falo da questão, saudável, de se preocuparem em ter uma vida própria para além do trabalho. Falo de ganharem o dobro do que algum vez hei-de ganhar, mas pensarem que isso é um direito que lhes assiste e que não vem com a obrigação de cumprir o contrato de trabalho. Podem não atender o telefone a um cliente porque são oito da noite - embora a flexibilidade faça parte do seu contrato e seja muito bem paga, entendem a flexibilidade apenas na parte de poderem entrar tarde no trabalho ou sair mais cedo. E dizem ao chefe, que pode ser o dono da empresa, a sua opinião sobre tudo e um par de botas, acerca da empresa, em qualquer sítio e altura. Até pode ser numa reunião com clientes. LOL Passam o tempo a queixar-se e tudo é uma ofensa aos seus direitos. E se alguém lhes diz alguma coisa respondem logo que é opressivo e mais não sei quê.

Aqui há uns anos uma colega professora que esteve um ano lá na escola -era o primeiro ano que trabalhava como professora- perguntou-me, 'Olha lá, fui convocada para uma reunião do grupo disciplinar. Achas que tenho que ir?' LOL Claro que tens que ir e se não vais tens falta. 'Que chatice -dizia ela- ainda por cima a delegada do grupo quer ter uma reunião só comigo para me dar trabalho. Porque é que tenho que fazer o que ela quer?' Porque estás a trabalhar sob contrato numa instituição que tem uma organização definida com hierarquias estabelecidas. E tens interesse em saber o que o grupo anda a fazer, trocar experiências, tirar dúvidas, etc. 'Mas eu sou de opinião que não tenho que ser obrigada a falar com uma pessoa de quem nem gosto e ir a reuniões que não me interessam' LOL Então fala disso na própria reunião ou na reunião geral de professores. Foi uma conversa surreal, mas típica desta nova geração.

A minha taxista tinha um indivíduo novo a quem dava serviço às vezes porque tem excesso de trabalho e ele é bom no trabalho. A certa altura ele pediu para ir trabalhar para ela. Quando ela lhe disse o trabalho que faz e ele tinha que fazer, ficou chocado. 'Fazer serviço à noite? E de madrugada? Ir para o aeroporto a essa hora? Ou para Espanha e só voltar passados dois dias? Eu a partir das seis quero ir para casa ver a minha mulher e os filhos. E ao fim de semana também não quero trabalhar. E vou sempre almoçar a casa'.  LOL Um dia levou-me a um hospital e no caminho contou-me isto e eu ri-me. E diz ele, 'Está a rir-se? Mas a professora trabalha à noite?' LOL Noites, fins de semana, férias - sempre que é preciso. Tenho prazos para entregar os trabalhos, fazer avaliações, fazer as pautas. Se não o fizer não saem as notas. Ficou chocado, disse-me que acha mal e que ele não faz isso. Ele vê o negócio dela a prosperar imenso de ano para ano, mas não tem noção do que isso implica em termos de horários de trabalho e não está disposto a trabalhar o que é preciso. Mas queria o trabalho na parte de ir ganhar bastante bem.

Muitos miúdos que andam pelos vinte e tal anos e estão a começar a trabalhar não têm noção da vida e parece que pensam que o mundo lhes deve alguma coisa. Isto é uma coisa geracional. Passou-se do exagero oposto para esta falta de sentido das responsabilidades.

Na 1ª semana de aulas gastei tempo a explicar aos alunos do 10º ano a importância da metodologia. Mostrei-lhes como se faz um plano de estudo semanal que não seja pesado e permita ter as matérias sempre em dia. Desenhei no quadro: 2ª, 3ª, 4ª... sábado, domingo. 'SÁBADO E DOMIGO?' LOL. sim, se tiverem que apresentar um trabalho numa 2ª feita têm que trabalhar nesse fim-de-semana. Ou se tiverem um teste grande na 2ª. É uma excepção mas pode acontecer, de maneira que não podem considerar o fim-de-semana uma espécie de dia sagrado. Por outro lado, se um dia tiverem aulas de manhã e à tarde, nesse dia já não vão estudar, a não ser excepcionalmente. Diz logo um aluno: 'o professor de matemática mandou um trabalho de casa no dia em que temos aulas de manhã e à tarde. Podemos não fazer?' LOL Bem, poder pode, mas é do seu interesse fazer. No dia seguinte retire a parte do estudo da matemática ao plano, uma vez que já estudou neste dia fora do plano. Adapte. Mas quer dizer, achou logo que podia queixar-se de ser uma vítima de qualquer coisa...


