October 02, 2026

Right, right

 

Os estudantes em França estão a lutar por melhores condições. Right...



Por todo o lado bandeiras de alauakebares e um deles pergunta, "Há judeus aqui?" 

Claro que são apenas protestos de estudantes...


França: o resultado das lideranças europeias

 

A Áustria avança para a proibição constitucional do «islão político»




🇦🇹 A Áustria avança para a proibição constitucional do «islão político»

A Áustria está a tentar proibir o «islão político», com o chanceler Christian Stocker a argumentar que a religião não pode ser utilizada para perseguir objetivos políticos que desafiem o Estado democrático.

A ministra da Integração, Claudia Bauer, está a elaborar a proposta, que deverá incluir alterações mais abrangentes às leis que regem os grupos e associações religiosas.

Bauer classificou o islamismo político como o «maior perigo do nosso tempo», afirmando que as suas organizações procuram colocar a sua ideologia acima do Estado de direito democrático, remodelar a sociedade e restringir a liberdade das mulheres e das raparigas.

Esta ofensiva mais ampla inclui também a nova proibição austríaca do uso do véu islâmico por raparigas com menos de 14 anos nas escolas, bem como o escrutínio dos programas de des-radicalização.

O Ministério da Justiça pôs fim à cooperação com a organização de des-radicalização «Derad», depois de uma avaliação ter identificado pessoas associadas a esta como tendo ligações à Irmandade Muçulmana.

A Irmandade Muçulmana, considerada o maior grupo islamista do mundo, tem vindo a propagar o islamismo e a violência pelo Ocidente, África e Médio Oriente há décadas e está proibida em numerosos países, incluindo os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita, a Jordânia, o Egito e vários outros países árabes e do Médio Oriente.

Todos os dias morrem famílias de civis na Ucrânia por casa da megalomania de um homem patético

 

Cheio de parvoíces na cabeça acerca de ser a reencarnação do czar e da Rússia ser o império dos horrores.


Toda a gente desapoia os professores

 

As escolas existem para a formação e instrução dos alunos em processos de aprendizagem. Quem desenvolve esse trabalho com os aluno são os professores. Por essa razão, tudo o que se faz nas escolas deve convergir para apoiar os professores nesse objectivo de formar e instruir os alunos em processos de aprendizagem. Exigir responsabilidade aos professores, mas perceber que o trabalho é apoiar os professores no seu trabalho com os alunos e não miná-lo.

Ora, o que acontece é que toda a gente desapoia os professores: o ministério da tutela, os políticos em geral, a comunicação social, os pseudo-pedagogos das universidades de pedagogia que nunca puseram um pé numa escola a não ser como visitante ocasionais, as empresas privadas que querem canalizar os processos de instrução e aprendizagem, os opinadores de jornal e TV. 

E dentro das escolas é igual: apoiam-se por esta ordem, os alunos, o que está certo (com excepções como as que se vêem em França), os pais (por medo), os funcionários auxiliares e os funcionários administrativos. Os professores são desapoiados e todos interferem no seu trabalho e, dessa maneira, sabotam o seu trabalho: pais, pessoas em cargos das escolas, funcionários auxiliares e administrativos, o ME... os professores nem aparecem na lista dos apoiados: são vigiados, controlados, às vezes vilipendiados e por regra, desapoiados pra dar prioridade ao apoio a outros funcionários.

Um erro fatal e óbvio para quem trabalha nas escolas, que começou com a Lurdes Rodrigues e nunca mais foi travado.

Uma pessoa que trabalha há 40 anos como professora e vê as escolas falharem nos seus objectivos por falta de clareza e acção consequente quanto a esses objectivos e prioridades, não se espanta dos resultados do PISA serem sempre a descer. 

