October 13, 2020

Beetles

 



If you were to randomly pick an extant animal species, odds are that it would be a beetle. While there are 250,000 described species of plants, 12,000 described species of roundworms, and only 4,000 described species of mammals, there are over 350,000 beetle species described, with many more beetles yet to be discovered!

Eu pensava que eram os humanos que dominavam o mundo mas afinal são os escaravelhos... beetles rule the Earth!

imagem da net



Percentages of Described Species

Great teachers, cool teachers

 


Um professor da Califórnia ensinando a física do surf, 1970.



Morri a rir 🤣

 


Uma lagarta gigante que parece o cabelo do Trump a rastejar  🤣 isto é entre o nojento e o completamente cómico 🤣


Credit: Javier David Uzcategui Gonzalez

Quietude

 



 by.Pedro Diaz Molins


(quase) Nocturna - 250 anos de Beethoven

 


Tired. Don't care for games. Just searching for some light and peace.

(não tenho telepatia ou poderes mágicos de adivinhação. pensava ser óbvio. lamento desiludir)







True

 




O meu blogue está quase a fazer 1 ano



O mais certo é esquecer-me porque não ligo muito a aniversários, excepto do filho, dos amigos e... os negativos 😁  ... ahh e os de compositores, escritores, músicos, filósofos e isso.

Mudei de casa -de plataforma- por sentir já não poder decidir das coisas da minha casa, que é o blog, e isso me chatear; ora, para chatices, já basta a vida. O blog é para destressar, para intervir na sociedade, para partilhar, acima de tudo. 

Toda a gente que tem um blogue ou um site, nomeadamente se não é de um grupo, sabe que dá trabalho mantê-lo actualizado e, sobretudo, se queremos ter alguma qualidade, dado que uma pessoa escreve e assina com o seu nome e portanto, arrisca e expõe-se; é diferente escrever sob pseudónimo, como fazem em muitos blogs e sites. Assinar o nosso nome por baixo, sobretudo quando se é muito crítico, é um risco e requer, às vezes, alguma coragem, porque muita gente que vem aqui ler não vai com a minha cara e alguns têm poder para decidir da minha vida profissional. No entanto, dado que escrever é uma necessidade, dado que escrever aqui no blog me dá prazer, dado que cumpro a obrigação de participar na vida do meu país, dentro das minhas possibilidades, enfim, dado isso tudo, vir aqui todos os dias partilhar qualquer coisa que pensei, li, vi ou ouvi e me parece interessante, não é sentido como um peso, mas antes como um divertimento. É por isso que estranhei hoje quando reparei que passou quase um ano. Nem dei por isso. No dia do aniversário, se me lembrar faço uma festa. Ou não 😁


Referendo à Eutanásia - Concordâncias e discordâncias

 



Eutanásia: as falácias dos anti-referendo

José Ribeiro e Castro

O mal fundamental existe; e só pode ser curado de duas formas: ou nas eleições de 2023, ou num referendo. Fugir a ambos é clara fraude democrática. Parece haver uma demofobia crescente a medrar na AR.
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O texto do deputado José Manuel Pureza no “Duelo” do Expresso de sábado passado é uma boa síntese das falácias habitualmente usadas pelos que querem bloquear a reclamação popular do referendo sobre a eutanásia. Vale a pena revê-las, uma a uma.


Concordância - há um 'demofobia crescente a medrar no Parlamento português.' Disso não há dúvidas e muito têm feito os deputados para diminuir a participação da população nas decisões que lhes dizem respeito.

Discordâncias - a eutanásia não é contra a vida, é a favor de uma noção de vida que inclui a auto-determinação da pessoa (que não pode deixar de fora, desde logo, o seu corpo), não em certas circunstâncias, mas na totalidade da sua vida. 
Dizer que ser a favor da eutanásia é ser contra a vida, é como dizer que ser contra a eutanásia é ser contra a auto-determinação da pessoa, logo ser a favor da pessoa não ter liberdade de decidir da sua vida e tê-la tutelada por outros. Ora, não me parece que os opositores à eutanásia sejam contra a liberdade e a auto-determinação da pessoa, da mesma maneira que os que são a favor não são contra a vida. Por conseguinte, pôr as coisas nesses termos é embotar a discussão.

