May 09, 2026

O quê? Já acabou?

 

Na horinha que durou ir ao mercado e voltar a parada de Putler começou e acabou e já ele está de volta no bunker.


Ainda havemos de ver os comunistas portugueses em Fátima, de joelhos, a rezar à virgem

 


Vejamos: 

- têm adoração pelo lugar da aparição: a Rússia. Apesar da Rússia de hoje não ser já comunista e de o seu líder desprezar e odiar o comunismo e praticar o capitalismo oligárquico e canibal, os comunistas portugueses, crentes dogmáticos ao modo de Fátima, mantêm-lhe lealdade porque é ele que percorre os corredores dos palácios da Terra Santa;
- adoram os três pastorinhos e vivem pela palavra dos santos do seu Evangelho: Marx, Engels, Lenine; acrescentaram-lhe um santo, Estaline;
- nas datas sagradas recordam os feitos da fundação do poder totalitário e lamentam o poder perdido como aqui a deputada Paula Santos. Dizer que a URSS trouxe coisas extraordinárias para o povo é logo abaixo de dizer que o nazismo de Hitler trouxe coisas extraordinárias para o povo. Não é tão mau mas é logo abaixo;
- vivem pela obediência aos líderes sagrados como qualquer monge numa ordem;
- têm palavras mágicas sagradas que repetem como orações religiosas: poder revolucionário, forças vivas, povo, proletariado;
- têm demónios e inferno: mercado, capitalistas, liberdade; 
- os comunistas que podem, fazem peregrinações periódicas à Terra Santa do totalitarismo. Cunhal fazias-as e levava oferendas ao Salvador - os documentos da nossa história que roubou dos arquivos da PIDE, para entregar no Santuário soviético (veja-se como Varoufakis foi recentemente à Rússia prestar vassalagem ao seu Salvador).

Sim, os comunistas são pessoas que necessitam de um poder superior sobrenatural a quem rezar e podíamos vê-los perfeitamente a rastejar no Santuário de Fátima.

Os comunistas portugueses são as beatas da política. Houve um tempo em que se envergonhavam de prestar culto ao totalitarismo soviético, mas agora que vivemos em tempos em que os líderes, por esse mundo fora, se orgulham de ser iliberais ou imperialistas, perderam o pudor de glorificar o sistema totalitário fascista que foi o regime soviético e mostram a sua verdadeira face.

Já há poucos comunistas no mundo. Nem mesmo aqueles países que ainda mantêm martelos e foices nas bandeiras e um simulacro de Politburo, como a China, pois fazem-no apenas para conservar, desse regime, o poder autoritário e arbitrário, porque na prática aderiram a um sistema de capitalismo de mercado. 

Paula Santos e os outros comunistas que se enxofram de cada vez que dizem o nome de Salazar, defendem um regime que matou, escravizou e torturou mais de 10 milhões de pessoas. 18 milhões de pessoas passaram pelas prisões dos Gulags. Só na era de Estaline, fora as matanças organizadas por Lenine e pelos que vieram depois de Estaline. E não conto com as matanças em países do Leste que esmagaram por imperialismo colonialista.

E estas pessoas anti-democráticas e defensoras de totalitarismos de opressão brutais e incivilizados estão no Parlamento a fazer as leis que nos governam. Na escala de fanatismo e defesa de fascismos estão muito para além do Chega.

Putler pedinchou a Tramp que pedinchasse a Zelensky que o deixasse fazer a parada 😁

 


E Zelensky autorizou em coordenadas espacio-temporais determinadas com precisão. (Espero que mantenham o fogo-de-artifício fora das coordenadas)




May 08, 2026

8 de Maio é o dia em que a Europa celebra o fim do nazismo germânico

 

Num futuro próximo haverá um dia para a Ucrânia (e a Europa) celebrarem o fim do imperialismo russo.

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Volodymyr Groysman

Mais de oito milhões de ucranianos foram mortos na Segunda Guerra Mundial, e em todas as famílias ucranianas há alguém que lutou contra os nazis, foi morto por eles ou salvou outras pessoas do inimigo.

Também há histórias assim na minha família. Uma delas é sobre a minha avó Roza, que nasceu na Roménia e que a guerra levou primeiro para Chernivtsi e, depois, para outras partes da Ucrânia. Era 1941. Ela tinha 20 anos e fugiu descalça dos nazis.

O inimigo alcançou um grupo de pessoas perto de Khotyn e trancou-as num edifício assustador. Todos os dias, os nazis matavam uma em cada cinco pessoas. Eles vinham e contavam em ordem aleatória — primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto… a quinta era levada para ser fuzilada.

