Universidade de Cambridge: primeiro o desastre de Jason Arday e agora nomearam Farah Ahmed como professora assistente de Educação — Farah Ahmed é uma mulher que chamou à educação ocidental uma «ameaça para os muçulmanos», à democracia chamou uma «tradição corrupta» e à alfabetização e às qualificações chamou algo «não islâmico».Atacou a literatura inglesa como prejudicial, condenou o facto de se tratar o Islão como apenas mais uma religião entre outras e criticou as escolas por ensinarem que o casamento infantil é errado.Durante o seu período em Cambridge, escreveu que o conceito islâmico de educação se opõe veementemente à «aquisição de literacia, numeracia e outras competências disciplinares demonstradas através de qualificações».Estas declarações fazem parte do seu longo historial de opiniões intolerantes, extremistas e separatistas sobre a educação.Um antigo simpatizante do Hizb ut-Tahrir, agora proibido por ser considerado um grupo terrorista, foi nomeado professor assistente de investigação na área da educação em Cambridge, na mesma faculdade que Arday.✍️ Andrew Gilligan
August 11, 2026
A decadência das universidades e do conhecimento
August 07, 2026
O maior triunfo dos inimigos das democracias e valores ocidentais?
Ter posto os filhos contra os pais, os pais contra os professores e os professores contra os pais, os homens contra as mulheres, as mulheres contra os direitos das mulheres e a impossibilidade de bom senso, com ideologias agressivas e totalitárias. Que sociedade sobrevive a este abismo que se abriu entre ambos?
Tenho colegas que defendem -há mais de 20 anos- esta ideia de que os pais deviam ser vedados de decidir sobre tudo o que respeite a educação dos seus filhos em detrimento dos professores. Já discuti com alguns colegas muitas vezes. Estão absolutamente convencidos da sua missão de engenheiros sociais no aperfeiçoamento de toda a gente segundo os seus ideais e ideologia particular, que assumem como universalmente incontestável e moralmente superiores. É com esta ideologia que nos EUA, no Canadá, na Inglaterra, tiram os filhos aos pais (e por vezes criminalizam os pais) depois de terem andado a inculcar-lhes às escondidas a ideia de precisarem de terapias hormonais e mutilações cirúrgicas e de os pais descobrirem e oporem-se. Em certas escolas nos EUA, o mero acto de um EE perguntar à escola onde vai pôr o seu filho de 4 anos se ensinam teoria de género basta para ser sinalizado na polícia. Este homem aqui a defender este totalitarismo ideológico de ter miúdos recém-formados (ou não) 'especialistas' a poder decidir por cima dos pais sobre o interesse dos filhos é um professor de Yale. As grandes universidades de referência do mundo transformaram-se em madrassas ideológicas, sobretudo as de Humanidades. Quem tem dinheiro e possa fundar universidades que se dediquem ao desenvolvimento do conhecimento, do engenho e do espírito humano, em vez de se esgotarem em activismos políticos totalitários de intenção de fractura social, que o faça antes que seja tarde demais.
A Yale law professor says the insane part out loud.
— The DarkHorse Podcast (@thedarkhorsepod) August 6, 2026
HEYING: "Let me just say that last line again. This is from Yale law professor Samuel Moyn.
'Part of our goal as a society is trying to make sure that children aren't the hostages of their parents as much as we rely on… pic.twitter.com/NbYjAaTK3U
August 06, 2026
A nova-esquerda impostora e unineuronal
Jason Arday foi contratado pela Universidade de Cambridge e publicitado como um grande professor. Acontece que ninguém se deu ao trabalho de verificar o seu currículo, porque o objectivo dos responsáveis pela sua contratação foi exibirem a sua virtude de celebradores da diversidade. De cada vez que alguém na Academia o criticava, queixava-se de racismo e perseguição. Um jornalista foi investigar o seu currículo. O jovem Arday queixou-se de racismo e desconforto emocional. A polícia investigou o jornalista durante 4 meses -por fazer o seu trabalho- e assediou-o. Ameaçou-o de consequências se continuasse a sua investigação que causava desconforto emocional a Arday. No fim, todo o currículo de Arday, desde os cursos e graus académicos até às publicações que nunca escreveu, era fraude. Isto é o exemplo acabado do que se passa com a decadência das universidades e com a nova-esquerda unineuronal, que tem como grande objectivo na vida, não a verdade, não as evidências e os factos, não a integridade das instituições ou o mérito, mas a sua auto-imagem de seres virtuosos e moralmente superiores. E deixa claro o racismo de considerar que os indivíduos negros ou trans não devem ser escrutinados quanto ao mérito. Chamam a si mesmos progressistas apesar de assinarem de cruz a perseguição, a prisão por delito de opinião, a censura de divergentes, etc.
If they are going to investigate Jason Arday, then they need to investigate the idiots who employed him too, like the sycophantic fool in this clip pic.twitter.com/wjWAYN4zzm
— MonticelloEdge (@MonticelloEdge) August 5, 2026
Também contrataram este homem que vai para as aulas neste desrespeito com as mulheres - não há diferença entre isto e os brancos que pintam a cara de negro para depreciar os negros. Mas calculo que a nova-esquerda unineuronal pense que as mulheres devem calar-se e ser tolerantes com estes misóginos.
So now Arday of @Cambridge_Uni @JesusCollegeCam fame has resigned, could we shine a big fat light on this pervert at @hilda_beastoxf @UniofOxford and have a think about why some men aren’t being held to the same standards as everyone else. https://t.co/g6K0wra8Tf pic.twitter.com/Arcf2E3RUg
— bettytasticss Doesn’t give a Foucault about Butler (@bettytasticss) August 5, 2026
São estas políticas de gente impostora e narcisista ao ponto de só se preocuparem com a sua imagem que levaram a decadência às universidades. Quando se assiste online a aulas destes novos professores, de universidades de renome internacional, fica-se estupefacto pois muitas parecem conversas de café, com linguagem de senso comum. E quando lemos teses de mestrado e doutoramento destes novos professores universitários, tudo faz sentido porque algumas, nem os alunos do 12º ano têm a fasquia tão baixa.
O que quero dizer com gente unineuronal, impostora e narcisista que só se preocupa com a sua imagem de virtuoso? - e acredito que acreditem mesmo que são seres humanos moralmente superiores. Por exemplo, isto:
Anne Hathaway Said WHAT?!#annehathaway #woke pic.twitter.com/KGAuRQp8zf
— Van's World Perspective (@VansPerspective) August 4, 2026
June 11, 2026
Como os pseudo-intelectuais das universidades atraiçoam a nossa cultura com propaganda ideológica
Pensei que Ia Estudar Literatura em Columbia. Estava Enganada.
Os departamentos de Inglês ensinam ideologia em vez de literatura
LIZA LIBES
4 de Maio de 2026
Quando me mudei para a cidade de Nova Iorque, o meu mundo inteiro ardeu até às cinzas.
Frequentei uma escola secundária privada orientada para as áreas STEM. Os meus colegas, versados em matemática, química e economia, tinham passado os quatro anos anteriores a preparar-se para carreiras na banca, medicina e engenharia — os chamados empregos “lucrativos” do nosso tempo. Os seus pais abastados tinham-nos encaminhado para percursos mais “estáveis” por boas razões, mas, numa reviravolta invulgar, a minha família de imigrantes foi muito mais permissiva comigo — e sempre me incentivou a perseguir os meus sonhos.
Para mim, esses sonhos eram estudar literatura e tornar-me uma escritora famosa.
Não era totalmente imprática. Continuava a aplicar-me nas disciplinas de matemática e ciências e considerava os negócios e o direito como possíveis alternativas profissionais. Na universidade, inscrevi-me em cadeiras de psicologia e economia para ter um plano de reserva, mas sabia desde o início que o meu coração nunca esteve verdadeiramente em nenhum dos meus Planos B. Ia ser escritora custasse o que custasse — e não apenas escritora, mas também académica, versada na grande tradição humanista do estudo da literatura.
