August 17, 2020

😁






17 de Agosto foi o dia da publicação da Linha de Radcliffe

 


A partição da Índia é um exemplo do desinteresse que as elites políticas têm pelas populações quando o seu poder está eu causa.

A partição do subcontinente indiano [the partition, como é conhecida] resultou na morte de mais de um milhão de pessoas. Cerca de 14 milhões de pessoas foram desenraizadas e “forçadas” a deixar as suas terras ancestrais para atravessar uma linha imaginária desenhada num mapa de papel por um burocrata inglês. Enquanto os líderes políticos se regozijavam com a partida dos britânicos, muitos hindus, sikhs no Paquistão e muçulmanos na Índia descobriram de repente que estavam no lado errado da fronteira com o anúncio da Linha de Radcliffe em 17 de agosto de 1947. 

A Linha de Radcliffe foi a linha de fronteira da partição, resultado de um plano oficial anunciado pelo último vice-rei da Índia britânica, Lord Mountbatten, que dividiu a Índia britânica em dois estados soberanos separados - Índia e Paquistão. De acordo com o plano, as províncias de Bengala e Punjab seriam divididas em duas partes, uma compreendendo distritos de maioria muçulmana e os outras de maioria hindu e sikh.



Lord Mountbatten convenceu o líder da Liga Muçulmana, Muhammad Ali Jinnah e o líder do Congresso Indiano Jawaharlal Nehru a concordarem em dividir Bengala e o Punjab, mas as intrincadas fronteiras entre os dois países ainda não tinham sido decididas.

Um advogado formado em Oxford, Sir Cyril Radcliffe, praticamente sem nenhum conhecimento do subcontinente indiano, foi encarregado da tarefa de traçar a linha da fronteira final. 

Os britânicos argumentaram que Radcliffe recebeu o cargo porque não conhecer o país, pois isso garantia que não prejudicaria nenhum dos lados. Radcliffe foi para a Índia em 8 de julho de 1947; o Acto de Independência da Índia foi aprovado pelo Parlamento do Reino Unido e entrou em vigor em 18 de julho, deixando Radcliffe com algumas semanas para fazer o trabalho tendo 15 de Agosto como prazo final.

O historiador e professor Kapil Kumar, citando documentos oficiais, diz: “Foi Radcliffe quem decidiu terminar o trabalho da fronteira em seis semanas. O tempo dado inicialmente foi de dois anos e meio para todos os assuntos de finanças, comércio, militares, etc, mas de repente eles (os britânicos) decidiram que partiriam em 15 de agosto de 1947 e foi assim que este homem se sentou no escritório e pura e simplesmente desenhou uma linha no mapa de papel”.

No entanto, Dominique Lapierre e Larry Collins, no livro, Freedom At Midnight mencionam Radcliffe como tendo dito: "Jinnah, Nehru e Patel disseram-me que queriam uma linha antes ou até 15 de Agosto. Então, tracei uma linha ”. Tem sido repetidamente afirmado que Radcliffe não teve tempo suficiente para o trabalho da partição.

Kumar destaca o estatuto de domínio da Índia e do Paquistão sob os britânicos e rejeita as alegações de falta de tempo. “O que a Índia obteve em 15 de Agosto não foi a independência, mas o estatuto de domínio. Em 1948, quando C. Rajagopalachari foi nomeado governador-geral após a partida de Mountbatten, Nehru escreveu uma carta ao rei da Inglaterra em nome de seu gabinete, solicitando a sua permissão para nomear Rajagopalachari como governador-geral da Índia e em todos os documentos que são endereçados, eles são tratados como premier do domínio indiano e premier do domínio do Paquistão ”, diz ele.
O projeto de lei da independência da Índia e a resolução do Congresso sobre o projeto enviado aos britânicos, deixa claro que a Índia foi constituída um domínio e o Paquistão foi constituído um domínio separado, acrescenta.