Cada vez que contavam, a minha avó pensava: é agora, agora vou ser a quinta… Mas, de alguma forma, era a primeira, ou a segunda, ou a terceira.

Mais tarde, os prisioneiros foram levados para Vinnytsia, matando pelo caminho aqueles que estavam demasiado fracos para caminhar. A minha avó sobreviveu. Numa das aldeias do distrito de Bar, os residentes locais salvaram-na — esconderam-na e deram-lhe abrigo, arriscando as suas próprias vidas. Numa época em que o medo e a morte reinavam, havia pessoas que não tinham medo de continuar a ser humanas. Foi graças a elas que ela sobreviveu.

Fiquei a saber desta história já adulta — em parte quando vi um testemunho em vídeo da minha avó entre os sobreviventes do Holocausto, gravado por iniciativa da Fundação Shoah, criada por Steven Spielberg, e em parte pelo que os meus pais me contaram. Fiquei chocado, porque a minha avó nunca tinha falado sobre isso…

Naquela altura, acreditávamos que tais horrores nunca mais voltariam a acontecer. Nem sequer queríamos imaginar que o mal pudesse regressar à nossa terra. Que pudesse haver guerra novamente. Que homens e mulheres voltassem a pegar em armas, a apoiar as forças armadas e a defender as suas casas. Que civis — adultos e crianças — fossem mortos. Que cidades ucranianas fossem ocupadas ou reduzidas a ruínas.

Passaram-se oitenta e um anos.

E hoje, no Dia da Memória e da Vitória sobre o nazismo na Segunda Guerra Mundial, não estamos apenas a recordar aqueles que lutaram contra o mal naquela altura — estamos a viver numa época em que temos de enfrentar um novo inimigo.

Os nossos soldados carregam esta luta nos ombros todos os dias. Na sua resiliência, raiva e determinação reside uma grande força que nos dá a confiança de que vamos resistir. E que o que costumávamos ler nos livros de história sobre a expulsão dos nazis da Ucrânia voltará a acontecer na vida real — e se tornará parte da história do século XXI.

Para que possamos viver em paz, em liberdade, sem medo. Para que «nunca mais» signifique verdadeiramente: ninguém. nunca. mais.

Neste Dia da Memória e da Vitória sobre o nazismo, memória eterna a todos os que lutaram contra o mal e gratidão àqueles que defendem a vida hoje.


 

9 May? Drone Day

 

A exploração do cliente até ao tutano

 


Vigilância no corredor 5: o panóptico da loja de conveniência

O aparelho de vigilância já integrado no comércio retalhista físico está a ser reaproveitado para um fim mais sinistro: determinar quanto cada cliente irá pagar.

PROTON

Todos fazem compras. Ir ao supermercado é parte integrante da vida moderna, seja para comprar produtos de consumo diário, fazer compras em grande quantidade ou adquirir roupa nova.

As lojas têm vindo a integrar gradualmente toda uma gama de tecnologias de vigilância, sendo que a maior parte delas se centra na redução das perdas de stock devido a roubos. Mas, tal como vimos com a forma como os dados online recolhidos passivamente têm sido utilizados para construir impérios publicitários gigantescos, é improvável que isto se mantenha assim.

O aparelho de vigilância já incorporado no retalho físico está a ser reaproveitado para um fim mais sinistro: determinar quanto cada cliente individual irá pagar. Entra em cena a fixação de preços por vigilância, uma prática que utiliza um arsenal crescente de dados dos consumidores para definir preços personalizados no momento do pagamento.

Preços baseados na vigilância

A fixação de preços baseada na vigilância consiste na alteração rápida dos preços dos produtos pelas lojas com base em dados dos consumidores, incluindo a localização, o histórico de pesquisas na Internet e outros comportamentos, o que significa que os compradores pagam preços diferentes pelos mesmos artigos adquiridos aproximadamente na mesma altura. Através deste método (também designado por fixação de preços dinâmica), as empresas cobram efetivamente a cada pessoa o máximo que esta está disposta a pagar, aproveitando os dados disponíveis para determinar qual é esse valor.

A fixação de preços dinâmica tem sido utilizada por companhias aéreas, bem como por empresas como a Uber e fornecedores de energia, para tornar os produtos mais caros durante períodos em que a sua popularidade atinge picos, e menos caros quando estão a ser subutilizados. O nosso blogue «Preços de vigilância: como os seus dados determinam o que paga» é uma excelente introdução sobre como esta situação funciona e como ferramentas como uma VPN podem ser utilizadas para a contornar.