June 10, 2023

O lema deste ME é: se puderes dificultar o trabalho aos professores, 'just do it'

 


Estou aqui a trabalhar nas DTs e preciso de entrar no programa de alunos e ir a várias páginas buscar informação, para deixar o trabalho das reuniões acabado e se poder afixar as pautas. O programa funcionar devidamente a partir de casa é uma anedota, uma ilusão, uma utopia ou o que lhe queiram chamar. Todos os professores se queixam. E porquê? Começa logo pelo facto do ME não comprar o domínio (deve estar à espera que a escola ou os professores o comprem do seu bolso com os seus salários extraordinários), o url indicar, 'não seguro' e o computador fazer os possíveis para bloquear a entrada no site e fazer-nos 20 avisos com pontos de exclamação. Quando se consegue entrar, para ir de uma página a outra é um inferno porque o computador deve fazer 500 verificações de segurança. A maioria das vezes bloqueia. É claro que podia não estar hoje a trabalhar que é sábado ou não ter trabalhado na 5ª feira que foi feriado ou nunca trabalhar na DT a não ser na hora do horário e na escola, (onde só há 4 computadores para a DT e os diretores de turma são 45 ou 50) mas se um professor só trabalhasse nos dias e horas previstas no horário, metade do trabalho ficava por fazer. No fim do ano, por exemplo, podia acontecer as pautas não serem afixadas nos prazos necessários para cumprir todos os procedimentos legais até aos exames, eles mesmo com os seus prazos fixados por lei. Portanto, esta de ter programas manhosos, deve ser outra das inúmeras melhorias deste ME, cujo lema é: se puderes dificultar o trabalho aos professores, 'just do it'.

January 06, 2023

Sindicalismo: American Factory

 


American Factory é um documentário de 2019 acerca de um bilionário chinês que compra a antiga fábrica da General Motors em Ohio, fechada em 2008 no ano da grande crise, com milhares de famílias deixadas no desemprego. O documentário começa aí nesses milhares de pessoas que ficaram sem trabalho numa idade difícil e que tiveram que ir viver para casa de familiares e viver de cupões de alimentação. Em 2012 aparece este bilionário chinês que compra a fábrica para produzir vidro e emprega uns 1500 desses trabalhadores. De início ficam satisfeitíssimos e agradecidos que alguém lhes dê essa oportunidade, mas à medida que o tempo passa as coisas mudam. Em primeiro lugar, os trabalhadores dizem que quando trabalhavam para a GM, uns anos antes, ganhavam 29$ à hora e com o chinês ganham 12$ à hora, as pausas para almoço não são pagas, não têm condições de segurança dentro da fábrica e se têm acidentes de trabalho perdem pontos e são despedidos, todos os espaços de convívio são fechados, etc. Os chineses trazem consigo chefes e trabalhadores para mostrarem aos americano como se trabalha na China e levam alguns supervisores americanos à fábrica-mãe na China: turnos de 12 horas por dia, trabalhar ao domingo e ter uma única folga por mês, cantar de manhã a prometer trabalhar feliz para o chairman e outras coisas do género num clima de endoutrinação e lavagem ao cérebro que nada tem que ver com a cultura americana. Os trabalhadores começam a falar de ter um sindicato e o chairman faz logo saber que se tiver problemas com sindicatos fecha a fábrica e vai abri-la noutro país. Entretanto os chineses têm espiões a informar quem são os trabalhadores activistas sindicais e despedem-nos. 

