May 18, 2026

Porque é que os serviços públicos funcionam mal?

 

Cortes e despedimentos. Não para todos, claro. Os políticos centrais e locais não cortam nos assistentes, ajudantes, associados, conselheiros, adjuntos e outros que tais que contribuem para o florescimento do primismo. Mas cortam nos outros todos e dai estarmos sem professores, sem enfermeiros, sem médicos, sem polícias... políticos é que não faltam.

Há bocado, saí da fisioterapia e fui às finanças para entregar um documento. Deixem dizer que até há uns anos existiam mais do que uma repartição de finanças aqui na cidade. Agora, que o número de habitantes duplicou desde que a cidade passou, em grande parte, a ser mais um dormitório de Lisboa (não estou a contar com as cerca de100 mil empresas do concelho) há só uma única repartição para atender todas as pessoas. 

Cheguei lá e vi que estava pouca gente. Fui à máquina das senhas e, dos 7 tipos de senha possível, só 2 não estavam cortadas. Porém, nenhuma das 2 funcionava. Clicava-se no icon e o programa reenviava para o início. Ninguém no balcão de recepção, nem um segurança... nada. Via-se que estavam alguns funcionários a atender pessoas nos cubículos lá para dentro. Estavam lá 3 pessoas idosas que me disseram estar ali há mais de uma hora à espera que pudesse aparecer alguém para dar informações sobre como ser atendido com uma daquelas senhas.

Vim-me embora e vou fazer uma marcação online, mas chateia-me porque estava lá perto, fui lá para tratar de um assunto que não tem nenhuma complicação, tinha pouca gente e tive de vir embora sem ser atendida. E agora vou perder tempo a fazer marcações online, ir lá outra vez... Permanece a questão: as pessoas que vão lá, sobretudo já com uma certa idade, algumas vindo da periferia e que não sabem fazer marcações online (parece que telefonar também não funciona porque ninguém atende) chegam ali e não só não são atendidas, como ninguém lhes liga um boi. 

Qual é o objectivo dos serviços públicos? 

Porque é que os serviços funcionam mal e servem mal as populações? Porque é que governo após governo não resolvem os problemas e só nos embrulham a vida?


O #MeToo nunca entrou no retângulo. Passou ao largo



O Ministério Público foi passar férias a Vizela?


Se alguém continua a negar que a estrutura da sociedade portuguesa é intrinsecamente machista, tem aqui contraditório.

Ana Bárbara Pedrosa, Escritora
https://expresso.pt/opiniao


Vou resumir o caso para quem não o conhece. Em Abril de 2025, veio a público que Victor Hugo Salgado (VHS), presidente da câmara de Vizela, era suspeito de violência doméstica. O alegado crime teria sido cometido em Fevereiro, e teria levado Sara Eunice, esposa do autarca, ao hospital de Guimarães, com fracturas nos ossos do nariz, escoriação de um lábio, equimoses nos braços, nos cotovelos e nas pernas.

É importante sublinharmos que, durante todo este processo, VHS não disse que não bateu, espancou ou partiu. Escudou-se em formulações cobardes, apontou o dedo a uma oposição que nunca nomeou, e teve o descaramento, num comunicado conjunto – pasme-se –, de dizer que “a exposição pública destes factos constitui uma tentativa de instrumentalização da vida privada para fins de combate político.” Ora, é quase escusado dizer que, ao serem factos, são inegáveis: em vez de não negar, já parece admitir. E o resto também não deixa de espantar: o problema não é o crime, mas o que a concorrência política poderia fazer com ele.

O processo foi todo tão tosco que ninguém minimamente atento pode ter saído equivocado. Para mais, mostrava a posição do próprio em relação ao crime de violência doméstica, falando da “exposição pública de factos alheios à vida cívica ou ao debate político”. Ora, pancada dentro de casa não é coisa alheia à vidacívica nem ao debate político – e é por não o ser que é crime. É-o desde 2000, após um projecto de lei apresentado pelo Bloco de Esquerda, que contou com a unanimidade no parlamento – ou seja, tudo o que é PS concordou. Sem outro remédio, claro que Pedro Nuno Santos foi célere a retirar o apoio político a Victor Hugo Salgado.

Nesta altura, já era público que: 1) Sara tinha sido agredida; 2) Sara tinha feito uma queixa na polícia contra o marido. Ainda assim, a equipa de VHS, às portas das autárquicas, resolveu migrar com ele das listas do PS para uma lista de independentes. Ninguém contestou, ninguém disse nada, a procissão andou.

