May 30, 2020
May 29, 2020
Hã...?
Quando saí daqui par ir ali à fisioterapia não tinha nem um email na caixa de entrada. Tudo limpo. Agora volto, abro o pc e estou a ver ali na janela 81 emails... não acredito... nem me apetece ir ver o que é... mas tenho que ir porque tenho que enviar grelhas aos alunos. Grande massacre.
Quando ia a entrar na clínica da fisioterapia ia uma colega a sair. Está mais magra. Perguntei-lhe como estavam a correr as coisas na escola. Disse-me que anda estourada porque vai para a escola e depois vem para casa para as turmas de aulas online e depois há a DT, que é um ano de exame e caem no email orientações com 90 páginas no meio do trabalho e dos emails todos dos alunos e não só... e enquanto escrevi isto já lá está mais outro. Não estou com disposição para isto.
Ensino à distância
Os miúdos motivam-me. Hoje estamos a entrar no tema da ideia de sociedade de Rawls e da sua Teoria da Justiça e como preâmbulo falámos do Estado, da necessidade de leis, do Direito e da organização política das democracias, dos orgãos de soberania - as funções de cada um e como se relacionam e porquê. Às vezes os miúdos não se interessam muito por estas questões mas esta turma de hoje tem vários alunos à beira dos 18 anos e outros que já os têm e interessaram-se e o dinamismo deles, pegou-se-me um bocadinho.
Tenho pena que não seja uma aula presencial porque quando há esta dinâmica positiva fazem-se aulas muito interessantes.
Evidentemente não lhes disse que, na prática, a independência dos orgãos de soberania nem sempre é o que devia ser. Não vale a pena torná-los cínicos na idade própria de se entusiasmarem e lutarem por ideais. Até porque o entusiasmo é uma dinâmica que se pega, e preciso muito que se pegue, muito mais facilmente que o vírus.
Dicionário da agonia existencial - motivar, controlo
'Motivar' vem do latim, 'movere' - mover, o que move, o que põe em movimento, o motor. Na máquina é o dínamo, que gera o fluxo de energia necessária para a pôr em movimento. No ser humano é um processo que implica um esforço inicial, um arranque, um impulso de energia, que arranca e orienta a acção em direção a algo. Des-motivação é o oposto ou a ausência, melhor dizendo. Mesmo sem esse 'algo' que motiva e orienta o impulso, a motivação continua a exercer-se para satisfazer as necessidades básicas do corpo, se é que isso basta à vida.
Controlo - vem do latim medieval, contrarotulus (contra [comparar] + rotulus), e significava um método de verificar as contas com um duplo registo - portanto, dominar, exercer comando sobre. Des-controlo - o oposto.
Pensar - dilemas éticos
Responsible thinking requires calibrating our levels of credence to the reliability of our intellectual tools.
... Ethical thinking is hard, and even our best tools for doing it are not very good.
May 28, 2020
View of the Venetian Lagoon at sunset
Guglielmo Ciardi (Italian, 1842-1917) - View of the Venetian Lagoon at sunset, oil on canvas, 29.9 x 39.7 cm
(christie's)
May 27, 2020
Pesadelo, parte II
Isto ainda é mais perturbador que o vídeo dos couchons brasileiros e explica muito das atitudes e modos de ser e agir do indivíduo. Que crueldade, as pessoas morrerem sozinhas em lares, isoladas e proibidas de receber visitas de familiares. Não percebo isto. Despediram-se da mãe em Março, antes do confinamento e depois deixaram-na sozinha. A sério? Os pais são os proto-mortos? Quer dizer, uma coisa é não andar a visitar lares onde há infectados, outra é deixar a mãe morrer sozinha. Não precisa de dar abraços e beijos mas pode-se levar uma máscara e tocar nas pessoas, dar as mãos, etc e a seguir desinfectar-se. Acho isto triste e desumano.
E como se não bastasse, foi para a TV falar disso para capitalizar ganhos políticos. Ao menos ficasse calado e não instrumentalizasse a morte da mãe.
Coronavirus: Dutch Prime Minister Mark Rutte didn't visit dying mother due to lockdown restrictions
O Brasil é governado por um bando de jagunços
Até faz impressão. As intenções maliciosas, o abuso de poder, o nível ordinário da linguagem. Isto é uma espécie de pesadelo que o Brasil está a viver. Uma reunião de gritos e ameaças com uma linguagem de bandidos e proxenetas que não andaram à escola. É repugante. Pensar que as pessoas e as suas vidas estão nas mãos destes couchons. Que pesadelo. As reuniões do Trump devem ser parecidas.