No caso dos supermercados, esta prática de alterar os preços é particularmente suscetível de ser vista como exploradora, uma vez que estas alterações afectam a capacidade das pessoas de aceder a alimentos a preços acessíveis. Mas, pergunto-me, como é possível alterar os preços tão rapidamente se todas as etiquetas nas prateleiras são pedaços de papel?

Etiquetas eletrónicas de prateleira

As etiquetas eletrónicas de prateleira (ESL) são visores digitais de preços que os retalhistas colocam na borda frontal das prateleiras das lojas, substituindo as tradicionais etiquetas de preço em papel. Estes sistemas utilizam ecrãs de papel eletrónico ou LCD ligados a um servidor informático central que atualiza automaticamente os preços em tempo real em toda a loja ou cadeia de retalho. 

Os retalhistas argumentam que as ESL oferecem benefícios operacionais e financeiros significativos. Reduzem os custos de mão de obra ao eliminar a necessidade de atualizações manuais de preços e melhoram a precisão dos preços através da sincronização directa com os sistemas de ponto de venda, reduzindo a perda de receitas resultante de artigos subvalorizados.

As ESLs também permitem a fixação dinâmica de preços de que se falou neste artigo, permitindo aos retalhistas variar os preços com base na procura, nos níveis de inventário, na concorrência e no prazo de validade dos produtos. Assim, a questão permanece: de onde vêm os dados utilizados para alterar os preços?

Como sabem quanto vai pagar

Como mencionado anteriormente, os sistemas de preços dinâmicos recorrem a uma vasta gama de dados dos consumidores para determinar o preço que cada comprador irá ver. Os retalhistas recolhem informações do histórico de navegação, do tipo de dispositivo, dos dados de localização, do código postal, da frequência de compras e das transações com cartões de fidelidade.

Eles analisam a actividade nas redes sociais e rastreiam sinais como o tempo que os clientes demoram a olhar para os artigos, se abandonam os carrinhos de compras e quais os dispositivos que utilizam. A partir destes dados, os algoritmos fazem inferências sobre os níveis de rendimento, necessidades alimentares, dimensão da família e proximidade de lojas concorrentes. Essencialmente, os sistemas prevêem a disposição de cada comprador para pagar, compilando um perfil detalhado a partir da sua pegada digital e comportamento de compra, e ajustam os preços em conformidade em tempo real.

Assim, numa loja teórica com ESLs e preços baseados na vigilância, as alterações nas prateleiras seriam assim:
chegas à frente daquela etiqueta eletrónica e ela identifica-te,
uma grande quantidade de dados é processada num período de tempo muito curto, e o preço muda para um nível que o sistema considera ser o máximo que possivelmente pagarás.
Parece distópico, certo? Alguns legisladores concordam.

Como evitar a fixação de preços por vigilância


Eis uma lista não exaustiva de medidas que pode tomar para, possivelmente, escapar ao panóptico das lojas de conveniência:

Deixe de lado o cartão de fidelidade. Evite inscrever-se ou utilizar programas de fidelidade de retalhistas, que alimentam os algoritmos de preços diretamente com dados de compras. Pague sem associar a sua identidade às compras.

Pague em dinheiro. O dinheiro físico não deixa rasto digital, tornando mais difícil para os retalhistas criarem um perfil detalhado dos seus padrões de compra e da sua disposição para pagar.

Desative os serviços de localização. Desative o rastreamento de localização no seu telemóvel antes de entrar na loja para impedir que os retalhistas saibam onde faz compras, com que frequência visita a loja ou se está perto de lojas concorrentes.

Evite aplicações de compras. Prefira as compras presenciais ou navegadores móveis em vez de aplicações de retalhistas, que recolhem muito mais dados pessoais e os transmitem diretamente às empresas.

Faça compras localmente e de forma hiperlocal. Dê prioridade a mercearias independentes, mercados de agricultores e pequenas lojas de bairro em vez de grandes cadeias. Estes retalhistas normalmente não dispõem da infraestrutura de dados sofisticada e dos sistemas algorítmicos de fixação de preços das grandes cadeias de supermercados.

Escolha retalhistas transparentes. Apoie e faça compras em supermercados que se tenham comprometido publicamente com práticas de preços justas e que tenham abandonado as táticas de preços baseadas na vigilância.