Em Maio – que rapidez! –, o Ministério Público (MP) arquivou a denúncia. A agredida teria recusado proceder a acusação em sede de inquérito e manifestado vontade de que o procedimento criminal ficasse por ali. Enfim, nada de novo. Para o MP, isso terá bastado. Parecendo ignorar a natureza pública do crime em questão, e as suas próprias obrigações, resolveu meter férias mais cedo, não dando resposta aos registos clínicos, ao exame médico e à própria acusação. Para espanto geral, VHS – que foi denunciado à polícia! – não foi interrogado nem construído arguido, “devido à inexistência de inícios do crime de violência doméstica” (perdão?) e a “a fim de se assegurar a paz social e a tranquilidade no seio da família”. Como disse Ana Sá Lopes: “a bem da paz social, o presidente da Câmara Municipal de Vizelanão agrediu a mulher.” E quem nunca esteve tranquila no seio da família com um nariz fracturado que atire a primeira pedra.

O arquivamento, claro, contradiz a natureza de crime público. E o MP ignora que, nestes casos, pode, e deve, avançar mesmo sem depoimento posterior da vítima.

Mas a pouca vergonha continuou.

A comunicação social em Vizela desempenhou um papel miserável: tanto o Digital de Vizela quanto a Rádio Vizela, em vez de noticiarem documentos, de procurarem informação, basearam as notícias em citações dos comunicados do acusado. O jornalismo era, ali, em vez da procura pela verdade, um papagaio ao serviço do poder – poder esse que, claro, ajuda a subsistência do próprio jornal, através de páginas de publicidade pagas. É raro ver o jornalismo do município a ter qualquer posição inquisidora sobre o presidente da câmara, ainda que o jornalismo sirva mesmo para isso. Além disso, o próprio papel que o presidente da câmara desempenha parece ser avesso ao papel democrático: em vez de ser VHS a servir a cidade, parece que a cidade serve VHS. Não só os jornais lhe dão estas abébias como pode ver-se, em pleno centro da cidade, um écran onde passam vídeos que deviam promover a cidade, mas que consistem apenas em imagens de VHS a fazer coisas. Tudo tem ar de ditador narcisistaa la Moscovo, de política centrada num líder, e ainda assistimos a outros episódios que mostram que o presidente da câmara não sabe o seu lugar: em Abril deste ano, entrou no palco de Ana Bacalhau para aparecer a entregar-lhe flores – o pequeno poder teima em aparecer e precisa de fazê-lo.

Voltando ao arquivamento, as maroscas continuaram toscas. Em novo comunicado, VHS disse que o arquivamento se deveu a ter sido provado que não houve agressões. Mais uma aldrabice, pronta para ser engolida por quem lê à pressa: o que aconteceu foi que não se provou que houve. Salgado estudou Direito, por isso espanta que trate tão mal o português, que não saiba sequer blindar um texto – ou talvez esteja habituado a ditar de cima, perante o amém colectivo à volta. Nesse mesmo comunicado, teve o desplante de falar pela agredida (não é preciso escrever que é alegada), citando alegadas declarações (agora é) suas sobre o crime.

Isto nem inventado. Mas a coisa não parou por aqui. Em Julho, já após a demissão de VHS da Federação de Braga do PS, após pressão de Pedro Nuno, o MP reabriu a investigação. Note-se o quão célere foi a abrir e a arquivar da primeira vez, porque esta parte não passa ao lado de ninguém: passou quase um ano e continuamos à espera do resultado.

Nas autárquicas de Outubro, numa lista independente, com tudo o que era ex-PS atrelado, VHS foi reeleito, numa vitória retumbante: 71,96% dos votos. Ou seja, uma mulher agredida, as provas de uma agressão e uma queixa na polícia não tiveram qualquer consequência eleitoral. Não deixa de ser estranho, tendo em conta que VHS tentou mascarar tudo isto de ardil da oposição. E não deixa de ser preocupante que se trate o espancamento de mulheres como coisa inócua, que não faz mossa ao carácter, que não merece punição. Os comentários online, que acompanhei na altura, exuberavam de mãos lavadas à Pilatos: não só se via a incapacidade crítica e o alinhamento pela teoria da trapaça da oposição, como se repetia aquele ditame tão ultrajante de que entre marido e mulher não se mete a colher. Pelos vistos, nem a Justiça, nem o voto.

Tudo isto para chegarmos a este ponto: se alguém continua a negar que a estrutura da sociedade portuguesa é intrinsecamente machista, tem aqui contraditório. Povo, agentes políticos e Justiça unem-se para safar mais um homem violento – perdão, alegadamente violento. O caso não fez grande estrilho entre o comentariado e, na própria cidade, ninguém pareceu muito interessado, os resultados que o digam.

