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June 03, 2025

O candidato Gouveia e Melo

 

Na sua primeira entrevista depois das duas apresentações de candidatura em Lisboa e Porto, Henrique Gouveia e Melo afirmou ser “pró-vida” e contra a eutanásia, afirmando mesmo que quando a lei lhe for parar às mãos (no caso de ser eleito Presidente) a vai mandar para o Tribunal Constitucional.
(...) Sobre o aborto, considerou que “o problema já está resolvido na sociedade portuguesa”
Quando foi confrontado com o que faria se estivesse no lugar de Marcelo Rebelo de Sousa no momento da demissão de António Costa em Novembro de 2023, Gouveia e Melo discordou da posição do Presidente da República. Se fosse chefe de Estado, Gouveia e Melo não teria dissolvido a Assembleia da República e daria posse a Mário Centeno como primeiro-ministro, como foi sugerido pelo PS. “Não está escrito na Constituição que as eleições são para eleger o primeiro-ministro”, disse o candidato. 
 (...) Gouveia e Melo manifestou “grande admiração” pelo seu mandatário nacional, Rui Rio, e a sua “afinidade e objectivos políticos
Público (excertos)


Como todos sabemos, a maioria dos jornais e uma enormidade de estudos universitários e científicos são, nos dias de hoje, armas de destruição maciça nas mãos de políticos e organizações vorazes de poder e daí o seu descrédito geral.

Este artigo está 'wepanigzado' como dizem os anglo-saxões, de uma maneira óbvia para manipular a opinião pública. Escolhem 3 ou 4 frases de Gouveia e Melo e reduzem-no a elas.

Mesmo levando isso em conta, as posições das pessoas sobre temas políticos e sociais e as razões que apresentam para as sustentar dizem-nos muito sobre o seu modo de decidir e a sua orgânica mental.

Compreendo que Gouveia e Melo, sendo um homem conservador de uma certa idade seja contra a eutanásia e contra a IVG. Porém, um homem, mesmo que conservador, candidato a Presidente, um cargo para o qual se é eleito por todos os portugueses, tem que levar em conta o sentimento geral dos portugueses nessas questões e não pensar taxativamente que vai agir em nome pessoal a partir das suas convicções pessoais.

Em segundo lugar, as pessoas por quem tem admiração também dizem muito sobre ele. Ter grande admiração por Rui Rio, em meu entender é um demérito porque indica que não viu bem quem é este personagem e tudo o que não fez, para além de se armar em vítima.

Adiante... Depois de dizer que as eleições não são para eleger pessoas [mas partidos políticos] diz que teria nomeado Centeno, um homem que ninguém elegeu para coisa alguma e que nem sequer pertence a um partido político, os tais que são os objectos de eleições. Ademais, escolher Centeno, diz muito sobre este militar: é alguém que admira homens de pulso forte que tomam decisões sem ouvir ninguém a não ser as suas convicções pessoais, tão crentes estão na sua superioridade e verdade.

A democracia é o lugar da argumentação, da troca de ideias, da apresentação de razões v´lidas para as decisões e onde isso está ausente sobra o autoritarismo.

Gouveia e Melo parece ser uma pessoa honesta e séria, qualidades excelentes para um Presidente. Também deve ser um excelente comandante militar. Uma pessoa habituada e competente na organização de tropas e na execução de tarefas complexas. Isso foi óbvio na questão das vacinas que resolveu com uma limpeza olímpica.  Porém, estas características de executor e de homem conservador de pulso fores, não são, quanto a mim, bons indicadores de um Presidente que tem de saber conduzir e inspirar sem executar e  tem de ser capaz de ponderação. Rodear-se de pessoas sérias. Rui Rio não é um bom sinal.

Para eleger um militar para este cargo civil, teria de ser uma pessoa excepcional, não de um ponto de vista militar ou executivo, mas de um ponto de vista político. Um visionário. Claro que vou ouvir o que ele tem a dizer de si na campanha, mas...

Quanto a outros candidatos, Sócrates apoia vivamente Vitorino e está tudo dito.

February 20, 2025

Um artigo muito interessante sobre a candidatura de Gouveia e Melo




Penso que só falta ter feito uma observação: a popularidade de Gouveia e Melo vem justamente de ser pouco conhecido para além da competência e seriedade que mostrou durante a pandemia. Os outros candidatos, em geral, já as pessoas os conhecem de ginjeira e sabem o que são: gente ao serviço de partidos, uns e, de si mesmos, outros. De resto, uma análise muito bem feita.

Gouveia e Melo não é um perigo, é um aviso ao PSD e PS (e o risco que corre é outro)


David Dinis

Parece que o Almirante Gouveia e Melo decidiu largar a carreira militar e abraçar uma candidatura presidencial, já a partir de março. Parece que muitos políticos se assustaram com isso e que alguns comentadores ficaram mesmo preocupados com a ascensão de um militar ao Palácio de Belém, cerca de 40 anos depois de Eanes. Percebo o susto de uns e o pânico de outros, mas estou em crer que é excessivo: o risco de Gouveia e Melo na Presidência não é ele ser militar, é outro. E talvez nem seja um perigo, mas um aviso.

Neste Observatório da Minoria, tento explicar-lhe porquê.

