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September 18, 2026

Este artigo sobre a diferença de alianças dos EUA e da China é interessante mas passa ao lado do principal


Por que razão a China continua a resistir a alianças formais

Geosec Insights

À primeira vista, a política externa da China apresenta um paradoxo. Pequim é a única potência com dimensão económica, capacidade industrial, modernização militar e alcance diplomático suficientes para desafiar os Estados Unidos enquanto rival sistémico. No entanto, ao contrário de Washington, não construiu uma rede global de alianças militares vinculativas.

Washington tem operado através de tratados formais de defesa, bases militares avançadas, estruturas de comando de alianças, inter-operabilidade e garantias de segurança de longo prazo. Pequim, pelo contrário, escolheu uma abordagem diferente para expandir a sua influência. Esta inclui uma combinação de parcerias estratégicas, projectos de infraestruturas, coordenação política, dependência económica e comercial, exercícios militares e fóruns multilaterais, mas não compromissos jurídicos que obrigariam a China a defender outro Estado em caso de guerra. Por outras palavras, a China tem evitado alianças como a NATO e, em particular, cláusulas como o artigo 5.º da NATO.

Esta é uma escolha estratégica deliberada. Pequim não quer reproduzir o sistema de alianças americano porque não o vê apenas como uma fonte de força, mas também como uma estrutura de obrigações, exposição e potencial envolvimento involuntário em conflitos. A China quer parceiros, não aliados no sentido jurídico estrito; influência sem compromissos automáticos; poder de pressão sem obrigações partilhadas; acesso sem dependência. Acima de tudo, quer liberdade de acção.

(...)

O modelo de alianças dos EUA e a lógica diferente da China

Um dos pilares da predominância global americana é a arquitectura de alianças do país. A NATO, provavelmente a aliança militar mais bem-sucedida da história e uma das principais alianças de Washington, continua a ser apenas uma parte de um sistema mais vasto. Washington mantém tratados de aliança com a Austrália, o Japão, a Coreia do Sul, a Tailândia e as Filipinas, além de outras parcerias de segurança na Europa, no Indo-Pacífico e no Médio Oriente. Este sistema proporciona a Washington acesso, redes de informações, legitimidade, inter-operabilidade militar, influência política e económica e capacidade de projecção militar avançada.

Washington encara as alianças como multiplicadores do seu poder, permitindo-lhe ultrapassar as limitações impostas pela geografia. Através das suas alianças, as forças americanas mantêm uma presença contínua na Europa, no Pacífico, no Médio Oriente e na Ásia Oriental, muito para além dos Estados Unidos continentais. Este sistema alargado de alianças e parcerias permitiu aos EUA moldar os equilíbrios regionais de acordo com os seus interesses nacionais e impedir que as crises se transformassem em ameaças directas.

No entanto, este sistema também criou expectativas políticas, uma vez que os aliados americanos dependem fortemente da proteção dos EUA, enquanto os próprios EUA dependem da cooperação e do alinhamento dos seus aliados. A recente guerra no Médio Oriente demonstrou os limites da dependência, tanto para os Estados Unidos como para os seus aliados.

A China, por seu lado, encara o sistema de alianças de forma diferente. Para os decisores políticos chineses, as alianças americanas não são meros acordos de segurança neutros, mas instrumentos de contenção, sobretudo na Ásia Oriental. Neste sentido, as forças americanas na Coreia do Sul e no Japão, a aliança entre os EUA e as Filipinas, o AUKUS, o QUAD e os Five Eyes são vistos como partes de um sistema mais amplo destinado a conter a expansão chinesa, especialmente no perímetro marítimo de Pequim.

(...)

A China tem parceiros, não um verdadeiro sistema de alianças

A ausência de alianças formais não significa que a China não mantenha relações estreitas com outras potências. Em primeiro lugar, Pequim mantém uma parceria próxima com Moscovo. Além disso, a China mantém uma relação estreita com o Paquistão, profundos laços económicos em todo o Sul Global, influência crescente em algumas regiões de África e do Médio Oriente e um papel institucional em fóruns como a Organização de Cooperação de Xangai e os BRICS. Por fim, a China tem apenas um tratado formal de defesa, herdado da Guerra Fria, com a Coreia do Norte.

