May 30, 2026

Fala-se pouco da luta dos iranianos para se livrarem da República dos pedófilos nº2

 

🎯

 


01.12.2014 Russos lançam Rockets em Donetsk para provocar uma resposta para a propaganda

 

Não ter noção

 

"Mercy to the guilty is cruelty to the innocent." - Adam Smith

 

(A misericórdia para com os culpados é crueldade para com os inocentes)

O imigrante ruandês Emmanuel Abayisenga viu o seu pedido de asilo em França ser rejeitado repetidamente desde que o apresentou em 2012. Apesar das ordens de deportação, permaneceu no país em situação irregular.
Os padres confiaram-lhe as chaves da catedral, atribuindo-lhe a tarefa de fechar e cuidar do edifício. Depois de ter incendiado a catedral, destruindo o órgão e o coro, o padre Maire acolheu-o em sua casa, oferecendo-lhe abrigo enquanto aguardava julgamento.
Em seguida, assassinou o padre Maire.

Isto é a Europa actual.

Leituras de fim-de-semana - " O português que dominou os estreitos de Ormuz a Malaca"



Muito bom este artigo sobre a estratégia de globalização pelo mar de D. Manuel I e Afonso de Albuquerque. O controlo dos estreitos marítimos daqui até à China para dominar o mercado das especiarias. Entretanto fui ver quem é o historiador Luís Filipe Thomaz de que se fala no artigo e fui dar com isto:
Poliglota, Luís Filipe Thomaz fala, para além da sua língua materna, inglês, castelhano, francês, grego moderno, italiano, malaio-indonésio, romeno e tétum (a língua de Timor Leste). Tem também bons conhecimentos de latim, grego clássico, sânscrito, siríaco, gueês (litúrgico etíope) e javanês, bem como rudimentos de neerlandês, amárico (etíope moderno), chinês (mandarim e cantonês), concani (Goa), persa moderno e árabe literal. Wiki
Um historiador que passa todas as passagens para todos os países/culturas através do domínio dos estreitos que são as línguas (uma pessoa sente-se muito ignorante depois de ler esta bio linguística).


O português que dominou os estreitos de Ormuz a Malaca


Leemage/Corbis/Getty Images


Afonso de Albuquerque, o braço armado de D. Manuel, criou o primeiro império marítimo em rede do Golfo Pérsico. Só falhou Áden, diz a lenda, porque se partiram as escadas

Jorge Nascimento Rodrigues

Expresso

O estreito de Ormuz concentra as atenções do ponto mais quente na geopolítica atual e já fez Donald Trump correr, várias vezes, para a situation room, o centro de crise e de gestão de informação de segurança na Casa Branca. O duplo bloqueio iraniano e da armada norte-americana revelou o papel estratégico daquele ‘gargalo’ à saída do Golfo Pérsico no comércio marítimo mundial. Mas Ormuz é um velho conhecido dos portugueses há mais de cinco séculos e a ocupação da ilha com o mesmo nome durou mais de cem anos.

Na ilha ainda sobrevivem ruínas do forte concluído por Afonso de Albuquerque em 1515, a quem em toda a região do Golfo Pérsico até ao Índico temiam como o “Leão dos Mares” e o “Terribil”. O turista ainda pode descortinar traços da arquitetura militar do tempo do reinado de D. Manuel e velhos canhões portugueses apontados para o estreito. A chegada a Ormuz pelos portugueses tem uma história por trás. Não foi obra do acaso. Há mais de 500 anos o tema dos estreitos na Ásia era uma obsessão na corte em Lisboa e nas armadas portuguesas que andavam pela região.

Na situation room da Casa Branca não há nenhum retrato nem de D. Manuel, com quem na Europa, à época, gozavam como o “rei merceeiro” das especiarias, nem a Afonso de Albuquerque, que foi governador da Índia. Mas ao primeiro deve-se um “Regimento” ao pormenor de objetivos globais para toda a região traçado em 1504, uma obra-prima de grande estratégia pioneira de uma rede de estreitos em grande escala no Índico e no Oriente; e ao segundo a concretização de uma boa parte das fundações do primeiro império marítimo moderno.

Muitos historiadores portugueses não poupam nas palavras no que ficou conhecido como guião, detalhado, da projeção portuguesa na Ásia saído da corte de D. Manuel. “É, sem dúvida, uma obra-prima pioneira de geoestratégia”, diz-nos José Virgílio Pissarra, historiador naval, investigador no Centro História, Territórios e Comunidades da Universidade de Coimbra. “Não conheço outro plano tão complexo e tão detalhado que anteceda este projeto de D. Manuel, pelo que me atrevo a afirmar que, nesse sentido, foi absolutamente pioneiro e revela um sentido estratégico apurado”, corrobora Jorge Semedo Matos, capitão-de-fragata fuzileiro reformado, professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e investigador do Centro de História da Universidade de Lisboa.

A UMA ESCALA 
SEM PRECEDENTES

No centro desse plano de projeção bem longe de Portugal e do Atlântico estavam os estreitos hoje na ribalta, de Áden, perto de Bab el-Bandeb às portas do Mar Vermelho, que os portugueses também chamavam Mar Roxo — a que se refere o poeta Luís Vaz de Camões no Canto II de “Os Lusíadas” —, Ormuz, e Malaca. Malaca permitiria, mais tarde, a chegada dos portugueses ao que se designavam por Ilhas das Especiarias (arquipélago das Molucas na atual Indonésia), à China e ao Japão. “Malaca situa-se na ligação entre o Índico e o Pacífico, pelo que o controlo deste porto e estreito foi crucial para a posterior penetração dos portugueses nas redes do comércio do Extremo Oriente Asiático”, refere João Paulo Oliveira e Costa, professor no Departamento de História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

O controlo dos estreitos criados pela geografia, ou ‘ferrolhos’ que controlam a navegação do mundo, como os batizaram os teóricos britânicos e norte-americanos da geoestratégia desde o começo do século XX, sempre foram uma das alavancas da geoestratégia. “O princípio do controlo dos estreitos é tão antigo quanto a atividade naval. Todavia, a escala introduzida pelo plano português não tem precedentes”, reforça José Virgílio Pissarra. Para visualizarmos bem a dimensão do que era o controlo desse corredor de estreitos na Ásia, o historiador salienta: “Sendo senhores da passagem do Atlântico para o Índico, os portugueses identificaram três estreitos comunicantes: Áden, Ormuz e Malaca. E, como se as distâncias não fossem imensas — de Bab el-Mandeb a Malaca distam 8000 quilómetros, por uma rota plausível — decidiram assumir o seu controlo.” E, frisa Pissarra, fizeram-no de um modo acelerado: “Repare-se que a exploração do Atlântico demorou quase um século (até se chegar ao cabo da Boa Esperança no sul de África), enquanto o Índico foi cruzado, do Mar Vermelho, a Ormuz e Malaca em pouco mais de uma década.”