É melhor começar por explicar o pânico de alguns, porque há razões históricas que o justificam. Experimente, por razões de conforto e rapidez na pesquisa, perguntar ao ChatGPT, quais são os riscos de um militar na Presidência e terá prontamente à mão uma lista de tópicos. Começo por estes:
Risco de militarização da política, com maior controlo do Governo pelas Forças Armadas (como tivemos com o Conselho da Revolução, até 1982); 
Polarização e instabilidade social, “especialmente se o militar tiver apoio das Forças Armadas, mas não da maioria da população”; 
Potencial para desrespeito aos direitos humanos, como “perseguições políticas, desaparecimentos forçados, tortura e repressão a grupos opositores”; 
Risco de autoritarismo, como restrição da liberdade de expressão, censura aos media, ou repressão de opositores políticos e enfraquecimento das garantias constitucionais – em nome da “ordem e a estabilidade”; 
Criação de um precedente perigoso, “encorajando outros militares a envolverem-se na política e desestabilizando a ordem constitucional”; 
Desconfiança internacional: a comunidade internacional, especialmente as organizações que defendem os direitos humanos e a democracia, “pode ver essa mudança como um retrocesso e isolar o país politicamente ou impor sanções”.


Lendo isto, salta à vista que uma eleição de Gouveia e Melo é inofensiva para a nossa Democracia. Siga comigo: Portugal tem, há quase 50 anos, uma Constituição sólida, imune a retrocessos ou à militarização do Estado – sem que dois terços dos deputados abram esse espaço numa revisão futura; o papel do Presidente não é Executivo, pelo que as ameaças à liberdade de expressão não partem de Belém; não existe na estrutura militar qualquer tentação de subversão da ordem política; não é conhecida qualquer posição do Almirante contrária ao respeito dos direitos fundamentais; e, mais, sendo a eleição direta e unipessoal, Gouveia e Melo teria sempre o apoio da maioria dos votantes – pelo que o país estaria perfeitamente a salvo de tensões com os seus aliados.

Os manuais de história do século XX explicam que estes eram riscos muito sérios no auge da guerra fria. Mas o que os manuais de Ciência Política de hoje nos explicam é que os regimes autoritários já não se impõem, como antigamente, com tomadas de poder feitas pelas armas. Leia “A ditadura adaptada ao século XXI” e perceberá como “uma nova geração de políticos trocou as fardas militares pelos fatos de marca”, fazendo com que o que aconteceu no Chile e Uruguai em 1973, na Argentina em 1976 ou no Brasil em 1964 estejam hoje fora de causa (como prova a facilidade com que o golpe de Bolsonaro caiu por terra).

Sim, é verdade que a ameaça autoritária persiste e que vivemos tempos de visível regressão democrática. Só que, agora, os ditadores vestem-se de Prada, como dizem os autores daquele livro:

“Em vez de julgamentos que eram autênticos espetáculos ou brutais campos de detenção, estes novos ditadores controlam os cidadãos através da manipulação e de ações aparentemente democráticas, para construir a sua base de apoio.”

É por isto que os críticos de Gouveia e Melo estão a olhar para o lado errado da equação: o que nos deve preocupar não são os riscos da eleição de um militar para Belém, é o contexto em que essa eleição se revela possível em pleno século XXI.

Por outras palavras, a pergunta que nos devemos colocar é esta:
POR QUE É QUE GOUVEIA E MELO APARECE COMO FAVORITO?

A resposta a esta pergunta está na fragilidade das instituições democráticas, ou na crise institucional que enfraqueceu o sistema político. Há vários estudos que a atestam, mas veja por exemplo este, publicado pela OCDE há escassos meses:
    Em Portugal, só 32% confiam (ainda que moderadamente) no Governo central, abaixo dos 37% registados nos restantes países da organização;
    Os partidos políticos (18%) e o Parlamento (31%) são as instituições em que menos se confia em Portugal; 
    Apenas 43% dos portugueses estão satisfeitos com os serviços administrativos que utilizaram – um importante fator de confiança na função pública – em comparação com a média da OCDE de 66%. Neste campo, notam-se sobretudo níveis baixos de satisfação relativamente ao SNS, à justiça com são tratados os pedidos de apoio ao Estado e à (in)capacidade de proteger vidas em cenários de emergência; 
    Mais problemático ainda, todos os indicadores de confiança desceram nos últimos dois anos, como atesta o gráfico em baixo:

Tudo isto ajuda a explicar as más prestações nas sondagens dos potenciais candidatos vindos dos partidos: todos eles estão, justa ou injustamente, colados à perceção de que os políticos não têm resolvido os problemas quotidianos. Ao que se junta a ideia (muito visível nas comemorações do 25 de novembro esta semana), de que os políticos se entretêm em jogos de palavras, muitas vezes contribuindo ativamente para a má imagem que os cidadãos têm deles – com vergonha de subir os seus salários, quando trocam a disputa por ideias por acusações pessoais, quando falham na ética, na palavra, na proximidade.

O perfil público de Gouveia e Melo parece contrastar: o Almirante resolveu a distribuição das vacinas, no mais difícil dos momentos e contra a maioria das expectativas; e manteve-se visível à frente da Marinha, aproveitando a sua rara visibilidade para passar a mensagem da sua utilidade à frente desse ramo das Forças Armadas. Claro que, de caminho, foi abrindo o caminho para uma candidatura presidencial, conseguindo ótimos resultados nas sondagens.

A candidatura pré-anunciada serve, portanto, de aviso aos políticos e aos principais partidos. Mas será também um perigo?

Para não cair no erro de fazer juízos pré-concebidos, fui reler as várias entrevistas que ele deu à imprensa nos últimos anos. E percebi que o discurso que foi preparando, alinhando, testando, o coloca como um candidato muito forte nas eleições de janeiro de 2026. Repito o que lhe disse ainda há pouco: há um perigo, sim, mas não será aquele que eu próprio identificava como provável.

