May 15, 2020

Intervalo - fim da parte síncrona



Hoje estive a explicar um conceito. Expliquei, dei exemplos -este tempo de pandemia em que nos encontramos é fértil de exemplos de dilemas éticos- e depois perguntei se tinham percebido. Sim, sim, sim, sim... 20 sins de enfiada. Ok, então, vou expor uma situação para aplicarem o conceito - numa situação tal, usando o conceito tal, fulano de tal, agiria assim ou assado? A resposta correcta, aplicando o conceito é, 'assim'. Resposta deles; assado, assado, assado... ahah   ... oh meu deus! Expliquei aquilo mal para todos se enganarem na aplicação do conceito ao caso em apreço? Em vez de dizer que a resposta está errada, resolvi fazer perguntas compartimentadas, dividir a situação/problema nos vários passos que o agente deu e pensar cada um à luz do conceito. Aí foram sempre respondendo bem e no fim deram-se conta que tinham respondido mal, de início.
Conclusão: o facto de se perceber uma ideia em geral não significa que se tenha aprendido a pô-la em prática, que dizer a saber instrumentalizá-la para apreciar os contornos de um problema da realidade ontológica. Para isso é necessário saber problematizar, 'ver' o problema nas suas partes e no modo como se interseccionam, uma analítica à moda cartesiana, para no fim se ter uma perspectiva global da situação. É por isso que aprender lógica não ensina ninguém a pensar, apenas a ver se, do ponto de vista formal, aqueles pensamentos são coerentes, mas coerência e solidez são realidades distintas. Portanto, explicar os conceitos sem fazer o processo analítico do seu uso nas situações da realidade em que podem aplicar-se (induzir nos alunos esse processo mental, com perguntas e objecções), é pouco. Não chega.

Infelizmente esta evolução (talvez involução) não acontece só nos EUA



Da minha janela - um disco voador e a Secil a poluir o ar da Serra da Arrábida - reserva natural




Acerca do desperdício de água


Uma curta-metragem - chama-se Aquametragem, realizada por Marina Lobo, venceu o prémio da categoria “Proteger o nosso planeta”, no Festival de Filmes ODSs em Ação, da Organização das Nações Unidas.

Diário da Quarentena 61º dia - uma espécie de paz














Nuno de Sousa

Viana do Alentejo 

May 13, 2020

Hard Night




Hard Night
BY CHRISTIAN WIMAN



What words or harder gift

does the light require of me

carving from the dark

this difficult tree?


What place or farther peace

do I almost see

emerging from the night

and heart of me?


The sky whitens, goes on and on.

Fields wrinkle into rows

of cotton, go on and on.

Night like a fling of crows

disperses and is gone.


What song, what home,

what calm or one clarity

can I not quite come to,

never quite see:

this field, this sky, this tree.


Citação deste dia




Uma espécie de paz








André Cordeiro no grupo Natureza e Arte no Distrito de Setúbal.

Azinheiras de grande porte derrubadas para plantarem olival de agricultura intensiva



Alentejo. Quem é que faz um crime destes? Isto é uma tristeza.


Livros e livreiros



Chegou hoje, este livro que comprei, com uma mensagem simpática. Estas coisas acontecem nos pequenos livreiros.
É uma pena que às vezes só por intermédio da Amazon ou do eBay uma pessoa vá dar com estes pequenos livreiros. Não sei como é que até hoje nenhuma pessoa se chegou à frente e fez uma plataforma onde estejam organizados os livreiros, editoras e alfarrabistas de maneira a podermos comprar-lhes directamente sem passar pelos predadores dos pequenos negócios.







Vida



A vida não é uma narrativa mas um caminho sinuoso com avanços e recuos e incursões arrepiadas e embrenhamentos, espirais e paragens, com uma face no sol e outra nas ténebras.








"Japanese Style Landscape". Paul-Elie Ranson. c.1900

Post to myself



Uma coisa que me vai custar é chegar ao fim do ano e não poder dizer adeus aos alunos do 12º ano que trago desde o 10º e de quem gosto muito. Vai ser uma espécie de história sem o capítulo final. A eles há-de estar a custar-lhes a ideia de não terem o baile de finalistas e aquela festa toda que costumam fazer. É claro que vamos dizer adeus na internet, não vamos desaparecer de repente e esfumar no ar, mas não é a mesma coisa.