E quão extraordinário seria se, à semelhança de David Foster Wallace ou Toni Morrison, um dia pudesse ensinar os meus próprios romances à próxima geração de grandes pensadores?
Ser académica seria também a via rápida para aperfeiçoar a minha escrita. Afinal, a única forma de nos tornarmos grandes escritores é ler grande literatura — e, dedicando-me à academia, poderia certamente dar a minha própria contribuição para uma tradição secular de narrativa verbal.
Na minha perspectiva, literatura e tradição eram inseparáveis. Herdara esta forma de pensar do meu ídolo literário, o poeta modernista T. S. Eliot, que acreditava que a criação literária só era possível através do estabelecimento de um diálogo secular com os mestres do passado. Talvez os poetas modernistas americanos sempre tivessem querido “tornar tudo novo”, nas palavras de Ezra Pound, mas não poderia haver “novo” sem o antigo.
Eliot era bastante burkeano, e não é por acaso que Edmund Burke ficou na história não apenas por insistir que devemos respeitar a tradição dos nossos antepassados, mas também por sugerir que a experiência estética está intimamente ligada à beleza e ao sublime.
E era isso que a literatura sempre significara para mim — e a razão pela qual queria estudá-la tão ardentemente: era a coisa mais próxima de uma manifestação física da beleza na alma humana.
Assim, para mim, o estudo da literatura era, por natureza, uma actividade tradicional — uma disciplina que acreditava na preservação das coisas belas. Era um campo de estudo que nos permitia sondar as profundezas da nossa psique e examinar as questões que nos tornam humanos.
Podem imaginar o meu espanto quando descobri que, por uma qualquer perversão do destino, a literatura se tornara praticamente sinónimo de esquerdismo radical na academia literária contemporânea.
Só um ou dois anos depois consegui perceber exactamente o que estava errado, mas mesmo no primeiro dia da semana de acolhimento do primeiro ano senti que algo não estava bem.
Era o ano de 2015. Um avião acabara de se despenhar em Inglaterra e Trevor Noah acabara de assumir a apresentação do The Daily Show. As tensões aumentavam na Alemanha devido ao agravamento da crise dos refugiados sírios, e Donald Trump ainda era conhecido sobretudo como um magnata imobiliário bilionário. Os debates das primárias republicanas aproximavam-se e a nova palavra da moda no campus era “correcção política”.
Era assim que as coisas estavam naquela manhã quente de finais de Agosto. Ninguém tinha ainda ouvido a palavra “woke” no sentido em que hoje a entendemos — mas, sem que a Liza de dezoito anos o soubesse, a Universidade de Columbia era muito mais “woke” do que o resto da sociedade.
Sentados num círculo num relvado entre as duas famosas bibliotecas de Columbia — a agora desactivada Low Library e a infame Butler Library, onde todos chorávamos antes dos exames — estávamos cerca de quinze estudantes. Éramos caloiros nervosos vindos de todo o mundo para Nova Iorque, na esperança de nos tornarmos as grandes mentes do futuro, e passaríamos o resto da semana a participar juntos nas actividades de integração.
Supostamente, aqueles seriam os nossos primeiros amigos da universidade.
Não me recordo de uma única pessoa daquele grupo de orientação, mas posso dizer-vos que a monitora — uma estudante do terceiro ano, irritadiça, oriunda do Connecticut — não ficou muito satisfeita comigo durante a minha primeira semana no campus.
Lembro-me de cruzar o olhar com ela logo depois de ela ter lido as instruções para a nossa primeira actividade de quebra-gelo: devíamos dizer o nosso nome, de onde vínhamos, o curso que pretendíamos seguir e os nossos pronomes.
Pronomes?
Enquanto mordiscava o lábio inferior ressequido, senti imediatamente uma espécie de síndrome do impostor. Teria eu, futura estudante de Inglês e apaixonada pela gramática e pela palavra escrita, esquecido o que era um pronome?
Aquilo não fazia sentido naquele contexto.
Comecei a percorrer mentalmente as classes gramaticais, duvidando de tudo o que aprendera na escola. Os verbos eram palavras de acção. Os adjectivos descreviam características. As preposições indicavam tempo, lugar ou localização. Os pronomes... os pronomes...
Os pronomes eram palavras que substituíam nomes para evitar repetições desnecessárias no discurso ou na escrita. Eu não estava louca — até os tínhamos estudado nas aulas de francês: tu, il, elle, nous, vous.
Será que de repente estávamos a aprender línguas?
À medida que os meus colegas anunciavam as suas cidades natais e os cursos que pretendiam frequentar, a minha mente acelerava. Não fazia ideia do que deveria dizer.
Parecia que toda a gente estava simplesmente a declarar os pronomes da terceira pessoa que correspondiam ao seu sexo.
Mas porquê?
Ali estava eu, com rímel e um vestido azul-claro, a procurar numa pequena mala uma garrafa de água que tinha tirado do refeitório — e estavam a pedir-me que confirmasse se eu era mulher.
— Sou a Liza — gaguejei. — Sou de Chicago e vou estudar Inglês. Os meus pronomes...
Olhei para o vazio, ficando vermelha enquanto quinze pares de olhos me observavam à espera.
— Os meus pronomes são ela e dela.
Meus amigos, essa foi a primeira e a última vez que alguma vez declarei voluntariamente os meus “pronomes”.
Mas naquela altura ainda tentava integrar-me.
Ignorei o assunto até à reunião seguinte da orientação — a última actividade a que assistiria antes de fingir que tinha febre e faltar ao resto da semana.
Estávamos numa velha sala de aula do famoso Hamilton Hall de Columbia (o mesmo edifício ocupado por manifestantes pró-Palestina em 2024). A monitora dividira o quadro branco em sete colunas e pediu-nos que colocássemos notas autocolantes com cada um dos nossos “identificadores” nas respectivas categorias: sexo, género, estatuto socioeconómico, raça, etnia, orientação sexual e capacidade.
A Liza de dezoito anos — que nunca ouvira falar da categoria “capacidade” — escreveu “normal” no seu papel e afixou-o orgulhosamente no quadro.
No final da actividade, fui chamada à parte e recebi uma severa lição sobre “capacitismo”.
Não faz mal, pensei. As aulas vão começar em breve — e vou encontrar os meus pares mais tradicionais no departamento de Inglês.
Mas, no primeiro dia do seminário de Inglês do primeiro ano, deram-nos textos do chamado crítico literário Edward Said.
O capítulo em questão — retirado do seu famoso livro Culture and Imperialism — incidia sobre Mansfield Park, de Jane Austen.
Aquilo pareceu-me estranho. Porque estávamos a ler uma crítica a um livro sem primeiro termos lido o próprio livro?
Eu tinha lido Mansfield Park no secundário, pelo que conseguia acompanhar o argumento de Said: que o romance era sobre colonialismo e imperialismo.
Teríamos lido o mesmo romance? Ou, como muitos dos outros estudantes que estavam a ler crítica antes da obra original, teria Said simplesmente inventado uma interpretação sem nunca se ter confrontado seriamente com o texto?
Nessa noite, pediram-nos um pequeno comentário escrito sobre o capítulo de Said para preparar a discussão da quinta-feira seguinte.
«O argumento de que Mansfield Park só pode ser compreendido a partir de uma perspectiva colonial parece completamente descabido», escrevi. «A entrada de Fanny em sua casa como metáfora de uma força colonizadora é uma interpretação excessivamente forçada.»
A professora não ficou impressionada. Na sua opinião, eu não tinha compreendido adequadamente o argumento de Said e, além disso, pouco importava se Mansfield Park era ou não sobre imperialismo; o importante era que Jane Austen era cúmplice da expansão imperial britânica.
Hã?
Antes que me apercebesse, estava a ler Edward Said em praticamente todos os seminários de Inglês; os professores que ainda não tinham sucumbido à febre Said enchiam as listas de leitura com excertos de Karl Marx e Judith Butler — teóricos que definiam o currículo de Inglês, mas que pareciam ter pouco ou nada a ver com a própria literatura.