O QUE NOS FOI DIZENDO GOUVEIA E MELO, O PRÉ-CANDIDATO?

O pressuposto mais frequente sobre o posicionamento do Almirante é de que se trata de um militar com tendências populistas. Mas não é verdade: apesar da tentativa de colagem de André Ventura, Gouveia e Melo não está nem perto do discurso do Chega. Trago-lhe alguns exemplos:
"Eu não tenho nada contra o poder político, acho que é uma coisa muito nobre” (Correio da Manhã em dezembro de 2021); 
“Os partidos são essenciais para a democracia, que não sobrevive sem partidos. Mais uma vez, esta ideia do ‘são todos corruptos’: se são todos corruptos, então somos todos corruptos, não são só os outros. Há gente muito boa nos partidos, e os partidos são a forma como conseguimos congregar ideias políticas. Demonizar a política é péssimo para a democracia” (Expresso, dezembro 2021); 
“Os negacionistas são gente que vive numa bolha de desinformação, que se autodiminuiu” (Noticias Magazine, dezembro 2021); 
"A maior ameaça está relacionada com as alterações climáticas. Não quero ser apocalíptico, mas quando penso nos meus filhos e netos, não posso deixar de estar preocupado” (Noticias Magazine, dezembro 2021); 
“O nosso país tem muitos problemas que tem de resolver. O que é perigoso é a simplificação de soluções. E haver certas forças políticas que advogam soluções muito simplificadas que podem ser perigosas em termos de execução” (Noticias Magazine, dezembro 2021).
Outra das críticas que lhe têm sido feitas é sobre a ausência de pensamento sobre o país. Quem o diz anota, ao mesmo tempo, que um militar não deve falar de política. Mas Gouveia e Melo, claro, não o evitou grandemente:
“Vamos imaginar que alguém é condenado ao fim de 10 anos? É Justiça? A Justiça tem de ser célere” (Correio da Manhã, abril de 2024); 
"Tem de haver uma classe média forte para afastar as pessoas dos extremismos” (Correio da Manhã, abril de 2024); 
“Tenho agora um conhecimento superior do SNS, das fragilidades e potencialidades. O SNS mostrou grande capacidade de organização e resiliência na pandemia”(Noticias Magazine, dezembro 2021); 
“O centro deve ser forte e deve encontrar soluções” (DN, maio 2024); 
“Estamos nesta ambição de distribuir a riqueza inexistente, que não produzimos. E um dia vamos acordar sem riqueza para distribuir. Temos de ter a ambição de produzir riqueza para poder distribuir”(Expresso, dezembro 2021); 
“Sou do centro pragmático. Umas coisas mais à esquerda, outras mais à direita. É preciso que as pessoas tenham fé no sistema: se trabalharem e produzirem, a distribuição não fica acumulada e também vem para elas. Temos de criar um sistema minimamente justo, para que isto aconteça” (Expresso, dezembro 2021).
sobre o mundo de hoje, o Almirante em nada destoa do mainstream político português:
“Dois dos pilares da nossa segurança e prosperidade, a NATO e a UE, poderão vir a ser submetidas às maiores provações e testes de stress” (DN, maio 2024); 
“Se a Europa for atacada e a NATO nos exigir, vamos morrer onde tivermos de morrer para a defender” (DN, maio 2024; 
“A guerra na Ucrânia vai fazer repensar muitos dos modelos atuais. A Europa vai ter de se defender” (DN, maio de 2023); 
"Sempre existiu a tentada de criar um pilar europeu dentro da NATO, mas é o mesmo que dizer que temos um clube de futebol e que querem criar mais dois dentro desse clube. Já temos um clube, chama-se NATO, e tem a vantagem de unir as duas partes do atlântico. Começarmos a pensar numa só parte pode fazer como que a outra parte ache que já não vale a pena estar tão unida a nós" (DN, maio de 2023); 
“Quem levou a Finlândia e a Suécia para a NATO foi o sr. Putin” (DN, maio de 2023);


Por fim, a mensagem política – mas não partidária: ambição, com um cheirinho a ‘ordem’, fazendo lembrar o de Cavaco Silva quando apareceu lá nos idos anos 80:

  • “A Saúde tem muitas coisas, todos os ministérios têm. Este país levava anos a endireitar” (Nascer do Sol, junho de 2021);
  • “Faltam-nos líderes com visão política, para definir objetivos, estratégias e encontrar recursos para os cumprir. Se defino objetivos irrealizáveis, por não ter recursos, o que vou fazer? Passar a vida a escrever papéis e a deixar as coisas a degradarem-se? Porque quero manter-me num pseudo-lugar com um pseudopoder? Isso revolta-me. A população deve ser ambiciosa”(Expresso, dezembro 2021);
  • “Acho que devíamos fazer uma revolução cultural e de atitude que nos libertasse dos pesos que há anos nos prendem ao chão” (Noticias Magazine, dezembro 2021);
    “A maioria das pessoas são pessoas do bem. Se calhar, faltava-lhe um bocadinho de ordem” (Noticias Magazine, dezembro 2021);
    “Não estou a ver que Portugal tenha de ser um país pobrezinho, um país de coitadinhos, um país periférico. Todos nós temos de lutar” (Nascer do Sol, agosto 2024).

ISTO É UM AVISO AO PSD E PS
Por tudo isto, não admira que os políticos se assustem. É claro que Gouveia e Melo se posicionou, com tempo e método, como um forte candidato presidencial. Tem gravitas, tem discurso e posiciona-se onde os partidos têm tido mais dificuldades em afirmar-se, na concretização.