Nenhuma das parcerias acima mencionadas é, de forma alguma, equivalente à NATO ou à aliança entre os EUA e o Japão: Não criam um sistema de comando unificado;
Não obrigam automaticamente a China a defender vários parceiros;
Não exigem que Pequim mantenha grandes forças permanentes estacionadas em território aliado;
Não inserem a política de segurança chinesa numa estrutura de aliança partilhada.

No entanto, as parcerias chinesas são úteis porque são politicamente abrangentes e juridicamente limitadas: Permitem à China cooperar com a Rússia sem assumir todos os riscos russos.
Permitem-lhe apoiar o Paquistão sem ficar presa a todas as crises entre a Índia e o Paquistão.
Permitem-lhe relacionar-se com o Irão, a Arábia Saudita, Israel, os palestinianos e os Estados do Golfo sem escolher formalmente um dos lados em todos os conflitos regionais.
Permitem à China apresentar-se como mediadora quando isso lhe é conveniente e como contrapeso de uma grande potência quando necessário.

Este é o núcleo do modelo chinês: máximo espaço diplomático com um mínimo de obrigações formais.

A lição histórica: a cisão sino-soviética

Uma das razões que explicam a abordagem chinesa é histórica. Mais especificamente, a aliança da China com a União Soviética, nas primeiras fases da Guerra Fria, começou como uma parceria ideológica entre as duas potências comunistas. Rapidamente, porém, transformou-se numa lição sobre dependência, desconfiança e hierarquia.

A cisão posterior indicou aos dirigentes chineses que o alinhamento ideológico não é suficiente para manter uma aliança, sobretudo quando uma das partes é tratada como um parceiro inferior — neste caso, a União Soviética tratava a China como não sendo um parceiro em pé de igualdade. Consequentemente, a relação sino-soviética deteriorou-se até se transformar em hostilidade, incluindo confrontos militares ao longo das fronteiras.

Esta experiência teve um impacto profundo no pensamento estratégico chinês, reforçando a suspeita de que as alianças formais podem limitar a liberdade de ação e, consequentemente, reduzir a soberania. O aliado poderoso pode transformar-se num patrono, numa limitação e, por fim, numa ameaça.

(...)

Soberania e controlo

Outro aspecto importante da estratégia chinesa de não estabelecer alianças está relacionado com a obsessão do Partido Comunista Chinês (PCC) pelo controlo. A interpretação que o PCC faz da história moderna da China é moldada pelo «Século da Humilhação», que teria resultado da intervenção estrangeira, dos tratados desiguais, da fragmentação territorial e da pressão externa. Quer se aceite ou não esta narrativa na sua totalidade, ela continua a ser central para a forma como Pequim explica o seu comportamento em matéria de segurança.

As alianças formais exigem normalmente coordenação, partilha de informações, interoperabilidade, planeamento conjunto e acesso militar estrangeiro. Para os EUA, isto faz parte da gestão normal de uma aliança; para a China, cria desconforto. Pequim não quer forças militares estrangeiras integradas na sua arquitetura de segurança, nem parceiros externos a influenciar o seu processo de tomada de decisões. Naturalmente, também não quer que as suas próprias forças armadas dependam do consenso dos aliados.

(...)

Conclusão

A China não evita alianças formais por ser fraca, mas porque encara as alianças rígidas como um risco. A cisão sino-soviética ensinou a Pequim que até parceiros ideológicos podem transformar-se em constrangimentos. A observação de Washington ensinou-lhe que as alianças ampliam o poder, mas também criam obrigações, testes de credibilidade e riscos de envolvimento em conflitos.
(...)

 Em vez disso, a China constrói uma ampla rede de parcerias flexíveis que apoia a sua ascensão, complica a estratégia dos EUA e preserva a sua liberdade de ação.

O problema das alianças da China, em última análise, não diz respeito tanto à doutrina como ao tipo de grande potência que Pequim pretende ser. Os EUA construíram uma ordem assente em aliados, enquanto a China está a construir a sua influência em torno da autonomia. Saber se esse modelo resistirá a uma grande crise é uma das questões decisivas desta década.
https://www.geosecinsights.com/

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O artigo refere que a China tem alianças que não implicam a partilha de informação militar e estratégica, a um comando militar unificado e também não a obrigam a entrar em conflitos que não escolheu, como acontece com o artigo 5º da NATO, mantendo a sua independência e liberdade de acção - ao contrário dos EUA que têm um sistema alargado de alianças e parcerias que lhes permitiu moldar os equilíbrios regionais de acordo com os seus interesses nacionais e impedir que as crises se transformassem em ameaças directas. 