Não por acaso, as escola públicas estão em decadência e as privadas, não: nas privadas, onde também toda a gente interfere e sabia o trabalho dos professores, os alunos têm pais com dinheiro para suprir a falta de investimento (é por isso que essas escolas os escolhem) e contratam professores para aulas privadas, o que chamam explicações. E não interferem nessas aulas privadas. Pagam e esperam os resultados. E aí o mercado funciona: os explicadores que conseguem sempre ajudar os alunos a subir as notas, têm sempre mais explicandos, os outros desaparecem por falta de sucesso evidente.

Nas escolas o sucesso é quase impossível e, por isso, o fabricam nas estatísticas. As condições de trabalho já são más: excesso de alunos na maioria das turmas, excesso de turmas para a maioria de professores, excesso de burocracia, populações empobrecidas, populações estudantis de 10 países diferentes, falta de investimento, etc. Se juntamos a isto a quantidade de interferências e sabotagem do trabalho dos professores e o efeito catastrófico que esse desapoio tem no trabalho deles, só por milagre se têm bons resultados.


"Entro às 8h, não tenho tempo para estar com amigos..."

 

Os professores querem que trabalhe, agora nem posso estar ao telemóvel... 

Privilegiados do 1º mundo depois de anos de vitimização endoutrinada pela nova-esquerda.

O resultado das lideranças europeias

 

Quem quer ser professor?

 

Os alunos em França protestam... roubando lojas.


Os 'estudantes' vêm armados

 

Isto não tem que ver com condições nas escolas. 


França: o falhanço das lideranças europeias

 

Acossar e atacar professoras. 

Porque se queixam os estudantes franceses?

 

Querem comida halal e querem andar com os telemóveis na escola.


A selfie mais famosa do mundo

 

Após a reunião com o Presidente Zelenskyy, quando lhe perguntei sobre o local da «selfie mais famosa do mundo» — naquela em que o presidente demonstrou coragem durante a invasão russa —, ele próprio nos conduziu até lá e recriou a cena, incluindo todos os participantes. Foi um momento histórico que conquistou o apoio da comunidade internacional e que me comoveu profundamente. Muito obrigado.

Está contratado!

 



Despedimento coletivo disfarçado de reforma pedagógica humanista





A paranoia das fusões no ministério: a alquimia de somar dois desastres

João Conde

Hoje, graças à gloriosa AI2, exige-se a um investigador que estuda os padrões migratórios do lince-ibérico que apresente um plano de negócios robusto e uma demonstração de retorno comercial a três anos para garantir financiamento. O desastre desta fusão não foi um acidente de percurso. É o corolário lógico de quem acha que juntar a fome à vontade de comer produz, por decreto, um banquete farto. Para gáudio das grandes consultoras, que faturavam milhões a traduzir aborrecidos relatórios de biologia molecular para a vibrante novilíngua do empreendedorismo, espera-se que o próximo passo seja extinguir as defesas de tese. No novo modelo abençoado pela AI2, o doutorando terá de provar o mérito da sua investigação num pitch de três minutos no palco principal do Web Summit, competindo por fundos públicos com uma start-up que acabou de inventar uma coleira com Wi-Fi para iguanas.
(...)
Não temos docentes suficientes para a estrutura atual, logo redefinimos a estrutura [a junção do 1º e 2º ciclos-parêntesis meu] para fingir que a escassez é uma “otimização de recursos partilhados”. É a gestão da miséria elevada à categoria de arte abstrata. Neste modelo maravilhoso de “escola do futuro”, as crianças do 1º ciclo, que precisam de estabilidade e de um professor titular de referência, passam a ser peões num gigantesco tetris de horários escolares.

O cenário promete ser um glorioso estudo de sobrevivência darwiniana, com pré-adolescentes de 12 anos, imersos nos primeiros picos hormonais, a partilharem o mesmo exíguo ecossistema com crianças de 6 anos acabadas de chegar do jardim de infância. Tudo sob o pretexto de uma maravilhosa “verticalidade da articulação curricular” que, traduzida para português corrente, significa entregar aos raros assistentes operacionais sobreviventes a missão de atuarem como capacetes azuis da ONU para evitar que o recreio se transforme numa adaptação livre de “O Senhor das Moscas”.