GUERRA DE CORSO ESTATIZADA

Num olhar a cru, este pedaço da projeção pelo Oriente não deixou de ser o que o historiador indiano Sanjay Subrahmanyan considerou como a novidade trazida da Europa: os portugueses introduziram no oceano Índico, a partir de 1500, uma nova forma de comércio de natureza hostil, onde a ameaça da violência organizada passa a ser um instrumento sistemático de controlo das rotas por parte de um Estado invasor. Ou como nos diz José Virgílio Pissarra: “O que Portugal trouxe, com notável modernidade, foi a guerra de corso, de ataque à navegação mercante inimiga, levada exclusivamente a cabo por uma marinha real. Eram operações de guerra e oficiais, característica em que Portugal foi pioneiro. Todos os corsários e a generalidade dos piratas da costa da Índia eram privados locais até então”. O historiador Oliveira Martins, destacado historiador do século XIX e que chegou a ser ministro das Finanças no reinado de Dom Carlos, resumiu que os portugueses introduziram “uma rapina organizada por um estado político” e Latino Coelho, historiador e político, que foi ministro da Marinha e Ultramar no governo do duque de Ávila no século XIX, foi ainda mais lapidar: “Proclamou-se o terror como sistema político e mercantil.”

Não por acaso, Donald Trump disse recentemente: “Somos uma espécie de piratas, mas não estamos a brincar”, citado pela revista “Time”. O Presidente norte-americano comparou a Marinha dos EUA a piratas ao descrever como ela estava a cumprir as suas ordens para bloquear os portos iranianos. “Apoderámo-nos do navio, apoderámo-nos da carga, apoderámo-nos do petróleo. É um negócio muito lucrativo”, disse recordando a apreensão de um navio iraniano.

DO SÍTIO ERRADO A PIONEIRO

É a história desse curto período, do seu contexto e, depois, do início do seu epílogo que vamos percorrer através de alguns marcos que os historiadores portugueses contemporâneos assinalaram. A compreensão do que foi “o momento imperial português no oceano Índico” e a originalidade de um império global em rede, como diríamos hoje, que começou por ser desenhado no Índico, deve-se em muito ao historiador português Luís Filipe F. R. Thomaz, docente na Faculdade de Letras e na Universidade de Lisboa e com uma carreira académica que passou por França, Malásia, Macau e Brasil. Já depois de aposentado organizou na Universidade Católica Portuguesa o Instituto de Estudos Orientais, de que foi diretor até 2011.

São marcantes dois livros deste historiador de divulgação para um público menos especialista, como “De Ceuta a Timor” (1994) e “A Expansão Portuguesa — Um prisma de muitas faces” (2021), publicado inicialmente em castelhano em Bogotá em 2016. Na sua investigação sobre a projeção portuguesa global, Thomaz começou por sublinhar “o paradoxo da vanguarda da expansão europeia partir exatamente de um país que praticamente de nenhum ponto de vista se podia considerar a vanguarda da Europa”. Aparentemente, o sítio errado. Para, depois, sublinhar o carácter “original e por vezes desconcertante” da expansão no Índico que “foi, na sua essência, uma rede, isto é, um sistema de comunicação entre vários espaços. Carateres que o distinguem de um vulgar império”, conclui o historiador que, em junho, fará 84 anos.

UMA OBRA-PRIMA MADE IN PORTUGAL

A “aprendizagem” do que era o oceano Índico a que os portugueses chegaram desde a viagem de Vasco da Gama sempre foi complexa mesmo para quem andou por lá várias vezes: o regime especial climático (monções) cujo conhecimento assumiu uma dimensão estratégica, a economia numa região largamente dominada pela rede muçulmana desde há séculos e a política local em mosaico onde não havia nem sombra dos “cristãos” que os portugueses esperavam encontrar como aliados naquelas paragens longínquas. “Um conhecimento que os portugueses não tinham aquando da viagem de Gama e que foram aprendendo devagar, ao longo do começo do século XVI”, refere-nos Jorge Semedo de Matos, professor da Escola Naval e da Faculdade de Letras de Lisboa.

Em contraste, na corte em Portugal, o clima era outro: de frenesim envolto num grande projeto imperial que misturava a geoeconomia das especiarias e outros recursos do Oriente com um messianismo em torno de D. Manuel muito acicatado por um grupo em que pontificavam a sua segunda mulher, Maria de Aragão e Castela, filha dos chamados Reis Católicos da vizinha Espanha, o conselheiro ideólogo Duarte Galvão, Gaspar da Gama (um espião capturado por Vasco da Gama na primeira viagem) e o frade-cavaleiro André do Amaral, chanceler-mor da Ordem de São João na ilha de Rodes, no mar Egeu. “Impacientes com a lentidão de algumas realizações, com uma compreensão parcial sobre a dimensão e a importância dos poderes locais, emanavam ordens sobre as quais só obtinham retorno cerca de ano e meio depois”, prossegue Semedo de Matos.