Defenda a regulamentação. Pressione para que seja aprovada legislação local e nacional que proíba ou limite rigorosamente os preços baseados na vigilância. Contacte os representantes eleitos e apoie as organizações que defendem uma maior proteção dos consumidores e requisitos de transparência de preços.

E da próxima vez que vir uma câmara de CCTV no seu centro comercial, não se esqueça de lhe acenar.

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A prática de cobrar o que pensam que a pessoa está disposta a pagar não é só do grande retalho. A semana passada fui a uma costureira e deixei lá uma saia para coser os bolsos. Há uns dias recebi uma sms a dizer que estava pronta: 28€!!! Fui lá buscar a saia, entrei com cara de caso, olhei o trabalho e disse que achava o preço muito caro para o trabalho realizado. Diz a senhora, 'mas quanto é que a minha colega lhe pediu?' 28€. Diz ela, 'ah não, que disparate, isso é engano. Oh não sei quantas, então disseste à senhora que eram 28€? Não, são 5€.' Paguei os 5€, ela pediu desculpa mas fiquei convencida que foi um esquema para ver se pegava e se pegasse passava a cobrar preços absurdos. Pouca vontade de lá voltar.

#Transfascismo

 

O absurdo do homem dizer que deve obrigar-se uma mulher a despir-se perante um mirone masculino se ele disser que é uma mulher e o maior absurdo de se normalisar e legitimar a misoginia.


Até que enfim que deixaram de prejudicar as mulheres para acomodar privilégios de homens

 


As mulheres serem obrigadas a reprimir a sua insegurança, os seus interesses, os seus direitos, a sua biologia, a sua saúde, os seus horizontes de vida e a sua existência para acomodar os interesses de homens biológicos com problemas de identidade, com fetiches ou até criminosos é só a continuidade do mundo misógino em que vivemos.

Em Inglaterra e nos EUA, nas escolas onde obrigam as raparigas a partilhar a casa-de-banho com rapazes biológicos as raparigas deixaram de beber água para não terem de ir à casa-de-banho. 

Em Inglaterra, o fascista dos Green veio defender que se um homem biológico disser que é uma mulher tem de ser acolhido nos refúgios para mulheres vítimas de violência doméstica e/ou sexual. Mesmo que tenham cadastro por violência doméstica enquanto se identificavam com o seu sexo biológico. E o mesmo se quiserem ser presos em celas de mulheres. 

Os decisores políticos que permitem isto deviam ser criminalizados e ir parar à cadeia porque são cúmplices dos crimes que esses homens fazem e do prejuízo que causaram e causam às mulheres.

Não deixar que homens biológicos participem nos desportos femininos não lhes retira o direito à competição, apenas os põe a competir na sua categoria natural.


O COI e os atletas “trans”

José Manuel Meirim

1. Um dos temas que marca o desporto moderno é o da prática desportiva dos atletas transgénero, particularmente – ou exclusivamente – das mulheres "trans". Já, por mais de uma vez, aqui lhe dedicámos atenção (por exemplo, em 13 de Junho de 2025: "Atletas 'trans': mau tempo no canal"). Nesta matéria, que se reconhece complexa, o Comité Olímpico Internacional (COI) tem, ao longo do tempo, alterado a sua posição. De uma orientação mais fechada à participação das mulheres "trans" nos Jogos, passou à afirmação dos direitos humanos e ao deixar a resposta final a cada uma das federações desportivas internacionais. Todavia, a 26 Março passado, o COI anunciou uma nova política sobre a protecção da categoria feminina, tanto para modalidades individuais, como colectivas: a elegibilidade para qualquer categoria feminina limita-se a mulheres biológicas. Essa elegibilidade apura-se, segundo o COI, mediante uma análise do gene SRY (do inglês sex-determining region Y), que conclua pela sua ausência.

2. Segundo o COI, existem evidências científicas de que a presença desse gene é permanente ao longo da vida e constitui uma prova altamente precisa de que uma atleta passou por um desenvolvimento sexual masculino. Um grupo de trabalho, criado em Setembro de 2025, que inclui especialistas em Ciências do Desporto, endocrinologia, medicina transgénero, medicina desportiva, saúde da mulher, Ética e Direito, analisou tais evidências, incluindo os desenvolvimentos ocorridos desde 2021, e chegou a um consenso claro: o sexo masculino proporciona uma vantagem de desempenho em todos os desportos e provas que dependem de força, potência e resistência. Para garantir a equidade e proteger a segurança, especialmente nos desportos de contacto, a elegibilidade deve basear-se no sexo biológico. O grupo também concordou que o método mais preciso e menos invasivo actualmente disponível para verificar o sexo biológico é a análise do gene SRY. Se alguém se recusar a esse teste, não poderá competir na categoria feminina a partir dos próximos Jogos.

