August 27, 2020

Clair de Lune







Se a Lua fosse colonizada

 




Hegel faz hoje anos - 250 anos



Nasceu em 1770, o ano da Dissertação de 1770 de Kant, essa obra seminal da filosofia transcendental.

Jacques D'Hondt, na biografia de Hegel, transcreve uma carta de Hegel a vociferar contra a linguagem hermética de Kant onde ele diz que falar com esses termos ininteligíveis é só uma maneira de escrever idiotices sem ninguém perceber 🤣 e que depois de se perceberem os termos, vê-se que o pensamento por detrás deles é completamente vulgar e desinteressante 🤣 (os filósofos adoram-se 🤣 e não são nada competitivos)

Como diz Heine, há um lado cómico na filosofia dos alemães que se queixam constantemente de serem incompreendidos 🤣 Hegel um dia queixou-se que só um indivíduo o compreendia e, mesmo assim, até esse não o compreendia 🤣






Isto não é bem assim, JMT

 



Sim, é verdade que devemos construir os sistemas para resistirem aos homens imorais e daí haver orgãos de soberania que se vigiam uns aos outros. No entanto, não é verdade que se olhe para os problemas isoladamente: acontece é que os casos vão sendo divulgados um a um e tenta-se resolvê-los à medida que surgem. Porque resolver todo o sistema de uma só vez, só com uma revolução ou uma reforma, mas a reforma tem de ser querida pelos políticos em exercício. 

E é aqui que reside o erro de JMT quando diz que tendemos a ver a corrupção como uma falha de carácter de pessoas e que não nos cabe corrigir a natureza humana. A corrupção é mesmo uma falha de carácter e devemos denunciá-la o mais cedo possível e com veemência e tentar afastar essas pessoas dos cargos, porque o que nos diz a História é que são os políticos quem melhora ou piora os sistemas, se os cidadãos o permitirem.

George Washington declinou, em 1796, um terceiro mandato presidencial que muitos queriam, estabelecendo o precedente de dois mandatos no cargo, o que foi visto como uma salva-guarda contra o poder tirânico do género do da Coroa Britânica durante a era colonial. Nada estava escrito na Constituição a esse respeito. Mais tarde, em 1908, Theodore Roosevelt, muito pressionado para um terceiro mandato, também declinou, seguindo o precedente de Washington. 

O seu primo afastado, Franklin D. Roosevelt, decidiu, em 1940, quebrar o princípio de Washington, alegando a situação de guerra e concorreu para um terceiro mandato, que ganhou. Perdeu bastantes apoiantes-chave do Partido Democrático por causa dessa decisão. Os republicanos fizeram uma campanha muito forte centrada nos perigos de um terceiro mandato.

Em 1944, Thomas Dewey, o candidato republicano falou no perigo para a democracia se Roosevelt ficasse 16 anos no cargo. Num discurso nesse ano, Dewey disse, 'quatro termos ou 16 anos é a maior ameaça proposta à nossa democracia. Por essa razão, penso que o limite de dois termos deve ficar escrito na Constituição'. O que aconteceu: em 1947, o Congresso, de maioria republicana, aprovou a 22ª emenda impondo um limite de dois mandatos no cargo. (fonte)

Portanto, é verdade que temos que construir sistemas políticos que sejam capazes de resistir aos imorais, mas também é verdade que, se não vigiamos e afastamos os corruptos e imorais dos cargos (nenhum sistema lhes é completamente imune), eles dedicam-se a minar a democraticidade do sistema, mudando regras, para satisfazer os seus interesses imorais, até não termos volta atrás a não ser com uma revolução. 

Dito de outro modo, os Washingtons e os Trumans mudam os regimes para melhorar a democracia e os Putins mudam para a piorar. Por conseguinte, reparamos na natureza moral dos primeiros e na imoral de Putin e é uma pena que não o tenham tirado de lá a tempo. Alguém tem dúvida que, se a 22ª emenda não existisse, Trump tentaria ficar no cargo, 'à Putin?'

Não se trata de mudar a natureza humana: trata-se de criar sistemas de controlo e, ao mesmo tempo, detectar e mandar embora todos os que mostram práticas de corrupção antes que eles corrompam o sistema.





Em Madrid reduziram o número de alunos por turma e o ano vai começar faseado

 


Madrid vai ter arranque faseado das aulas e menos alunos por turma

Os sindicatos tinham anunciado greves e feito uma lista de exigências: menos alunos por turma, mais professores e auxiliares, mais limpeza e recursos digitais. O governo da Comunidade de Madrid criticara a ameaça e prometera para breve apresentar o seu plano: fê-lo terça-feira e incluiu praticamente tudo o que preocupava professores e pais, que agora se queixam da falta de tempo até ao arranque do ano escolar (dez dias em muitos casos) e da pouca clareza de algumas medidas.


