August 15, 2020

O gosto da vida II

 



FOUR SPARROWS AND FLOWERING WISTERIA, OHARA KOSON (1877-1945)

Woodblock print, [n.d]. Please tap for full view.
Freer Gallery of Art, Smithsonian

O gosto da vida

 

Imagem: Pinterest


Dores de olhos

 



O gosto da vida e a tranquilidade



O gosto é um dos sentidos da percepção, o que está ligado ao paladar, o que indica que para apreciarmos a vida ela tem de ter algum sabor. Saborear a vida, diz-se. Ora o sabor é subjectivo, o que para uns é doce para outros é amargo, o que para uns é picante para outros é suave e para outros extremamente agressivo.
Neste sentido, nem toda a tranquilidade leva ao gosto da vida.
A tranquilidade de Pirro, dos cépticos, a ataraxia, aquele estado de tranquilidade livre de sobressaltos, indiferente às vissicitudes da vida, sem opiniões a favor ou contra o que seja pois que tudo é indefinido e em mudança, implica uma vida sem sabor, nem doce, nem amarga, pelo menos, não o suficiente para incomodar. Uma vida um bocado insonsa. Troca-se o sabor pela calma. Às vezes apetece mas só por uns instantes porque é uma vida contrária aos instintos do eros, no sentido freudiano do termo.
A tranquilidade estóica, a eudaimonia, é uma vida, já não de indiferença mas de aceitação, de resignação pelo estado de coisas tais como ocorrem. Os estóicos são deterministas e defendem a libertação das paixões pela razão. Prudência e auto-controlo acima de tudo, mesmo nas relações humanas. Não deixa espaço para as grandes lutas: contra a injustiça, contra o mal... são lutas que requerem um pathos muito forte. Às vezes apetece mas só por uns instantes porque é uma vida contrária aos instintos do eros, no sentido freudiano do termo.
Que outro tipo de tranquilidade existe? A tranquilidade que se sente no fim de uma luta intensa que acaba bem? É um tipo de tranquilidade que mostra ser esta um intervalo entre esforços. Uma intermitência entre lutas. Um repouso impermanente. Será que sem a intermitência do esforço almejávamos tão fortemente a tranquilidade?  É possível uma vida sem luta? Talvez seja para certas pessoas em certos contextos que não consigo imaginar porque não há vida nenhuma sem perda, sem doenças, sem frustração, sem paixões sem eros nem Thanatos.
A vida boa que inclui, o gosto da vida, o saborear da vida, será aquela em que paralelamente à labuta diária, temos um porto seguro de tranquilidade, sejam amigos, sejam pessoas da família, sejam companheiros: que nos percebem, nos valorizam, em quem nos reconhecemos como pares e com os quais somos nós mesmos, sem máscaras e estamos bem com o que somos, pessoas que nos desafiam e nos acrescentam qualquer coisa para dar gosto à vida. Como quem esteve numa viagem e regressa a casa. A tranquilidade e o gosto da vida são pessoas. Porque apreciar a paisagem, a arte, a comida e tudo o mais enriquece a vida mas por si só, sem aquelas pessoas que nos fazem sentir em casa, não conseguem infundir o gosto pela vida.

"Para os índios [da Amazónia], quando um jaguar se vê ao espelho, ele vê um homem" (Eduardo Viveiros de Castro)






Illustrator Ferdy Remijn
www.ferdyremijn.com

Existencialismo de trazer por casa III

 



directamente do FB

Existencialismo de trazer por casa II

 

As dores de existir na expressão dela e na firmeza com que estrangula o gato.

Lucian Freud, menina com um gatinho, 1947.

Existencialismo de trazer por casa

 


Uma barra de ferro custa US $5. Transformada em ferraduras, vale US $12. Transformada em agulhas, vale US $3.500. Transformada em molas para relógios, o seu valor é US $300.000.
O seu próprio valor é determinado pelo que é capaz de fazer de si mesmo.
E está aqui também a explicação para o salto que falta na economia do país... não é falta de trabalho, fazemos muitas ferraduras e poucas molas para relógios.


MorWal

Dor de olhos

 

Thomas Danton's

A kind of peace

 

Another day enduring...

August 14, 2020

Dor de olhos (remédios)

 


Angel Luis Morales Ayllón

Todos os dias dinheiro pelo ralo mas para as escolas nunca há

 



Obras no Hospital Militar custaram mais do triplo do que deviam. Defesa não comenta

2 598 964,46 euros foi o custo total da reabilitação do Hospital Militar de Belém, segundo os contratos publicados oficialmente - mais de três vezes os 750 mil inicialmente estimados. Defesa não comenta

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O Governo e os drones que nunca mais voam

Em termos práticos, podemos afirmar que o contrato não foi cumprido. Ou seja, não há drones a vigiar a floresta e as bases de operação não foram ativadas. Um sistema de vigilância, que custou de 4,5 milhões de euros aos cofres do Estado, que deveria estar a operar desde 1 de julho, não está a funcionar.


mas... o governo não está para gastar dinheiro com as escolas e vão abrir como se não houve uma pandemia.


