May 06, 2020

15 minutinhos de sol




Hoje evoca-se o nascimento de Freud, o indivíduo com mais memes a circular na internet



Cada um mais parvo/engraçado que o outro 😄






Distanciamento social, versão século... XVI, XVII...?



Margherita Gonzaga, Duchess consort of Lorraine, painting by Frans Pourbus the Younger, pandemic version? 😄



Coronavirus Li Wenliang - a pandemia não se contabiliza só em número de mortos



Há outros riscos para quem tem o azar de apanhar a doença. Ontem li o testemunho de um médico pediatra americano que esteve doente com o COVID-19 e recuperou. O indivíduo, com 50 anos e sem antecedentes de doenças, com uma vida activa e saudável, dizia que antes de ter sido infectado pelo vírus -o que aconteceu no âmbito da sua actividade profissional- trabalhava no hospital e ia a casa dos doentes. Em regra ficava cerca de 30 minutos com cada um, brincava com os miúdos e ia para a casa seguinte. Sofria de insónias e, mesmo assim, levantava-se ao fim de 4 horas de sono e ia trabalhar com energia. Agora, diz que ao fim de duas tele-consultas está sem fôlego, doem-lhe as costas e os rins. Está permanentemente cansado, com dificuldade em respirar. Portanto, é isto: o risco da doença não é apenas o de morrer, embora esse seja, claro, o pior; é também o risco de um resto de vida diminuído, sem forças, com dores, com dificuldades, com incapacidade de viver uma vida activa satisfatória. Ora, isso pode acontecer a qualquer um porque a doença mata, sobretudo, os mais velhos, mas ataca os outros de outras maneiras imprevisíveis.


Em direto. Covid-19: Reino Unido supera Itália em vítimas mortais, mais de um milhão de doentes recuperados no mundo

Claro, perceberam que isto é um poupar de dinheiro maluco



As pessoas em casa não precisam de espaço no escritório, de computador, de outro material, de subsídio de deslocação. Menos compras para o bar/refeitório do escritório, menos dinheiro em limpezas e em muitos outros custos.

Governo quer manter em teletrabalho um quarto dos actuais 68 mil funcionários públicos neste regime

Ministra da Modernização e Administração Pública admite que os aumentos salariais de 2021 irão depender da “sanidade financeira” do país depois da pandemia. Processo da descentralização desliza até Março de 2022.

Regresso à escola - para quê isto tudo?



Um aluno por secretária e intervalos passados na sala de aula. Como será o regresso às aulas


... ou melhor, para quê tanto por tão pouco?

Estas orientações complexas são possíveis, embora me pareça que em certas zonas serão difíceis de cumprir, porque estamos a falar de só regressarem à escola os alunos mais velhos, do 11º e 12º anos e para ter apenas as disciplinas de exame. Sendo relativamente poucos, mais os seus professores.

Para o próximo ano lectivo, com a escola cheia de alunos e professores em número de mais de um milhar e meio, por exemplo, cumprir estas normas é lógica, antropológica e logisticamente impossível, de modo que não percebo este regresso por um mês.

Só será possível reduzindo drasticamente o número de alunos por turma o que obriga a contratar muitos mais professores, funcionários, também, o que não vai acontecer porque é na educação, em primeiro lugar, que o governo pensa poupar dinheiro, sempre.

Acho que toda a gente leu aquele parágrafo que diz que os alunos têm as faltas justificadas se os pais optarem por não os mandar à escola, por causa da pandemia, mas que nesse caso não se lhes garante ensino à distância... claro que um professor não pode dar 6 horas de aulas na escola e depois ir a correr para casa voltar a cumprir esse horário de trabalho para os que não querem sair de casa; no entanto, esta cláusula, na prática, obriga os alunos a irem para a escola ou a desistirem deste ano lectivo. De modo que, pergunto: para quê isto tudo?

Porque é que o caso Assange interessa a todos II




Porque é que o caso Assange interessa a todos




Citação deste dia



"In the UK, the whole society is standing by as the most basic tenets of int'l law & human rights are being disregarded in order to extradite Assange for Espionage, which is how we've come to describe publishing true & correct information for the public in modern era." -
@Snowden

Diário da quarentena 52º dia - pássaros da manhã




O 1º documento escrito em língua portuguesa



O testamento de Afonso II, em 27 de Junho de 2014. Marca o nascimento da nossa língua, com dia e tudo. Fiquei a saber, agora, por um alfarrabista. Se tivessem escolhido o 27 de Junho para comemorar o Dia da Língua Portuguesa, todos evocavam o acontecimento. Tinha ajudado a dar-lhe significado e densidade.