3. A relatora da ONU para as questões de género, Reem Alsalem, saudou a decisão do COI, propondo que as mulheres prejudicadas pelas regras anteriores recebam compensações, tais como medalhas paralelas, com efeito retroactivo. O COI, ao anunciar esta nova posição, esclareceu, que todos os participantes do boxe em Paris 2024, incluindo a argelina Imane Khelif, "cumpriram as regras de elegibilidade e participação da competição, bem como todos os regulamentos médicos vigentes na época", portanto, isso não afecta os seus resultados.

Relembre-se que um relatório da ONU, da responsabilidade de Reem Alsalem, relatora especial sobre a violência contra as mulheres e meninas, em que se analisa as diversas formas, causas e consequências dessa violência no desporto, recomendou, afinal, que as categorias femininas do desporto organizado sejam acessíveis, em exclusivo, às pessoas de sexo biológico feminino. Dessa situação demos conta, neste espaço, em 14 de Fevereiro de 2025 ("Trump e os atletas 'trans' na escola").

4. Mas, eis se não quando, o COI, a 17 de Abril, veio “esclarecer” que os atletas "trans", afinal, sempre podem competir nos Jogos. O COI garante que não há exclusão de atletas transgénero e que, se tais atletas conseguirem classificar-se com base no mérito desportivo, poderão competir nos Jogos Olímpicos, como todos os outros, mas deverão fazê-lo na categoria que corresponde ao seu sexo biológico. Com esclarecimentos deste tipo, não há dúvida ou discriminação que resista.

A Bienal de Veneza este ano é, sobretudo, política

 

A Bienal de Veneza é a exposição de arte internacional mais prestigiada do mundo. Mas, na preparação para o evento deste ano, a vertente artística ficou um pouco ofuscada por, bem, tudo o resto.

Primeiro, a curadora faleceu inesperadamente. Depois, a Rússia regressou à exposição pela primeira vez desde 2022. Em seguida, o júri da Bienal anunciou que não atribuiria prémios a artistas de países cujos líderes estão a ser investigados por crimes de guerra, o que muitas pessoas interpretaram como uma referência a Israel. Por fim, quando um artista israelita ameaçou processar o júri, este demitiu-se na totalidade.

A Farmácia Verde da Idade Média



A Farmácia Verde da Idade Média


Antes dos antibióticos, antes das salas de cirurgia, antes do hospital tal como o conhecemos – existia o jardim de ervas. Como monges, mulheres sábias e manuscritos antigos mantiveram a Europa viva durante mil anos.

THEMEDIEVALIST


Image of Circa instans (book of simple medicine) – a medical manual of herbs compiled in the 12th or 13th century and surviving in 240 copies meaning it was very popular. This image is a late 15th century French version. MS. 626, folios 207v–208r. Wellcome Images L0055259.

Imagine que acorda com febre na Inglaterra do século XII. Não há consultório médico ao virar da esquina, nem farmácia, nem paracetamol na prateleira. O que tem — se tiver sorte — é um monge na abadia próxima, um ramo de erva-de-são-joão seca e uma receita escrita em latim cuja origem remonta à Grécia antiga. Para a maioria das pessoas que viveram entre 500 e 1500 d.C., isto era medicina.

A fitoterapia não era uma prática marginal na Idade Média. Era a espinha dorsal dos cuidados de saúde em todos os níveis da sociedade, desde as cabanas dos camponeses até às cortes reais. Os monges cultivavam «jardins medicinais» repletos de dezenas de plantas medicinais. As mulheres transmitiam o conhecimento sobre as plantas de geração em geração, tratando as suas famílias com remédios aperfeiçoados ao longo de séculos. E os estudiosos nos mosteiros e nas primeiras universidades copiavam, traduziam e debatiam textos antigos que tinham viajado da Grécia para Roma, para o mundo árabe e de volta.
«Por que razão deveria um homem morrer quando a salva cresce no seu jardim?»

