As escolas existem para a formação e instrução dos alunos em processos de aprendizagem. Quem desenvolve esse trabalho com os aluno são os professores. Por essa razão, tudo o que se faz nas escolas deve convergir para apoiar os professores nesse objectivo de formar e instruir os alunos em processos de aprendizagem. Exigir responsabilidade aos professores, mas perceber que o trabalho é apoiar os professores no seu trabalho com os alunos e não miná-lo.
Ora, o que acontece é que toda a gente desapoia os professores: o ministério da tutela, os políticos em geral, a comunicação social, os pseudo-pedagogos das universidades de pedagogia que nunca puseram um pé numa escola a não ser como visitante ocasionais, as empresas privadas que querem canalizar os processos de instrução e aprendizagem, os opinadores de jornal e TV.
E dentro das escolas é igual: apoiam-se por esta ordem, os alunos, o que está certo (com excepções como as que se vêem em França), os pais (por medo), os funcionários auxiliares e os funcionários administrativos. Os professores são desapoiados e todos interferem no seu trabalho e, dessa maneira, sabotam o seu trabalho: pais, pessoas em cargos das escolas, funcionários auxiliares e administrativos, o ME... os professores nem aparecem na lista dos apoiados: são vigiados, controlados, às vezes vilipendiados e por regra, desapoiados pra dar prioridade ao apoio a outros funcionários.
Um erro fatal e óbvio para quem trabalha nas escolas, que começou com a Lurdes Rodrigues e nunca mais foi travado.
Uma pessoa que trabalha há 40 anos como professora e vê as escolas falharem nos seus objectivos por falta de clareza e acção consequente quanto a esses objectivos e prioridades, não se espanta dos resultados do PISA serem sempre a descer.
Não por acaso, as escola públicas estão em decadência e as privadas, não: nas privadas, onde também toda a gente interfere e sabia o trabalho dos professores, os alunos têm pais com dinheiro para suprir a falta de investimento (é por isso que essas escolas os escolhem) e contratam professores para aulas privadas, o que chamam explicações. E não interferem nessas aulas privadas. Pagam e esperam os resultados. E aí o mercado funciona: os explicadores que conseguem sempre ajudar os alunos a subir as notas, têm sempre mais explicandos, os outros desaparecem por falta de sucesso evidente.
Nas escolas o sucesso é quase impossível e, por isso, o fabricam nas estatísticas. As condições de trabalho já são más: excesso de alunos na maioria das turmas, excesso de turmas para a maioria de professores, excesso de burocracia, populações empobrecidas, populações estudantis de 10 países diferentes, falta de investimento, etc. Se juntamos a isto a quantidade de interferências e sabotagem do trabalho dos professores e o efeito catastrófico que esse desapoio tem no trabalho deles, só por milagre se têm bons resultados.
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