Isto diz tudo sobre aquilo em que se tornou a política

 


Um teatrinho mentiroso para as câmaras. A câmara filma Boris Johnson numa sala de aula a falar a miúdos (a dizer coisas mesmo estúpidas e imprudentes como, don’t worry about COVID-19 ... schools are safe), sem máscara, o que já de si seria mau mas, aparentemente a respeitar a distância de segurança. Só que, assim que ele acaba, inadvertidamente filmam o outro lado da sala onde os miúdos estão em cima uns dos outros como costumam estar nas aulas. Quer dizer, mandou filmar um teatrinho para as câmaras, sabendo que, na verdade, o que se passa é o oposto de tudo o que é recomendado para a segurança das pessoas.

O mais negativo disto tudo é que os miúdos estão a aprender com ele como se engana e mente ou, pior ainda, como é normal e aceitável, enganar e mentir, porque tudo o que se faz dentro de uma sala de aula é numa situação de aprendizagem.


4 anos de Trump

 


O caos instalou-se, os líderes abandonam as cidades, e rapazes de 17 anos vão armados para a rua intimidar e disparar contra pessoas. Este rapaz matou duas. A polícia (mais abaixo) diz que a culpa é das pessoas terem violado o recolher obrigatório...



 

A semelhança entre os antigos navegadores e os cientistas da NASA que exploram o espaço

 

Adapted from a post at BLDGBLOG, this short animation is an Aeon original made in collaboration with the filmmaker and animator Flora Lichtman.

Alma mediterrânica

 



Matteo Massagrande


Love?

 



O parentesco de todos os animais...

 


African fat-tailed gecko (Hemitheconyx caudicinctus) shedding his old skin.

African fat-tailed geckos will shed their skin approximately every four weeks. Prior to each shed the gecko will start to appear dull in coloration. Photo: りっちょ / @riccio04

via Avantgardens

August 26, 2020

O PCP está acima da lei

 


É uma pouca-vergonha. Há aqui em Setúbal um surto de Covid-19, num lar, que não pára de crescer. Já são 76. Setúbal é mesmo ao lado do sítio onde se faz o festival de música para angariar dinheiro a que o PCP chama actividade política. Qualquer cidadão que não obedeça às regras tem problemas com a lei. Este ano não houve nenhum festival de música. Das actividades mais perigosas para o covid os festivais/concertos de música de massas estão à cabeça. Mas isso não incomoda o PCP. O partido é tudo, o partido é o Deus deles. Não é um partido que respeite a lei, nem está habituado a Estados de Direito, mas isso é uma coisa que sei, com um saber feito de trauma, desde os meus 13 anos. É certo que só o fazem porque o governo também se acha acima da lei e permite tudo em troca da cruzinha lá no sítio. 


PCP rejeita "quaisquer decisões discricionárias e arbitrárias" da DGS sobre Festa do Avante!

Partido começa por assinalar que "cabe à DGS dar a conhecer os relatórios, pareceres ou outras reflexões que tenha produzido, esteja a produzir ou venha a produzir".


Um residente de um lar de Setúbal morreu nas últimas 24 horas (já são cinco) devido à covid-19, existindo 76 casos ativos relacionados com o surto na instituição, indicou esta quarta-feira a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.

Perspectivas

 


Palácio da Pena ao luar. A Disney não inventou nada...



Foto: @alexandrebalas
Fonte: Lisboa Secreta

James Bond fez ontem 90 anos

 


Enfim... não o personagem mas o actor que o pôs no mapa, Sean Connery. (Best legs in the business... just saying...) Enfim, bela idade. 

 


Palavras do Oriente

 


Se não soubesse a data deste poema, tão vívido, pensava ter sido escrito, hoje mesmo, pois a experiência que relata ainda é tal qual. A diferença é que o palácio dourado existe em muitos sítios e casas e não é um privilégio real. Sentimos a atmosfera de conforto e abundância, o brilho, o calor do vinho e o cheiro do tabaco numa noite bem passada entre família ou amigos. Um poema epicurista.



THE GOLDEN PALACE

Anon. (first century b.c.)

We go to the Golden Palace:We set out the jade cups.We summon the honoured guestsTo enter at the Golden Gate.They enter at the Golden GateAnd go to the Golden Hall.In the Eastern Kitchen the meat is sliced and ready—Roast beef and boiled pork and mutton.The Master of the Feast hands round the wine.The harp-players sound their clear chords.
The cups are pushed aside and we face each other at chess:The rival pawns are marshalled rank against rank.The fire glows and the smoke puffs and curls;From the incense-burner rises a delicate fragrance.The clear wine has made our cheeks red;Round the table joy and peace prevail.May those who shared in this day’s delightThrough countless autumns enjoy like felicity.
from, A Hundred and seventy Chinese poems, translated by Arthur Waley

Esqueci-me de almoçar...

 


Fui fazer uma sopa de tomate para aproveitar alguns tomates da quantidade industrial que tenho em casa. Fiz uma sopa de tomate rústica (deixai-a um bocadinho grumosa para ter textura) à holandesa (mais ou menos, com umas aldrabices). Agora estou a comê-la com pimenta do reino fresca e umas folhinhas de manjericão. Está bem boa.