Henrique Gouveia e Melo será, por isto tudo, um candidato difícil de bater.

    As sondagens posicionam-no como favorito e a passagem à segunda volta parece bastante à mão;
    Terá uma longa campanha com forte exposição, provavelmente maior do que os adversários – sobretudo se PSD e PS insistirem em manter-se à margem do processo, sem apressar calendário – abdicando de ir à procura dos candidatos mais fortes e de garantir a unidade interna a partir daí;
    Pode ter ao lado vários candidatos, porque as direitas parecem insistir em marcar presença e as esquerdas mais ainda. Aliás, tendo em conta a vontade e os egos de muitos, até nos dois maiores partidos há riscos claros de haver sobreposições;
    Mais importante ainda, Gouveia e Melo tem um discurso tão longe da direita radical que será improvável que o partido que ficar de fora da segunda volta apele ao voto no candidato do adversário direto – seja o ligado ao PSD ou ao PS. Mais ainda quando é provável que, logo a seguir, venham eleições legislativas antecipadas.

    O VERDADEIRO RISCO DE GOUVEIA E MELO
Não tenho, portanto, ilusões. Gouveia e Melo tem hipóteses reais de chegar ao Palácio de Belém. O seu maior risco, creio, é um outro que ainda não vi referido: o almirante gosta de se apresentar como um “fazedor”, impaciente quando não vê as vontades alinhadas na direção em que quer, preparado para – como o método próprio de um militar capaz – meter as mãos na massa e resolver os problemas pessoalmente.

O azar é que se esteja a candidatar a um cargo onde não poderá fazer nada disso. Na Presidência da República pede-se alguém que conheça os protagonistas, que saiba trabalhar a fina arte da filigrana política, que consiga criar os incentivos para que os partidos se alinhem, na época mais turbulenta e perigosa da política nacional dos últimos 50 anos. Sempre de fora, sem qualquer poder Executivo.

Um Presidente é um influente, se for bem-sucedido. Se não o conseguir, não será nada – arriscando-se a prejudicar tudo.

Exato, é aí que quero chegar: se não tropeçar na campanha, onde terá de ir mais ao concreto em cada tema, Gouveia e Melo será um forte candidato. Mas será ele realmente um bom Presidente?

January 19, 2025

Presidenciais de 2026

 


Daqui a um ano escolhe-se o próximo Presidente da República. É uma eleição muito importante, não só por ser um cargo institucional eleito directamente pelo povo mas também por ser um cargo onde as pessoas geralmente ficam por 2 mandatos: são 10 anos a influenciar os destinos do país.

O melhor candidato é alguém razoável no modo de pensar, com uma visão política para o país, capaz de compromissos com os governos mas também capaz de assertividade e independência política, sempre que se depara com acção governativa lesiva do interesse dos cidadãos. 

Nas duas eleições anteriores não havia grandes dúvidas porque Marcelo Rebelo de Sousa estava muito acima dos concorrente em termos de estatura cultural e política. Isto apesar de entender que deixou a sua religiosidade interferir na independência da acção política em questões sociais e deixou o seu preconceito contra os professores agravar a crise na educação. Porém, no geral, manteve estabilidade política e deixou o governo governar.

Até agora, os nomes de candidatos que vão surgindo, não auguram nada de interessante. Marques Mendes não tem estatura para o cargo. É uma pessoa de achismos. Vitorino também não a tem. É um típico socialista esquemático da pandilha do SS, Guterres, Costa e quejandos, gente que dá primazia à vidinha. Nunca o vi fazer nada de notável pelo país. Gouveia e Melo foi excelente enquanto coordenador do plano das vacinas e parece ser um bom líder militar, mas que pensa ele do país, que ideias políticas tem...? Não sabemos. António Seguro parece ser uma pessoa séria e honesta mas está há tanto tempo afastado da política que também não sabemos que ideias políticas tem para o país e que tipo de pessoa é. A única coisa a favor dele, neste aspecto, é ter o SS a falar contra ele. Isso é claramente um mérito. Mário Centeno, felizmente já disse que não. Não o tenho na conta de pessoa com independência de espírito ou honestidade intelectual, sequer. Para além de ser culturalmente poucochinho. SS é abaixo da crítica séria como candidato presidencial. É um devoto daquela máxima do PS, "Para o PS tudo, para os inimigos nada e para os outros aplica-se a lei". Só o facto de ter sido o dog de Sócrates já diz tudo. Ana Gomes, tenho-a na conta de uma boa deputada no PE e também de ser uma pessoa séria, mas não me parece ter perfil para o cargo de Presidente. É muito conflituosa para um cargo destes que precisa de muita capacidade de compromisso e de boas soft skills como se diz agora. Sampaio da Nóvoa não tem perfil para o cargo. É uma pessoa que pensa por slogans. Parece não haver ali nenhum trabalho de maturação, estruturação e fundamentação de ideias. De Ventura nem falo. Aliás, ele e outros candidatos do PCP que hão-de aparecer são candidatos só para ir para a TV disparatar. A Maria de Belém parecia-me ter esse perfil adequado mas leio por aí que ela não quer ser candidata e também há muito tempo que não se sabe dela e das suas ideias.

Para já não vejo ninguém, destes nomes de quem falam, que preencha os requisitos mínimos para ser um bom presidente da nossa República.

