September 27, 2020

Como se faz um pincel?

 


Os Pincéis de Raphaël. Desde 1793 a fazer pincéis. Infelizmente o vídeo tem música e não nos deixa ouvir os ruídos próprios da profissão que a artesã ouve ao trabalhar. Há qualquer coisa de alienante na repetição dos gestos mecânicos que deixa a mente liberta para vaguear e há qualquer coisa de imediatamente gratificante na completude do trabalho realizado. 

O trabalho da educação não tem, nem essa faceta alienante dos gestos repetidos que deixam a mente vaguear, nem o prémio da gratificação imediata de termos feito um trabalho bem feito, pois os seus efeitos na pessoa só mais tarde se verificam. Ou não. 
Mesmo quando vemos a pessoa mais tarde não podemos inferir que há uma relação directa entre o nosso trabalho e o que a pessoa é ou se tornou (a não ser em casos em que sabemos que tivémos um muito grande impacto na pessoa), seja no sentido positivo ou negativo. 
Bem, hoje-em-dia, graças às redes sociais continuamos em contacto com muitos alunos que doutro modo nunca mais veríamos e isso dá alguma satisfação, quer dizer, as pessoas lembrarem-se de nós positivamente, mas isso não é igual à satisfação de um trabalho bem feito. Nesse campo estamos, cada um de nós, sozinhos e só contamos com a nossa consciência e honestidade intelectual.

Há uma grande satisfação reconfortante em observarmos uma pessoa que é boa no seu trabalho a fazê-lo: a mestria dos gestos, o domínio dos processos, a confiança que exala da pessoa e que se encaixa perfeitamente no que faz e como o faz, como a mão e o martelo que se encaixam e se pressupõem mútua e perfeitamente (seguindo Heidegger).


Um dose de alienação diária?




Porque é que Wittgenstein lia apaixonada e obsessivamente policiais americanos? Várias razões, como se diz aqui neste longo artigo (uma delas porque o inspiravam negativamente) que não me apetece traduzir, justamente por ser muito longo. Também ia ao cinema ver filmes de cordel, para desanuviar a cabeça. 


He’s 52 years old, small and thin, not to say frail. He writes in a letter that sometimes after work he can “hardly move.”

Wittgenstein’s time at Guy’s Hospital is an especially lonely period in a lonely life. Socially awkward in the extreme, he does not endear himself to his coworkers. 
...
SEPTEMBER 24, 202- 0

Iniciativas positivas

 



Tudo o que possa fazer-se para sair deste 'mesmismo' sem debate e sem participação da população é bem-vindo. E já que os políticos em exercício não fazem a sua parte e tentam, sempre que podem, fechar os canais de participação da população, a população que abre brechas no muro e os obriga a ouvir, tem mérito.


Personalidades criam associação para debater problemas dos portugueses

Esta associação, que nasceu devido à falta de participação cívica dos portugueses, tem como objetivo "a reflexão, elaboração de estudos e a promoção de debates que contribuam para reforçar a sociedade civil portuguesa para uma maior intervenção desta junto dos poderes públicos sobre temas que tenham a ver com desígnios nacionais".

Na conferência de imprensa de apresentação da associação, Vítor Ramalho sublinhou que os portugueses "estão arredados da participação", como foi o caso da alta taxa de abstenção nas eleições legislativas de outubro de 2019 (45,5%).

"Preocupados com o crescente abstencionismo nas eleições que sobe de eleição para eleição e atinge patamares que não é aceitável quando se exige participação", disse, para justificar a criação desta associação.

A primeira iniciativa da associação vai acontecer a 05 de outubro, na Fundação Calouste Gulbenkian, com o debate subordinado ao tema "Portugal -- que prioridades para o futuro?" e que tem como um dos oradores António Costa Silva.

Vítor Ramalho afirmou que este é o primeiro debate, mas vão acontecer outros sobre defesa, justiça, economia e educação.

Outro dos fundadores da associação, Ricardo Paes Mamede, economista e professor no ISCTE, sublinhou que "há uma falta muito grande de debate estratégico em Portugal" e "uma grande fragilidade do aparelho do Estado para conduzir esse mesmo debate".