Escolas devem reabrir normalmente mas Governo preparado para decisões

As escolas devem reabrir em situação de normalidade e só uma evolução negativa da pandemia levará a decisões contrárias, de maior ou menor alcance, que o Governo disse hoje estar preparado para tomar.

Dor de olhos

 


do livro, 'sou tão humano que me dói' (um pouco de caos)





Um - zero. Espero que seja o primeiro de muitos golos

 


Justiça congela oito milhões em conta da Doyen após denúncia de Rui Pinto

A Doyen Sports tem uma conta bancária com oito milhões de euros congelados por ordem das autoridades portuguesas. O fundo de investimento ligado ao futebol é alvo de uma investigação por suspeitas de fraude fiscal em Espanha e de branqueamento de capitais em Portugal.

Bom dia com poesia

 


August 13, 2020

True colors

 


Clouds over Harrodsburg, Kentucky. True colors, no filters used.

Earthly Mission


Por exemplo: este dogmatismo neantherdalesco beneficiava muito de um curso de filosofia

 


da filosofia

 

A filosofia é linguagem e para se entender o pensamento de um filósofo, é necessário saber o significado dos conceitos que usa como ferramentas para analisar a realidade. Tome-se uma palavra como substância: embora ela tenha uma raíz que a identifica como o que subjaz, os filósofos usaram-na em sentidos e interpretações diferentes e a palavra tem uma longa história. Isto não é nenhuma ideia extraordinária. Também nas ciências exactas cada termo é definido com rigor. Basta olhar a tabela periódica com os pesos atómicos exactos dos elementos. Mas a linguagem da filosofia não tem o rigor matemático da Física, por exemplo, de modo que antes de começarmos a falar temos que clarificar muito bem os conceitos. 

O que é que aquele filósofo quis dizer com aquele conceito e com que propósito? Por muito abstracta e hermética que pareça a linguagem de uma filosofia, ela refere-se sempre a nós, humanos e aos nossos problemas e os conceitos que usa são essa ponte que permite passar do pensamento que pensa às coisas pensadas. Os termos têm um contexto porque o filósofo é um indivíduo com um pé no seu tempo, embora tenho outro a transcendê-lo. 

Há filósofos que são relativamente fáceis de ler, comparativamente a outros. Kant, por exemplo, é muito sistemático, explica com clareza os conceitos, dá exemplos, contextualiza. Mas não Hegel.

Lembro-me de estudar Hegel, na faculdade. Tirei uma grande nota nessa cadeira. Fizemos um teste sobre Hegel e eu falei muito bem daquilo tudo sobre o espírito e o absoluto que se desdobra em alteridade e como é necessária a negatividade e sem ela a essência é vazia e isso tudo, mas sem perceber o que raio ele queria dizer com isso... ele estava a falar de quê propriamente? De Deus? E o que era aquilo de se dividir em alteridade? 

Eu falava dele como se o pensamento dele fosse um jogo lógico, onde eu sabia sem me enganar a ordem de encaixe dos conceitos, da mesma maneira que vejo muitos alunos saberem resolver um problema de trigonometria, mas quando lhes pergunto o que é a matemática e o que é a trigonometria, não sabem dizer, não fazem ideia. Resolvem os problemas como se fosse um jogo de que conhecem as regras e nada mais. 

Era o que eu fazia a falar de Hegel, percebendo muito bem e com alguma frustração que o significado do jogo me escapava completamente. Lembro-me de falar com o professor da cadeira e de dizer-lhe que nem sempre percebia do que Hegel estava a falar. E ele explicou-me os conceitos com as mesmas palavras e frases que já tinha usado e que não clarificam nada e eu fiquei na mesma e resolvi pôr Hegel no purgatório, onde já estavam mais alguns filósofos que eu achava que só com muitas leituras e experiência é que seria capaz de percebê-los porque me faltavam as ferramentas conceptuais e experiência de vida para ser capaz de os assimilar e integrar na minha arquitectura conceptual. No que não estava errada.

A questão é que, quando percebemos ou alguém nos esclarece o sentido que Hegel dá a cada termo: fenomenologia, essência, substância, negatividade, etc., depois o pensamento dele aparece com clareza. 

Isto é válido com todos os filósofos: uma filosofia é uma espécie de universo paralelo alternativo onde tudo é parecido com o nosso, sendo simultaneamente diferente e estranho - é uma visão muito pessoal que alguém construiu acerca da realidade e do seu sentido. Para entrar dentro dela é necessário um insight ou um ajuste do olhar como acontece quando queremos ver estereogramas e temos que fazer um esforço para focar o olhar de um modo diferente do habitual. Assim que se consegue, depois anda-se lá dentro à vontade a explorar e ver tudo e tudo faz sentido, se é que me faço entender.