Mas o rei e o grupo messianista resolveu ser proativo. O historiador José Pissarra, por seu lado, vê, também, o dedo de Afonso de Albuquerque como contribuinte para o “Regimento” depois de ter participado na armada de Pedro Álvares Cabral e nas seguintes e regressado em julho de 1504 a Lisboa. Em finais de 1504, elaborou-se uma espécie de guião de 110 páginas, um longo “Regimento de capitão-mor”, com 144 pontos a prosseguir durante três anos e que foram dados como missão ao primeiro vice-rei da Índia, Francisco de Almeida, que partiu em março de 1505. O regimento recebeu, depois, cartas régias com aditamentos. “Esse regimento era estruturante do que seria o futuro Estado Português da Índia e continha um conjunto de ordens e regras que visavam esse domínio. Nesse sentido, é uma peça de geoestratégia, como diríamos hoje”, conclui Semedo de Matos.

UMA REDE NA “FRALDA DO MAR”

O “Regimento” e os seus aditamentos, além de um plano de fortalezas em portos e ilhas pela costa africana oriental e na Índia, avançavam com muitos desígnios, uns que se concretizariam, outros que morreriam na praia. O primeiro era o plano do Mar Roxo (Vermelho) e o controlo da sua embocadura que projetava voos mais altos em direção ao controlo dos centros religiosos muçulmanos na Península Arábica (Meca e Medina), conquistar o Sinai e eventualmente o Cairo dominado então pelo sultanato mameluco. Depois, um plano de patrulha permanente ao longo da costa oriental africana até ao cabo Guardafui (hoje na Somália) que, mais tarde, seria reforçado com duas armadas permanentes, acrescentando o controlo marítimo desde o Malabar (costa sudoeste da Península Indiana) até Ceilão. Seguia-se a expedição a Malaca face a rumores de que os espanhóis pretendiam chegar a esse estreito vindos do Pacífico, e avançar para tomar posse das Ilhas das Especiarias, que, também, estariam na mira de Espanha. Chegava mesmo a colocar no mapa a China — a Catayo de “As Viagens”, de Marco Polo — em busca da porcelana, do almíscar, do âmbar e do lenho-alóis.

Em síntese, o que se pretendia era uma rede na “fralda do mar”, parafraseando o padre jesuíta Francisco de Monclaro, mais tarde, por volta da década de 1570. “Era um projeto de estratégia marítima, que é diferente da estratégia terrestre, que envolvia o controlo das rotas e do que hoje chamamos chokepoints — pontos de estrangulamento, gargalos marítimos —, como era o caso dos estreitos marítimos”, acrescenta Semedo de Matos.

O historiador insiste em criticar um erro, que os portugueses à época não cometeram: “A estratégia do uso do mar não tem as mesmas condições de elaboração e pensamento que tem a estratégia de domínio de espaços continentais. E isto nem sempre é evidente. Há muitos ‘especialistas’ a tratar o mar como se fosse uma imensa planície onde em vez de carros de combate andam navios. Mas não é assim. O mesmo se aplica aos estreitos, que uns veem como uma passagem de terra para terra e outros como o corredor por onde circulam navios.”

A CONEXÃO PRECOCE ENTRE MÉDIO E EXTREMO ORIENTE

Com essa rede de controlo de estreitos e dos mares do Golfo Pérsico à entrada do Pacífico, os portugueses concretizaram a primeira conexão marítima estruturada precoce, dominada por uma potência, entre o Médio e o Extremo Oriente, que, à época, não tinham essas designações.

Essas caracterizações só apareceram no final do século XIX e no começo do seguinte. “Numa primeira fase, nos anos 1840 a 1890, o Oriente foi pensado pelos europeus como dividido apenas em dois: Oriente e Extremo Oriente. Só, numa segunda fase, desde os anos 90 do século XIX, começaram a aparecer três orientes: Próximo, Médio e Extremo”, refere o historiador italiano Alessandro Vanoli no livro “A Invenção do Ocidente”, publicado em Itália há dois anos, e agora traduzido pelas Edições 70. A designação Extremo Oriente tornou-se popular aquando da corrida das potências europeias, dos Estados Unidos e do Japão ao domínio da China costeira a partir das Guerras do Ópio e da Guerra Sino-Japonesa. O conceito de Médio Oriente chegou à ribalta com o historiador militar norte-americano Alfred Thayer Mahan num artigo publicado em setembro de 1902 na revista londrina “National Review”: “O Golfo Pérsico e as Relações Internacionais”. Ele pretendia usar a expressão no sentido geoestratégico de um espaço marítimo entre o Golfo Pérsico e a Índia. O que caía como uma luva nos desígnios do império britânico para a região.

Os primeiros a dar consistência a esse espaço geoestratégico foram os portugueses. E, na vanguarda desse desígnio, o que o historiador Luís Filipe Thomaz cognomina como “o representante do imperialismo puro e duro, Afonso de Albuquerque”.

ORMUZ, A PEDRA PRECIOSA

Com o título de capitão-mor da costa da Arábia, Afonso de Albuquerque tentou a conquista da ilha e do reino de Ormuz em 1507. A ilha era cantada como “a pedra preciosa” do estreito. Com a conquista de portos na atual região de Omã, como Curiate e Mascate, Albuquerque cortou os fornecimentos de água a Ormuz. “Mas a aventura foi de pouca dura, pois os seus próprios capitães o abandonaram, refugiando-se junto do vice-rei (Francisco de Almeida, que se opunha aos planos maximalistas da corte e de Albuquerque)”, refere Luís Filipe Thomaz em “A Expansão Portuguesa — Um prisma de muitas faces”.

O regresso à “pedra preciosa” deu-se em 1508, mas Albuquerque acabou por largar Ormuz pela segunda vez. Mas há terceira foi de vez, com uma armada de 28 barcos. Em fevereiro de 1515, levou o monarca local adolescente a um balcão do palácio e mostrou-o à multidão que andava agitada. E, assim, nasceu, entre folguedos e festins de rua, o protetorado português de Ormuz. Também seria a última viagem de Albuquerque que morreria no regresso ao largo de Goa.

A guarnição portuguesa de Ormuz rendeu-se a uma coligação entre os persas e a Companhia Inglesa das Índias Orientais (East India Company, ou EIC no acrónimo) em 1622, durante a dinastia filipina em Portugal, ao fim de mais de um século de controlo da pedra preciosa do Pérsico.

