April 10, 2020

Estava aqui a olhar para esta fotografia e a pensar...



Estes fatos parecem-me um verdadeiro inferno. Como é que as pessoas andam com estes fatos de camadas de plásticos uns em cimas uns dos outros durante horas a fio? Devem estar sempre a escorrer suor dentro daquilo. Na cabeça deve ser horrível. Devem ter o corpo cheio de borbulhas e irritações. E os óculos? Como é não embaciam? E podem limpá-los ou isso obrigava a tirar luvas e lavar mãos e luvas e tudo outra vez? E como é que vão à casa de banho? Tiram aquele aparato todo de cada vez que precisam? Andam de fraldas?


Alguém me explique isto como se tivesse 3 anos



Qual a razão dos aplausos? Antes de ontem o italiano e outros recusavam o mecanismo de estabilidade (um termo-prozac para troika, endividamento, fuga de jovens formados, etc.) e diziam, 'eurobonds ou nada' e hoje aprovam empréstimos, fundos de resgate com juros à antiga e estão satisfeitos. Satisfeitos com o quê?
O ministro das finanças holandês e Centeno eram os mais satisfeitos. Acho que isso é revelador. Há-de ser mais endividamento de corda na garganta, mais cativações de serviços públicos, mais empobrecimento, mais fuga de jovens.
Alguém me explique isto como se tivesse 3 anos, em que é que isto nos ajuda, no médio e longo prazo?

Aplausos no Eurogrupo para ajuda imediata de 500 mil milhões

Wopke Hoekstra [o ministro das finanças holandês] revelou que a solução para ajudar as finanças dos Estados passa por linhas de crédito do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), "sem condições para despesas médicas", mas "com condições" para apoio económico.

Dis-moi...








docteur ralph

Pássaros da manhã - rouxinol




Para outros o confinamento é tortura (não metafórica) - Assange na solitária 23 horas e meia por dia



Como é que um juiz o deixa nesta situação e consegue dormir à noite?

Haja alegria no confinamento :)




Bronx: uma vala comum para os mortos do COVID-19. Olha o tamanho




Citação deste dia




Ontem, alguém reparou no emplastro? Não, não me refiro ao interprete gestual



e este aperto de mão? porque não beijinhos?


Bom dia



April 09, 2020

Max Richter - Meeting Again



'O desgrenhamento das ramagens'





Ben Chiang

A Espanha, nem com a crise em que está recua no primismo



Encarnación Burgueño, la gestora de la crisis de las residencias casi sin experiencia sociosanitaria 

María Encarnación Burgueño, hija del artífice de los planes privatizadores en la sanidad madrileña, mantiene su currículum en Linkedin, que se resume en tres áreas: teleoperadora, jefa de ventas y directora de desarrollo y proyectos en una consultoría.

Elegante pensamento



Não sei onde é que fica esta escadaria com este corrimão lindo mas gostava muito de saber quem era a pessoa que tinha um interior conceptual e estético assim tão elegante.



Ágnes Bircher Gaál Ferencné

Que grande chatice... odeio este coronacoiso



Agora recebo 100 emails por dia e ainda não entrámos no 3º período com 120 alunos e duas dezenas de colegas a trocar emails. Estes são só de negócios que querem sobreviver com entregas em casa. Que chatice. Uma das coisas que me fez ficar a dar aulas (sim, tive algumas ofertas de trabalho nestes anos, mas optei por ficar a dar aulas) foi o horror a trabalhar oito horas por dia a uma secretária, a ver papéis, agora emails... e no fim, aqui estou eu nisto de estar sentada a tratar de emails...


The five stages of crisis management




juliette kayyem

Diário da quarentena 26º dia - 2 minutos de Bach por dia nem sabe o bem que lhe fazia




Coronavirus LI Wenliang - pôr as coisas em perspectiva para quem ainda acha tudo um exagero e uma histeria



A crise do ébola estendeu-se por dois anos, de 2014 a 2016, em 10 países, quase todos africanos, ou seja, sem sistemas de saúde sofisticados, sem medicamentos, sem equipamentos, sem protecção para médicos e enfermeiros, etc.

Nesses dois anos, na totalidade dos países, houve 28.646 infectados reportados e morreram 11.323 pessoas, das quais cerca de 500, foram pessoal da saúde.

A crise do Coronavirus LI Wenliang dura há apenas quatro meses e meio - já se estendeu a mais de 150 países, já infectou 1.503.900; já matou 89.931 pessoas; só em Itália, já morreram mais de 100 médicos, sem contar com enfermeiros e outros trabalhadores de hospitais;  Espanha, ontem, ia em 94 médicos. Fora os outros 150 países. Já deve ir nos 500, só em médicos, ao fim de 4 meses e meio. Sem contar com o resto do pessoal que trabalha nos hospitais.

Para quem pensa que isto é só uma gripe e que toda a gente é histérica e catastrofista, pergunto: quantos médicos e enfermeiros precisam de fatos de astronauta para se aproximarem de doentes com gripe e quantos médicos e enfermeiros morrem no tratamento de pessoas com gripe? Onde é que, para tratar gripes, tem de escolher-se quem vive e quem morre como numa guerra?