Até 26 de janeiro de 1950, a Índia funcionou como um domínio britânico, onde os líderes nacionalistas indianos, não eleitos, receberam juramentos em nome do rei-imperador por um vice-rei britânico. O período de três anos, de 1947 a 1950, foi crucial para a Índia, pois foi nessa época que os líderes deveriam fixar fronteiras, trocar populações, escrever uma constituição e passar pelos processos legais de descolonização.
Kumar sublinha: “Porque é que Radcliffe foi designado para o trabalho, é incompreensível. Mas a questão crucial é: por que o Congresso Indiano concordou com esta fronteira tipo-desenho em papel de Radcliffe, sabendo que ele nada sabia sobre a região? Por que é que não foi feito nenhum protesto e aceitaram isso?
Das coisas divididas entre os novos dois domínios estavam,  dinheiro, dívida, reservas financeiras como barras de ouro, escritórios, móveis, livros etc.,  Tudo dividido de maneira bizarra ao ponto de haver mesas enviadas de escritórios governamentais da Índia para o Paquistão que não acompanhavam as cadeiras e vice-versa. Os instrumentos da banda da polícia não foram poupados, já que tambores foram dados à Índia e flautas ao Paquistão e assim por diante.

A celebração da independência ofuscou o horror da partição, onde os homens mataram as suas próprias mulheres e filhos em nome da honra pela razão de não querem abandonar as suas casas e também não quererem deixar as famílias para a fúria dos adversários, até há pouco, apenas vizinhos pacíficos. 

A divisão da Índia resultou numa das piores crises de refugiados de que há memória. De acordo com as estimativas do governo indiano, 83.000 mulheres foram abusadas e sequestradas durante a migração; os trabalhadores da reabilitação colocam esses números ainda mais altos. 

A violência sexual contra as mulheres foi horrível mas não registada oficialmente por nenhum dos lados, o que torna ainda mais difícil rastrear os factos sobre a crise dos refugiados. Atualmente, apenas historiadores e estudiosos trabalham em histórias e testemunhos orais para registrar a brutalidade.

O derramamento de sangue já acontecia antes da partição e tem a ver com a forma como o governo saiu. Jinnah tinha convocado um dia de ação direta contra hindus, em 1946, seguido de distúrbios em Calcutá. 

“Esta questão não é apenas a de um limite estabelecido artificialmente, mas também a de dar às pessoas tempo e oportunidade para facilitar a transferência pacífica. A nossa liderança estava mais preocupada em ganhar poder em vez de pensar numa transferência pacífica. As pessoas foram forçadas a partir, não foi uma migração. Eles não queriam abandonar as suas casas", literalmente de um dia para outro, acrescentou Kumar, mas sabiam que se ficassem no domínio da facção contrária, seriam chacinados.

A Índia e o Paquistão continuam este conflito gerado pela partição de Radcliffe em Caxemira, já que o governante da Caxemira, na altura, deveria decidir se se juntaria à Índia ou ao Paquistão. Acontece que Caxemira era uma região dominada por muçulmanos com um governante hindu e tanto a Índia quanto o Paquistão a desejavam. 

Pessoas de diferentes etnias em diferentes partes da Índia britânica, incluindo estados principescos, exigiam estatuto de independência, mas a propaganda política e os referendos uniram artificialmente as regiões. No caso da Caxemira, foi necessária a intervenção do exército.



Four nations (IndiaPakistanDominion of Ceylon, and Union of Burma) that gained independence in 1947 and 1948
Wiki

World leaders

 



Hoje fiz o funeral aos ouriços

 


Que pena... os ouriços que são esses bolinhos que parecem o que os brasileiros chamam brigadeiros mas não têm nada que ver com eles a não ser no aspecto exterior. Quer dizer... não tinham. Os ouriços são uns bolinhos algarvios de massa densa de chocolate e amêndoa com ovos moles no centro. Os meus preferidos! Pois hoje fomos comprar uns ouriços que já não comia há mais de um ano e saíram-me uns bolinhos de leite condensado com chocolate e ovos moles no meio... ca ganda nojo! Isto foi uma cena desagradável quase pior que a pandemia... não sei a que propósito assassinaram os ouriços e substituíram por esta porcaria com leite condensado mas desconfio que tenha que ver com porcarias de telenovelas brasileiras... bem, já lhes fiz o funeral e passei-me para o do lado com três cores que é uma bombinha de figo, alfarroba e amêndoa. 