Gostava que o próximo Presidente fosse uma mulher, mas não voto numa pessoa que não tenha perfil, só por ser mulher. Nas eleições de 1986 votei na Mª de Lurdes Pintassilgo. Lembro-me de ver o debate dela com o Mário Soares em que este a tratou de modo depreciativo como se ela fosse uma dona de casa a querer alguma coisa acima do papel próprio do seu género. Votava há pouco tempo e nunca tinha votado no Mário Soares e depois de ver esse debate, nunca votei nele.

July 10, 2024

Centeno e Vitorino como presidentes? Livrem-nos disto, sff!

 


PS entre Mário Centeno e Vitorino para as presidenciais

O governador do Banco de Portugal emerge como futuro candidato presidencial apoiado pelo PS. Nos bastidores do PS, parece o nome mais consensual, até agora.
Ana Sá Lopes


Mário Centeno surge no lugar cimeiro das preferências e é o nome mais consensual entre os socialistas, neste momento, para ser o candidato a Belém daqui a dois anos. Mas também António Vitorino, um histórico do partido que chegou a fazer parte de uma “short list” de possíveis cabeças-de-lista ao Parlamento Europeu (o que não se confirmou), é apontado como possível candidato a Belém.

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Centeno é um homem com uma sede de poder sem fim, um bluff que destruiu os serviços essenciais do país por confundir governação com cobrança de impostos e cativações (austeridade). É um homem que não respeita os outros e não serve o povo: serve-se. Vive para a sua imagem e para o seu prestígio pessoal.

Vitorino, como diz o artigo, é um "histórico do partido". Não tem mais nada que o recomende. Não é um homem com sede de poder como o outro, mas é um homem de tachos. Não tem méritos políticos, nunca fez nada de valor pelo país. Ocupou cargos, teve cunhas boas, como outros tantos do PS.

Espero que os outros partidos não apoiem estas lástimas e encontrem alguém com valor. Há portugueses com valor. Não temos que nos conformar sempre com carreiristas entachados e narcisistas do poder.

November 05, 2023

Os jornalistas e o BE enxofrados porque o Presidente não se deixou manobrar

 



Marcelo Rebelo de Sousa foi interpelado para que, publicamente, se pusesse contra os israelitas e depois se pudessem difundir até à náusea essas suas declarações. E não se deixou manobrar. Ao contrário do que diz este jornalista, o Presidente, apesar de ter momentos disparatados de selfies e afins, não é um ignorante, nem um idiota e não caiu na esparrela. E disse o que entende. Acho que fez muito bem.
O que irrita o jornalista é o mesmo que irrita o BE (Bloco desafia Marcelo a defender imediato cessar-fogo e estar ao lado de Guterres) e o PS em geral: é alguém em Portugal não alinhar pelas opiniões de Guterres, mesmo quando ele erra redondamente na abordagem às situações. Como é sabido, o PS -e pelos vistos também o BE- dá mais importância ao amiguismo socialista que à competência e à verdade. Puxam-se uns aos outros para os tachos e defenderem os tachos uns dos outros é mais importante que defenderem os povos, mesmos quando essas pessoas entachadas são Cabritas, Galambas, Sócrates, Cravinhos, Vitorinos e quejandos, que fazem nada ou fazem pior do que fazer nada. 


(Israel: Bloco desafia Marcelo a defender imediato cessar-fogo e estar ao lado de Guterres. O BE considerou este sábado que o Presidente da República tem de optar se está ao lado do secretário-geral das Nações Unidas - Mortágua não quer saber do problema em si entre o Hamas e Israel, ela quer é que MRS diga que concorda com Guterres. Porquê? Porque 'a esquerda' está sempre com a esquerda, mesmo que seja para defender o indefensável. É esse o dogma. O Deus da esquerda é a ideologia e a ela tudo se sacrifica.)

Pergunto a mim mesma se esta polémica com a cunha às gémeas brasileiras não aparece agora, de repente, para descredibilizar MRS quanto à sua posição face à guerra iniciada pelo Hamas.


Sinal amarelo para Marcelo

Quem muito se expõe, por vezes tropeça e a câmara lá está para captar. Assim aconteceu com Marcelo Rebelo de Sousa no Bazar Diplomático, na sexta-feira.

David Pontes

Para um Presidente que quase se pode dizer está presente 24 horas por dia, sete dias por semana, Marcelo tem sabido conviver com destreza neste cenário, aproveitando-se dele para criar uma relação única, directa com os portugueses. Só que quem muito se expõe, por vezes tropeça, e a câmara lá está para captar. Assim aconteceu no Bazar Diplomático na sexta-feira.

Marcelo está bem colado à realidade, mas de uma forma tão constante que se expõe em demasia ao risco. E uma coisa é um reparo impróprio a um decote, outra coisa, de um universo completamente diferente, é uma guerra ou o posicionamento diplomático de um país em relação a um conflito tão complexo como o que divide israelitas e palestinianos. Marcelo sabe-o, mas na sexta-feira comportou-se como se assim não fosse, e deu sinais errados.

September 10, 2023

Presidente confunde marasmo pantanoso com estabilidade




(aos jovens sem casa e com salários miseráveis que se sujeitarem a trabalhar caladinhos por 600 euros ao mês,  Costa dá uma esmolinha: 50 e tal euros de propinas por mês e um bilhete de comboio  - depois de distribuir umas esmolinhas ao povo como no tempo da outra senhora, volta à vidinha de teatrinhos de poder)


“Somos um exemplo duplo de estabilidade política e institucional”, disse Marcelo ao lado de António Costa





May 28, 2023

Completamente de acordo



Nem Marcelo dissolve, nem a gente almoça


Ana Sá Lopes

Lida à luz dos acontecimentos recentes, a frase de campanha em que António Costa aponta Marcelo como vigilante da maioria absoluta é absolutamente cómica.