Claro que, para o génio ministerial, isto é um detalhe. Se hoje os grupos de Português e Inglês do 2º ciclo já só conseguem assegurar a substituição de 37% dos pedidos das escolas, a solução é esticar os parcos sobreviventes para cobrir os dois ciclos. Os professores do 2º ciclo, já exaustos por carreiras congeladas e quotas de avaliação humilhantes, tornam-se tarefeiros polivalentes, prontos a tapar buracos onde quer que o algoritmo de contratação falhe.

Ao aniquilar as fronteiras do saber em nome dos famigerados “projetos transdisciplinares flexíveis”, o ministério não está a inovar, está a oficializar o desespero. O docente ideal desta “nova era fundida” deixou de ser um especialista para se metamorfosear num animador sociocultural em burnout crónico. Espera-se que lecione frações de manhã, debata a queda do Império Romano à tarde, preencha grelhas de avaliação socioemocional com 80 parâmetros intangíveis e, se possível, organize um peddy-paper com os pais para angariar fundos para o papel higiénico da escola. No fundo, o ministério descobriu o Santo Graal da administração pública. O segredo para resolver a falta de professores é passar a precisar legalmente de menos professores, operando um despedimento coletivo disfarçado de reforma pedagógica humanista.

A tutela parece acreditar que a matemática da administração pública funciona ao contrário da matemática real. Para o ministério, a soma de duas instituições disfuncionais ou de dois ciclos deficitários não resulta num problema a dobrar. Resulta numa “sinergia”. Num país onde apenas 32 professores se formaram em Ensino de Física e Química no espaço de cinco anos, a grande “inovação” do MECI é garantir que, em breve, a disciplina será lecionada pelo professor de Educação Física porque tinha duas horas livres no horário e demonstrou muita “disponibilidade”.

Se a Agência para a Investigação e Inovação provou que juntar a FCT e a ANI serviu sobretudo para paralisar a ciência, afogar os doutorados num mar de redundâncias, a fusão dos ciclos letivos provará que a falta de professores também não se resolve com a obliteração da pedagogia.

Estamos entregues a uma máquina ministerial que desistiu de governar e passou a dedicar-se à arquitetura de fachadas. A este ritmo de fusões compulsivas para mascarar a falência dos serviços públicos, já só falta o derradeiro golpe de génio. Fundir o Ministério da Educação com o Ministério das Finanças, extinguir os recintos escolares para rentabilizar património imobiliário e passar a emitir os diplomas de final de curso diretamente na repartição de Finanças mais próxima. Ao menos poupava-se na hipocrisia.


Breve história da erosão do ensino público em Portugal



Ensaio: A erosão do ensino público em Portugal

Paulo Guinote
https://visao.pt/


Para além dos epifenómenos e das conjunturas particulares, até porque em Educação as tendências não se compadecem com visões de curta duração, talvez seja tempo de fazer um balanço, nem que seja parcial, da evolução das políticas educativas nas últimas duas décadas, de forma a compreendermos o ponto a que chegámos de desagregação e desconfiança no sistema educativo.

O olhar não pretende ser neutro, mas, pelo menos, não procura esconder um maior ou menor compromisso com um determinado ciclo político. Por isso, não pretende distribuir perdões ou penitências, tão ao estilo nacional da desresponsabilização coletiva e individual pelo que não corre bem, brandindo promessas de avaliação que nunca são efetivamente concretizadas.