Alguém está de quarentena em casa a dar baixa na garrafeira...
«Se a Europa quer ter alguma hipótese, tem que demonstrar imediatamente solidariedade e que é capaz de agir. Empréstimos adicionais aos Estados-membros seriam pedras em vez de pão, porque muitos deles estão já fortemente endividados»
Wolfgang Schäuble [!!?]
(via Ladrões de Bicicletas)
Livros - For Crying Out Loud
In Critchley’s reading of the dialogues, “excessive grief and lamentation […] never gets anyone anywhere. What should be cultivated instead […] is the capacity for deliberation (bouleusis) which is subject to the activity of logos and the calculating rational part of the soul.”
...
Critchley is at his most incisive when his criticism of ancient thinkers speaks, at least indirectly, to the contemporary discipline of philosophy. “At the core of philosophy,” Critchley writes in his assessment of Plato, “lies affect regulation, the rational ordering of emotion. Do we not glimpse here the cold, obsessional core of the philosophical personality?” I think so. What could philosophy be if it shook its cold, obsessional core? It might lose the semblance of security against the turbulent world, but it should be strong enough to face and express the disruption of being alive.John Kaag - Tragedy, the Greeks and Us
A lei contra os judeus
Este artigo explica muito bem os contornos da situação. Seria uma pena que uma lei que nos digna se transformasse numa lei que nos desonra e, acima de tudo, isso é que é importante, se tornasse numa lei que impede a justiça.
A lei contra os judeus
José Ribeiro e Castro
Por isso, será violador da igualdade que o PS (ou outro qualquer) venha introduzir, no n.º 7 e apenas para os judeus sefarditas, uma exigência que não seja simultaneamente imposta a todos os outros do n.º 6. Essa quebra da igualdade apenas para os sefarditas, além de inconstitucional, seria qualificada de anti-semita. Quem discrimina contra judeus ou por causa deles, age objectivamente em anti-judaísmo, por mais divagações que se faça.Na fundamentação da proposta restritiva, os deputados do PS escrevem: “(…) verifica-se que desde 2017 existiu um aumento exponencial dos pedidos de naturalização por parte de judeus sefarditas (…), tendência que se vai agravar, pelo facto do processo de naturalização em Espanha ter terminado em outubro de 2019. (…) Acresce o crescimento igualmente exponencial de pedidos de naturalização dos filhos (…) e dos cônjuges (…).” Ou seja, para estes deputados do PS, o subtexto é: “Podem vir, mas não venham muitos. Sobretudo não tragam filhos e cônjuges.”
Faltaria acrescentar, de modo consciente ou inconsciente, o pensamento de que o rei D. Manuel fez muito bem em expulsar os seus ancestrais e que bem podiam deixar-se ficar lá por fora. O legislador de 2013, porém, não foi isso que quis. E ainda bem, porque mostrou uma visão de bem, uma visão de futuro: os judeus sefarditas portugueses de volta, de corpo inteiro, à comunidade nacional. A lei de 2013 quere-os na comunidade nacional. Recebe-os porque entende que fazem parte dela. Não os estranha, nem torce o nariz ao número.
O que a lei diz é: “São bem-vindos. Que bom podermos abraçar-nos outra vez.” O que a lei não diz, nem pode dizer, é: “Não nos pertencem, não vos queremos.” Outra questão é a dos eventuais abusos – já lá iremos. Mas, à partida, importa ter presente que o número em si não é um abuso. O número é a medida do sucesso da lei de reconciliação e de retorno.
May 26, 2020
Nothing else matters - gosto deste arranjo
AyseDeniz a tocar Metallica.
Uma tarantela
... tocada na guitarra Sabionari, uma das 5 guitarras Stradivarius que ainda existem e a única que ainda está em condições de ser tocada. Rolf Lislevand a tocar a Tarantela de Santiago de Múrcia.
A tarantela é uma música tradicional do sul de Itália - diz-se que da província de Taranto e originalmente seria dançada pelas pessoas que eram picadas pela tarântula, uma aranha-lobo comum no mediterrâneo (não confundir com a outra famosa) e que ficavam num estado de 'tarantismo', uma espécie de transe dionísico. Daí ser uma dança em crescendo de aceleração. Isto fui ver na wiki porque a palavra é tão evocativa da aranha e não estava a ver a ligação.
