June 08, 2020

Para onde vão os movimentos sem líder? Ninguém sabe



Como este movimento não tem liderança -são apenas pessoas, milhares de pessoas que espontaneamente se fartaram e foram para a rua protestar- também não tem direcção, ponto de chegada ou negociação. E como Trump tem uma gestão catastrófica da situação e atiça o fogo, ninguém sabe onde isto pode ir parar. Pode durar meses como o occupy movement e depois acabar por si ou não. É como um barco à deriva sem comandante. Pode acabar momentaneamente, como em Hong Kong, por causa da pandemia e depois voltar.

The Enormous Scale of This Movement

The nationwide demonstrations could carry on for days or weeks—maybe even through November.


como transformar uma experiência negativa num recurso positivo




104 years and still rolling. Nice :)



June 07, 2020

Coisas que não percebo



Hoje, enquanto andávamos a fazer tempo para entrar na exposição resolvi entrar nos Jerónimos. Não havia ninguém, a porta estava aberta e queria ir lá, já lá não entro há muitos, muitos anos. Um indivíduo, à porta, perguntou-nos se íamos para a missa. Não. Ahh se não vêm para a missa não podem entrar e vamos fechar a porta. Ainda lhe disse que íamos só sentar um bocadinho e olhar em volta, que morei ali perto muitos anos e que desde que saí dali praticamente nunca mais lá voltei e queria rever. Somos duas pessoas, não incomodamos ninguém. Não, temos pena, se não vão à missa não entram porque depois vão querer sair antes da missa acabar. E então? Qual é o problema? Não quis saber. Epá, as igrejas que não estão em conventos ou em propriedades privadas não são locais públicos? Então agora estão reservadas para os que vão à missa e os outros não podem entrar? Fiquei chateada.

Fantástico surrealista




Adoro isto. Aquelas pessoas que se transformam nas profissões, até no aspecto físico, na cor e tudo? Lindo.

Plant Insumsia, Remedios Varo

Exemplares de adolescentes cá do rectângulo



Isto é indivíduo para andar no 10º ou 11º ano. Algum professor atura-o. Bela peça. Quando os governantes e outros opinadores se referem aos alunos, chamam-lhes sempre, 'as crianças'.


Times are changing



Esta questão das estátuas de esclavagistas foi um dos problemas que pus às turmas do 10º ano no trabalho facultativo. Pus a questão em termos que eles possam responder mas que os obriga a escolher e fundamentar a sua escolha. Vamos ver se alguém responde.

A polícia nos EUA está descontrolada



A Convenção sobre as Armas Químicas é um acordo que foi assinado em '93 e entrou em vigor a partir de '97. Desse acordo fazem parte, entre outras coisas, a proibição de uso de armas químicas em situações de guerra.
Já antes - em 1925 - tinha sido assinado o Protocolo de Genebra que servia esse mesmo propósito de proibição de armas químicas.
Os EUA assinaram ambos os acordos, mas conseguiram (sabe-se lá como) com que o seu uso fosse legal dentro das forças de autoridade, como método de controlo de motins.
Estamos em 2020, a meio de uma crise pandémica que tem por base o ataque generalizado ao sistema respiratório e a polícia anda a usar gases banidos em situação de guerra que atacam também o sistema respiratório como se fossem putos de 15 anos, sem auto-controlo.
do João B no FB

Li que em Nova Iorque a quantidade de demissões entre as forças da policia já assusta. 

Junho. Chuva?



A primeira vez que saio de casa sem ser para hospitais e fisioterapeutas e põe-se a chover. Acho indecente. Fui ver a exposição do Van Gogh logo à hora de abrir para não apanhar muita gente e aproveitei para comprar um pastel de Belém, coisa que agora se pode fazer porque está deserto. Vou comê-lo agora :)


A exposição é óptima para crianças. Tem vários filmes, porque vamos acompanhando a vida dele através das cartas e a voz que faz de Van Gogh é a do Dragon Ball ou do amigo do Simba nos desenhos animados, etc. É infantil. Um bocadinho irritante...

O espaço está dinâmico. O quarto dele está todo montado de maneira que parece que entramos dentro da pintura o que é giro.

As paredes estão cobertas de imagens em 3D dinâmicas que recriam as obras. Há uma sala que recria o café que tem num dos lados umas mesas com fotografias montadas com divisão de perspectiva onde podemos sentar-nos a desenhar, coisa que fiz, mas quem estava ao meu lado de um lado e de outro eram só miúdos. Até tem um fardo de palha que os miúdos gostam.

As imagens e reproduções em 3D são muito giras, tem uma ou outra parte interactiva que entretem. Como digo, óptima para miúdos. Mesmo assim estava à espera que tivesse uma obra original. A diferença entre ver reproduções e originais é abissal e parece-me que podia aproveitar-se para dar a conhecer aos miúdos uma obra dele. Causam uma impressão tão forte.