Não é caso único, e é precisamente por isso que é estrutural. Publiquei há quatro anos um romance cuja acção se passa no centro de Vizela, onde nasci e vivi até à idade adulta. Amor estragado conta a história de uma família que se desfaz devido ao alcoolismo e à violência doméstica. Aos olhos de todos, Ema vai levando porrada até à morte. Tudo podia ter sido evitado, mas não foi. Muitos leitores perguntam-me porque é que ninguém fez nada. Mas o romance conta o que se passa na vida, e o que se passa hoje também: tende-se a olhar para a violência doméstica como um assunto íntimo, em relação ao qual o colectivo pouco tem a dizer. E isto não deixa de espantar: fosse uma mulher a meter-se com o vizinho, e lá vinham os Netos de Moura em catadupa meter o nariz na vida alheia.

Posto isto, o Ministério Público, outrora tão célere, está à espera de quê para dar resposta? É um caso assim tão complicado? Sara foi agredida, Sara acusou o marido. Mentiu, difamando-o? Mesmo assim, a agressão foi provada: o agressor é outro? E o marido não se indigna? O Ministério Público meteu férias outra vez? Continuamos à espera.

Já chegou às universidades...

 

Pais e agências de pseudo-pedagogia, continuem pelo mesmo caminho que vão bem.

Não sei porque se ofende

 

Não há grande diferença. No essencial são ambos radicais, sonsos, populistas e inconsequentes.


May 17, 2026

Alentejanas 💪



Uma investigação da Universidade do Minho sobre a necrópole de Torre Velha 3, em Serpa, mereceu destaque na secção de cultura do jornal francês Le Figaro. O estudo, publicado na revista científica Quaternary, revela que, há 4.000 anos, as mulheres do Baixo Alentejo eram enterradas com punhais e artefactos de combate — e que as suas sepulturas eram frequentemente as mais ricas de toda a necrópole.
- Tribuna Alentejo




A Rússia não é invencível. Tem é sido poupada

 

A pedido dos EUA. Porém, já não há razão para isso. Os EUA traíram os afegãos, traíram a Dinamarca, traíram a Ucrânia e agora traíram a Polónia e Taiwan. A Europa está a rearmar-se. Em 2025, os países europeus membros da NATO e o Canadá gastaram 574 mil milhões de dólares em defesa – um aumento de quase 20 % em relação ao ano anterior. Este foi o maior aumento anual registado nos últimos 70 anos. Dado que a UE corre o risco de perder o seu valor enquanto projecto de paz se se transformar numa união de segurança sem um acordo político mais equilibrado e abrangente, é preciso pensar no rescaldo político deste rearmamento. Este é num artigo sobre este assunto: https://theconversation.com/europe-is-rearming-itself-without-addressing-the-political-consequences


Zelensky's update

 

Moscovitas percebendo as mentiras de Putler

 


Russos descobrindo o preço do imperialismo



💥 Bum! Bum!

 

Quando não houver petróleo, não há bombas...


Citação deste dia



Garry Kasparov

The United States won’t stand up to Russia until Republicans stand up to Trump.

(Os Estados Unidos não enfrentarão a Rússia enquanto os republicanos não enfrentarem Trump) 


Russos percebendo os custos do imperialismo

 

Mas nem mesmo assim se revoltam contra Putler.

"A esquerda tem um dom notável para estar errada com total convicção"

 


No jornal The Australian 🇦🇺 de hoje:
 «As medidas de proteção baseadas no género, concebidas para proteger as mulheres [de homens predadores], podem agora ser utilizadas por homens biológicos que se identificam como mulheres para passar por cima das mulheres que se recusam a ceder às suas exigências.»



Trump mandou os servos da sua administração fazer o trabalho sujo

 

Aqui está Rubio a dizer que os EUA deram uma facada nas costas de Taiwan. Como o problema da Rússia não está resolvido, o cancro está a metastizar. Primeiro o Irão, agora a China. E mesmo assim os europeus ainda não estão totalmente convencidos. A ascensão dos EUA ao patamar dos Estados autoritários e mafiosos é também a sua queda a médio e longo prazo. Mas Trump está-se nas tintas porque morre no curto prazo e entretanto ficou muito rico.


Esta percepção começou quando a Ucrânia entrou decisiva e massivamente na Rússia com drones

 

Em conjunto com as sanções da Europa. Só agora a Rússia começou a perceber os custos do imperialismo.


Não haveria ditadores se não houvesse tanta gente com mentalidade de servo

 


A BBC vai passar uma série a dizer que a rainha Isabel I era uma trans

 

Claro que na cabeça dos misóginos trans uma mulher nunca poderia ser uma grande rainha: ou seria um homem biológico disfarçado de mulher ou uma mulher que na verdade era um homem. Isto é o que a esquerda chama progressivismo. A BBC transformou-se num lixo ideológico.


Porque é que todos os homens beneficiam da violência dos homens contra as mulheres

 


O comportamento dos homens biológicos trans

 

"A esquerda tem um dom notável para estar errada com total convicção"

 

E chamam a isso progressivismo. Os homens biológicos trans são contra as lésbicas poderem ter espaços de lésbicas sem homens.