"Assistimos isso nos últimos meses. O país perante a necessidade de fazer um esforço de utilização de fundos estruturais, como nunca se viu, sente-se mal preparado para o fazer e sente-se inseguro em relação a essa necessidade. Isto reflete um país que está mal preparado para enfrentar o futuro, está mal preparado ao nível do aparelho do Estado, mas também se tem revelado ao nível do debate público e ao nível da participação dos cidadãos", sublinhou.

O docente universitário explicou que as pessoas se juntaram em torno deste projeto para contribuíram para um debate com questões sobre o futuro coletivo da sociedade portuguesa nas várias áreas.

Segundo Ricardo Paes Mamede, os partidos políticos não se sentem muitas vezes vocacionados para fazer estes debates, porque "não têm retornos eleitorais no curto prazo, mas são decisivos para o futuro".

Vitor Ramalho recusou ainda a ideia de que esta associação poderá transformar-se num partido político no futuro.

Andava aqui à procura de uma explicação do termo 'Sublation' 😁




To sublate traduz, em inglês, um termo alemão fundamental em Hegel e que tem vários significados aparentemente contraditórios: "levantar", "cancelar", "suspender", "abolir", "preservar", "transcender". Fui dar com isto:


Slavoj Žižek - On G.W.F. Hegel
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Slavoj Žižek - On G.W.F. Hegel
9.08.49

Slavoj Žižek - On G.W.F. Hegel




Pax Rússia - Putin foi nomeado para o prémio Nobel da paz

 


Terá sido Trump que o nomeou enquanto ele nomeava Trump, que também foi nomeado?



Ou foi pelo sorriso?



Acerca da importância dos fungos no ecossistema

 




"Fungi Can Teach Us a New Way of Looking at the World"

Fungi's role in our world has been vastly underestimated, says biologist Merlin Sheldrake. They can even make decisions, just like us.
Interview Conducted by Rafaela von Bredow und Johann Grolle

Sheldrake: Fungi are of enormous importance. The basic principle of ecology is the relationships between organisms - and fungi form connections between organisms and so embody this idea.

DER SPIEGEL: If fungi are so important, why don’t we see them all over the place?


Sheldrake: Oh, fungi are everywhere. Just take this leaf: Between tens and hundreds of species of fungi live on and in it. No plant has ever been found in nature which does not have fungi in its leaves and in its shoots. Or take the roots of the grass we are walking on, the rotting twigs, the soil under our feet: There are fungi everywhere. You have yeast all over your body, in the lining of your ears, in your nostrils. Even in the air: At this moment, you are breathing fungi. Fifty million tons of fungal spores are floating in the atmosphere, the largest source of living particles in the air. And they change the weather by causing water droplets to form.
...
DER SPIEGEL: Have you personally tried the effects of psychedelic mushrooms?

Sheldrake: Yes, under their influence I realized that most of my consciousness was unknown to me. It was as if I had spent my life in a garden until then, and now I suddenly discovered that this garden has a gate through which I can enter a strange and wonderful forest, that was largely unknown to me.
...
Sheldrake: Fungi are quite active. Take hunting, for example.

DER SPIEGEL: Excuse me? Mushrooms can hunt?

Sheldrake: Yes. When food becomes scarce, some fungi can switch to a hunting mode. They build traps consisting of sticky loops or poisonous droplets. And with special substances, they lure nematodes into these traps.
...
DER SPIEGEL: We are ecosystems?

Sheldrake: Yes, very complex networks. This message from the world of fungi changes the entirety of biology.

DER SPIEGEL: Has it changed you too?

Sheldrake: Yes, I look at the world differently. I have realized that the idea of the individual as a biological unit is in question. The individual is not a clear, clean category. It's more of an assumption than a fact.

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Um autêntico gorro de Inverno


Frase deste dia

 




Arrefeceu

 


1897 - via Isaac Brooks



Perspectivas




Setúbal
Praça do Bocage

Fotografia: xocco - instagram
via Mar da Palha

September 26, 2020

Borders of Nothingness II

 



Margaret Lansink - Borders of Nothingness - On The Mend from PhotoBookStore.co.uk on Vimeo.

Borders of Nothingness

 


A vida às vezes é muito difícil de engolir.