Com cada seminário que frequentava, o objectivo geral do departamento de Inglês de Columbia tornava-se cada vez mais claro: estes professores desejavam colectivamente usar a literatura como uma força de resistência contra as “forças iliberais”, para tornar a sociedade mais justa.
Mas para mim — alguém cujos pais tinham fugido da União Soviética — o marxismo estava longe de ser sinónimo de liberalismo.
Claro que não havia nada de errado em tentar tornar o mundo mais justo e equitativo — e muitos grandes escritores tinham trabalhado nesse sentido: Shelley, Ibsen, Orwell, entre outros. Mas a promoção da justiça social era apenas um dos possíveis resultados do envolvimento com a literatura, não o seu único objectivo.
No entanto, se perguntassem a alguém do meu departamento, literatura era inseparável de resistência e justiça.
Como tinha eu chegado, então, a uma conclusão tão radicalmente diferente?
Comecei a observar padrões nas listas de leitura das minhas disciplinas de Inglês. Havia sempre abundância de teoria literária — mas poucas obras literárias propriamente ditas. Tinham-nos entregue teoria literária no primeiro dia de aulas sem primeiro nos darem literatura para ler.
Os departamentos de Inglês tinham substituído lentamente a literatura pela teoria literária — e de forma tão subtil que quase ninguém parecia ter dado por isso.
A verdade é que, no departamento de Inglês de Columbia, o “cânone ocidental” era considerado “racista” e “eurocêntrico” — e, se um texto não fosse de uma mulher multicultural e bissexual, raramente era introduzido nas salas de aula. Sim, existia um seminário sobre Shakespeare, mas não sem um ou outro professor insistir que Shakespeare era homossexual ou até uma mulher, ou ensinar as suas peças através da lente do “desejo queer”.
Quando cheguei ao mestrado, a própria literatura tinha sido completamente relegada para segundo plano. Presumia-se que todos já tinham lido os clássicos importantes durante a licenciatura e que apenas restava estudá-los através de diferentes teorias. A única disciplina obrigatória para todos os estudantes do meu programa de mestrado consistia inteiramente em teoria e não incluía qualquer obra literária — num curso de literatura inglesa.
Tinha vindo para Columbia anos antes para estudar Inglês porque amava a tradição e a beleza. Para mim, a literatura é uma extensão de uma tradição milenar de contar histórias e, numa universidade cujo edifício neoclássico ostenta os nomes dos grandes escritores do Ocidente, esperava encontrar muitos outros amantes das humanidades que se agarrassem à beleza e à tradição com toda a alma.
Em vez disso, encontrei estudantes e professores que apenas queriam destruir tudo aquilo que eu amava, chamando a esse processo “literatura inglesa”.
Mas os verdadeiros estudiosos das humanidades sabem que a literatura trata da compreensão da beleza, da cultura, da arte e da sociedade — daqueles aspectos especiais que nos tornam singularmente humanos — e não de activismo político radical.
Chamamos a isto a tradição humanista — e é precisamente essa tradição que foi abandonada pelos departamentos de Inglês em todo o mundo.
Sei que não sou a única pessoa a abordar o estudo da literatura desta forma. Vim para Columbia para fazer parte de uma tradição duradoura, e as tradições não desaparecem apenas porque as instituições as abandonam. As tradições sobrevivem, e basta um ou dois crentes para as revitalizar completamente.
Ao regressarmos à estética e à beleza, podemos fazer a nossa parte para salvar a literatura e restaurá-la ao seu devido lugar na tradição humanista.
Porque, afinal de contas, a literatura continua a ser a nossa melhor esperança para compreender não apenas o mundo que nos rodeia, mas também a nós próprios.
May 24, 2026
A universidade que optou por reduzir a sua dimensão
A universidade que optou por reduzir a sua dimensão
Uma instituição de referência aposta que turmas mais pequenas significam melhores resultados.
por Kate Hidalgo Bellows
Salvo a interrupção ocasional dos aviões a jacto da Força Aérea a sobrevoar a zona, a primavera na Universidade do Arizona parece idílica. Os estudantes apanham sol, tiram fotografias de final de curso e desviam-se de robôs antropomórficos de entrega de comida.
A agitação descontraída não deixa perceber que o campus culturalmente diverso, com 43 mil estudantes de licenciatura, é, na verdade, mais reduzido do que tem sido nos últimos anos.
Numa altura em que a maioria das universidades procura aumentar o número de matrículas para reforçar as suas finanças, o Arizona está a fazer precisamente o contrário. No Outono de 2025, a turma de estudantes do primeiro ano diminuiu quase um quinto — uma mudança que os responsáveis descrevem como intencional.
Algumas universidades públicas de referência limitaram o crescimento nos últimos anos para evitar a sobrelotação, num contexto de aumento de popularidade. Mas a lógica do Arizona — admitir menos estudantes para aumentar a conclusão dos cursos e reduzir custos — destaca-se.
Há dúvidas quanto ao grau em que a quebra no número de novos estudantes no Outono passado foi estratégica ou uma surpresa desagradável. E a redução de custos não foi apenas algo desejável; foi uma necessidade. O Arizona saiu recentemente de um défice orçamental de 177 milhões de dólares criado pela própria instituição — resultado de previsões deficientes e de comunicação inadequada. O anúncio de uma «crise financeira» foi um diagnóstico chocante para uma grande universidade num Estado em crescimento, aparentemente o tipo de instituição que deveria estar a prosperar.
Dois anos depois, os responsáveis insistem que o campus está a prosperar, que o défice foi resolvido e que as turmas sobrelotadas pertencem ao passado.
Alguns, em Tucson, vêem, contudo, grandes riscos nestas mudanças. Se estas resultarem numa turma demasiado pequena, a universidade poderá voltar a enfrentar problemas financeiros. E, se conduzirem a um corpo estudantil mais rico e menos diverso do que anteriormente, os responsáveis terão de responder a questões sobre quem a universidade realmente serve.
A Universidade do Arizona aumentou a sua taxa de admissão nos últimos anos e aceita actualmente mais de 80% dos candidatos. Mas, ao mesmo tempo, a universidade tem recebido um número muito elevado de candidaturas «que talvez não fossem sérias», e procurava atrair esses candidatos através da concessão de apoios financeiros generosos, afirmou o presidente, Suresh Garimella.
Garimella afirmou que, quando esses estudantes não tinham notas suficientes para entrar noutras instituições, acabavam por escolher o Arizona e enfrentavam dificuldades académicas, por vezes sem conseguirem concluir os estudos.
«Talvez não os devêssemos ter trazido para cá em primeiro lugar», afirmou. «Quero ter cuidado com a forma como digo isto, porque alguns desses estudantes já estão aqui. Não quero dizer que não deviam estar aqui, mas penso que a nossa nova abordagem é muito mais responsável do ponto de vista ético no que diz respeito à admissão dos estudantes mais adequados.»
Em 2025, o Arizona reduziu os significativos descontos nas propinas para estudantes provenientes de outros Estados, diminuindo uma categoria de apoios financeiros atribuídos com base no mérito académico que os responsáveis receavam não ser suficientemente selectiva e que teria atraído para o campus estudantes menos preparados. A universidade também tinha despedido, em 2024, alguns recrutadores de admissões que estavam distribuídos pelo país, numa altura em que enfrentava dificuldades orçamentais.
Essas mudanças provocaram uma queda impressionante nas matrículas, após anos de rápido crescimento. No final de Setembro, o Arizona informou que a turma de novos estudantes tinha descido de 9.314 para 7.506. Esse número correspondia aproximadamente à dimensão das turmas do primeiro ano antes da pandemia.
O principal factor foi a diminuição do número de estudantes provenientes de outros Estados que efetivamente se matricularam, os quais representam quase metade dos estudantes de licenciatura. A taxa de concretização das matrículas (yield rate) entre os estudantes do primeiro ano vindos de outros estados caiu de 12,5% para 8,5% entre 2024 e 2025. O número de estudantes internacionais também registou uma quebra, à medida que os estudantes estrangeiros enfrentavam dificuldades relacionadas com vistos.