MALACA, O OLHO DO SOL

Em 1511, Albuquerque partiu para mais longe, em busca de capturar o porto de Malaca e controlar o estreito. Os chineses chamavam-lhe “o olho do Sol”, desde as navegações do almirante chinês Zheng He que partindo de Nanquim com a sua Frota do Tesouro foram até o Sudeste Asiático, a Índia, a Península Arábica e a costa oriental de África. O almirante chinês utilizou Malaca como um ponto de apoio logístico crucial, oferecendo proteção aos habitantes locais contra piratas e facilitando o comércio na região. Malaca tinha mais habitantes do que Lisboa, com gente que falava mais de oitenta idiomas.

O porto era considerado uma das pontas de um triângulo estratégico que ligava o comércio entre a Arábia, Índia e o Extremo Oriente, nomeadamente as Ilhas das Especiarias e a China. Albuquerque decidiu assaltar a cidade em julho e o sultão local acabou por fugir. Parte dos comerciantes de Malaca decidiu virar-se para os portugueses. Estabeleceu-se uma armada permanente, “contudo, os efetivos eram escassos, pouco mais do que as sobras da Índia”, sublinha-nos José Virgílio Pissarra.

Mas a dinâmica portuguesa era já dominada por outra realidade: “O grosso da presença portuguesa na região era constituído por aventureiros privados que a partir de Malaca enxameavam os mares da China e do Oriente: mercadores, piratas, contrabandistas, mercenários. O seu retrato foi feito, com grande mestria, na “Peregrinação” — o grande relato literário de Fernão Mendes Pinto nos seus 21 anos de viagens nas ‘partes Orientais’” —, acrescenta Pissarra.

Este perfil, que já se notava na Índia, tornou-se mais notório a leste de Malaca. “A rede comercial portuguesa nos mares da Indonésia, da China, e, mais tarde, do Japão, foi estabelecida e consolidada por mercadores portugueses, muito deles até ‘asiatizados’, casados com mulheres locais e com filhos que tinham acesso a duas culturas e duas línguas”, refere, por seu lado, Jorge Semedo de Matos. Os problemas das monções naquela parte do globo traziam uma dificuldade “que fazia com que o mundo português além-Malaca saísse completamente do controlo régio ou do governo na Índia”, diz o historiador. O “formigueiro de navios” que por ali circulavam eram de privados portugueses ou mesmo de alguns capitães de Malaca agindo por conta própria “que descobriram muito depressa que era muito mais rentável, fácil e seguro comprar pimenta em Samatra e Java para ir vender à China, do que trazê-la para a Índia para ser embarcada para Lisboa pela Rota do Cabo”, acrescenta Semedo de Matos.

As duas faces do que ficou conhecido como “comércio de Índia em Índia” tornava-se clara: a parte controlada pela Rota do Cabo e pelas receitas das alfândegas régias em Ormuz, Goa e Malaca, e o “império sombra” paralelo do mundo privado. “Esse dito comércio de Índia em Índia foi o garante da liquidez das contas do Estado da Índia, até à perda de Ormuz, mas não gerava lucros que fossem transferidos para a Europa. No entanto, esse comércio era igualmente o sustentáculo do carregamento das naus da Índia com os mais variados produtos, desde as especiarias, aos diamantes e pedras preciosas, tapetes do Irão, cauris das Maldivas, porcelanas e sedas da China, depois lacas do Japão, ou ainda inúmeras obras de arte, especialmente arte sacra em marfim. A Casa da Índia geria os negócios, mas boa parte dos lucros eram consumidos com a organização de novas armadas”, destaca João Paulo Oliveira e Costa.

Nos cinco meses que Albuquerque ficou por Malaca decidiu estabelecer missões diplomáticas nas redondezas, com o Sião (Tailândia), Pegu (hoje Bago, no sul de Myanmar), Java (Indonésia) e Campar (na Malásia). A partir de Malaca, o “Leão dos Mares” ordenou expedições até às Molucas e a Banda (as Ilhas das Especiarias, da noz-moscada e do cravo-da-índia) na atual Indonésia, e ao rio das Pérolas em Cantão, no sul da China. Albuquerque, na sua partida de Malaca, deixou uma fortaleza que denominou “A Formosa”, e cujas ruínas ainda hoje são visitadas por turistas. Mas o azar bateu-lhe à porta no alto-mar. O navio onde ia, o “Frol de la Mar”, quebrou-se e os tesouros saqueados da cidade foram engolidos pelo naufrágio. No entanto, Albuquerque conseguiu chegar são e salvo a Cochim, na Índia. Parecia ter sete vidas.

Os holandeses conquistam Malaca em 1641, no início da dinastia de Bragança. Depois da queda da cidade, os portugueses mudaram-se de bagagens para Macau, que se tornou “sucessora de Malaca como sede da rede comercial marítima portuguesa” no Extremo Oriente, frisa Semedo de Matos.

O AZAR DAS ESCADAS QUE SE PARTIRAM EM ÁDEN

A última peça do roteiro de Albuquerque seria um desastre. O objetivo era Áden, à entrada do Mar Vermelho, um porto no atual sul do Iémen, que é hoje a capital de facto do Governo iemenita reconhecido internacionalmente, a menos de 200 km do estreito de Bab el-Mandeb. O controlo deste porto não visava só bloquear o estreito mais acima, como abrir o caminho para um megaprojeto manuelino de ocupar Judá, Meca e Medina, construir um canal que atravessasse a Etiópia até ao Mar Vermelho, a fim de desviar o curso do Nilo e secar o Egito, chantagear os mamelucos que mandavam no Cairo e trocar a captura da Caaba em Meca pelos lugares cristãos da Palestina, libertando Jerusalém, nas mãos do império otomano.

