Edith Mary Bratt
Nascida em 1889, Birmingham, Inglaterra
Edith Mary Bratt nasce de uma mulher solteira chamada Frances. Não há pai registrado. Não existe certidão de casamento. Estamos na Inglaterra vitoriana. A ilegitimidade é um escândalo, uma vergonha. Uma morte social.
Frances trabalha como governanta para Alfred Warrilow, um comerciante de papel. As evidências sugerem que ele é o pai de Edith, mas Frances nunca confirma isso — nem à filha, nem a ninguém. Edith cresce entre rumores, com a consciência de que algo sobre as suas origens está errado porque não se fala sobre isso.
A sua mãe e a sua prima Jenny criam-na em Handsworth, um subúrbio de Birmingham. Edith é muito talentosa musicalmente — toca piano lindamente e encontra refúgio na música quando o mundo parece hostil.
Em 1903, Frances morre. Edith fica órfã aos 14 anos e o seu tutor passa a ser Stephen Gateley, o advogado da família — um homem prático que a manda para a Dresden House School, em Evesham, um colégio interno administrado pelas irmãs Watts. A escola é especializada em música. Edith estuda piano com seriedade, praticando horas por dia. Sonha tornar-se uma pianista concertista, uma carreira respeitável para uma mulher com o seu passado.
Nascida em 1889, Birmingham, Inglaterra
Edith Mary Bratt nasce de uma mulher solteira chamada Frances. Não há pai registrado. Não existe certidão de casamento. Estamos na Inglaterra vitoriana. A ilegitimidade é um escândalo, uma vergonha. Uma morte social.
Frances trabalha como governanta para Alfred Warrilow, um comerciante de papel. As evidências sugerem que ele é o pai de Edith, mas Frances nunca confirma isso — nem à filha, nem a ninguém. Edith cresce entre rumores, com a consciência de que algo sobre as suas origens está errado porque não se fala sobre isso.
A sua mãe e a sua prima Jenny criam-na em Handsworth, um subúrbio de Birmingham. Edith é muito talentosa musicalmente — toca piano lindamente e encontra refúgio na música quando o mundo parece hostil.
Em 1903, Frances morre. Edith fica órfã aos 14 anos e o seu tutor passa a ser Stephen Gateley, o advogado da família — um homem prático que a manda para a Dresden House School, em Evesham, um colégio interno administrado pelas irmãs Watts. A escola é especializada em música. Edith estuda piano com seriedade, praticando horas por dia. Sonha tornar-se uma pianista concertista, uma carreira respeitável para uma mulher com o seu passado.
Em 1907 Edith termina a escola. Gateley encontra-lhe alojamento na pensão da Sra. Faulkner, 37 Duchess Road, Birmingham. É uma casa respeitável, segura. A Sra. Faulkner organiza noites musicais em que padres do Oratório de Birmingham participam, cantam e Edith acompanha-os ao piano. No entanto, a Sra. Faulkner não deixa Edith praticar adequadamente. Sempre que Edith começa a tocar escalas ou arpejos interrompe-a: «Agora, minha querida Edith, já chega por hoje!»
A carreira de concertista de Edith murcha antes mesmo de começar.
A carreira de concertista de Edith murcha antes mesmo de começar.
Edith fica presa numa pensão, tocando acompanhamento para cantores amadores, incapaz de desenvolver o seu próprio talento.
Em Janeiro de 1908, dois irmãos mudam-se para o número 37 da Duchess Road. Ronald, com 16 anos e o seu irmão mais novo Hilary, com 14. Órfãos, como Edith. A mãe deles morreu de diabetes três anos antes. O seu tutor é o padre Francis Xavier Morgan, um padre católico do Oratório.
O romance entre eles desenvolve-se rapidamente. Passeiam juntos, encontram-se em salões de chá. Ronald escreve poemas para ela. Edith toca para ele. Um romance inocente e doce. O tipo de primeiro amor que parece descobrir algo que ninguém mais na história jamais sentiu.
Porém, o padre Morgan fica horrorizado porque Edith é anglicana, não católica e ainda por cima é três anos mais velha que ele, moram sob o mesmo tecto, o que parece impróprio para os outros inquilinos. E o mais importante — Ronald tem exames para uma bolsa de estudos em Oxford. Esse relacionamento é uma distração.
O padre Morgan muda Ronald e Hilary para um alojamento diferente do dela e diz a Ronald para terminar o relacionamento com ela. Ronald concorda, relutante mas a verdade é que continuam a encontrar-se «acidentalmente». Nas esquinas. Nas lojas. No aniversário de 21 anos de Edith, em 1910, Ronald está lá. O padre Morgan descobre e fica furioso.
Dá um ultimato a Ronald: nada de contacto com Edith até completar 21 anos. Nada, se não quer perder a bolsa de estudos em Oxford e com ela todo o seu futuro. Ronald esteva dependente do padre, seu tutor.