 No fim da exposição, na última sala, tem três ecrãs com curadores do museu Van Gogh a falar da vida dele e das obras. Para adultos. Gostei bastante, embora seja o tipo de coisas que pode encontrar-se na internet.

É também isto que chamo reinventar o sagrado



Na Islândia suspendeu-se a construção de uma ponte porque as pessoas têm uma ligação espiritual especial à Natureza, naquela zona. Não há dúvida que há locais, na Natureza, que têm um poder terapêutico, seja pela sua beleza, seja pela atmosfera e originam nas pessoas um estado de espírito diferente. São transformadores e tornam-se quase sagrados por conta dessas características e da espiritualidade ou estado psíquico que desencadeiam. Na Islândia foram capazes de respeitar um local desses na sua individualidade e não olhar para ele apenas como recursos e lucros e perdas numa folha de cálculos.
É preciso recuperar uma certa maneira de olhar para a Natureza como os primitivos o faziam: com respeito e uma certa reverência pela sua individualidade.

Cá isto nunca aconteceria. Estamos muito longe desta mentalidade. Há demasiada corrupção e a corrupção é própria de gente egoísta que só pensa em si e não tem respeito pelos outros seres humanos, pelo menos, não o suficiente para não os roubar, quanto mais pela Natureza. Ontem saiu novo relatório e continuamos a estar bastante abaixo dos padrões recomendáveis.

Islândia suspende obras de uma nova estrada para proteger os elfos, os duendes e a natureza

A Islândia é um lugar mágico, onde a população está intimamente ligada às tradições dos elfos e à proteção de lugares naturais que fazem parte de lendas antigas.

Aqui está a decisão de cancelar a construção de uma rodovia para não desfigurar uma paisagem muito fascinante, considerada quase mágica. Os planos para construir uma nova estrada e ponte na Islândia surgiram recentemente e foram modificados e implementados de maneira diferente porque os ativistas desejam proteger os locais folclóricos tradicionais e as belezas da natureza e se opuseram à novidade.
Pensamos que pelo menos em parte a questão dos elfos tem sido uma desculpa para tentar proteger um lugar natural extraordinário da construção de uma estrada e da cimentação. No entanto, os trabalhos necessários para facilitar as viagens foram levados em consideração, mas levando em consideração um maior respeito pelas tradições e por uma paisagem maravilhosa, para dizer o mínimo.

June 06, 2020

A liberdade como um dragão



"Speeding Motorboat (Velocità di motoscafo)". 'Benedetta' (Benedetta Cappa Marinetti). c.1924.

SE O AMBIENTE FALASSE, um espaço para debater o Ambiente em Portugal



Admirados??? Basta virem a Olhão de maré vazia, junto ao T cais de embarque para as ilhas para verem a merda a sair directa para as aguas do Parque Natural da Ria Formos e essa vergonha passa-se perante a conivência de TODAS as autoridades.Em Olhão desde que o drº António Miguel Ventura Pina (filho de Anónio Pina ex governador Civil de Faro),foi eleito pelo PS, 3 zonas de produção de Bivalves foram desclassificadas devido ao excesso de coliformes fecais na carne das amêijoas ostras berbigões e langueirões.uma dessa zonas que abrange TODA a Zona Ribeirinha de OLhão, o Nº de Coliformes fecais é de tal ordem que a DGRM , proibiu desde há 3 anos a apanha de todos,desclassificando toda a Zona para Zona de Classe D, o mais alto nível de poluição microbiológica. E TODO o mundo do PS calado e conivente com esses crimes ambientias e de saúde publica.
João Luis Antunes

Filmes - Tigertail



Um filme de Alan Yang, sobre um indivíduo que emigra para a América porque precisa de dinheiro para ajudar a mãe, a troco de casar com a filha do indivíduo que lhe paga a ida.  Deixa para trás o amor da sua vida. Ao fim de muitos anos de um casamento infeliz transformou-se numa pessoa fechada como uma concha, uma sombra do que era quando estava com a rapariga, antes de emigrar e casar. Filmado com muita contenção e delicadeza. É triste como a vida sabe ser,  muitas vezes. Comovente.





I think so, too



... and every action, moral action, a human does is aesthetic too, it's just that some people only do bad art.



O jornal do irmão já traz um grande artigo a sacralizar o salvador do país, aquele tipo do petróleo



... que como é bom no petróleo já é assumido como o cristo salvador que percebe de tudo e vai decidir, em vez dos políticos e tratar o país como uma empresa. Porque é que isto não me entusiasma nem um bocadinho e até põe os cabelos em pé? Porque é um enorme passo na direcção errada: um economista do petróleo a reduzir-nos às suas preferências pessoais e visão de vida.