Estamos nas especiarias


 






Há muitos sonhadores por aí 🙂

 

Um agricultor escocês reproduziu os Girassóis de Van Gogh num campo, numa escala massiva, usando plantas. 

BBC Archive

Umas quadrinhas que me vieram agora mesmo à cabeça ao ver isto

 

Tenho grandes navios no âmago

Vastidões por navegar

Sob um céu azul plácido

Pássaros querem voar


Não te demores na tristeza

Olha as nuvens no ar

Se os pés querem terra

Os olhos querem sonhar.


"The Inner Ocean" by Christian Schloe


Prioridades


O problema da atitude desta ministra não está, segundo este indivíduo, na perda de vidas mas apenas na perda de credibilidade política. Ele está zangado com ela porque ela prejudica a imagem do chefe.

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Bem sabemos que Ana Mendes Godinho está a gerir uma pasta duríssima nestes dias de pandemia. Conseguimos imaginar as frentes e a complexidade dos problemas a que tem de responder. Mas mesmo numa situação extrema de trabalho e dificuldade, não podia considerar o relatório da OM como uma série de papéis iguais a tantos outros. Fazendo-o, destruiu capital político e credibilidade aos olhos dos cidadãos e legitimou os pedidos de demissão que, entretanto, foram anunciados.


Manuel Carvalho em https:que/relatorios-lê-senhora-ministra

A loucura humana está em destruir o que é raro e difícil de encontrar

 



'Extinct' large blue butterfly successfully reintroduced to UK

By Amy Woodyatt, CNN
   

Esta borboleta estava declaradas extintas há mais de 40 anos e há cerca de 150 anos que ninguém as via, no RU. Este ano, depois de conservacionistas terem largado larvas na natureza, cerca de 750 surgiram este Verão. Os especialistas levaram mais de 5 anos a preparar o terreno e as condições para poderem reintroduzi-las: uma das chaves do sucesso foi o controlo das formigas vermelhas da área onde foram reintroduzidas pois são vitais para o seu ciclo de via. No Verão, as formigas vermelhas carregam as larvas para os seus ninhos pensando que são uma das suas. A larva transforma-se em carnívora e alimenta-se de formigas durante todo o outono o ano até estar pronta para a metamorfose no Verão seguinte.

Foi preciso reduzir área de pasto para o gado para que as formigas aumentassem e ainda fomentar o crescimento de tomilho selvagem e manjerona que são uma fonte de alimento das borboletas e de habitat para a postura dos ovos. 

O projecto de reintroduzi as borboletas começou há 40 anos com espécies da Europa continental. Estas borboletas azuis são ainda mais sensíveis que as outras borboletas às mudanças ambientais de modo que são um barómetro do que acontece com o clima.

A loucura humana está em destruir o que é tão difícil de encontrar e preservar, como se fosse tudo igual ao litro. Vá lá que desta vez alguém se apercebeu da perda e ainda conseguiu fazer alguma coisa para reverter o processo. 

O que faz um poeta?

 



Balin Hobbs, sobre o mundo e a vida na Terra. Londres, Fev. 2019.


WHAT SORT OF ALTERNATIVE SOCIETY AND CULTURE DO YOU ENVISION?
“One that doesn’t make guns and bombs. One that’s not at war with itself constantly. One that doesn’t poison the air, doesn’t poison the land, doesn’t poison the sea. One that has enough respect for each other and the planet we live on and all the other life forms that share this planet that we live on. One that has enough respect for all of that. To live in a way that’s completely sustainable; that is beneficial to all of life, so that mankind becomes a simbiotic life-form that’s supporting the life of its host planet instead of being a parasitic life-form that’s devoiding its host planet of its ability to support life.”

Good morning

 


Jeanne Santomauro Schnupp

August 16, 2020

Dylan revisited

 


Trailer da festa do Avante

 


Hegel em férias 😁

 


A vida boa acabou-se que a água hoje estava a 19º. Nem a nadar se aquecia e ainda arranjei uma infecção nos ouvidos para ajudar. Em contrapartida confirma-se que as cavalas me adoram e o kiwi desidratado que levei para comer depois do banho é óptimo. Comprei numa senhora que tem aqui uma banca em Tavira com tudo quanto é especiarias que traz de Marrocos mais gomas turcas e fruta desidratada que é óptima para levar para a praia.

