April 11, 2026

Leituras pela manhã - a causa da degradação das Humanidades e o início de um caminho de saída

 


Como os humanistas contribuíram para a ruína das Humanidades.

Administradores, ideólogos e, sim, também os professores têm a sua quota-parte de culpa. Mas nem tudo está perdido.

By Justin Smith-Ruiu

É talvez da natureza dos académicos preocuparem-se com a degradação dos padrões, sobretudo à medida que envelhecem e se tornam cada vez menos sintonizados com as expressões, sempre em evolução, do ingenium inato da juventude. Mas, até uma queixa eterna pode ser mais verdadeira em certas épocas do que noutras. A cada ano que passa desde a crise económica de 2008, a resposta habitual às queixas de declínio — de que não devemos deixar esmorecer o nosso ânimo, de que não devemos recuar para o cinismo e o derrotismo — tem soado, para aqueles que não perderam a capacidade de ouvir, cada vez mais “tardo-soviética”.

Ninguém quer ser o primeiro operário-modelo na linha de montagem a reconhecer que a fábrica não está a cumprir as quotas de produção. Mas, a certa altura, a identificação forçada com aquilo que é manifestamente um sistema em colapso torna-se tão tensa que se torna insuportável, e a mudança que vinha a formar-se lentamente durante muito tempo ocorre então de uma só vez.

A chegada da IA generativa foi, para muitos humanistas universitários, o acontecimento que finalmente nos empurrou para além do limite, obrigando-nos subitamente a nomear o problema numa linguagem lúcida e sem concessões. Mas a IA não foi tanto uma nova ameaça à investigação humanística quanto o golpe final, decisivo, desferido por uma ameaça multifacetada que já nos perseguia há anos. Uma combinação de forças tecnológicas, económicas, políticas e culturais, em acção tanto dentro como fora da universidade, tinha, no início da década de 2020, efectivamente reduzido à inconsciência a tradição do humanismo universitário.

Os professores de humanidades ainda podiam “apresentar-se ao serviço” num sentido restrito; tal como os apparatchiks nos primeiros dias da confusão pós-soviética, podiam continuar a comparecer no trabalho e a receber os seus salários (fortemente desvalorizados). O que já não podiam fazer era cumprir o seu dever — isto é, já não podiam ter qualquer esperança real de guiar os seus estudantes de farol em farol ao longo de uma tradição milenar de reflexão e descoberta que, uma vez interiorizada, representa provavelmente a maior esperança que uma pessoa tem, neste mundo difícil, de alcançar uma condição de verdadeira liberdade.

O colapso é amplamente confirmado tanto por dados como por episódios. Mas já é, em si mesmo, um sintoma da dominação total de um espírito não humanista no nosso mundo contemporâneo supor que os dados têm um grande poder de persuasão que a descrição narrativa não possui. Os dados podem encontrar-se noutros lugares; consideremos antes aqui, sem qualquer embaraço, alguns episódios.

São histórias que a maioria dos professores de humanidades já terá ouvido noutras variantes, mesmo que o seu pleno significado ainda não tenha sido totalmente assimilado. Tomei conhecimento de um estudante americano num programa de mobilidade semestral em Florença — Florença — que, ao ouvir de passagem uma ou outra referência a Michelangeloou Dante Alighieri no contexto de uma aula introdutória de italiano, se queixou ao diretor do programa de que precioso tempo de aula estava a ser desperdiçado apenas para satisfazer os interesses excêntricos do professor. Do ponto de vista do estudante, todo o propósito de aprender italiano esgota-se em coisas como pedir panini.

Mas então porquê dar-se ao trabalho de ir sequer a Itália? A “área de especialização” deste estudante, claro, era uma que não existia antes do presente século, envolvendo uma concatenação ad hoc de termos como “liderança”, “inovação” e “sustentabilidade”. Num curso deste tipo, os estudantes podem facilmente acabar em Florença em vez de, por exemplo, Barcelona (onde, de qualquer modo, passarão o fim de semana, graças à EasyJet), como resultado de uma escolha tão apressada e irreflectida como a entre “Mentalidade de Inovação” às segundas e quartas-feiras ou “Construção de Equipas para Impacto Social” às terças e quintas-feiras.

Imaginando-se a ocupar um lugar de resistência ao capitalismo, acabam por se tornar alguns dos seus lacaios mais obedientes.

A verdade simples é que os estudantes não fazem ideia de por que estão em Itália; mal sabem que estão em Itália. Há uma vaga consciência de que deveriam lá estar, eventualmente para acrescentar “italiano” à lista das suas “línguas” no LinkedIn. Mas este “italiano” é um italiano completamente separado da história, da literatura e da cultura; e este “deveriam” é um imperativo totalmente imposto de fora, inteiramente desligado do exercício da liberdade própria de cada estudante. O estudante não tem liberdade. A liberdade tem de ser cultivada.

