Deve ser por isto que o Presidente da AR diz que os políticos em Portugal são umas vítimas e que não deviam ser escrutinados.
Deve ser por isto que o Presidente da AR diz que os políticos em Portugal são umas vítimas e que não deviam ser escrutinados.
Relatório final indica que falha foi "potenciadora de causar sérios problema de saúde", mas IGAS alega que teve de arquivar processo por não conseguir atribuir culpas uma vez que a gravação da chamada para o INEM foi destruída. - CNN Portugal
Um indivíduo está a 20 metros do hospital com um problema de saúde e ninguém o deixa entrar, apesar de todos o verem: 1º incompetência de quem gere os serviços; zero autonomia dos profissionais no local; burocracia estranguladora da actividade profissonal; incúria do Estado e desinteresse pelas pessoas que dever servir; 2º desaparecem os registos de prova dos factos e ninguém é responsabilizado.
Na verdade, compreende-se o PM: se não sabem como resolver os problemas do SNS e não têm nenhuma ideia sobre o assunto, para quê mudar a ministra ou os SE?
É claro que nenhum vazio é deixado a si mesmo e o buraco vai sendo ocupado pelos lobbies da saúde à solta.
Há presos a mais e falta de lugar nas prisões. Biliões e biliões que vêm de Bruxelas e se somem pelo ralo dos ministérios enquanto todos os serviços públicos vêm sendo desfalcados desde há 15 anos. Mas não faz mal, agora, para compensar as desgraças, teremos mais uma classe de amigos do poder num edifício faraónico de centenas de milhões para alegrar a nossa vida.
Está o país parado durante dois meses ou três à espera que suas excelências desamuem. Era mesmo o que precisávamos.
Hoje na escola , em conversa, várias pessoas diziam que Montenegro foi um idiota mas que vão votar no PSD porque foi o único partido que nos devolveu parte do tempo de serviço que nos roubaram para dar dinheiro à banca - esses salvadores da Pátria. E que o PS só nos rouba.
Já ontem o novo ME disse às escolas: comecem as aulas no dia 12! Disse-o na sequência de nada estar a funcionar: o portal de matrículas não funciona; os computadores não funcionam; não há professores nem houve alguma medida para a solução do problema a não ser uma declaração de intenção de alguns reformados talvez voltarem às escolas; os professores ainda não foram colocados; da reposição do tempo de serviço, nem uma palavra, etc.
Agora o governo, na pessoa do ministra da saúde, vem dizer aos hospitais: reduzam meio milhão de urgências! Acabem com a lista de espera das cirurgias ou serão penalizados!
O governo substitui o acto de governar por imperativos: fazei acontecer!
Olha! Assim também eu.
Uma vez aprovada a CPI, ninguém quer deixar de revelar o seu vigor inquisitório. É indisfarçável o entusiasmo com que alguns deputados representam para as televisões.
4) Soubemos que o Parlamento levantou a imunidade de três deputados do PSD no âmbito do caso Tutti-Frutti, que inclui graves suspeitas de corrupção e de tráfico de influência. Os contornos da investigação conhecem-se há anos, toda a gente sabia que Luís Newton e Carlos Eduardo Reis iriam ser constituídos arguidos – ainda assim, o PSD achou que seria uma excelente ideia incluí-los nas listas de deputados às últimas legislativas. Estas decisões corroem o poder parlamentar.
5) Soubemos que na Madeira existe o sério risco de o governo cair novamente, porque Miguel Albuquerque recusa fazer o óbvio: afastar-se e ceder lugar a outro, após ter sido constituído arguido por corrupção e abuso de poder. A oposição em peso recusa viabilizar o seu governo, e bem. Albuquerque mantém-se firme e já fala em novas eleições. O PSD-Madeira fica a ver navios. Assim se vai corroendo o poder democrático.
JMT in https://www.publico
Entretanto, ficamos a saber que no Estado é perfeitamente legal mudar de gabinete, por assim dizer, e ser premiado com 80 mil euros de indemnização. O poder político desfalca o pais para se encher de privilégios e excepções absurdas. Tudo legal, para ninguém lhes poder pegar. Ainda se espantam da extrema-direita crescer.
2. Em 2015, a actual secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Dias, inscreveu o seu nome na lista dos trabalhadores disponíveis a abandonar os seus empregos na CP, no âmbito de um processo de rescisões voluntárias. A companhia queria reduzir encargos com salários e fez o que no geral fazem as empresas, públicas ou privadas: dispõe-se a pagar indemnizações a quem aceitar sair. Cristina Dias fez as contas e aceitou o repto, até porque tinha um belo emprego na Autoridade da Mobilidade dos Transportes à sua espera. Antes de mudar recebeu um cheque de 80 mil euros, de acordo com uma tabela de indemnizações que diz existir na CP desde 2010.António Barreto tem uma narrativa e chama mentira à narrativa dos outros. Os factos nunca são puros, como ele muito bem sabe e as narrativas são uma interpretação da realidade com base em certo factos seleccionados e alinhados para aparecerem de um certo modo. Aqui neste artigo, António Barreto escolhe dar meia dúzia de exemplos de conseguimentos individuais de pessoas e empresas portuguesas (até podiam ser uma dúzia ou duas) e falar no crescimento, que sabemos que se fez à boleia do turismo. Congratula-se por não sermos os últimos da UE mas 'apenas' o 18º em 27, e diz que subimos 3 lugares. E conclui que quem diz que estamos mal é mentiroso e não se apoia nos factos.
De facto, quem diz que estamos mal e nos deixaram mal, não se apoia nos seus factos, que deixam de fora muitos factos relevantes. Por exemplo: baixámos a dívida à conta do empobrecimento das pessoas - inflação alta, salários sem aumentos. Pode haver dez empresas e pessoas muito boas e bem na vida, mas metade da população portuguesa está perto da pobreza; a comida está tão cara que as pessoas se endividam para comer; os hospitais não têm médicos, as grávidas morrem na estrada e são recusadas pelos hospitais e os seus filhos também; não há professores e os alunos estão o ano inteiro sem aprender; a habitação é tão cara que empurra os jovens para fora do país; os salários são tão maus que os jovens fogem daqui; e a justiça é o que se vê. Os políticos escondem dezenas de milhares de euros em notas nos gabinetes e compram casas a dinheiro, em numerário. Os crimes de Sócrates prescreveram. E se subimos 3 posições, António Barreto esquece-se de dizer quanto lugares descemos em todos estes anos, antes de este ano subirmos 3.
Portanto, é caso para perguntar: afinal, quem é que tem uma narrativa a esconder os factos desagradáveis e pinta uma aguarela, não realista, mas impressionista, do país? Se calhar António Barreto não tem noção que vive numa bolha que não é a realidade do país.