Quando pensamos que a China é um país comunista que defende o bem-estar dos trabalhadores e os direitos dos trabalhadores, mas na prática é um país onde um grupo de chefes do partido e seus satélites vivem em palácios (vemos o palácio do bilionário chinês) e escravizam os trabalhadores percebemos o que é o comunismo nos países onde foi implementado. Os americanos queixam-se que os chefes chineses não os respeitam enquanto pessoas, que esperam que obedeçam sem uma explicação como se fossem crianças ou escravos e que estão habituados a pensar que é possível uma fábrica ter lucro, o dono ter lucro e, ao mesmo tempo, os trabalhadores serem tratados com respeito.

Na China a fábrica-mãe é tão grande e tem tanta gente que fazem uma cidade à volta dela onde vivem os trabalhadores, grande parte dos quais só vai a casa uma vez ou duas vezes por ano e não vêem a família, mas repetem a ladainha de que a vida é pra trabalhar e estão felizes e tal.

Enfim, a certa altura vemos que há dois ou três trabalhadores de cada lado que criam laços com os da outra cultura e mudam um pouco a sua maneira de ver o mundo mas no geral permanecem como água e azeite. 

No fim, um dos trabalhadores americanos diz que depois da crise de 2008 os patrões -que a provocaram- não só ficaram mais ricos como também mais autoritários, que em geral as condições de trabalho e os salários pioraram e que as grandes lutas sindicais do início do século XX que pareciam estar no passado tinham que voltar a fazer-se. O filme acaba com o chinês a dizer que vão substituir os trabalhadores por automação.

Os robots não se queixam nem precisam de sindicatos ou de folgas ou salários. Vivemos num mundo de ganância e se não se pensa o trabalho já, daqui a dez anos não há trabalho praticamente para ninguém.


October 25, 2022

O brio é um cavalheiro desconhecido

 

Não sei se é assim em todo o lado mas em Setúbal é tudo feito lentamente e às três pancadas. Agora ia a caminho da farmácia e uma senhora à minha frente, com pouca mobilidade, ia caindo. E porquê? Há pouco tempo arranjaram esta zona toda e a última coisa que fizeram foi empedrar os passeios, mas como o brio no trabalho é um cavalheiro desconhecido, ficou assim como se vê nas fotografias. enormes extensões de pedras apenas postas ali, não betumadas, de maneira que têm enormes interstícios entre elas que são autênticos pequenos precipícios. Mesmo de saltos largos ou rasos, dado que as pedras são irregulares e não estão estáveis, o piso é todo irregular e instável.

Ponho-me a pensar: quem deu as ordens para que não se betumasse a pedra e quem a pôs assim e viu o serviço que ficou, se calhar são pais de alunos. Como podemos nós esperar que os alunos tenham brio no trabalho?




July 20, 2022

Bom dia

 


Ser produtivo não é trabalhar muitas horas.


November 27, 2021

Num país que tem baixa natalidade e onde as pessoas em idade fértil fogem para outros países é importante perceber o que aí vem






Este artigo explica o status quo com base em dados e também o que aí vem, se não houver alteração na organização do trabalho. E o que aí vem não melhora a nossa situação. Muito antes pelo contrário.


A produtividade das mulheres

Ricardo Reis

Há décadas que as mulheres suportam um grande custo na carreira por ter filhos. Hoje, elas começam a ganhar mais do que os maridos. A organização do trabalho vai ter de mudar


Apandemia acelerou mudanças estruturais na economia mundial e trouxe novos fenómenos que se estão agora a espalhar. Sobretudo no mercado de trabalho, cresce o teletrabalho, mais pessoas vivem bem longe do local onde trabalham e alguns sectores sobem enquanto outros definham. Ao mesmo tempo, o enviesamento natural que temos para prestar atenção ao que está a mudar rapidamente leva-nos frequentemente a esquecer as mudanças lentas mas persistentes que, ao fim de umas décadas, acabam por ser os mais fortes determinantes das características do trabalho. Provavelmente não há mudança mais importante no mercado de trabalho nos últimos 70 anos do que a entrada das mulheres nas profissões pagas. Nos próximos 20 anos, suspeito que continue a ser assim.