Perspectivas



Teatro.do.Epidauro.- Grécia Antiga. Finais do séc IV aC ao séc II aC.

fotografia da net

Isto é uma pena



Lembro-me de quando esta lei foi promulgada e de a pensar como um exemplo positivo de como um país pode, destro do possível, mitigar grandes injustiças e erros históricos. Pelos vistos, foi lei de pouca dura e já a reverteram, em termos práticos, encapotadamente. Uma pena. Não damos um passo positivo sem dar cabo dele logo a seguir.

Auto de fé para uma lei justa
~CARLOS ABREU AMORIM

Diário da quarentena 59º dia - Há meia hora que chove sem parar



Dia triste, mês triste, ano triste.



Nós somos os palhaços que pagamos este circo IV



Isto é vergonhoso e raia o criminoso. Que administrações de instituições completamente particulares dêem bónus a si próprios (é evidente que para o fazerem têm que prejudicar trabalhadores) de milhões é uma coisa, agora que instituições que dependem de pedinchar dinheiro ao Estado, que somos nós, recebam bónus, raia o criminoso: quem são os trabalhadores do Estado -a não ser os queridinhos do ministério do Centeno que levam 50 milhões de bónus, ou lá o que é-, que recebem bónus por fazer o seu trabalho? Mas estes tipos não têm já um salário, bem alto, por sinal? Mas nunca mais mudamos esta normalidade anormal que é estes fulanos abotoarem-se com dinheiros públicos?
E têm o descaramento de dizer que estavam a trabalhar bem mas a culpa foi do COVID? Então e os outros -os médicos, os enfermeiros, os professores, o pessoal dos supermercados- que dobraram o trabalho com o mesmíssimo salário? Alguns até perderam o direito a férias. Mas o que é isto? E, quer dizer, os comportamentos são tão vergonhosos que até o BCE, essa instituição obscena nas excepções e privilégios milionários que permite a bancos e banqueiros, vem dizer que é demais e ameaça até intervir se não houver moderação! Então mas temos que pagar esta pouca-vergonha do BES que nunca mais acaba?


O Novo Banco propôs em 2019, a título diferido e condicionado, o pagamento de uma remuneração variável aos membros da administração executiva no valor de 1,997 milhões euros, “em função da avaliação individual e coletiva da sua performance”, segundo o relatório e contas.

A possibilidade da administração executiva liderada por António Ramalho ter bónus no fim do período “aumentou muito devido à boa performance do banco”, segundo fonte próxima do processo, e por isso criou-se a provisão (antes da crise do Covid) que afectou o capital. A decisão de pagar bónus no futuro foi tomada pela Comissão de Remunerações do Novo Banco.

Porque é que a Comissão de Remunerações propôs um bónus? Porque o banco contava já ter o turnaround do banco já no final deste ano. Isto antes da pandemia do Covid-19 que chegou em março. Recorde-se que em fevereiro a prioridade da administração do banco era limpar o balanço em 2020. Isto é o desaparecimento do legacy.

“Quando se tem 11,8% de NPL, [mal parado] depois do enorme trabalho, que não tem paralelo na Europa da redução de 36,6% para 11,8%, ainda não estamos lá. Só estaremos lá quando esse valor for inferior a 5%, porque é esse o valor estimado pelo Banco Central Europeu para os bancos de alta qualidade”, disse em fevereiro o presidente do Novo Banco (antes da crise Covid-19).

Mas com a crise do Covid o BCE recomendou o não pagamento de bónus, em linha com a recomendação que fez sobre a não distribuição de dividendos aos acionistas até, pelo menos, 1 de outubro de 2020. O Banco Central Europeu (BCE) recomendou mesmo travar os bónus que os bancos pagam às respectivas administrações, devido aos impactos económicos da Covid-19, e admitiu intervir se os bancos não demonstrarem “moderação extrema” no pagamento de bónus.


jornaleconomico.sapo.pt/noticias/reducao-de-dois-milhoes-relativo-ao-bonus-da-administracao-do-novo-banco-nao-abateu-ao-emprestimo-do-estado

Nós somos os palhaços que pagamos este circo III



A 2 de novembro de 2018, Marcelo Rebelo de Sousa deslocou-se à Madeira. Durante a visita, num encontro com estudantes, disse que o novo hospital da Madeira devia ser "uma realidade rápida" e "uma prioridade". Assegurou acompanhar "atentamente" o que se passa na região e estar a par da "problemática" do hospital. No dia 15, ou seja, 13 dias depois, foi celebrado um contrato (por ajuste direto com consulta prévia, embora os outros consultados não sejam identificados no portal dos contratos públicos) com a Sociedade Rebelo de Sousa e Associados (SRS Legal), o escritório de advocacia liderado pelo irmão de Marcelo, Pedro Rebelo de Sousa. O contrato é para "consultoria jurídica no âmbito do procedimento de contratação pública para a construção do Hospital Central da Madeira (HCM)". E lê-se no mesmo que a decisão de adjudicação do secretário regional dos Equipamentos é de 2 de novembro – o dia da visita de Marcelo.

