July 06, 2020
Chiça
Caraças! O tipo ainda não estava completamente desactivado e apareceu outra vez. Fui ao Tor e ele é que disse o nome da besta e pôs-me um programa a correr o disco que o descobriu logo. Chiça! Só me apetece dizer palavrões! Aquilo chama-se worlddata web daemon e estava escondido. Este aqui já não me engana.
Diário de bordo
Só agora consegui livrar-me do vírus que se instalou no PC. Chiça penico chapéu de côco! Fiquei com ódio ao Yahoo... que não tem culpa nenhuma...
Enfim... nem almocei ainda por causa desta cena. Um dia quase inteiro nisto. Serviu-me de lição. Espero :))
Assim que entrei no email tinha vários emails de alunos. Enviei as notas para casa deles, disse-lhes como vê-las online. Podem ir à escola vê-las, também, mas como no 2º período, por causa do confinamento, disse as notas a cada um, agora acharam que ia fazer a mesma coisa... duas DT... estar a mandar um email a cada um com as notas... nem pensar. Miúdos...
Acabaram-se as sovas do D., o meu fisioterapeuta. Faltava uma mas com a costela neste estado não pode ser. Tenho que ir nadar. O médico ortopedista disse que era um exercício óptimo. Antes da pandemia estavam a fazer um complexo com piscina olímpica numa zona que fica entre a minha casa e a escola. A 5m da escola. Tinha pensado, dado que acordo com as galinhas, inscrever-me e, 3 dias por semana, ir nadar logo à hora de abrir -isto se abrissem lá para as 7 ou 7 e meia da manhã- e depois seguir para a escola. Olha, com a pandemia a obra esteve parada e agora enfiar-me em piscinas públicas se calhar não é a melhor ideia. Logo se vê.
Estou desejando que cheguem as férias para meter um pé na água do mar. Espero que este ano esteja melhor. No ano passado foi só vento e água gelada. E este ano a casa há-de estar cheia. Animação não vai faltar. A cena de ir de máscara para a praia é uma chatice mas o que se há-de fazer?
A playlist de hoje tem de ser com Ennio Morricone, obviamente
Ennio Morricone morreu hoje. Deixa saudades e música muitíssimo boa, de modo que não será esquecido.
Coisas mesmo chatas da era digital
Estou desde as 7 e meia da manhã a tentar desinstalar um vírus que me entrou no sistema do pc por minha culpa. Queria muito instalar um programa e desactivei a firewall contra o aviso do sistema. Hoje tenho aqui uma porcaria de um vírus que redireciona todas as pesquisas para uma página do Yahoo cheia de publicidade. E não o consigo tirar de maneira nenhuma. A chatice que tem sido descobrir onde está o vírus, como se chama e como desinstalá-lo. Uma pessoa corre a lista de todos os programas na actividade do CPU à procura dele mas é claro que o bandido não vem com uma flag ou um nome fácil de identificar. Já fui à internet e vi 10 exemplos de desisntalá-lo mas nenhum funciona. No entanto, nesse processo já desinstalei malware que nem sabia que tinha. Os computadores deviam vir com uma secção de ajuda para idiotas, do género, ‘o que fazer se’, com instruções simples para utilizadores não programadores ou, melhor ainda, um programa que fizesse essas coisas sozinho. Depois, o Mac não tem aquela funcionalidade do Windows em que damos ordem ao sistema para recuar uma semana ou duas. Enfim, descobri uma maneira de resolver o problema com a máquina do tempo mas é complicada e requer tempo. Mas tem que ser porque não vejo outra maneira. Agora estou a passar ficheiros para um disco rígido e só depois poss fazer isso. Entretanto estou no pc antigo que é lento como tudo. Se estivéssemos em dia de dar aulas estava tramada.
July 05, 2020
Como as coisas mudam radicalmente em duas ou três dezenas de anos - e não para melhor
Reagan foi um homem da direita forte e convicta, mas passadas umas poucas dezenas de anos -tirando a parvoíce daquela ideia mitológica que tem acerca dos EUA serem fadados para a grandeza- o discurso dele aparece como um discurso da esquerda, de defesa dos imigrantes e do pluralismo de culturas. Muito interessante.
Próximo ano lectivo - fazer mais mal que bem
"(...) O mundo que eu gostaria de ver seria um mundo livre da virulência das hostilidades de grupo, capaz de compreender que a felicidade de todos deve antes derivar-se da cooperação do que da luta. Gostaria de ver um mundo em que a educação tivesse por objetivo antes a liberdade mental do que o encarceramento do espírito dos jovens numa rígida armadura de dogmas, que tem em vista protegê-los, através da vida, contra os dardos das provas imparciais. O mundo precisa de corações e de cérebros francos, e não é mediante sistemas rígidos, quer sejam velhos ou novos, que isso pode ser conseguido."