Há muito boas razões para interromper a legislatura (“episódios”, diria o Presidente Sampaio), mas nenhuma para continuar a falar dela todos os dias sem que haja uma consequência clara.

Esta sexta-feira, Marcelo voltou a interromper o tal silêncio a que se tinha votado (mas que só deve ter durado uma semana) para dizer numa conferência uma frase batida e não, não foi a de que hoje era o primeiro dia do resto da nossa vida.

No momento em que vivemos, quando o Presidente da República diz “quando o poder entra em descolagem em relação ao povo, não é o povo que muda, é o poder que muda”, só há uma unívoca leitura. Marcelo vai mostrar que, quando falou tantas vezes em dissolução do Parlamento, não estava a brincar com as palavras, nem com o Governo, nem com o país.

A decisão de António Costa de manter João Galamba no Governo – contra aquela que seria a vontade do Presidente da República e até do PS ou pelo menos do seu eleitorado depois da trapalhada do computador do adjunto – foi um desafio ao Presidente da República, que o amparou em quase todos os momentos e que é profundamente insuportável.

O regime semipresidencialista é complexo, mas tem funcionado em Portugal: o que diz a Constituição é que o primeiro-ministro propõe ao Presidente da República os ministros e o chefe de Estado nomeia os ditos (há precedentes de recusas presidenciais) e dá posse. À cabeça, a Constituição quis aqui salvaguardar uma necessidade de consenso que foi absurdamente quebrado.

Esta terá sido a mais acabada expressão de maioria absoluta equivalente a poder absoluto em que na campanha António Costa jurou jamais cair, apresentando curiosamente Marcelo como a melhor garantia para tomar conta dele.

Vamos lá recordar o latim que foi a “basezinha” de Costa para, a 22 de Janeiro de 2022, nos garantir que a sua maioria absoluta seria diferente. “Muitas pessoas têm receio das maiorias. Houve más experiências. Mas o poder desta legislatura vai ser exercido sob o mandato do actual Presidente. Quem acredita que com um Presidente da República como Marcelo Rebelo de Sousa uma maioria do PS poderia passar da linha?”, disse, acrescentado ser Marcelo “um constitucionalista”.

Lida à luz dos acontecimentos recentes, em que António Costa mandou à fava o conselho do Presidente para aceitar a demissão de Galamba e decidiu colar-se à versão do ministro das Infra-Estruturas, jurando a pés juntos que houve roubo e o SIS agiu dentro da lei (segundo vários especialistas, um contra-senso), a frase é um delírio.

Se ainda juntarmos que, esta semana, Costa se recusou a responder à Assembleia da República sobre se o seu secretário de Estado adjunto o informou de que tinha aconselhado Galamba a reportar ao SIS, a frase de campanha em que Marcelo é alcandorado a vigilante da maioria absoluta é absolutamente cómica.

A reunião recém-marcada do Conselho de Estado e os encontros com os partidos depois de acabar a comissão de inquérito à TAP deram esta semana o sinal de que o Presidente pode mesmo estar a pensar dissolver a Assembleia da República. É perfeitamente compreensível que o faça: cada dia que passa a votação no Chega corre o risco de aumentar perante as cenas a que assistimos. Ao não dissolver, Marcelo acaba por colar o seu legado presidencial ao legado de António Costa.

Agora, se o Presidente está só a brincar com o fogo, mas sem arriscar queimar-se, por favor, pare. A ameaça contínua da dissolução paralisa as instituições e um governo e uma Assembleia da República a funcionarem sem saber como será o dia seguinte comprometem o regular funcionamento das ditas.


April 29, 2023

Presidente da República vai prejudicar os professores, 'para não prejudicar os professores'. Agora já ouvi tudo...



O Presidente da República abriu, este sábado, a porta à promulgação do diploma do regime de concursos de professores, que o Governo aprovou a 16 de Março e que continua a merecer a contestação dos docentes. Apesar de mostrar desagrado pelo facto de o Ministério da Educação (ME) não ter considerado nenhuma das propostas que fez sobre a matéria, Marcelo Rebelo de Sousa admitiu dar luz verde à lei para “não prejudicar” os professores.
Público

(portanto, um diploma que está ser contestado pelos professores tem que ser aprovado, segundo o Presidente, para não prejudicar os professores... donde se depreende que os professores são tão estúpidos que não percebem que o diploma os beneficia e andam a contestá-lo com perda de salário para... ocupar o tempo?)

March 17, 2023

Governo socialista anti-social

 


Primeiro-ministro: a escola pública e os professores são tão irrelevantes nas minhas prioridades que nem me dou ao trabalho de ouvi-los.

Presidente da República: idem e até sugiro que os impeçam de fazer greve. 

Este é o estado de coisas no país no que respeita aos professores e à escola pública.

February 01, 2023

Porque é que o PR, em vez de fazer ameaças veladas aos professores não defende a escola pública?



Se calhar porque concorda com o ministro João Costa, tal como no passado foi um apoiante da Lurdes Rodrigues.

PR avisa: "Simpatia da opinião pública pode virar-se contra os professores"


Marcelo Rebelo de Sousa voltou a apelar a um entendimento entre Governo e sindicatos dos professores e manifestou-se preocupado com as consequências deste período prolongado de greves para famílias e alunos.

January 12, 2023

O Presidente não se interessa se o governo resolve os problemas da educação

 


Ele acha é que se devia ter impedido os professores de fazer greve. Porque os professores é que estão a levar o país à ruína com tanta riqueza, privilégios e corrupção. Ele é mais passeios e selfies...