Os direitos humanos não se referendam. Resta saber qual é o direito a que a Eutanásia responde ou ofende: aí é que está a polémica.

Quando da mal sucedida Constituição Europeia, os referendos em vários Estados-membros incluíam a adopção vinculativa da Carta Europeia dos Direitos Fundamentais. Em vários países, já se efectuaram e continuam a efectuar-se referendos sobre alteração do regime de direitos individuais ou a adopção de novos. 

Nem a Carta dos Direitos Humanos, nem os direitos que dela constam estavam a referendo, o que estava era a sua adopção vinculativa, sendo que isso é um pré-requisito para a pertença à UE: daí os problemas que tem havido com a Hungria e daí a Turquia não ter entrada na UE: é que a UE não considera os direitos humanos uma opção que os países possam escolher não respeitar. 
 
Parece até normal e saudável que matérias de direitos, liberdades e garantias sejam um objecto típico de referendos – e não o contrário. Normalmente, os cidadãos sabem melhor o que querem para si do que os Estados.

O problema aqui, como Ribeiro e Castro bem sabe, está na questão que iria a referendo que tornaria o referendo redundante, na medida em que sabemos como pôr as questões para obter certas respostas e seria isso o que os partidos quereriam, o que anula o próprio acto. 
Se a questão fosse, 'concorda que se matem pessoas, etc'. - penso seria a proposta de texto das pessoas que são contra a eutanásia, focar-se no matar pessoas - a resposta seria não, obviamente; mas se o texto da questão fosse, 'concorda que se respeite a decisão da pessoa livre em por termo à sua vida em certas condições, etc.', a resposta seria sim e, este seria o texto dos que são a favor: vincariam a liberdade e a decisão da pessoa.
Quer dizer que o modo como se põe a pergunta vicia a resposta assim como o modo como se põe os termos do problema - ser contra a vida ou ser contra a liberdade, têm viciado a discussão.

Nunca pensei neste problema do referendo que me parece muito complicado, pois de um lado corre-se o risco de se querer referendar diretos básicos, do outro lado, corre-se o risco do povo não ter uma palavra a dizer sobre os assuntos que se legislam e que afectam a sua vida.

Sou a favor da eutanásia porque concede direitos sem retirar direitos a ninguém: a lei não obriga a eutanasiar alguém ou a que alguém se sinta obrigado a pedir a eutanásia. 

Post for myself

 


OMG, agora é que percebi: a identidade, A=A tem uma contradição intrínseca, pois comporta em si alteridade - pois como é que A se pode dizer A, sem ser retrospectivamente, depois de ter-se posto como outro, para afirmar a identidade dos dois? 

(Isto não é coisa que possa dizer-se aos alunos a dar a Lógica porque eles já têm dificuldade em perceber a importância da identidade expressa em A=A sem ser com exemplos da linguagem argumentativa)

"Segundo minha concepção — que deve ser justificada pela apresentação do próprio sistema —, tudo decorre de entender e exprimir o verdadeiro não apenas como substância, mas também, precisamente, como sujeito."FE - então isto releva do mesmo raciocínio que usa para a identidade: se a substância não se põe como outro(s), se não corre esse risco, permanece vazia de conteúdo - inalterada (substancial) mas vazia (insubstancial), de modo que só retrospectivamente podemos inferir uma identidade substancial às coisas, sejam da matéria ou do espírito. Por essa ordem de ideias, a essencialidade, também é um conceito vazio sem as determinações temporais que incluem os fenómenos e o mesmo para os outros modos de em que se fala de substância/essência/identidade. Daí que o todo ou absoluto, não sendo determinado, também não possa ser indeterminado, pois isso já seria uma determinação. Por conseguinte... é o quê? A totalidade que inclui todas as particularidades de ser, num final qualquer que sendo indeterminada inclui todas as determinações? Uma espécie de Big Bang final do universo total actualizado? Mas isso também é contraditório...
Dúvida: a actualização não implica características potenciais (como no exemplo da planta) e as características potenciais não são uma forma de identidade ou de essência mesmo que latente, uma delimitação do possível? Se alguém por aí souber responder ou esclarecer, faça favor :)