— Provérbio medieval

Uma tradição mais antiga do que a escrita

A história da fitoterapia remonta a muito antes da Idade Média. Evidências arqueológicas — vestígios de pólen encontrados em sepulturas neolíticas — sugerem que os povos pré-históricos enterravam deliberadamente os seus mortos com plantas medicinais, o que indica um conhecimento da cura à base de ervas que remonta a dezenas de milhares de anos. Na antiga Mesopotâmia, tabuinhas de argila com mais de 5.000 anos enumeram centenas de remédios à base de plantas. O Papiro de Ebers, do Egito, datado de cerca de 1550 a.C., catalogava mais de 850 medicamentos à base de ervas, incluindo alho, incenso e aloé vera, cujas qualidades terapêuticas ainda hoje reconhecemos.

Na era clássica, este conhecimento acumulado começou a passar da tradição oral para a forma escrita. Os médicos gregos trouxeram-lhe um novo rigor: Hipócrates despojou a cura dos seus encantamentos mágicos e argumentou que a doença tinha causas naturais, e não divinas. Os seus sucessores — Galeno, Plínio, o Velho, e, mais importante ainda, Pedânio Dioscórides — levaram a medicina à base de plantas ainda mais longe.

O livro que dominou a medicina durante quinze séculos

No século I d.C., Dioscórides, um médico grego ao serviço do exército romano, viajou extensivamente pelo império estudando as plantas locais. O resultado foi a De Materia Medica, uma enciclopédia em cinco volumes que descreve cerca de 600 espécies de plantas, a sua aparência, onde encontrá-las, quais as doenças que podiam tratar e quais eram perigosas. Durante mais de 1500 anos, permaneceu a referência central para a medicina herbal em toda a Europa e no mundo islâmico — copiada por monges, traduzida para árabe, persa e latim, e eventualmente impressa no início da Renascença.

O que a tornou tão duradoura foi a sua clareza e abrangência. Dioscórides não especulava — ele descrevia. Ele anotava quais as plantas que causavam dor, quais induziam o sono e quais paravam a hemorragia. Os curandeiros medievais podiam pegar numa cópia feita seis séculos após a sua morte e encontrar a mesma informação prática e útil que ele tinha compilado ao longo de uma vida de observação.

As ervas que mantiveram a Europa viva

Todos os dias, a medicina medieval dependia de plantas que podiam ser cultivadas num jardim ou colhidas de uma sebe. Estas não eram raridades exóticas — eram humildes, comuns e acessíveis a quase qualquer pessoa.

Os remédios assumiam a forma de infusões preparadas como chá, cataplasmas aplicadas sobre as feridas, pomadas esfregadas na pele e xaropes conservados em mel ou vinho. O próprio vinho era frequentemente a base para preparações à base de ervas — não apenas pelo sabor, mas porque os líquidos fermentados eram mais seguros do que a água e ajudavam a extrair os compostos activos da planta. Uma receita do século X para desconforto digestivo, por exemplo, pede sementes de erva-doce e hortelã fervidas em vinho, coadas e servidas quentes após as refeições — uma preparação não muito diferente das tisanas à base de ervas vendidas hoje em lojas de produtos naturais.

Para condições mais graves, os médicos medievais também empregavam drogas vegetais poderosas — e perigosas: papoila-do-ópio para o alívio da dor, mandrágora e meimendro como anestésicos, e beladona para dilatar as pupilas antes de uma cirurgia. Estas não eram utilizadas de ânimo leve. Uma poção cirúrgica para induzir o sono chamada dwale*, que combinava ópio, cicuta, meimendro e vinho, exigia uma dosagem cuidadosa; uma dose excessiva mataria o paciente.

*Deriva das palavras nórdicas antigas dwol, dvalar ou dvali, significando "transe" ou "entorpecimento"

May 07, 2026

Mariupol: uma cidade de meio milhão de pessoas arrasada

 

Arrasada quer dizer, rasa, destruída até ser um campo raso, estéril, onde nenhuma vida pode existir. Tudo o que a Ucrânia fizer à Rússia, seja nas paradas, nas fábricas e centrais do petróleo, nas fábricas das armas, nas casas particulares dos políticos e militares que comandam esta chacina, é devido e justo.


Enfim, uma coisa boa



Hoje ligaram-me do Centro de Saúde para marcarem a ida à Junta Médica e é já na semana que vem. Mais vale tarde que nunca?


O empobrecimento da língua é a ruína do pensamento

 

O desaparecimento gradual dos tempos verbais (subjuntivo, pretérito simples, pretérito imperfeito, formas compostas do futuro, particípio passado…) conduz a um processo de pensamento ancorado no presente, confinado ao instante, incapaz de se projetar no tempo.

O uso generalizado da forma informal «tu», o desaparecimento das maiúsculas e da pontuação, são golpes fatais para a subtileza da expressão.