Sente-se compaixão pelo estudante, que o sistema traiu de forma tão trágica; e sente-se compaixão pelo professor, que simplesmente não pode, nestas circunstâncias, cumprir verdadeiramente a sua vocação.

E quanto aos estudantes de humanidades? Se consultarmos os dados, veremos que já não restam assim tantos. Terão os departamentos de humanidades respondido à diminuição das matrículas renovando o seu compromisso com a grande tradição, ajudando os seus estudantes a despertar para o assombro da mente humana tal como se manifesta nos seus monumentos mais duradouros? Não. Em vez disso, tal como as moscas-das-flores que encontraram o seu pequeno nicho dentro das colmeias através de um mimetismo batesiano da morfologia externa dos seus coabitantes himenópteros, as humanidades estão a passar por um rápido processo daquilo a que Tyler Austin Harper chamou “escolarização ao estilo das escolas de negócios”.

A culpa de tudo isto não deve ser inteiramente atribuída aos professores. A verdadeira explicação do que está a acontecer tem tudo a ver com a economia de cima para baixo, com as decisões tomadas por essa classe de administradores cuja função principal é angariar fundos, uma parte dos quais provém agora de parcerias empresariais. 

Ouvi o relato de um especialista sediado na Califórnia em cosmologia medieval cujas disciplinas, para as quais passou décadas a adquirir a competência necessária, foram substituídas por cadeiras de “ética dos videojogos”. Disseram-lhe que podia continuar, por agora, se quisesse lecionar essas disciplinas.

Pode imaginar-se, dada a proximidade do Silicon Valley, que tipo de acordo terá sido feito para explicar esta mudança nas prioridades curriculares. Falei com inúmeros jovens doutorados que conseguiram terminar os seus estudos com temas de tese que agora só podem ser vistos como pertencentes a um ancien régime — temas belíssimos, temas de um universo contido num grão de areia, sobre rituais védicos, Hildegard von Bingen, o Almagesto de Ptolomeu, os tempos verbais do navajo e os calendários mexicas — e que agora andam desesperadamente de um lado para o outro, a dar aulas como docentes convidados em cursos artificiais por somas irrisórias, sobre temas fundamentalmente indignos da sua atenção, como “Pensamento Crítico para Líderes Executivos”, “Filosofia para Impacto Público” e todas essas outras disciplinas inventadas que pertencem ao género daquilo que é, em última análise, um oxímoro irreparável: “Ética Empresarial”.

Sente-se compaixão por todos estes intelectuais precarizados, que o sistema traiu de forma tão trágica. Mas chegou o momento de fazer mais do que apenas sentir por eles. Chegou o momento de ver se será possível fazer algo por eles, e não apenas mantê-los presos a um sistema que, manifestamente, já não é o seu habitat natural. Chegou o momento de pensar seriamente em como poderemos resgatar os seus belos espíritos e permitir-lhes levar por diante aquilo que realmente importa. É agora claro que, se isso vier a acontecer, não será o resultado de uma mudança de prioridades dentro da própria universidade. As universidades não se vão reformar a si mesmas, pelo menos não sem uma pressão externa significativa.

A maioria dos académicos que ainda não se reformaram nem morreram é suficientemente jovem para ter passado toda a sua carreira num meio dominado por alguma forma de “desmistificação” ou outra. O principal propósito daquilo que tem passado por educação em humanidades tem sido convencer os estudantes de que a tradição humanística não é aquilo que eles pensam que é. Trata-se de um objetivo pedagógico, no mínimo, peculiar, uma vez que, tipicamente, no início os estudantes não têm qualquer ideia do que seja a tradição humanística, nem sequer de que ela exista. São conduzidos diretamente da ignorância ao desprezo, sem qualquer esforço sério para os familiarizar com o objeto desse desprezo.

Trata-se de uma tragédia no sentido literal grego: uma cegueira quanto à natureza e às consequências das próprias escolhas do corpo docente que acaba por contribuir para a sua queda. 

Nada foi mais útil aos administradores que procuram transformar toda a universidade numa escola de negócios do que ouvir dos próprios humanistas que a sua tradição não passa, afinal, de um braço propagandístico da supremacia branca, do patriarcado e do imperialismo. Imaginando-se a ocupar um lugar de resistência ao capitalismo, acabam por se tornar alguns dos seus lacaios mais obedientes.

Reconheço que, nas décadas de 1980 e 1990, muitos intelectuais de grande relevo tiveram um papel na promoção daquilo a que Paul Ricoeur chamou a “hermenêutica da suspeita”. Ainda hoje, dificilmente se é considerado um intelectual se não se sentir algum arrepio ao confrontar-se com aquilo que os reacionários culturais classificam, de forma genérica e imprecisa, como “pós-modernismo”, ou ainda mais imprecisamente, “marxismo pós-moderno”. Muito do trabalho que esses reacionários descartam de forma ignorante é, de facto, estimulante e revelou verdades reais sobre a ordem ideológica dominante, em grande parte porque todas as figuras principais da sua primeira geração eram extremamente bem formadas e conheciam profundamente os objectos da sua crítica.