Contudo, tudo ruiu em 1513. A lenda posta a circular pelo seu filho Brás, autor de uma coletânea de cartas do governador, é que a culpa foi das escadas curtas e frágeis de assalto que se abateram sob o tropel caótico dos portugueses quando tentaram transpor as muralhas de Áden. Só no final de uma longa carta que escreveu ao rei, já de Cananor, em dezembro de 1513, Albuquerque reconhece que houve um erro operacional: “se tivera visto Áden que o não cometera por onde escalámos”. E passa a expor uma alternativa, a partir do porto “de terra preta” de Hujufu, que recomenda para a próxima operação.

O sucessor de Afonso de Albuquerque como governador da Índia ainda regressou ao Mar Vermelho em 1517, mas não seguiu a sugestão do antecessor, e marchou com a maior armada portuguesa de sempre vista no Índico para outro destino. O objetivo de Lopo Soares de Albergaria era o porto de Jedá, a meio do Mar Vermelho. Mas a maior armada de sempre estava minada por diversos problemas de abastecimento, fruto da ganância dos capitães e intermediários a bordo, que preferiram ocupar espaço para carregar especiarias para vender pelo caminho, mas não conseguiram. Jedá era guardado por uma armada comandada pelo almirante turco Salman Reis, incumbido pelo sultão otomano Selim I de controlar o Mar Vermelho. Uma surpresa esperava Lopo: descobriu que o canal para entrada no porto era muito estreito e pouco profundo e deu ordens de retirada. No caminho de regresso a Cochim, na Índia, ainda tentou realizar um acordo com o emir de Áden, que lhe disse não. O historiador da época João de Barros em “Décadas da Ásia” faz o epitáfio desta operação: “Foi a mais triste e miserável tragédia, pois nem antes nem depois se viu algo assim, uma enorme armada se desfazer sem combater, sob o efeito de tantas grandes desgraças.”

Contudo, o problema estrutural era outro. Como disse o historiador Jean Aubin, as operações de Áden e depois de Jedá tocaram “os limites dos meios de Portugal na Índia”. O império otomano começara a olhar para o que chamamos hoje Médio Oriente e para o Índico. “O centro do mundo muçulmano fora sempre a Ásia. E o oceano Índico fora sempre o seu mar. Por isso, quando os turcos otomanos se expandiram para o sul, era natural que fossem eles a tentar controlar essas rotas”, sublinha Alessandro Vanoli em “A Invenção do Ocidente”. Os otomanos acabariam por capturar o Egito e a Arábia e dominar o Mar Vermelho garantindo uma alternativa à Rota do Cabo. Mas o processo foi demorado. Só ocuparam Áden em 1538 e grande parte do Iémen em 1547. As tentativas de conquista aos portugueses de Diu em 1536 e de Ormuz em 1544 falhariam. A projeção otomana ficou limitada. Fazendo o balanço, Luís Filipe Thomaz, em “De Ceuta a Timor”, considerou que “puderam as rotas do Cabo e do Mar Roxo coexistir em paralelo durante todo o século XVI, sem que qualquer uma delas conseguisse decisivamente preponderar sobre a rival”.

La vraie sagesse

 

Edgar Morin
Edgar Morin
La vraie sagesse, c'est de réguler la passion par la raison, et ne pas recommencer les mêmes erreurs que l'on a faites.

Edgar Morin - 1921-2026

 

Edgar Morin, que trazia o humano no olhar, morreu ontem. Um pensador da lucidez, que tanta falta faz ao mundo actual.

Je sens présente en moi l'humanité dont je fais partie. Non seulement, je suis une petite partie dans le tout, mais le tout est à l'intérieur de moi-même. C'est peut-être cela qui me donne l'énergie de continuer sur la voie qui est la mienne. Et à un moment donné, sans que vous ne sachiez pourquoi, c'est comme une catalyse, quelque chose qui se passe, se transforme, bascule... C'est cela l'espoir.

May 29, 2026

Se Trump quisesse já tinha acabado com a guerra na Ucrânia

 



Resumo da guerra na Ucrânia: Zelenskyy insta Washington a eliminar a «última grande vantagem» de Putin

Os «Patriots» neutralizariam os mísseis balísticos e forçariam a Rússia a negociar, afirma o presidente ucraniano; meio milhão de mortos russos – segundo o chefe do GCHQ. O que sabemos no dia 1 555

Warren Murray 

Volodymyr Zelenskyy fez um apelo simultâneo a Donald Trump e ao Congresso dos EUA para o envio de mais munições de defesa antiaérea, incluindo mísseis Patriot, depois de a Rússia ter bombardeado a Ucrânia com vagas de mísseis balísticos. 

O presidente ucraniano afirmou que os mísseis russos representam a “última grande vantagem no campo de batalha” de Vladimir Putin e que neutralizá-los obrigaria o líder russo a negociar. Segundo a força aérea ucraniana, a Rússia utilizou 30 mísseis balísticos contra a Ucrânia num ataque massivo no domingo, tendo apenas 11 sido abatidos. Zelenskyy afirmou ainda que Moscovo lançou dois mísseis Oreshnik com capacidade nuclear.

O único meio de que a Ucrânia dispõe para abater mísseis balísticos russos são os interceptores fabricados nos EUA utilizados pelo sistema de defesa anti-aérea Patriot. Ao longo de quatro anos de guerra, Kyiv tem sofrido escassez destes interceptores. Os EUA deveriam fornecê-los através da iniciativa Purl, financiada pela Europa, mas a guerra com o Irão e a antipatia de Donald Trump em relação à Ucrânia colocaram os fornecimentos em risco. A Ucrânia dispõe também do sistema de intercepção SAMP/T, semelhante ao Patriot e produzido por França e Itália, mas as autoridades ucranianas afirmam que necessita de melhorias para conseguir abater mísseis balísticos.

Na carta enviada a Trump e ao Congresso norte-americano, consultada pela Reuters, Zelenskyy apresentou a defesa anti-míssil como um instrumento para forçar o presidente russo a sentar-se à mesa das negociações. 
“Enquanto Putin conservar sequer uma vantagem significativa em armamento convencional, evitará a diplomacia convencional. Hoje, os seus mísseis balísticos continuam a ser precisamente isso — a sua última grande vantagem no campo de batalha… A Ucrânia está pronta para adquirir o número de sistemas Patriot e de mísseis interceptores de que necessita… O ritmo actual das entregas através do programa Purl já não acompanha a realidade da ameaça que enfrentamos.”
O Ministério da Defesa russo voltou a anunciar a captura de aldeias ucranianas numa altura em que analistas de topo concordam que a Ucrânia mantém a iniciativa na linha da frente. 

