September 10, 2020

Hoje comprei o jornal para ler a entrevista da Marisa Matias

 


Dos 4 candidatos à presidência, neste momento só dois, duas, neste caso, são elegíveis: a Marisa Matias e a Ana Gomes. O actual presidente, em quem votei, enganada, mostrou ser uma pessoa elitista, apesar de gostar muito de tirar fotografias com o povo. Depois, sendo em parte responsável pelo estado da educação (acho que ninguém esquece os elogios rasgados que fazia a Sócrates e à Rodrigues) não tem uma palavra de defesa da escola ou dos professores que lhe merecem grande desprezo. No resto, tem sido conivente com todas as malfeitorias do governo. Um yes, man. No Ventura, o candidato do Chega, não voto. Não subscrevo as ideias do indivíduo, nem das pessoas que o rodeiam, dum conservadorismo e sectarismo preocupantes. Restam, a Marisa Matias e a Ana Gomes. Vou estar atenta ao que dizem, ao que defendem e à questão da independência que querem ter, ou não, dos respectivos partidos. A Ana Gomes sabemos que é uma pessoa que age por consciência, já deu provas disso, mas não sei as ideias que defende. Vamos ver. Entretanto podem surgir outras pessoas, nunca se sabe.




Well... and who doesn't?

 




The Shire

 


5 minutos de paz antes da azáfama do dia.


Uma profissão inusitada

 



September 09, 2020

Cansou-se de estar na parede

 




www.facebook.com/MonaLisaMissing/

Blast from the past

 

Sei tão pouco da civilização chinesa.

Da terra ao céu

 



photo.by.Ursula Abresch

Teachers 2020

 



O absurdo dos horários das escolas



Se calhar a maioria das pessoas não sabe mas um dos poderes feudais das direcções das escolas está na manipulação dos horários dos professores. Qualquer professor quer saber o mais cedo possível o seu horário para organizar a sua vida: é diferente ter aulas sobretudo de manhã ou sobretudo à tarde ou tudo misturado. As pessoas têm uma vida fora da escola, têm família, têm filhos, muito professores, sobretudo os contratados, vêm de longe, às vezes de muito longe e uma pessoa precisa de organizar-se. 

É importante saber as turmas que se tem, os níveis -os anos de escolaridade - é diferente dar aulas só a turmas do 10º ou dar a 9ºs e 10ºs ou 7ºs, 8ºs, e 9ºs... houve um ano que tive quatro níveis o que significa que tinha de preparar 4 programas diferentes, material diferente para cada turma, etc. Não me importo, acho piada, embora seja extremamente cansativo, mas há professores que mesmo com dois níveis diferentes já se desorientam. 

Seja como for, uma pessoa se quer estar preparada para começar bem as aulas tem que saber com o que vai trabalhar (turmas de ciências são diferentes de artes ou de humanidades) e em que horário. 

Geralmente há uma reunião no fim do ano em que se distribuem as turmas e os níveis, mas as direcções podem mudar os horários e mudam muitas vezes. Os horários costumam ser feitos em Julho e Agosto. Este ano terá sido mais tarde devido à teimosia de fazer exames de fantochada.

A questão é que as escolas escondem os horários. É claro que os amigos especiais, sabem logo os horários,  que são sempre especiais -já dei aulas numa escola, há muitos anos, em que duas amigas especiais pediam um furo de duas aulas a meio da manhã para irem às compras- mas a maioria das pessoas está quase até à véspera da 1ª aula sem saber o seu horário de trabalho. 

Pode pensar-se que isto é ridículo, se não se souber que o horário é uma das maiores armas de ameaça das direcções, porque é evidente que um horário todo esburacado dá cabo da vida a uma pessoa. Passa o dia na escola e à noite vai fazer o trabalho que se faz fora da escola. Sobretudo no secundário que dá muito trabalho. Ou um horário com 6 turmas ou 8 turmas. Já tive 8 turmas. Era muitíssimo mais nova, foi nos primeiros anos de dar aulas, mas foi um ano horrível, não conhecia as turmas da tarde, não reconhecia os alunos..., estava sempre morta de cansaço. Nesse ano tive oito turmas porque a delegada do grupo pediu para ter duas turmas e enfiaram-me tudo quando era turma porque era a mais nova. Estas coisas, sempre as vi acontecerem nas escolas mas pioraram muito.