Ao contrário do que possa transparecer das disputas políticas em torno de questões periféricas, as políticas educativas das últimas décadas foram bastante consistentes nas suas opções estruturantes, independentemente do tom com que foram envernizadas para a opinião pública. Existiu mais consenso do que divergência em aspetos como a pressão para a produção de sucesso estatístico na avaliação interna dos alunos, a burocratização da docência, a domesticação profissional e material da classe docente, a uniformização do modelo de gestão escolar ou a defesa de uma “descentralização” de competências na Educação. Existiu uma evidente convergência na apresentação destas opções como as únicas possíveis, eficazes e eticamente aceitáveis, alegando-se a sua inspiração em boas práticas internacionais, com o beneplácito da OCDE, enquanto se ocultavam ou truncavam as evidências de que várias dessas experiências estavam a correr mal e a ser abandonadas em países com capacidade para fazer autocrítica e ter um pensamento político autónomo das modas.

Apesar desse consenso, é claro que existiram matizes e prioridades diferentes em cada momento, acabando por se verificar um processo evolutivo gradual em que cada fase beneficiou do que foi total ou parcialmente conseguido nas anteriores. Não é por acaso que existe quem sublinhe a continuidade das políticas entre 2005 e 2015, assim como existem áreas em que, entre 2015 e o presente, não se verificou qualquer inflexão e muito menos reversão.

2005-2010
Domesticação


Os anos de 2005-2010 foram os de uma agressiva domesticação do funcionamento das escolas, através do esforço por controlar a classe docente em termos materiais e simbólicos, enquanto se criava um modelo único de gestão escolar ultracentralizado. A par disso, desenvolveu-se uma hiperburocracia dos procedimentos administrativos, em especial nos relacionados com a avaliação dos alunos, deslocando-se quase toda a responsabilidade pelo insucesso para os docentes, obrigados a justificar todos os seus atos que não culminassem na transição/aprovação dos alunos.

Numa rápida sucessão, deu-se o primeiro congelamento nas progressões, a que se seguiu um novo Estatuto da Carreira Docente que instituiu uma divisão entre professores e professores titulares e um modelo de avaliação do desempenho docente destinado a legitimar a desaceleração das progressões. Seguiu-se o modelo de gestão unipessoal, baseado numa hierarquização rígida das lideranças em todo o sistema educativo, da coordenação de departamentos à dependência dos diretores em relação à tutela, que poderia destituí-los a qualquer momento.

Foram anos de enorme conflitualidade que se saldaram por uma domesticação parcial, só atenuada no mandato de Isabel Alçada. No entanto, na prática, só a divisão da carreira seria eliminada, mantendo-se tudo o resto, de acordo com as teorias da “nova governança pública”, importada dos anos 90 do mundo anglo-saxónico.

A médio prazo, estas medidas não se traduziram na melhoria do desempenho dos alunos, pois a coorte que iniciou o seu percurso durante estes anos foi a que protagonizou o início da estagnação ou do declínio dos resultados nacionais nos testes PISA 2018. E os danos causados na relação dos professores com a tutela seriam duradouros, minando qualquer tipo de confiança, em particular dos docentes, que não perderam a memória desses anos de chumbo.

2011-2015
Implosão racionalizadora


O período de 2011 a 2015, associado à presença da Troika em Portugal, foi o da tentativa de implosão racionalizadora da máquina administrativa e dos recursos humanos do sistema público de ensino, com o pretexto da crise financeira. Foi a época do “fazer mais com menos” que se traduziu numa progressiva incapacitação técnica de diversos serviços centrais e regionais do Ministério da Educação, dos quais não foi afastada a captura política, reforçando o seu papel de “braço administrativo” das políticas, contrariando o que o agora ministro Nuno Crato tinha criticado ao período anterior. Foi o momento da implementação da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Competências, criada por Maria de Lurdes Rodrigues, alegando-se que perante uma oferta excessiva de candidatos à docência, seria possível escolher os “melhores”, através de uma simples prova escrita.

