Thomas Danton's
A filosofia é linguagem e para se entender o pensamento de um filósofo, é necessário saber o significado dos conceitos que usa como ferramentas para analisar a realidade. Tome-se uma palavra como substância: embora ela tenha uma raíz que a identifica como o que subjaz, os filósofos usaram-na em sentidos e interpretações diferentes e a palavra tem uma longa história. Isto não é nenhuma ideia extraordinária. Também nas ciências exactas cada termo é definido com rigor. Basta olhar a tabela periódica com os pesos atómicos exactos dos elementos. Mas a linguagem da filosofia não tem o rigor matemático da Física, por exemplo, de modo que antes de começarmos a falar temos que clarificar muito bem os conceitos.
O que é que aquele filósofo quis dizer com aquele conceito e com que propósito? Por muito abstracta e hermética que pareça a linguagem de uma filosofia, ela refere-se sempre a nós, humanos e aos nossos problemas e os conceitos que usa são essa ponte que permite passar do pensamento que pensa às coisas pensadas. Os termos têm um contexto porque o filósofo é um indivíduo com um pé no seu tempo, embora tenho outro a transcendê-lo.
Há filósofos que são relativamente fáceis de ler, comparativamente a outros. Kant, por exemplo, é muito sistemático, explica com clareza os conceitos, dá exemplos, contextualiza. Mas não Hegel.
Lembro-me de estudar Hegel, na faculdade. Tirei uma grande nota nessa cadeira. Fizemos um teste sobre Hegel e eu falei muito bem daquilo tudo sobre o espírito e o absoluto que se desdobra em alteridade e como é necessária a negatividade e sem ela a essência é vazia e isso tudo, mas sem perceber o que raio ele queria dizer com isso... ele estava a falar de quê propriamente? De Deus? E o que era aquilo de se dividir em alteridade?
Eu falava dele como se o pensamento dele fosse um jogo lógico, onde eu sabia sem me enganar a ordem de encaixe dos conceitos, da mesma maneira que vejo muitos alunos saberem resolver um problema de trigonometria, mas quando lhes pergunto o que é a matemática e o que é a trigonometria, não sabem dizer, não fazem ideia. Resolvem os problemas como se fosse um jogo de que conhecem as regras e nada mais.
Era o que eu fazia a falar de Hegel, percebendo muito bem e com alguma frustração que o significado do jogo me escapava completamente. Lembro-me de falar com o professor da cadeira e de dizer-lhe que nem sempre percebia do que Hegel estava a falar. E ele explicou-me os conceitos com as mesmas palavras e frases que já tinha usado e que não clarificam nada e eu fiquei na mesma e resolvi pôr Hegel no purgatório, onde já estavam mais alguns filósofos que eu achava que só com muitas leituras e experiência é que seria capaz de percebê-los porque me faltavam as ferramentas conceptuais e experiência de vida para ser capaz de os assimilar e integrar na minha arquitectura conceptual. No que não estava errada.
A questão é que, quando percebemos ou alguém nos esclarece o sentido que Hegel dá a cada termo: fenomenologia, essência, substância, negatividade, etc., depois o pensamento dele aparece com clareza.
Isto é válido com todos os filósofos: uma filosofia é uma espécie de universo paralelo alternativo onde tudo é parecido com o nosso, sendo simultaneamente diferente e estranho - é uma visão muito pessoal que alguém construiu acerca da realidade e do seu sentido. Para entrar dentro dela é necessário um insight ou um ajuste do olhar como acontece quando queremos ver estereogramas e temos que fazer um esforço para focar o olhar de um modo diferente do habitual. Assim que se consegue, depois anda-se lá dentro à vontade a explorar e ver tudo e tudo faz sentido, se é que me faço entender.
Este aspecto da filosofia ter uma linguagem que não é necessariamente acessível é algo que tenho sempre presente nas aulas porque não quero que os alunos tenham uma experiência hegeliana das aulas de filosofia, onde sabem falar usando os conceitos e sabem desfiar os argumentos a favor e contra o utilitarismo mas sem perceber ao certo do que falamos e, por isso, sem aproveitar nada da riqueza da filosofia enquanto ferramenta valiosa de transformação interior e formação de uma visão que permita vários enfoques sobre a realidade.
Estas considerações deste médico dizem respeito, em parte, a números dos EUA, mas os estudos que ele discute e as conclusões dele, relativamente aos argumentos segundo os quais os miúdos raramente se infectam e raramente transmitem o vírus são universais. A mim parece-me importante tomarem-se decisões políticas na posse dos factos científicos e a pensar nas pessoas e não em votos ou no mero poupar dinheiro.