A administração apresentou estas mudanças de forma positiva. Segundo um comunicado, a nova estratégia «restabelece a dimensão tradicional das turmas do primeiro ano e aumenta substancialmente a percentagem de estudantes do Arizona». E, devido à redução da política de descontos, as receitas provenientes das propinas não sofreram alterações significativas, afirmaram os responsáveis.
«Somos instituições do Arizona e queremos dar prioridade aos habitantes do Arizona», afirmou Doug Goodyear, presidente do Conselho de Regentes do Arizona. «Portanto, não se trata apenas de as turmas serem demasiado grandes, mas também de o montante de apoio financeiro concedido a estudantes de fora do Estado ter sido demasiado elevado.»
A vice-reitora Patricia Prelock, que assumiu funções em Maio passado, escreveu um artigo de opinião no Arizona Daily Star a contrariar um impulso comum no ensino superior: o de continuar a crescer.
«A cada Outono, as universidades entram numa corrida para celebrar o crescimento das matrículas, como se mais significasse automaticamente melhor», escreveu Prelock. «Mas o número de alunos, por si só, esconde a missão: saber se os estudantes estão preparados para a exigência da universidade, quantos progridem até à conclusão dos cursos e, em última análise, quantos se formam preparados para um trabalho significativo e vidas realizadas.»
A taxa de graduação em seis anos do Arizona é de 70,9%. Das 14 instituições que o Arizona considera suas pares (e que, por sua vez, também o consideram par), todas têm taxas mais elevadas (a da Ohio State é de 86,6%, a da Michigan State é de 80% e a da University of Missouri at Columbia é de 76,6%, para citar alguns exemplos).
Prelock afirmou que gostaria de ver uma taxa de graduação em seis anos de 85% e uma taxa de retenção do primeiro para o segundo ano de 90% (a instituição situa-se atualmente nos 83,2%).
«Por cada estudante que conseguimos reter, a universidade poupa dinheiro, e o estudante também poupa dinheiro», afirmou Prelock. «E por cada estudante que consegue concluir o curso em quatro anos, isso representa uma vantagem financeira significativa, tanto para o estudante como para a universidade.»
Para a turma que entra no Outono de 2026, a Universidade do Arizona introduziu novas alterações para tentar construir um corpo estudantil mais competitivo.
Anteriormente, os candidatos tradicionais tinham admissão garantida na universidade se frequentassem uma escola secundária acreditada e estivessem, ou nos 25% superiores da sua turma de finalistas, ou tivessem uma média ponderada não ajustada de 3,0 até ao 11.º ano em determinadas disciplinas.
«Era realmente um processo de admissão baseado na média final», disse Garimella ao The Chronicle. «Tinha uma média de 4,0, recebia este nível de bolsa. 3,9, recebia este. 3,8, recebia este. O número de estudantes admitidos aumentou muito ao longo de quatro ou cinco anos com essa abordagem.»
Mas alguns dos estudantes que esse modelo trouxe «não estavam preparados para aguentar o ritmo», afirmou, e não conseguiram manter-se nem concluir os estudos em números suficientes.
Agora, todos os candidatos são avaliados através de uma análise mais abrangente — desempenho académico, actividades extracurriculares e uma redacção — típica de instituições com selectividade moderada. A universidade também introduziu um prazo de candidatura antecipada (early action) em Novembro, para concentrar a atenção dos candidatos mais motivados.
A universidade também restaurou e reforçou os cargos de recrutadores de admissões. Prelock afirmou compreender porque é que esses postos foram eliminados, mas sublinhou que eram importantes.
«Tenho a certeza de que foi por isso que [as matrículas] também estiveram baixas no último ano», disse Prelock, reconhecendo que a descida não foi inteiramente intencional, «porque não havia pessoas no terreno a contar verdadeiramente a história da Universidade do Arizona.»
Além disso, o Arizona está a tentar simplificar e melhorar a oferta de alojamento e os serviços estudantis, afirmou Amanda Kraus, vice-reitora dos assuntos estudantis. Um novo edifício de residências universitárias, com capacidade para 1.200 estudantes e uma cantina integrada, deverá abrir no outono de 2028.
O Arizona está também a avançar para a expectativa de que os estudantes de primeiro ano, em início de licenciatura, vivam no campus. As autoridades calcularam que os estudantes do primeiro ano que vivem no campus apresentam, em média, uma taxa de retenção do primeiro para o segundo ano de 81%, comparativamente a 73% entre os que vivem fora do campus. Aqueles que vivem no campus durante um ano ou mais têm uma taxa de graduação em quatro anos 50% superior. Haverá excepções para estudantes que vivam num raio de 30 milhas do campus ou que enfrentem circunstâncias ou dificuldades específicas.
«Sabemos que os estudantes que vivem no campus têm um desempenho melhor, por isso estamos a investir nisso», afirmou Kraus.
Joshua Travis Brown, professor assistente na Escola de Educação da Universidade Johns Hopkins, afirmou que há alguma verdade na ideia de que, quanto mais pontos de contacto um estudante tem, maior é o sentido de pertença, maior o acesso a serviços de apoio e maior a probabilidade de o estudante permanecer na instituição. «É menos provável que se perca pelo caminho porque só vai ao campus numa terça ou quinta de manhã, ou numa terça e quinta à noite, e no resto do tempo está apenas na comunidade local.»
O próprio Brown começou os seus estudos no Arizona, vivendo em casa. Descreveu o campus como um «mar de indivíduos», muito maior do que a sua escola secundária em Tucson. Após um ano perdido no meio da multidão, transferiu-se para uma instituição religiosa mais pequena fora do Estado.
«Porque estava no campus, mergulhei na cultura da instituição para a qual me transferi e acredito que me tornei uma pessoa melhor por causa disso», afirmou. «Sou, ironicamente, um desses indivíduos … a quem a Universidade do Arizona está agora a começar a dar mais atenção.»
A estratégia de redução do Arizona levanta questões sobre aquilo que, exactamente, a universidade pretende tornar-se e a quem quer servir.
A universidade tem de lidar com a sua vizinha gigantesca, a Arizona State University, que cresceu exponencialmente nas últimas duas décadas e se tornou pioneira no ensino online. As duas instituições têm taxas de admissão e de graduação semelhantes. Encontrar formas de diferenciar o Arizona da ASU parece ser essencial para traçar um caminho futuro, mesmo que os responsáveis da universidade não o expressem explicitamente dessa forma. «Somos todos amigos e felizes no Arizona», afirmou Goodyear, presidente do conselho.
Leila Hudson, professora associada de estudos do Médio Oriente e presidente do Senado Académico, mostrou-se menos sentimental em relação à concorrência com a ASU e aludiu a uma diferença significativa entre os dois campus: o Arizona teve seis presidentes no mesmo período em que Michael Crow liderou a ASU.
«Eles estavam a ganhar-nos terreno enquanto a nossa liderança hesitava e cometia erros», afirmou.
Hudson e outros docentes mostram-se compreensivos quanto à necessidade de manter turmas com dimensões mais controladas, mas preocupados com o facto de a universidade poder deixar de estar acessível a estudantes de todas as origens sociais.
A universidade tem uma elevada proporção de estudantes de licenciatura hispânicos e latinos, de 27,8%, e uma percentagem significativa de estudantes elegíveis para bolsas Pell, de 28,4%. O campus ocupa quase 400 acres no centro de Tucson, a cerca de uma hora da fronteira com o México e próximo de várias nações indígenas.
Nolan Cabrera, professor no Centro de Estudos do Ensino Superior que investiga as dinâmicas raciais nos campus universitários, afirmou que a redução do número de estudantes considerados «em risco» está claramente ligada a questões de raça e classe.