Mas os movimentos revolucionários quase sempre degeneram em mediocridade quando passam para o interior das instituições, onde a geração seguinte conserva pouca memória daquilo contra o qual a revolução se tinha definido. O sabor particular da nossa mediocridade atual resulta, de facto, precisamente do choque entre este espírito de desprezo agora institucionalizado e semiformado, por um lado, e as forças muito mais poderosas da financeirização e da hiperquantificação, por outro.

É como produtos desta colisão que devemos compreender a proliferação delirante de artigos ostensivamente revistos por pares (se os seus revisores os lerem, muito provavelmente serão os únicos a fazê-lo) sobre temas que, manifestamente, seriam mais bem investigados sob a forma de ensaio pessoal ou literário. Os seus autores não compreendem, ou fingem não compreender, que aquilo que os interessa é mais bem explorado através do cultivo de um estilo expressivo individual do que por meio de uma aparência débil de argumentação e de um aparelho citacional frágil.

Assim, encontramos jovens professores de humanidades a manter um sistema de publicação semelhante a um culto de carga, no qual produzem reflexões sobre as suas motivações pessoais para adoptar avatares não binários ao jogar videojogos (por exemplo), forçando uma questão que deveria ser explorada através do desenvolvimento de uma voz autoral própria a caber no molde mal ajustado e incongruente de resumos, palavras-chave, referências bibliográficas, e assim por diante. Os resultados não podem deixar de ser risíveis. Se aqueles que participam neste culto de carga são incapazes de o ver, é porque não conservam qualquer memória real da existência de uma tradição humanística que, em vez de permitir que os seus praticantes se fechem ainda mais sobre si próprios, os conduzia para fora de si e para um horizonte muito, muito mais amplo do que os seus ecrãs de jogo.

Não é de todo minha intenção ridicularizar quem quer que seja em particular. Sinto compaixão por aqueles que o sistema traiu de forma tão trágica. Mas que esta forma atual de fazer as coisas é ridícula, que este estranho vestígio esquemórfico das outrora florescentes Geisteswissenschaften precisa de ser abandonado por qualquer pessoa séria — disso não pode haver dúvida.

Aqueles que têm algum interesse em manter este sistema absurdo — os jovens académicos entusiasmados por acrescentar uma participação em conselhos editoriais aos seus CVs, os estudantes de pós-graduação ansiosos por obter alguns “gostos” nas redes sociais ao partilharem um ecrã do seu primeiro e-mail de “aceite” — podem muitas vezes ser encontrados a criticar os seus críticos por os terem criticado na ignorância daquilo a que chamam “a literatura”. Mas com isto referem-se invariavelmente apenas às produções restritas da comunidade académica particular em que encontraram lugar. Quando examinadas, essas produções nunca esgotam o leque do que poderia legitimamente ser dito sobre um determinado tema.

O que significa dizer a alguém que não consultou adequadamente “a literatura” sobre género, por exemplo? Que não leu o Rig Veda? O Talmude? Que não se familiarizou suficientemente com o papel da xamã tungúsica na mediação entre o Mundo Superior e o Mundo Intermédio? Que não sabe o suficiente sobre o simbolismo dos gémeos entre os Lele do Congo? Seria, de facto, surpreendente que a ínfima fracção de ideias influentes nos departamentos de humanidades anglófonos do início do século XXI viesse a fornecer relatos finais e definitivos sobre os seus temas.

A alternativa mais visível a esta deriva da investigação humanística — o nacionalismo identitário populista — tem vindo a crescer nos últimos anos, especialmente nos Estados Unidos. Estes defensores da “civilização ocidental” procuram ocupar o vazio criado, em grande parte, pelos fracassos evidentes dos “desmistificadores” que hoje dominam as humanidades académicas. Em certos estados, como a Flórida, conseguiram-no. Mas isso em nada altera o facto de que eles próprios são profundamente ignorantes quanto ao que é a tradição humanística e para que serve.

As pessoas com estátuas gregas como fotografias de perfil, tal como aqueles de quem zombam, nada sabem das realizações concretas do modelo das “humanidades como Wissenschaft” que tomou forma no Iluminismo e sobreviveu até cerca do final do século XX. Nunca leram Johann Joachim Winckelmann; não fazem ideia do que torna, de facto, uma estátua grega bela; e certamente não estão em posição de explicitar quaisquer critérios reais em virtude dos quais a estátua grega possa ser considerada “superior” a um totem kwakiutl ou a um bronze do Benim.

Mesmo que concedamos, para efeitos de argumento, que a estátua grega é superior, estas pessoas continuam sem qualquer explicação de como ou por que razão essa superioridade lhes deveria caber a elas em particular. Na maioria dos casos, descendem de antepassados que, na Antiguidade, eram bárbaros que habitavam florestas. (E não há, evidentemente, nada de errado com isso. Um humanismo verdadeiramente amplo é aquele que estuda o mundo vivido dos bárbaros com não menos generosidade de espírito do que aquela que esperamos dos especialistas em estética helenística.) Mas acabam por cair na sua própria armadilha. Pois, se se quiser reduzir a tradição a laços de sangue, e a história do ingenium humano apenas ao que foi produzido em sociedades urbanas complexas e hierárquicas, então lamento, mas muito provavelmente não se passa no critério.