 Há professores que têm sempre um horário especial só com uma turma ou duas e projectos de fazer nada (ou até de estragar alunos) enquanto outros são carregados de 6 ou 7 turmas mais aulas de apoio, ou DTs sem horas lectivas que vão directas para projectos de amigos. Isto é comum nas escolas. O que se passa ao nível macro, dos governos, passa-se ao nível micro, das escolas, com a agravante que, em relação aos governos ainda vai havendo uma oposição e alguns jornalistas que denunciam, mas nas escolas... nada. Ninguém se atreve a falar para não ser alvo de vinganças. Têm medo de algumas pessoas porque vêem o que elas fazem a outras. É um clima malsão muito anti-pedagógico. Dantes não era assim, havia outro modelo de gestão nas escolas. Não eram feudais.

A maioria das escolas esconde os horários. Apesar de serem públicos, só alguns professores têm acesso aos horários de todos os colegas, para que não se veja, ano após ano, os favores que fazem sempre aos amigos especiais, por razão de....nada, serem amigos... 

Há escolas onde o horário é dado pelo delegado do grupo em envelope fechado a cada professor, como se fosse um testamento. Há escolas onde o director faz uma reunião geral de professores com um discurso interminável no fim do qual, com grande pomposidade manda distribuir os horários. Há escolas que obrigam o professor a assinar um papel a declarar que recebeu o horário. Há escolas que fazem beberetes para distribuir os horários. Esta distribuição de horários é feita 4 ou 5 dias antes da aulas começarem.

É o absurdo total, porque acontece os horários virem muitos diferentes do que foi combinado. 

Por exemplo, mudaram os anos de escolaridade ou as turmas... na minha escola isto da distribuição do horário pelos professores melhorou muito e agora enviam-nos o horário nos primeiros dias de Setembro, mas foi há pouco tempo porque antes acontecia ter acesso ao horário 3 dias antes de começarem as aulas; às vezes descobria que afinal, em vez de ter 10ºs anos tinha 12ºs anos... alguém (amigo especial), tinha pedido para ficar com 10ºs e tinham mudado o meu horário, por exemplo. Às vezes chateava-me à brava porque tinha andado a preparar aulas para um ano que não tinha. 

Quando dava aulas há meia dúzia de anos estas coisas stressavam-se. Achava, e ainda acho que isto é um sinal de grande incompetência e mentalidade provinciana e mesquinha. Houve um ano em que me lembro de ir à direcção numa sexta -as aulas começavam na segunda- perguntar quando me davam a porcaria do horário porque as aulas começavam segunda. Acho que contei isso no outro blog. Estava chateada. Aliás contei várias peripécias que me fizeram, a mim e a outros, com os horários.

No resto, infelizmente não melhorou e é igual a tantas escolas. Os horários são meio secretos... é ridículo porque sabemo-los na mesma porque falamos uns com os outros. Depois, só para dar uma ideia das coisas, desde Setembro de 2018 que trabalho com um adenocarcinoma activo, a fazer tratamentos agressivos. Entretanto, para além da doença estou cheia de sequelas da radio espalhadas pelo corpo, algumas que têm que estar sempre a ser vigiadas com exames médicos. Canso-me. Subir escadas deixa-me sem fôlego. Há alturas em que tenho dores tremendas. Pois tenho tido sempre um horário lectivo mais pesado, com mais turmas e alunos que outras pessoas que não têm nenhum problema de saúde mas têm sempre uma turminha ou duas desde há anos. Alguns ainda se queixam à nossa frente... lol

Mas isso não me importa porque não gosto de pedir favores e prefiro fazer o meu trabalho, que faço. Estou só a dizer porque é escandaloso. Já não acho normal que a lei não permita que pessoas com doenças como a minha ou outras incapacitantes tenham redução de tempo lectivo ou pelo menos de número de alunos nas turmas. Mas enfim, isto é o normal nas escolas e não há pudor. Seguem a cartilha do governo: 70 ministros a fazer nada, sendo que alguém nos ministérios há-de estar sobrecarregado de trabalho como um mouro porque ele tem que ser feito.