Os economistas Scott Kim e Petra Moser divulgaram recentemente novos dados de 82.094 cientistas americanos identificados num almanaque de 1956. Para cada um, eles recolheram dados sobre a biografia (emprego, educação, casamento, crianças) e sobre a produtividade, medida através das patentes no nome e publicações em revistas científicas. Por um lado, a profissão de cientista é especial, mas por outro lado (e relevante para os propósitos deste estudo) muitas outras profissões altamente qualificadas (médicos, advogados, bancários...) partilham com os cientistas o perfil de carreira: um grande investimento de horas nos primeiros dez a 15 anos para provar o seu valor, uma promoção muito significativa (ou não) por volta dos 40 anos, e depois uma boa recompensa para os que são promovidos. No caso dos cientistas, porque temos estas medidas imperfeitas e cruas da produtividade, podemos tentar perceber a forma como mulheres e homens se distinguem nestes ambientes competitivos e altamente especializados.

O primeiro resultado marcante é a diferença entre o percurso da produtividade por género. Até ao casamento, homens e mulheres são semelhantes. Mas, depois, entre os 28 e os 40 anos, a produtividade das mulheres não aumenta, enquanto que a dos homens sim. Depois, a partir dos 40, a produtividade das mulheres começa a aumentar enquanto que a dos homens estagna. Os economistas mostram que a diferença está concentrada nas cientistas que se casam e têm filhos. A sua produtividade retoma o crescimento aproximadamente 15 anos depois do casamento, quando para muitas, as crianças precisam de menos atenção. Isto implica que, quando olhamos para cientistas com mais de 50 anos, as mulheres são tão ou mais produtivas do que os homens. Mas, quando olhamos para os cientistas entre os 35 e 40 anos, os homens estão acima das mulheres e a diferença entre eles está no seu máximo. Ou seja, é na idade em que os cientistas são julgados e promovidos a professores (as posições seniores) que a diferença entre eles e elas é maior. Isto provavelmente explica porque é que na geração coberta pelo estudo, 62% dos pais foram promovidos mas isso só aconteceu com 38% das mães (e, já agora, num outro grupo de estudo 54% das mulheres sem filhos foram promovidas). Explica também porque é que as mulheres cientistas escolhem ter filhos com uma probabilidade que é só 2/3 daquela que verificamos para os homens cientistas, e só metade se casa com uma frequência que é metade da dos homens.
Estes resultados refletem o panorama dos anos 50 e 60, que é a amostra do estudo. Com amostras mais pequenas e maior dificuldade em separar o efeito causal dos filhos, outros estudos usando amostras mais recentes descobrem resultados qualitativamente consistentes (se bem que não no tamanho). Durante 2020, quando fechámos as escolas, a produtividade das mães cientistas caiu muito mais do que a dos homens. Alguns inquéritos mostram que as mães com filhos com menos de seis anos perderam 17% mais tempo do aquelas com filhos mais velhos. Por sua vez, como já escrevi neste espaço, os dados dos países nórdicos mostram que mesmo com licenças de maternidade generosas e creches públicas, ainda há um efeito grande e permanente da natalidade no salário das mães em relação aos pais ou às mulheres sem filhos.

Para pôr estes resultados no seu contexto, hoje, na população entre os 25 e os 34 anos, em todos os países da OCDE sem uma única exceção, há mais mulheres com um curso superior do que homens. As mulheres são a maioria dos estudantes de direito ou medicina ou dos programas de doutoramento. É já praticamente certo que a maioria das mulheres no futuro próximo se vai provavelmente casar com um homem que ganha menos do que ela. Não me parece que elas vão aceitar que ter filhos implique que os papéis se invertam, e passem eles a ganhar mais. Ou a natalidade vai cair (ainda mais?), ou o papel de pais, mães e Estado na educação das crianças vai-se alterar muito. É difícil imaginar que isto não implique mudanças na organização do trabalho, incluindo no trabalho à distância e no teletrabalho, com uma influência mais profunda e prolongada do que a da pandemia. Uma tendência que se vê já é mulheres que se casam mais tarde e têm filhos depois dos 40 (quando já ascenderam aos cargos seniores) usando os avanços na inseminação artificial. A pandemia pode ser o ponto de viragem em que estas mudanças se tornam mais visíveis. Mas, mais cedo ou mais tarde, elas iam acontecer.