As humanidades não são um sistema para a produção de “resultados de investigação” positivos. São uma prática de autoformação — ou não são nada.

É, naturalmente, próprio das sociedades tradicionais, desprovidas de uma educação humanística, conceber a história da humanidade como tendo um arco teleológico que conduz ao surgimento do seu próprio tipo de pessoas. Falei com habitantes de aldeias na Anatólia que dizem com orgulho que os filósofos pré-socráticos de Mileto eram “turcos”. Isto é normal, até encantador, e constitui um fenómeno cultural amplamente difundido, digno de estudo por si mesmo. Mas é precisamente o que se deve esperar na ausência de educação humanística. Não pode, evidentemente, ser o objetivo de uma educação humanística conduzir o estudante que a empreende exatamente ao estado do qual essa educação deveria libertá-lo.

Sou defensor do “cânone” pelas mesmas razões por que defendo a periodização (“Antiguidade”, “Idade Média”, etc.). Não é que o nosso sistema de ordenação seja o definitivo, mas sim que não é possível compreender os monumentos das realizações humanas se não os organizarmos em torno de um conjunto de marcos e transições reconhecidos em comum. A maioria das obras do cânone, a maioria dos “Grandes Livros”, são verdadeiramente grandes. Mas a sua grandeza acumula-se gradualmente ao longo das suas longas histórias de recepção, muitas vezes como resultado de contingências que não poderiam ter sido previstas por qualquer intelecto não omnisciente no momento da sua criação.

Gilgamesh é grandioso. É um marco do património comum da humanidade e deve ser estudado e amado por todos. Mas é também um compósito estatístico de uma narrativa mesopotâmica comum cujas tábuas sobreviveram. Serão as histórias contidas em tábuas que ficaram em condições menos favoráveis à preservação menos grandiosas? Nunca o saberemos ao certo, mas isso parece improvável. A Odisseia é grandiosa. Sabemos também, com certeza, que foi uma tradição oral durante séculos antes de alguém se dar ao trabalho de a fixar por escrito. Será, então, “maior” do que as tradições orais dos guslari bosníacos das terras altas, que apresentam muitos dos mesmos epítetos, aliterações e outras técnicas mnemónicas, contando o mesmo tipo de narrativa heroica, com o mesmo efeito estético e servindo o mesmo propósito de coesão social?

Estamos hoje muito longe da disposição ampla, generosa e liberal que permite a qualquer verdadeiro humanismo reconhecer essencialmente o mesmo génio em acção onde quer que os seres humanos estejam a fazer aquilo que é próprio dos seres humanos. Estamos muito longe de uma verdadeira receptividade à criatividade humana enquanto tal, à cultura enquanto tal; às tradições artesanais; às tradições orais; aos contos populares, canções de embalar, cantigas, byliny; à consciência — que Gottfried Wilhelm Leibniz já teve a perspicácia de formular em 1704 — de que, depois de termos estudado cada palavra de cada “Grande Livro” de cada “civilização” do mundo, a verdadeira tarefa da investigação humanística estará apenas a começar, pois então “as línguas ocuparão o lugar dos livros, e são os monumentos mais antigos da humanidade”.

Esta conceção do que a investigação humanística deve fazer teve uma longa e produtiva história, prolongando-se como uma corrente algo subalterna, mas ainda assim muito influente, na obra de várias figuras ao longo da modernidade, desde Gottfried Wilhelm Leibniz até Johann Gottfried Herder e outros dos chamados movimentos do “contra-Iluminismo” e do “Romantismo”, desembocando no estudo erudito do folclore e das fábulas pelos Irmãos Grimm e por Gotthold Ephraim Lessing, influenciando a antropologia de Franz Boas e a etnomusicologia de Alan Lomax (para mencionar apenas alguns dos grandes marcos desta tradição), apenas para ser definitivamente sufocada no final do século XX com o triunfo conjunto da hiperfinanceirização ao nível da organização institucional e da hermenêutica da suspeita ao nível da ideologia.

E hoje, com praticamente ninguém nas nossas instituições a defender uma abordagem tão generosa do passado humano, o próprio passado fica indefeso face aos bárbaros invasores que se imaginam corajosos defensores da civilização. 

Não há ninguém que consiga explicar, a figuras como Christopher Rufo, as verdadeiras razões pelas quais as humanidades não podem ser subordinadas aos propósitos da construção de mitos nacionais ou da doutrinação patriótica. E assim os campus caem perante estes saqueadores ignorantes, como tigres de papel, enquanto a verdadeira investigação humanística permanece tão sem abrigo como já estava sob o domínio dos administradores, com a sua visão da universidade como uma grande escola de negócios; dos doadores, com a sua exigência de mais programas de “ética da IA” e outros esquemas oxímoros; e de um corpo docente pós-humanista, com a sua investigação autoindulgente e os seus apelos tensos e ansiosos à “literatura”.

