March 04, 2020

Graffiti















Feira de Santana, BA.
Por @faltarte
@outrosantos

Everyday magic

























Mark Zug

😄













Perspectivas



Roma, Basilica di San Pietro. Dettaglio di una colonna tortile del ciborio.
Foto di Gianmarco Sartori.

Livros






"-- Sim, a escrita é uma arma, Delphine, uma porra de uma arma de destruição em massa. A escrita é muito mais poderosa do que tudo que você possa imaginar. A escrita é uma arma de defesa, de fogo, de sinalização, a escrita é uma granada, um míssil, um lança-chamas, uma arma de guerra. Ela pode devastar tudo, mas também pode reconstruir." - Baseado em Fatos Reais - Delphine de Vigan

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"É absurdo. Para que os livros deveriam existir? Para aprender? [...] Não, eu creio que um livro tem de ser uma ferida (blessure), que ele, de uma maneira ou de outra deve mudar a vida do leitor. A minha ideia, quando escrevo um livro, é a de provocar, de fustigar." - Entretiens - Emil Cioran

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"Acho que só devemos ler a espécie de livros que nos ferem e trespassam. Se o livro que estamos lendo não nos acorda com uma pancada na cabeça, por que o estamos lendo? Porque nos faz felizes, como você escreve? Bom Deus, seríamos felizes precisamente se não tivéssemos livros e a espécie de livros que nos torna felizes é a espécie de livros que escreveríamos se a isso fôssemos obrigados. Mas nós precisamos de livros que nos afetam como um desastre, que nos magoam profundamente, como a morte de alguém a quem amávamos mais do que a nós mesmos, como ser banido para uma floresta longe de todos. Um livro tem que ser como um machado para quebrar o mar de gelo que há dentro de nós. É nisso que eu creio." - Letters to Friends, Family, and Editors (Carta a Oscar Pollak, 1904) - Franz Kafka

Imagem via "Humanity"

Life is short. Insomnia is overlong



Quando o exemplo do primismo vem de cima todos os outros se sentem legitimados para o adoptar



Presidente da Proteção Civil promove chefe de gabinete e adjunta a diretoras nacionais
Uma das juristas era a chefe de gabinete de Mourato Nunes e a outra a sua adjunta desde outubro de 2019. Foram agora nomeadas, sem o obrigatório concurso público, uma como diretora nacional da Inspeção, a outra de Recursos.

Um artigo com chorrilho de mentiras



Não é verdade que as escolas estejam preparadas. Não é só na minha escola que andam lá à vontade alunos e professores acabados de chegar de Itália sem nenhuma precaução porque falamos com colegas de outras escolas. No Carnaval houve viagens a Itália um pouco por todo o lado e alunos viajaram com os pais para Itália, para Espanha e voltam para as escolas sem quarentena, sem testes, sem nada. Andam lá no meios de outros. A lei das probabilidades diz-nos que muitos devem estar infectados sem o saberem.

Depois não é verdade que haja condições de higiene boas escolas. A minha escola até é uma escola renovada com boas obras mas há escola que têm condições de higiene miseráveis e falta de funcionários para as limpar. Depois, no tempo da gripe A havia, na escola, desinfectantes em gel por todo o lado mas agora não há nada.

A recomendação da DGS de afastar-se de pessoas infectadas é insignificante porque não sabemos quem está infectado porque ninguém, a não ser meia dúzia de pessoas, são testadas.

Como os jovens são quem mais passa o vírus, dado que o sentem como uma constipação e não têm cuidados, as escolas são um grande foco de propagação de doenças. Hoje numa aula, dois alunos estavam adoentados, a espirrar. Mandei-os ir lavar as mãos. Foram contrariados.

Os miúdos não estão em idades de ter cuidados e o ME não mexe um dedo. Ainda não teve uma palavra sobre o assunto. Está a hibernar. Não quer saber. Não percebo porque é que os representantes dos directores e dos pais vêm dizer que está tudo preparado, sabendo que não está; quer dizer, não percebo porque se mente em vez de se agir.

De modo que este artigo é um chorrilho de mentiras para quem não sabe um boi do que se passa nas escolas.


Covid-19 nas escolas. Diretores e pais concordam que não há motivo para alarme

Nos estabelecimentos de ensino básico e secundário, as armas de combate ao novo coronavírus passam por cuidados redobrados de higiene e informação. Mas "as escolas estão preparadas e vão estar mais preparadas, se for preciso", garante o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas.