Este aspecto da filosofia ter uma linguagem que não é necessariamente acessível é algo que tenho sempre presente nas aulas porque não quero que os alunos tenham uma experiência hegeliana das aulas de filosofia, onde sabem falar usando os conceitos e sabem desfiar os argumentos a favor e contra o utilitarismo mas sem perceber ao certo do que falamos e, por isso, sem aproveitar nada da riqueza da filosofia enquanto ferramenta valiosa de transformação interior e formação de uma visão que permita vários enfoques sobre a realidade.


À atenção do senhor Costa II

 

Estas considerações deste médico dizem respeito, em parte, a números dos EUA, mas os estudos que ele discute e as conclusões dele, relativamente aos argumentos segundo os quais os miúdos raramente se infectam e raramente transmitem o vírus são universais. A mim parece-me importante tomarem-se decisões políticas na posse dos factos científicos e a pensar nas pessoas e não em votos ou no mero poupar dinheiro.

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It is true that children are far less likely to get sick from Covid-19, as compared to adults, but they are by no means immune. They can become infected and they can spread it quickly. A widely cited study out of South Korea showed that kids 10 to 19 were spreading the virus just as much as adults. In fact, they had the highest rate of Covid-19 among household contacts. Interestingly, in that same study, children younger than 10 did not account for a significant amount of viral spread. This was surprising because a recent study published in JAMA Pediatrics concluded younger kids may carry higher amounts of the virus in their nose, as compared to adults. And any parent will tell you how easily little kids spread viruses in their own homes. (When our kids were very young, a single cold in any one of them meant the whole family was going to soon become infected.)

So, I decided to take a closer look at the South Korean study, and noticed a very important detail: It included fewer than 30 positive cases younger than 10 years old. Of the nearly 60,000 contacts that were traced in that study, only 237 were from children under 10. The low rate of spread among young kids may not have been because they are less likely to transmit the virus, but because they have largely been home over the last few months, and had few contacts as a result.

As our kids become increasingly mobile, they will become part of a large national experiment, and there is little doubt the infection rates will increase. Just over the past four weeks, the number of children infected in the United States has increased by 90% to more than 380,000 cases, according to that same analysis by AAP and CHA. While some of that increase may be due to increased testing, younger kids starting to emerge from their homes for the first time also play a role. And, for much of the country, schools haven't even yet reopened.

It is also important to remember that a school community is made up of more than just young students. According to one recent analysis, nearly a quarter of teachers working in the United States school system are at higher risk of serious illness from Covid-19, either because of age or pre-existing conditions. I was particularly struck by the stories of worried teachers around the country who said they were writing out their wills in anticipation of returning to school.



Why I am not sending my kids back to schoolBy Dr. Sanjay Gupta, CNN Chief Medical Correspondent

Os americanos estão doidos...


Agora algemam miúdos de 8 anos...

À atenção do senhor Costa

 


... já que os senhores do ME estão-se nas tintas para a nossa segurança: a ideia de continuar com turmas de 30 alunos exactamente nas mesmas salas como se nada fora, face a estes estudos, não raia a negligência criminosa?


Investigadores provam que coronavírus se propaga em aerossóis. Distanciamento é menos eficaz do que se pensava

As implicações na Saúde Pública são muitas e alargadas, especialmente uma vez que as atuais melhores práticas de prevenção da transmissão da Covid-19 centram-se precisamente no distanciamento físico, uso de máscaras e viseiras em proximidade com outros e lavagem de mãos", escrevem os investigadores no estudo publicado.

O desacordo entre a comunidade científica estava no facto de se ter detetado RNA viral em aerossóis, mas nunca se ter conseguido isolar o vírus na sua forma de transmissão viável nestas micro gotículas, ou seja, a diferença entre vestígios do material genético do vírus e o novo coronavírus em estado ‘vivo’.

Estes cientistas serão assim os primeiros a conseguir sequenciar genomas da Sars-CoV-2 em amostras de ar, que foram retiradas do quarto de um doente com Covid-19 internado num hospital local. O vírus ‘vivo’ retirado da amostra era idêntico à estirpe do paciente.

Depois de vários meses a sustentar que o novo coronavírus era transmitido sobretudo por contactos próximos, e que a transmissão por via de aerossóis e em meio aéreo era pouco provável fora do meio hospitalar, a Organização Mundial de Saúde mudou a sua posição no passado dia 9 de julho.

"A transmissão por aerossóis e baixa distância, particularmente em espaços fechados, com muita gente e sem ventilação adequada, durante um longo período de tempo com pessoas infetadas, não pode ser descartada", admitiu a OMS.

O estudo está a cair como uma ‘bomba’ na comunidade científica. A Dr. Linsey Marr, engenheira, professora universitária e investigadora da Universidade Virgina Tech diz que o este estudo é "uma prova irrefutável", apesar de não ter participado de forma alguma na investigação.

"Confirma, sem sobre de dúvida, na minha opinião, que o coronavírus em aerossóis (pequenos o suficiente para viajarem vários metros) é capaz de provocar infeção. Suspeitávamos, agora está confirmado", defende a cientista.