É perfeitamente natural que, no meio desta confusão generalizada, os verdadeiros humanistas comecem a pensar em construir novos espaços para si. Ainda há cinco anos, os programas de doutoramento em humanidades tratavam o chamado percurso “alt-ac” como uma segunda escolha lamentável, um prémio de consolação. Hoje, os estudantes que ingressam no doutoramento dizem abertamente que não esperam vir a ter uma carreira académica tradicional. Os estudos de doutoramento são agora prosseguidos por uma combinação de curiosidade intelectual genuína e de uma estratégia — quando são honestos — de adiar a obrigação de encontrar emprego.

Ao mesmo tempo, algo notável está a acontecer: iniciativas independentes estão a surgir por todo o lado, lideradas por antigos académicos, por académicos que acumulam funções, ou por pessoas próximas do meio académico para quem o percurso tradicional não resultou — ou que começam a perceber que nunca lhes proporcionará a satisfação intelectual que esperavam. Muitas destas iniciativas são impulsionadas por “dissidentes”, por figuras críticas dentro e fora do sistema, ou mesmo por autênticos provocadores.

Todas elas, de diferentes formas, despertaram para o facto de que possuem um poder significativo — em parte proporcionado pela nova infraestrutura tecnológica — para decidir por si próprias como devem ser as humanidades, em vez de esperar que um diretor, um reitor ou um conselho de administração o faça. Estão a perceber que a velha objecção — de que as suas iniciativas não podem atribuir “créditos curriculares” — perde cada vez mais força. Já não parece haver uma ligação clara entre esses créditos e qualquer benefício material futuro, pelo que a nova atitude é: mais vale fazer o que realmente nos interessa. E quem sabe que tipo de retorno poderá surgir, a prazo, da acumulação dessas experiências não creditadas?

Entre estas iniciativas contam-se o Brooklyn Institute for Social Research, o Catherine Project, a Strother School of Radical Attention, o Matthew Strother Center for the Examined Life e a Hinternet Foundation. Revistas como The Point organizam workshops de verão, e plataformas como o Substack estão a lançar novas experiências de educação contínua. Algumas destas iniciativas inspiram-se em instituições académicas mais tradicionais, como a University of Chicago ou o St. John's College; outras seguem uma filosofia de “regresso ao essencial”; outras ainda procuram experimentar novos caminhos.

Muitas recuperam antecedentes históricos, como o Black Mountain College ou os grupos de leitura operários associados aos sindicatos na Grã-Bretanha, Europa e América do Norte, que desapareceram com a expansão do ensino superior após a Segunda Guerra Mundial.

O ensino superior já não está em expansão; está em retração, ou a transformar-se de tal modo que rompe com o que foi no passado. É natural que essa transformação traga consigo a redescoberta de que não há nada de intrinsecamente “elitista” em ler Homero ou Shakespeare. Mineiros de carvão em Yorkshire faziam-no, em conjunto, com alegria. Foi uma mentira — e uma traição — dizer que a investigação humanística é, na sua essência, algo que não seja profundamente democrático.

As humanidades são democráticas precisamente porque não nos chegam por laços de sangue, mas têm de ser cultivadas ao longo da vida individual. Como disse Séneca: “Se há algum bem na filosofia, é este — nunca olha para as genealogias. Todos os homens, se remontarmos à sua origem, descendem dos deuses.”

As humanidades não são um sistema de produção de resultados. São uma prática de autoformação — ou não são nada. Procedem pela interiorização e domínio de grandes obras que testemunham o génio fundamental da atividade humana tal como se exprime na cultura. Compreendem que a cultura está inevitavelmente ligada ao mito. Mas não pretendem desmontá-lo nem reforçá-lo: pretendem contemplá-lo, acolhê-lo e admirá-lo em toda a sua diversidade e profundidade.

Grande parte das obras estudadas será, inevitavelmente, estranha ao mundo em que cada estudante nasceu. Não será, à partida, “relacionável”. E esse é precisamente um dos argumentos mais fortes a favor das humanidades. O seu objetivo é nada menos do que a libertação: dos horizontes estreitos da cultura de massas, da superficialidade do presente, dos imperativos impostos de fora, de uma vida em que se vai ora para aqui, ora para ali, apenas porque “é assim que se faz”.

Pode parecer paradoxal dizer que o caminho para a liberdade passa pela tradição. Hoje, tende a pensar-se que a tradição limita a realização pessoal. Mas, honestamente, haverá alguém menos livre do que o jovem que vai “estudar” para Florença e se ressente por ter de ouvir falar de Dante? As instituições que permitiram isto falharam — clara e simplesmente.