O Presidente vai ao Porto e elogia um projeto urbanístico da autarquia e deixa indiretas às reservas do Tribunal de Contas. Meses depois, o escritório do irmão é contratado pela câmara, pela primeira vez, e por ajuste direto, para tratar de questões que podem envolver o Tribunal de Contas. 

O escritório do irmão do Presidente teve 14 contratos com entidades públicas numa altura em que a lei ainda limitava esse tipo de situação. O caso tem contornos idênticos aos polémicos contratos públicos de empresas de familiares de membros do anterior governo. E isso permite também as coincidências, como estas, com a extensa intervenção pública do Presidente. Marcelo enviou respostas detalhadas à SÁBADO, que publicamos na íntegra na edição impressa.


Nós somos os palhaços que pagamos este circo III





Segundo Patrícia Silva, o facto de não existir "um perfil definido" nem uma entidade que fiscalize as nomeações (o Tribunal de Contas por vezes faz auditorias, mas sempre a posteriori) contribui para que esta seja "uma arena privilegiada" para os ""jobs for the boys"" [empregos para o aparelho partidário].

"Os gabinetes são, muitas vezes, utilizados como trampolins para outras arenas. São uma forma de preparar elites políticas para o futuro. Muitas vezes, é por aqui que é feita a entrada de jovens para a arena política", afirma a investigadora. No entanto, Patrícia Silva considera que a questão que merece maior escrutínio no que toca aos gabinetes é a das funções "contratadas para curtos períodos de tempo, como os pareceres técnicos".

A académica revela que o Tribunal de Contas chegou a detetar pessoas "nomeadas para curtos períodos de tempo mas que, depois, acabavam por prolongar a sua permanência e, portanto, o montante que ganhavam". Tendo isto em conta, defende que, mais do que nos salários, o principal problema está nas pessoas contratadas "para prestar apoios muito específicos" mas que, por vezes, acabam por arrastar esses serviços.
Finanças é o que pesa mais

O Governo tem pelo menos 1054 funcionários nos gabinetes (no Ministério das Infraestruturas ainda há dados por divulgar). A maioria está nos ministérios das Finanças (94), Ambiente (85) e Economia (79); os do Planeamento (22), Mar (27) e Coesão Territorial (32) são os que têm menos.

Quanto ao peso dos salários, a maior despesa é dos ministérios das Finanças (268 mil euros/mês).

Nós somos os palhaços que pagamos este circo II




"Nos órgãos sociais da Mota Engil, encontramos os socialistas Jorge Coelho e Seixas da Costa, o ex-ministro do PSD Valente de Oliveira, os centristas Paulo Portas e Lobo Xavier. Este último integra também os órgãos sociais da NOS, conjuntamente com Paulo Mota Pinto, figura cimeira do PSD". "Políticos que aceitam subordinar-se aos mais perversos interesses económicos abastardam a nossa democracia". Os exemplos são intermináveis e alguns estão neste meu artigo do Público de hoje (uma pequena amostra da promiscuidade dominante). Comentários e críticas são bem-vindos.

PUBLICO.PT
Políticos que aceitam subordinar-se aos mais perversos interesses económicos abastardam a nossa democracia.

Nós somos os palhaços que pagamos este circo



ANA PAZ FERREIRA da Câmara Perestrelo de Oliveira integra a Comissão Directiva do FUNDO DE RESOLUÇÃO BANCÁRIO, "designada por acordo entre o Banco de Portugal e o Senhor Ministro das Finanças", logo da confiança do Governo. Simultaneamente, é Presidente da Assembleia Geral da Galp Energia, porque é de confiança do Grupo Amorim. Quando há conflito de interesses entre o Grupo Amorim e o Estado, de que lado está Ana Paz Ferreira? A resposta nem é difícil de adivinhar! Esta senhora é ainda sócia da Eduardo Paz Ferreira & Associados, a sociedade de advogados de Eduardo Paz Ferreira (marido da ministra Van Dunnem), uma das sociedades que mais factura em pareceres e assessorias ao Estado português. É por estas e por outras que o regime está a cair de podre.
Paulo de Morais