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It is true that children are far less likely to get sick from Covid-19, as compared to adults, but they are by no means immune. They can become infected and they can spread it quickly. A widely cited study out of South Korea showed that kids 10 to 19 were spreading the virus just as much as adults. In fact, they had the highest rate of Covid-19 among household contacts. Interestingly, in that same study, children younger than 10 did not account for a significant amount of viral spread. This was surprising because a recent study published in JAMA Pediatrics concluded younger kids may carry higher amounts of the virus in their nose, as compared to adults. And any parent will tell you how easily little kids spread viruses in their own homes. (When our kids were very young, a single cold in any one of them meant the whole family was going to soon become infected.)
... já que os senhores do ME estão-se nas tintas para a nossa segurança: a ideia de continuar com turmas de 30 alunos exactamente nas mesmas salas como se nada fora, face a estes estudos, não raia a negligência criminosa?
Isto foi hoje que a água estava tão límpida que se viam muito bem os peixes... e eles a nós. Pus-me a fugir dum pequeno cardume de cavalas porque li no jornal que há por aqui tubarões que gostam de cavalas e elas sempre a nadar atrás de mim. Saí da água com a boca roxa e os dedos engelhados, mas satisfeita. Hoje até consegui dar umas braçadas de mariposa.
A caminho de casa comprei o Público e estou aqui a ler enquanto como uns cubos de melancia. Fui dar com duas notícias da realidade:
A 1ª é para quem ainda tem dúvidas acerca de como as coisas se passam neste mundo já sem democracias a operar a não ser virtualmente.
A 2ª é para que se veja o estado a que chegou o ensino. Quando estes são os objectivos do ensino da nossa Língua: no 6º ano (alunos com 11 ou 12 anos) os alunos devem aprender a escrever textos com parágrafos... e devem intervir em blogs e fóruns. Desde quando aprender a escrever textos com parágrafos não se faz no 2º ano com 7 anos e só se faz cinco anos depois...? E intervir em blogs? Como é que me posso admirar dos alunos me chegarem ao 10º ano sem saber ler e escrever se a ambição assumida é esta?
Tratam os alunos como atrasados mentais... eles comportam-se como tais...
Finalmente, assegura-se que no ano que vem os exames têm outra vez a mão milagrosa do IAVÉ Maria cheia de Graça.
Não tenho esperança nenhuma no futuro do ensino quando o presente é a renovação da mediocridade aceite por todos e anunciada como progresso nos jornais.
Bem, estamos de férias e não estou para me chatear. Vou tomar banho e fazer o almoço, que estou cheia de fome. Voltei à minha rotina de 10 mil passos diários e ando a estudar a Fenomenologia de Hegel ao mesmo ritmo da natação na praia que são 30 braçadas, pausa, 30 braçadas... aqui são 30 minutos, pausa, 30 minutos...
A estudar Hegel com motivação e empenho descobri que o problema de ter levado muito tempo a perceber Hegel devia-se menos à minha burrice e inexperiência filosófica e mais à falta de jeito dos outros em explicá-lo. É que descobri por aí na net pessoas que o explicam muito bem. What a difference a good teacher does.
Temos aqui família e amigos perto mas ninguém fez o teste do Covid de modo que estamos em férias versão tranquilidade conventual.
Para aprovar três tostões para um hospital ou uma escola, cai o carmo e a trindade, pois é tudo muito complexo e difícil mas para aprovar um banco, são cinco dias. Não percebo nada de finanças, mas percebo bem que a banca no meu país tem servido para tudo menos para ajudar os portugueses e como sabemos que se abrem bancos só para ter certas condições para pôr dinheiro em offshores, estas notícias põem logo um bocado arrepiada. É que também não percebo nada de virologia mas sei que uma ajuntamento de cinquenta pessoas num pequeno espaço fechado é um chamariz para o bicho... e a questão é que não vejo ninguém comentar isto, nem num sentido nem noutro, o que ainda me arrepia mais.

Integrado nos trabalhos de campo do projecto da Capela do Fundador, o investigador turco Yigit Zafer Helvaci fotografa a parte superior do túmulo de Dom João I e Dona Filipa de Lencastre para a constituição de um modelo tridimensional desta estrutura, com recurso a fotogrametria 3D.