- Bertrand Russell, "Por que não sou cristão"
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Lembrei-me disto a propósito do inferno que estão a preparar para os alunos no próximo ano lectivo à conta da enorme histeria dos adultos que se lhes há-se pegar porque os miúdos são como esponjas: férias pequeninas, ano lectivo mais comprido, intervalos dentro das salas, intervalos pequeninos que nem dão tempo para ir beber água ou ir à casa de banho. Trabalho extra depois das aulas com recuperações curriculares... este inferno não é próprio para adultos, quanto mais para crianças e adolescentes e vai fazer mais mal que bem, porque a educação é um processo e não se pode enfiar à força conhecimentos e experiência de vida nas pessoas. Precisa de tempo de maturação para que se processe a interiorização e acomodação dos conhecimentos e das experiências. O que vai acontecer é os miúdos cansarem-se rapidamente, stressarem-se com o stress dos adultos e começarem a comprometer as aprendizagens por desgaste mental e falta de tempo para a vida não escolar. Tudo isto, por sua vez, vai pôr as pessoas desnorteadas que mandam no país a pressionarem histericamente os professores e as escolas e há-de ser um caos de intranquilidade e de vitórias pírricas. Vitórias pírricas são amargas e por vezes, nestas idades, maus precedentes na formação de espíritos que se querem inteiros e livres. Os miúdos não vão ter tempo nem oportunidade para recuperar destes meses fechados em casa. Sou da geração que apanhou o 25 de Abril ainda andava na escola, no liceu como se chamavam na altura. Foram tempos sem anos lectivos completos - greves e RGAs e RGPs dia sim dia não, durante anos. Não ficámos menos desenvolvidos ou mais ignorantes por isso. Tudo isto é um disparate e os desnorteados que nos governam deprimem-me.
July 04, 2020
O Polvo no poder
João Moura é autarca em Ourém (presidente da Assembleia Municipal) e a sua empresa (Quadradoaometro) celebrou um contrato com a sua própria Câmara, de Ourém. Foi um ajuste directo de 65 mil euros, de forma camuflada, assinado pela sua esposa. Assim, tornou-se fornecedor (em nome da mulher) da Câmara de que supostamente fiscaliza os contratos (que, para ele são obviamente óptimos, quiçá perfeitos!). Com este cadastro de conflito de interesses, está no local certo: é deputado e dirigente máximo do PSD.
Se eu escrevesse aqui os comentários que adornam esta imagem com esta frase no FB...
O mais simpático diz assim, 'esta criatura deprime-me'.
Hendrik Voogd
Faz um bocadinho lembrar a nostalgia do Claude Lorrain num ambiente arcadiano, sem dúvida influenciado pela vida em Itália, mas com aquela luz que os holandeses sabiam impregnar nas pinturas. O resultado é um bocadinho mágico.
clicar na imagem para ver em ecrã total
Hendrik Voogd (Dutch, 1768-1839),
Italian Landscape with Umbrella Pines" (1807)
Amsterdam, Rijksmuseum
Filmes - ‘Never Rarely Sometimes Always’
Uma pequena jóia, este filme. Sobre uma adolescente muito introvertida de 17 anos de uma pequena cidade conservadora e provinciana da Pensilvânia, nos EUA, que descobre estar grávida. Sem apoio da mãe, sobrecarregada de tarefas às ordens de um padrasto que não se interessa, sem apoio do namorado que é o típico idiota que vai para cama com ela e depois lhe chama slut, sem apoio da clínica onde vai fazer o teste da gravidez, que lhe mostra um daqueles vídeos contra o aborto e sem dinheiro, tenta acabar sozinha com a gravidez. Não consegue.
A rapariga estuda e trabalha em part-time com uma prima num supermercado onde atura os homens a meterem-se com ela e o supervisor da loja sem nenhuma consideração por elas. Essa prima é quem a ajuda. Percebe o que se passa, tira algum dinheiro do supermercado para a camioneta até NY e vai com ela porque no estado da Pensilvânia só se pode abortar em caso de incesto ou de violação. Mais tarde, em NY, mas perguntas que a enfermeira lhe faz e dão nome ao filme, ficamos a saber que já foi forçada a fazer sexo, inclusivé sexo anal, desde muito nova, que o namorado lhe bate, obriga-a a fazer sexo sem protecção, etc., frequentemente contra a vontade dela. Portanto, de facto, foi muitas vezes violada...