«Estamos a pegar em estudantes que já têm privilégios, trazê-los para cá e dizer: “Vejam, somos uma instituição melhor” nesse processo», afirmou Cabrera. Em contrapartida, acrescentou, a universidade pode fazer uma grande diferença para estudantes de reservas e de zonas mais pobres do estado.
Cabrera, que lecciona na universidade desde 2011, disse que os últimos presidentes da instituição tiveram todos a ideia errada de que poderiam transformar o Arizona numa «instituição pública de elite ao nível de Berkeley ou Michigan». Mas, segundo ele, a universidade nunca terá os mesmos recursos nem atrairá o mesmo tipo de estudantes.
Hudson descreveu a taxa de graduação do campus como um «tema sensível».
«Somos muito cautelosos com qualquer modelo que seja explicitamente ou implicitamente desenhado para selecionar estudantes tipicamente brancos, de classe média ou média-alta, à custa das nossas comunidades sub-representadas», afirmou Hudson. «Somos, e devemos ser, igualmente acessíveis a todos os estudantes do Arizona, por isso [o corpo docente] rejeita de forma muito firme qualquer … modelo que procure melhorar as nossas taxas de retenção e de graduação através de uma seleção demográfica dos nossos estudantes.»
Hudson disse que houve confusão este ano em torno das alterações nas admissões, uma vez que estudantes que poderiam ter assumido que seriam admitidos acabaram por não ser, tendo de procurar outras opções.
Questionada sobre as preocupações dos docentes, Prelock afirmou que existem muitas perceções erradas. Segundo ela, circulam anedotas — por exemplo, sobre o filho de alguém que não foi admitido —, mas estas não contam a história completa.
«Quando os docentes têm preocupações ou veem uma mudança, querem sempre saber: “Ok, como é que isso me vai afectar?”», afirmou ela. Sublinhou que o sucesso dos estudantes deve ser a bússola orientadora (North Star).
«Não é apropriado», disse a vice-reitora, «aceitarmos estudantes que sabemos que não têm qualquer hipótese de ter sucesso e que não têm meios financeiros para isso.»
https://www.chronicle.com/article/the-university-that-chose-to-shrink
November 03, 2025
Talvez a ganância tenha jogado um papel neste teatro
As universidades querendo mais doutorandos para terem mais propinas a entrar. Esse facto ter baixado o nível dos doutoramentos - basta ir ver os milhões de papers de baixa qualidade que nos dias de hoje se produz sobre tudo e mais um par de botas, da autoria de doutorados em qualquer coisa de qualquer maneira- e ter saturado o mercado de trabalho.
Aquilo que era para ser um aprofundamento de um tema para criar um grande especialista numa área académica e/ou de investigação prática transformou-se em mais um grau académico a untar aos outros.
Um doutoramento sério numa universidade séria, é extremamente difícil de conseguir em termos de trabalho, de stress e de desgaste mental. Não é para toda a gente que concluiu o mestrado, que nos dias de hoje passou a ser apenas mais um ano de curso, ao contrário do que costumava ser - mas isto não faz parte da decadência da educação que Castoriadis previa já nos anos 80 do outro século e, antes dele, Nietzsche?
Primeiro vulgarizaram-se os mestrados ao ponto de se chamar tese a uma coisa qualquer com o nível do que costumava ser um trabalho do secundário. Depois baixou-se o nível das licenciaturas para que qualquer um pudesse entrar e fazer cadeiras semestrais superficiais de tópicos disto e daquilo e ficar com una lamirés dos assuntos e agora está em curso a mediocrização do secundário a estes novos alunos de escrita sem verbos e com emojis.
Li que a Universidade de Lisboa vai criar um curso para pôr alunos com dificuldades de aprendizagem no mercado de trabalho. Acho excelente que haja cursos dirigidos para essas pessoas com dificuldades específicas, mas isso é próprio de cursos profissionais de escolas profissionais, orientados exclusivamente para o trabalho. O fim da universidade é o desenvolvimento e aprofundamento do conhecimento para benefício comum.
A superprodução de doutoramentos nas Ciências Humanas arruinou o mercado de trabalho.
Em Agosto, a Universidade de Chicago anunciou que iria suspender as admissões na maioria dos seus programas de doutoramento em Artes e Humanidades. A decisão de Chicago levou Tyler Austin Harper, da revista The Atlantic, a perguntar: «Se nem mesmo Chicago está disposta a apoiar e proteger as Artes e as Letras americanas, quem o fará?»
Como jovem historiador, acredito que essas instituições estão a adoptar uma abordagem pragmática em relação à actual crise das Humanidades.
O avanço da inteligência artificial tende a tornar isso ainda mais difícil. Uma pesquisa recente da Microsoft sugere que as 40 profissões mais ameaçadas pela IA incluem historiadores, cientistas políticos, matemáticos, economistas, geógrafos e professores universitários de biblioteconomia. Também estão na lista intérpretes, tradutores, escritores, jornalistas, editores e arquivistas — exatamente os tipos de cargos que costumavam ser os principais destinos não académicos para recém-doutorados.
A investigação nas Ciências Humanas deve ser apoiada e protegida, mas não à custa de os licenciados passarem anos a seguir um caminho que não lhes pode oferecer dignidade profissional e financeira. Num mundo ideal, impedir alguém de entrar no curso dos seus sonhos pode parecer injusto; no mundo real é uma bênção disfarçada para uma geração que merece perspectivas sérias e tangíveis.
By Maddalena Alvi in https://www.chronicle.com
June 13, 2025
As universidades do Ocidente transformaram-se nestes circos para não ofender extremistas
Isto não são protestos, não são discussões sobre problemas, são tentativas de fascizar as universidades com ideologia islâmica e anti-semita. Por todos os lados esta gente impede a vida a todos os outros com demonstrações do seu poder de violência e ódio e é com enorme embaraço que temos de dar razão a Trump (embora não aos seus métodos) quando diz que as universidades estão travestidas das suas funções e dos seus ideias e existem agora como palco de islamitas e outros extremistas sabotarem as instituições e os valores democráticos do Ocidente - os que exigem que não se estudem autores brancos, os que exigem que toda a gente aceite que os homens biológicos (mulheres trans) são mulheres e podem tirar os direitos às mulheres, os que exigem o cancelamento de todos que não gostam. Harvard, que está a lutar contra a autocracia de Trump (e bem) finalmente percebeu que uma universidade não é um campo de batalha física mas de conhecimentos e está a reverter as autorizações de perseguir judeus, fazer acampamentos no átrio impedindo os estudantes de irem às aulas, etc.
The absolute state of British universities. Every one of these anti-Western radicals should be expelled. How dare they pic.twitter.com/x6z7DDcMSg
— Jake Wallis Simons (@JakeWSimons) June 12, 2025
June 07, 2024
A educação universitária contemporânea: no fim cospe-se no Reitor e nos professores, no meio de aplausos
Continuem que vão muito bem.
A graduating McGill University student decided to spit on the Dean and another faculty member. The crowd cheered her on.
— David Jacobs (@DrJacobsRad) June 7, 2024
If this is the end product of higher education, universities are in need of serious introspection and remediation. pic.twitter.com/8Ds1Zy8Vom
March 19, 2024
As universidades costumavam ser centros de avanço no conhecimento II
Agora: As universidades geram e impõem novas normas de comportamento dependente e infantilizante para os estudantes absorverem e transformarem o resto da sociedade, num futuro indefinido.
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O mimo do estudante americano
O controlo social infantilizante da universidade
Rita Koganzon
Como deve saber, o [Aluno X], que está inscrito na sua disciplina, informou que faltou inadvertidamente ao seu exame. Normalmente, um aluno que tenha faltado a um exame da disciplina e que não tenha uma justificação médica... não está autorizado a fazer um exame de substituição. No entanto, o Conselho de Administração do Harvard College pode abrir excepções ocasionais a esta política e permitir a realização de exames de substituição aos alunos, desde que estejam reunidas determinadas condições.O professor continuava com a descrição destas condições excepcionais, referindo que uma delas era uma "inadvertência honesta", e pediu ao professor que oferecesse ao aluno um exame de substituição. Foi tudo extremamente educado e profissional, e a questão foi rapidamente resolvida para satisfação de todas as partes, ou assim presumo, porque nunca mais vi ou ouvi falar do aluno.