Moscovo afirmou que as suas tropas assumiram o controlo de Hraniv, na região de Kharkiv junto à fronteira russa, e de Vozdvyzhivka, em Zaporizhzhia. O 14.º Exército ucraniano respondeu que Hraniv continua sob controlo ucraniano e que os russos sofreram “perdas significativas em pessoal e equipamento”. 

O DeepState, um respeitado blogue ucraniano sobre a guerra, afirmou que militares russos chegaram a entrar brevemente em Vozdvyzhivka este mês, mas foram expulsos ou mortos. O 14.º Exército negou igualmente a captura de uma das duas aldeias que a Rússia afirmou ter conquistado na região de Sumy.

A Ucrânia dispõe de uma janela de seis meses para recuperar a iniciativa face à Rússia e reforçar a sua posição para futuras negociações de paz, afirmou o brigadeiro-general Andriy Biletsky, do Terceiro Corpo do Exército ucraniano, numa entrevista à Reuters. “Acredito que os próximos seis a nove meses serão um ponto de viragem”, declarou Biletsky, que lidera uma das forças de combate mais respeitadas da Ucrânia, a partir de um bunker não revelado na região de Kharkiv. “Mais precisamente, penso que os próximos seis meses são os mais críticos.”

O general afirmou acreditar que o exército russo está exausto e incapaz de alcançar grandes avanços: “A falta de pessoal já não lhes permite avançar da forma como avançavam, por exemplo, há um ano.” Segundo ele, as forças ucranianas podem obrigar Moscovo a abandonar os seus objectivos sobre a parte restante da região de Donetsk, no leste da Ucrânia, que ainda não controla. “Precisamos de definir as direcções onde podemos melhorar as nossas posições, conquistar alguns pontos estratégicos e depois falar com os russos a partir de uma posição de força — e não de fraqueza — acerca de uma trégua verdadeiramente estável”, afirmou Biletsky, dirigente político de direita que fundou o Batalhão Azov e actualmente comanda dezenas de milhares de soldados. “Do ponto de vista militar, isso é realista.”

Ao avaliar a situação militar, John Helin, do grupo finlandês de análise de conflitos Black Bird, concordou que a fadiga constitui um problema para as forças russas, enquanto o esforço de guerra ucraniano continua limitado pela falta de efectivos. “Parece que, quatro ou cinco meses depois do início deste ano, é muito mais provável que os russos se esgotem antes de os problemas da Ucrânia atingirem um ponto de ruptura”, declarou Helin à Reuters. Na segunda-feira, o Instituto para o Estudo da Guerra, sediado nos EUA, afirmou que as forças de Kyiv estão agora “a desafiar activamente o carácter posicional da guerra” e poderão em breve ser capazes de lançar ofensivas mecanizadas limitadas.

Quase meio milhão de soldados russos morreram na Ucrânia desde o início da invasão lançada por Vladimir Putin há mais de quatro anos, segundo uma nova estimativa de Anne Keast-Butler, directora da agência britânica de inteligência electrónica GCHQ. Keast-Butler afirmou que a Rússia está “a recuar no campo de batalha” na Ucrânia pela primeira vez desde o final de 2022, escreve Dan Sabbagh. As baixas russas — mortos e feridos — têm sido estimadas pelo Ocidente em cerca de 30 mil por mês durante Abril. Este mês, Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano, afirmou que entre 15 mil e 20 mil desses soldados morrem mensalmente.

O porto de Sebastopol, na Crimeia ocupada pela Rússia, foi atacado por mais de 20 drones ucranianos na madrugada de quarta-feira, tendo a Ucrânia utilizado também mísseis Storm Shadow, segundo o governador da cidade, Mikhail Razvozhayev. Acrescentou que vários edifícios, incluindo um escritório regional do banco central, sofreram danos. 

O Storm Shadow, produzido por França e Reino Unido, é o míssil de cruzeiro de fabrico ocidental mais avançado disponível para a Ucrânia e tem aparecido com maior frequência no campo de batalha. Na segunda-feira, as forças armadas ucranianas afirmaram ter utilizado mísseis Storm Shadow para destruir um posto russo de comando, controlo e comunicações em território controlado pela Rússia na região oriental de Luhansk.

Diário de bordo

 

Passei a manhã a corrigir testes e a tarde a fazer umas fichas de trabalho para os alunos não terem só uma avaliação este período. Fiz 80 questões de escolha múltipla. 80!! Isto é porque tenho uma turma indescritível como só me lembro de ter tido outra do género aí há uns15 anos (fartei-me de desabafar dessoutra no outro blog) e é preciso ter versão 1, 2 e 3 para aquela gente. Mais duas versões para a outra turma e mais umas questões para desenvolver. Depois já não tive energia para reescrever os critérios de correção todos como deve ser e atirei-os para o ChatGPT e mandei-o refazê-los em duas folhas, tudo arrumadinho. Que trabalheira...


Acerca da justiça retributiva

 

A punição dos prevaricadores tem que ver com o facto de sermos uma sociedade de seres humanos livres onde cada um tem direito a construir o seu projecto de vida, dentro dos limites da lei. 

Para que tal seja possível é necessário que a sociedade seja justa e se oriente para a justiça. Numa sociedade onde não há justiça não é possível garantir a liberdade fundamental sem a qual não é possível construirmos um projecto de vida, a não ser por acaso e sorte.

A justiça retributiva, aplicada pelo sistema judiciário, aplica penas de punição adequadas aos crimes cometidos e o seu objectivo é a justiça e não o condenado perceber a pena ou estar com remorso. O remorso conta a seu favor como factor atenuante da culpa mas não justifica o crime ou a sua desculpação sem mais, pois isso seria uma escolha racional de injustiçar as suas vítimas, o que põe em causa o próprio conceito de sociedade democrática, justa, de seres humanos considerados livres. 