Ontem fiz o jantar para todos: um arroz de salsichas picantes (estive meia hora a tirar a pele das animalas) com pimentos, cebola e ervas (estava óptimo) e usei um pimentão fumado que comprei nessa senhora. Antes de ir embora (já passou uma semana, como é possível...?) hei-de lá ir comprar as especiarias para o ano. Mas ainda tenho uns dias de praia deserta - à hora que eu vou ainda está tudo a dormir e tenho a praia quase só para mim e para as cavalas.



Em suma:

 



Livros - Time of Magicians

 

Apesar do crítico não gostar do livro (veja-se abaixo o que ele diz), parece-me ter uma pesquisa exaustiva biográfica dos autores que merece a pena ler.  

Time of the Magicians: The Invention of Modern Thought, 1919-1929 by [Wolfram Eilenberger]  


O mais recente livro de Wolfram Eilenberger, o fundador da revista, Philosophie Magazin, pinta o retrato de quatro brilhantes jovens filósofos, no rescaldo da Primeira Grande Guerra: Martin Heidegger, Walter Benjamin, Ernst Cassirer e – o único que viu, de facto, alguma acção militar - Ludwig Wittgenstein. Todos inovadores conceptuais mas em direcções diferentes. No fim, a única coisa que tinham em comum era a língua alemã.
Se algum dia se tivessem sentado à mesa de um café teriam desacordado em tudo. No entanto, segundo, Eilenberger, eles estavam unidos pelo 'espírito da época', o que os levou a cortar com os velhos modelos de existência (família, religião, nação, capitalismo) e a construir novos. Para Eilenberger eles são os 'mágicos' que fizeram da época de 1920 a grande época da filosofia. 

Passados estes anos todos, Heidegger e Wittgenstein são mundialmente conhecidos como patronos de duas tribos filosóficas -os sóbrios linguistas analíticos e os wild desconstrutivistas existencialistas- que mal se falam; Benjamin, o marxista místico, tem poucos seguidores, mas de culto e o pobre e velho Cassirer, parece não ter nenhum seguidor.

O abandono deste último não é merecido. Cassirer foi um pensador original, como nota  Eilenberger, embora demasiado urbano para o seu próprio bem. O seu trabalho estava enraizado na noção de Kant segundo a qual o mundo como o experienciamos é moldado pelas formas do pensamento e da sensibilidade humana; desafiou os filósofos a saírem um pouco mais e explorarem o mundo “em todas as direções”, prestando atenção à arte, às imagens e aos mitos, para além dos argumentos abstratos. Em 1919, Cassirer estabeleceu-se numa vida confortável como professor de filosofia na recém-fundada Universidade de Hamburgo e ganhou reconhecimento como um defensor proeminente da democracia alemã.

Em agosto de 1928 a república de Weimar celebrou seu nono aniversário e Cassirer marcou a ocasião com uma palestra pública na câmara municipal de Hamburg. O tema era duplo: embora a constituição da nova república alemã pudesse ocupar o seu lugar na descendência liberal da Magna Carta e das revoluções americana e francesa, também era fruto da tradição intelectual alemã de Leibniz, Kant e Goethe. O discurso foi feito com graça e autoconfiança e saudado com aplausos efusivos.

Acontece que no mês de fevereiro seguinte, a Universidade de Munique sediou um comício para o nacionalista Kampfbund [não sei como é que esta palavra se traduz] da juventude alemã. Suásticas por todo o lado. Houve uma ovação estridente quando Hitler e a sua comitiva entraram no salão. O filósofo vienense Othmar Spann fez um discurso sobre a “crise cultural do presente”, argumentando que a filosofia alemã estava sendo traída por um grupo muito unido de “estrangeiros”, nomeadamente, Cassirer. Cassirer era o mais alemão possível, não apenas por nascimento, mas também por educação, cultura e vocação, mas Spann - auxiliado por um aperto de mão e uma reverência de Hitler - considerou seu dever revelar que Cassirer era judeu, logo, não alemão.