Esta análise é interessante mas passa ao lado do principal: os EUA eram (ainda são de algum modo) uma democracia e a China é uma ditadura e tudo o resto decorre desse facto. 

E a China é uma ditadura de um país grande - em território, em número de pessoas e em estrutura militar. Isto é importante, porque uma ditadura de um país pequeno (pense-se em Portugal de Salazar) só é uma ameaça para o próprio povo e, por isso, necessita de alianças com países mais fortes para se defender de outros fortes. Mas uma ditadura num país enorme, em território, em número de pessoas e em estrutura militar, não tem necessidade de alianças. Ninguém os ameaça e eles é que são intimidantes para os países vizinhos na sua esfera geográfica, logo em risco de serem seus subalternos, de uma maneira ou de outra. Veja-se o caso da Rússia. 

Porém, as democracias não operam na base da intimidação militar e da ocupação territorial pela força. Respeitam-se umas às outras enquanto Estados de direito e, por isso, confiam umas nas outras, em muitos assuntos e partilham informação estratégica que as ditaduras, que não respeitam leis internacionais e o Estado de direito, nunca partilhariam. A NATO é uma aliança de defesa e não de ataque. Ao contrário das ditaduras, as democracias precisam de alianças pois o seu poder de influência é diplomático, político e económico e o poder militar é uma reserva de defesa, não um argumento na mesa de negociações. 

Repare-se na UE. De cada vez que um candidato pró-ditadura vai a eleições, a primeira coisa que diz é que quer ser independente da NATO e da própria UE. Quer autonomia total, não ter que partilhar nada, etc. Veja-se Farage e o Brexit, veja-se a Hungria de Orban (o seu ministro dos negócios estrangeiros Szijjártó, agora trabalha para a China), veja-se a líder do AfD, a Le Pen, os bloquistas e comunistas portugueses. 

Este artigo vê a questão do ponto de vista da China e dos EUA -o que cada um quer- mas esquece-se que as alianças são voluntárias e não forçadas. Ninguém quereria uma aliança do género da NATO com a China ou com a Rússia, sabendo que essa aliança implica ficar dependente de uma ditadura feroz. Bem, agora a Rússia talvez quisesse -temporariamente-porque está com a corda no pescoço.

Todos queriam, em tempos, ter alianças com os EUA, mas repare-se como as alianças dos EUA da América estão a morrer, por afastamento dos aliados, desde o momento em que os EUA se transformaram numa oligarquia intimidante que usa o poder militar como argumento. De repente, as democracias europeias, o Canadá, o México e outros países pelo mundo fora, começaram a desligar-se deles: primeiro na partilha de informação secreta, depois militar, depois económica, agora digital. Muitos já estão à procura de outras alianças para os substituir.

Portanto, a grande diferença que a China tinha relativamente aos EUA em termos de estilo de alianças, fundava-se no facto de a China ser uma ditadura num país enorme. Neste momento em que Trump ameaça invadir aliados, tarifar aliados, apoiar inimigos dos seus aliados e afirma não querer ter laços que os prendam a acções de outros países, cada vez tem menos diferenças com a China - ou com a Rússia.

É intimidante, argumenta com a força militar e quer colónias e países que se subalternizem, em vez de aliados. E isto acontece porque já não são uma democracia séria, são uma oligarquia ainda com instituições democráticas mas já muito deterioradas que não inspiram confiança.

Portanto, a principal diferença entre a China e os EUA era a primeira ser uma ditadura e a segunda uma democracia e daí decorriam os estilos de alianças diferentes. Agora já não são tão diferentes assim.


February 07, 2026

A destruição dos valores democráticos por forças e ideologias não-democráticas

 


Rui Paulo Sousa


O Hospital Amadora-Sintra identificou mais de 500 mulheres vítimas de mutilação genital feminina e acompanhou o nascimento de 240 meninas em risco real de perpetuação desta barbaridade. Não estamos a falar de casos isolados. É um fenómeno instalado.