(preciso da edição da FE francesa -e da portuguesa, quer dizer, brasileira que saiu há meia dúzia de anos e corrige a antiga que era um pavor de se ler com aqueles termos todos abrasileirados- que saiu há pouco tempo para comparar com esta inglesa)

13 Outubro - dia mundial do escritor

 


"Duas coisas crescem quando se repartem: o amor e o conhecimento" (Ricardo Sá Fernandes, há bocado na conferência da Gulbenkian do post imediatamente anterior). Escrever engloba estas duas virtudes, digo eu.




















Directo: plantas em risco de extinção (Gulbenkian)

 


 O código de acesso (pin) a colocar, para poder assistir à conferência em epígrafe, em videocast.fccn.pt/live/fccn/fcgulbenkian , é o 𝟏𝟕𝟎𝟖.

(O link referido e código de acesso podem ser passados a terceiros. Obrigada.)





The Question of Love IV

 




"RUPTURE (LAKMÉ'S DREAM)" by Cornelia Konrads
Installation in the Stables, Domaine de Chaumont-sur-Loire, France🇫🇷


The Question of Love III

 


Alian de Botton  - 'we are all dangerous and on the verge of insanity'




The Question of Love II

 

Derrida: o quem e o quê.




The Question of Love

 


LoveSick: The Question of Love


Num mundo repleto de consumismo, onde o namoro online promete romance sem riscos e o amor é muitas vezes visto como uma variante do desejo e do hedonismo, o maior filósofo da França, Alain Badiou, acredita que o amor precisa urgentemente ser reinventado e defendido. 

William Williamson, um diretor premiado que mora em Londres e trabalha em documentários, curtas-metragens, videoclipes e comerciais, passou dois anos procurando Badiou para fazer perguntas sobre assuntos do coração. “Defini um lembrete para enviar um e-mail a cada duas semanas até que ele finalmente concordasse em se encontrar comigo”, disse o diretor que entrevistou o filósofo em Paris. 

“A Sua visão de amor, vendo-o como uma aventura e uma oportunidade de reinvenção do indivíduo, atraiu-me a fazer algo da nossa entrevista. ”Em The Question of Love, Williamson tece naturezas mortas de indivíduos abatidos crivados pela solidão com pepitas de sabedoria para a câmara de Badiou.

“A sua filosofia incita-nos a não temer o amor, mas a vê-lo como uma busca que nos obriga a explorar a alteridade e a diferença”, diz o diretor. “Em última análise, afastando-nos da obsessão moderna com o eu.” Este projeto é para quem acredita que amar pode mudar a maneira como as pessoas pensam e que o pensamento pode mudar a maneira como amamos.

versão curta:



Picture this

 




Woke up

 


... with the inevitable anguish of living a brief live in an absurd world, a storm of frustration and one burning eye. No peace.










Joseph Ironhorse

October 12, 2020

As mulheres e os deuses de Veronese

 


Veronese - Perseu socorrendo Andrómeda


No fim do livro IV das Metamorfoses, Ovídio competou o relato dos mitos de Tebas e, abruptamente, começa o relato das histórias de Perseu. Começa-as pelo meio: já Perseu voa pelo Norte de África, pelas areias do deserto da Líbia com a cabeça da Medusa decepada e ainda gotejante, enfiada no seu saco. 

Aproximando-se o fim do dia resolve parar e pedir guarida nas terras do gigante Atlas. Apresenta-se, incluindo a sua divina paternidade e pede para pernoitar. 