Schoppy - o amor e o ódio - isto não é verdade



A não ser que estejas a referir-te aos homens no sentido dos indivíduos do sexo masculino. Aí não sei... mas sei que não é verdade no sentido universal de seres humanos. Ou talvez quando fala em amar se refira ao desejo, que também é superficial. Amor e ódio tem origens e características diferentes. O amor é um sentimento e tanto o temos em relação às pessoas como às coisas. Por exemplo, amo os livros, há quem ame os animais de estimação, o desporto, a música, a matemática, etc. Os sentimentos são profundos, subterrâneos e pregnantes. Já o ódio é uma emoção, logo, volátil, e dirige-se apenas às pessoas e não às coisas. Às vezes dizemos, 'odeio essa coisa', mas é uma maneira de falar para vincar com veemência um desagrado. O ódio não é uma emoção primária, é aprendida na sociedade e, por conseguinte, nem todos a têm. É verdade que há pessoas que odeiam e alimentam constantemente esse ódio e é por isso que o confundem com um sentimento.
A emoção que é primária e universal é a raiva (já a vemos aparecer nos bebés, mas o ódio não) que advém de um sentimento de injustiça ou de mágoa (algo que se sente como um mal, um prejuízo moral, emocional, material, etc.) e que se expressa, por vezes, exteriormente, com agressividade ou, no pior dos casos, interiormente, com o rancor, que é auto-destrutivo. Sou um contra-exemplo desta frase porque não sou capaz de sentir ódio por ninguém. Já aconteceu tentar :)) mas não. Não aprendi isso. Mas raiva sim. A raiva é uma revolta ou um grito de dor, já o ódio é uma emoção que traz o desejo de fazer mal, de vingança. Por exemplo, tenho raiva da Lurdes Rodrigues, da Leitão, do Centeno porque são pessoas que não têm respeito pelos outros cidadãos e não hesitam em prejudicar, com consciência do que vão fazer e, isso mete raiva, é revoltante. Mas não lhes tenho ódio nem lhes desejo mal na vida. O que desejo é que não façam mal aos outros. A raiva tem uma orientação pedagógica, o ódio é pérfido.
Portanto, nem o ódio é demorado pela simples razão de que nem sequer é universal, nem o amor é à pressa, pelo contrário, é profundo, demorado e difícil de desaparecer. De vez em quando passo por períodos em que leio menos por qualquer razão, mas esse amor ao saber e a querer compreender é profundo, responde a necessidades permanentes, não desaparece e a ausência dos instrumentos que alimentam esse amor (os livros, a cultura em geral) causa sofrimento.


Pensar é ver para dentro



É indiferente jogar o xadrez com peões de ouro ou com figuras de madeira.

Schopenhauer

Uma música para ficar bem-disposta



... para dissipar a nuvem. As garotas são fantásticas a dançar, o pianista é excelente e o cantor tem o tom e o estilo perfeitos para este arranjo. É difícil ouvir e não ficar bem-disposta :)
(bem-disposta tem hífen? Desde esta porcaria deste acordo ortográfico, às vezes já não sei escrever.)

Precisamos de reinventar o sagrado



... para deixar a Terra respirar. Não o sagrado das religiões, a não ser naquele sentido original em que a religião significa, sentirmo-nos 're-ligados' ao todo como fazendo parte dele. Não se trata de andar para trás e ir fazer caminhadas druídas ao luar ou discursos de quem arde no fogo divino. Não, é necessário reinventar o sagrado como parentesco: ter uma aproximação ao mundo que vá para além do consumível, que o sinta e pense, não como um mero recurso ou capital de recursos, um utensílio, um instrumento de uso e consumo dos nossos desejos mas como um parceiro de vida, um outro de pleno direito que se ama, respeita e cuida, onde nos sentimos em casa e nos queremos demorar. Antropomorfizá-lo nesse sentido. Mudar este auto-erotismo humano, esta calocracia do supérfluo e do imediato. Dessacralizar a matemática da quantidade, dos dados, das estatísticas que impõem, desviam e corrompem: nem são factos nem interpretações e impedem uns e outras. Tirar poder à economia redutora que manda no mundo e deixa os políticos na berma da estrada com uma pequena margem de manobra a gerir reeleições. Precisamos de uma tecnologia menos bruta, mais limpa.
Precisamos de mais mundo e melhor mundo, não menos.
Precisamos de pensar que estamos de quarentena neste planeta: baixar o nível de gastos do supérfluo, cuidar da saúde mental, cortar as tarefas inúteis do trabalho, embrenhar-se mais na cultura, parar para pensar, ter cuidado com os outros, produzir o que é necessário, investir nos serviços que nos ajudam, pensar no planeta em termos de futuro.



NASA




via Aimee


Ameaçador



© Emilie Ristevski