Dialéctica interior



1986 . "Dialética"(interior do Castelo de Vila Viçosa) - Abreu Pessegueiro

May 05, 2020

💪🏻 🏋️‍♀️



Montei a cadeira 😎  apertei aqueles parafusos todos e aquela cena hidráulica 💪🏻
Agora tenho que ir enfiar-me na banheira e não é só por ter ficado com uma dorzinha antipática...




Sad... really...




Mário Quintana, que tão bem vestia a língua portuguesa, faleceu neste dia



Ah, esses moralistas... Não há nada que empeste mais do que um desinfetante! (Mario Quintana)


Mário Quintana, poeta, escritor e tradutor brasileiro. Quis ver o semblante do poeta. Às vezes parece que se vê na cara ou nos olhos das pessoas um reflexo do universo interior...

A tradução da obra, Em Busca do Tempo Perdido da edição Livros do Brasil, que tenho, é dele. Descobri que assinalei as passagens que mais gostei na primeira vez que li os livros. É interessante isto de pegar num livro que se leu há muito tempo e descobrir, pelas passagens assinaladas, o que é que, então, nos impressionava ou em que fase da evolução vivencial estávamos.

Descobri mais tarde, ao reler partes da obra, como esta tradução do Mário Quintana é preciosíssima. Quando lemos os livros ainda em idade nova (como eu li estes aos dezasseis ou dezassete anos), se gostamos deles, não ligamos ainda à forma da escrita em virtude de estarmos mais preocupados com o progredir das personagens na trama do livro. Mais tarde, como agora, já lemos os livros como quem percorre um caminho, sem pressas, fazendo paragens para apreciar a paisagem, que é arte literária do autor.

Pois é nesse passear que me apercebo da riqueza da tradução de Quintana. Esta é uma obra que necessita de um grande tradutor: grande no conhecimento da língua, na riqueza do vocabulário e na intuição da intenção do autor, porque Proust tem grande requinte literário. É capaz de dedicar uma página inteira a descrever os espargos acabados de apanhar, nos seus tons de irisação róseos e azulados, ou a a leitura que faz do olhar do sr. Legrandin a contrariar as palavras que diz acerca do desinteresse que tem pelos Guermantes.

Este é um livro que se saboreia devagar e com intenso prazer o que, em enormíssima parte, se fica a dever à belíssima tradução de Mário Quintana.

É também a ler estas grandes obras que ficamos com pena que tenham tirado dos currículos escolares as obras dos grandes autores porque a lê-los o mundo torna-se mais rico em detalhes, em pormenores, em cores e aromas e mais densamente humano, nos sentimentos, nos pensamentos e em todas as virtudes e vícios que lhe são próprios.

Hoje comemora-se, pela primeira vez, o dia mundial da Língua Portuguesa



Por iniciativa de Sampaio da Nóvoa mas com o esforço de outros que o seguiram.

A língua portuguesa escrita é mais bonita que a falada. Ao contrário da italiana que é mais bonita falada que escrita. A língua portuguesa dá muitos pontapés na lógica mas está cheia de subtilezas, excepções, irregularidades que espelham a própria vida pensada e vivida. Já a falada é cerrada e está cheia de sons, 'iche, iche' - todos os plurais, por exemplo e, muitos advérbios. Não é bonito. Nós é que estamos habituados e já não damos por isso.

Agora a escrita, enfim, tirando este aborto ortográfico que lhe assassinou a força vital e a reduziu a um presente pobre e unidimensional, é linda. A escrita do Camões, do Padre António Vieira... uma página do Teixeira Gomes é uma delícia, assim como do Ferreira de Castro, que nos põe dentro da selva a sentir o perigo do restolhar dos bichos. O Fernando Pessoa que anda à vontade nas paisagens interiores humanas e lhes conhece todos os recantos. O Vergílio e a Sophia e tantos outros.