O gigante, lembrando-se da profecia segundo a qual o filho de Júpiter havia de arruiná-lo, recusa com rudeza e começa a lutar com ele. Perseu diz então ter um presente para lhe oferecer em paz e aponta o saco onde está a cabeça da Medusa:

He said no more, but turning his own face,
he showed upon his left Medusa’s head,
abhorrent features. — Atlas, huge and vast,
becomes a mountain — His great beard and hair
are forests, and his shoulders and his hands
mountainous ridges, and his head the top
of a high peak; — his bones are changed to rocks.
Augmented on all sides, enormous height
attains his growth; for so ordained it, ye,
O mighty Gods! who now the heavens’ expanse
unnumbered stars, on him command to rest.

Assim que rompe a manhã, Perseu levanta-se e voa com as suas sandálias aladas, um presente de Mercúrio por ter morto a Medusa. Voa sobre a Etiópia onde vê a bela Andrómeda acorrentada a uma rocha. Apaixona-se imediatamente por ela e desce para a libertar. Conversam um pouco e ela fala-lhe de si mesma e, quando está prestes a contar-lhe como chegou àquela situação, um monstro enorme emerge do mar e dirige-se para ela para a devorar. Estando os pais dela ali perto impotentes, ele oferece-se para a salvar em troca de sua mão em casamento. Não tendo outra opção aquiescem. 

Perseu levanta voo novamente e na descida afunda a lâmina curva da espada no ombro do monstro. O monstro mergulha e reaparece para que Perseu enterre a lâmina ainda mais fundo. Com as sandálias pesadas do sangue da besta cai numa pequena pedra e daí acaba com o monstro. Andrómeda é libertada. Perseu lava as mãos e depois põe a cabeça de Medusa, com muito cuidado, num leito de algas marinhas que são imediatamente transformadas em corais:

The hero washes his victorious hands
in water newly taken from the sea:
but lest the sand upon the shore might harm
the viper-covered head, he first prepared
a bed of springy leaves, on which he threw
weeds of the sea, produced beneath the waves.
On them he laid Medusa’s awful face,
daughter of Phorcys; — and the living weeds,
fresh taken from the boundless deep, imbibed
the monster’s poison in their spongy pith:
they hardened at the touch, and felt in branch
and leaf unwonted stiffness. Sea-Nymphs, too,
attempted to perform that prodigy
on numerous other weeds, with like result:
so pleased at their success, they raised new seeds,
from plants wide-scattered on the salt expanse.
Even from that day the coral has retained
such wondrous nature, that exposed to air
it hardens. — Thus, a plant beneath the waves
becomes a stone when taken from the sea.

(não me atrevo a traduzir Ovídio...)

Perseu faz oferendas aos deuses e prepara-se para o casamento com Andrómeda.

Perseu foi pintado e esculpido muitas vezes. Aqui, por exemplo, está com Atlas, transformado já em suporte dos céus (e não da Terra como muitas vezes é representado).

Edward Burne-Jones (1833–1898), The Perseus Series: Atlas Turned to Stone (1878), bodycolour, 152.5 × 190 cm, Southampton City Art Gallery, Southampton, England. Wikimedia Commons.


A pintura de Veronese deste mito, não sendo a mais completa, é a mais bonita (segue a visão de Ticiano). Vemos Perseu na altura de cair sobre o monstro que se ergue das águas negras. Os céus estão tão perturbados como Andrómeda que tenta esquivar o corpo do mostro. Andrómeda aparece aqui vestida e não nua, como é costume e, com um manto cor de fogo igual à vestimenta de Perseu, o que é sugestivo da paixão que os acometeu.
Gosto da maneira como Veronese pinta as mulheres. Mesmo quando estão em situação de aflição ou de perigo, nunca têm um ar frágil de coitadinhas, pelo contrário olham o perigo de frente. Extraordinário neste pintura é a leveza de Perseu em contraste com a densidade pesada do ambiente e do mostro. O movimento do manto dele dá a impressão de esvoaçar e o tom de luminusidade que o envolve faz um contraste de luz com a escuridão que vem de baixo.