Ter um corpo docente tão solícito a defender os interesses dos alunos é, dependendo do ponto de vista, ou um apoio maravilhoso ou uma infantilização repulsiva.
A Universidade de Chicago é atualmente a mais baixa entre as principais universidades privadas dos Estados Unidos no que se refere à taxa de alojamento de estudantes universitários no nosso próprio sistema residencial.... Os nossos pares académicos oferecem uma experiência residencial muito mais densa e envolvente do que nós.
A ideia de uma "comunidade residencial" totalizadora como a de Harvard, onde "a aprendizagem ocorre a toda a hora, quer seja no refeitório, quando os estudantes partilham uma refeição com os professores e académicos visitantes, quer seja nos tutoriais e seminários da casa", como se vangloria o material promocional da universidade, promete unificar os fios díspares da vida estudantil - estudo, socialização, recreio - num todo coeso e edificante.
Paternalismo e In Loco Parentis
No seu melhor, estas comunidades residenciais totalizadoras são talvez como a Telluride House da Universidade de Cornell nos anos 60 e 70, um estranho e intenso viveiro de futuros académicos, líderes políticos e intelectuais públicos que foi a casa de Francis Fukuyama, Eve Sedgwick, William Galston, Paul Wolfowitz e dezenas de outros igualmente distintos. O corpo docente que aí residia nesses anos não era menos impressionante, com Frances Perkins, Allan Bloom e Richard Feynman entre os seus membros.
A Telluride House, no seu auge, situava-se precariamente entre duas abordagens paternalistas superficialmente semelhantes mas, no fundo, bastante opostas à gestão da vida estudantil.
Na sua primeira iteração, antes do final da década de 1960, o paternalismo universitário visava a restrição sexual dos estudantes ou, como os administradores teriam sem dúvida preferido descrever as suas intenções, a manutenção do decoro e da moralidade. Toques de recolher, parietais, códigos de vestuário e dormitórios e espaços universitários separados por sexo foram todos concebidos para minimizar a mistura não supervisionada dos sexos. (Os estudantes casados, um fenómeno agora limitado a anormais e mórmones, mas anteriormente uma ocorrência comum, eram normalmente atribuídos a alojamentos especiais ou residiam fora do campus).
Os administradores que regressaram a este trabalho na década de 1980 foram os próprios estudantes que se tinham revoltado na década de 1960. Nessa altura, a restrição sexual estava ultrapassada, sendo o novo programa a incubação de uma elite progressista multicultural. Além disso, como as admissões nas universidades se tinham tornado cada vez mais competitivas e as propinas cada vez mais caras nos anos que se seguiram, os candidatos e as suas famílias estavam a ser cortejados com promessas mais expansivas sobre a "experiência universitária" que os estudantes podiam esperar ter no campus.
O resultado foi a reemergência da retórica do colégio como casa e família. O antigo paradigma in loco parentis também implicava uma relação familiar, mas hierárquica: Os estudantes eram as crianças, os professores e os administradores eram os adultos com autoridade punitiva.
O novo paradigma irrompeu na consciência pública durante as guerras culturais dos campus no final da década de 1980 e início da década de 1990 - conflitos sobre a acção afirmativa nas admissões, o "politicamente correto" e o multiculturalismo.
O fim da independência
Hoje em dia, a "experiência universitária" centrada numa vida residencial que promete envolver os estudantes numa comunidade calorosa e íntima tornou-se algo mais totalizante do que até mesmo o projeto erróneo do final do século XX de impor o politicamente correto.
O "ambiente hostil" foi uma adaptação de um conceito do direito do trabalho ao novo objetivo de medir a perceção dos estudantes sobre a sua segurança e conforto. Na lei, o "ambiente hostil" descreve as condições de trabalho comprometidas, criadas para a vítima de assédio grave ou em série, mas nas mãos dos funcionários da universidade que receberam a carta, foi interpretado como significando que os actos individuais de má conduta sexual prejudicavam não só as suas vítimas directas, mas também toda a escola, ao criar uma atmosfera generalizada de medo.
Para impor um ambiente não hostil, as novas políticas encorajaram (e em muitos casos exigiram) uma cultura universitária de denúncia de interacções privadas em que a má conduta sexual era revelada ou apenas sugerida - conversas ouvidas, publicações nas redes sociais, rumores, confissões confidenciais - mesmo que a informação não fosse verificada ou as alegadas vítimas se recusassem a apresentar queixa.
Uma vez que as universidades têm vindo a encarar cada vez mais a vida estudantil como uma arena a policiar para detectar hostilidades, o seu paternalismo de monitorização do comportamento deu lugar ao paternalismo de proibição do comportamento que se pretendia substituir.
Stanford talvez tenha ido mais longe do que as suas instituições congéneres na sua mão pesada, mas os esforços para colocar a vida social no campus (e fora do campus) sob um maior controlo administrativo têm vindo a ocorrer em muitas delas, como quando Harvard tentou abolir as organizações sociais de género único em 2017, depois de a Universidade Wesleyan ter conseguido impor essa medida em 2014. (Harvard recuou em 2020 após uma forte oposição legal).
Quando a COVID-19 chegou aos campus em 2020, as universidades experimentaram pela primeira vez o controlo social pan-óptico. Instituíram regimes de testes constantes, máscara, quarentena, restrições e proibições de viagens, movimentos e reuniões sociais, e exortaram à denúncia dos infractores destas regras, em muitos casos mesmo muito depois de as vacinas estarem disponíveis. O ponto mais alto destas políticas - confinar os estudantes infectados a dormitórios especiais de isolamento, onde a comida e os mantimentos eram entregues por pessoas vestidas com fatos de proteção - parecia resultar frequentemente numa incompetência cómica, mas o esforço em si foi sem precedentes.
A par deste controlo da vida social universitária através da vigilância e das proibições, as universidades têm vindo a formalizar cada vez mais as relações anteriormente espontâneas entre estudantes e professores, como o aconselhamento e a orientação, e mesmo o romance (quando ainda é permitido), colocando-as também sob a sua alçada administrativa.
As relações românticas são actualmente um risco inflamável. As relações entre professores e alunos, bem como entre alunos de diferentes níveis (por exemplo, licenciados e alunos de graduação) são quase universalmente proibidas. Os estudantes do mesmo nível continuam a poder formar pares, mas só depois de inúmeras orientações e formações obrigatórias sobre a mecânica do consentimento, destinadas a orientar o curso das suas relações.
O novo imperativo de evitar ambientes hostis é diferente do antigo paternalismo. Tal como o antigo paternalismo, dirige as interacções pessoais dos estudantes com os professores e entre si, vigia o seu discurso e restringe a sua liberdade de associação. Mas sob a antiga dispensa in loco parentis, tal restrição era temporária, com o objetivo de preparar os estudantes para uma futura independência em que poderiam fazer livremente o que era proibido no campus.
Pessoas Realmente Irritantes e o seu 'Espírito de Casa'"
Nos anos 60, havia sempre muito sexo para fazer depois da licenciatura. Mas a licenciatura não tornará aceitável dizer you guys hoje em dia, ou talvez mesmo fazer sexo, se tivermos em conta todos os rituais de consentimento e as restrições ao acoplamento. Na era anterior do paternalismo, as universidades mantinham, durante mais alguns anos, as normas dos lares de onde vinham os estudantes. Na era actual, as universidades geram e impõem novas normas que esperam que os estudantes absorvam e usem para transformar o resto da sociedade num futuro indefinido. Como escreveu Nick Burns, escritor e editor do Americas Quarterly:
Na universidade, os estudantes são ensinados a esperar coisas que a sociedade americana não está preparada para lhes dar. Isto envolve não só a insistência familiar dos estudantes universitários em certos pressupostos morais sobre questões políticas, mas também coisas materiais: um ambiente de vida que possa ser percorrido a pé, por exemplo, ou um trabalho que não siga um horário definido.... Uma vez que uma massa crítica de licenciados universitários povoa atualmente os mais altos escalões da vida empresarial e política, aumentam as pressões para introduzir reformas que tornem a sociedade em geral mais parecida com a universidade.