A consequência conjugada dessa e de outras medidas como a continuação do congelamento da carreira e a introdução de cortes salariais, de que agora sofremos os efeitos, foi o afastamento de muitos milhares de docentes profissionalizados e com prática letiva, que enveredaram por outras vias profissionais. Em termos curriculares e de avaliação dos alunos, foram introduzidas medidas de reforço da avaliação externa das aprendizagens, mas os esforços feitos para demonstrar os ganhos para os alunos permanecem muito frágeis. As esperanças iniciais num ministro crítico da manipulação política da Educação esfumaram-se e ficou apenas um aparelho administrativo sem autonomia técnica. A proletarização da docência iniciada nos anos anteriores não foi alterada, mantendo-se o modelo de gestão e uma versão simplificada da avaliação do desempenho docente.

2015-2024
Instrumentalização ideológica


Seguiram-se os mandatos de Tiago Brandão Rodrigues e João Costa, de finais de 2015 aos inícios de 2024, marcados pela forte instrumentalização ideológica da Educação, em nome de uma agenda enunciada como inclusiva que se traduziu numa maior fragmentação dos currículos, com os programas a serem reduzidos e a avaliação externa no Ensino Básico a ser revista de um modo que a tornou inócua.

As novas provas de aferição passaram a ser feitas em anos intermédios dos ciclos, mas com uma forma de classificação e um calendário de chegada dos resultados às escolas que tornaram inútil o seu uso para o trabalho com os alunos. Encurtaram-se programas, enquanto os tempos letivos de algumas disciplinas tidas como “tradicionais” foram reduzidos para acomodar a criação da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento.

A agenda inclusiva, baseada na proclamação de um conjunto de boas intenções, serviu em parte para mistificar os problemas reais de integração dos alunos migrantes e/ou social e economicamente mais desfavorecidos. Mantiveram-se políticas como o modelo de gestão escolar, a avaliação do desempenho docente ou o congelamento das progressões dos professores, retomadas só em 2018, sem recuperação da maior parte do tempo congelado.

Continuou o processo de proletarização dos professores, a par das evidências de que, a breve prazo, seria problemático substituir os professores que chegavam à idade da aposentação. Quando ainda havia algum tempo para se fazer algo pela formação de novos professores ou pela atração dos que tinham saído, preferiu-se baixar os critérios de acesso à docência, reduzindo-os a uma dezena de créditos ligados à área disciplinar.

O fosso crescente entre o desempenho dos alunos do sector privado de topo e o da generalidade das escolas públicas agravou-se, apesar de medidas cosméticas para o combater. Legislou-se uma “equidade” ilusória, pois do portão das escolas para fora, as condições de vida de boa parte da população estagnaram, regrediram ou passaram a depender de apoios sociais extraordinários de validade temporária.

O problema da integração de um crescente número de alunos provenientes de um cada vez mais amplo número de países, não falantes de português, foi crescendo, à medida que se legislavam medidas de impacto prático muito escasso. Promoveram-se estratégias pedagógicas de valor duvidoso e a escola pública tornou-se uma espécie de albergue experimental, no pior dos sentidos, baseado na cosmética de um sucesso interno sem correspondência no desempenho dos alunos nos testes internacionais.

A chancela da OCDE exibiu-se como garantia de uma qualidade de políticas equivocadas que colapsaram durante o período da pandemia. A burocratização da vida escolar atingiu um novo patamar, fruto da quase obrigatoriedade da adoção de “projetos” como o chamado MAIA que apenas retirou tempo ao trabalho em sala de aula.

Arrancou uma equívoca “digitalização” da Educação, em regime low cost, apressadamente e sem um rumo claro, enquanto se apostavam milhões em projetos de paraciência e pensamento mágico.

2024-2026
Descredibilização


A mudança de ciclo político iniciada em 2024 e que em 2026 ainda vivemos pouco mudou além da retórica e de uma recuperação do tempo de serviço docente, integral apenas para parte dos docentes, acreditando-se que com isso se daria uma pacificação do ambiente nas escolas, não mudando praticamente mais nada.