As tutelas, gostam deste sistema feudal criado pela Rodrigues para pôr os professores uns contra os outros (no que teve muito sucesso) em que a escola se tornou e alimentam-no. Aliás, para mim, sempre que uma nova equipa chega ao ME este é o teste que me mostra se são pessoas democráticas que se interessam pela educação ou se são carreirista autoritários que só se interessam por si mesmos: é ver se alimentam o feudalismo. 

Quero querer que haverá escolas que não são feudos e onde não se façam estes absurdos que são causa de grande desunião e ressentimentos entre colegas. 


Muita coisa podia fazer-se nas escolas e não se faz

 


Agora pensei mais uma. É que continuo a receber emails de pais de turmas que já não são minhas... fazem perguntas e pedem que faça certos serviços... vou respondendo ao que posso... não me custa nada... mas isto diz muito da escola... as coisas podiam, e deviam ser feitas de outro modo.


Falta de decência humana

 



Cá é mais 30

 


Em Espanha são 20 alunos por turma. Noutros países também. Cá é mais 30. A educação cá é para poupar dinheiro.


Grécia repete modelo inovador de junho no regresso às aulas 

Turmas de 15 alunos, uso obrigatório de máscara e intervalos alternados são algumas das medidas que o governo grego implementou para o novo ano escolar que se inicia a 14 de setembro.


Good morning

 




September 08, 2020

À atenção do senhor Costa

 


Nós somos um dos países que contribuímos para o florescimento intelectual de outros países em virtude da má governação: salários baixos, oportunidades nenhumas, desprezo pela educação e pela situação dos outros que não são banqueiros ou amigos políticos. Estão a condenar o país aos poucos e poucos.


Higher education in the UK is morally bankrupt. I’m taking my family and my research millions, and I’m off


After 25 years I feel Britain has broken my trust. I’m one of many academics who now see their future in Europe

Why am I am going back to the country of my birth? England no longer feels like home. Instead, since the Brexit vote of 2016, I have felt like a “leaver” in a waiting hall. Now I am going, and the emotional cost will take a long time to come to terms with.

I was from Germany, but I no longer feel I am from there. My seven-year-old son was born in England. His first language is English – he is English through and through. 

The problem cannot be fixed unless politicians and university leaders recognise that the commodification and commercialisation of knowledge is fundamentally flawed. Knowledge needs to be free.

Young people are told they are “consumers” in a shop where they can choose what and when to learn. They can expect a “service”. Some have taken their university to court if their course did not “deliver” promised results. This is no longer a viable, decent learning environment in which students from all walks of life and cultures are supported to achieve their potential. This is not a place in which the next generation of citizens can flourish. The rise in the number of students suffering from mental health issue speaks volumes. A student suicide is “managed” by the media department for fear of bad publicity. What matters are “bums on seat” to keep the ship afloat.

Britain’s cherished higher education sector, once the envy of the world, is on the brink of collapse. The humanities were world leading – and still are in many areas. Scholars in English literature, creative writing, the arts, languages, history and philosophy were acclaimed across the globe. But now the sector as a whole is bankrupt, not just financially, but morally. It has lost its integrity and seems unwilling to engage in critical reflection about the causes of this unprecedented malaise.