Presidente diz que Governo devia ter agido mais cedo na greve dos professores


Sobre o parecer pedido pelo executivo à PGR acerca da legalidade da greve dos professores, o Presidente da República defende ser necessária “uma clarificação rápida do que é legal ou não”.

Foto
Presidente da República esteve esta manhã no Museu dos Coches JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

January 04, 2023

O Presidente sobre a lei da Eutanásia

 


Estive a ouvir a longa explicação do Presidente, na CNN, acerca das razões de ter reenviado o diploma da eutanásia para o Tribunal Constitucional. Explicou tudo muito claramente e ao pormenor, desde o contexto das opções do diploma às razões do percurso que ele tem feito entre os vários orgãos de soberania. Tem que ver sobretudo com clareza, com rigor e com a aplicação universal da lei, quando promulgada. Pareceu-me tudo muito bem. Só tenho pena que não haja o mesmo interesse pelo rigor e esclarecimento cabal de diplomas que tratam das regras das nomeações, das comissões de vigilância da acção do governo, da luta contra a corrupção, do problema dos atropelos à lei na educação, da saúde, dos desvios de milhões em tudo quanto é obra, da contratação de serviços jurídicos externos, da rede endogâmica que se estende pelos cargos da governação central e local, etc. É uma pena que esses assuntos sejam considerados menores e não haja o mesmo interesse pela sua certeza de direito, como chamou às exigências relativas ao texto da eutanásia.

(já agora, o apresentador da CNN esteve o tempo todo a dizer o 'Têcê' para aqui, o 'Têcê' para acolá. Que falta de nível... custa-lhe muito dizer, o 'Tribunal Constitucional'? Cansa-se de dizer o nome? Gasta muito tempo de antena? É para ser à americana? Para ser giro? Dá um aspecto de incultura bacoca... só falta dizer: o 'Pê' enviou a lei para o 'Têcê' depois de os 'Dêdepês' terem aprovado alterações na 'Aerre')

October 11, 2022

Até as palavras faltam



Marcelo: "424 queixas de abusos na Igreja? Não me parece particularmente elevado"

Presidente da República recorda que "não há limite de tempo para as queixas" e que "há pessoas de 80 ou 90 anos que fazem denúncias que aconteceram há 60 ou 70 anos".

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Deixa-me transpor isto para outros sectores:

424 queixas de abusos nas escolas primárias? Não me parece particularmente elevado. 

424 queixas de abusos nos médicos pediatras? Não me parece particularmente elevado. 

424 queixas de abusos nas instituições de acolhimento de crianças órfãs? Não me parece particularmente elevado. 

Deixa-me transpor isto para pessoas particulares:

Presidente Marcelo queixa-se que os netos foram vítimas de abusos sexuais na Igreja. 

Igreja: 4 pessoas? Não me parece particularmente elevado. 

Presidente Marcelo queixa-se que os netos foram vítimas de abusos sexuais na escola. 

Escola: 4 pessoas? Não me parece particularmente elevado. 

etc.


June 11, 2022

O Presidente elogia a educação... do Reino Unido

 


Elogia os enfermeiros portugueses... do Reino Unido... não sei é um incentivo a mais emigração de portugueses para outros países. 


Marcelo elogia investimento na educação bilingue no Reino Unido


O presidente da República visitou, este sábado, a Escola Anglo-Portuguesa de Londres e elogiou o ensino bilíngue das crianças lusófonas no Reino Unido, considerando que essa é a via indispensável para serem "importantes no futuro".

Nesta visita, no âmbito das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, Marcelo Rebelo de Sousa esteve acompanhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, e pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Paulo Cafôfo.

Marcelo diz que profissionais de saúde são "marca de qualidade" no Reino Unido

June 06, 2022

O Presidente da República faz catastrofismo político

 


E diz... coisas... como a situação ser complexa por ninguém saber o seu epílogo e custos. E que em vez de racionalidade há emoção.

Ora, o que tem piada é vermos nas palavras dele, justamente emoção, nomeadamente medo, o que é visível nas suas palavras que não estabelecem nenhum raciocínio sobre o assunto, apenas frases de medo e ansiedade. É o tom dos discursos dos apaziguadores de Putin que em vez de raciocinarem sobre as possibilidades dos factos presentes, raciocinam emocionalmente a partir do medo do regresso ao passado, a um tratado à Versalhes, aquele que incentivou o nascimento do fascismo - só que Putin já é fascista e está a espalhar o fascismo pela zona russa, de maneira que esse medo já não faz sentido.

Na realidade, emocionais são essas pessoas (algumas, porque Macron está é a querer cavalgar às costas da situação para se projectar a si e à França) que não raciocinam com sangue frio e preferem recorrer aos métodos do passado, mesmo quando as condições se alteram completamente e as pessoas com quem se lida se revelam: Putin, para quem não o via (quase todos os políticos do Ocidente) agora revelou-se e não há maneira voltar atrás e lidar-se com ele como se pudéssemos 'des-ver' que ele é um fascista, que não respeita nenhum acordo e que é uma pessoa sem limites morais.

À boa maneira política, tem uma visão curta. Vê os efeitos económicos e políticos de curto prazo mas não considera os de longo prazo.