Paolo Veronese (1528–1588), Perseus Rescuing Andromeda (1576-78), oil on canvas, 260 × 211 cm, Musée des Beaux-Arts, Rennes, France. Wikimedia Commons.

fonte: perseus-and-andromeda/

'Hell is the impossibility of reason'

 




Kiyoshi Awazu

via Marco Noris

Livros gratuitos - Platão, Fédon V (continuação)

 


XII – Por conseguinte, companheiro, continuou Sócrates, se tudo isso estiver certo, há muita esperança de que somente no ponto em que me encontro, [prestes a morrer] e mais em tempo algum, é que alguém poderá alcançar o que durante a vida constitui nosso único objetivo. Por isso, a viagem que me foi agora imposta deve ser iniciada com uma boa esperança, o que se dará também com quantos tiverem certeza de achar-se com a mente preparada e, de algum modo, pura.

Isso mesmo, observou Símias.

E purificação não vem a ser, precisamente, o que dissemos antes: separar do corpo, quanto possível, a alma, e habituá-la a concentrar-se e a recolher-se a si mesma, a afastar-se de todas as partes do corpo e a viver, agora e no futuro, isolada quanto possível e por si mesma, e como que liberta dos grilhões do corpo?

[isto não significa viver a negar os sentidos. Platão, tal como Sócrates, eram pessoas de muito convívio social. Sócrates teve muitos amantes (Platão, muito provavelmente, terá sido um deles), era uma pessoa que frequentava os simpósios, que incluíam os prazeres da mesa, tinham um ambiente regado com vinho e acompanhado de música, dança e muitas vezes acabavam em orgias. Afastar-se dos sentidos e do corpo significa treinar o pensamento para reflectir sem a interferência deles e considerar, na investigação da verdade, apenas os aspectos inteligíveis, racionais]

É muito certo, respondeu.

E o que denominamos morte, não será a liberação da alma e seu apartamento do corpo?

Sem dúvida, tornou a falar.

E essa separação, como dissemos, os que mais se esforçam por alcançá-la e os únicos a consegui-la não são os que se dedicam verdadeiramente à Filosofia, e não consiste toda a atividade dos filósofos na libertação da alma e na sua separação do corpo?

Exato.

Sendo assim, como disse no começo, não seria ridículo preparar-se alguém a vida inteira para viver o mais perto possível da morte, e revoltar-se no instante em que ela chega?

Ridículo, como não?

Logo, Símias, continuou, os que praticam verdadeiramente a Filosofia, de facto se preparam para morrer, sendo eles, de todos os homens, os que menos temor revelam à ideia da morte. Basta considerarmos o seguinte: se de todo o jeito eles desprezam o corpo e desejam, acima de tudo, ficar sós com a alma, não seria o cúmulo do absurdo mostrar medo e revoltar-se no instante em que isso acontecesse, em vez de partirem contentes para onde esperam alcançar o que a vida inteira tanto amaram – sim, pois eram justamente isso: amantes da sabedoria – e ficar livres para sempre da companhia dos que os molestavam? Amores humanos, perda de amigos, esposas e filhos, têm levado tanta gente a baixar voluntariamente, [suicídio] ao Hades, movidos apenas da esperança de lá reverem o objeto de seus anelos e de com eles conviverem; no entanto, quem ama de verdade a sabedoria e está firmemente convencido de que em parte alguma poder encontrá-la a não ser no Hades, haverá de insurgir-se contra a morte, em vez de partir contente para lá? Sim, é o que teremos de admitir, meu caro, se se tratar de um verdadeiro amante da sabedoria. Pois este há-de estar firmemente convencido de que apenas lá e em mais parte alguma poderá encontrar a verdade em toda a sua pureza. Se as coisas se passam realmente como acabo de dizer, não seria dar prova de insensatez temer a morte semelhante indivíduo? [o receio da morte, quando se pensa, mostra-se absurdo]

Sem dúvida, por Zeus, foi a sua resposta.

XIII – Por consequência, continuou, ao vires um homem revoltar-se no instante de morrer, não será isso prova suficiente de que não se trata de um amante da sabedoria, porém de um amante do corpo? Um indivíduo nessas condições, também será, possivelmente, amante do dinheiro ou da fama, se não o for de ambos ao mesmo tempo.

É exatamente como dizes, respondeu.