Likewise, research is taking a massive hit in post-Brexit, post-pandemic Britain. There is good evidence that the exodus of more than 10,000 scholars from Britain’s universities since the referendum continues unabated. Scotland has lost almost 2,500 academics. Countries such as Germany are beneficiaries of this mass migration of intellectual talent. Scholars and their families are voting with their feet. Britain is experiencing a significant “brain drain”. Life is too short to wait until the country has come to its senses is what most Europeans – and many British academics – think.

Berlin, Hamburg, Copenhagen, Frankfurt, Munich, Paris, Amsterdam, Vienna and all the other major European cities have not been idle. They know this is a historic opportunity to attract some of the best minds in the world. 

...

Prof Ulf Schmidt was director of the Centre for the History of Medicine, Ethics and Medical Humanities at the University of Kent. This month he becomes professor of modern history at Hamburg University.


Hoje era o dia marcado no calendário para ficar deprimida e não aconteceu 😁







William Haskell
Wrath


Porque é que o olho humano vê mais tonalidades de verde que de outra cor qualquer? II

 


Esta pergunta ouvi-a na série, Fargo (1ª temporada). É o assassino quem faz a pergunta -num tom entre o desafio e o ensinamento- ao polícia que sabe ser ele o assassino mas em quem ninguém acredita. Embora a detective-polícia -que acaba por casar com ele-, lhe dê parcialmente a resposta, só no último episódio ele a percebe inteiramente. 

(tive curiosidade em saber a resposta e daí o post anterior)

A série é muito boa. É sobre o bem e o mal e o espectro do comportamento humano, desde o ponto mais baixo, o do animal de instinto predador, ao mais alto: o animal com humanidade. Gira toda à volta de três pessoas: um vendedor de seguros que passa de vítima a assassino de oportunidade e que é um predador construído socialmente; um assassino profissional e sádico, um predador nato (uma das maçãs que tenta as vítimas a passarem-se para o lado dos predadores); e uma detective-polícia não-predadora mas que vê todos os tons de verde.

A série é passada no Minnesota num contexto duro de neve e frio permanente, florestas com lobos que aparecem em certas cenas para nos lembrar que há predadores entre nós. Os diálogos são muitos bons, com textos e sub-textos. As personagens muito boas. O chefe da polícia a partir do 2º episódio, por exemplo, que vomita quando vê mortos, não vê nenhum tom de verde e queixa-se do mundo não ser cor-de-rosa mas entretanto é um pescador daqueles que persegue peixes grandes e depois os pendura como troféus no escritório.

Há uma história que a detective conta ao vendedor de seguros que está sempre a dizer-lhe que é uma vítima e que se irrita com ela por perceber que ela sabe muito bem que foi ele que matou a mulher: 

"um dia -diz ela- um homem entra num comboio e sem se dar conta uma das luvas que leva nas mãos cai na linha do caminho de ferro. Ele dá por isso já com o comboio em andamento. Então, abre uma janela e deixa cair a outra luva para que, quem encontrar a primeira, possa encontrá-la e ficar com o par completo." 

Muito boa a série.


Porque é que o olho humano vê mais tonalidades de verde que de outra cor qualquer?

 


imagem da net



Os seres humanos são omnívoros. Diferenciar tons de verde ajuda a encontrar plantas comestíveis, a evitar plantas venenosas e a encontrar animais que se alimentam de certas plantas específicas.

As três cores que vemos (vermelho, verde, azul) são apenas uma cor para um dos três tipos de cones que os nossos olhos têm. Os seres humanos são tricomatas, o que significa que percepcionamos três cores primárias. A retina do olhos humano pode detectar luz entre comprimentos de onda de 400 e 700 nanómetros, uma faixa conhecida como, o espectro visível.


Cada cor primária corresponde a um comprimento de onda diferente, começando com o azul, o mais baixo, com 400 nanómetros, até ao vermelho, o mais alto, com 700 nanómetros. No meio do espectro está o verde, a 555 nanómetros. É neste comprimento de onda que a nossa percepção atinge o seu melhor. 