MGF não é “tradição”, não é “diferença cultural”, não é relativizável.
É crime, é violência extrema contra crianças, é uma violação brutal dos direitos humanos.

Quem fecha os olhos em nome do multiculturalismo é cúmplice.
Quem relativiza por medo de parecer “politicamente incorreto” abandona meninas à mutilação.
Isto não é racismo.
Isto é defesa de crianças.
Quem não percebe isto já escolheu o lado errado.

September 29, 2025

Corrijam-me se estou enganada

 

Os países democráticos têm de ser unidos e, não apenas permitir, mas apoiar activamente as democracias a ganhar as guerras contra as ditaduras, sejam teocráticas, totalitárias ou mafiosas que as atacam. O mundo inteiro é uma plataforma instável e o lado que tem mais peso é o lado para onde todos acabam por escorregar. Quanto mais inclinada está a plataforma, mais difícil é não escorregar.


February 20, 2025

'Uma Liga das Democracias' em vez da ONU?




Na terça-feira, o Presidente da RDI, Garry Kasparov, viajou para a Suíça para abrir a Cimeira de Genebra para os Direitos Humanos e a Democracia. Fundada em 2009, a Cimeira de Genebra “oferece aos heróis dos direitos humanos, activistas e antigos prisioneiros políticos uma plataforma única para testemunharem as suas lutas pessoais pela democracia e pela liberdade, ao mesmo tempo que constroem uma comunidade internacional para enfrentar as ditaduras”.

Pode ver o discurso completo de Garry aqui.

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Obrigado à Cimeira de Genebra para os Direitos Humanos e a Democracia, e especialmente a Hillel Neuer, por me receberem aqui. E obrigado por me terem colocado uma pergunta tão fácil: “Qual é o estado da democracia no mundo atual?”

Gostaria de dizer que “a democracia está a ir muito bem!” Mas seria um comentário muito breve.

A realidade é mais uma mistura. Por um lado, a democracia é muito mais comum actualmente do que em 1963, quando nasci em Baku, nos limites do império soviético. Mas estamos também num momento de grande agitação e as linhas de tendência estão a mover-se na direção errada. Extremistas e aspirantes a autoritários estão a capturar as instituições de poder no Mundo Livre. 

Na Ucrânia, a guerra genocida de Putin é apoiada por uma coligação autoritária internacional que se estende de Teerão a Pyongyang. Do outro lado do Estreito de Taiwan, a China já está a preparar a sua força de invasão.

No entanto, a vantagem continua a estar do nosso lado. O Mundo Livre é mais próspero, mais dinâmico e mais poderoso do que os nossos inimigos.

Por outras palavras, a derrota é uma escolha.

Desde fevereiro de 2022, os ucranianos têm dado provas de uma determinação heróica. O que era suposto ser uma invasão unilateral de três dias prolongou-se por três anos. Uma nação em que o establishment de Washington e Bruxelas se recusava a acreditar parou o urso russo no seu caminho.

E as democracias da linha da frente não estão a lutar apenas por si próprias. Israel nega activamente a procura de armas nucleares pelo Irão, tal como impediu as aspirações atómicas da Síria em 2007 e do Iraque em 1981. Consegue imaginar um mundo em que os ayatollahs, ou Assad e Saddam antes deles, tivessem a bomba?

O mesmo se passa na Ucrânia. Cada derrota de Vladimir Putin mantém as tropas americanas fora de perigo numa potencial guerra pela Polónia ou pelos países bálticos. E cada brigada norte-coreana que os ucranianos detêm significa que milhões de pessoas em Seul podem ficar descansadas, sabendo que Kim Jong Un está em desvantagem.

Por muito impressionante que tudo isto seja, estes conflitos já poderiam ter terminado - com vitórias democráticas decisivas - se o Mundo Livre não lutasse com uma mão atada atrás das costas.

Há muitos factores que contribuem para isso. Um deles é o estado das nossas instituições internacionais. Numa perversão cruel da história, as Nações Unidas - a sucessora da coligação heróica que esmagou o nazismo - foram sequestradas por uma galeria de malfeitores dos tempos modernos. O Irão, a Rússia e a China fomentaram um purgatório de falsas equivalências na rua quarenta e dois e aqui em Genebra.