Reminder



















March 03, 2020

Quando sites de grande afluência publicam artigos completamente irresponsáveis



COVID-19: VIAJAR OU CANCELAR? TUDO O QUE PRECISA SABER PARA TOMAR UMA DECISÃO SENSATA

sapo.viagens
Tânia Neves

NOTA DA AUTORA: este é um texto escrito por uma viajante profissional, com algumas (não todas) indicações partilhadas pelo Dr. Diogo Medina, da Consulta do Viajante.

Algumas? Pode ser uma só, como por exemplo, não viaje para onde não é recomendado viajar...


Foi no final de Janeiro que o cenário começou a ficar preocupante: este novo coronavírus começou em Wuhan, uma das mais importantes cidades na China, e rapidamente ganhou proporções respeitosas. A proximidade do início do surto com a data do ano novo Chinês – a maior migração humana anual – fez com o que tivessem que ser tomadas medidas drásticas de imediato. Cidades inteiras em quarentena, escassez de mercearias e outros bens de primeira necessidade, controlo de população exímio em números só possíveis na China – Wuhan, por exemplo, tem tantos habitantes como Portugal inteiro.
Desde então, têm-se multiplicado as restrições de viagem por todo o mundo, fronteiras que fecham, de um dia para o outro, transportes suspensos, novas regras de entradas e saídas de cada país, vistos invalidados.Todos os dias somos alimentados por notícias e atualizações constantes, tal como mitos e relatos de diferentes perspetivas.

Mas e se, mesmo assim, eu quiser viajar?

Na minha posição de “viajante profissional”, sempre defendi que não devíamos opinar num assunto que não nos diz respeito – neste caso, sobre a área da saúde. Mas há muito que isto deixou de ser um caso exclusivamente de saúde, e aí, sinto que estou numa posição privilegiada por ter amigos e manter relações profissionais com pessoas nos epicentros do surto, devo servir de algum tipo de referência para outras pessoas.


É possível ser mais burro que isto? Não é da área da saúde, não percebe nada do assunto mas como tem amigos em vários sítios acha que deve ser uma referência para os outros... e o que é que esta sumidade da parvoíce determina? Vejamos:

Vamos todos morrer?

A resposta é: sim, vamos. Mas dificilmente será devido ao COVID-19. As tendências atuais apontam para que a taxa de mortalidade nesta data, ande a rondar os 0,7% do número de casos confirmados, e é aqui que a coisa fica difícil de explicar: é que na grande maioria dos casos ditos confirmados, os portadores do vírus são assintomáticos. Isto quer dizer que não manifestam nenhum dos sintomas de alerta. Na grande maioria, os sintomas são tão leves, que se confundem com uma simples constipação.

Primeiro determina falsidades de 0.7%, quando são mais de 2%, sendo que para certas grupos são 14%. Depois, os casos conhecidos são poucos porque não se está a testar as pessoas. Há muitos mais infectados do que os casos conhecidos.

O que me parece desmedido é os números, quando comparados com outros (quais outros???), e a desmedida histeria que se tem visto à volta desta situação. Numa era da informação e tecnologia, há muita ingenuidade.

A DGSpublicou um vídeo que ajuda bastante, que podem ver aqui: https://youtu.be/MJmWJyWywIU

. Evitar o contacto direto com pessoas doentes. Dizem que a distância de segurança é de 1m, por isso nada de abraços nem beijinhos.
. Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com mãos não lavadas;

'Evitar o contacto com pessoas doentes.' A dita cuja esquece-se é de explicar como é que se evita o contacto com pessoas infectadas se estas acham tudo uma histeria e não tomam nenhuma precaução, nem sequer deixar de viajar para sítios com epidemias.

O contágio está provado que não é apenas através dos espirros, tosse ou fala direta (menos de 1m de distância, dificilmente alguém projeta “gafanhotos” a mais de 1m!), mas também pode ocorrer através de superfícies para onde a pessoa infetada tenha espirrado, ou tocado com as mãos depois de espirrar para as mãos, por exemplo.

Ainda diz que a propagação se pode fazer por tocar em superfícies onde uma pessoa infectada tenha tocado.

Ora se a pessoa infectada anda por aí a viajar na boa sem precauções é normal que a espalhe. Sem histerias nenhumas. Silenciosamente.

O uso da máscara apenas se houver sintomas respiratórios (para evitar uma possível transmissão a terceiros) 


Pois, para evitar transmissão a terceiros, que é o que acontece se continuar a viajar à balda sem precauções.

Se estiveres em Portugal, deves ligar à linha de Saúde24 808 24 24 24 se nos 14 dias após regressar de um país afetado sentires tosse, dificuldade em respirar ou febre igual ou superior a 38ºC.

Ou seja, se não sentires nada desses sintomas, continua a viajar na boa e não te controles.