Sim, a língua é também um instrumento de comunicação, de negócio, de diplomacia, de compreensão histórica e filosófica, antropológica e tudo o mais. Mas, acima de tudo, é a roupa que despimos e vestimos, que nos mostra e nos esconde.

Se voltasse atrás, no tempo, a seguir ao curso de filosofia, ou paralelamente, tinha ido estudar filologia. Gosto das palavras, do que elas revelam sobre a realidade e aliás, a filosofia, num certo sentido, é a linguagem - ao mesmo tempo forma e conteúdo, apreensão e apreendido.

Da minha janela para o mundo ouve-se a língua portuguesa. Neste primeiro dia mundial de 260 milhões de pessoas, a festa acontece na internet

Ensino à distância - intervalo



Estou no intervalo das aulas de hoje. Andamos a falar da ética kantiana que é um assunto que se presta a grandes e interessantes discussões. Já percebo que os miúdos sofrem de não poder encontrar-se na escola mas não desta comunicação à distância. Aí estão como peixe na água, escrevem a uma velocidade estonteante e discutem muito bem em fóruns. Mas adiante, porque era outra coisa o que queria dizer.

Uma pessoa tem a ideia de que a ética kantiana, por ser muito formalista e exigente, não será do agrado dos alunos, mas é ao contrário e a maioria deles, quando tem que escolher entre esta e a outra do S. Mill, inclina-se para esta (isto agora foi paradoxal, tendo em conta o que ele pensa das inclinações). Acontece que os alunos nesta idade, talvez por terem ainda pouca experiência de vida, são pouco dados a relativismos morais e têm um formalismo muito maniqueísta, se bem que na prática sejam outra coisa completamente diferente.

Enfim, hoje a discussão foi sobre a autonomia e a heteronomia da vontade e foi interessante, pelo menos para mim. Pior são as dores nas costas das horas sentada, mas hoje chegou a cadeira nova (talvez mande a conta para o ME ou para o senhor Rio).
Amanhã já sento na cadeira ergonómica :)

Coisas boas



Rui Nabeiro é um empresário e como todos os empresários com empresas, trabalha para ter lucro; no entanto, não se reduz a um empresário que quer ter lucro e tem, de facto, muitas iniciativas a pensar nas populações, sobretudo as da sua zona, a quem ajuda com iniciativas regulares. É um exemplo de que se pode ser empresário e não se ser mesquinho, acumulador sem escrúpulos ou explorador do próximo. Nada a ver com aqueloutros que falam muito, pedem o empobrecimento dos trabalhadores e fazem nada pela sociedade.

Grupo Nabeiro encontrou forma de ajudar cafés e restaurantes a ultrapassar crise


Há um outro vírus a circular e não sei se não faz mais estragos que o Corona



Portanto, existem os seres humanos e existem os seres humanos judaicos e são de categorias diferentes? E os de pensamento judaico são aqueles que embora pensem ter uma solução na mão vão atrasá-la por causa de patentes e lucros de comercialização?

É possível ser mais estúpido e triste que este indivíduo que diz uma tal coisa e nem percebe o que diz?

É como digo, pessoalmente tenho muita esperança nos milhões de cientistas que buscam soluções e nenhuma nos políticos, que por razões mesquinhas, arranjam sempre obstáculos para impedir as soluções.

O Instituto de Israel para a Investigação Biotecnológica, do Ministério da Defesa, anunciou, esta segunda-feira, ter desenvolvido um anticorpo para o coronavírus estando a preparar a patente para depois contactar farmacêuticas com o objetivo de uma produção em escala comercial.

Rússia saudosista de Putin



Não é à toa que Putin foi do KGB.


O mistério dos médicos russos que caíram de janelas

Segundo escreve a CNN, os casos estão a gerar burburinho nas redes sociais, porque os médicos lamentaram-se em público da falta de material de proteção nos hospitais públicos do país. A coincidência está a gerar especulação entre os russos, que não descartam as três hipóteses possíveis: acidentes, suicídios ou crime?

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Russia Misses Lenin and Stalin During COVID-19

WHAT WOULD LENIN DO?

Soviet ideology, which has been making a comeback for years under Vladimir Putin, is now being touted as the answer to a pandemic.