Quando vemos uma rã verde, a cor que vemos é a luz reflectida na superfície da pela da rã, percebida pelos nossos olhos como verde, mensagem que enviamos ao nosso cérebro.

"Podíamos ter evoluído para cones que detectam ultra-violeta, laranja e infra-vermelho ou outro conjunto de cores ou até um número diferente de conjuntos de cores. Há animais que têm apenas um (só vêm uma cor), os pássaros têm quatro, certos camarões têm doze." (orphism)

Se a bactéria roxa e não a verde se tivesse tornado o cloroplasto das células das plantas terrestres, talvez a nossa vista estivesse centrada no roxo e não no verde.

Os nossos ancestrais viviam em florestas e campos verdes. A capacidade de distinguir as tonalidades de cor nas plantas (quais comer, quais evitar) e frutos (quando estão verdes e quando estão maduros), deu-nos uma vantagem evolutiva.

Tal como nas plantas, também na fruta a clorofila lhes dá a cor verde. A banana, que pensamos como um fruto amarelo, começa por ser verde. A mudança da cor que corresponde ao processo da molécula presente na casca da banana se quebrar, indica uma cada vez maior concentração de açúcar.




Apesar de já não vivermos nas florestas, a nossa percepção do verde continua a jogar um papel importante nas nossas vidas e na nossa saúde. Sabemos que o relvado precisa de água pela mudança do tom de verde em amarelado; sabemos que a salada não é fresca pala mudança de cor das folhas verdes em tom acastanhado ou amarelado. Sabemos que as pessoas que vivem rodeadas de verde têm vidas mais saudáveis e que a cor verde tem importância na saúde mental. Certas tonalidades acalmam, outras revigoram.

Verde é a cor-sintoma que melhor indica a saúde do planeta.


September 07, 2020

Filosofias de vida - "We used to be gorillas"

 



Right...

 




Ainda sobre a disciplina de cidadania

 


Este advogado estranha a mudança de posição do CT porque está por fora daquilo em que as escolas se transformaram a partir da gestão imposta pela Rodrigues. Alguém da tutela manda o director forçar à obediência e este tem muiiitas maneiras de forçar os CT. 

Como li alguém outro dia, 'hoje em dia o autoritarismo já não passa por obrigar todas as teses a terem, como na URSS, pelo menos uma citação de Lenine para serem aprovadas, mas passa por matar a carreira das pessoas com posições dissidentes. Dão-lhes cabo da vida: maus horários, excesso de trabalho, obstáculos e sabotagens do trabalho, indisponibilidade para resolver qualquer problema... enfim, fazem-lhes a vida num inferno...  nomeadamente quando falamos de pessoas de má índole que mandam chumbar alunos por vingança. Sim, porque não há outra razão para que uma pessoa que faz legislação e pressiona para que passem todos, mesmo com 1000 faltas se for preciso e sem saber ler nem escrever, obrigue a chumbar alunos de elevado desempenho não só académico como comportamental. Não estamos a falar de alunos com mau comportamento.


O defensor, João Pacheco Amorim, estranha também que o mesmo Conselho de Turma — “órgão colegial, que não obedece a ordens de uma escala hierárquica” — “tenha decidido passar os alunos no ano letivo de 2018/2019, porque acharam que aqueles dois estudantes tinham todas as competências, e este ano, de uma forma limpinha, decidiu reprová-los, por faltas”. 


Se o SE queria chatear alguém, chateasse os pais, não os miúdos. O que devia ter acontecido era a escola tentar um compromisso com os pais; não sendo capaz, reportar o caso ao ME e o ME tentar um compromisso com os pais ou ter tomado uma iniciativa legal contra os pais, em último caso, mas não contra os miúdos... são miúdos, filhos adolescentes a obedecer aos pais. E sem faltas de respeito a professores.

Isto é muito-anti-pedagógico. E um grande exemplo de incompetência e autoritarismo.