Mesmo assim, eu quero ir viajar!

Eu penso como tu, e mantenho os meus planos de viagem. Por isso, eis as 6 dicas-chave para viajar bem-sucedido no meio de tantas contrainformações:

1. Vê com atenção todos os links abaixo! Tenta perceber não só a veracidade da informação, mas também a qualidade do conteúdo da mesma. Muitas das notícias que nos rodeiam são sensacionalistas, e tem havido uma propagação desmedida do medo à volta do assunto.

Se houverem muitas restrições de viagem para o teu destino, não vás!

Houverem... houverem??? 

Agora, se ainda falta muito tempo para a tua viagem, deixa “a poeira assentar” – a tendência é que as coisas melhorem muito em breve.


!Ninguém sabe se as coisas vão começar a melhorar ou se o pico da crise é daqui a três meses, porque o que já se sabe é que há milhares de infectados não detectados. 
Ora, pode acontecer, se as pessoas não forem imprudentes e estúpidas, que as coisas melhorem -o sol e o bom tempo se calhar ajudam-, como pode acontecer que piorem. Ninguém sabe, ao certo. 

É por isso que, para não haver epidemias, cada um tem que fazer a sua parte de ser prudente e evitar viajar, e andar em sítios com gente de sítios com muitos infectados, se não tem necessidade, porque estamos no espaço europeu, o espaço schengen e não na China que é uma ditadura onde não estão de modas: fecham a cidade e as pessoas em casa à maneira dos cercos da idade média de maneira que ninguém de lá saia e possa infectar outros de fora, nem ninguém de fora entre e saia de lá infectado.

Este artigo parece-me mesmo imbecil.  Uma coisa é não criar alarmismo, outra é dizer que isto não é nada e não passa de histeria e aconselhar a que se continue a viajar sem pensar nos outros.

Por exemplo, pode ler aqui:

What You Can Do Right Now About the Coronavirus

Preventing the spread of an outbreak requires a massive global effort, but here are steps everyone can take.
Over the past week, the number of confirmed cases of coronavirus infection in the U.S. has more than doubled. It’s become apparent that previous numbers were low, in part, because we weren’t testing people for it. We now know that there has been ongoing community spread, but to what extent is unclear.

Everyone can help in the effort to prevent this from happening. Unlike many global-health issues that depend on orchestration at the highest levels of government, individual behaviors matter in an immediate sense. The demographic most likely to survive an infection—the young and healthy—may need to pay the closest attention to preventive measures. These are the people who will spread the disease while believing that they just have a cold. They can infect the elderly, or people who have chronic diseases or immune conditions, who are less likely to survive.



A propósito do coronavírus. Não percebo as pessoas



Hoje, quando entrei numa aula, a turma vinha a falar do assunto e perguntaram-me se achava bem que alunos que vieram de Itália (pelo menos um, de Milão) andassem lá nas aulas como se nada fosse. Disse que me parecia uma imprudência porque não estão a pôr-se só a si em risco. Depois alguns alunos disseram-se que têm uma visita de estudo a Roma na Páscoa e eu disse-lhes que me parecia imprudente ir para Itália, mas que se fossem, deviam depois ficar de quarentena para não porem outras pessoas em risco. Diz uma aluna, 'mas andam aí a dar aulas três professoras da disciplina de ... que vieram de Itália há cinco dias'.

No intervalo vi uma delas e perguntei-lhe se era verdade que tinha estado em Itália há poucos dias. Disse-me que sim. 'Então e não te puseste de quarentena?' - Não, diz ela, eu sinto-me bem. Se te sentes mal é lá contigo. Não fiz nada de ilegal. 'Não fizeste nada de ilegal mas é irresponsável. Não vês as notícias? Não sabes que muitos focos da doença começam com pessoas que estiveram em Itália e que podes ser portadora do vírus e não ter sintomas?' Diz outra que estava a ouvir, 'olha, se calhar tu é que devias ir de quarentena porque pertences a um grupo de risco'. A sério? Nós devemos ir de quarentena para os outros poderem ir passear para Roma? Ficou chateada de eu tê-la interpelado directamente. Querem poder ir passear para Itália, voltar sem se preocuparem se estão a infectar outros e não serem chateados com o assunto.

Há colegas que vão para Roma na Páscoa e disseram-me não ter intenção de se pôr de quarentena na volta... mas eu estou aqui a ver alguma coisa mal? As pessoas não têm obrigação de ser prudentes e responsáveis? Uma coisa é podermos apanhar o vírus à mesma assim como podemos sair à rua e ser atropelados, outra é atirarmo-nos para a frente dos carros e levar outros atrás.