As raparigas chegam a NY e ela percebe que não está de 10 semanas como lhe tinham dito lá na terra dela, mas de 18 semanas. Pensando que seria um procedimento para uma tarde descobre que tem de ir a outra clínica no dia a seguir onde façam abortos no segundo trimestre de gravidez. Uma daquelas clínicas que tem sempre adultos à porta a insultar as miúdas que lá vão, como se não tivessem já problemas que cheguem. Os únicos adultos que a ajudam e a tratam de acordo com as necessidades, problemas e idade dela são os do centro de saúde e da clínica onde acaba por fazer o aborto.
Entretanto, como têm que ficar lá duas noites porque o procedimento de interrupção de gravidez precisa de tempo para a dilatação cervical e, não tendo dinheiro para hotéis, passam as duas noites na rua, nas estações, no metro, com homens a assediar, ela com dificuldade em andar dos procedimentos de preparação que fez mais a prima, a arrastar uma mala. Há uma grande cumplicidade entre as duas raparigas, de quem sabe que nestes problemas ninguém ajuda a não ser o pessoal médico das clínicas e só podem contar umas com as outras.
O filme mostra a seriedade do problema - vê-se que ela e a prima estão muito conscientes da gravidade do acto, mas sem melodramas -é uma coisa que tem que fazer e faz, sem lamúrias, dramas ou queixumes; mostra como os homens têm, como coisa natural, um comportamento invasivo do território das raparigas e das mulheres e depois deixam-nas sozinhas com os problemas e ainda as julgam e perseguem.
A rapariga faz o procedimento e voltam para casa. Pouco falam do que se passou e vê-se que volta para uma vida de silêncio e incompreensão a não ser de outras raparigas-mulheres que sabem o que é passar por estas coisas e não ter ninguém para ajudar e não poder dizer a ninguém para não ser crucificada.
Há uma série de anos, numa altura em que se fez um referendo sobre o aborto aqui no país, organizámos uma discussão sobre o assunto numa turma a pedido deles, miúdos de 16 e 17 anos. No fim da aula fiquei a falar com um grupo de raparigas que era amigas. Algumas delas disseram-me que já tinham abortado. Uma delas disse que era sexualmente activa desde muito nova. Muito, mesmo.
De vez em quando tenho alunas grávidas. Às vezes os pais ajudam, outras vezes expulsam-nas de casa. Deve haver muitas a fazer abortos para escaparem a... muita coisa, muita coisa, que não têm idade para ter que aguentar.
#FreeAssange
Julian Paul Assange fez ontem anos. Passou-os na prisão onde está mais de 20 horas por dia em regime de solitária. No mês passado autorizaram a que tivesse um rádio para diminuir a tortura em que vive para que tenhamos acesso a informação de crimes que os governos nos escondem.
A decisão judicial de extraditar Assange para os EUA tem influência directa no jornalismo de todo o mundo porque ele será condenado por acções que fazem parte do quotidiano do jornalismo de investigação e isso criará um precedente para proibir a imprensa livre. Com a tendência actual de autoritarismo dos regimes a questão da imprensa livre é cada vez mais importante. No entanto, não se vê um único jornal a assumir campanha a favor dos direitos humanos que lhe têm sido negados.
“The Wikileaks founder Julian Assange is currently held in HMP Belmarsh, while the UK decides if he can be extradited to the US, where he has been charged with violating the Espionage Act, and faces the prospect of spending the rest of his life in prison if he is found guilty. As Alan Rusbridger, the former editor of the Guardian, has written, the charges against Assange are ‘attempting to criminalise things journalists regularly do when they receive and publish true information given to them by sources or whistleblowers’.”
“According to the RSF, ‘the next 10 years will be pivotal for press freedom because of converging crises affecting the future of journalism: a geopolitical crisis (due to the aggressiveness of authoritarian regimes); a technological crisis (due to a lack of democratic guarantees); a democratic crisis (due to polarisation and repressive policies); a crisis of trust (due to suspicion and even hatred of the media); and an economic crisis (impoverishing quality journalism).'”
“The Wikileaks founder Julian Assange is currently held in HMP Belmarsh, while the UK decides if he can be extradited to the US, where he has been charged with violating the Espionage Act, and faces the prospect of spending the rest of his life in prison if he is found guilty. As Alan Rusbridger, the former editor of the Guardian, has written, the charges against Assange are ‘attempting to criminalise things journalists regularly do when they receive and publish true information given to them by sources or whistleblowers’.”
“According to the RSF, ‘the next 10 years will be pivotal for press freedom because of converging crises affecting the future of journalism: a geopolitical crisis (due to the aggressiveness of authoritarian regimes); a technological crisis (due to a lack of democratic guarantees); a democratic crisis (due to polarisation and repressive policies); a crisis of trust (due to suspicion and even hatred of the media); and an economic crisis (impoverishing quality journalism).'”
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