“As democracias do mundo - América, Europa, Japão, Coreia do Sul, Israel - não são melhores do que nós”, escarnecem os déspotas do seu púlpito na sala da Assembleia Geral. “Talvez até piores”.

Uma instituição criada para promover os valores do Mundo Livre tem agora os EUA e os seus aliados atolados em procedimentos. Uma organização concebida para evitar a guerra, agora perpetua-a por detrás de um verniz de legitimidade azul-bebé.

No seu famoso discurso sobre a Cortina de Ferro, em 1946, Winston Churchill avisou-nos de que as instituições internacionais corriam o risco de cair numa “espuma de palavras... um cockpit numa Torre de Babel”. Receio que ele estivesse a ser demasiado optimista na sua previsão.

Quando a podridão é tão profunda, podemos estar a aproximar-nos de uma questão de substituição e não de reforma.

Felizmente, existem alternativas prontas.

Fundei a Iniciativa Renovar a Democracia, que reúne corajosos dissidentes políticos de todo o mundo, com o objetivo de revitalizar o instinto de sobrevivência do Mundo Livre. O Congresso Mundial da Liberdade, que também ajudei a fundar, representa outra coligação de defensores da democracia que perseveraram sob regimes repressivos. As histórias angustiantes que estes líderes partilham contrastam fortemente com os discursos enlatados que ouvimos dos representantes do regime na ONU.

Quando os iranianos continuarem com as suas mentiras sobre o “Grande Satã”, o meu amigo Masih Alinejad pode falar-vos da realidade do apartheid de género na República Islâmica. Quando a ditadura venezuelana atacar a democracia americana, deixem-nos ouvir Leopoldo López falar de eleições roubadas. E quando os russos fizerem propaganda dizendo que são os defensores da liberdade, lutando contra o fascismo na Ucrânia, eu terei algumas palavras sobre o que é a “democracia” sob Vladimir Putin.

As nações do Mundo Livre devem unir-se. O falecido senador John McCain propôs uma vez uma Liga das Democracias, uma coligação de nações livres que podem trabalhar em conjunto para enfrentar os nossos desafios comuns.

Citando o senador McCain, uma Liga das Democracias “poderia exercer uma pressão concertada contra os tiranos... com ou sem a aprovação de Moscovo e Pequim”. Esta coligação permitiria a vitória sobre a ditadura e o terrorismo, não a criticaria. Reuniria os recursos do Mundo Livre em torno da Ucrânia, e não manteria a mão de Kiev. E daria voz à nação livre e independente de Taiwan, não perpetuaria a ficção de “Uma só China”.

Sei que, após oito décadas, uma ruptura tão acentuada com a ONU pode ser difícil de imaginar, mesmo entre um público crítico como o vosso. Alguns podem ser tentados a rotular esta visão como idealismo irrealista, mas a união em torno de interesses mútuos e valores partilhados é uma base muito mais realista para a paz e a estabilidade globais do que a ingenuidade que cultivou o teatro do absurdo a que chamamos Nações Unidas.

Gostaria que as previsões de hoje fossem mais animadoras. Mas o amanhã não precisa de ser cinzento. Nós, no Mundo Livre, temos o talento que os ditadores desejam. Podemos manifestar o otimismo que os nossos rivais procuram diminuir. E sim, possuímos o poder de fogo que os nossos inimigos não conseguem igualar. Só temos de aproveitar a nossa vantagem.



January 06, 2024

A Sérvia está a caminho de ser uma Bielorrússia 2

 

O líder da oposição foi brutalmente espancado pela polícia secreta do Estado. Agora, isto:


October 29, 2023

O que faz a força de uma democracia?