A eliminação da palavra «mademoiselle» não é apenas uma renúncia ao encanto estético de uma palavra, mas também uma promoção da ideia de que não há nada entre uma menina e uma mulher.

Menos palavras e menos verbos conjugados significam menos capacidades para expressar emoções e menos possibilidades de elaborar o pensamento.

Estudos demonstraram que uma parte da violência nas esferas pública e privada decorre diretamente da incapacidade de traduzir emoções em palavras. Sem palavras para construir o raciocínio, o pensamento complexo tão caro a Edgar Morin é dificultado, tornado impossível.

Quanto mais pobre for a língua, menos pensamento existe.

A história está repleta de exemplos, e abundam os escritos — desde George Orwell em *1984* a Ray Bradbury em *Fahrenheit 451* — que relatam como ditaduras de todos os tipos obstruíram o pensamento ao reduzir e distorcer o número e o significado das palavras.

Não há pensamento crítico sem pensamento. E não há pensamento sem palavras. Como se pode construir um pensamento hipotético-dedutivo sem o domínio do condicional? Como se pode imaginar o futuro sem a conjugação do tempo futuro? Como se pode compreender a temporalidade, uma sucessão de elementos no tempo — sejam eles passados ou futuros — e a sua duração relativa, sem uma língua que distinga entre o que poderia ter sido, o que foi, o que é, o que poderá vir a acontecer e o que será depois de o que poderá vir a acontecer ter ocorrido? Se hoje fosse necessário ouvir um grito de guerra, seria este, dirigido a pais e professores: façam os vossos filhos, os vossos alunos, os vossos discípulos falar, ler e escrever.

Ensinem e pratiquem a língua nas suas formas mais variadas, mesmo que pareça complicado, especialmente se for complicado. Porque nesse esforço reside a liberdade. Aqueles que explicam incessantemente que a ortografia deve ser simplificada, que a língua deve ser expurgada das suas «falhas», que os géneros, os tempos verbais e as nuances devem ser abolidos — tudo o que cria complexidade — são os coveiros do espírito humano. Não há liberdade sem exigências. Não há beleza sem o pensamento da beleza.

Christophe Clavé

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Esta semana, dois alunos diferentes em turmas diferentes perguntaram-me, 'o que é valham?' Disse-lhes que é uma forma de conjugar o verbo valer e perguntei se nunca tinham ouvido expressões como, 'Valha-me Deus'? Não.

Numa turma, a propósito do consequencialismo de Stuart Mill, às tantas, disse, 'de boas intenções está o inferno cheio'. 'O quê? O que é isso?' Nunca tinham ouvido este dito popular e não o perceberam. Conheciam a palavra inferno embora nem todos soubessem dizer a que se refere mas, mesmo depois de explicar essa referência, não conseguiram perceber o sentido daquele ditado popular. Tive que explicá-lo. 

Nunca terem ouvido estas expressões diz-me que não se dão com os pais ou outros adultos que são quem usa este tipo de expressões. Depois, estava a contar isto a umas amigas e uma delas disse-me que se enerva quando vai a casa dos filhos e vê os netos sempre agarrados a ecrãs, cada um no seu quarto, sem falar com os pais. Estamos a falar de pessoas com formação superior e carreiras de sucesso... 

Cada vez têm menos referências em comum com os pais, os avós. Vejo isso nas aulas. Até há relativamente pouco tempo, podíamos falar numa banda ou num filme que os alunos conheciam. Agora? Nada. As referências culturais deles são influencers, personagens de jogos da PSP, músicas do Tik Tok.

É claro que se lessem alguma coisa com mais de um ou dois anos de idade, já tinham lido aquelas expressões.

O, não admirável, mundo novo.


David Attenborough fez 100 anos

 



David Attenborough foi um pioneiro em levar as câmaras da TV para habitats selvagens. Começou com o programa Zoo Quest em 1954 e nunca mais parou. Alia uma inteligência e paixão inspiradora para tudo que tem que ver com o mundo natural, com um enorme talento para contar histórias, uma preocupação com o rigor científico e uma imagem cativante. 

A persistência e a consistência com que se bate pela conservação da saúde e beleza do Planeta Azul fizeram dele uma instituição reconhecida e respeitada em todo o mundo - mesmo entre os negacionistas do clima e dos problemas ambientais.