Andamos nós a dizer aos alunos para serem prudentes...

A legalidade e a ética são duas coisas muito diferentes.

Amanhã vou conhecer um médico novo logo pela manhãzinha e vou fazer-lhe perguntas relacionadas com isto. O coitado vai ter que me aturar.


Green peace



Pateira de Fermentelos - National Geographic-Portugal

O que acontece a alunos ou professores ou outras pessoas que tenham ido de férias para Itália? Nada. E porquê?



Segundo a DGS só ficam de quarentena os que vêm do norte da Itália. Como se não andassem italianos de todas as zonas de Itália nos aeroportos italianos. Uma coisa é não criar alarme e pânico (como vir falar de um milhão de infectados), outra é ser-se negligente.

Porque é que o governo não quer vigilância no aeroporto e quarentenas, mesmo se isso implique riscos que podem vir a custar caro em termos de vidas? Porque quer os turistas a entrar em força no país e não os quer assustar, agora que nos aproximamos do início da época alta que é a Páscoa e sabendo nós que o governo Costacenteno só tem como recursos, apesar das gabarolices, a cobrança de impostos, a depauperação dos serviços públicos e o dinheiro do turismo. Mas quer dizer, as pessoas têm que ser uma prioridade, não?

E a propósito? Onde está a selfie do presidente da república a abraçar e dar beijinhos aos infectados??

Notícia de hoje:
Novo surto? China reporta casos de Covid-19 importados de Itália

«o objetivo da escola deveria ser ensinar o aluno a “ler o mundo para poder transformá-lo”» (Paulo Freire)



Paulo Freire
OMC
Nome completoPaulo Reglus Neves Freire
Nascimento19 de setembro de 1921
RecifePernambuco
Morte2 de maio de 1997 (75 anos)
São PauloSão Paulo
Nacionalidadebrasileiro
CônjugeElza Maia Costa de Oliveira (1944-1986)
Ana Maria Araújo (1988-1997)
OcupaçãoEducadorFilósofo
Escola/tradiçãoPersonalismo
Existencialismo
Principais interessesEducação
ReligiãoCatolicismo
Paulo Reglus Neves Freire (Recife19 de setembro de 1921 — São Paulo2 de maio de 1997) foi um educador e filósofo brasileiro. É considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial, tendo influenciado o movimento chamado pedagogia crítica. É também o Patrono da Educação Brasileira (wiki)


17 livros de Paulo Freire para descarregar:

A relação do Novo Banco (da banca em geral) com o governo Costacenteno

























Quino

O governo desistiu de nós




Professores não desistem

O Governo parece ter desistido dos professores. Conhece os problemas, contudo, não abre linhas de diálogo nem assume compromissos com vista a encontrar soluções. Optou pelo silêncio: não reúne, não responde, não dialoga, não apresenta propostas e não se disponibiliza para debater as que lhe são apresentadas. Não por falta de tempo, mas por estratégia. Espera que os professores desistam por cansaço, desânimo e descrença, mas avalia mal, pois ninguém desiste do que é seu ou tem direito.

Os problemas que afetam os professores repercutem-se no exercício da profissão e na sua vida pessoal.

É
o tempo de serviço não contado que rouba salário e reduz a futura aposentação, o bloqueamento de muitos a meio da carreira e as injustas ultrapassagens que também são ilegais; é o envelhecimento para o qual não faltam chamadas de atenção, com o Governo a dizer-se preocupado, mas a nada fazer para o travar e reverter; os horários de trabalho que continuam feridos de abusos e ilegalidades, com os professores a verem sua vida pessoal invadida por um sobretrabalho que provoca forte desgaste e situações, já graves, de burnout; a precariedade que se arrasta, com os contratados a verem negados direitos fundamentais como o de uma plena proteção social.

Mas é, também, a violência sobre professores que não merece condenação clara, a gestão que os afasta dos níveis de decisão, o amianto que não é removido, a municipalização que é adiada um ano para ver se pega e tantos outros problemas que se vão arrastando sem solução à vista, apesar das preocupações, dos apelos e das propostas que têm chegado ao Ministério da Educação.

Apesar de tudo isto, os professores não perderam – e não devem perder – o elevado grau de profissionalismo que os compromete com os alunos e leva à obtenção de resultados muito positivos. O Governo apropria-se deles, é certo, com autoelogios e promoção internacional. Habituados que já estão a ser esquecidos, para os professores o importante é saber que os obtiveram, sendo isso que os faz aguentar, ajudando-os a renovar o seu brio profissional e enchendo-os de orgulho.