Tem cebolas, dente de alho, tomates, uma colher de açúcar, uma colher de pimentão fumado, azeite e vinagre (de xerez), caldo de legumes e duas colheres de natas. Deu um litro e meio de sopa densa.


1.5 kg de tomates - deu um fervedor cheiinho e mais um pirexzinho de sopa 🍅


Está saborosa. A próxima com tomates há-de ser um gaspacho.



Coisas boas - amigos, presentes, livros 🙂

 


Acaba de me chegar um presente de anos de um amigo, em duas partes e, esta é uma delas 🙂 Li a introdução e promete. Vou começar por este e deixo aqui a 'Introdução' para abrir o apetite a leitores, seres humanos interessados em ir mais longe que uma vida de trabalho-casa-divertimento e que querem compreender o nosso propósito neste mundo e contribuir para a sua melhoria.












À atenção do senhor Costa

 


Agradeço que não me discrimine por ser doente oncológica com doença respiratória e não me obrigue a pôr baixa e perder uma parte do salário, pois as minhas despesas médicas não vão diminuir, nem ficar mais baratas.

Há escolas em outros países e universidades aqui que vão dividir as turmas em turnos. Podiam também reduzir-nos o horário, dividindo a turma em duas. Seria uma maneira de ter de contratar menos professores substitutos, por exemplo, bem como diminuir as possibilidades de se gerarem cadeias de transmissão porque melhorava significativamente as condições de segurança. 

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Professores de emergência

“Os imunodeprimidos e os portadores de doença crónica que, de acordo com as orientações da autoridade de saúde, devam ser considerados de risco, (…) podem justificar a falta ao trabalho mediante declaração médica, desde que não possam desempenhar a sua atividade em regime de teletrabalho ou através de outras formas de prestação de atividade” (artigo 25.º-A, Decreto-Lei n.º 20/2020, de 1 de maio, aditamento ao Decreto-Lei n.º 10-A/2020, de 13 de março – medidas excecionais e temporárias relativas à pandemia da doença covid-19).

O Regime de Ensino Presencial, o mais desejado por todos, permite a normalização do quotidiano de pais e encarregados de Educação e promove o desvanecimento das desigualdades, potenciando a constante ascensão de uma das suas funções – de elevador social, que não correspondeu em pleno nos últimos meses, fruto dos constrangimentos provenientes do inesperado encerramento das escolas.

É dúbio, e por via disso deverá ser urgentemente esclarecido, que os docentes de risco, apesar de funcionários públicos, não estão abrangidos pelo regime especial de proteção, devem apresentar atestado médico e, consequentemente, sujeitarem-se à forte redução no seu vencimento, a partir do próximo mês.

Se a circunstância presente – que ultrapassa a área de competência do Ministério da Educação –, não for clarificada e corrigida, esta será entendida como um ataque a uma classe desejosa de valorização e dignificação merecidas.

Esta conjuntura leva-me a apresentar algumas interrogações que carecem de respostas céleres e significativas.

O tratamento discriminatório é injusto e penaliza profissionais da função pública, em detrimento de outros. Entendem-se os motivos desta diferenciação?

A sociedade civil (incluindo o poder político) rendeu louvores e atribuiu rasgados elogios, em relação à prestação do serviço educativo, pelos professores, desde 16 de março. Exaltam-se bons desempenhos e retribui-se deste modo?

De acordo com uma estrutura sindical de professores, 12 mil encontram-se com doenças de risco. O país terá igual número de docentes para operacionalizar as substituições? Poderá este suportar a duplicação de vencimentos?

Recorde-se que aquando da retoma das aulas presenciais (18 de maio), os docentes pertencentes ao grupo de risco tiveram falta justificada e o número de baixas médicas revelou-se residual. Este procedimento estava desacertado?

As aulas iniciar-se-ão em Regime de Ensino Presencial. Sendo possível, por razões pandémicas, ocorrerá a transição para o Regime de Ensino Misto e à Distância. Estes profissionais estão aptos para exercer funções apenas num regime?

Os professores “hipertensos, diabéticos, doentes cardiovasculares, portadores de doença respiratória crónica, doentes oncológicos e portadores de insuficiência renal” devem ter o direito de optar por exercer a sua profissão no habitual local de trabalho, ou em casa, como sucede com os demais funcionários públicos.

O caráter excecional e temporário influencia a tomada de decisões acertadas que sirvam os interesses coletivos. Não podemos vangloriar a performance dos professores em tempos de crise e penalizar a sua atividade laboral. Se a celeuma decorre da lei, então impõe-se que esta seja mudada, não originando interpretações ambíguas.

Entendo que o papel das instituições educativas do ensino não superior ficou fortalecido na sua essência, principalmente devido à ação dos professores. O respetivo empenho, empreendedorismo e o reconhecimento (por parte daqueles que ainda tinham dúvidas) do elevado grau de profissionalismo da classe docente fomentaram o aumento da união das comunidades, fortalecendo a aproximação dos diversos atores.

Faça-se justiça!

Filinto Lima

Blast from the past

 



“What would human life be without forests, those natural cities?” Thoreau II

 


Uma alternativa a cortar árvores nas cidades, a torto e a direito.