Admirável mundo novo

 

Alunos cometem fraude, vão para os testes com as respostas já cabuladas, não cumprem a suspensão e exigem que as notas obtidas com fraude não sejam anuladas porque querem entrar com elas para a faculdade. Era só 20's atrás de 20's. Como é possível? Os papás apoiam a fraude dos seus príncipes e princesas e foram para a justiça para que os filhos sejam premiados pela fraude. Este é o estado da nossa educação. Em vez do Estado pôr um processo aos alunos e pais por fraude, são os fraudulentos que põem um processo à escola.




À atenção de Sines

 


O Met Gala, este ano, foi revelador do absolutismo para o qual as sociedades resvalam

 

Uma dúzia de bilionários detêm as empresas que põem o mundo em funcionamento e com elas agem como reis absolutos: controlam os políticos e as políticas, controlam quem trabalha e como, através das plataformas manipulam a História, o pensamento, decidem quem será oprimido e por quem, espalham o vício e a doença mental com fins de lucro, decidem quem vive e quem morre.



Bezos roubou as atenções na Met Gala. Os trabalhadores trouxeram o espelho.

A Met Gala de 2026 deveria celebrar a «arte do figurino». Em vez disso, revelou o novo equilíbrio entre cultura, o dinheiro dos bilionários, os conflitos laborais e a imagem pública.

Para quem não ficou a par do que aconteceu: a Met Gala de 2026 não foi apenas mais uma noite de moda com celebridades.

Este ano, Jeff Bezos e Lauren Sánchez Bezos foram nomeados patrocinadores principais e presidentes honorários da exposição e gala «Costume Art» do Met — uma decisão que transformou imediatamente o maior evento de angariação de fundos da moda num ponto de discórdia em torno do dinheiro da tecnologia, da gestão da imagem dos bilionários e do historial laboral da Amazon. O evento terá angariado um valor recorde de 42 milhões de dólares para o Costume Institute, com o patrocínio ligado a Bezos a ajudar a impulsionar a noite

Mas fora dos cordões de veludo, trabalhadores e activistas contavam uma história muito diferente.

Os manifestantes criticaram o papel de Bezos com o simbolismo da «garrafa de urina», remetendo para anos de críticas às condições de trabalho na Amazon e para alegações de que a pressão brutal pela produtividade deixava os trabalhadores sem acesso adequado a casas de banho. O jornal The Independent noticiou que os activistas colocaram cerca de 300 garrafas de urina falsa relacionadas com o protesto.

Posteriormente, o co-fundador do Sindicato dos Trabalhadores da Amazon, Chris Smalls, foi detido no exterior da gala após ter alegadamente atravessado uma barricada durante as manifestações. Isto é relevante porque não se tratou de um protesto aleatório. Smalls ajudou a liderar a histórica luta sindical do JFK8 em Staten Island, e a disputa laboral federal sobre o dever da Amazon de negociar com os trabalhadores continua a fazer parte do registo público mais alargado.

Dentro: bilionários, alta-costura, câmaras, filantropia e a cultura da elite.
Fora: trabalhadores, organizadores, protestos, polícia e a história do mundo do trabalho que a América continua a tentar deixar de fora do enquadramento.


Uma empresa acumula uma enorme riqueza através da escala de operação, dos dados, da disciplina laboral, da automação, do domínio do mercado e do controlo das infra-estruturas.

O seu fundador torna-se uma das pessoas mais ricas do mundo.

A empresa enfrenta críticas relativamente ao tratamento dos trabalhadores, à resistência sindical, à vigilância, à estratégia fiscal e ao poder de mercado.

O fundador passa a dedicar-se à filantropia, aos meios de comunicação social, ao espaço, à cultura e às instituições sociais de elite.

Pede-se ao público que o veja menos como um centro de poder corporativo e mais como um patrono visionário.

Esse é o ciclo. Aconteceu com o petróleo. Aconteceu com os caminhos-de-ferro. Aconteceu com o aço. Aconteceu com a banca. Aconteceu com a tecnologia. Agora está a acontecer em tempo real com a riqueza da era Amazon.

Os uniformes mudam. O padrão não.

HoldingTheTorch

Que horror

 

May 06, 2026

O que é que Tramp conseguiu com o 'desapoio' à Ucrânia?

 


Mostrar à Ucrânia que não precisa dele para vencer Putler, mostrar à Europa que não precisa dos EUA para se defender - só precisa de vontade, determinação e união. Parabéns a Tramp e aos EUA por este conseguimento de perderem parceiros leais e influência no mundo. 


É preciso que a verdade de Putin não estar a ganhar a guerra entre pelos olhos dos russos adentro