Chegou o momento de os humanistas comprometidos abandonarem a ideia de que essas mesmas instituições são o único lugar possível para a investigação humanística. Isso não significa substituí-las nem abandoná-las por completo. Muitos continuarão a ser insiders-outsiders. Mas é tempo de começar a construir instituições paralelas — capazes de exercer pressão real e de mostrar, pelo exemplo, uma alternativa mais verdadeira e mais bela.


'That of the Tulip Pinke and Rose'




See how the Flow'rs, as at Parade,
Under their Colours stand displaid:
Each Regiment in order grows,
That of the Tulip Pinke and Rose.

But when the vigilant Patroul
Of Stars walks round about the Pole,
Their Leaves, that to the stalks are curl'd,
Seem to their Staves the Ensigns furl'd.
Then in some Flow'rs beloved Hut
Each Bee as Sentinel is shut;
And sleeps so too: but, if once stir'd,
She runs you through, or askes The Word.
(...)
by Andrew Marvell

Carlo Russo


April 10, 2026

Quem são os países europeus que votaram pela nomeação do Irão na ONU?



A favor da nomeação da República Islâmica do Irão para um comité da ONU responsável pela definição de políticas em matéria de... direitos das mulheres... prevenção do terrorismo:

Reino Unido 🇬🇧
Espanha 🇪🇸
Canadá 🇨🇦
França 🇫🇷
Alemanha 🇩🇪
Noruega 🇮🇸
Países Baixos 🇳🇱
Austrália 🇦🇺
Suíça 🇨🇭
Áustria 🇦🇹
Finlândia 🇫🇮

INACREDITÁVEL. Não é possível ter respeito pelos políticos dos países europeus...


Um bom actor

 


A indústria da vaidade

 

Eu gosto de cinema, mas a maioria dos filmes são apenas para entretenimento e a maioria dos actores são pessoas com poucos recursos internos e externos. Isso vê-se quando resolvem fazer filmes que requerem mais do que aquilo que têm para dar. Se forem espertos, só fazem filmes onde os seus recursos encaixam perfeitamente numa certa personagem de maneira a terem hipótese de representações credíveis ou até, por vezes, muito boas, mas a maioria não têm essa esperteza. São poucos os actores versáteis, que têm recursos e estratégias variadas e podem representar personagens diversificadas. Ajuda ter aquele tipo de cara que muda completamente consoante o arranjo do cabelo, a expressão, a roupa, os acessórios, etc. Mas também esses são poucos e a maioria tem caras que não desaparecem na personagem. Porque têm sucesso? Porque são bonitos - eles e elas, são bonitos, têm um corpo bonito, as roupas ficam-lhes bem... A indústria do cinema -salvo raras excepções- gira à volta da promoção de mulheres e homens bonitos e as festas, prémios disto e daquilo são, salvos umas excepções, uma grande feira de vaidades: exibição de roupas, jóias, festas com luxos, etc. Alguns, muito poucos, têm algo interessante a dizer ao mundo, mas a maioria não.

Sou só eu que penso ser impossível Guterres não estar no bolso dos islamitas do Irão?

 


Coisas boas 💙💛

 


“Já não mexo nas mesas. Limito-me a esperar.”

 

 Já não mexo nas secretárias. Limito-me a esperar. — Sra. Pulaski, professora de estudos sociais há 32 anos na Wheatfield High School,

DISTRITO ESCOLAR CONSOLIDADO DE KETTERING RIDGE — A Sra. Pulaski, professora de estudos sociais há 32 anos na Wheatfield High School, permaneceu imóvel na sua sala de aula na tarde de quinta-feira, no meio de uma disposição de mesas que descreveu como «o que quer que sejam neste momento», tendo recebido instruções formais de quatro administrações sucessivas para organizar os lugares dos alunos em filas (1994), grupos colaborativos (2003), em forma de U (2010), disposição flexível sem mesas (2016) e novamente em filas (2024). A parede atrás dela exibe certificados de cada época de desenvolvimento profissional correspondente, incluindo uma formação de 2004 intitulada «As filas matam a colaboração» e um workshop de 2024 intitulado «Repensar o poder das filas».

«Em 2003, um consultor disse-me que as filas eram “a arquitetura da opressão”», recordou a Sra. Pulaski, referindo que tinha passado um fim de semana inteiro a arrastar mesas para formarem grupos de quatro, apenas para ouvir, seis anos mais tarde, que os grupos «favoreciam comportamentos de desatenção» e que a disposição em ferradura era «a única configuração baseada em investigação». 

O atual diretor, o Sr. Yun, que estava no 7.º ano quando a Sra. Pulaski reorganizou as mesas pela primeira vez, enviou recentemente por e-mail ao pessoal um artigo intitulado «Por que as filas retas favorecem a aprendizagem concentrada», com o assunto «nova investigação empolgante», que a Sra. Pulaski confirmou reconhecer como o argumento exacto com base no qual foi contratada em 1994.