 

A força e independência política das suas instituições. Instituições que resistam a choques, a políticos e elites gananciosas, a crises globais. Quando as democracias se desinstitucionalizam, não podendo contar com as instituições para a sua vida familiar, económica, laboral, etc., os povos começam a depender de líderes de personalidade forte, vistosa bem-falante, populistas, etc., que podem não ser, nem os melhores, nem os mais bem preparadas, nem os mais democratas - mas são os escolhidos como transferência do descontentamento. O descontentamento cresce na mesma medida da impotência em mudar a sua situação pessoal devido à inoperância das instituições e à sua captação por piratas da economia e das finanças.  Para as pessoas se convencerem que a democracia é melhor que o autoritarismo é preciso que tenham evidências, quer dizer, que vejam, de facto, as suas vidas melhorar e que vejam que há uma diferença de justiça entre um e outro sistema. Portanto, uma coisa que não é dita na entrevista anterior é que os políticos que têm governado a minar as instituições para ganhos pessoais são os maiores responsáveis pelo seu enfraquecimento  e pela degradação da democracia. Por exemplo, em Portugal os governantes, fazem quase todos os contratos por ajuste directo porque fazer concursos leva muito tempo. Esquecem-se que levar tempo é próprio das democracias, dado que são sistemas de partilha de decisões e de responsabilidades, onde se discute e encontram soluções que fortalecem a independência e a ética das instituições. Nas ditaduras é que os governantes decidem sozinhos com os seus 'homens de confiança'. Os nossos governantes entendem o país como uma empresa de que são o CEO, de maneira que decidem sozinhos e captam as instituições, desde o Parlamento à sociedade civil - a última captação que fizeram foi às odens profissionais que agora perderam independência. Só que não. O País não é uma empresa, nem eles são os nosso CEOs. Os políticos têm que cuidar do sistema político e deixá-lo em melhor forma democrática do que o encontraram. 


October 21, 2022

Unidos, significa ajudarem-se

 


E não unirem-se nas cimeiras e depois fazerem negócios de comerciante pelas costas uns dos outros.


September 16, 2022

Um clube de ditadores




Putin ausentou-se do país numa altura em que se pede a sua demissão, numa altura em que se lhe fazem críticas acerca da condução da guerra e correm rumores de atentados, o que mostra a dificuldade em que está e o desespero com que necessita da ajuda de Xi. 
Cada vez fica mais claro que este é uma guerra entre os regimes onde os governantes respeitam os outros seres humanos e regimes onde os governantes não respeitam os outros seres humanos: democracias e ditaduras colonialistas.
Xi, que revogou as medidas da China pós-Mao de limitar os mandatos da liderança a dois, para evitar a tentação do poder absoluto com a consequente corrupção absoluta, diz que a China é uma inveja para todos os países socialistas porque evitou o destino da URSS que, nas suas palavras, já teve muito poder e hoje é uma sombra - os países depois da sua queda escolheram o caminho do capitalismo.
Aqui há duas questões: 
1. a URSS, como a China não são países socialistas por vontade do povo mas por imposição brutal - aliás nem são socialistas sequer, porque ao contrário do que diz Xi, a China não é, liderada pela classe trabalhadora e baseado na aliança operário-camponesa", assim com a Rússia também não o é. Um e outros são liderados por um ditador quasi-absoluto (embora a China ainda tenha um simulacro de liderança colectiva que Xi está a tentar destruir) que obriga a população a submeter-se ou a sujeitar-se à prisão, à tortura e à morte. 
2. A URSS não era uma «união» de países soviéticos socialistas, como diz a sigla (URSS), mas uma ditadura opressiva colonialista que obrigou países inteiros a submeter-se ou a sujeitar-se à fome, à prisão, à tortura e à morte.
Xi gaba-se dos países 'socialistas' estarem a crescer. O que ele quer dizer é que as ditaduras do tipo imperialista ou colonialista (externa ou interna) existem e têm admiradores entre os ditadores: veja-se o grupo que se juntou ali na fotografia.
Portanto, Xi, admira o poder que a URSS teve, da maneira como o teve e quer ter um poder igual.
De maneira que é claro que esta é uma luta de regimes que não reconhecem leis internacionais e querem o poder total a qualquer custo e regimes que querem um poder assente em leis internacionais. 
É evidente que, se a Ucrânia não vence esta guerra terrorista da Rússia, ficamos com um grave problema mundial com os regimes dos dois maiores países do mundo a invadir tudo à volta e a levar outros pelo mesmo caminho.
 Putin já disse que é essa a sua intenção e a China já invadiu o mar da China contra a ONU e ameaça constantemente Taiwan à qual chama, 'um problema interno da China', da mesma maneira que Putin chamava à Ucrânia um problema interno da Rússia. 
Nós queixamo-nos da demora em enviar armas para a Ucrânia e criticamos o Kanzler alemão pela sua cobardia, mas isso é a democracia a funcionar: não estamos em regimes que uma pessoa decide sozinha e faz como quer e os outros ou amocham ou caem das janelas ou morrem a beber chá. 
Os regimes que neste momento ameaçam as democracias são dos piores: têm governantes predadores que prendem e matam todos os que se atravessam no caminho -até o seu próprio povo-, sem o menor escrúpulo. 
A China tem aquele sistema de recompensas e pontos sociais negativos verdadeiramente assustador onde as pessoas são vigiadas noite e dia e objecto de bullying social. 
As democracias são regimes inclusivos e plurais e as ditaduras são regimes exclusivos e unilaterais: a única pessoa que têm valor é o ditador e os outros são todos descartáveis.
É preciso armar a Ucrânia e manter firme o apoio aos ucranianos.