Isto vem a próximo de o MP e muita gente considerar que, como Salgado está doente e talvez não se lembre dos crimes, não vale a pena prendê-lo e basta a condenação moral. Este é o mesmo argumento que, pela Europa fora, tem sido usado para deixar em liberdade milhares de violadores islamitas. Os juízes dizem que eles não percebem que têm culpa porque na cultura deles as mulheres não valem nada e podem ser usadas sexualmente como objectos sem autonomia moral.

É com este argumento que se impõe a injustiça e a privação de liberdade a centenas de milhar de raparigas de vítimas de violação. Não apenas têm a vida estragada, a humilhação pública em tribunal (hoje-em-dia com imagens divulgadas desse acontecimento a perseguirem-nas para o resto da vida) como também a cumplicidade do sistema judiciário com os criminosos. Sempre com os argumento que vêem de culturas 'com valores diferentes' e que as razões que apresentam são tão miseráveis que devem ter alguma deficiência mental.

A pena não existe para o criminoso perceber, ou para termos pena dele, mas para que a justiça se cumpra. Ora, não é possível cumprir-se a justiça se damos prioridade ao conforto do criminoso e aceitamos a injustiça a que se condena a vítima. Todos vemos e percebemos, em cada caso que é uma injustiça e, a cada injustiça, perdemos mais um pouco a confiança na instituição responsável por assegurar a nossa liberdade, da qual depende a nossa vida.

Aqui na Europa construímos, a custo, uma sociedade orientada para a justiça, baseada no valor da liberdade de cada ser humano. Que haja culturas teocráticas ou de ditadura militar, etc., onde as pessoas não têm direito a voz própria nem a um projecto de vida próprio, pois pertencem -literalmente- a um chefe, a uma cúpula religiosa, a um ditador, que têm sobre eles poder de vida e de morte e que fomentam a injustiça para reinarem pelo medo e pela opressão, não deve afectar-nos. Quer dizer, não podemos deixar que estas culturas e os homens particulares que para aqui vêm imigrados dessas culturas, infectar-nos com esse vírus de morte e decadência. 

Porém, os líderes desta Europa estão tomados pela ideologia de culturas onde não há liberdade, nem justiça, nem vida e estão, há umas dezenas de anos, a destruir as bases da nossa sociedade, que tanto custou a construir e está longe de estar conseguida.

Deixar criminosos sem punição não é compaixão, é legitimação da desresponsabilização individual. Salgado foi julgado pelos crimes que cometeu e não pela doença que tem. Condená-lo apenas moralmente e não, de facto, a uma pena jurídica, é uma injustiça que se faz a toda a sociedade que pagou e continua a pagar pelos seus crimes. Ele foi sempre um criminoso sem remorso. Nunca admitiu que tinha culpa, nunca teve compaixão pelas pessoas a quem tudo roubou. Se ele não sabe porque está na cadeia, digam-lhe de cada vez que perguntar. Não há nisto nenhum crueldade. Há justiça.

Deixar criminosos sem punição promove a injustiça, logo, corrompe, aos poucos, o direito de liberdade individual que está na base das nossas democracias, logo, regride-nos a uma fase anterior de sociedade, onde não havia justiça, havia privilégio.

Olhe-se para o que se passa nos EUA onde os prevaricadores são postos em liberdade e onde criminosos ocupam os mais altos cargos do país. O que está a acontecer àquela sociedade? A justiça regrediu a concessão de privilégios. Uma regressão que, em grande parte, acontece pela ausência de justiça retributiva.

Controlo e doutrinação na educação

 


Esta semana recebi um email de uma editora com uma proposta de teste interactivo (tipo quizz)para os alunos treinarem. Abri o ficheiro e fui fazer o teste para ver do que se tratava. O teste era sobre valores, nomeadamente, as posições relativas à questão da verdade dos valores: o objectivismo, que considera haver valores objectivos universais, o relativismo cultural, que considera que os valores são legitimados pela cultura e todas são válidas e o subjetivismo que considera que a verdade dos valores vem dos sentimentos e desejos pessoais.

À medida que ia fazendo o teste ia reparando que algumas alternativas de resposta em algumas questões eram claramente ideologicamente tendenciosas, como por exemplo, dizer que o relativismo dos valores era o único que permitia divergências genuínas morais. Como calculei, quando fui ver as respostas certas, as alternativas correctas são as que promovem o relativismo cultural, ou seja, a ideia de que os valores, dado que radicam em culturas diferentes, são todos equivalentes.

É por estas e por outras que não gosto dos materiais digitais interactivos que as editoras fazem para os alunos estudarem sozinhos e ainda gosto menos daquelas editoras que promovem os alunos falarem directamente com os autores dos manuais para tirar dúvidas dos manuais, como se a disciplina de filosofia tivesse como objectivo decorar o manual ou trabalhasse os temas seguindo as páginas do manual e como se os seus autores fossem os professores.

E o que dizer das editoras que trazem um caderno com resumos da matéria para o aluno não ter que aprender coisa alguma e muito menos pensar?

Começo a sentir que estou a mais nesta nova educação endoutrinadora e miserabilista - sempre houve tentativas de endoutrinação, mas miserabilismo? Não. Não sou a única. Converso com outros colegas que levam a educação a sério e leccionam há dezenas de anos e também eles dizem que já começam a sentir que estão a mais nesta nova educação que aspira à mediocridade certificada como meta educativa.


May 28, 2026

A long, long time ago when the US was the leader of the free world

 

Ancient history.


Os tempos mudaram ou os filmes eram maus?

 


Fui dar a um canal de TV que está a passar uma série dos anos 90 chamada ER (Emergency Room), uma espécie de The Pitt dquela época. Um pediatra atende um rapaz de 15 anos que lá vai parar e descobre que ele tem, muito provavelmente, SIDA. O rapaz é um prostituto e o médico diz-lhe que ele não pode continuar a fazer sexo, sobretudo desprotegido porque vai infectar outros. O miúdo diz que tem de sustentar-se e que os clientes não querem que use preservativos. Ok, então. E o rapaz vai embora. Isto era o procedimento padrão na época? Deixar alguém ir infectar outros sem avisar alguém, a polícia, sei lá. Os tempos mudaram ou a série não prestava?