A Sra. Pulaski disse que já mudou a disposição das mesas cerca de 11 vezes e tenciona reformar-se antes que os «pods» voltem, o que prevê que aconteça em 2027.

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Não é só com as mesas que estas modas dos pseudo-pedagogos da educação que não têm experiência de trabalhar com alunos continuamente  (ou não têm mesmo nenhuma) e nunca se lembram de considerar a experiência de professores que trabalham com alunos há dezenas de anos como uma fonte extraordinária de informação acerca do que resulta e do que não resulta.

April 09, 2026

Exemplo perfeito desta nova geração

 

Chega atrasada ao aeroporto, vai a correr para a porta de embarque mas sempre a filmar-se porque é mais importante que conseguir embarcar, responde mal à hospedeira que a manda apagar o vídeo -não percebe que os aeroportos têm questões de segurança- e no fim, mesmo antes de embarcar chama cadela à hospedeira. Claro que a hospedeira não a deixou embarcar. Foi gravar um vídeo a chorar e chamar palavrões à hospedeira e à companhia de aviação. É um exemplo perfeito desta nova geração: não cumprem horários nem têm deveres para com ninguém, vivem para ter likes e seguidores, pensam que são a rainha/rei de Inglaterra e que todos lhes devem serviço, são mal-educados e quando corre mal choram, vitimizam-se, chamam palavrões aos outros, choram pela mãezinha.


@joleenw @Ryanair u have lost a genuine customer because I have never ever been treated like I was by isabella at ur Porto location, ever in my life. It’s very clear how you treat your customers, and I would rather pay an extra $300 for a ticket than be treated like this and just plain out scammed. I am the most positive and happy person, and to be treated harassed like this is extremely disappointing and disheartening. I would think twice before flying them #ryanair #ryanaircrew #ryanairstories #neverflyryanair ♬ original sound - joleenw

Same here

 

da pocilga americana

 


🎯

 

Citação deste dia



Yossi BenYakar

«O Islão institucionalizado é incompatível com a civilização ocidental.»

Quando uma ideologia trata as mulheres como propriedade e reprime a dissidência, a crítica não é ódio, é auto-defesa.

Está na hora de acordar, países ocidentais!

A Inglaterra está perdida

 


O islão explica-se a si mesmo

 

O coração do Islão não é nenhum Deus mas sim é a escravatura das mulheres. A esquerda quer importá-los.


Islamofascismo


O islão explica-se a si mesmo

 

A esquerda quer importar esta 'cultura'.

Tudo o que está mal e tem de ser mudado na UE a respeito da Hungria, da Ucrânia e da Rússia

 


Aqui há umas semanas, depois de Orban ter mandado raptar ucranianos e roubar os valores que transportavam e pertencem à Ucrânia, e ainda ameaçar a Ucrânia, a UE pregou um raspaste público a Zelensky por ele ter dito que podia dar o endereço de Orban aos militares ucranianos. Fiquei chocada. Não com a resposta de Zelensky mas com a reacção da UE. A lealdade e defesa dos parceiros da União não pode ser incondicionada, pois nesse caso não somos parceiros mas um gang. A Ucrânia está a defender a Europa da Rússia, Orban está a laborar para a destruição da UE e da Ucrânia. Quem é que aqui é nosso parceiro? Porque é que a UE tem sempre desculpas para encaixar a traição de Orban e é lesta a passar reprimendas a quem nos defende? A Ucrânia está a defender-se de uma guerra. Não é uma guerra de computador ou uma guerra virtual, é uma guerra onde todos os dias morrem pessoas, civis, crianças, onde a vida está um caos, cidades inteiras desapareceram. Alguém imagina Berlim e Hamburgo desapareceram, em escombros? Paris ou a Cote D'azur serem apenas pó e lama? Estocolmo? Veneza? Orban está do lado do inimigo a congeminar a queda de Zelensky e da Ucrânia. Mas a UE não se vê como uma cópia de Trump quando adopta as estratégias de humilhação dele em relação a Zelensky? Se Orban está cada vez mais afoito na defesa de Putin contra a UE e contra a Ucrânia é porque a UE deixa-o fazer o que quer e como quer. Numa situação de guerra é preciso agir rapidamente para anular as forças de bloqueio e de destruição. E Orban é a principal na UE. 


O Mago do Kremlin (The Wizard of the Kremlin)

 


Fui ver este filme, apesar de ter lido críticas negativas nos jornais e sites ingleses. Estava muito interessada no tema. O filme é uma adaptação do do romance original de Giuliano da Empoli com o mesmo nome. 