@christogroze




Xi Jiping declarou que a chave para o sucesso da China foi a determinação do país em traçar o seu próprio curso e não seguir os modelos de governação de outros.
Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu esta sexta-feira que o Partido Comunista Chinês (PCC) é agora o "porta-estandarte" do movimento socialista global e "deve aprender a autocorrigir-se constantemente", para evitar o destino da União Soviética.

(...) pedindo aos funcionários que mantenham o "espírito revolucionário" e estejam sempre prontos para autorreflexão e autocorreção.
Sem esse exercício, "mesmo o regime mais poderoso" entraria em colapso, advertiu Xi, observando que a queda repentina, na década de 1990, da União Soviética e do bloco comunista, levou a um período de dificuldades sem precedentes para o movimento socialista global.
Muitos países em desenvolvimento abandonaram o caminho socialista para copiarem o modelo ocidental, disse Xi.
Muitos países em desenvolvimento olham para a China com inveja e querem aprender sobre a nossa experiência de governação", considerou.
"O socialismo com características chinesas tornou-se o porta-estandarte do desenvolvimento socialista do século XXI", acrescentou.


"A União Soviética foi tão poderosa, e hoje é apenas uma memória longínqua", lembrou.

Constitucionalmente, a China define-se como "um estado socialista liderado pela classe trabalhadora e baseado na aliança operário-camponesa". O marxismo-leninismo continua a ser "um princípio cardial" do PCC.


September 09, 2022

Estamos muito longe de ter uma democracia destas


Com todos os defeitos que ela -a inglesa- possa ter e tem. Num dia és o primeiro-ministro e no dia a seguir, em vez de ires avençado para uma empresa a quem fizeste favores, vegetar com um salário 20 vezes superior aos salários miseráveis que nunca soubeste ou quiseste melhorar, vais para as bancadas do Parlamento fazer o teu trabalho para a democracia sem te sentires diminuído ou destronado, porque sabes que a democracia é maior que a tua vaidade e orgulho.

August 04, 2022

Diferenças entre democracias

 


A BBC está a passar uma conferência de imprensa com perguntas ao Governador do Banco de Inglaterra e outros administradores sobre a crise financeira, o que pensam fazer quanto à inflação e à recessão económica. Respondem a tudo sem demagogia e com transparência sobre a situação, as projecções e o que pensam poder fazer.

Cá, o GDP não responde a ninguém, faz o que quer em silêncio e até o primeiro-ministro se recusa a responder aos deputados no parlamento. Não está para se incomodar porque também entende não ter que responder a ninguém a não ser aos amigos do partido.


March 20, 2022

Democracias versus autocracias



A tecnologia move-se muito rapidamente mas isso pode ajudar a suster as democracias como se vê no caso da Ucrânia. Grande parte do moral dos ucranianos vem de milhões de pessoas em todo o mundo que se ligam através das redes sociais ao que se passa na Ucrânia, ao Presidente, às pessoas comuns que filmam o que se passa. Milhões de pessoas em todo o mundo que depois se manifestam, pressionam os governos e não deixam morrer o assunto, pelo contrário. Talvez seja este e não o anterior, o século do povo.