Três anos. Sem cartas. Sem encontros. Nada. John Ronald Reuel Tolkian tem 18 anos e três anos parecem uma eternidade, mas obedece. Desaparece sem dizer nada a Edith e vai para Oxford estudar, escrever poesia, inventar línguas e desenvolver a mitologia que acabará por se tornar O Silmarillion. E Edith espera. Depois, deixa de esperar.
Ela sacrifica o desenvolvimento do seu talento musical por ele e nunca toca a não ser para a família.
A 29 de novembro de 1971 Edith morre aos 82 anos de uma inflamação da vesícula biliar. Esteve alguns dias no hospital. Depois, partiu. Ronald fica devastado. Estavam casados há 55 anos.
fonte: A Inspiradora
Muda-se para Cheltenham para viver com um casal de idosos que precisa de companhia. Toca piano e frequenta a igreja. Um homem chamado George Field corteja-a. Ele é respeitável, gentil, independente e estabelecido. Pede-a em casamento e ela aceita.
O que mais ela poderia fazer? Ronald abandonou-a. Três anos de total silêncio. Ela tem agora 21 anos — está a ficar velha para os padrões eduardianos e as suas perspectivas estão a diminuir. George Field oferece segurança, companhia, uma vida normal e respeitável.
3 de janeiro de 1913. Ronald Tolkien faz 21 anos. Na noite desse mesmo dia em que ficou livre da dependência do padre Morgan, escreve a Edith a declarar-lhe o seu amor. Age como se o silêncio de três anos tivesse sido apenas uma breve interrupção, não um abandono, mas Edith responde-lhe que não acredita que depois de três anos de um silêncio sem explicação lhe escreva dessa maneira e diz-lhe que está noiva de George Field.
Ronald fica arrasado mas não desiste. Põe-se imediatamente a caminho de Cheltenham e encontra Edith na estação ferroviária. Caminham pela cidade e conversam por horas. Ele explica-lhe o que se passou e diz-lhe que nunca deixou de querê-la. Acontece que ela também nunca deixou de querê-lo.
Nesse mesmo mesmo dia, Edith devolve o anel de noivado a George Field e aceita o pedido de casamento de Ronald.
Ronald insiste que Edith se converta ao catolicismo o que não é um pedido pequeno. Edith é anglicana, todo o seu círculo social em Cheltenham é anglicano. A família com quem ela mora é anglicana.
Converter-se significa perder essa comunidade, ser vista como uma traidora da sua fé e nfrentar o ostracismo social - mas ela aceita, por Ronald e converte-se ao catolicismo, mesmo isso custando-lhe os seus relacionamentos e a sua posição em Cheltenham.
Converter-se significa perder essa comunidade, ser vista como uma traidora da sua fé e nfrentar o ostracismo social - mas ela aceita, por Ronald e converte-se ao catolicismo, mesmo isso custando-lhe os seus relacionamentos e a sua posição em Cheltenham.
Em 22 de março de 1916 casam-se na Igreja de Santa Maria Imaculada, em Warwick. O padre Morgan, que proibiu o relacionamento deles oito anos antes, dá a sua bênção e participa na cerimónia.
Ronald tem 24 anos, Edith tem 27. Uma semana após o casamento, Ronald embarca para a França. Está-se em plena Primeira Guerra Mundial. Batalha do Somme. Ronald serve quatro meses nas trincheiras antes de contrair febre das trincheiras e ser enviado para casa.
Edith passa a guerra aterrorizada com a possibilidade de ele morrer mas ele sobrevive. Têm quatro filhos, John, Michael, Christopher e Priscilla.
Edith passa o resto da sua vida a apoiar a carreira académica de Ronald. Cria os filhos praticamente sozinha enquanto ele leciona em Oxford, escreve O Hobbit e O Senhor dos Anéis e constrói o seu legendarium.
Edith passa o resto da sua vida a apoiar a carreira académica de Ronald. Cria os filhos praticamente sozinha enquanto ele leciona em Oxford, escreve O Hobbit e O Senhor dos Anéis e constrói o seu legendarium.
Ela sacrifica o desenvolvimento do seu talento musical por ele e nunca toca a não ser para a família.
A 29 de novembro de 1971 Edith morre aos 82 anos de uma inflamação da vesícula biliar. Esteve alguns dias no hospital. Depois, partiu. Ronald fica devastado. Estavam casados há 55 anos.
Enterra-a no cemitério de Wolvercote, em Oxford. Na lápide, manda gravar: Edith Mary Tolkien, Lúthien, 1889-1971.
Lúthien é a donzela élfica imortal da sua mitologia que renuncia à sua imortalidade pelo amor de um homem mortal, Beren.
A 2 de setembro de 1973 morre ele, aos 81 anos.
É enterrado ao lado de Edith. A sua lápide diz: John Ronald Reuel Tolkien, Beren, 1892-1973.
É enterrado ao lado de Edith. A sua lápide diz: John Ronald Reuel Tolkien, Beren, 1892-1973.
Beren e Lúthien. Juntos na morte como na vida.
fonte: A Inspiradora



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