Escritor e analista político ítalo-suíço, formado em Direito (La Sapienza) e Ciência Política (Sciences Po), foi assessor do primeiro-ministro italiano Matteo Renzi, vice-prefeito de Florença e membro do conselho da Bienal de Veneza. Conhecedor profundo dos meandros do poder e investigador político, este assessor escreveu este livro inspirado em outro assessor, Vladislav Surkov, o chamado Cardeal Cinzento - um intelectual, dramaturgo, escritor, homem da comunicação e da propaganda que decidiu servir Putin, a partir do final da década de 90. (Expresso)

Gostei do filme e é um filme que deve ver-se no cinema. Penso que foi filmado em Latvia. O enquadramento da acção nas paisagens, exteriores e interiores deve ver-se em tela grande. Logo o início do filme é uma cena entre bosques de neve, abetos e pinheiros, na casa de Vadim Boranov - que representa o tal assessor de comunicação de Putin, Vladislav Surkov. Vemos logo que a cenografia do filme vai ser boa. 

O filme é enorme. Abrange a época da Rússia que vai desde Yeltsin até invasão da Crimeia. É em inglês, o que se percebe, mas tira-lhe um bocadinho de força. No entanto, é um filme para consumo ocidental, para que se perceba um pouco do que foi essa época de transição e caos até à caída em nova ditadura. Portanto, é um filme sobre a ascensão de Putin vista e, em parte, orquestrada, pelo seu assessor.

O filme está de acordo com a visão que tenho, do que leio, dos anos de excessos libertários de Yeltsin, de como alguns se aproveitaram dessa nova liberdade para enriquecer, de como ninguém exercia controlo sobre coisa alguma e de como Putin foi escolhido por oligarcas, muito ingénua e estupidamente, para ser um testa de ferro manipulável ao serviço dos oligarcas. Devorou-os a todos.

Uma coisa fica clara no filme, embora nunca seja abordada, sequer: a Rússia não tem, nem nunca teve instituições, com excepção do KGB. É a única força estruturada, com uma hierarquia estável e contínua no tempo. Não há intermédios entre o homem do poder e o povo. O poder é vácuo, não tem conteúdo e reduz-se à vontade do homem forte. No tempo dos czares o poder estava descentrado nos vários senhores feudais, a nobreza, mas também não tinha instituições que preservassem a lei e a ordem independentemente do chefe. Desde a revolução do horror vermelho de sangue, o poder passa de um facínora para outro sem nunca criar raízes em instituições que cuidem do povo. E é por isso que o povo não espera ser tratado como tendo direitos. Esperam ser tratados como crianças. E a única coisa que temem são os homens do KGB. Ora Putin é o quê? Um homem do KGB.

Quem faz de Putin é Jude Law. De início nem percebi que era ele. Está muito parecido com o Putin inicial do ano 2000. Ele faz bastante bem esse papel de homem habituado a saber tudo de toda a gente, a desprezar toda a gente por saber os seus pequenos pecadilhos e usá-los para humilhar e para a vingança, um homem poderoso mas parado na pobreza inicial da sua vida. Muito complexado por isso. Um indivíduo calculista e narcísico que foi piorando ou reforçando o que já tinha de mau, à medida que crescia em poder. Uma pessoa que não se importa de atirar a Rússia para o inferno por ganância de poder. Um tipo raivoso, cheio de paranóias, desejos de vingança e hábitos de fazer desaparecer quem não gosta. Sem lealdade a ninguém.

Paul Dano é o assessor. Um liberal dos anos 90 que não gosta do estudo e se habitua ao poder. Um Maquiavel dos tempos actuais. Grande parte do filme somos nós a acompanhar os meandros dos seus raciocínios maquiavélicos sobre como manipular tudo e todos para criar um caos sem estrutura nem ordem, onde só o medo do ditador impera.

Varoufakis - Será que este indivíduo se apercebe que quando fala papagueia o discurso da extrema-direita?

 

Qual é a diferença entre o seu discurso e o de Alice Weidel? E qual é a diferença entre os discursos destes dois e o de Trump? Nenhuma diferença. Ele não se dá conta do ridículo que é falar contra Trump e a direita imperialista e depois repetir palavrinha por palavrinha as palavras de Weidel e de Trump quanto à Rússia, pondo-se no ponto de vista imperialista daqueles dois? O que tem mais piada é ele ter escrito um livro sobre tecno-feudalismo e apresentar-se com o discurso da extrema-direita de apoio a Putin, o Warlord, e à sua visão de imperialismo feudal.
Agora repete por todo o lado a expressão de 'crime contra a lógica' a propósito da Europa apoiar a Ucrânia e vê-se que está muito orgulhoso de a ter inventado. Ele tem o mesmo pressuposto da extrema-direita que na sua cabecinha é diferente dele: Putin é formidável e tem petróleo. A Ucrânia deve submeter-se porque é o que fará mais tarde ou mais cedo. A Europa deve voltar as costas à Ucrânia e fazer o que lhe rende mais dinheiro. Se não soubéssemos que Varoufakis é da extrema-esquerda pensaríamos estar a ouvir um seguidor de Trump. Patético... Ontem fui ver o filme, The Wizard of the Kremlin e a personagem Putin, a propósito de Boris Berezovsky, diz o seguinte: "não deixes que a sua inteligência esconda a sua estupidez." Aplica-se inteiramente a Varoufakis.