Cassirer parece ter ficado impassível: não conseguia acreditar que um país civilizado cairia nas mentiras de palhaços populistas. Um mês depois, em março de 1929, foi para a estação de esqui suíça de Davos para um seminário de duas semanas sobre Kant, que ele lideraria em colaboração com o líder de uma nova geração de professores de filosofia, Martin Heidegger. Cassirer passou grande parte da quinzena cuidando de um resfriado, enquanto Heidegger subia pelas encostas com habilidade consumada; mas eles deram-se muito bem e encerraram os procedimentos com um debate. Cassirer aproveitou a oportunidade para elogiar Kant como um filósofo do infinito segundo o qual a humanidade está constantemente a esforçar-se por chegar a uma iluminação que nunca alcançará, enquanto Heidegger apresentou Kant como testemunha, apesar de si mesmo, de um "abismo" sob o trono polido de razão. O confronto foi um tanto rígido - “dois monólogos falados”, como disse um observador - mas também cortês, até mesmo cordial: um genuíno encontro de mentes, com uma séria diferença de opinião.

As entranhas do debate de Davos foram revolvidas muitas vezes, geralmente com uma retrospectiva portentosa: dentro de quatro anos, Cassirer encontraria refúgio na Inglaterra, enquanto Heidegger se tornava um nazi pago. Mas Eilenberger prefere manter os anos 20 dourados quando, a seu ver, Cassirer e Heidegger, junto com Benjamin e Wittgenstein, estavam essencialmente dançando a mesma melodia filosófica.

Não é uma história vulgar, mas Eilenberger conta-a com grande entusiasmo. Começa afirmando que os seus quatro filósofos se colocam todos na mesma "questão fundamental", ou seja, "o que é que a linguagem nos faz?" Em aparente concordância com Wittgenstein, partiram em busca de "uma linguagem subjacente a todo discurso humano" - "um unificador, uma linguagem primordial por detrás de todas as línguas e todos os significados ”.

Eilenberger apela aquilo que chama de “o espírito dos anos 1920”, que segundo ele envolvia espanto com a indefinição do tempo, ansiedade sobre os efeitos desumanizadores da ciência e espanto com “o nascimento de uma era de comunicação global”. No entanto, ele deve estar ciente de que dificilmente houve uma década nos últimos 500 anos que não pudesse ser descrita da mesma forma. 

Eilenberger amarra os seus mágicos por meio de conversas biográficas, passa rapidamente de uma vida para outra, nunca se esquivando da especulação sexual, e resume os seus resultados em títulos de capítulos alegres: "Heidegger está ansioso para uma luta, Cassirer está fora de si, Benjamin dança com Goethe e Wittgenstein procura um ser humano ”, por exemplo, ou“ Benjamin chora, Heidegger gera, Cassirer se torna uma estrela e Wittgenstein uma criança ”.

Eilenberger é uma presença benigna na Alemanha, onde fundou uma popular revista filosófica e publicou livros generalistas, além de promover a “filosofia para todos” nas redes sociais, rádio e TV. Mas a popularização filosófica é uma arma de dois gumes: pode incitar-nos a ler os grandes livros, mas também pode levar-nos simplesmente à gratidão por um popularizador ter se aventurado no seu escuro interior para que não tenhamos nós que o fazer.

Uma coisa que Eilenberger parece não perceber é que a maioria dos filósofos prefere morrer esquecido numa valeta do que receber ordens do “espírito da época” e o que eles fazem é tudo menos magia: é um árduo esforço com muita edição.  Como dizia Wittgenstein, “It’s damned hard to write things that make blank sheets better!”

Time of the Magicians é um best-seller premiado na Alemanha e está a ser traduzido para 24 idiomas. Bem, isso realmente soa como mágico - o tipo de sucesso que Cassirer, Heidegger, Wittgenstein e Benjamin não poderiam ter esperado nem nos seus sonhos mais selvagens.

 no Guardian (tradução minha)