O problema é que Yale não é a casa de ninguém. Não é uma "comunidade amorosa". Não é um pai, ou um terapeuta. É uma universidade, e o seu objetivo não é fazer com que os estudantes se sintam seguros ou amá-los. Mas as suposições deste estudante não eram estúpidas ou ingénuas; são exatamente as esperanças ilusórias que Yale e todas as outras universidades orientadas para a vida estudantil tentam inculcar. São expressões directas da "experiência universitária" ideal.
A visão de uma universidade residencial insular como Harvard ou Yale, com as suas tradições multigeracionais, o seu frisson intelectual e o seu empenho na vida da mente, é sem dúvida atraente. E, noutros tempos e noutras circunstâncias, poderia até facilitar as coisas. Porém, neste momento e nestas circunstâncias, o campus universitário está a tornar-se rapidamente um local de controlo social infantilizante do qual qualquer estudante com espírito independente deve procurar escapar. Isto não significa renunciar à frequência, mas, uma vez que grande parte deste controlo social é uma consequência da vida residencial, deve significar resistir aos requisitos de vida obrigatória no campus e sair do campus o mais rapidamente possível.
Um dormitório não é realmente a tua família e a universidade não é uma comunidade amorosa, mas os teus amigos são realmente teus amigos (até gastarem o teu champô sem o substituírem) e, de todas estas relações que a universidade oferece aos estudantes, a amizade é a única realmente realizável.
Quando frequentei a Universidade de Chicago como estudante universitário, enquanto o reitor estava ocupado a planear forçar o maior número possível de estudantes a permanecer nos dormitórios, mais de metade dos estudantes mudou-se para fora do campus com os seus amigos para apartamentos no bairro adjacente aos estudantes após o primeiro ou segundo ano.
Embora o reitor afirmasse aos administradores e doadores que "temos fortes provas de que os nossos alunos adoram o sistema de alojamento da Faculdade e que se lembram dele calorosamente depois de o deixarem como jovens ex-alunos", os próprios alunos de Chicago relataram um sentimento diferente. Como um deles disse ao jornal da faculdade em 2003: "Decidi deixar o alojamento porque é demasiado caro e estamos constantemente rodeados de pessoas muito irritantes com o seu 'espírito de casa'. "
As universidades costumavam ser centros de avanço no conhecimento
Agora são centros de avanço nas relações pessoais, de manipulação política de jovens, de avanço nas fraudes e centros de infantilização. Quanto mais reputadas são as universidades mais mal propagam.
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Depois de se juntar ao corpo docente da Harvard Business School em 2010, Gino tornou-se uma investigadora prolífica e uma especialista requisitada em questões de gestão do local de trabalho e questões comportamentais, incluindo desonestidade.Stephanie M. Lee in https://www.chronicle.com/heres-the-unsealed-report-showing-how-harvard-concluded-that-a-dishonesty-expert-committed-misconduct
February 01, 2024
Estão a pagar o que compraram
Quantos anos tivemos (e continuamos a ter) que ouvir os professores universitários a apoiar a Lurdes Rodrigues na instigação dos pais contra os professores: queixem-se, queixem-se, queixem-se. Não confiem nos professores. Os professores não são de confiança, não prestam, etc.
Caramba, isto parece o liceu, estão sempre irrequietos”: universidades queixam-se da imaturidade dos alunos e da interferência dos pais
Professores universitários queixam-se de uma interferência cada vez maior de pais na vida académica dos estudantes. Especialistas alertam para a progressiva diminuição da autonomia e aumento da imaturidade dos jovens
Na semana passada, a coordenadora da licenciatura em Ciências da Comunicação da Universidade Nova de Lisboa mandou aos 383 estudantes do curso um e-mail taxativo: “Mensagens enviadas por pais de alunos não terão resposta.”
December 06, 2023
Universidade da 'ivy league': apelar ao genocídio de judeus é ok
O estado de confusão ética em que os ideólogos radicais puseram as universidades do Ocidente, nomeadamente as mais importantes é, de todos, o maior golpe no prestígio da cultura de valores e ética do mundo ocidental.
🚨 Presidents of @Harvard @MIT and @Penn: “It's OK to call for genocide of Jews” 🤯
— Dr. Eli David (@DrEliDavid) December 5, 2023
pic.twitter.com/SsGEMXoRtO
October 13, 2023
Estamos entregues a gente ignorante e burra, facilitadores de terroristas e ditadores
Quem é que convida terroristas para fazer propaganda e pensa que isso é democracia?
Dirigente do braço político do grupo terrorista participou em aula aberta numa universidade portuguesa
Durante a aula, o orador leu passagens de um manual que trazia consigo e que fazia a apologia do Hamas. No final ainda distribuiu aos participantes um DVD de enaltecimento do movimento extremista. “Foi uma aula bem polémica”, lembra ao Expresso um dos participantes nesse debate, pedindo o anonimato. Um ex-responsável da faculdade, que também não quis ser identificado, corrobora este episódio: “O assunto foi falado durante várias semanas na faculdade.”
June 06, 2023
Onde há excesso de poder há abusos
O machismo estrutural de Boaventura de Sousa Santos
João Miguel Tavares
Os homens abusadores poderiam ter a sua vida mais facilitada, mas é errado hoje como era errado há 300 anos. O heteropatriarcado tem as costas largas. E o assédio sexual é um derivado do abuso de poder, que é o problema central dos Boaventuras de Sousas Santos deste mundo – gente com o ego insufladíssimo que cria uma corte de aduladores e que, do alto dos seus altares, não consegue controlar os impulsos típicos de macho alfa. Leiam o que Naomi Wolf escreveu sobre o professor Harold Bloom em 2004. É exactamente a mesma história do CES e de Boaventura, só que em Yale.
Embrulhar isto numa conversa geracional desculpabilizadora, apontando o dedo a um qualquer machismo estrutural, é patético. Convém defender a honra dos velhinhos nascidos em 1940, ou até há mais tempo. Um senhor de 83 anos pode participar menos nas tarefas domésticas do que um de 33, e pode pedir mais vezes à esposa para ir buscar uma cerveja ao frigorífico enquanto vê a bola – mas não, não há qualquer razão para assediar com mais entusiasmo uma jovem mulher. A tese de Boaventura é uma treta. Não é uma questão de gerações. É uma questão de poder e de carácter.
A ideia de que isto é um hábito de pessoas idosas com “comportamentos inapropriados” é mentirosa e é perigosa. Numa instituição profundamente endogâmica como é o caso da universidade portuguesa, cheia de gente em situação precária e com senhores professores doutores todo-poderosos, não há milagres. Onde há excesso de poder há abusos, e onde há abusos há assédio, seja ele sexual ou laboral. O problema de Boaventura não é ser velho – é ser o guru de uma seita que durante décadas esteve à sua inteira disposição.
August 03, 2022
Educação - especialistas de garagem
Uma ex-aluna do Técnico escreve um artigo sobre psicologia, embora seja engenheira. Alega, a partir das estatísticas da depressão entre os jovens universitários (os outros jovens não universitários também têm taxas altas de depressão mas ela ignora-o), que a culpa é das universidades e até sabe a causa:
(...) porque lhes é exigido mais do que é humanamente possível, ao ponto de sofrerem burnout ou de pensarem suicidar-se. E, neste contexto, que profissionais estamos a formar?
Ela sabe, porque consultou documentos, que a causa não está nas universidades, mas conclui que de certeza que, em grande parte, está:
Na maioria dos casos não, mas com toda a certeza as universidades têm a sua quota parte da responsabilidade.