Huibo Hou


Uma pergunta

 


A propósito deste vídeo onde uma astronauta explica como se toma duche no espaço. Naquela estação, todo o espaço e materiais são aproveitados ao máximo sem desperdícios ou com o mínimo de desperdícios. Se conseguem fazer isso para um espaço tão reduzido e com tão poucos recursos porque é que não aplicam esses princípios à construção de casas e edifícios na Terra? Construí-las com sistemas de aproveitamento  de recursos materiais, energéticos e afins? Não tendo que ser um ambiente tão espartano como o deles, pode de certeza ser um ambiente mais limpo. Antes da produção em massa as casas eram mais inteligentes no aproveitamento de materiais locais que isolavam do frio, do calor, aproveitavam as águas da chuva, o vento... parece-me que nesse aspecto andou-se muito pouco e ter casas amigas do ambiente ainda é um luxo, quando devia ser a norma.

Como é que no Alentejo se permite a agricultura intensiva e como é que não se fazem estações de captação de água e se semeiam árvores que ajudam a reter as águas no solo? Estamos à espera que seja um deserto? Isto faz-me confusão... não percebo...


When fiction meets fiction

 


‘Pulp Fiction’ meets Edward Hopper’s ‘Nighthawks’ 

via Photographize



► Norro Bey 

Somos todos parentes

 


Também os cogumelos têm coração e sangram por todos os poros - se é que o coração é poroso, mas tem que ser, pois absorve tudo, tudo, tudo...




Citação deste dia

 


(...) O retraimento prolongado e a solidão deixam o nosso ânimo tão sensível, que nos sentimos incomodados, afligidos ou feridos por quaisquer acontecimentos insignificantes, palavras ou mesmo simples gestos; enquanto quem vive no tumulto do mundo nem chega a percebê-los.

— Arthur Schopenhauer, no livro "Aforismos Para Sabedoria de Vida". (Ed. Martins Fontes; 3.ª edição [2009]).




Obra de Holly Warburton

Cenas

 


Estou aqui numa discussão com um ex-aluno que é advogado e foi aluno daquele senhor que nos chama nazis, porcas, sociopatas, malvadas, etc. acerca do limite que sepera o machismo enquanto crença legítima (embora injustificada, digo eu) da ofensa pura e simples por parte de um professor de uma escola pública e quais são os limites que não podemos ultrapassar. Estamos a discordar fortemente :) 

Esta discussão não tem fim... mas está com piada :)) eu argumento com princípios pedagógicos e ele com a experiência de casos em tribunal e dos antecedentes que levam as pessoas a fazer certas coisas. Será que estou a reduzir a minha verdade a uma proposição? Ou está ele a reduzir a verdade dele à experiência profissional, subjectiva? 

Agora já vamos no sentido da vida...


Post para mim mesma

 


"O dogmatismo da maneira de pensar, tanto no saber da filosofia como no seu estudo, mais não é que a opinião segundo a qual a verdade consiste ou numa proposição que é um resultado fixo ou numa proposição que é imediatamente conhecida. Relativamente a questões como, 'Quando nasceu César?', é suposto dar-se uma resposta certa, tal como é determinadamente verdade que o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos. No entanto, a natureza de uma tal verdade, é diferente da natureza de verdades filosóficas. " (Hegel, prefácio da FE)

Portanto, nenhuma verdade se pode reduzir a uma proposição, seja fixada, seja revelava ou intuída. Isso não existe, seria um ponto vazio, uma substância insubstancial.

(A FE de Hegel é uma introdução onde são apresentados dos pressupostos relativamente aos problemas da metafísica de modo a poder-se construir um sistema.)


O futuro do Alentejo

 


Huacachina Oasis, Peru - (via Architecture Hub)



Lidar com o medo - "No momento em que me decidi os meus joelhos revoltaram-se" 😁

 


"Não tenho medo mas o meu coração acaba de dizer-me para não o fazer" 😁

Saltar de uma prancha de 10m. Como se vê por aqui o medo não depende da idade, do sexo ou da constituição física da pessoa. Há quem salte apenas pela força da vontade, outros pelo desafio. Alguns não são capazes de vencer o medo.

Até já

 


Estou sem legumes e frutos.


marco norris