“If you want to end the current crisis and defeat coronavirus,” he proclaimed, “learn from Lenin’s advice—and everything will be alright.” Lenin knew how to mobilize Russians; he knew the power of the state; he won a civil war; and he defeated the scourges of infectious diseases that swept through the country, from plague to typhoid, to smallpox. There are lessons in that history, Zyuganov said.

So Soviet ideology, which has been making a comeback for years under Vladimir Putin, is now being touted as the answer to a pandemic. Soviet sympathizers argue that the totalitarian approach could now be useful in beating COVID-2019. But to make that case requires a very selective reading of the past.


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Esta reverência religiosa que os comunistas têm por um ditador totalitário, um assassino sem escrúpulos, fez-me lembrar as memórias de Bertrand Russell de quando conheceu Lenine. 
Bertrand Russell, como muitos europeus à data, alimentou esperança no ideal socialista marxista dos bolcheviques como resposta e solução de problemas de desigualdade e exploração das sociedades ocidentais. Isso foi antes de ir à Rússia e conhecer Lenine (Bertrand Russell Remembers His Face-to-Face Encounter with Vladimir Ilyich Lenin). 

Sendo um filósofo digno desse nome, logo, uma pessoa inteligente, perspicaz, observadora e com capacidade de objectividade intelectual, percebeu rapidamente quem era Lenine e o que era a sua ideologia.

Ficou estupefacto com a rigidez dogmática doutrinária do comunismo, o zelo com que citavam constantemente Marx como se fosse a palavra da Bíblia Sagrada e, acima de tudo, a crueldade tirânica que estavam dispostos a usar com o povo.

Em 1920 visitou Petrogrado (S. Petersburgo) e Moscovo com uma delegação do partido Trabalhista:

"Fui à Rússia como um comunista mas o contacto com aqueles que não têm nenhumas dúvidas intensificou mil vezes as minhas dúvidas, não como comunista, mas relativamente à sabedoria de acreditar tão fortemente num credo que se está disposto, em seu nome, a infligir a miséria generalizada."

Mais tarde, ainda diria: "Crueldade, pobreza, suspeição, perseguição, constituem o próprio ar que respiramos. As nossas conversas eram constantemente espiadas. No meio da noite ouvíamos tiros e sabíamos que idealistas estavam a ser mortos nas prisões. Havia uma hipócrita pretensão de igualdade e todos eram chamados de 'tovarisch' [camaradas], mas era espantoso o modo diferenciado como este termo era pronunciado, conforme a pessoa a quem era dirigido se tratava de Lenine ou um criado perguiçoso."

Russell teve um encontro de uma hora com Lenine no gabinete dele no Kremlin. Numa entrevista de  John Chandos em 1961, Russell relata os dois traços que, segundo ele, definiam Lenine: a sua rígida ortodoxia e a sua veia de crueldade impiedosa, como mais tarde diria.

Na altura da entrevista, a sua antipatia e ambivalência pelo comunismo soviético e o que em seu nome se fazia na URSS intensificou-se, até que em 1956 escreveu a obra, 'Porque não sou comunista'. (tradução minha)

[emprestei esse livrinho há uns anos a um aluno, que mo pediu para ler e nunca mais o devolveu...]

Em 1920, Bertrand Russell percebeu, em uma hora, quem era o homem, mas passados 100 anos, ainda há quem não tenha percebido e o cite como modelo de resposta social. E isto é ainda mais chocante do que o carácter imoral do indivíduo.

Ando agora a abordar, com as turmas do 10º ano, o problema da ética que inclui a moral. Lenine e as suas acções, são imorais e contrárias a todas as éticas, sejam as intencionalistas, como a de Kant, sejam as consequencialistas, como a de Stuart Mill ou até outras, como as aristotélicas, as estóicas, as epicuristas, etc., que não estudamos.

Não há uma única ética no âmbito da qual ele possa ser considerado, mesmo que tenuamente, como um ser moral. Como é possível que se continue a querer para a política, cuja acção, sem ética, não passa de mercância, de negócio (como vemos bem em alguns líderes actuais) uma imitação de um indidívuo cuja principal característica era justamente a ausência de qualquer princípio ético ou moral?

Na minha modesta maneira de ver, defender a pessoa e as práticas de Lenine e defender o nazismo não são coisas muito distintas a não ser na taxonomia que põe uns para a direita e o outro para a esquerda.