Quando diz que não sabemos o epílogo e os custos desta guerra, não é verdade. Sabemos o que acontece se certos epílogos forem permitidos. Se Putin ganha esta guerra, fecha o país no fascismo militarizado, que já está em marcha e nos próximos anos invade outros países próximos. Seriam anos de total instabilidade política e económica para esses países e para nós. A China aventurava-se em Taiwan e ficávamos com duas forças imperialistas a incentivar o progresso das tiranias e do fascismo. Víamos uma corrida às armas no mundo inteiro. A Europa, que agora está unida, apesar de tudo, fragmentava-se e as consequências económicas e políticas dessa fragmentação seriam muito mais catastróficas do que suportar a Ucrânia ou ajudar a Rússia pós-Putin. Se juntarmos a isto a incerteza do apoio dos EUA em caso de voltar a eleger um Trump, vemos que o pior de tudo é o epílogo em que Putin sai vencedor desta invasão fascista-imperialista.

Quem não vê isto é quem está tomado de medo de Putin ou tem interesses particulares pelos quais está disposto a sacrificar a paz e a segurança de todos.


Marcelo alerta para “tempestade quase perfeita” a nível internacional


“A situação internacional é extremamente complexa, porque ninguém sabe qual o epílogo do que estamos a viver, ninguém sabe quais os custos desse epílogo e depois do epílogo, e ninguém sabe qual vai ser a configuração definitiva na correlação entre os poderes maiores” do mundo, declarou o chefe de Estado quando traçou o panorama da actual conjuntura global.

Já sobre a guerra na Ucrânia, o Presidente da República transmitiu uma preocupação de fundo. “A emoção esteve sempre na política, só que era disciplinada substancial ou aparentemente pela razão. Agora, extravasou dos limites da razão e o máximo que a razão pode fazer é tentar condicionar e travar os excessos da emoção”, assinalou o chefe de Estado. Para Marcelo Rebelo de Sousa, relativamente ao caso da Ucrânia, “há questões a serem tratadas pela via da racionalidade, mas outras de forma muito emocional”.

December 13, 2021

Desde quando cabe ao Presidente avaliar o bom senso dos dirigentes partidários?


 

Rui Rio dizer que a polícia judiciária está feita com o PS na detenção de Rendeiro é uma teoria da conspiração abaixo da crítica séria, mas o Presidente vir a público dizer que Rio é uma pessoa sem noção das coisas também é uma intervenção que rivaliza em mediocridade com a de Rio. Desde quando cabe ao Presidente chamar burro ou ignorante a dirigentes partidários? Nomeadamente em vésperas de eleições? E dizer logo a seguir que não lhe cabe a ele avaliar o trabalho da polícia? Este Presidente, no primeiro mandato, ainda tirava selfies com o povo, agora nem isso. 


September 10, 2021

Jorge Sampaio 1939-2021

 


Devemos-lhe o Sócrates.

Uma frase dele que me lembro bem: 'os professores são os culpados de tudo o que se passa de negativo na educação. Deviam trabalhar dez horas por dia e depois ir para casa e ficar a responder a emails dos alunos'

Lamento não me lembrar de nada positivo para dizer dele como político.


June 15, 2020

À atenção do senhor Presidente da República



Marcelo: é “verdadeiramente imbecil” vandalização de estátua do padre António Vieira


O chefe de Estado manifestou-se contra a vandalização e destruição de estátuas, em geral, defendendo que a História deve ser assumida como um todo, e referiu-se em particular à estátua inaugurada em 2017 no Largo Trindade Coelho, em Lisboa, do padre António Vieira com três crianças ameríndias.


O senhor é o chefe de Estado de todos os portugueses e representa-os a todos e não apenas aos salgados amigos do rectângulo. Por conseguinte, também representa estes a quem chama, imbecis. O senhor não gosta de temas difíceis e quando eles surgem, se pode desaparece e fica mudo (no caso dos professores a sua mudez em anos inteiros de presidência é chocante e significativa. Também nos deve achar imbecis) e se não pode chama nomes às pessoas. Não lhe fica bem. É o Presidente da República. Enquanto representante dos portugueses tem obrigação de tentar compreender, não apenas os seus apoiantes e amigos, mas todos, mesmo aqueles cuja realidade de vida é tão distante da sua que não a vislumbra. Faça um esforço sff, porque o seu papel é conciliar portugueses e não dividi-los, não pôr mais achas na fogueira e contribuir para extremar posições. Não estou com isto a defender a destruição do património ou a razoabilidade da agressão, estou a pedir-lhe que tenha a capacidade de fazer o trabalho para que foi eleito, mesmo quando é difícil, sobretudo quando é difícil. Se o senhor chama imbecis a adolescentes, por escreverem umas letras numas estátuas, o que faria se fosse professor numa escola...

April 17, 2020

O Presidente da República estará com falta de lençóis para passar a ferro?



E o ordinário do Ferro Rodrigues? Do que ele tem falta não digo, mas estes dois mais o governo que aprovaram o mau exemplo de irem às dezenas comemorarem o 25 de Abril quando os outros estão recolhidos em casa sob pena de multa e até prisão, são o quê? Uns irresponsáveis.
O Presidente está a trabalhar para as eleições, está visto. Com o meu voto não conta.
Já agora, porque não se filma na TV, ele e o ordinário, a dar beijinhos e abraços?
Se o Presidente tem falta de entreténs, eu tenho aqui roupa para passar a ferro.


Presidente confirma presença no Parlamento nas celebrações do 25 de Abril com 130 pessoas


Gabinete de Ferro Rodrigues garante que cerimónia será adaptada “quer do ponto de vista organizativo, quer do ponto de vista do número de convidados”.

Também esta sexta-feira a Assembleia da República fez saber que se estima que participem cerca de 130 pessoas na sessão solene do 25 de Abril, entre deputados e convidados, um número reduzido em relação às 700 personalidades que assistiram às cerimónias.