No Dia Mundial do Professor, UNESCO, Organização Internacional do Trabalho, UNICEF, PNUD e Internacional da Educação​
divulgaram mensagem conjunta afirmando que se torna “difícil atrair e reter talentos naquela que é uma profissão mal paga e subvalorizada”, pelo que “os governos têm de melhorar o emprego e as condições de trabalho”. Instaram “os governos a fazerem do ensino uma profissão de primeira escolha para os jovens”. Assenta que nem uma luva a um Governo que finge não ver milhares de jovens docentes a abandonar a profissão, pouco jovens a escolherem-na quando chegam ao ensino superior e, nas escolas, a falta de professores já a fazer-se sentir.

Se, na Educação, o Governo optou por inexistir, compete aos professores retirá-lo do canto em que se acomodou. O Governo não pode continuar a esconder-se dos professores. É sua obrigação dar resposta aos problemas, negociando soluções com as organizações sindicais. Se não o faz – e o ministro considera que insistir na necessidade de soluções para os principais problemas é optar por becos sem saída –, não há alternativa que não passe por recolocar a luta em níveis elevados e clamar, ainda mais alto, respeito pelos direitos e consideração pela nobre missão de ensinar.

Pouco depois da tomada de posse, um dos membros da equipa do ME dirigiu-se à Fenprof escrevendo: “Esperamos poder contar com a Federação Nacional dos Professores para, no âmbito de uma relação de diálogo democrático e interinstitucional, darmos resposta adequada às exigências atuais e crescentes do setor da Educação.” Confirmando que o problema não é esse, os professores ainda aguardam uma primeira reunião negocial, quatro meses depois de terem tomado posse.

March 02, 2020

Blues in the night

Uma nova forma de autocracia mascarada de democracia



Em Março de 2018 na Flórida, Trump, dirigindo-se a uma assembleia de financiadores disse uma espécie de piada acerca das emendas recentes que a China tinha feito à sua Constituição para remover os limites de tempo do mandato presidencial, o que permite a Xi Jinping prolongá-lo indefinidamente:
Ele é agora presidente para a vida. E ele é óptimo. Se calhar, um dia, devíamos experimentar. Foi bastante aplaudido. Trump já disse várias vezes esta 'piada'.
 O que ele diz como piada já outros fizeram a sério: Putin fez grandes reformas constitucionais de modo a enfraquecer o cargo de presidente e fortalecer o de primeiro-ministro, que claramente quer manter.

Num estudo original, documenta-se, desde o ano 2000, as estratégias dos líderes para se prolongarem no poder, coisa que é muito comum, para além do termo dos mandatos: um terço dos presidentes tenta-o e, desses, dois terços consegue-o. O que é interessante é o modo sofisticado e legalista que usam para o fazer, por oposição às antigas estratégias de usar a força dos militares e instaurar uma ditadura.

Há quatro estratégias básicas que são usadas para este fim: a primeira e mais comum (66% dos casos) é fazer emendas à Constituição que prolonguem os termos do mandato ou eliminem os limites. Foi o caso recente da China e do Rwanda. 
A segunda (8%) é criar uma Constituição completamente nova que substitui a anterior. Foi o caso do Sudão. 
A terceira (15%), com bastante sucesso na América Latina, desafia, em tribunal, a legalidade dos limites do mandato. Foi o caso de Ortega na Nicarágua, por exemplo. 
A quarta, também com cerca de 15%, consiste em fazer eleger um presidente fantoche, como fez Putin com Dmitry Medvedev para continuar a governar para lá do termo do mandato. 
Finalmente, uma pequena porção de presidentes mantém-se no cargo adiando a data das eleições, mas é um risco porque isso é visto como autoritarismo. Um terço de todas as tentativas de se prolongarem nos cargos com estes esquemas, falhou redondamente.

No entanto, e é aqui que reside o perigo, as estratégias legalistas e constitucionais são vistas como fazendo parte da democracia, como sendo democráticas. Uma nova geração de autocratas aperfeiçoou a arte de parecerem políticos democráticos enquanto perseguem os seus objectivos de poder autoritário. Se sucedem ou não depende dos cidadãos perceberem e levarem a sério essa ameaça ao ponto de fazer qualquer coisa que a impeça.

The World Is Experiencing a New Form of Autocracy by Tim HorleyAnne Meng and Mila Versteeg
(síntese e tradução minhas)

Os três da vida airada



Quantos processos vão ter que ser revistos por causa destes três absúnfios?
É preciso que a casa seja bem limpa e que não reste um grão de pó a sujar o que tem de estar sempre limpo.


Livro do dia - Viagem de Cosme II de Médicis em Portugal no ano de 1669