Agora estou a ver a audição do Procurador Geral da República sobre o relatório da inspeção ao DCIAP

 

Há falta de magistrados, de juízes e de oficiais de justiça às centenas, há crimes com taxa de resolução baixíssima, como os crimes de colarinho branco, por exemplo. A quantidade de projectos parados há anos, é mato. O aumento de comunicações de crime recebidas em certas áreas subiu 800%. Falta de recursos humanos em todo o lado.

A IL mostra o aumento estratosféricos dos inquéritos-crime pendentes. Fala do DCIAP. Passam de 600 casos (já não sei de quê) para 14 mil em três ou quatro anos. Não há espaço para pôr os documentos dos processos. Há sítios onde estão espalhados por corredores, parapeitos das janelas e tudo quanto é buraco. Não têm objectos de inquirição de testemunhas. Um caos... nem sei como resolvem qualquer coisa. As plataformas digitais têm falhas grandes e nem sequer reunem todos os dados de um processo. Falta de especialistas, falta de formação contínua dos magistrados.

O DCIAP está há mais de uma década sem regulamento interno!!! What?? Ninguém sabe quem faz o quê, quando e como....

Em 2025 estavam a digitalizar documentos de processos de 2021!

Paulo Muacho, um deputado do Livre por Setúbal(!!), sendo que é um tipo de Portalegre (isto é um anacronismo da AR que ninguém quer resolver), usou o tempo para ser porta-voz do senhor juiz que se queixa de ser vítima de perseguição por ser um defensor do pantomineiro-mor do reino.

Fiquei com boa impressão do PGR.


Estive a ver a interpelação ao governo sobre a reforma laboral

 

O governo tem razão quando diz que temos uma das legislações mais rígidas da Europa e que a flexibilização ajuda na competitividade. O que não diz é que nesses países onde há muita flexibilidade nos contratos de trabalho, há uma rede de segurança social extremamente robusta e eficaz que apoia os trabalhadores quando ficam desempregados, durante bastante tempo. Se não querem ter bons serviços públicos de segurança social não podem querer ter trabalhadores em situação completamente instável e precária.


Escrita cursiva e aprendizagem

 



Um estudo publicado em janeiro de 2024 na revista científica «Frontiers in Psychology» analisou algo que a maioria dos investigadores na área da educação não tinha examinado com atenção: não apenas quais as regiões cerebrais que se ativam durante a escrita, mas também como essas regiões comunicam entre si em tempo real.

Os investigadores F. R. (Ruud) Van der Weel e a professora Audrey L. H. Van der Meer, da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia em Trondheim, recolheram dados de EEG de 36 estudantes universitários utilizando um conjunto de sensores de 256 canais — uma das ferramentas de imagem cerebral mais detalhadas disponíveis fora de uma ressonância magnética. As palavras apareciam num ecrã. Por vezes, os estudantes escreviam-nas à mão utilizando uma caneta digital num ecrã táctil; outras vezes, digitavam-nas num teclado. 

Os investigadores analisaram então não apenas quais as regiões que se activavam, mas também a extensão com que se conectavam entre si durante cada intervalo de cinco segundos. The Times of Israel

«Demonstramos que, ao escrever à mão, os padrões de conectividade cerebral são muito mais elaborados do que ao digitar num teclado», afirmou van der Meer. «Sabe-se que essa conectividade cerebral generalizada é crucial para a formação da memória e para a codificação de novas informações e, portanto, é benéfica para a aprendizagem.» 

Quando os alunos escreviam à mão, a actividade coordenada espalhava-se por regiões associadas ao movimento, à visão, à integração sensorial e à formação da memória — trabalhando em conjunto simultaneamente. Quando os mesmos alunos digitavam num teclado a mesma palavra, esse padrão coordenado estava praticamente ausente.

The Investigative

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Isto é só rir...





O Ministério Público defendeu esta terça feira um cúmulo jurídico de entre 10 e 11 anos de prisão para Ricardo Salgado e que o cumprimento da pena deverá ser suspenso face à doença de Alzheimer do ex-banqueiro.

Rui Batista sublinhou que “a decisão mais importante que o tribunal terá de tomar tem a ver com a suspensão ou não da execução da pena”, defendendo que o tribunal deverá optar pela suspensão da execução da pena aplicada ao ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES) face ao relatório pericial conhecido na semana passada e que indica que Ricardo Salgado está incapaz de compreender o cumprimento de uma pena de prisão.

"Seria um ato inútil sujeitar a uma pena alguém que não a entende", acrescentou o procurador do Ministério Público.

Expresso
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Salgado vai descansar para casa porque não entende a pena. Essa é boa! Ele não entende mas entendemo-la nós, que somos os injustiçados. Sócrates também não entende que queiram condená-lo. Devemos também
livrá-lo de penas, dado que ele não as percebe? A justiça e a punição devem, ou não, contribuir para uma sociedade justa? Pode uma punição que injustiça as vítimas contribuir para uma sociedade justa? Pode? Ao fim de 10 ou 15 anos ou lá o que é, nós todos pagámos (e ainda pagamos) a subtracção de biliões ao erário público e os prevaricadores estão em casa a gozar dos bens subtraídos. 

Era a isto que Aguiar-Branco se referia quando falava em excesso de escrutínio?

 

Megaoperação da Judiciária visa autarquias socialistas, sede do PS alvo de buscas

No centro de investigação a ajustes directos estão ex-presidente da junta Miguel Coelho e assessor Duarte Moral, que está entre os cinco detidos. Em causa estão contratos no valor de dois milhões.

Público


Não somos islamofóbicos por não querermos isto na nossa terra

 

Antuérpia. Putos da escola assediam raparigas no autocarro por não estarem cobertas com hijabs e terem pele à mostra.