Eliminou-se formalmente alguma da burocracia que se manteve com outras designações, assim como se alterou de novo o modelo de avaliação externa do Ensino Básico, mas, de novo, com um calendário desadequado.

De forma voluntária e consciente ou fruto de uma assinalável inépcia, entrámos numa fase avançada de descredibilização do ensino público e da sua cada vez maior abertura à entrada de agentes privados, não apenas como concorrentes, mas também como agentes no interior das escolas públicas, como se os professores e outros profissionais que lá estão sejam incapazes de desempenhar as suas funções. Perante a evidência da falta de docentes, optou-se por camuflar o problema, alegando a impossibilidade de o determinar com rigor. Sucederam-se críticas à qualidade dos serviços do ministério e promoveu-se a sua reorganização de acordo com um modelo macrocéfalo, concentrado em duas superagências.

Manteve-se a política anterior de baixar os critérios académicos de acesso à docência, assim como se prometeu cristalizar o modelo de gestão unipessoal das escolas e concretizou-se a municipalização da rede escolar pública, sem qualquer tipo de estudo que, para além de uma espécie de fé herdada do final século XX, demonstrasse com evidências as suas vantagens.

Ao fim de dois anos no cargo, o ministro Fernando Alexandre revelou uma enorme incapacidade para compreender os problemas decorrentes da implementação pouco previdente da digitalização da classificação dos exames do Ensino Secundário, oscilando entre a autodesresponsabilização e acusações pouco sensatas que apenas levaram ao descrédito da educação pública. Com um ministério reorganizado, que prometeu ser dos melhores do mundo, optou por externalizar a solução dos problemas, pagando por isso a empresas privadas montantes muito avultados pelo que deveria ser uma função básica do seu ministério: assegurar uma época de exames tranquila.

Iniciado o ano letivo de 2026-27, estão por se conhecer várias medidas anunciadas para entrar em vigor no dia 1 de setembro, assim como se continuou a optar por delegar em terceiros o que deveria ser um serviço público fundamental: apurar as necessidades de professores. O processo de descredibilização e desconfiança continua, como estratégia para justificar uma crescente presença de grupos de pressão privados no sistema público de ensino. Não se trata apenas de concorrência, mas de erosão a partir do interior. Sucedem-se summits, conferências e debates coreografados sobre temas que surgem como atrativos (modelos híbridos de ensino/aprendizagem, Inteligência Artificial), mas com fórmulas gastas e em processo de descrédito num número crescente de países. Especialistas apresentam estudos e propostas com base em estatísticas que o ministro considerou não serem credíveis. Apresentam-se ferramentas centralizadoras (Portal da Educação) como sendo mais eficazes e simples, enquanto se defende a bondade de soluções descentralizadas de gestão dos recursos financeiros e humanos.

Fica, a quem observa tudo isto há décadas, uma sensação de desorientação, na melhor das hipóteses, ou, na pior, de fase final de implosão da educação pública, para justificar a distribuição de uma parcela cada vez maior do seu orçamento aos interesses privados. Numa perspetiva que ultrapassa o episódico, percebe-se que se aproxima o fim de um ciclo destrutivo iniciado em 2005.

Há quem fale na necessidade de um “pacto de regime” para áreas da governação como a Educação. Mas, num vasto conjunto de matérias, esse pacto informal existe há mais de 20 anos: domesticação, implosão, instrumentalização, descredibilização… segue-se a privatização?

October 01, 2026

Isto não é falso

 

O resultado da liderança europeia

 

Que surpresa...


Le Pen vai à frente nas sondagens. 

 


O mayor Saint-Denis é um dos que anda a incendiar e destruir

 

Bally Bagayoko é um imigrante de 2ª geração da França Insubmissa.

O resultado da liderança europeia

 

Os professores não se queixam o suficiente e em breve vão desaparecer.

Isto passa-se em 350 escolas.