E conclui o artigo dizendo que há uma degradação da saúde mental das populações e que por isso as universidades devem trabalhar para a felicidade dos alunos:
Numa altura em que assistimos a uma rápida degradação da saúde mental geral das populações, ignorar taxas de ideação suicida como as sugeridas pelos estudos apresentados, ignorar a experiência de alunos com episódios de burnout e ansiedade, é condenar centenas de alunos à infelicidade e, em casos extremos, a provocarem a sua própria morte. Precisamos de dar acesso generalizado, diversificado e profissionalizado a cuidados de saúde mental a todos os nossos estudantes universitários e em politécnicos, para garantirmos que teremos um futuro cheio de bons profissionais. (Engenheira e alumni do Instituto Superior Técnico, presidente do Volt Portugal)
Este é um artigo leviano que acusa as universidades de serem causadoras de doenças mentais e levarem os alunos aos suicídio por não estarem vocacionadas para a felicidade.
Uma coisa é saber-se da adequação dos cursos às idades dos alunos, ter psicólogos e tutores nas instituições de ensino, preocupar-se com a despersonalização das aulas dado o tamanho das turmas, etc., outra coisa é querer que os cursos sejam feitos à medida dos desejos de felicidade de cada aluno, como se coubesse às instituições de educação resolver os problemas psicológicos e filosóficos dos indivíduos que as frequentam e das populações em geral. Como se o professor de mecânica II tivesse a responsabilidade de formar filosófica, espiritual e psicologicamente os seus alunos. Como dizer o óbvio? As aulas não são terapia de grupo. Se os alunos entendem que o Técnico é uma universidade muito exigente, frequentem outra menos exigente.
Os alunos de hoje passam o tempo em pânico com qualquer coisinha e a sentirem-se vítimas de tudo e mais alguma coisa. Se entregam uma justificação de faltas na segunda-feira de manhã e ao fim do dia não está justificada, coisa que vêm no programa de alunos online, enviam emails, ligam para a escola, o filho no dia seguinte anda em pânico à nossa procura, ligam para a direcção, em pânico... apesar de estarem avisados que temos uma hora/dia específicos no horário para tratar de assuntos da direcção de turma e que não é a qualquer hora/dia. Apesar destes avisos, se enviam um email e não recebem resposta no mesmo dia vão à direcção queixar-se. Se não os atendemos quando resolvem bater à porta da sala de aula e interromper a aula para falar duma falta qualquer do filho, vão à direcção queixar-se que o director de turma recusou recebê-los...
Um aluno falta muito às aulas e recusa apoio ao estudo de matemática, por exemplo, porque tem treinos de futebol na equipa em que joga, não profissionalmente e não tem tempo. Começa a ter más notas. A mãe vai a escola dizer que o filho é vítima de má fé dos professores porque tem direito a andar no futebol e é natural que esteja cansado para vir às aulas...
Quando se passa o tempo a falar dos direitos dos alunos -deveres, zero- e de como os professores são todos aldrabões, canalhas, velhacos enganadores que não prestam, naturalmente os pais e os filhos pensam que são grandes vítimas das escolas, primeiro e depois continuam nas universidades. E, como acontece a quem se sente vítima, estão sempre em pânico.
Os pais irem às universidades queixarem-se dos professores e das notas dos filhos não é comum em Portugal, por enquanto, porque a proletarização do ensino superior ainda vai a meio, mas lá chegaremos.
July 15, 2022
Temos que nos preparar para o fim do progresso científico-tecnológico como o conhecemos
Esta iniciativa da Google é só o início de um caminho de uma estrada que já vem sendo construída há muito. Começou a ser construída com Bolonha. A intenção de levar o maior número possível de pessoas para as universidades obrigou a baixar o nível dos conhecimentos, naturalmente. As universidades tornaram-se empresas, algumas internacionais, com o fito do lucro. Impuseram propinas obscenas que obrigam a contrair empréstimos que endividam os jovens para a vida. Com isso, afastaram todos os alunos que não têm dinheiro, ao contrário do que diziam ir fazer. Reduziram o número de professores de contrato permanente e contrataram tarefeiros, para os administradores poderem ter vidas de grande fausto - lucrar o máximo com o mínimo de custos. As universidades começaram a separar-se, não pela qualidade e mérito dos que lá entram, mas pela riqueza das suas famílias. Esse sistema aplicou-se em seguida às escolas: se as universidades já não podem ensinar certos conhecimentos porque os cursos têm menos anos e menos cadeiras, passa-se o conhecimento em falta para as escolas. Sobrecarrega-se o ensino básico e secundário. O sistema escolar começa a abrir brechas o que obriga a baixar-lhe o nível para que não seja um falhanço. Aposta-se nas soft skills: as emoções, os trabalhos de grupo, os consensos, o optimismo tóxico, a amizade, a inclusão em versão, não emancipadora, mas miserabilista. Os alunos já não querem seguir cursos de ciências que obrigam a trabalho metódico, esforço e desenvolvimento de skills, não-soft. Os políticos, coniventes com estas manobras mercantilistas, habituam-se a servir-se da ciência como garante das suas políticas: arranjam postos em universidades, encomendam teses de mestrado e doutoramento, contratam especialistas por amizade e não por mérito - no caso das energias e do ambiente, é mato. Na saúde, as farmacêuticas também. Descredibilizam o estudo universitário e o valor de um curso. Tal como os que estão nas empresas que controlam as universidades, não têm respeito nenhum pelo conhecimento: afinal, uns e outros estão nos cargos tendo estudado nas universidades dos pais, tios, amigos dos pais e tendo feito o percurso sempre amparados por cunhas e não por mérito e saíram-se muito bem na vida. São bajulados pelos jornalistas e pelos parasitas. Acham-se excepcionais e acima dos outros em esperteza. E assim corre a vida. Entretanto, são cada vez menos os que são capazes, ou sequer querem, seguir um curso universitário. Se é das humanidades, esses indivíduos que gerem a política e as universidades há muito que os convenceram que são cursos sem sentido para os problemas do mundo e se são de ciências, os estudantes já não os valorizam porque dão trabalho, são caros, ganha-se mal para o investimento que se fez e na prática acreditam cada vez mais que a ciência é um conhecimento sem verdade por estar nas mãos de interesses políticos e económicos (o que não é mentira) , de maneira que a opinião do cientista não tem mais valor que a de outro qualquer. As universidades, entretanto, são locais de censura de ideias e proliferação de opiniões do google e, como se lê neste artigo, amanhã um diploma de uma universidade ou um diploma do Google valem exactamente o mesmo, só que o do Google é muito mais barato. Tudo isto -a decadência da universidade e com ela, a decadência pela busca do conhecimento- por causa da cegueira de uns e da ganância de outros. Portanto, temos que nos preparar para o fim do progresso científico-tecnológico como o conhecemos e para a ascensão da superstição e crendice como há séculos não se via e se pensava ter ultrapassado.
Daqui a umas dezenas de anos voltamos à situação de ninguém ser capaz de ler os hieróglifos egípcios ou os textos gregos antigos ou construir matemática complexa ou outro conhecimento qualquer complexo.
O seu programa de certificados poderia mudar o que os empregadores procuram nos futuros trabalhadores.
Desde 1985, o preço de um diploma de licenciatura mais do que duplicou (ajustando-se à inflação) e em 2019, mais de 50% dos estudantes declararam ter contraído dívidas para financiar os seus estudos universitários, sendo o montante médio a norte de 35.000 dólares. Um em três com mais de 50.000 dólares de dívida.
A Google anunciou recentemente planos para lançar um trio de programas de certificados alternativos aos diplomas universitários. Estes programas são inteiramente online, levam seis meses a concluir e são concebidos e ensinados por funcionários da Google.
Os inscritos podem optar por formação para um trabalho como analista de dados, gestor de projecto, ou designer de experiência de utilizador. Todos os três postos são muito procurados, de acordo com a Google e as pessoas que os ocupam ganham um salário médio de pelo menos 66.000 dólares por ano.