A SIDA, ou melhor, complicações associadas à SIDA, matam mais pessoas por ano. Cerca de 750.000, mas não é uma doença transmissível pelo ar. É preciso contacto sexual ou de sangue para se infectar. Um médico não precisa de vestir-se de astronauta para tratar um doente de sida, a não ser em cirurgias, que metem cortes e sangue. O cancro mata 10 milhões por ano e as doenças cardíacas ainda mais mas não infectam os saudáveis e não são doenças que se apanham no dia 1 do mês e no dia 14 já se está sete palmos debaixo da terra.

Há pessoas que para perceberem as coisas tinham que ser enfiadas num hospital na ala dos doentes durante uma semana e vê-las com os próprios olhos. Se não é visível não acreditam que seja sério; ou então pertencem àquele grupo de pessoas que pensam que até é bom que morram muitos porque o planeta tem gente a mais e o país tem gente velha a mais e assim pagam-se menos reformas.

Ouvi as perguntas e respostas do primeiro-ministro sobre a abertura das escolas e da realização de exames



Continuo sem perceber esta obsessão pelos exames. Os alunos do 12º que vão entrar para a faculdade, como o próprio primeiro-ministro disse, já tiveram 8 dos 9 trimestres obrigatórios, dado que as disciplinas a que têm exame (Português e Matemática) são tri-anuais, de modo que a nota deles já foi aferida 8 vezes. Por conseguinte, qual é a razão de não poderem concorrer com a nota do último trimestre de aulas que foi o 2º período deste ano? Quanto ao 11º ano, o caso é o mesmo. Dos 6 períodos que têm de cumprir e em que a sua avaliação é aferida, 5 já cumpriram.

Não compreendo esta obsessão pelos exames. Não compreendo porque não se aproveitam estes meses para, em vez de pôr em marcha todo o aparato de exames que mobiliza praticamente todos os professores das escolas (uns no agrupamento de exames, outros no secretariado de exames e outros nas vigilâncias - que aliás obrigam a um contacto de muito perto com os alunos, para verificar os dados pessoais e outras questões no decorrer da prova), para se preparar o próximo ano lectivo que vai ser extremamente exigente e, pode dar-se ainda o caso de ter uma nova paragem por segunda vaga de pandemia. Isso, preparar o próximo ano, parece-me o mais importante.

Não percebo como é que se vai pôr professores e alunos nas salas de aula. Onde se vai buscar professores para dar aulas pois se dividirem as turmas em três, ou metade, que seja, dobram o número de turmas e precisam de contratar professores. E vão garantir máscaras para todos ou vai-se para lá à balda?

Não percebo porque não se empurra o fim do ano ou se faz o contrário. Declara-se aqui o fim deste ano lectivo e antecipa-se o início do próximo para se ter tempo de compensar o trabalho deste ano que não foi acabado. Aproveitava-se o tempo para preparar o próximo ano.

Podia à mesma haver a tele-escola e trabalho com os alunos à distância, no sentido de consolidar aprendizagens, se se antecipasse o início do próximo ano lectivo ou, pelo contrário, se se empurrasse o fim deste ano lectivo mais para a frente, com o 3º período a começar em meio de Junho e a acabar em final de Julho isso não era necessário.

Para mim, qualquer uma das soluções é preferível a esta em que, para se fazerem exames, vão comprometer-se as aprendizagens que não ficaram dadas em todos os outros anos/disciplinas sem exames, pois não podem ser dadas se se começa o ano lectivo no tempo do costume por causa do tempo que os exames consomem (dois meses) e do atraso que isso significa para todo o trabalho restante.

Esta é, para mim, a pior solução e não a compreendo. Ou melhor, só a compreendo num contexto que é o contexto do ministro da educação, o secretário de Estado, o primeiro ministro e os reitores das faculdades não terem confiança no trabalho dos professores, acharem que as notas dos professores não são resultado de um trabalho sério e quererem os exames para aferir do trabalho dos professores.

Coronavirus Li Wenliang - ainda acerca de metáforas, a crise na UE



Não é verdade que estejamos todos no mesmo barco, como muitos dizem (ainda agora ouvi Durão Barroso dizê-lo na TV), acerca da UE, para tentar convencer os países do Norte, sobretudo a Alemanha, a Holanda e a Finlândia a ajudar os outros. É verdade que estamos todos no mesmo mar e as ondas agitam a todos, mas uns estão a navegá-las em porta-aviões, outros em iates e outros em traineiras ou barcos a remos. E os países do Norte sabem que estão em porta-aviões e resistem muito melhor ao mar agitado e não querem abrir as suas portas a refugiados que andam em traineiras e barcos a remos porque não querem partilhar a sua vantagem com os outros, com medo de perderem alguns dos aviões que têm no hangar. E esse é que é o problema. Quem mais tem é quem menos quer dar. Até dá, às vezes, por caridade, como o Bill Gates deu uns milhões dos seus biliões, mas fá-lo como uma operação única e não a troca por acções que ajudem à partilha da riqueza com os que menos têm. Não me lembro do Gates ter vendido computadores a 10 dólares, o que podia ter feito, pois vendia aos milhares de milhões e teria à mesma uma enorme fortuna. Não, vendeu-os a centenas de dólares. Acumulou biliões. É o mesmo que se passa com os países do Norte. Ainda hoje ouvia o ministro alemão dizer, 'não sei porque não havemos de usar o mecanismo de estabilidade que temos usado até agora. Tem servido bem'. Tem serviço bem, para ele, para meter aviões no hangar do seu porta-aviões.
De modo que não, não estamos todos no mesmo barco. Há barcos muitos diferentes a navegar no mesmo mar.