A tarantela é uma música tradicional do sul de Itália - diz-se que da província de Taranto e originalmente seria dançada pelas pessoas que eram picadas pela tarântula, uma aranha-lobo comum no mediterrâneo (não confundir com a outra famosa) e que ficavam num estado de 'tarantismo', uma espécie de transe dionísico. Daí ser uma dança em crescendo de aceleração. Isto fui ver na wiki porque a palavra é tão evocativa da aranha e não estava a ver a ligação.
À espera das notícias que não vêm
... mais um dia em que estamos aqui com ar normal à conta da pura força da vontade kantiana... como é que dantes se lidava com a ansiedade? Quando os tempos de espera não se mediam em dias mas em semanas, meses, anos? Fui ver nos dicionários.
O de Cândido de Figueiredo que é de 1919 (acho), uma 'refundação', como ele lhe chama, da 1ª edicão de 1808, reduz-se a três palavras insípidas. Quer dizer que naquela época ninguém ligava nenhuma à ansiedade e era mais do género, 'desansia-te' e não incomodes. O de Roquete que ainda é mais antigo, de 1848 ou por aí, também não liga nenhuma ao termo. A ansiedade devia ser conhecida por termos literários daqueles que vêem descritos nas obras do Garret e na poesia de Camões - fogo e tremuras e isso.
O dicionário da Academia de 2001 já traz os termos separados em categorias e tudo mas é tão desinteressante que não ajuda. Para isso ia ver os dicionários de Psicologia.
O dicionário etimológico (como a enciclopédia) está quase no tecto e não me apeteceu empoleirar no escadote de modo que fui ver no equivalente inglês: mandou-me ver, 'angina' e explicou que ansiedade e angústia têm origem em angere, um termo latino que significa sufocar, apertar e que se sente (a angina) também no peito. Está certo e eles percebiam bem o sintoma.
daqui
depois vim ao dicionário de Brunswick que é do virar do século, 1899, em plena Belle Époque, ou seja, a época das neuroses e da repressão sexual que ainda reinava, da era vitoriana que findava- tem o termo ansiedade metido na angústia -dei com esta explicação alongada e cheia de adjectivos e descrições que metem gritos, gemidos e até o transe capitalista. Esta é, de longe, a minha descrição favorita. Tanto que até me fez passar a angina do peito e a do estômago já melhorou.
A seguir fui espreitar a enciclopédia Pears
vim dar com uma explicação médica, seguida da entrada, 'suicídio'...
Isto também não ajuda...
A enciclopédia brasileira de 1900 e troca o passo está encostada ao tecto e não me apetece ir lá acima
Ficamos por aqui: donde se conclui que uma maneira caseira de lidar com a ansiedade é descentrar-se e ocupar-se com qualquer coisa.
Quando fizer uma obra quero estes trabalhadores
Este ministro surpreende sempre pela negativa e porque é que não vi o Prós e Contras
Este ministro, que não contribuiu um átomo para resolver um único problema na educação, quando abre a boca, geralmente é para ameaçar e perseguir professores. Agora chama-nos desonestos e ameaça com processos. Isto quando leio que durante estes tempos de pandemia chegavam à escola documentos do ME sem data nem assinatura... um indivíduo como ele chamar oportunistas aos professores... é para rir daquela maneira que o Bordalo praticava.
Não vi o programa Prós e Contras. Tenho uma doença que é afectada pelo stress e hoje-em-dia evito situações e pessoas que me deixam stressada, sempre que possível. Ora, fico em stress quando vejo discussões preparadas e sempre com as mesmas pessoas que conhecem o trabalho de ser professor apenas por ouvir dizer (a esse respeito recomendo uma obra de Bertrand Russell, Os Problemas da Filosofia, onde se fala nos problemas que se levantam a propósito desse conhecimento em 2ª mão) e, pelo que leio nos blogues, foi mesmo assim. Nem um único professor que esteja a dar aulas participou, como já calculava, porque é o costume.
De modo que estas conversas sobre educação fazem-me um bocadinho lembrar aqueles 'estudos' que os homens faziam na década de 70 e 80, entre eles e sem nunca se lembrarem de perguntar a uma mulher, sobre se as mulheres tinham orgasmos ou eram incapazes e se sentiam prazer e por aí fora. Epá, não estou para me stressar com parvoíces de gente que de cada vez que fala mostra não saber do que está a falar.
Inspectores da Educação dizem que faltam meios para travar inflação de notas
Tiago Brandão Rodrigues defende que “seria muito danoso para o sistema se oportunisticamente alguém pudesse tirar partido das circunstâncias [excepcionais que vivemos em tempos de pandemia].” Por isso, as notas do 1.º e do 2.º períodos serão analisadas para serem comparadas com os resultados finais e haverá auditorias aos critérios de avaliação.
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