A cidadania é uma atitude de respeito pela lei, mas também pela discordância da lei. É uma atitude de respeito pelos outros que não têm as nossas opiniões - não é considerá-los nojentos, abjectos e outros adjectivos que vejo pessoas supostamente educadas usarem para se referir a quem não partilha dos seus valores. 
Não o fazer, quer dizer, não educar para o respeito, é educar para a intransigência e maniqueísmo. 
A cidadania não pode ser só ensinar a respeitar as pessoas que querem ter dois sexos, ou que são gays ou que defendem uma legislação que proteja os direitos da comunidade LGBT, também tem que ser,  ensinar a respeitar os que não concordam com essa legislação.

E a disciplina de cidadania, bem como os que a defendem sem saberem que não há razão nenhuma para falar desses assuntos numa disciplina à parte, a não ser o SE querer pôr no seu currículo profissional que tem uma disciplina inovadora, o que é falso, não é inovadora, não fomenta o espírito crítico, não fomenta o respeito por todos os cidadãos nem pela diversidade de valores. Fomenta o respeito por certas posições nestas questões que são as que causam polémica nesta discussão.

Um exemplo: todos os anos, quando trabalho o tema dos valores (onde se fala no relativismo dos valores, no objectivismo e subjectivismo axiológicos, na influência da cultura, etc., etc) ponho os miúdos a argumentar um tema dos valores. Quando chega a essa altura já eles sabem que as questões dos valores são muito polémicas e dão azo a discussões intermináveis, porque não há uma resposta de certo ou errado. Não estamos no domínio das questões de facto (e até nesse domínio é complicado). As posições estão assentes em pressupostos valorativos ideológicos ou religiosas ou filosóficos que enformam toda a visão da pessoa nessa questão. Também falamos na revisão racional dos valores, nomeadamente através da discussão racional, argumentativa. 

Embora sugira temas para discutir, deixo-os escolher um tema que os interesse porque a discussão obriga a muito trabalho, muita pesquisa, construção de um corpo de argumentos fundamentados em factos, gráficos, testemunhos, etc. Muitos ligam para as associações LGBT, falam com pessoal da saúde...  enfim, é sério, não fazemos aquelas mediocridades da TV. 

Escolherem temas relacionados com os direitos da comunidade LGBT é muito comum. Um ano, isto já há muito tempo, um colega tinha uma turma comigo disse-me, num intervalo, 'os alunos estão num grande alvoroço por irem apresentar um trabalho a Filosofia. A não-sei-quantas disse-me que o grupo dela vai apresentar um trabalho a defender a legitimidade da adopção de crianças por casais homossexuais.' Eu esclareci: não é bem uma apresentação - o grupo dela vai argumentar com outro grupo que tem a posição oposta de defender a não-legitmidade da adopção de crianças por casais homossexuais. Ele ficou a olhar para mim muito sério. 'Como assim? És contra?' Disse-lhe que não, sou a favor. Pergunta ele, 'mas vai deixar que argumentem contra?' Sim, eu dou uma disciplina de Filosofia e eles estão a fazer o trabalho no âmbito dos valores e o meu objectivo é que percebem a legitimidade de se ter uma posição diferente da sua e que aprendam a respeitar as pessoas que defendem posições diferentes em vez de as rotularem e querem obrigar. Se querem mudar as opiniões dos outros têm de o fazer racionalmente, argumentando. 

Isto tudo para dizer que: a educação ou se faz a sério ou é melhor não fazer. Isso de criar umas aulas para os alunos ter uns pózinhos disto e daquilo (a educação, mesmo a universitária qualquer dia é um almanaque de assuntos que se discutiram como quem discute na TV) em vez de deixar que tratem os assuntos nas aulas respectivas, o que já fazem, não só não serve para nada como pode servir para conflitos, faltas de respeito e evangelizações que acabam com os mais altos funcionários do Estado e seus acólitos a chamar nomes uns aos outros no maior exemplo de deficiente noção de cidadania.
Melhor seria que a escola fomentasse os valores do respeito e da democracia em vez de fazer estes teatrinhos.